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Créditos: https://medium.com/swlh/stop-working-start-thinking-e2a643c11b86

 

 

Recentemente o eco revelou um relatório da OIT que apontava para o facto de 36% dos trabalhadores a nível mundial trabalharem em excesso. Vejamos, estes relatórios são baseados nas informações que se conseguem, ou seja, trabalho legal, declarado e não escravo - podemos sempre imaginar o que estes relatórios não alcançam.

 

No caso português muito se tem falado - não faltam revistas, comentadores que cultivam o networking, gestores de recursos humanos e não só, que apregoam uma coisa e fazem outra ou então que assumem como obra sua copy-paste de directivas que são emanadas pelas multinacionais para as quais trabalham. Não são raras as situações em que essas directivas constam nos relatórios e nas visitas dos headquarters mas não no dia-a-dia dos demais trabalhadores. Se por um lado já temos muitos gestores que merecem tal designação, ainda temos muitos que vivem no tempo das Descobertas.

 

Fala-se bastante, os amigos distribuem prémios uns entre os outros (não existe só uma maçonaria),  mas os resultados não surgem e continuamos a trabalhar muito e a produzir pouco! Continuamos com a mentalidade de que, mais do que uma produção e organização dos recursos, importa o tempo e a presença. Em Portugal é mais fácil criar manobras de diversão para uma chefia (envio de emails sem interesse ou movimento de caos) do que propriamente convencer a mesma por intermédio dos bons resultados. Isto ainda acontece no Portugal moderno do século XXI. Depois temos outros factores que é a dificuldade em penalizar os maus colaboradores ou então em gerir as chamadas "cunhas", muitas vezes recrutadas por imposição de outrem ou pelo próprio e com as consequências que as mesmas têm. 

 

Existem, contudo, questões que é preciso colocar e têm de ser estudadas por todos:

  • Porque é que trabalhamos tantas horas e produzimos tão pouco?
  • Porque é que não cultivamos uma cultura de mérito? Até porque muitas são as vezes em que produzimos mas não existe eco de achievement
  • Porque é que não criamos espaços de partilha? E quando os criamos rapidamente saímos da discussão, damos a volta por trás e fazemos "valer a nossa"? Ou então acabamos com a discussão e resolve-se autoritariamente.
  • Porque é que a culpa é sempre dos gestores? Mesmo em muitos outros colaboradores existe uma lógica de que ser bom passa por trabalhar horas e mais horas? Muitos são os motivos: insatisfação familiar (inclui marido e filhos), ausência de hobbies e de um sentido de vida, mentalidade tacanha e tantas outras...
  • Estamos dispostos a abdicar de muitos serviços que nos são oferecidos fora de horas e em dias de descanso para muitos dos cidadãos? Existem alguns que são de todo impossíveis, mas os demais?
  • Está o país preparado para proporcionar a mesma oferta a quem trabalha fora dos "picos" e a flexibilizar o trabalho? (um conselho, se forem a uma entrevista questionem sempre o recrutador acerca do que é flexibilidade). 
  • Estamos dispostos a pagar mais por um produto/serviço oferecido por uma organização que reconhece os seus trabalhadores, lhes dá condições e oferece qualidade final ao respectivo produto/serviço?

 

E tantas perguntas que podemos colocar, no entanto, deixei de ir a muitos encontros de recursos humanos em Portugal porque, a título de exemplo, em questões tão básicas como objectivos de produção a pergunta que atormentava muitos profissionais da área era a necessidade de perceber como é que se "picava o ponto" se as pessoas não tinham horário (sei do que falo, pois embora tendo também uma das vertentes da minha formação nessa área, não exerço como profissional da mesma).

 

Deste modo é complicado ir mais além, até porque, e já escrevi sobre isso, se uma coisa tão simples como um "obrigado" tende a ser algo muito difícil de dizer, não vá ser dado alguma espécie de poder a quem o ouve e isso ser uma ameaça a quem o diz. Quando os créditos, a competição (não saudável), a mentalidade mísera e provincina, a impunidade, a ausência de pensamento crítco por parte de outrem, e claro, uma mãozinha parental e estatal são sempre uma presença, é natural que a vontade de evoluir também seja pouco e assim o status quo permaneça inalterável.

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16 comentários

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De P. P. a 23.04.2019 às 16:08

Ainda ontem pensei a respeito "Estamos dispostos a abdicar de muitos serviços que nos são oferecidos fora de horas e em dias de descanso para muitos dos cidadãos? Existem alguns que são de todo impossíveis, mas os demais?"
Pelo menos para mim, sim há serviços que não são necessários. Inclusive certos horários.
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De Robinson Kanes a 23.04.2019 às 19:46

A culpa também é nossa. Eu entendo as organizações - se o meu pico da procura for ao Domingo, é óbvio que vou estar presente. As pessoas não podem é querer algo e o seu contrário.
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De Maria Araújo a 23.04.2019 às 20:19

Penso que estas questões não se põem às empresas estrangeiras que laboram em Portugal, mas há trabalhadores que nelas trabalham que têm uma mentalidade tacanha,e esquecem-se que de repente a porta se abre para o desemprego.
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De Robinson Kanes a 24.04.2019 às 09:30

Em algumas sim... Existem casos em que as manobras de ocultação para as sedes são tantas que custa acreditar - até conheço meia dúzia de casos em particular que até a "cultura do medo"é uma forma de filtrar a informação que passa para fora - isso e o bloquear de comunicações e desenvolvimento dos colaboradores para fora. Mas sim, no geral, com essas organizações as coisas tendem a ser diferente.
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De Maria Araújo a 24.04.2019 às 12:40

E há trabalhadores, os portuguesinhos (as) que pensam que têm o poder de chefia nas mãos, falam demais de quem os "serve", inclusive os segredos dos RH, que deviam ficar por aqui, e ninguém os acusa, com medo.
Provavelmente, até um dia.
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De Robinson Kanes a 24.04.2019 às 15:00

Isso é uma fauna muito particular :-)))))
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De O ultimo fecha a porta a 23.04.2019 às 23:19

Há pessoas que programam o outlook para enviar emails à noite para parecerem que estiveram a trabalhar.
Em Ptg há muito a cultura do que dizes "importa o tempo e a presença". Uma mentalidade retrógrada mas muito comum
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De Robinson Kanes a 24.04.2019 às 09:31

ahahahaha

Tantas, mas tantas...
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De O ultimo fecha a porta a 25.04.2019 às 11:57

Felizmente nunca me cruzei com nenhuma que fizesse isso, mas já ouvi histórias.

Quando trabalhava em auditoria havia pessoas que ficavam até tarde no escritório por vontade própria por duas razões: (i) para não aturar mulher e filhos e (ii) para mostrar que trabalhavam muito e estavam a jogar no computador ou a fazer chamadas sei lá para quem. Pelo menos duas pessoas faziam-no.
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De Robinson Kanes a 28.04.2019 às 23:32

Também são dois clássicos :-)
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De cheia a 23.04.2019 às 23:28

Precisamos produzir mais, como não sei!
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De Robinson Kanes a 24.04.2019 às 09:31

Penso que todos sabemos... Falta mais a vontade.
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De Rita a 26.04.2019 às 09:30

"Continuamos com a mentalidade de que, mais do que uma produção e organização dos recursos, importa o tempo e a presença."

Quantas e quantas vezes penso nisto e no absurdo que é...

Tens aí várias observações e questões bastante pertinentes. É pena que no mercado de trabalho não se reflicta a fundo sobre isto.
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De Robinson Kanes a 28.04.2019 às 23:31

Absurdo e dá que pensar como é que as coisas não mudam... Só mesmo uma mentalidade (e por aqui me fico :-) ).

Não reflecte por medo e também porque quem fala sobre estes temas são sempre os mesmos.

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