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E Quem Serás Tu?

por Robinson Kanes, em 19.10.17

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

Esta é a pergunta que te coloco! Esta talvez seja a pergunta que me prende na esperança de mais 365 dias de vida contigo. Também é o dilema que me atormenta se, daqui a 365 dias, ainda sentirei a tua presença pela casa, pelo carro e até nos meus pensamentos... Nesses malditos pensamentos onde entraste e eliminaste toda e qualquer memória, onde foste rainha e ninguém escapou à tirania da tua sedução...

 

Mas o amor não dura para sempre... O amor, esse maldito subterfúgio da sociedade para nos tornar mais moles ou para colocar em nós algo surreal que, no fundo, não passa de uma característica física que, não tendo forma, passaria despercebida e desse modo perderia todo o nosso interesse. Vergílio Ferreira, no seu "Conta-Corrente", debruçava-se sobre o facto de "se não há amor como o primeiro, porque é que ele não é o último?". Será pois o amor algo que morre com a primeira decepção, com o primeiro fim... Com a primeira separação. Talvez só amemos por momentos e nunca mais voltaremos a amar, talvez a nossa capacidade de memória seja absorvida nesse primeiro amor, no entanto, a natureza é mais forte e faz-nos deixá-lo... 

 

Encontro-me contigo quando dizes que "as pessoas não foram feitas para estarem juntas toda a vida" e tento, apesar da minha frieza, destruir o teu argumento, mesmo que equacione se é mesmo nisso que acredito. Recorro à premissa de que existem casais que vivem juntos para sempre mas... Escamoteando a realidade, ou percebemos que foi a habituação,  ou a pressão dos pares, a pressão da estabilidade e até uma educação ainda alicerçada em muitos ditames religiosos que até o mais profundo ateu absorve. 

 

Será que me amas? Será que para ti não existiu amor como o primeiro e agora vives rendida à vida até que a morte te retire deste marasmo em que o amor já não existe? Questiono-me sempre pensando em quem serás tu daqui a 365 dias... Se serás mais uma experiência do amor, se uma experiência da crua realidade que insistes em inscrever na tua bandeira de que um homem e uma mulher jamais se amarão para sempre. Talvez projecte os meus pensamentos em ti, ou talvez os mesmos se encontrem e só reconheçam, efectivamente, que o amor eterno é uma obra literária para quem não consegue aceitar as relações humanas como elas são.

 

Talvez sejas a face de uma desilusão que por intermédio de mim não desfez a utopia em que ainda acreditava... Quem serás tu daqui a 365 dias ou o que será o amor daqui a 365 dias? Será que já amámos por 365 dias?

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53 comentários

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O ultimo fecha a porta a 19.10.2017

O amor é um tema tão complexo, mas é daquelas coisas que se deve viver um dia de cada vez. Não se ficar preso ao passado nem sofrer pela antecipação do futuro.
Falo por experiência própria.
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Robinson Kanes a 19.10.2017

Resumiste a situação muito bem ;-)

Nada como a experiência...
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mami a 20.10.2017

lindo texto ... hoje estás numa mood diferente ;)
compreendo o teu texto e é essa ignorância em relação ao fim do amor que gostaria que a minha filha não descobrisse ... para que assim vivesse em pleno cada amor ... porque vai haver sempre um próximo amor
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Robinson Kanes a 20.10.2017

Tem dias... :-)

Vai descobrir, e penso que até será bom... É uma daquelas frases que enfim, mas por aqui é citada muitas vezes, embora fôssemos umas crianças à época... O Henrique Mendes, dizia no "Ponto de Encontro" que "a vida é feita de encontros e desencontros" e no fundo, o amor entra claramente nessa equação.
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mami a 20.10.2017

Pode ser, mas eu tenho saudades de quando acreditava no amor eterno!
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Robinson Kanes a 20.10.2017

Não quer dizer que ele não exista... Além disso temos, muitas vezes, de passar por várias etapas até encontrar o tal amor eterno... E devo admitir que até pode ser uma coisa boa.
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mami a 26.10.2017

se conseguires não deixar de acreditar ;)
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Robinson Kanes a 26.10.2017

Por vezes cai-nos em cima e coloca-nos a vida do avesso (no bom sentido)
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Bruxa Mimi a 20.10.2017

Normalmente leio os comentários que já existem antes de fazer o meu, mas desta vez quis comentar sem o fazer.

Como mulher casada há quase treze anos, num casamento que ambos desejamos ser para toda a vida, já tive momentos sem amor, sim. Momentos em que senti raiva e incompreensão e outras coisas menos positivas. Não me parece possível que se esteja sempre naquele estado de encantamento inicial. No entanto, penso que será o amor, através do perdão, a manter-nos unidos, porque o amor estabelece pontes por cima dos rios de dor que inevitavelmente causamos um ao outro.

De qualquer maneira, e respondendo ao Vergílio Ferreira, como se ele mo perguntasse diretamente e não tivesse já morrido, o meu marido foi o meu primeiro amor a dois e espero que seja o último!
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Robinson Kanes a 20.10.2017

Sim, até porque a vida actualmente impede-nos disso e na verdade, para a nossa cabeça e bem-estar seria impossível, penso que o coração não aguentava...

Mas também é amor, assumir que temos momentos sem amor e procurar perceber o que está a acontecer, até porque tendemos a distrair-nos por causa de múltiplas situações diárias. Isso é de louvar... Pelo menos existe algo maior que é o diálogo.

Esperemos que sim e que seja muito vivido... Contrariar um mestre é sempre um bom desafio.

Obrigado pela visita e pelo testemunho. Muito Obrigado :-)
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Maria Araújo a 20.10.2017

O amor é tão difícil de explicar e entender.


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Alice Alfazema a 20.10.2017

Que belo texto Robinson!

Nunca saberemos quem vamos ser daqui a 365 dias, assim como não podemos apostar totalmente no Amor, quero dizer viver agarrados a ele, esperando tudo e sempre em alerta. Para mim, o amor deve ser algo descontraído, leve e doce, onde o carinho e as atitudes têm de ser cuidadas com muito zelo. No começo o amor é assim como uma pintura, onde não se sabe bem aquilo que vai acontecer, mas depois ele se torna nuvem que passa por brisas e tempestades, que se afasta e volta. O amor é uma caminhada não um contrato que tenhas obrigatoriedade de cumprir.



Um abraço grande.
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Robinson Kanes a 20.10.2017

Um contrato nunca, mas acredito que os baixos fortalecem ou destroem o mesmo. Penso que temos de estar atentos... É preciso carregar com energia a paixão, é preciso perceber quando estamos distraídos e não estamos a acompanhar... Mas sim, é uma pintura abstracta...

Gostei da tua definição ;-)

Muito obrigado e um grande Abraço com boas caminhadas pela Arrábida :-)

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