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Estação da Minha Terra

por Robinson Kanes, em 08.02.17

 

IMG_3098.jpg

 

Em Portugal, o encerramento de linhas férreas, algumas delas entre as mais belas do Mundo (Tua, Sabor, Corgo, parcialmente o Douro), a desertificação do interior e a aposta no transporte rodoviário, levaram, nalguns casos, à extinção de toda uma actividade, de todo um modo de vida, poder-se-á arriscar em dizer até... de todo um cosmopolitismo que à escala local era inúmeras vezes responsabilidade deste meio de transporte.

 

A estação, em muitas situações, era a Ágora de muitas localidades. A chegada e a partida do comboio eram motivo de bulício quase instantâneo, já para não falarmos do emprego gerado por esta actividade. Das que se “salvaram”, algumas estão ao cuidado de autarquias e instituições públicas que, por sua vez, as remodelam mas esquecem a verdadeira essência que estas um dia tiveram.

 

A degradação de alguns destes espaços é absolutamente avassaladora e... só caminhando sobre ruinas podemos sentir o que outrora foi o fervilhar de pessoas e mercadorias, agora votado ao abandono. As estações remodeladas, uma minoria, albergam espaços como bibliotecas (Vila Pouca de Aguiar), associações (Óbidos), alojamentos turísticos (Celorico de Basto); hostels (Rossio e São Bento, embora sejam duas estações activas e das mais frequentadas do país); museus (Arco de Baúlhe); centros comerciais (Viana do Castelo, estação ainda activa); papelarias (Alto Estanqueiro-Jardia). No entanto, o retorno para as populações é escasso. Muitos destes espaços acabam por continuar degradados e alguns deles até rapidamente se veem obrigados a fechar portas.

 

Muitas das estações abandonadas encontram-se num Portugal longe das grandes cidades e o meio-envolvente não é o mais favorável em termos económicos e sociais. O poder político, local e central, parece ignorar o estado crítico das mesmas e a concessionária (Infraestruturas de Portugal) procede a contratos de arrendamento que incluem, sob inúmeras condições, a remodelação dos espaços pelos arrendatários (maioritariamente as autarquias) que empreendem parcerias com a mesma, ficando muitas vezes aquém da vontade e consulta popular que reivindica as reabertura das linhas.

 

A população, por sua vez, olha para estas decisões somente como meros paliativos de controlo da revolta destas gentes...

 

... os mais novos, aqueles que não conheceram o comboio em muitas linhas... 

 

... limitam-se a imaginar.

 

Fonta da Imagem: Própria.

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41 comentários

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Cecília a 08.02.2017

eu amo o porto - a minha cidade. digo isto para que entendas que não é motivado por paixão cega o que vou dizer: à volta do porto é só cegos. um provincianismo que dói. estou a 40 km e parece que estou sim a 40 séculos para trás.

curiosamente o jornal da terra ( oliveira de azemeis - a freguesia na qual a empresa em que trabalho está pertence a oaz) traz hoje mesmo um artigo sobre como os concelhos de oliveira de azeméis, são joão da madeira e santa maria da feira estão a reunir-se para fazer força para reestruturar a linha do vouguinha (achei uma coincidência fantástica e fez-me sorrir muito); pena que já li este tipo de artigo e intenções umas 400 vezes, pelo menos.

eu já vivi em aveiro ( trabalhei em ílhavo - gosto muito mais da " malta " de ilhavo do que de aveiro) e tirando a universidade (fantástica, com mentes fantásticas) e a estação de comboios, parece uma aldeia... o bater do coração do porto não tem nada que ver com aveiro.

a estação de espinho conseguia ser mais bonita em obras do que agora. é desolador o aspeto exterior de tudo aquilo ( e nem é uma questão de dinheiro - é mesmo de gosto e imaginação).

este país é definitivamente tragico-comico.



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Robinson Kanes a 09.02.2017

Ílhavo é uma das terras que mais me encanta em Portugal, Aveiro perde por ficar tão perto de uma área tão bonita :-)

Esperemos que as coisas passem das intenções para a acção, com uma linha mais "bonita" e com o respeito pela sustentabilidade... todos terão a ganhar, populações, turismo e desenvolvimento económico...

A Norte, e aí volto a incluir o Porto, ainda se tem a mentalidade de minifúndio e pequena nobreza... cada qual no seu canto e no seu feudo e não venham para aqui... enquanto assim for bem podem falar de desenvolvimento, que o mesmo não irá acontecer... aliás, é essa mentalidade que tem afectado uma maior parceria com a Galiza.

Eu diria que, no meio de muitas coisas também boas, é por vezes uma piada de mau gosto. Cabe-nos a nós, cidadãos, mudar isso.
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Cecília a 09.02.2017

a descrição do feudo está precisa mas não no que ao porto diz respeito ( se falar de gondomar, rio tinta ou maia, sim, está correto, mas cidade do porto, matosinhos-leça ou gaia, não); e francamente acho que a mentalidade pequeno burguesa está muito mais instalada na capital do que em outro sítio qualquer. nos mais pequenos gestos e ditos diários.

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