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Netanyahu e o Discurso da Vergonha!

por Robinson Kanes, em 19.04.19

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Créditos: https://www.aljazeera.com/news/2016/02/israeli-forces-kill-young-palestinian-woman-hebron-160213113005302.html

 

Os Estados Unidos não irão responder, perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra no Afeganistão - caberá a cada norte-americano envergonhar-se desse facto. Quem não perdeu tempo a pronunciar-se foi Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelita. Netanyahu, vem enaltecer esta decisão pois trata-se de uma oportunidade única de ver o seu país ilibado do terrorismo de Estado que Israel comete sobre a Palestina - isto sem querer ilibar algumas práticas violentas também levadas a cabo pelos palestinianos.

 

Para Israel, pois é em nome de Israel que Netanyahu fala, o TPI parece querer implicar com as democracias, como se um país democrático dentro de portas, mas que se comporta como um genocida fora delas, pudesse dispensar os tribunais de direitos humanos. O outro facto apontado é o de que, tanto Estados Unidos como Israel, não são membros do TPI. Eu também não sou membro de nenhum tribunal mas isso não significa que não seja chamado à justiça. O que Netanyahu quer dizer é que os seus soldados podem abater crianças (só porque sim) que isso não tem qualquer impacte negativo na medida em que Israel se julga impune a toda e qualquer lei! Mas o que terá a dizer Netanyahu das democracias árabes que, para ele, são um antro de terroristas? Com que cara continuará a criticar países como o Irão ou até a Arábia Saudita? Afinal são países, nomeadamente o Irão, onde também existem eleições democráticas.

 

Temo que Netanyahu não possa ser sequer apelidado de terrorista, pois custa perceber as suas motivações e o seu discurso, pelo que, não quero cair no erro de tecer um elogio ao apelidar o mesmo de terrorista.

 

Mas vejamos, e em jeito de conclusão... Será que o primeiro-ministro israelita é contra os julgamentos de Nuremberga? Será que o primeiro-ministro israelita defende que as condenações emitidas contra os nazis não deveriam ter ocorrido? Afinal a Alemanha de Hitler não estava sujeita ao escrutínio de entidades como o TPI!

 

Finalmente, Netanyahu esquece-se de que quando aponta o dedo a outros regimes, também estes pensam exactamente como ele. Netanyahu precisa dos Estados Unidos, caso contrário, Israel desaparece do mapa no dia seguinte, no entanto, não tem de se comportar como um ditador e muito menos assumir uma sensação de impunidade que envergonha qualquer democracia e qualquer cidadão israelita. Se ainda hoje existem indivíduos que negam um facto concreto que foi o Holocausto, tal também se deve ao efeito cópia que uma nação como Israel demonstrou ao longo dos anos.

 

Na verdade, Netanyahu voltou a ganhar as eleições... Mas custa-me acreditar, até pelo que conheço de Israel e de muitos israelitas, que os cidadãos daquele país se revejam nestas palavras e neste sentimento.

 

Infelizmente, não é só em Portugal que faltam verdadeiros HOMENS, e em Israel o legado Yitzhak Rabin e Shimon Peres parece estar cada vez mais entregue àqueles que pensam como o radical que assassinou o primeiro!

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2 comentários

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Sarin a 01.05.2019

A amizade nasce de interesses comuns: parte do PIB norte-americano nasce de capital judaico, sionista ou não; fosse Fort Knox um time share e haveria sinagoga. E sabe-se como Trump usa a Casa Branca para promover os seus negócios.

Bibi não tem vergonha na cara. Não lhe será difícil discursar sobre qualquer tema.


Já agora, convém não esquecermos que o governo de Golda Meir decretou a morte dos terroristas que mancharam o espírito olímpico em Munique. De 1972 a 1981 a Mossad perseguiu vigiou e matou membros do Setembro Negro um pouco por todo o mundo, Europa muito na lista. As únicas represálias que os israelitas receberam vieram da OLP e de países que a apoiavam. Mas ainda recentemente na UE vários países ponderaram sanções e Theresa May chegou mesmo a expulsar diplomatas russos por causa do caso Skripal. Em caso inverso, os "do outro lado" fariam exactamente o mesmo. A hipocrisia não obedece a qualquer geografia política, parece que chega com o cargo. E a impunidade é antiga.
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Robinson Kanes a 02.05.2019

A questão de Israel é muito complexa e de facto a proximidade com o Ocidente tem levado a que muitas questões menos boas se perpetuem ano após ano. A Mossad fez o que fez com total consentimento da Europa e apoio das próprias secretas europeias.

Entretanto, os palestinianos vão pagando caro uma guerra que não parece ter fim... Até porque, e volto a reforçar, os israelitas "não se podem" rever em muitos destes dicursos e práticas!

Trump terá uma coisa boa - veio agitar o "status quo", os EUA precisam disso. O futuro pós-Trump será mais sorridente por isso mesmo (ou assim o espero, até porque não vejo grandes sucessores, pelo menos para já). E claro o "America First" também tem disto...

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