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Não sejas mariquinhas...

por Robinson Kanes, em 02.10.20

london_imperial_war_museum.jpg

Imperial War Museum - London

Imagem: Robinson Kanes

 

Não possuindo uma cultura própria também não revela interesse em adquiri-la. Ao contrário do proletário do início da Era Industrial, que se organizava em clubes que, muitas vezes, eram também associações operárias que aspiravam a uma formação, o membro da classe baixa moderna parece há muito ter desistido de si próprio.

Gabor Steingart, in "O Conflito Global ou a Guerra da Prosperidade"

 

 

 

Enquanto os velhos continuam a morrer miseravelmente em lares ilegais, enquanto vão sendo aprovadas leis e atropelos às mais variadas liberdades, pois alguns temas fracturantes, sobretudo nos países da Península Ibérica vão sendo colocados em segundo plano, o que em Espanha já começa a gerar alguma contestação, por terras lusas uma das prioridades actuais é condicionar a formação militar por intermédio da não utilização de algumas expressões. Apenas um aparte: serei apenas eu, ou actualmente falamos de lares ilegais como se fosse a coisa mais normal do mundo? "Morreram 10 idosos num lar ilegal", "os lares ilegais estão a adoptar medidas para...", "o director de um lar ilegal diz que está tudo sob controlo". Acho que "lar ilegal", subinho o "ilegal" deveria ser suficiente para... Afinal, se colocar uma nota publicitária na janela do meu estabelecimento e não pagar a respectiva licença arrisco-me à multa e ao encerramento.

 

Todavia, parece que o Ministério da Defesa quer proibir algumas expressões em meio militar e que podem ser ofensivas, quer para mulheres quer para não heterossexuais (perdoem-me a não utilização do L+ uma série de letras, mas o espaço aqui é pouco) e para indivíduos de outras raças. Voltamos a dar um salto por cima da educação para a cidadania e a promover a obrigação de comportamentos ao invés de tentarmos trabalhar a sociedade de forma coerente. Actualmente é comum, sobretudo em países ocidentais e com importações de um país maior, se procurar alterar a ferros a weltanschauung e sempre que isso acontece, alguém acaba fuzilado no longo prazo.

 

Destacam-se, neste âmbito, expressões como "não sejas mariquinhas" ou "até pareces uma menina". Em meu entender, sobretudo em relação à primeira, não sei quem é mais homofóbico, se quem utiliza a expressão se aquele que entende a mesma como ofensiva à sua pessoa. Não acredito em agendas pré-preparadas, mas admito que existem situações que começam a extravasar aquilo que é admissível e com sérias consequências (negativas) ao nível social e cultural. Um país com tantos pedófilos à solta e com tantos processos controversos deste âmbito, alguns oriundos do antigo regime, "completamente abafados", está preocupado se o Sargento Meireles chama "mariquinhas" ao Soldado Rodrigues!

 

No caso dos meios militares, este género de ideias só pode vir de quem nunca colocou o pé num quartel, quanto mais em combate. Em termos de instrução a pressão faz também parte, e sim, chamar nomes à mãe, à mulher e aos filhos, levar o ser-humano à condição mais humilhante possível. Terror? Quem não quiser tem a hipótese de não se submeter, mas importa lembrar que é isso que lhe pode salvar a vida, por exemplo, se for capturado pelo inimigo. O que não pode acontecer é assistir a um soldado revoltado e muito incomodado que deixa as armas e os camaradas para trás porque do outro lado do terreno o inimigo gritou "seus maricas!". 

 

Começamos a desenvolver nichos perigosos em que, por estes dias, só uma troca de olhares já vai servir de mote para colocarmos alguém na cadeia. Como também alguém diria, "nos entretantos" muitas situações vão ocorrendo sem que exista inquietação, um pouco como aqueles que criticam ou forçam teorias sobre Trump ou Biden por serem indecorosos e vivem obcecados com o primeira mas são os primeiros a pactuar com muitos dos males que assolam o seu país, estão os deuses com vida difícil na medida em que escasseiam os espíritos livres, como nos diria Nietzche... E em suma, entre ter lares ilegais e velhos a morrer por lá (e é só um exemplo) como se ambas as situações fossem as mais normais do mundo, andamos mais cogitativos com o "pareces uma menina, pega na G3 como deve ser"...

 

E sim, ainda hoje a alemã me disse "não sejas maricas" porque estava todo abrigadinho da chuva e parecia um totó!

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