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Jobs for the Family!

por Robinson Kanes, em 01.04.19

 

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Créditos: https://www.youtube.com/watch?v=i5nXkCIQbBQ

 

Nos últimos tempos muito se tem falado da autêntica família, ou famílias, que se reuniram nos comandos da nação portuguesa.

 

Se por um lado temos o escândalo que é o facto de um Governo (e consequentemente um país) ser gerido por um pequeno grupo de famílias - por sinal da mesma cor política - temos de atentar que não é só nessa instituição que tal acontece! É na administração pública, nas autarquias (um dos cancros do país tem aí uma das suas mais fortes metásteses, e onde imperam estas situações) e em muitos outros serviços públicos e com impacte público: só a título de exemplo, podemos falar da Cultura, Social/Solidariedade, Espetáculo e tantas outras áreas.

 

Temos de atentar também no outro tipo de famílias que vive agarrado ao erário público, nomeadamente a tradicional cunha, tráfico de influências e outros mecanismos imorais que permitem a amigos, parceiros de negócios ou meros pagamentos de favores chegarem a uma função na estrutura pública. Não é só a consanguinidade que reina! 

 

Na verdade, sobretudo no mundo do jornalismo, televisão, artes (essa área tão impoluta e tão liberal que afinal...) e até outras áreas, surgiu um sem número de vozes a contestar o ataque às relações familiares no Governo. Talvez porque se teme o efeito bola de neve e se comece a questionar o nepotismo subjacente a muitas delas - basta seguir apelidos e rapidamente lá chegaremos. Talvez porque, pela primeira vez no Portugal "moderno" possa ser ateado o rastilho que colocará a nú uma das causas principais de uma apatia  empresarial, cultural, social e política.

 

Um dos argumentos de muitos desses interessados foi também o de que, sendo alguém filho de um político/ministro porque é que não poderia chegar também a um cargo semelhante, como se fosse algo de uma grande injustiça.

 

O primeiro contra-argumento que aponto é o facto de que o "mundo não é perfeito"! Esta conjetura, sobretudo em investigação e no discurso mundano" de que tudo tem uma base de bem e funciona bem é absurda - meus caros, só quem vive na internet e não sai de casa concebe que tudo é claro, límpido e perfeito. Só quem não está dentro da política é que não tem noção (ou não quer ter) que a grande maioria dos concursos públicos tendo em vista a admissão de funcionários são autênticas fraudes!

 

O segundo argumento é o de que, não será mais fácil a um filho de um ministro ser também ministro? Não será mais fácil a filiação num partido trazer benefícios que de outro modo (por norma dotado de mais moralidade, ética e cumprimento das regras) nunca se teria? E podemos dizer que determinado indivíduo até tem um bom currículo e portanto... E portanto não é mais fácil ter um bom currículo quando provavelmente a entrada no mercado de trabalho e em determinados meios não foi facilitada pelo familiar/amigo "X"? Sempre que exaltamos a qualidade de um currículo temos de ter sempre um vector em conta: onde e como tudo começou! Só assim podemos aferir de que todos partiram da mesma posição.

 

Também é de estranhar que os defensores desta consanguinidade na administração do país são os mesmos que criticam o facto de o administrador "X" ser filho do administrador "Y" numa empresa privada e familiar!

 

Um paradoxo que dá que pensar. Um pouco como o discurso da esquerda quando fala da direita... Para quem possa não saber, uma das maiores ameaças (neste contexto) às empresas familiares nem são os administradores que nomeiam familiares mas aqueles que, sendo meros colaboradores sem ligação à família, recrutam família e amigos que são muitas vezes responsáveis pela existência de autênticas máfias no seio das empresas e um enorme entrave à produtividade e crescimento das mesmas.

 

Finalmente, ficamos também a perceber que a educação universal como meio de potencial emancipação dos indivíduos está ameaçada! As escolas de elite (e não sou critico das mesmas, bem pelo contrário), as juventudes partidárias, a descendência e determinados associativismos continuam a ser o garante de um bom futuro.

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27 comentários

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Cecília a 01.04.2019

não percebo a tempestade à volta deste copo...

não tínhamos jobs for the boys? os boys casam e formam família...

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Robinson Kanes a 01.04.2019

Já é um tonel... E há muito...

Mas se fosse só no Governo... Um dos "reais e crónicos atrasadismos" do país tem aqui uma das suas causas.
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Cecília a 01.04.2019

reflexo de quem é pequeno: chamar os amigos para que "juntos" se sintam mais fortes (na sua débil incompetência).

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Robinson Kanes a 01.04.2019

Quando a capacidade reinvindicativa de um povo se centra apenas em alguns sectores e quando esse povo se vende por meia dúzia de jogos de futebol é fácil reunir a manada e dispor da "res publica" como se fosse tudo nosso... E se a coisa correr mal... "Não me lembro"...
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Cecília a 01.04.2019

como eu sempre digo: a minha passagem à maioridade não foi quando completei os 18 - foi quando ACEITEI a frase: " cada povo tem o que merece"...

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Robinson Kanes a 01.04.2019

A minha passagem à maioridade foi quando comecei a ver mais e a ouvir menos :-)
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Cecília a 01.04.2019

eu vejo e ouço em igual medida - dois olhos e dois ouvidos.

ainda estou a amadurecer no que toca a nem responder... tenho uma grande capacidade de desprezo mas quando decido bater de frente...

ou por outra, eu que toquei clarinete durante alguns anos, não perco o tempo certo para colocar a boca no trombone - com classe, é claro.

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Robinson Kanes a 01.04.2019

Os ouvidos às vezes -))))

Bater de frente é importante, sobretudo quando são coisas sérias... Quando não o são (maior parte) é ignorar.

ahahahahahahah

Também é artista, boa!
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P. P. a 01.04.2019

Uma realidade tão visível nas vilas...
Triste realidade. No plano artístico, perdemo-nos talentos em troco de uma filiação partidária ou de um apelido.
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Robinson Kanes a 01.04.2019

Nas vilas ou te vendes ou fazes parte da oligarquia... Sobretudo nas vilas em que o poder autárquico é praticamente o único empregador...
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P. P. a 01.04.2019

Como sempre fui do contra, algo que faz parte de mim, uma vez que já era assim em pequeno, tenho a vida muito facilitada. Adoro lambe-botas, de tal forma que logo me afasto.
Pode parecer mal dizê-lo, mas é verdade: detesto a terra onde nasci. Além dos apadrinhamentos, da falta de medidas ambientalistas, na saúde e educação, os compadres e a rejeição para com quem os contraria. Não tenho paciência. Até porque, este lugar não deveria ser cidade, mas vila. Quem ganha com o título "cidade"? Claro, é escusado dizer...
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Robinson Kanes a 01.04.2019

Entendo-te... Também tive as minhas experiências pelo interior... Por vezes acho que é o próprio interior que faz por ser esquecido... Tenta fazer alguma coisa inovadora por ti e vais ver!

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P. P. a 02.04.2019

Concordo. Em muitos casos, "é o próprio interior que faz por ser esquecido".
Esta permissividade, a não exigência de direitos, deixarem-se iludir por festas com nomes de santos ou aniversários de clubes que mais não são do que forma de angariar votos...
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Robinson Kanes a 02.04.2019

E aceitar a mudança? E aceitar quem vem de fora? Ui...
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P. P. a 02.04.2019

Aqui, aceitar quem vem de fora, processa-se de forma natural. Incluindo as vilas e cidades na Serra da Estrela, onde exerci. Já numa vila próxima do Douro, onde exerci funções… Uiiiiiii
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Robinson Kanes a 02.04.2019

Amo ambas as zonas e as pessoas, aliás, conheço bem ambas e tenho muitos amigos quer numa quer na outra... Os beirões são bem mais humildes e ingénuos... É um facto. Minho e Douro é diferente, de facto... E Alentejo então...
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P. P. a 02.04.2019

Manteigas, Trancoso, Seia... Muito bom, mesmo. Gosto bem mais do que da minha terra.

(acabo de surpreender-me com um destaque da equipa do Sapo, a respeito de um documentário. Como é possível que os media possam alterar a forma de pensar/estar das pessoas? Um documentário de vida animal ou fisiologia não é o mesmo que um acerca de um rapto, algum serial Killer, etc. As pessoas vendem uma ideia, beneficiando daqui e dali, inclusive com as opiniões distintas.)
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Robinson Kanes a 03.04.2019

Se as pessoas não pensarem e forem meros panos absorventes do que lhes colocam à frente, é bastante fácil... E mais fácil ainda quando até acham que são muito para a frente...
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P. P. a 03.04.2019

Sem dúvida!
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cheia a 01.04.2019

Este é o nosso triste fado! Caciques, familiares, jotinhas, padrinhos e enteados.
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Robinson Kanes a 01.04.2019

O fado, esse bandido que serve para desculpabilizar um atraso de séculos nas mentalidades lusas...
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O ultimo fecha a porta a 02.04.2019

Estes dias no LinkedIn, onde já excluí aquela figura pública que não gostava, fui parar ao perfil do filho do Luis FIlipe Menezes, que é CEO da Unilabs. Uma multinacional que não tarda fica com o monopólio das análises clínicas...

Bem, olhando para o seu currículo, vemos esse guru da gestão nunca geriu uma empresa e muito menos esteve a reportar a alguém. Tem percurso como "assessor" político, seja lá o que isso for e pouco mais.
Um cargo que muitos sonham alcançar um dia, e este "boy" por influências do poder chegou lá antes de 40.
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Robinson Kanes a 03.04.2019

Filipe Menezes, quem vive a norte e já assistiu a algumas... Não é preciso dizer mais, Valentim Loureiro é apenas mais um entre tantos... Tem é mais fama...

Não tires o mérito a esse excelente profissional :-)
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Maria Araújo a 04.04.2019

Fica nas vossas mãos, vós, jovens, re volucionarem as mentes.
Adoraria.
Sou doida, eu sei.
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Robinson Kanes a 04.04.2019

Não sei se queremos isso... Falando no geral, não me parece que estejamos interessados em tal.

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