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E se as Redes Sociais Aumentarem a Privacidade?

por Robinson Kanes, em 18.04.17

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Fonte da Imagem: <a href='http://www.freepik.com/free-vector/laptop-with-hand-drawn-social-media-elements_944027.htm'>Designed by Freepik</a>

 

No nosso país e numa sociedade ocidental é comum falar-se da privacidade como um aspecto que tem vindo a decair com o advento das redes sociais. No entanto, deixemos o nosso pequeno mundo e pensemos no caso chinês ou até de muitos países do sudoeste asiático.

 

Na China, por exemplo, as redes sociais, ao invés de serem um foco de devassa da vida alheia, funcionam exactamente ao contrário. Em países como a China é comum que famílias inteiras durmam no mesmo quarto, que partilhem os mesmos espaços, que vivam com outras famílias em comunidade e sem qualquer preocupação com a privacidade. Eu tenho amigos e já tive vizinhos chineses e foi possível comprovar isso! Para a China tradicional, guardar um segredo, é basicamente esconder alguma coisa má! Ou seja, quem tem segredos... não é de confiança.

 

Em suma, as redes sociais, maioritariamente, não servem como uma espécie de montra para os indivíduos. O viver bem com a sua família, com os seus amigos e com a comunidade deixam de lado esse género de preocupação - essa preocupação que para nós, sobretudo portugueses, é tão importante. Seria necessário uma outra abordagem e estudos, mas provavelmente ouso questionar se no caso ocidental não existe mais insegurança, medo e solidão do que no caso Chinês em que é exactamente ao contrário. Essa necessidade de mostrar e de aparecer não vem de todo de um bem-estar consigo próprio e com a comunidade.

 

No caso da China - e com a margem de erro devida pois trata-se de um país enorme e com diferenças abismais entre as diferentes regiões – as redes sociais são o local ideal para preservar a privacidade. São o local onde muitas pessoas partilham aquilo de que tem medo e choca a sua própria comunidade, são também o local onde podem ter os seus segredos, mas mesmo assim é comum que diferentes indivíduos troquem até as suas senhas de acesso às diferentes redes sociais.

 

É uma situação curiosa e que coloca noutro patamar a questão do impacte das redes sociais nos indivíduos e na cultura dos povos e, mais uma vez, reforça que não são as redes sociais que fazem os indivíduos, mas os indivíduos que fazem as redes sociais.

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59 comentários

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Rita a 18.04.2017

Nunca tinha visto desta perspectiva, muito curioso.

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O ultimo fecha a porta a 18.04.2017

Sobre as redes sociais, tenho uma opinião negativa, embora contra mim fale pois também as uso.
Acho que as desvantagens são mais que as vantagens, desde a devassa da vida privada, os daddy/mummy business, passando pelo controlo alheio das nossas vidas e horários. Porém, reconheço algumas coisas boas, como a partillha e divulgação de causas nobres, o reencontro com pessoas que já não víamos há muito tempo e o chat gratuito :).
Porém, no caso profissional, o LinkedIn é uma ferramente social benéfica pois coloca o nosso CV disponível para todos, cabendo a cada um colocar lá as informações que quiser.
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Robinson Kanes a 19.04.2017

"daddy/mummy business" não podia faltar :-))))

Tocas na questão do controlo de horários… existem pessoas que não se importam, mas realmente é uma nota importante. Além de que existem pessoas que passam o horário de trabalho nas redes sociais… não é "difícil" controlar esse lado.

Em relação à divulgação das causas nobres, sim, é sem dúvida um óptimo canal, embora acredite que existe mais demonstração de vontade do que participação. Não tenhas um bom "marketing" atrás e a tua causa não passa daí… uma mera causa entre tantas outras. Mas sim, melhor isso, que nada…

Em relação às pessoas que não víamos há muito tempo, tenho uma posição, talvez radical… ou não… quem me quer ver contacta-me, não precisa de "reminders" e vice-versa.
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O ultimo fecha a porta a 19.04.2017

Não. Um dia partilho a página de um casal meu amigo da faculdade e vais perceber o meu escândalo :)

Muitas vezes é frequente no Facebook a denúncia de maus tratos a animais e a partilha de animais abandonados, por exemplo.
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Rita PN a 18.04.2017

Antes de comentar o uso das redes por parte de outros, vou dar a conhecer o uso que eu mesma faço delas. Publico poesia, publico excertos de textos, publico uma ou outra fotografia de um viagem (ao estilo do foto jornalismo, não me pretendo a mim dentro delas, pretendo que tudo quanto existe nelas de expresse por si) e partilho notícias e posts de opinião (minha ou de outros) que ache relevante sobre a minha cidade e região. Afinal, se participo em grupos de trabalho, nada melhor do que as redes para partilhar o resultado das ações levadas a cabo. Quando me apetece publico música. E leio notícias, sigo páginas culturais e obviamente, literárias. Fora isso, é o chat é um meio de comunicação que por mais que tente, não consigo eliminar do meu dia-a-dia, porque há sempre quem não tenha o contacto telefónico, ou há sempre necessidade de contactar alguém fora da rede de contactos diária por algum motivo, ou porque antigos colegas é por lá que combinam encontros, ou mesmo porque há quem se esqueça que existem sms e chamadas e teime em falar por ali... (sinceramente, aborrece-me. Não gosto de conversas virtuais. Gosto de ver, sentir e estar com as pessoas. Gosto de relações humanas, gosto do que é real...)

Posto isto, o meu grupo de amigos diz: facebook de seca. Pois, não há paródia, não há janelas abertas para o meu dia-a-dia, não há fotografias a mostrar a toalette, nem a fingir que sou a pessoa mais feliz do mundo agarrada a um telemóvel. Sabes quelas "vizinhas" cuscas que gostam de bisbilhotar? Pois, não ficam a saber muito. Poderão cultivar-se um pouquinho, talvez.

Não tenho paciência para ver murais alheios. Não perco tempo a avaliar quem é que está mais feliz, nem quem espeta mais farpas no amigo, nem quem expõe mais o rosto das crianças (não lhe bastando os seus...),quem é que está doente, quem foi de visita ao hospital, quem come a refeição mais apetecível, quem tem melhor galinha que a vizinha (em todos os aspectos)... É todo um mundo imaginado, um mundo onde cada qual gostaria de viver e que não lhes sendo possível, é transposto para as redes, sendo vivido intensamente.
O que é que isto gera? Afastamento de si próprio, afastamento daqueles que estão realmente próximos (fisicamente e não no ecrã), perda de identidade, perda de capacidade de se relacionar socialmente, gera solidão (embora possam pensar o contrário), dependência, desfasamento da realidade, quebra na produtividade por distração, ideias utópicos de beleza... enfim, um sem fim de situações que tu também reconheces.

Os murais são como portas de casa abertas. E isso entristece-me. Haverá necessidade? Não. Foi uma necessidade criada sem a qual, já não se consegue sobreviver!
Vendi telecomunicações durante 6 anos. Fui responsável por coordenar equipas de vendas durante 3, dei formação, ensinei truques e analisei um sem número de "necessidades" de clientes. Comum a 90%: Facebook, reality shows (TVI não sei das quantas), CM TV, Benfica TV. (note-se que durante esses 3 eu nem TV tinha em casa, mas vendia pacotes de canais à grande).
Epá... isto entristece-me... leiam um livro, caraças!

Sabes o que eu te digo Robinson, se da noite para o dia o facebook acabasse, iriamos presenciar uma grave crise social. Desde depressões, aos mais variados desvios comportamentais, assim como muitas dificuldades na reintegração social e convivência humana. (Os miúdos, é vê-los no café a falar por mensagem uns com os outros, na mesma mesa...).

E dava isto quilómetros de papiro...
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Robinson Kanes a 19.04.2017

Ok, parece-me um uso mais profissional até, do que propriamente pessoal, o que dás às redes sociais. Pelo menos é o que me consigo aperceber. Colocas um pouco de ti em algumas coisas, mas sempre bastante ponderado, filtrado. É uma utilização utilitária, passo a redundância.

Não parte de mim apontar que utilizar as redes sociais é mau ou bom, como tudo, tem coisas más e coisas boas. O que procuro é perceber como é que socialmente as coisas se passam, como é que os indivíduos reagem, até porque, muito honestamente, não vejo o Facebook a durar para sempre (focando-me aqui essencialmente numa delas).

O ser-humano, então certas culturas, como a nossa, adora saber da vida alheia e também "competir" com a vida dos outros, é natural que tenha em Portugal muitos adeptos. Por outro lado, qual é o português que não gosta de enviar as suas "postas de pescada"? É como dizes, conheces a cultura e os comportamentos, crias o serviço e "voilà", tens a falsa necessidade transformada em bem de primeira necessidade.

Se as pessoas preferem livros ou então a CMTV… bem, são escolhas, cabe a cada uma escolher aquilo que gosta. Posso sempre achar que ler é o melhor e fazer por incutir essa vontade, mas… no final, quem escolhe é mesmo o indivíduo. Se falarmos de manipulação de gostos… aí a questão é outra. E não vou mais longe: eu ainda sou do tempo de que "víral" era algo que sem quê nem porquê saltava à vista de todos (esse tempo tem pouco mais de meia-dúzia de anos, atenção). Hoje, facilmente se diz que qualquer coisa é "víral". Com o meio certo, eu tenho um vídeo com 5 visualizações, mas no sapo, por exemplo, tenho uns amigos, ou pago, para sair uma notícia de que o meu vídeo é o máximo e é "víral" - em 10 minutos, tenho 1000 visualizações ou mais e depois é sempre a crescer…

Tive um professor em Milão que me dizia: "não percam muito tempo a criar o melhor produto ou serviço, o cliente é estúpido e não quer saber se é bom ou mau. Quer é saber da imagem, do "status" do valor percepcionado e quem compra".

Se o facebook acabar? Prefiro ver a Coreia do Norte em guerra com os EUA! :-)
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Rita PN a 19.04.2017

ahahahahahaha tu terminaste de forma hilariantemente bélica!

Esse teu professor era um mestre!

Quanto a pagar para ser "viral", até para se ser estúpido se paga... Mas sim, tudo é questão de influências. Não significa que tenha qualidade, interesse ou seja mediático. Move influências, é o que interessa.

Quanto a manipular gostos, já tínhamos falado sobre isso aquando da questão do mercado literário, extrapolando para outros, houve, há e sempre haverá manipulação de gostos consoante o interesse e o poder de quem gere os mercados. Mas só o há, porque a tal nos permitimos. Ninguém é obrigado a nada, basta pensar pela sua cabeça. E aí, pode ir de encontro ou contra aquilo que o mercado quer que se queira. Existe sempre oferta noutras áreas. A "contra-moda" também faz o mercado. (e chega às vezes a ser moda... ser do contra).

Recordas-te do Hi5? Foi um boom nas redes sociais, hoje não é usado. Lembrei-me dele há uns meses, fui lá, ainda existia a minha conta, tratei de a eliminar.
Com o facebook será igual. Surgirá algo novo depois. (não uso tweeter, o linkedin está por estar e o instagram só lá vou por fotos das viagens e nem vejo o feed. Entro, coloco e saio - porquê? nem sei, parvoice. Talvez por ser um albúm virtual).

Eu também não sou ninguém para apelidar de bom ou mau o uso das redes. Sei que se fossem todos como eu, estava o serviço bem tramado ahahahaha por isso, sou uma cliente que só "compra" o estritamente necessário.
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Robinson Kanes a 20.04.2017

Sim, um pouco. Digamos que via as coisas como elas são… pode ser chocante, mas só podemos ter uma boa estratégia de marketing se conhecermos o comportamento do consumidor, mesmo que seja um comportamento de "manada".

Ninguém é obrigado a seguir a manada, mas nas escolas ensinamos as pessoas a pensarem pela sua própria cabeça?

O ser do contra, também é moda, muitas vezes. Por vezes o escolher algo que não é da moda passa a ser moda com todas as consequências boas e más que isso produz.

Recordo-me do hi5 e de nunca ter sido utilizador do mesmo :-) penso que era uma rede mais para jovens… o Facebook é mais… abrangente.

Sim, a nível pessoal não iriam longe comigo. Como existem tantos consumidores, a nível profissional são uma importante ferramenta.



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Rita PN a 20.04.2017

Então mas agora estás a apelidar-te de velho, Rob?! Ora... "rede mais para jovens"... eu usava isso há 12 anos atrás. Não te creio velho nessa altura, nem agora :D

Sim, como ferramenta de trabalho sim. Nada contra. A nível pessoal é que... pois... não sou fã. Graças a deus tenho uma vida cá fora, não vejo necessidade em criar outra virtual.

De resto, concordo com tudo o que por ti foi dito.

Quanto às escolas... tu não pe puxes pelas palavras porque eu nesse assunto sou assim um pouco radical de mais para as mentes de muita gente (a quem eu chamo demasiado conservadores ideológicos). Poderá ficar para comentar num futuro post teu :P

Até te forneço material e tudo (é isto que faço no facebook... ler este tipo de coisas que são de mais fácil/rápido acesso):

https://www.publico.pt/temas/jornal/quando-a-escola-deixar-de-ser-uma-fabrica-de-alunos-27008265

http://www.noticiasmagazine.pt/2017/jose-pacheco/

http://www.revistaprosaversoearte.com/as-receitas-rubem-alves/

Beijinhos e obrgada pelo puxão de orelhas ;)
Está isto melhor hoje!
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Robinson Kanes a 20.04.2017

Não, nada disso… mas mesmo sendo miúdo já não me identificava muito com aquilo, confesso. Achava aquilo uma montra e um local óptimo para fazer amigos mais que amigos…

O texto do Público é interessante… sinto que roça alguns interesses e perspectivas muito convenientes, no entanto é bem elucidativo. O problema é sem dúvida de "empowerment" de dar espaço para a criação e desenvolvimento, mesmo que com erros, com falhanço. O modelo sueco, por exemplo, coloca as crianças com 3/4 anos a discursar! Nas escolas não se trabalham as "soft-skills" e também a capacidade de questionar e de pensar diferente. E… também não sou apologista que se acabe com tudo o que já é feito…


Escolas sem turmas, sem horários, sem "regras" e sem testes… não concordo. Tive um professor no ISCTE que, perante a nossa pouca vontade em fazer exame e ficar só com o trabalho de grupo, nos respondeu: "um dia quando tiverem um problema em mãos e vos pedirem uma solução, também vão responder: ah e tal vamos fazer um trabalho de grupo"? É importante não cair no erro do "tem de ser tudo cool"…. a partir de um certo grau de ensino poderá fazer sentido, mas em anos escolares básicos não faz. Isto para ir ao encontro do segundo texto.

No de Rubem Alves identifiquei-me com algumas perspectivas embora sinta que já é uma visão muito… artística… :-)

Eu é que agradeço mais uma vez estes "inputs", são de uma riqueza enorme para a discussão. Tomei a liberdade de guardar estes textos para mim também :-)

Em relação ao resto… nem sempre tudo corre como desejamos, mas podemos sempre não baixar os braços ou não insistir no caminho errado… ou que não tem de ser.




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Rita PN a 20.04.2017

Eu sinceramente, nem me recordo muito bem do que utilização fazia eu do hi5. Uma vez que só tinha autorização para ir à internet 30 min 3x por semana, não devia lá fazer grande coisa. Normalmente aproveitava esse tempo para ir ao msn que gostava bem mais. E para ir ao meu blog da altura, cujo conteúdo apaguei a semana passada por ter muita poesia da fase negra da minha vida, coisa que não me interessa muito ver. (sim, eu comecei a escrever poesia a sério tinha 12 anos... um dia publico um poema neste blog e refiro a idade com que o escrevi).

Escola sem regras eu não defendo. Mas defendo uma maior abertura e uma forte revisão à temática avaliação.
Por exemplo, defendo que a escola não se resuma a um edifício e a quatro paredes, secretárias, alunos e um professor. Considero importante o contacto e a aprendizagem no exterior. Afinal, a escola também deve formar cidadãos, coreto? Então, o com a comunidade/sociedade deverá ser feito diretamente, de tempos a tempos, por forma a que se apreendam ensinamentos provenientes da experiência pessoal e contacto com os meios. Não considerando que isso deva ser avaliado, mas sim debatido, considero de extrema importância que se incentive a partilha de ideias e se ensine a ouvir e a respeitar as demais opiniões desde cedo. Esses debates não só promovem a partilha, a interação, a aprendizagem e o raciocínio lógico e pessoal, como são coadjuvantes da expressão oral, do saber estar, do interagir com os demais, do poder de argumentação...

Quanto à avaliação, um teste avalia o quê? Depende do teste, certo? Uns avaliam de facto o conhecimento, outros o raciocínio mas no ensino básico continuam a avaliar a capacidade decorativa dos alunos e classificá-la. Sim, porque usar uma escala numérica é classificar. Avaliar, para mim, é qualitativo e não quantitativo. Acho que seria deveras interessante que as experiências tidas fora da sala de aula também fossem parte integrante da avaliação, que as actividades sociais, desportivas, culturais e o voluntariado contribuíssem para a avaliação final o aluno, em vez de ser visto na pauta um número cujo significado é a média dos testes (de conhecimento/decoranço).

Eu às vezes sou um bocado radical, mas também te digo, eu tenho 5 cadeiras do meu curso por terminar há 5 anos... não tenho vontade nenhuma. Não aprendi nada que te possa dizer ter sido relevante ou que saiba que vai contribuir para o meu desempenho profissional. Prática, não tive, laboratórios, davam-me tudo feito "agora analisa" (o politecnico não tinha dinheiro para os alunos errarem nas preparações, diziam), os professores anunciavam "leiam em casa, pesquisem e apresentem-me ideias amanhã" ou então liam literalmente slides.
E eu pensava "mas que caraças, ando eu a trabalhar para pagar isto? E aprendo mais a trabalhar do que estando aqui...".
Note-se que, não tenho nenhum curso superior na área de vendas, marketing ou psicologia de vendas, mas desenvolvi aptidões e conhecimentos que permitiram ter os resultados que tive até há 3 semanas atrás, quando optei por não continuar ali. E analisava o necessário, criava estratégias, propunha mudanças, tinha em conta o perfil de cliente que ninguém me ensinou a fazer, fazia prospecção, tinha em conta a concorrência... coisas que aprendi em 6 anos de vendas diretas e contacto com o público. E digo-te, conseguir perceber como inverter ou aliciar o psicológico do cliente é deveras importante. E ninguém me conseguia ensinar isso. Eu até podia ler calhamaços, mas só a prática me faria desenvolver, ou não, essa aptidão.

Se alguma vez trabalhei na minha área de estudos? Não. (Engenharia biológica e engenharia alimentar. Não terminei nenhum. Sou uma desgraça de pessoa :P )

Dou-te um exemplo engraçado, eu não consegui estudar para o exame de marketing alimentar, cheguei ao exame olhei para aquilo e troquei as telecomunicações por alimentos. Respondi de acordo com o que fazia diariamente. Tive 19... Até hoje não sei como tal. Se tivesse estudado, se calhar tinha 12 ou 13, porque me iria basear na teoria e não na prática.

Mas pronto, isto para dizer que uma vez que os alunos mudam, a sociedade muda e o mercado de trabalho muda, o ensino também precisa de alguma mudança.
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Robinson Kanes a 20.04.2017

Bom exemplo de "controlo positivo" por parte da mãe :-)
Fico também a aguardar esse poema! :-)

É necessário sair das 4 paredes para conhecer o mundo cá fora, infelizmente, tal perpetua-se até aos estudos superiores e, para muitos que se dedicam à investigação ou ensino… para lá dessa fase. O desfasamento entre a escola e a realidade é, por vezes, abismal! 100% de acordo… abram a escola ao mundo e o mundo à escola.

Depende dos testes, eu próprio já dei aulas e depende muito dos testes. Encontrei alunos habituados a testes de reposta decorada e o resultado foi uma turma completa corrida a negativa. Quem faz os testes é responsável por criar perguntas que suscitem o desenvolvimento do aluno, o raciocínio e a solução criativa de várias questões. Defendo os testes por uma questão de rigor, de responsabilidade e sim, de estudo efectivamente. Voltando aos professores… tive um professor de Direito que nos dizia: "se vocês fazem copy-paste do que leram nas leias, nos manuais ou outra coisa qualquer, podem acreditar que não terão positiva, mesmo que a resposta esteja correcta!". O resultado foi que na primeira frequência, em cerca de 30 alunos, só existiram duas positivas, a minha que foi um 12 e a de uma colega que foi um 16. O resto, andou tudo pelos 3 e 6.

Gosto dessa tua visão radical. Noutras culturas é muito bem vista, na portuguesa tenho dúvidas… :-)
É uma visão que não vê o ensino pelo "canudo" e contra mim falo que tenho formação de sobra, mas não se pode estudar só porque sim… criou-se a ideia de que um curso superior resolve todos os problemas, infelizmente não. É óbvio que existem áreas em que é fundamental e depois, depende muito do que andamos lá a fazer… existem pessoas que tiram cursos para aprender mais, outras nem por isso. Já tive uma situação em que me senti defraudado com o curso ao fim de três meses, reclamei e exigi o dinheiro de volta. Consegui vencer essa "causa", talvez porque também mostrei todas as falências do mesmo… e foi numa Universidade de renome e com "professores/profissionais de renome" na nossa praça.
Na verdade muitos estavam descontentes, mas só diziam querer o "canudo"… eu não estava para isso.

Não és nada uma desgraça! Se sentires que faz sentido para ti deves terminar, caso contrário, investe em algo que seja bom para ti e que gostes verdadeiramente… seja a nível superior ou não.

Em relação ao que referes, senti isso quando dei aulas… os alunos ao início ficaram em choque e detestavam-me! Depois perceberam que a minha bagagem profissional os ajudava e muito… foi uma boa experiência, mas ainda sou um "miúdo" para me pôr a dar aulas assim sem mais nem menos :-)

O ensino continua desfasado, ou parte dele, no caso do ensino superior muitas vezes porque anda a reboque de interesses, de figuras mediáticas que nada sabem, de ratos de biblioteca e enfim de tantas outras coisas… mas atenção… também há bons exemplos.



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Rita PN a 20.04.2017

Sim, outros tempos :-) A minha irmã mais nova, tem 14 anos, se conseguir não dormir, está 24h agarrada à internet... chega a ter o tablet no colo, o pc à frente e o telemóvel na mão. Num joga, no outro tem redes sociais e no outro lê o que lhe interessa (cantores e viagens).
Mudam-se os tempos... e a mãe... deixa de ter mão no avanço tecnológico.

Claro que sim, depende dos testes. Julgo ter referido isso, se não referi, foi lapso :-)
Chocam-me bastante os testes do secundário e a falta de preparação dos alunos para (por exemplo) os exames finais e o que irão ter que enfrentar no ensino superior. Continuam na base do decorar e não do raciocínio. Dou-te um exemplo que acontece N vezes. Teste de matemática, a professora vira um triângulo ao contrário e mais de metade da turma não consegue resolver o exercício. Porquê? Porque foi ensinada a decorar a forma de resolução do exercício. Não foi ensinada a compreender os fundamentos da sua resolução. E isto é verídico. E estamos a falar de matemática, não é história, geografia ou biologia (onde decorar páginas é o que mais se vê).
Criticam os testes de escolha múltipla. Talvez sejam os mais adequados por neles poderes fazer os alunos pensar. Ali, ou sabem ou não sabem. Tanto podes por perguntas teóricas, como exercícios que visem o raciocínio para chegar à resposta. Tive um professor de Física (era Cubano) que só fazia testes de escolha múltipla na universidade. Depois tivemos um Russo que levava o mesmo método. Foi a disciplina de onde melhor preparados saímos. Digo isto porquê? Porque no ano seguinte tivemos uma cadeira em que era necessário aplicar a física do ano anterior e esta vamos todos ok. As aulas também eram dadas de forma a fazer-nos pensar e compreender fundamentos e eram bastante interativas.

Eu às vezes sinto-me à parte do mundo, confesso, por estes meus radicalismos...
Ainda há pouco dizia ao HD "não é fácil levar os meus sapatos adiante, o chão que pisam não lhes permite deixar pegadas. É hora de mudar e não é de sapatos, é de construir um novo chão."

Olha, eu estou em guerra com o Politécnico de Beja porque no ultimo ano pedi congelamento de matricula eles anularam-ma, ou seja, agora tenho a divida de um ano de propinas que nem frequentei... e o erro foi deles. E não estou a conseguir vencer isto. Quero ir embora para Lisboa terminar um dos cursos e não posso sem resolver isto. Agora alegam que congelamento já não existe. Pois, mas na altura existia e foi pedido. Mas isto aqui é a maior palhaçada que já vi. Andaram todos a governar-se à grande com o dinheiro das propinas, a decadência foi mais que muita, fecharam praticamente todos os cursos, sobrevivem dos CET e tramam quem ainda lá está e quer sair.

Sim, há cursos que são mesmo necessários para o exercício das suas funções. Qualquer curso na área de saúde é fulcral. Eu tenho um técnico de nutrição e dietética, mas sinceramente, gosto como hobby. Faço uns aconselhamentos a pessoal amigo. Não sei me vejo a fazer disso vida. Gosto para mim e quis aprender mais.
Já as vendas, não sei até que ponto, se ingressasse agora num curso superior, me ia entusiasmar, uma vez que já levo 6 anos de pratica.
Eu tirava bem jornalismo ou psicologia. Mas não, pés na terra e acabar o quase nada que falta. A sociedade obriga-me a ter um canudo para me dar trabalho compatível com as minhas ambições. Mesmo que o canudo não seja nessa área. Mas é um canudo.

Não digas isso. Não és "miudo" para dar aulas. Tu tens bagagem e se tiveres aptidão então tens as condições necessárias. Até porque há uma vantagem nos mais novos, é conseguirem chegar mais facilmente aos alunos por melhor lhes compreenderem as mentes. Gerações distantes, geram sempre mais conflitos e desfasamento no binómio passagem/aquisição de conhecimento.

Concordo em absoluto que há bons exemplos. E existindo, deveriam ser seguidos por mais... porque já se percebeu (onde é necessário que se perceba) que é necessária mudança.
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Robinson Kanes a 21.04.2017

Imagino. Sou uma pessoa que também "bebe" muita tecnologia, contudo reconheço que bebo mais de outras coisas, há espaço para tudo…

Sim, os testes de escolha múltipla são muito utilizados em alguns países, nomeadamente nos EUA. Penso que deveriam ter uma componente mais aberta… isto porque o raciocínio não é de todo estimulado e, no fundo, a resposta está lá. Penso que é importante que a "escolha múltipla" esteja lá, mas não se deve alongar por todo o teste.

As aulas são também importantes, penso que as aulas e um bom trabalho entre professor e alunos vai ter um melhor resultado nos testes. Por exemplo: estudos de caso. Os alunos, sobretudo no ensino superior, adoram estudos de caso, aproxima-os da realidade, torna-os parte activa na solução ou somente na análise e aí estamos a entrar noutro campo: a capacidade analítica que tanta falta faz, a par da capacidade estratégica.

Nem sempre o caminho é fácil e de alcatrão… há caminhos de pedras, de cascalho, de terra batida, de lama e até caminhos sem chão :-)

Se aceitaram não vejo razão para agora não devolverem o valor. Além de que esse processo não me parece que seja retroactivo. Tens de insistir e , se necessário, consultar alguém que te possa ajudar. Já recorreste hierarquicamente?

Desde que aprendas qualquer coisa com o canudo, já vale a pena. Para mim, mais que um canudo, é importante o indivíduo, até porque sistemas, processos e outras tantas coisas aprendem-se rapidamente… já as competências sociais e pessoais são outra coisa…

Concordo, mas alguma experiência mais não me fará mal nenhum :-)

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Rita PN a 21.04.2017

Já recorri. Já fiz requerimentos só já me falta mesmo o advogado...
No meu pedido está explicito "Congelamento", na minha matricula diz "Cancelada". Nunca, durante 5 anos me chegou uma carta a casa a dizer que tinha valor em divida dado o cancelamento. Fui informada da situação porque dei conhecimento de ser minha intensão pedir tranferência. "Não pode, tem valores pendentes." Tenho o quê? "Valores pendentes por ter cancelado a matrícula. Esse pedido obriga ao pagamento na íntegra da propina anual." Mas eu não pedi cancelamento nenhum, pedi um congelamento. "Neste momento já não se fazem congelamentos." Na altura faziam... "Recorra ao director..." Que claro, defendeu a instituição. Tendo eu os e-mails e tendo dado conhecimento dos mesmos.

Vim a saber de mais 10 casos iguais... isto é absurdo...
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Robinson Kanes a 21.04.2017

E falar com o Presidente do Politécnico, não consegues agendar uma reunião?
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Rita PN a 21.04.2017

Estão a decorrer eleições para novo presidente. Está mais de metade da equipa de saída. Não sei se aguarde ou de continue a insistir
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Rita PN a 21.04.2017

Vou o seu conselho, sabio Robinson.
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Robinson Kanes a 21.04.2017

Fundamenta bem o teu recurso e além disso vai preparada e documentada ;-)

Sábio? Nunca, eu diria… prático :-) ahahahha
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Rita PN a 20.04.2017

(Tem erros que se farta, escrita inteligente do telemóvel e eu, não somos amigas...) Perdoa-me e não me obrigues a escrever 20x cada palavra ahahaha :-)

continuando, em tom de brincadeira, sou melhor profissional numa área em que não tenho estudos nem diploma, no que na área onde tenho um diploma de formação profissional e quase dois cursos terminados por considerar que não tenho bases para exercer a função... isto é... triste? (para mim mesma é...)

Obrigada eu por sempre permitires a abertura e o debate e por sempre me ensinares discordando :-)
(aqui não é escola mas aprende-se) ;-)
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Robinson Kanes a 20.04.2017

Já devemos ser dois… isto não há tempo para corrigir e reler tudo :-)

Não é nada triste… pensa no que queres para o teu futuro, nas oportunidades e luta por isso… não te vou aborrecer com o discurso do "basta teres vontade e consegues tudo", isso é irrealista e só ajuda a vender livros. Mas aposta nessa vontade e os resultados mais cedo ou mais tarde irão aparecer.
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Rita PN a 20.04.2017

Não estamos na escola, deixemos os erros :)

Não basta mesmo ter vontade para acontecer... isso é bom para nos incentivar, mas sabemos que não é tão linear assim. No meu caso, não depende só de mim. Eu sozinha não tenho condições para... e não tenho quem me possa apoiar nesse sentido. Tão pouco tenho aquela margem de erro de "se correr mal, correu". Só pode correr menos bem, mal não pode. É demasiado frustrante sabermo-nos capazes de e com capacidades para e vermos as pernas cortadas.
No meu caso, eu para me ir embora tenho que saber que sobrevivo. Agora diz-me, com 557 euros de ordenado mínimo (porque não tenho hablitações para me recrutarem para outros cargos com remuneração mais elevada), como é que eu pago renda, universidade, alimentação, transportes, o seguro do carro (a menos que o venda), despesas de saúde mensais... isto cortando já naquilo que se paga para respirar um bocadinho de liberdade diária. Impossível...

No entanto, se eu quero realmente chegar onde me sei capaz de, vou ter que terminar o curso. E é uma bola de neve. Tudo isto me revolta... eu não vou ficar mais apta ou mais inteligente. Vou apenas ter um canudo... e até lá, andar sufocada...
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Robinson Kanes a 21.04.2017

Infelizmente é uma realidade latente, sobretudo de quem quer ir à luta por si… são comuns os discursos do "eu consegui a partir do nada" mas na verdade, bem investigadas as coisas os colchões foram mais que muitos… acredito pouco em conquistas feitas com discurso de "headset" na cabeça e pés sobre um palco :-)

Posso dizer-te que não desistas e que, efectivamente 557 euros são uma fortuna na Argélia, contudo não o são em Portugal. Lisboa também está a ficar mais cara e a especulação imobiliária está aí e veio para ficar… Não deixes de reforçar a tua experiência, o teu conhecimento, bate às portas… não te sugiro o "networking" mas isso é por convicção pessoal :-)

Já pensaste numa carreira fora de Portugal?

Não desistas, nem sempre é fácil e pode levar muito tempo quando fazemos a coisas pela via ética… acredita no que te digo :-)
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Rita PN a 24.04.2017

Eu também não acredito em grandes feitos sem bons colchões. Se assim fosse, seria bem mais fácil a muitos outros.

Lá está, a questão não é serem 557, a questão é analisar se esses 557 são suficientes para fazer face àquilo que é considerado essencial ou bem de primeira necessidade. E dada a listagem que fiz...(que nem era necessária) é obvio que não o são...
Quanto à especulação imobiliária, eu diria que é urgente que se reveja a lei do arrendamento. O boom que se vive atualmente em Lisboa e no Porto, fruto das distinções internacionais, leva, inevitavelmente, ao aumento dos preços no mercado imobiliário. O turista é sempre uma fonte de rendimento, o investimento estrangeiro é necessário e essencial mas... e a restante população que vê, por conseguinte, as suas rendas igualmente inflacionadas?
Um T1 em Lisboa já ronda os €400... se for um buraco, á se consegue por €300...
Quando questionados os números da idade tardia da emancipação jovem, antes olhem a tudo isto. Olhem à base da questão. Não olhem somente à convenienca de dizer que os Millenials são uma geração que prefere ficar em casa dos pais, que prefere não ter empréstimos, que olha mais ao lado humano das empresas do que aos lucros... analisem o bolo todo e digam-me se estão reunidas as condições para que nos emancipemos mais cedo.

Se fizeres uma comparação entre os números do investimento por parte do estado em politicas de emprego e em medidas que visem o incentivo à habitação jovem na Europa, vais ver que onde mais se investe, mais cedo os jovens se emancipam. E onde menos se investe, mais tardiamente isso acontece. Eu não me recordo agora o nome do estudo que vi, sei que Portugal e Espanha estavam em último lugar e tinhas os países nórdicos e a Alemanha nos primeiros.

Eu não queria ir embora do meu país... a menos que me obriguem a tal. Não vejo porque é que os de fora me podem dar e reconhecer aquilo que o meu país não...
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Robinson Kanes a 26.04.2017

Lisboa está a passar pelo problema que passaram outras cidades repentinamente inundadas pelo turismo. Barcelona, Berlim e Milão são dois exemplos à escala. No entanto, muitas destas cidades estão a tomar medidas correctivas, espero que Lisboa aprende e não precise dessas medidas.
A cidade é feita de pessoas e é isso que distingue Lisboa de muitas outras capitais dos turismo. Mas… também é um facto, os turistas trouxeram uma vida a Lisboa como já não se via há muito.
Os Millenials agora são tudo… se por um lado existe essa ideia em alguns, por outro, outros pretendem é uma vida descansada sem correr riscos e com o tal colchão que também lhes assegura uma vida acima das suas posses. Além disso, empresas sem lucros, também não podem ser criadoras de emprego. Falam muito da vida desinteressadas dos Millenials mas não é isso que eu vejo…

Por vezes temos de ir para onde nos sentimos bem e onde nos acolhem melhor. Se no Paraguai for melhor acolhido que em Portugal, não olho sequer para trás :-)
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Rita PN a 26.04.2017

"A cidade é feita de pessoas e é isso que distingue Lisboa de muitas outras capitais dos turismo." - Tão bem dito :-)

Sim, também eu espero que assim seja, que através das experiências de outras, Lisboa adopte desde logo medidas que evitem realidades como as das cidades que referiste.
Aliás, não só Lisboa, mas também o Porto.

Sabes, eu acho que os millennials agora são a desculpa para muita coisa. Convém que assim seja. Se por um lado a sociedade evoluiu, a tecnologia evoluiu, as mentalidades se alteraram, por outro, também é verdade que o mercado de emprego não acompanhou essas mudanças. E quem diz o mercado de emprego diz as mentalidade dos mais velhos. Fala-se agora nos millennials porque são os primeiros filhos das alterações profundas na sociedade, mas a seguir vem a geração y, depois virá outra e serão sempre necessárias adaptações à evolução.
Em geral (e sabendo que não posso generalizar) pensamos de forma diferente, temos horizontes diferentes, temos uma visão que difere da visão dos nossos pais. Não nos podemos esquecer que somos uma geração pós 25 de Abril (nascidos entre 1980-2000), nascida já com a liberdade adquirida. Quer se queira ou não, isso também tem a sua influência.
Agora se me disserem que somos desinteressados eu não concordo. Temos sim, outros objetivos e valorizamos coisas diferentes. Ter um trabalho fixo para a vida onde nos possamos acomodar não é de todo a nossa meta laboral. A nossa meta é a realização pessoal é profissional, cada vez mais damos primazia aos valores (principalmente humanos) de uma empresa do que ao nome e ordenado.
Mas é como dizes, uma empresa que não lucre não pode oferecer postos de trabalho. Mas uma revisão às políticas de empregabilidade não fazia mal nenhum.

Ontem estive com antigos colegas de escola que já não via faz tempo, temos o orgulho de dizer que a nossa turma sempre foi a melhor do básico e do secundário. No entanto, temos noção que havia interesse da escola que assim fosse, que estivessem reunidos numa só turma os melhores alunos, de forma a poderem puxar por nós e garantir presença nos rankings. Não havia negativas e a medida mais baixa era 15...
Isto para dizer o quê, para dizer que a nenhum de nós se pode chamar mandrião por estar desempregado ou trabalhar em caixa de supermercados. Deste grupo de ontem, todos fomos para a universidade, todos já tivemos trabalhos precários, todos tirámos cursos profissionais extra para não estarmos parados e todos sabemos o que é estar desempregados com 28 anos, com conhecimentos e capacidades. Isso é revoltante.
Ter que tirar os estudos do CV, porque são habilitações a mais, para arranjar um emprego precário é ridiculo.
Estarmos em casa dos pais aos 30 é ridículo.
Estarmos constantemente a estudar porque não arranjamos emprego é ridículo. Ninguém vive de estudar... Eu adoro aprender, mas quero trabalhar. De preferência trabalhar e aprender.

Por isso digo, já que tanto falam em nós, tratem de arranjar medidas que visem soluções.
Em todas as gerações há mandriões e gente que gosta do conforto dos colchões, mas esses são a minoria. Queremos condições para viver, vá lá governantes deste país... :(

Aqui fica um artigo

http://observador.pt/especiais/chegar-aos-30-sem-anel-nem-emprego-fixo-o-que-pensam-os-millenials/
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Robinson Kanes a 26.04.2017

"Ter que tirar os estudos do CV, porque são habilitações a mais, para arranjar um emprego precário é ridiculo.
Estarmos em casa dos pais aos 30 é ridículo.
Estarmos constantemente a estudar porque não arranjamos emprego é ridículo. Ninguém vive de estudar... Eu adoro aprender, mas quero trabalhar. De preferência trabalhar e aprender. "

Não poderia estar mais de acordo…

… Todavia, não acredito, muito honestamente, que sejam uma minoria. Ficaria pelo 50/50. Para lá do que se escreve, tenho assistido a uma realidade que por vezes é diferente… se me perguntares se em países como a Alemanha a visão é diferente, é… mas… em Portugal vejo o foco centrado no imediato. Os Millenials não são diferentes em querer ter um nível de vida elevado e que chegue rápido. Hoje, fala-se muito de que os Millenials (e dos quais faço parte, ou seja, não me chamem Velho do Restelo) querem coisas diferentes, são menos presos a dogmas. Concordo. Mas não me digam que têm interesses mais nobres. São mais "cool" porque viajam mais, gostam de restaurantes diferentes, querem gozar mais o lazer e desenvolver os seus passatempos… isso implica também um nível de vida que não se atinge com facilidade. Em Portugal, por exemplo, ter um carro novo, uma casa nova e um nível de vida bem acima ainda é o desejo para um início de vida "humilde" por parte dos jovens. Além de que as coisas levam tempo a mudar, e não é de uma geração para a outra que isso acontece… até porque muitos dos nossos Millenials (os portugueses) foram criados num ambiente de "fartura"…

Do ponto de vista da aprendizagem e dos estudos: estamos a viver um momento estranho, em que mais que os estudos, o saber e a vontade são ultrapassados pela capacidade de estabelecer contactos. Ainda recentemente, ouvi um indivíduo com responsabilidades numa organização afirmar que mais do que trabalhar ou estabelecer um bom ambiente na organização, é importante perder muitas horas do dia de trabalho a criar contactos profissionais para, quem sabe, poder continuar a desenvolver a carreira noutra organização. Trabalho e empenho eram vistos como falta de ambição.

Tenho de ler esse artigo.
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Sónia Pereira a 19.04.2017

Muito interessante esta análise. E não podia concordar mais com o último parágrafo do teu texto. As redes sociais, embora sendo um produto digital, são, acima de tudo, algo abstrato que apenas com a interação das pessoas o deixa de ser. São as pessoas que fazem destes produtos aquilo que eles são, são as pessoas que lhes conferem um certo e determinado valor, um certo e determinado poder.
E no fim, acho que, apesar de ser portuguesa, ainda sou aparentada com o comportamento chinês. Não sinto necessidade de exibir a minha vida privada (família, viagens, restaurantes, etc.), mas acho que as redes sociais podem ser uma boa ferramenta para «ouvir» diferentes pontos e vista sobre variados assuntos, discutir assuntos «tabus», obter informação, etc.
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Robinson Kanes a 19.04.2017

Obrigado! E "welcome back"…

Sim, no fundo as redes sociais não estão lá a comandar as vidas de ninguém, quando muito… comandam as necessidades, e aí, temos tema para meses… mas não quero ir tão longe, para já :-)

Sim, concordo também com o teu último parágrafo, isto quando as coisas são bem feitas… infelizmente assisto a um descambar para o ridículo nas discussões de pontos de vista e até nos próprios "tabus". Facilmente abordas temas "tabu" mas também facilmente és achincalhada porque não estás na "corrente"… ou porque alguém se lembrou disso… em suma… são as pessoas que as fazem.
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Maria Araújo a 20.04.2017

Bom, nunca usei as redes sociais para mostrar uma vida que não tenho nem posso ter.
Confesso que não tinha qualquer problema em publicar fotografias de viagens que fiz, ou as minhas saídas para a praia. Mas eram, e são, ainda, os lugares que visito que são a minha prioridade.
Por vezes as amigas comentavam que não entendiam por que andava sempre com a máquina pronta a disparar e eu nunca fazia parte da paisagem.
Contar no FB ou outras redes sociais ( e tenho Instagram) tudo o que se faz, gera polémica, pelo deixou de ter interesse para mim.
Não cancelei, mas já estive para o fazer, a minha conta no FB somente porque é a via de comunicação dos elementos do grupo que fazem parte do desafio de leitura de uma blogger aqui do Sapo.
Uma vez por semana, ou quando há alguma coisa que só lá posso ver e/ou saber, entro na minha página, leio, respondo ao grupo e saio.
Os amigos e as amigas sabem o meu número de telefone e telemóvel quando há saídas à noite , jantares, confidências, telefonam-me e/ou a eles e elas.
Vivo bem sem o FB.
O blog não dispenso.

P.S.:

Se gostei de ler este post, mais gostei muito de ler essa troca de comentários entre si e a Rita.



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Robinson Kanes a 21.04.2017

Agora recordou-me um artigo que escrevi aqui sobre "postas de pescada":
http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/blogues-de-viagens-ou-postas-de-pescada-7662

Penso que as pessoas que são importantes estão sempre lá e não é preciso uma rede social virtual para nos aproximar. Pelo menos não deveria ser essa a função primordial das redes sociais.

O blog é outra coisa… embora possa ganhar contornos de rede social também, mas é um outro mundo, prova disso é o facto de muitos blogs estarem associados a contas em redes sociais. Ou então… de terem perdido terreno para essas mesmas redes.

Agradeço o facto de ter perdido o seu tempo a ler os nossos comentários :-)

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