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 Fonte da Imagem: https://www.rt.com/news/422490-may-kemerovo-putin-condolences/

 

 

Recentemente, o incêndio num centro comercial na Sibéria fez as aberturas dos telejornais e ilustrou capas de jornais e outros meios de comunicação na Europa – pelo menos, em três países tive oportunidade de me deparar com isso. Tentei procurar em Portugal, mas de facto o futebol, a chuva miúda ou o vestido da festa de algum indivíduo sem interesse para os destinos do país, tem um peso enorme que apaga qualquer outra notícia.

 

Mas não é por aqui que vou, pelo que, acabo por fazer a comparação com a tragédia dos incêndios. Na Rússia, esse país de gente fria, sobretudo face a nós, calorosos portugueses, tive oportunidade de assistir ao choque das pessoas, às lágrimas do cidadão comum e à partilha da dor nas ruas. Vi o foco nas pessoas e não em políticos ou nas chamadas “figuras públicas”, vi a importância do tempo de sofrimento, daquele espaço que é necessário para chorar, para sentir o choque, afinal... para sofrer, por muito que nos custe admitir. Tal, contudo, não invalidou as criticas à actuação deste ou daquelo indivíduo ou instituição, no entanto, esse tempo é respeitado. Algumas destas imagens foram transmitidas pela Russian Today, uma televisão a comando do Kremlin e de Putin, mas que teve o cuidado de deixar que o luto fosse visível, sem show off.

 

Outra coisa que não vi (e até tenho seguido os desenvolvimentos) foi o foco nos concertos solidários e nas acções solidárias e com forte mediatização! Vi as pessoas a chorarem, a sentirem a dor e a partilhar algo que temos de sentir, viver e obviamente ultrapassar, mas tudo a seu tempo, sob pena de não vivermos o luto, seja ele qual for.

 

Fogos florestais também não têm comparação com incêndios urbanos, no entanto, imediatamente foram detidas 5 pessoas para averiguação – não estou com estas palavras a defender a rápida punição ou julgamentos sumários de eventuais culpados mas, pelo menos, procurar os responsáveis e começar a agir. Em Portugal ainda andamos à procura dos culpados e já estamos quase a um ano da data em que muitos morreram em Pedrogão. Afectos e palavras são interessantes mas em alguns países são precisas acções no terreno sob pena de ter um povo enfurecido e na rua a pedir justiça - na Rússia não se fizeram concertos solidários nem imagens para as câmaras de televisão, pediu-se justiça!

 

Defendo que em situações de gravidade, dispensam-se as palavras e avança-se com as soluções sem criar “grupos de trabalho”, no entanto, com corpos ainda na morgue ou no local da tragédias, admito que me custa encarar o mediatismo da suposta solidariedade e o espectáculo em torno da tragédia, onde é importante estar porque... Simplesmente se está...

 

Quando o luto não é feito, quando a tragédia não é enfrentada, quando não vemos as acções e camuflamos a ausência de tudo isso com “espectáculo”, corremos o risco de desresponsabilizar quem o deve ser e podemos estar a ocultar a realidade.

 

Associarmo-nos a tragédias, em Portugal e não só, é “fixe”, mas na realidade... Mais fixe é gerir a situação em si e acima de tudo exigir Justiça! Isso não nos traz visibilidade, mas faz de nós seres-humanos que dizem viver em Democracia.

 

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6 comentários

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Rita PN a 03.04.2018

Em Portugal há uma questão que, quer queiramos quer não, impera nas mais diversas vertentes, determinando o que tem maior ou menor importância. Essa questão tem o singelo nome de interesses.
O foco nas pessoas não é excepção. Qual a contrapartida?
É triste, é cruel, mas quem nos disse que a realidade teria outro pressuposto?

"Defendo que em situações de gravidade, dispensam-se as palavras e avança-se com as soluções sem criar “grupos de trabalho”, no entanto, com corpos ainda na morgue ou no local da tragédias, admito que me custa encarar o mediatismo da suposta solidariedade e o espectáculo em torno da tragédia, onde é importante estar porque... Simplesmente se está..." - O mediatismo é uma contrapartida.

"Associarmo-nos a tragédias, em Portugal e não só, é “fixe”, mas na realidade... Mais fixe é gerir a situação em si e acima de tudo exigir Justiça! Isso não nos traz visibilidade, mas faz de nós seres-humanos que dizem viver em Democracia." - é isto, meu caro Robinson. Quando ser solidário vira tendência, moda ou determina o bem parecer, sem propósito, sem missão, sem sentido de dever cumprido, é lógico que o que se pretende é ter os holofotes a incidir sobre si. Todos os espetáculos feitos, todo o tempo de antena concedido às palavras de mil e um especialistas, em detrimento das acções (que deveriam ser exigidas por nós cidadãos), trás um retorno. Interesses.

Passei a Páscoa na Serra da Gardunha e visitei os arredores. O cenário é cadavérico. Destruição. Perceber que existem locais onde, só não vê quem nã quer, que o fogo foi ateado no cimo da montanha, consumindo toda a encosta, devorando estradas e encurralando (prepositadamente) as populações, é revoltante. Estar ali, olhar em volta e imaginar o desespero de quem não tinha fuga posível, arde...
Poderia ter ido para um qualquer paraíso nacional, mas fui até ao inferno. E se a revolta já era grande, agora atingiu um grau que não sei quantifiar.
Deveria ser visita obrigatória, para políticos e comuns cidadãos.
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Robinson Kanes a 03.04.2018

Olá retornada :-)

O mediatismo, o mediatismo... Nada contra, mas quando atropela valores... E a reboque surgem realmente os interesses e a ausência de acções, hoje somos especialistas e máquinas de lavar sem sequer saber meter detergente na mesma... Isso assusta-me...

Os políticos também lá passam, mas se não existirem jornalistas atalham caminho... O triste espectáculo do fim de semana do "limpa a mata" por parte dos "evoluídos" urbanos foi qualquer coisa.

Muita mata se limpou, ou não... Porque as ervas daninhas continuam a dar cabo dos solos :-)
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Rita PN a 03.04.2018

Ahahahahaha retornada!

Em lavandarias somos nós especialistas. Até conheço quem, para desviar atenções da prática de outras lavagens, aplicou uns trocos, desses já lavadinhos, numa rede de lavandarias por todo o país.

Lá está, atalham caminho porque não existe retorno. Primeiro o trabalho, depois os holofotes.
Nem vou gastar palavras com esse espetáculo....
Posso é frisar o que, para mim, é uma total falta de organização e conhecimento do território, quando enviam, para os moradores dos grandes centros urbanos, cartas a solicitar a limpeza do mato em frente à habitação. Quantas árvores morreram para que milhares de cartas fossem enviadas indevidamente? De facto, a limpar, aqui na rua, só mesmo alguma erva daninha que por cá passe, por descuido.

Esse último parágrafo está qq coisa!
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Robinson Kanes a 03.04.2018

Não resisti ao toque da descolonização :-)

ahahahahah gostei da brincadeira com a lavagem :-)

"Posso é frisar o que, para mim, é uma total falta de organização e conhecimento do território, quando enviam, para os moradores dos grandes centros urbanos, cartas a solicitar a limpeza do mato em frente à habitação. Quantas árvores morreram para que milhares de cartas fossem enviadas indevidamente?"

Já perguntaste à Celtejo? :-)))

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Rita PN a 03.04.2018

Bom... foram, certamente, em número suficiente para se pagarem uns trocos à justiça (?) e, quem sabe, ceder as resmas de papel necessárias à impressão de admoestações escritas, a serem entregues aos demais (atuais e futuros) injustiçados nacionais.

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Robinson Kanes a 03.04.2018

ahahhahahah

Essa agora foi brilhante... Com este número de prevaricações sem qualquer punição, não vai faltar papel para tanta admoestação.

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