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Múmias nos Corredores das Empresas...

por Robinson Kanes, em 09.04.18

 

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Fonte da Imagem: http://www.businessinsider.com/recruiter-says-to-speak-up-if-a-hiring-company-ghosts-you-2017-8

 

 

Um destes dias tive oportunidade de visitar uma empresa portuguesa, uma daquelas organizações empresariais de topo, que todos admiram, que é um exemplo nas boas práticas. Estou a falar de uma daquelas organizações empresariais onde não faltam centenas de actividades de team-building, uma daquelas organizações empresariais onde muitas outras organizações e indivíduos fazem questão de dizer que fizeram consultoria mesmo que tenham realizado empreendimentos de... nada...

 

Espantou-me, com efeito, que ao chegar a essa organização e tendo passado por meia dúzia de pessoas, nem uma me tenha dito boa tarde! Aliás, pelo semblante que apresentavam, até tenho dúvidas se, entre colegas, o fariam. Como tive de esperar, porque cheguei cedo, pude assistir a um sem número de indivíduos mudos e “trombudos” - aqueles indivíduos que, pelo look, usam roupa moderna e cara, que apresentam aquele semblante do “yeah estou muito à frente”, que usam o smartphone mas, na realidade, a verdade é que podemos rechear alguém a ouro num minuto mas, trabalhar a mentalidade e a educação já pode demorar um milénio, e mesmo assim, o sucesso não é garantido. Lembrei-me logo de muitos empreendedores e gestores casual que o são no vestuário e na imagem, mas em termos de mentalidade não são diferentes do antigo merceeiro.

 

A verdade, é que estas personagens passavam por mim, umas atrás das outras e nem uma – foram umas 30 – conseguiu esboçar um sorriso ou, pelo menos, soltar aquele “boa tarde” arrancado a ferros e dito entre dentes.

 

Na verdade, se eu fosse alguém com responsabilidade naquela organização e soubesse que era esse o comportamento da minha equipa, podem ter a certeza que muitos dos que lá habitam não estariam lá por muito mais tempo! Uma organização que gasta milhares de euros em formação, programas de engagement e num sem número de actividades paralelas, em meu entender, não pode consentir que estas múmias andem pelos seus corredores – e não, não fui a uma entrevista de emprego, estive lá, mesmo como cliente.

 

Podemos sempre dizer, sobretudo os mais sindicalistas: “mas eles andam assim porque a organização não lhes dá condições!”. Podemos sempre dizer isso, mas porque é que eu tenho de deixar que uma organização empresarial com más profissionais me destrua e me transforme numa múmia? A tendência a que assisto é a de que ninguém se importa de ser esses zombies desde que, no fim do mês, o dinheiro possa cair na conta, mesmo que a felicidade não seja mais importante que uma ostentação balofa. E também friso... Uma organização são as pessoas, e nem sempre são os líderes que provocam este ambiente.

 

 

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3 comentários

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Rita PN a 09.04.2018

Em primeiro lugar, saudar com um "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite" é uma questão de educação e princípio, independentemente de a vida nos ir de feição ou em sentido inverso.
Ser "múmia" nos dias que correm é um complemento recorrente, na medida em que todos se movem absortos no "eu", alheios ao universo em redor, seja por que motivos for. A sociedade é esse o caminho que tem traçado, ajudada pelo "culto do eu" e das redes sociais. O "mumismo" é uma derivação do egoísmo ou egocentrismo, como preferires chamar.
Por outro lado, e independentemente das políticas das empresas, da pressão maior ou menor, dos objetivos reais ou estapafurdios, das Pessoas ou dos números, dos RH ou falta deles, das condições melhores ou precárias de trabalho, deverá imperativamente existir zelo naquilo que se faz, no serviço que se presta e ter em conta que quem nos paga o vencimento maior ou menor é o cliente. Como tal, a primeira coisa a fazer é saudar e sorrir. O cliente não tem culpa se chove, se o marido não dormiu em casa, se o filho vomitou a sopa, se a andorinha morreu ou se, simplesmente, acordámos menos vivos (o que é comum a todos os Seres Humanos porque, graças a Deus, a perfeição não existe e todos somos falíveis).

Uma questão te levanto, que percebes disto mais do que eu, em empresas semelhantes, com inúmeras preocupações no que respeita a formações, team building e essas coisas que também vão e vêm consoante as modas, e o que se considera ser "in" ou ultrapassado, será que as mesmas estão bem direcionadas e alinhadas com os objetivos pretendidos?
Pergunto isto porque, apesar de salas cheias de equipas, já assisti a palestras/formações/dizeres onde o epicentro era o "eu" de cada um e nunca o conjunto, a equipa, a simbiose, a partilha e a entreajuda.
Ou seja, aquilo que se fomentava era cada vez o individualismo, o eu sou fixe, eu sou bom, eu tenho que ser o melhor de mim mesmo, esquecendo por completo o que é espírito de equipa, trabalhar em equipa e atingir resultados conjuntos.
E daqui vem tudo o resto, incluindo ausência da saudação.

Enfim, em Beja as pessoas são educadas, apesar de tudo...
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Robinson Kanes a 09.04.2018

Olha que aqui crio um paradoxo na minha abordagem, mas para dizer por dizer, mais vale estar calado :-)

Estranhamente, esse mutismo encontra a sua antítese nas redes sociais, por exemplo - o tipo carrancudo transforma-se nas redes sociais...

"deverá imperativamente existir zelo naquilo que se faz, no serviço que se presta e ter em conta que quem nos paga o vencimento maior ou menor é o cliente. "

E é aqui que temos de ser responsáveis! No dia em que não conseguirmos olhar o cliente e dizer um bom dia porque estamos mal com a organização, é uma boa altura para pensarmos na nossa carreira naquela organização, ou até colocar isso em cima da mesa.

Respondendo à tua questão... Não foram raras as vezes que assisti a pedidos de formação sem se saber propriamente quais eram os objectivos das mesmas e o que se pretendia com elas - é claro que aqui, quem dá formação também tem de tentar perceber tudo isso mesmo antes de impingir o que quer que seja - por vezes uma abordagem "old school" é o que faz falta para determinado caso e não o último grito da moda... Isto é só um exemplo redutor, além de que, muitas são as organizações que têm formadores internos e aí, sobretudo em termos de "soft skills" a responsabilidade é grande e a margem de erro na avaliação das necessidades de formação tem obrigatoriamente de ser menor... Além de que é preciso perceber que os problemas não se resolvem com uma simples formação - foi esse o motivo que, tendo estado à frente de equipas, me levou a fazer uma incursão por outros campos, nomeadamente na área da formação, "empowerment" e recursos humanos, nomeadamente numa lógica mais de "learning & development" - mas respondendo de uma forma mais dura... Sim, muitas vezes solicita-se formação sem se perceber bem o problema que se quer resolver - até porque é necessário pensar muito bem o problema antes de passar à solução.

O discurso de muitos, não todos, vai actualmente pelo foco competitivo! Isso é positivo, sobretudo num mercado onde competimos com empresas concorrentes, no entanto, sempre defendi, mais que a competição, a cooperação - o foco na competição e no eu não cria equipas, aliás, destrói esse espírito!... Depois, em termos de palestras, mais especificamente, tenho assistido ao acentuar do "eu" na pessoa que as dá, quando o foco devem ser os participantes. O "storytelling" mal feito (agora existe uma corrente que defende com unhas e dentes que o "storytelling" é bom mesmo que seja uma aldrabice - acredito que é bom sem estar colado a esse conceito) e o foco na pessoa que dá a palestra arruina qualquer sucesso - pode ser giro mas tenho dúvidas em relação aos resultados...



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Rita PN a 09.04.2018

Antes de prosseguir, obrigado pela tua resposta. Foi de encontro a todos os pontos que muitas vezes me geram dúvida, sendo devidamente fundamentados e respondidos.

"Não foram raras as vezes que assisti a pedidos de formação sem se saber propriamente quais eram os objectivos das mesmas e o que se pretendia com elas" - ora bem, isto faz-me lembrar uma história em que o responsável de uma organização pediu ajuda a um grupo externo para resolver o problema da sua empresa. Contudo não o sabia identificar. Feita a avaliação, o problema era... ele!

Quanto ao storytelling, defendo-o se aplicado a marcas e se devidamente utilizado como marketing. Se o indivíduo for uma marca, e saltam-me à memória como exemplos rápidos o Steve Jobs e o Cristiano Ronaldo, porque não? É esse storytelling que os mantém vivos, mesmo depois da morte, no caso do primeiro. Agora sejamos ponderados, coerentes, verdadeiros no que toca a valores e princípios, e assertivos, porque não vale tudo, tanto menos a patranha, cuja máscara voa à mínima rabanada de vento.
A título individual, não gosto muito de aplicar o conceito de storytelling enquanto tendência. A nossa história existe sempre. Todos temos e fazemos a nossa história. Se é necessário estar sempre a contá-la? Não. Corre-se o risco de se ser esses tais oradores assentes no "eu". Ou pior, ser o indivíduo egocêntrico e alheio aos demais. Ou o colaborador que se considera "a última bolacha".
Também existe o "coitadinho", e sim, é uma vertente do storytelling muito comum nos EUA, com o objetivo de mostrar a superação ou de valorizar as conquistas! (Paradoxo? Utilizar a história do coitadinho para valorizar conquistas?) Bom, mas já estou a desviar caminho.

Em suma, quando não estamos bem ou não nos integramos devidamente num determinado grupo, organização ou meio, o caminho é mudar. Identificarmo-nos nos valores, nas ações, nos meios, na forma, no conteúdo, na dinâmica, no fazer é fundamental para o sucesso individual e conjunto. Porque não somos apenas nós que fracassamos (não por incompetência, mas por inadaptação), a empresa também sai lesada por empregar pessoas que não a levam a atingir o objetivo para o qual foram contratadas.
E vamos sempre bater no mesmo, RH.

Espera, dúvida de última hora, há formações contratadas para equipas, cujo objetivo é colmatar as falhas e o erro na filtragem por parte dos RH? Correcto? Era só para confirmar.
(Sim, por vezes as soft skills inexistentes são adquiridas aí. Mas... é mesmo esse o caminho? Os custos aqui inerentes compensam a falha (não o lapso) dos primeiros?)

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