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Entre o "Acomisme" e as Cinzas...

por Robinson Kanes, em 18.07.19

asturias.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que ermege da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Talvez um dos maiores segredos para uma vida de sucessos esteja de facto relacionada com a capacidade de nos despojarmos de um certo "acomisme", de pensarmos a nossa realidade com aquilo que temos agora e pensar pouco no que há-de vir. Talvez sim, talvez não... Retirando intelectualidade à coisa, será o mesmo que dizer "vive o momento".

 

Será isso que nos torna mais fortes perante a adversidade, perante todos os mal-entendidos que, de um minuto para o outro, podem dinamitar as nossas relações? Dou comigo a pensar em como as coisas mudam ao longo dos tempos, em como na distracção dos dias nos desviamos daquilo que é importante, e talvez... outrem o faça. Porque é que os abraços se perdem, porque é que os beijos e os carinhos se perdem? Será porque vivemos esse "acomisme"? Nós estamos presentes, estamos face a face com numa vivência diária... E porque é que? Porque é que a falta/ausência nos leva a questionar tudo isso? Talvez não esteja apto a responder a essa questão, talvez a minha capacidade de ter ideias esteja reduzida na tristeza e aguarde a ventura para poder ser mais expansiva.

 

De facto, não sei... Custa-me perceber o turbilhão de emoções que de repente se alteram e de um minuto para o outro se transformam. Talvez as palavras de García Márquez tenham razão de ser quando este nos diz que "os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as suas mães os dão à luz, mas que a vida os obriga uma e outra vez ainda a parirem-se a si mesmos". Talvez nesse trecho da "Crónica de uma Morte Anunciada" esteja resumido uma componente da nossa vivência! Somos paridos uma vez, mas temos de nos parir uma e outra e outra vez...

 

Talvez tenha nascido novamente por estes dias, ou talvez não... É neste anabolismo que nos podemos bater até o cansaço - correndo o risco de cair na apatia total e no vazio. É neste anabolismo que nos afundamos e percebemos que o mundo é como é, sem utopias... Sem coisas belas que duram para sempre. E assim caminhamos até ao dia em que já não queremos ser fetos, não queremos ser corpos extraídos numa fecundadidade que teima em não cessar. Esse é o dia, ou a escala de dias, em que deixamos cair a toalha ao chão e ficamos abandonados à nossa tristeza, deixando que a vida corra o seu caminho até sermos estrume... Até sermos nós nas lágrimas dos outros, pelo menos até ao momento em que deixam o crematório e depois de um banho, já em casa, sacodem o pouco que ainda resta do que de nós ficou no ar poluído da cidade ou na terra que se renova com a nossa massa...

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60 comentários

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Folhasdeluar a 18.07.2019

O tempo de viver a que me refiro, é aquele que certos países nórdicos respeitam, ou seja, as pessoas saem dos empregos às quatro da tarde, para poderem conviver com os filhos ou fazer o que quer que seja. Em conclusão para terem tempo para viver.
Relativamente à produtividade há dois culpados, primeiro o excesso de horas de trabalho. Sabemos que não são precisas oito horas de trabalho diário. O que é preciso é que se trabalhe. Há um vício em Portugal por parte dos empresários, a maioria gosta que as pessoas fiquem a "fingir" que trabalham para lá do horário. Os empregados por sua vez têm que ir gerindo os afazeres de forma a poderem mostrar que são empenhados e que trabalham para além das horas necessárias. Enfim...idiossincrasias dos portugueses.
Não é por acaso que a maior produtividade é gerada nos países com menor carga horária.
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Robinson Kanes a 18.07.2019

Certos países nórdicos e bons exemplos a sul, que também os há.

A produtividade tem muito mais que dois culpados (agora era texto para nos entretermos muitas horas). Pegando nos dois que referiu... Concordo.

E aqueles que têm colaboradores a mais só para dar a ideia de que tem uma grande empresa?

Mas atenção... Existem óptimos empresários, como também existem não empresários que são chefias que adoram esse comportamento, é uma forma de segurar a posição... Mas olhe que também são os colaboradores na competição do salário para pagar as hipotecas que se digladiam diariamente... Acredite que, por norma, isso acontece por culpa dos colaboradores e não por culpa das chefias :-)

Tende a ser uma falsa ideia de que todos os males das organizações são da administração... Não são raras as vezes em que esses males estão nos colaboradores, ou melhor, na forma em como impulsionam a prática. Depois já podemos falar de cultura organizacional, mas isso é outra história (que por sinal, muitos falam, mas poucos acertam).

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