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IMG_6645.JPG Fonte das Imagens: Própria

 

Com o acampamento católico a sofrer com as chamas, Boabdil e Muza não perderam tempo e aproveitaram o mesmo para, logo no dia seguinte, atacar os cristãos.

Ao que se sabe combateu-se corpo-a-corpo em cada pedaço da vega de Granada. Não houve um jardim, uma horta, a sombra de uma árvore, um pedaço de chão que não tivesse absorvido o sangue daqueles bravos guerreiros. Segundo Frey António Agápida, até um embaixador francês que se encontrava do lado católico ficou pasmado e teceu um rasgado elogio aos guerreiros mouros que combatiam como ninguém depois de 10 anos a somarem derrotas atrás de derrotas e a perderem soldados e reis.

 

Contudo, do lado de Castela e Aragão a artilharia e o número de homens disponíveis era francamente superior e a batalha acabou com o recuo de Boabdil (que quase fora capturado) e Muza para dentro das muralhas da cidade. Em resposta, o rei católico decidiu erguer uma cidade, mesmo ali em frente a Granada: Santa Fé.

 

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Esta afronta de D. Fernando II, aliada ao corte das vias de abastecimento à cidade (onde o Marquês de Cádiz mais uma vez mostrou a sua valentia) e à ausência de apoio por parte dos reis berberes e do sultão do Egipto (a ausência de um porto onde estes pudessem atracar os seus reforços não permitia tal apoio) levou Boabdil a convocar um conselho. Aí, reuniu os melhores guerreiros, os melhores filósofos e políticos da cidade e, perante as condições de miséria e estado das tropas, todos se decidiram pela rendição! Todos... excepto Muza! Muza, mostrou o guerreiro que era, e tivesse entrado mais cedo na guerra, talvez as coisas tivessem sido diferentes! Exortou ao levantamento, à força, assumiu que todos os seus soldados estariam preparados, levantou o ânimo, admitiu recrutar e distribuir armas por cada habitante da cidade capaz de lutar. Muza colocou-se como sendo o responsável por guiar todos os esquadrões, de lhes indicar todos os caminhos, de levar todos à vitória ou à morte, mas de jamais entregar a cidade e o reino!

 

IMG_6564.jpgSegundo os relatos da época, perante este discurso, que não venceu o desespero dos sábios e dos governantes de Granada, Boabdil comoveu-se e caiu num silêncio que só terminou com a ordem de rendição. 

 

Foi enviado o Governador da cidade, Abulcasim Abdel Melic, que negociou os termos da rendição. Estes termo abrangiam a entrega da cidade, a libertação de presos católicos, os direitos  dos habitantes de Granada, a vassalagem perante a coroa de Castela e Aragão e a concessão de terras para os dois lados. 

 

Aquando do seu regresso e da apresentação das condições ao soberano de Granada, mais uma vez Muza, mostrou de que sangue era feito e, enquanto todos os outros desesperavam em lágrimas, este exclamou:

"deixemo-nos senhores de inúteis lamentações, próprias de mulheres e crianças; somos homens e tenhamos coração, não para verter tristes lágrimas mas sim o nosso sangue. Observo que o ânimo de todos está de rastos, que é impossível salvar o reino. Todavia, resta uma alternativa aos espíritos nobres: uma gloriosa morte! Sucumbamos defendendo a nossa liberdade e vingando os desastres cometidos contra nós! A nossa terra-mãe receberá no seu solo os seus filhos, livres das correntes e humilhações dos conquistadores e se alguém não encontrar sepultura onde enterrar os seus restos mortais, não irá carecer de um céu que os cubra. Alá não permitirá que se diga que os nobres de Granada tiveram medo de morrer na defesa do reino!"

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 Estas palavras não surtiram efeito, pois para Boabdil e para os nobres de Granada o destino do reino estava escrito no livro desde que o primeiro nascera, contudo mostraram a raça de um homem como Muza e de como este era mais fiel ao reino que todos os nobres!

 

Para os recém-chegados a esta aventura:

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

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