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Les Divas du Taguerabt

por Robinson Kanes, em 22.10.20

taguerabt.jpg

Créditos: https://mk2films.com/en/film/taguerabt-divas/

 

 

A sabedoria só nos chega quando não serve para nada.

Gabriel Garcia Marquéz, in "O Amor nos Tempos de Cólera"

 

Em Portugal, ficou famoso um indivíduo que deu a ópera como morta e constantemente faz questão de reforçar essa temática. Compreendo as palavras do mesmo, o Ser alpinista que bebendo da vontade das elites pseudo-intelectuais e que estranhamente ocupa o espaço radiofónico sem ter qualquer dicção poderá encontrar na realidade nacional um São Carlos deprimido sempre com os mesmos espectadores, uma maioria a convite ou que simplesmente não paga e uma outra que só vai à ópera porque sim.

 

Todavia, Portalegre e Lisboa não são o centro do mundo e a cultura não se adquire com uma viagem aqui ou acolá para preencher CV, pelo que, caminhemos até à terra que viu Camus nascer. Foi através da Ópera National de Paris que ficou famosa a construção de uma sala de ópera em Argel com capacidade para 1400 pessoas.Estamos a falar de Argel, capital de um país sem grande tradição operática mas de uma riqueza cultural imensa. Foi também neste contexto que no passado mês de Setembro saiu para a rua o pequeno documentário de Karim Moussaoui, "Les Divas du Taguerabt".

 

Moussaoui partiu em busca de uma espécie de ópera ancestral, das mulheres que cantam nas grutas melodias que encantam e seduzem todos aqueles que escutam estas vozes com atenção. E encontrou-as... Encontrou-as e descobriu um opíparo Património da Humanidade que, sem dúvida, também terá o seu lugar na nova sala de Argel.

 

Neste imenso país, de ancestrais tradições, de nascimento, passagem e queda de muitos impérios, Moussaoui deu a conhecer ao Mundo as vozes da terra, as vozes do Norte de África, um cântico feminino de valor incalculável e que pode ser apresentado lado-a-lado com qualquer ópera, com qualquer outro espectáculo até, prova de que, por muito que queiramos porque é "cool", existem coisas que não poderemos destruir, mesmo julgando-nos grandes (e só mesmo isso) no nosso pequeno rectângulo. É importante perceber que também todos os dias são compostas novas óperas, novas peças e não são somente as mais conhecidas que marcam a agenda que queremos destruir - argumentar contra isto, é seguir um discurso "ovelhoa" encomendado entre uma cerveja artesanal e um prato vegan em bares do Bairro Alto. 

 

Vejam o documentário, são só 15 minutos e está no Youtube e deixem-se encantar por estas Senhoras.

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6 comentários

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cheia a 22.10.2020

Obrigado pela partilha!

Um abraço,
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Maria Araújo a 22.10.2020

Adorei.
Com pedras se faz um bom instrumento de musica.
E as vozes são fantásticas

P.S.:
E o Robinson tem conhecimentos invejáveis
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Robinson Kanes a 22.10.2020

Estas pérolas são qualquer coisa. Um destes dias, na 3 espanhola, enquanto atravessava Navarra para sul, ouvia cânticos das fronteiras chinesas, cânticos antigos. Maravilhoso...

P.S.: olhe que não... :-)
Obrigado, Maria.

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