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bryan_ferry_eleni_karaindrou_eternity_and_a_day.jpImagens: Robinson Kanes

 

Dizem que o fim-de-semana se avizinha chuvoso... É, portanto, uma óptima oportunidade para ir à praia sem andar aos encontrões. Ou então... Ou então, sempre podemos ouvir alguma coisa para nos animar alma. Esta semana partilho um dos meus intérpretes de eleição, o senhor que andava de fato quando todos os outros usavam calças de ganga e cabedal: Bryan Ferry! Destaco o albúm "Let's Sitck Together" e o single que lhe dá o nome - uma malha daquelas, já para não falar em "Shame, Shame, Shame" ou "The Price of Love". Ferry consegue sempre juntar a total libertação com músicas verdadeiramente apaixonantes, gosto disso...Vai ser um gosto voltar a encontrar-te em Setembro, Bryan! 

Para outros ambientes, faço um dois em um com o filme  "Eternity and a Day" de Theo Angelopoulos e vencedor da Palma de Ouro em 1998! É um filme interessante, adaptado aos dias de hoje - o escritor perto da morte enfrenta a vida e as emoções que não viveu... Ir mais longe já é desvendar o filme. Gostei especialmente da interpretação de Bruno Ganz no papel de Alexander, vão perceber porquê. Uma nota para quem não conhece o estilo de Angelopoulos... Não se assustem, no final vão adorar.

E é neste dois em um que destaco a banda sonora de Eleni Karaindrou, de quem já falei aquando do tema  "To Vals Tou Gamou". A banda sonora é simplesmente encantadora e transporta-nos, mesmo sem se conhecer o filme, para pensamentos que muito provavelmente não serão diferentes daquilo que passava pela cabeça de Alexander. É o mote para viajarmos dentro de nós... 

Finalmente, e como prometido aqui, partilho uma das leituras mais interessantes e carregadas de humanidade que podemos ter, sobretudo quando estamos a falar de doentes terminais. Marie de Hennezel é um uma referência para todos aqueles que trabalham nesta área ou se interessam pela mesma, sobretudo se com trabalho desenvolvido em áreas como a psicologia clínica, psiquiatria ou até serviço social. Não excluo com isto, pois mencionei psiquiatria, outras especialidades médicas que também têm muito a beber do trabalho de Hennezel. "Diálogo com a Morte" pode ser um livro pesado, sobretudo para os mais sensíveis, mas demonstra-nos como é possível "morrer bem" e de como é possível conseguir encontrar humanidade e serenidade na morte. Ficamos também com uma clara ideia do trabalho de Hennezel nesta área e das suas conquistas em França onde a vontade desta senhora chegou ao mais alto nível da governação acabando numa grande amizade com o François Miterrand - quem também acompanhou nos seus últimos dias de vida. Um livro com emoções mas com a realidade bem presente.

IMG-20190712-WA0001.jpg

Acredito que tudo isto num fim-de-semana cria uma espécie de up & down de emoções, mas afinal, o mundo também não se transforma em linha recta.

 

E porque é importante pensarmos, se a chuva entretanto der lugar ao sol e formos à praia, que cerca de um milhão de espécies se encontra em risco de extinção e o planeta enfrenta, muito provavelmente, a sexta extinção em massa da sua história.

 

P.S.: este fim-de-semana termina o FMM!

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35 comentários

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P. P. a 26.07.2019

Em momento algum referi que o livro é de ficção. Da mesma maneira que "não é" por lermos um ou vários livros a respeito de uma realidade que ficamos totalmente preparados para as diferentes variáveis (devo sorrir?). Contudo, gostava que me esclarecesses o significado que quiseste dar a "morrer bem". Com cuidados paliativos entendo. Mesmo assim, no momento em que a pessoa nos olha nos olhos, como que querendo dizer algo e subitamente deixa de viver... Na verdade, em qual ponto final não entendo o significado. Isto é, quais os estudos que comprovam que o doente "morreu bem"? Quais os estudos que comprovam a tranquilidade na passagem da vida para a morte?

De salientar que, apesar de ter assistido e acompanhado esta realidade em dois casos diferentes, como cuidador informal, não me julgo sábio ou douto na matéria. Sensível, talvez...
A sensibilidade não está à venda.
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Robinson Kanes a 26.07.2019

"Relativamente à sugestão de leitura, não sei qual é o significado de "morrer bem", aplicado a doentes terminados sem quaisquer cuidados paliativos. Uma realidade que vivi de perto e não na ficção."

Para mim é claro... O parágrafo é o mesmo e fica subjacente uma certa insinuação. Se interpretei mal, pois bem - má interpretação minha.


Não é... Mas quando são escritos por bons profissionais e até vão ao encontro daquilo com lidamos diariamente podem ser uma grande ajuda até porque em muitas situações estamos de tal modo embrenhados num caso que só quem está de fora pode dar um "input" e ajudar a que possamos "ver" melhor. Sorrir? Cabe-te a ti decidir, eu sorrio :-)

Respondendo à tua questão - poderei procurar alguma bibliografia e investigações feitas, como entenderás, não é algo que se faça com uma rápida pesquisa no "google", não é assim que funciono. No entanto, de um modo muito sucinto posso... Não, vou deixar que os estudos o façam, afinal és alguém que tem reforçado bastante a questão de ter passado por isso.


"A sensibilidade não está à venda."

Mas é um óptimo campo para se trabalhar o marketing e gerar vendas :-)))

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