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Incêndios: Espanha nas Ruas, Portugal no Sofá.

por Robinson Kanes, em 17.10.17

58.jpg

Fonte da Imagem: http://www.antena3.com/noticias/sociedad/en-galicia-permanecen-sin-control-siete-incendios-en-situacion-2_2017101759e5ab300cf2e892aa27b566.html

 

Em dia de luto nacional, tenho a sensação que metade ou mais dos cidadãos portugueses não sabe o que significa uma bandeira a meia-haste. Seria interessante que todos percebessem o real significado do luto nacional, quanto mais não fosse para pararem e pensarem... Guardar 10 minutos ou mais do nosso dia para pararmos, desligarmos e reflectirmos é cada vez mais um luxo ou, segundo muitos, uma parvoíce... Tenho todo o gosto em ser parvo (parvus-parvi: pequeno) se isso for ter consciência que sou um ser humano não diferente dos outros todos. Na Era "me" entendo que muitos não compreendam o que acabei de escrever...

 

Em Portugal, país onde somos todos o máximo, continuamos com a cabeça enterrada na areia e não existe a humildade governantiva de assumir um erro e pedir desculpas. Alguém falhou os módulos de "liderança inspiradora", por certo, e também alguém sabe que os estudos de popularidade "martelados" serão capazes de influenciar um povo que continuará a perpetuar a sensação de impunidade de quem tudo acha que pode fazer. Enganem-se os portugueses que pensam que ao votarem estão a eleger alguém que vos represente, pelo contrário, estão a dar poder a outrem para que faça o que bem entender... Basta passar os olhos pelas leis que definem a governação - isto para aferir da importância de sermos cidadãos e principal supervisor de toda e qualquer actividade pública.

 

Por cá, já estamos no momento do espectáculo com as pseudo-celebridades a publicarem mensagens e a gravarem vídeos nas redes sociais perante tamanho choque. É que isto de ser solidário ou estar chocado com qualquer coisa é bom, desde que tenha projecção nos media, caso contrário não merece a pena - a propósito, ainda ontem num velório, tive oportunidade de ver uma das pseudo-celebridades (ligada à música e que anda sempre em campanhas para ajudar as criancinhas e os pobrezinhos com o irmão) completamente fria e tentando espectacularizar, perante o espanto dos presentes, a morte daquele que nos tinha ali trazido. Mas em Portugal luta-se, ou faz que se luta, no conforto do sofá, a partilhar fotografias, ou a arriscar morrer queimado dentro de um carro enquanto se filma a tragédia a troco de uns momentos de fama... E obviamente, também a escrever textos como este. Desliguem a televisão e a internet e procurem aqueles que combateram os fogos por estes dias, aqueles cidadãos, bombeiros e não bombeiros, que fizeram tudo para acabar com esta calamidade e deem um abraço a essas gentes, sem partilhas e selfies, mas apenas com as emoções verdadeiras que nos tornam melhores humanos! Os heróis são esses e não os heróis covardes que depois da tempestade, espreitam, saem do seu canto e se juntam às celebrações...

 

Todavia, em Espanha, as coisas têm sido diferentes - o povo saiu à rua, exigiu responsabilidades e obrigou a um esforço das autoridades na justificação das suas acções e a estarem próximas das populações. Em Espanha não se anda à procura de raios nem de tempestades e claramente já se assumiu que existe mão-humana nos incêndios. Em Espanha existe uma preocupação extrema com a questão natural/ambiental e com a situação económica das populações e empresas, as pessoas assim o exigem, porque esperam resultados concretos e não um abraço ou uma fotografia com Rajoy ou com Filipe VI. Em Espanha, até os media estão sob o jugo da população e de entidades reguladoras que já pediram demissões pelo facto de muitas coberturas aos incêndios serem tendenciosas ou desprovidas de tudo aquilo que deve ser o jornalismo! Em Espanha já se pensam em alterações ao Código Penal. Em Espanha até pelo "fim dos fogos" em Portugal se manifestaram, isso deveria envergonhar-nos!

 

... Em Portugal, apenas se pede que se saia à rua e se faça alguma coisa acerca do referendo da Catalunha, ou para pedir progressões automáticas de carreira (mesmo que não se faça nada para o merecer), ou para ir para a praia, porque isto de exigir um país digno desse nome, dá muito trabalho não traz "likes" e carros topo de gama na garagem. Que venha a febre do Natal bem depressa, para não nos dar tempo de pensar no essencial...

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9 comentários

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Psicogata a 17.10.2017

Completamente em sintonia.
Afinal o que fazemos nós? Escrevemos nas redes sociais? Nos blogues?
Ficamos apenas por aí?
Escondidos atrás de um PC ou telemóvel?

É preciso fazer alguma coisa e com urgência, sair à rua talvez seja o primeiro passo, confesso que senti vergonha ao ver a manifestação na Galiza, temos tanto, mas tanto que aprender enquanto povo e cidadãos.
Entre ontem e hoje li tudo o que encontrei sobre os incêndios, notícias, blogues, não consigo tirar este assunto da mente, sinto uma revolta enorme e não sei para onde a canalizar.
Como unir e mobilizar o povo?
Não há um partido que incite a revolta, uma organização, uma entidade, onde andam as associações que defendem o meio-ambiente? Onde anda o partido dos verdes? As celebridades os influenciadores?
É preciso que alguém lance o mote, alguém com projeção suficiente.
Este tem sido o meu pensamento desde a tragédia, mas depois leio comentários e falo com algumas pessoas e percebo que ainda há demasiadas pessoas a acreditarem que a culpa é exclusiva das condições climatéricas.
Sinto vergonha, encolho-me e penso?
Como é possível combater esta resignação?
Também escrevi que é preciso fazer alguma coisa, mas sinceramente não sei por onde começar.

(Desculpa o testamento)
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Robinson Kanes a 17.10.2017

Eu agora estou a escrever... no casos dos blogues, penso que a quebra de qualidade, e de facto, a mudança de interesses afastou o "poder" que muitos teriam de ajudar à construção de opinião... Mas nunca é demais, uma vez na "internet", para sempre lá... Se conseguirmos inspirar uma pessoa já é uma grande conquista... Inspirar no sentido de reflectir e não influenciar, para isso já existem os "influencers".
Não podemos é chorar e não tomar uma atitude - abordar governantes, parlamentares, instituições, criar pressão e acima de tudo executar esse trabalho.
Não respondendo a muitas das tuas questões, existe um coisa que sinto em Portugal (e atenção que não é exclusivo): a ideia de que nada podemos fazer sozinhos ou mesmo com a "malta lá do bairro". Isto não pode acontecer! Vendem-nos a ideia de que se não tivermos uma "celebridade" não chegamos lá, de que se não for através das associações do costume não chegamos lá... Isso tira-nos a força, até porque são aos milhares as associações com agendas pouco voltadas para a cidadania e que corroem qualquer iniciativa individual... "iniciativa individual" outro tabu português...

Para veres como as coisas podem ser simples e isto é só um exemplo básico: basta que um indivíduo sozinho chegue a uma instituição e à porta cole uma folha com a palavra "responsabilidade". Se outros milhares o fizerem, mesmo que cada um por si, acredito que é possível mobilizar um país. Não podemos é cair no estado de pensar que não podemos fazer nada, pois aí estaremos a viver naquilo a que o "médico" (escapa-me o nome da personagem) do "Sem Olhos em Gaza) chamava de sociedade de percevejos. E numa sociedade de percevejos não existe Democracia.

Testamentos? Se alguém tem de pedir desculpas e agradecer a paciência a quem por aqui passa sou eu :-)
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Psicogata a 17.10.2017

Penso nisso muitas vezes se o que me impede às vezes de avançar com alguma iniciativa é essa ideia que me vendem constantemente de que sozinha não consigo nada.
Esse preconceito que nos impingem desde crianças de que sós de pouco valemos impede-nos de alcançar muitas coisas de sermos mais proactivos.
Acredita que hoje por várias vezes tive o ímpeto de lançar um movimento, não sei bem como, onde, mas queria fazer algo, sinto-me conivente, cúmplice se me sentar como dizes no sofá.
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Robinson Kanes a 17.10.2017

Se tens essa vontade avança! Se me é permitido sugerir, se for algo bem estruturado poderá levar tempo a fazer, mas acredito que poderá ter maior impacte. Tirando um caso ou outro, muitos movimentos são demasiado sensacionalistas, talvez por não serem tão espontâneos, tenho algum receio que possam não dar em nada...

E muito honestamente... há uma frase que cito muitas vezes, que se encontra no Colégio de Pina Manique e que é visto do exterior, bem perto do Estádio do Restelo: "prefiro que se riam do que fiz, do que chorem pelo que não fiz". Escusado será dizer que a mesma foi da autoria do Intendente Pina Manique.

Terei todo o gosto em participar nesse movimento ;-)
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Psicogata a 17.10.2017

Vou pensar seriamente no assunto, em como pegar na questão, tal como dizes tem de ser bem estruturado e ter fundamento, acredito que a comunidade do Sapo tenha uma reação positiva, pelo que tenho lido estamos todos desiludidos e inconformados.

Obrigada pelo incentivo.
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Robinson Kanes a 17.10.2017

Tens de te focar em factos e, honestamente, deixar os populismos de parte. Os cidadãos são os supervisores do Estado. Além de que podes alargar esse movimento a outras questões... Os incêndios são apenas um reflexo do que é a sociedade portuguesa neste momento... Aqui existiram mortes... Mas o descontrolo e as "máfias" vão bem para além desta temática...

No que puder ajudar...

;-) Obrigado eu.
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Psicogata a 17.10.2017

É complicado porque se não optarmos por chavões a população pode não entender e não aceitar o repto, penso que o ideal será aproveitar a revolta.
Mas também não quero entrar por política.
Não é fácil.
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Robinson Kanes a 17.10.2017

Primeiro é importante definir motivações, objectivos e conjunturas. Depois pensa no resto... O marketing vem depois.

Cidadania não é fácil :-)

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