Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




 

5aba67c4fc7e9322118b456a.jpg

 Fonte da Imagem: https://www.rt.com/news/422490-may-kemerovo-putin-condolences/

 

 

Recentemente, o incêndio num centro comercial na Sibéria fez as aberturas dos telejornais e ilustrou capas de jornais e outros meios de comunicação na Europa – pelo menos, em três países tive oportunidade de me deparar com isso. Tentei procurar em Portugal, mas de facto o futebol, a chuva miúda ou o vestido da festa de algum indivíduo sem interesse para os destinos do país, tem um peso enorme que apaga qualquer outra notícia.

 

Mas não é por aqui que vou, pelo que, acabo por fazer a comparação com a tragédia dos incêndios. Na Rússia, esse país de gente fria, sobretudo face a nós, calorosos portugueses, tive oportunidade de assistir ao choque das pessoas, às lágrimas do cidadão comum e à partilha da dor nas ruas. Vi o foco nas pessoas e não em políticos ou nas chamadas “figuras públicas”, vi a importância do tempo de sofrimento, daquele espaço que é necessário para chorar, para sentir o choque, afinal... para sofrer, por muito que nos custe admitir. Tal, contudo, não invalidou as criticas à actuação deste ou daquelo indivíduo ou instituição, no entanto, esse tempo é respeitado. Algumas destas imagens foram transmitidas pela Russian Today, uma televisão a comando do Kremlin e de Putin, mas que teve o cuidado de deixar que o luto fosse visível, sem show off.

 

Outra coisa que não vi (e até tenho seguido os desenvolvimentos) foi o foco nos concertos solidários e nas acções solidárias e com forte mediatização! Vi as pessoas a chorarem, a sentirem a dor e a partilhar algo que temos de sentir, viver e obviamente ultrapassar, mas tudo a seu tempo, sob pena de não vivermos o luto, seja ele qual for.

 

Fogos florestais também não têm comparação com incêndios urbanos, no entanto, imediatamente foram detidas 5 pessoas para averiguação – não estou com estas palavras a defender a rápida punição ou julgamentos sumários de eventuais culpados mas, pelo menos, procurar os responsáveis e começar a agir. Em Portugal ainda andamos à procura dos culpados e já estamos quase a um ano da data em que muitos morreram em Pedrogão. Afectos e palavras são interessantes mas em alguns países são precisas acções no terreno sob pena de ter um povo enfurecido e na rua a pedir justiça - na Rússia não se fizeram concertos solidários nem imagens para as câmaras de televisão, pediu-se justiça!

 

Defendo que em situações de gravidade, dispensam-se as palavras e avança-se com as soluções sem criar “grupos de trabalho”, no entanto, com corpos ainda na morgue ou no local da tragédias, admito que me custa encarar o mediatismo da suposta solidariedade e o espectáculo em torno da tragédia, onde é importante estar porque... Simplesmente se está...

 

Quando o luto não é feito, quando a tragédia não é enfrentada, quando não vemos as acções e camuflamos a ausência de tudo isso com “espectáculo”, corremos o risco de desresponsabilizar quem o deve ser e podemos estar a ocultar a realidade.

 

Associarmo-nos a tragédias, em Portugal e não só, é “fixe”, mas na realidade... Mais fixe é gerir a situação em si e acima de tudo exigir Justiça! Isso não nos traz visibilidade, mas faz de nós seres-humanos que dizem viver em Democracia.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


34 comentários

Imagem de perfil

Marta Elle a 29.03.2018

Eu não sei é que espécie de pais deixam uma criança andar com um isqueiro.
Imagem de perfil

Marta Elle a 29.03.2018

A função dos pais é estarem atentos e não deixarem os filhos aproximarem-se de objetos perigosos.
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 29.03.2018

Concordo - mas os pais não podem estar em todo o lado, mal ou bem temos de aceitar que não podemos evitar tudo.
Imagem de perfil

Cecília a 29.03.2018

duas coisas me fazem admirar o povo russo:
disciplina
paixão (são tremendamente passionais)
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 29.03.2018

Também têm as suas coisas... Mas aqui as diferenças foram claras... E nem só em relação ao povo russo, muitos outros gerem as emoções para o humano e menos para o mediático.

Disciplina... Uma palavra com diferentes interpretações por este país :-)
Imagem de perfil

Cecília a 29.03.2018

todos temos as nossas coisas. prefiro destacar o que me atrai (não o que trai) :)

a sério? existem interpretações de uma coisa desconhecida?
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 29.03.2018

E faz muito bem :-)

ahahahahah, KO! :-)
Imagem de perfil

Psicogata a 29.03.2018

Vi uma notícia na Sic e fiquei comovida com a união da população e com a sua comoção, infelizmente aqui faz-se muitas vezes do luto espetáculo e aproveita-se para ficar bem na fotografia, enquanto isso os culpados ficam por conhecer.
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 29.03.2018

O luto é uma espécie de "branding" para muitos... Por norma, não é para os que sofrem, mas para aqueles que gostam de sofrer a dor dos outros...

Culpados? Ainda hoje a Celtejo já se viu livre de uma...
Imagem de perfil

Psicogata a 29.03.2018

Ou gostam de fingir que sentem a dor dos outros, é mais isso.
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 29.03.2018

É sempre necessário para o solidário ter quem necessite da solidariedade ;-)
Imagem de perfil

Psicogata a 29.03.2018

Só agora vi a notícia da Celtejo!
Este país é uma vergonha!
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 29.03.2018

Admoestação!!!! Enfim...
Imagem de perfil

HD a 29.03.2018

Já não suporto esses concertos solidários... :s
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 29.03.2018

Não és "cool" e não te importas com os outros :))))
Imagem de perfil

cheia a 29.03.2018

Culpados! Em Portugal? Não existem: seja nos incêndios, nas celuloses, em Tancos, nas espingardas da PSP, nos helicópteros, etc., etc.
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 29.03.2018

Existem culpados... Experimenta roubar para comer...
Imagem de perfil

Rita a 31.03.2018

Que notícia triste.

Foco nas pessoas é algo tão simples, mas tão complicado de fazer por cá...
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 31.03.2018

Por cá a verdadeira solidariedade, muitas vezes, chega a ser reprimida...
Imagem de perfil

Maria Araújo a 02.04.2018


A solidariedade engana, cala, ludibria, compra, ilude.
Nós esperamos que algo se faça...
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 03.04.2018

E esperamos... Esperamos...
Imagem de perfil

Rita PN a 03.04.2018

Em Portugal há uma questão que, quer queiramos quer não, impera nas mais diversas vertentes, determinando o que tem maior ou menor importância. Essa questão tem o singelo nome de interesses.
O foco nas pessoas não é excepção. Qual a contrapartida?
É triste, é cruel, mas quem nos disse que a realidade teria outro pressuposto?

"Defendo que em situações de gravidade, dispensam-se as palavras e avança-se com as soluções sem criar “grupos de trabalho”, no entanto, com corpos ainda na morgue ou no local da tragédias, admito que me custa encarar o mediatismo da suposta solidariedade e o espectáculo em torno da tragédia, onde é importante estar porque... Simplesmente se está..." - O mediatismo é uma contrapartida.

"Associarmo-nos a tragédias, em Portugal e não só, é “fixe”, mas na realidade... Mais fixe é gerir a situação em si e acima de tudo exigir Justiça! Isso não nos traz visibilidade, mas faz de nós seres-humanos que dizem viver em Democracia." - é isto, meu caro Robinson. Quando ser solidário vira tendência, moda ou determina o bem parecer, sem propósito, sem missão, sem sentido de dever cumprido, é lógico que o que se pretende é ter os holofotes a incidir sobre si. Todos os espetáculos feitos, todo o tempo de antena concedido às palavras de mil e um especialistas, em detrimento das acções (que deveriam ser exigidas por nós cidadãos), trás um retorno. Interesses.

Passei a Páscoa na Serra da Gardunha e visitei os arredores. O cenário é cadavérico. Destruição. Perceber que existem locais onde, só não vê quem nã quer, que o fogo foi ateado no cimo da montanha, consumindo toda a encosta, devorando estradas e encurralando (prepositadamente) as populações, é revoltante. Estar ali, olhar em volta e imaginar o desespero de quem não tinha fuga posível, arde...
Poderia ter ido para um qualquer paraíso nacional, mas fui até ao inferno. E se a revolta já era grande, agora atingiu um grau que não sei quantifiar.
Deveria ser visita obrigatória, para políticos e comuns cidadãos.
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 03.04.2018

Olá retornada :-)

O mediatismo, o mediatismo... Nada contra, mas quando atropela valores... E a reboque surgem realmente os interesses e a ausência de acções, hoje somos especialistas e máquinas de lavar sem sequer saber meter detergente na mesma... Isso assusta-me...

Os políticos também lá passam, mas se não existirem jornalistas atalham caminho... O triste espectáculo do fim de semana do "limpa a mata" por parte dos "evoluídos" urbanos foi qualquer coisa.

Muita mata se limpou, ou não... Porque as ervas daninhas continuam a dar cabo dos solos :-)
Imagem de perfil

Rita PN a 03.04.2018

Ahahahahaha retornada!

Em lavandarias somos nós especialistas. Até conheço quem, para desviar atenções da prática de outras lavagens, aplicou uns trocos, desses já lavadinhos, numa rede de lavandarias por todo o país.

Lá está, atalham caminho porque não existe retorno. Primeiro o trabalho, depois os holofotes.
Nem vou gastar palavras com esse espetáculo....
Posso é frisar o que, para mim, é uma total falta de organização e conhecimento do território, quando enviam, para os moradores dos grandes centros urbanos, cartas a solicitar a limpeza do mato em frente à habitação. Quantas árvores morreram para que milhares de cartas fossem enviadas indevidamente? De facto, a limpar, aqui na rua, só mesmo alguma erva daninha que por cá passe, por descuido.

Esse último parágrafo está qq coisa!
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 03.04.2018

Não resisti ao toque da descolonização :-)

ahahahahah gostei da brincadeira com a lavagem :-)

"Posso é frisar o que, para mim, é uma total falta de organização e conhecimento do território, quando enviam, para os moradores dos grandes centros urbanos, cartas a solicitar a limpeza do mato em frente à habitação. Quantas árvores morreram para que milhares de cartas fossem enviadas indevidamente?"

Já perguntaste à Celtejo? :-)))

Imagem de perfil

Rita PN a 03.04.2018

Bom... foram, certamente, em número suficiente para se pagarem uns trocos à justiça (?) e, quem sabe, ceder as resmas de papel necessárias à impressão de admoestações escritas, a serem entregues aos demais (atuais e futuros) injustiçados nacionais.

Imagem de perfil

Robinson Kanes a 03.04.2018

ahahhahahah

Essa agora foi brilhante... Com este número de prevaricações sem qualquer punição, não vai faltar papel para tanta admoestação.
Imagem de perfil

Rita PN a 03.04.2018

Farpas subtis. Acordei criativa e inspirada hoje!
Infelizmente... mas não é já normal? O país assim considera. Só o Facebook se manifesta, cá fora, na vida real, o povo é sereno.
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 03.04.2018

Já alguém dizia, é só fumaça...

P.S: sim, já não me espanta :)
Imagem de perfil

Robinson Kanes a 04.04.2018

Não te recrimines, estás bem assim :-)

Comentar



Mais sobre mim

foto do autor





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog





Mensagens

Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB