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Nascem os Filhos, Morre o Casal.

por Robinson Kanes, em 05.01.17

skilsmisse_kort.jpg

 

Esta manhã dei com uma "notícia" que me surpreendeu, pelo menos durante uns minutos pois... comecei a matutar... a matutar... e...

 

Falava a notícia, de um casal japonês, de Nara, cujos indivíduos não falavam um com o outro, apesar dos três filhos e de estarem a partilhar a mesma casa, há mais de 20 anos. Confesso que não consigo estar uma hora sem falar com quem gosto, mesmo quando me zango seriamente... imaginem 20 anos.

 

Mas, lendo um pouco mais, apercebi-me que o motivo da "querela" ainda era mais absurdo: ciúmes! Ciúmes daquele "marmanjo" a quem a Sra. Katayama começou a fazer "sorrisinhos"? Não! Ciúmes, por parte do Sr. Yumi (nome interessante para máquinas de cozinha) porque a esposa começou a colocar toda a sua atenção nos filhos.

 

Não batam no Sr. Yumi! Coloquem-se numa posição em que a mulher (ou homem) que amam vos deixa de dar aquela atenção e aquele carinho que sempre vos havia dado até surgir aquele "intruso"...

 

Comecei a matutar... a matutar...

 

Hélas! Conheço algumas situações em que isto acontece, ou mais ou menos. Quem nunca conheceu um casal, muitas vezes bastante apaixonado, que aquando do nascimento de um ou mais filhos viu essa paixão esmorecer ou extinguir-se? O canalizar de toda a atenção (doentia, por vezes) para o filho e ignorando a vida em casal... quem nunca conheceu aqueles casais que utilizam a desculpa dos "filhos" para não viverem? Quem nunca conheceu aquela senhora para a qual os americanos criaram a expressão mama bear?

 

O nascimento de um filho pode ser uma verdadeira dor de cabeça ou o fim da paixão, sobretudo quando a pressão social também tem um papel importante. É egoísta viver a relação e não desejar ter um filho? Malthus diria que não (e eu também), gente no mundo não falta pelo que não seria assim tão grave, pelo contrário.

 

Estudos sobre esta matéria não faltam:

Doss, Brian D.; Rhoades, Galena K.; Stanley, Scott M.; Markman, Howard J.
Journal of Personality and Social Psychology, Vol 96(3), Mar 2009, 601-619. http://dx.doi.org/10.1037/a0013969

The Effect of the Transition to Parenthood on Relationship Quality: An Eight-Year Prospective Study

 

Ahlborg, T. and Strandmark, M. (2001), The baby was the focus of attention – first-time parents’ experiences of their intimate relationship. Scandinavian Journal of Caring Sciences, 15: 318–325. doi:10.1046/j.1471-6712.2001.00035.x

The baby was the focus of attention – first-time parents’ experiences of their intimate relationship

 

The baby and the marriage: Identifying factors that buffer against decline in marital satisfaction after the first baby arrives.
Shapiro, Alyson Fearnley; Gottman, John M.; Carrére, Sybil
Journal of Family Psychology, Vol 14(1), Mar 2000, 59-70. http://dx.doi.org/10.1037/0893-3200.14.1.59

The baby and the marriage: Identifying factors that buffer against decline in marital satisfaction after the first baby arrives.

 

Estão convidados a dar mais contributos.

 

Aproveito o facto de estarmos a falar dos filhos, e posto que os temas interessantes devem ser discutidos, para vos remeter para uma discussão bastante actual no blogue "O Último Fecha a Porta", nomeadamente Mummydaddy blogs ou mummydaddy business

 

Fonte da imagem: http://sciencenordic.com/sites/default/files/imagecache/620x/skilsmisse_kort.jpg 

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41 comentários

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De Sónia Pereira a 05.01.2017 às 13:24

O tema de que falas é, em certos círculos, quase tabu. Primeiro, é socialmente condenável assumir-se que não se deseja ter filhos, depois, enquanto pais, é socialmente condenável assumir-se que os filhos não são a fonte principal e única de felicidade. Como mãe, costumo reservar para mim o que penso sobre a maternidade e laços parentais porque as minhas opiniões seriam, para muitos, ofensivas.
Só deve ter filhos quem quer filhos e o mesmo se aplica ao número de filhos que se quer (como dizes e bem, o mundo já está sobrepovoado). Depois, perturba-me a forma como algumas pessoas vêm os filhos como se fossem o centro do universo, uma espécie de rei sol a ser venerado. A criança é mais um elemento da família, não o centro, o topo da família. Essa postura de anulação e adoração terá, certamente, implicações futuras no desenvolvimento psicológico da criança.
Mas muito poderia ser dito sobre isto e muito mais tem de ser calado para não escandalizar.
No meu blog escrevi dois textos um pouco propósito disto há uns tempos mas é assunto com muito pano para mangas.
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De Robinson Kanes a 05.01.2017 às 14:07

Será que um desses tópicos ofensivos se prende também com o facto de muitos pais negarem o facto de muitas vezes sentirem que só têm vontade de ser "atirar os filhos pela janela?

"perturba-me a forma como algumas pessoas vêm os filhos como se fossem o centro do universo, uma espécie de rei sol a ser venerado. A criança é mais um elemento da família, não o centro, o topo da família. Essa postura de anulação e adoração terá, certamente, implicações futuras no desenvolvimento psicológico da criança.".

Confesso, eu próprio, concorde ou não, que o facto da criança ser o centro do Universo será sempre uma escolha dos pais. Contudo, essa visão da paternidade não deve ser (como geralmente o é) muitas vezes imposta a quem pensa de forma diferente. E sim, empiricamente o rei-sol mais tarde torna-se num absolutista, sobretudo na idade adulta.

Tens os links do seu desses textos? Estás à vontade para partilhar aqui... afinal, também fiquei curioso.

Obrigado por mais um comentário com sabedoria.

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De Sónia Pereira a 05.01.2017 às 14:32

Muito se passa no seio de um casal após o nascimento de um filho. Pessoalmente, senti isso que referes (vontade de atirar o filho pela janela) e não serei a única. Mas é difícil, num contexto social, alguém admitir tal coisa. Senti que talvez tivesse cometido um erro ao querer ser mãe, senti um rol de emoções que felizmente pude discutir com o meu companheiro. Agora, suponho que muitas pessoas, principalmente mulheres, se sintam na obrigação de corresponderem a um padrão de comportamento que julgam o normal, o obrigatório. Amar incondicionalmente os filhos, negar os desvarios inerentes à maternidade, exultar as belezas da mesma sem nunca questionar. E se não sentirem que se podem abrir sobre o que sentem, talvez isso as leve a comportamentos um pouco extremos e artificiais.
E apesar de estarmos aqui a ter esta conversa, ainda há pouco tempo uma qualquer pessoa admitiu num blog ou forum na net que não gostava de amamentar, se sentia como uma vaca leiteira e bastou esse comentário para ser completamente trucidada pelos outros comentadores. É mais admissível essa obsessão pelos filhos, esse relegar para segundo plano de tudo o resto, do que admitir dificuldades, dúvidas, ligadas à maternidade.
Quanto aos textos de que falava, um vem a propósito dessa veneração que os pais têm pelos filhos: http://quimeraseutopias.blogs.sapo.pt/os-filhos-740
O outro texto tem a ver com a questão do filho único e com a quase imposição social de se continuar a procriar: http://quimeraseutopias.blogs.sapo.pt/o-filho-unico-pecado-social-10498
É sempre bom encontrar um sítio onde se pode discutir assuntos relevantes sem preconceitos. :)
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De Robinson Kanes a 05.01.2017 às 18:40

Muito Obrigado!


A pressão social, a imagem social... e uma vida de frustração. Há coisas que nunca deveriam ficar oprimidas na nossa cabeça... estas são algumas delas.

Será que essas "mães" estão mesmo a ser mães? Será que esse tipo de maternidade é realmente o caminho mais correcto (tendo em conta que podem existir vários caminhos)? Sob a capa do politicamente correcto não estaremos a criar mães e filhos artificiais, como referiste, e com reflexos negativos no bem-estar dos mesmos?

As redes sociais... a nova Ditadura das massas... antes tínhamos um ditador e uma minoria que procurava controlar a maioria... hoje temos um número muito elevado de indivíduos a tentar controlar um outro número de indivíduos... mesmo que muitas vezes concordem com os mesmos mas não considerem a opinião politicamente correcta.

Temo que não existam mais mães/pais que exteriorizem alguns sentimentos em relação ao "ter e criar" filhos. Talvez fosse possível ter mais mães felizes se estas pudessem dizer que se sentem vacas leiteiras e consequentemente falar sobre isso. Acredito piamente que as coisas seriam diferentes para melhor.

Assisto a algumas situações em que o discurso de mãe chega a tal ponto que fico com a sensação de que a(s) senhora(s) em questão pensam ser as únicas dotadas de capacidade para ter um filho.

Vou passar com toda certeza nos teus artigos e obrigado pela partilha.

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