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Da "Instamum" à "Depressedmum"...

por Robinson Kanes, em 22.03.17

smartmag-featured-image-tammy-mom.jpg

 Fonte da Imagem: http://www.shapefit.com/wp-content/uploads/2014/12/smartmag-featured-image-tammy-mom.jpg

 

Estar grávida está na moda, mas quem quiser ser trendy, além da gravidez tem ainda de contar com o facto de os gémeos serem a opção mais in.

 

Mas... vamos focar-nos nas senhoras, porque afinal também existem os pais.

 

Actualmente as mães são umas verdadeiras instamums (Instamães), ou pintemums (pintmães) ou até facemums (facemães). E o que é isto? Mães que são o último grito da gravidez e até do pós-parto, sobretudo nas redes sociais. A pressão social e mediática é tal, que o ideal é aparecer grávida mas com um look de quem passa os dias no ginásio. Uma grávida elegante, sorridente e de bem com a vida. Uma gravidez perfeita sem os percalços habituais é coisa do passado. Estar grávida é cool! Partilhá-lo nas redes sociais ainda é mais cool... desde que não se esteja gorda, flácida ou pouco atraente.

 

Onde é que isto começa? Nas “celebridades”, nas “bloggers” e naquelas amigas que ficam grávidas mas que têm aparência de monitora de aulas de fitness. Daqui às partilhas de corpos elegantes e “photoshopados” (photoshopados? Oh Robinson...) vai um passo, e daqui à pressão para se ser uma instamum vai outro passo, e daqui para chegar à depressão e desejar nunca vir a engravidar novamente vai outro.

 

Mas as coisas até começam bem... aquela “celebridade” com barriga lisa antes e depois do parto surge como a inspiração... o problema surge é quando passamos o nosso tempo a olhar a inspiração - que virtualmente continua inspiradora - e a nossa forma física continua deplorável, aos olhos da instamum. Aos olhos da instamum, porque aos olhos de um indivíduo normal é um físico... normal?

E há instamum que goste de se sentir gorda, sem poder partilhar as fotos da boa forma no facebook, quando a cunhada de cinco em cinco minutos mostra aquele corpo invejável e só pariu há uma semana?

 

A verdade é que existem casos em que a depressão é tal que as senhoras se esquecem do que é uma gravidez e do que é real e não é! Existem situações em que as depressões arrasam o casamento. Deixar que as redes sociais, as opiniões dos grupos de pseudo-amigos contagiem o bem-estar das mães é um passo atrás, inclusive no ser mãe e no ser mulher! Mesmo os pseudo-detentores de opinião não são "ninguém", quando muito... são um canal para ajudar ao nosso pensamento e, ter tempo para pensar, é fundamental. Caso contrário, entraremos na desculpa da falta de tempo, mas aí faço minhas as palavras de Steinbeck quando dizia que a ausência de tempo para pensar era o equivalente ao não ter vontade de pensar.

 

Sejam mães e não queiram ser estrelas, se eu pudesse escolher, era o que eu fazia... e provavelmente não seria o meu filho que faria de mim uma estrela. Deixem de passar horas a fazer scrolling (o típico sobe e desce com as páginas de internet) às outras mães no computador, no tablet ou smartphone e sejam mães!

 

E porque não escolher não querer engravidar? É um direito, e honestamente louvável, tendo em conta que existe gente a mais neste mundo! Digam que sou egoísta mas... analisem os números e veremos quem está a ser mais egoísta na equação.

 

A gravidez é uma escolha, é uma fase e uma das coisas mais normais no reino animal. Estar grávida é a coisa mais normal do mundo! Estar gorda por causa da gravidez, cheia de estrias, flácida, desesperada, cansada, irritada é a coisa mais normal do mundo! Comer doces e milhões de porcarias que nunca se comeriam antes é a coisa mais normal do mundo (se tivermos dinheiro para tal)! E não minhas senhoras, quem já teve filhos não é a única pessoa a saber tudo sobre crianças como também o vosso bebé quando nasce não é lindo. Não é... é feio, cor-de-rosa, a maioria das vezes, mas fica bem dizer “ai que bonito bebé sai ao pai”! Um dia ainda me terão de explicar como é que olham para um bebé com horas e dizem estas coisas! E não, ninguém é perfeito, só serão perfeitas se pagarem a alguém para espalhar que vocês são perfeitas.

 

Em conclusão, minhas senhoras se existir quem não goste das vossas estrias, das vossas peles, da vossa irritação, do vosso mau-humor, honestamente... fizeram um erro de cálculo na escolha do pai e daqueles que vos rodeiam.

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66 comentários

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m-M a 22.03.2017

Não vês, mas estou deste lado a acenar e a bater palminhas a este texto!!! :D

Como mulher, que até está a planear aumentar a família, e tenho muitas amigas e conhecidas a passar por esta fase da vida, todos os dias sou confrontada com esta "nova realidade"...

E quanto a esta passagem:
"Estar grávida está na moda, mas quem quiser ser trendy, além da gravidez tem ainda de contar com o facto de os gémeos serem a opção mais in."

Já viste que assim "matas dois coelhos de uma cajadada só? ;)

Beijinho,
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Robinson Kanes a 22.03.2017

Imagino…

Sim, fazes um brilharete daqueles nas redes sociais e os amigos adoram… desde que não sejam convidados para ir ajudar nas dificuldades que possam surgir.

Beijinho e muito obrigado,
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m-M a 23.03.2017

Ooooooooooora lá está! ;)

Não diz o provérbio que o "que é bonito é para se ver"? Mas, neste caso, só o que for bonito, sff!

Beijinho,
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Rita a 22.03.2017

Concordo com o teu post e com o que a Sónia comentou acima: é uma pena que pensar pela própria cabeça não esteja na moda...

Pessoalmente eu não me vejo a ser mãe. Claro que posso vir a mudar de ideias, mas duvido bastante. Cada um tem direito aos seus sonhos e aspirações e os meus não passam por aí e respeito as pessoas que sentem o contrário de mim. O que me irrita solenemente é que me tentem convencer que estou a perder o melhor da vida e que um dia me vou arrepender e que devia despachar-me porque o tempo passa rápido. Enfim... como se escolher não ser mãe fosse ilegítimo da minha parte.
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Robinson Kanes a 22.03.2017

É uma escolha tua que, com toda a certeza, saberás o que estás a fazer. Lembro-me de já há uns comentários, ter sido discutido a questão de muitas vezes nos quererem impingir "aquilo" que têm, quer por questões de grupo, quer por questões de inveja até… é um tema complexo e só cada um sabe o que vai na sua própria cabeça.

Ser ou não ser mãe é uma escolha. Ser mãe é perfeitamente natural, como não o ser também.

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HD a 22.03.2017

Ainda bem que voltamos a este tema ;p
Mum mum mum... antes de engravidar já estão a pensar nas poses de barriga cheia xD
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Robinson Kanes a 22.03.2017

Ainda bem… depende do ponto de vista… mas é bom que se discutam algumas questões.:-)
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HD a 22.03.2017

Isto cada vez está pior...
A exposição está, de facto, descontrolada :s
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Robinson Kanes a 22.03.2017

O problema são as consequências, afinal as redes sociais não são o problema, como tudo é o uso que se faz das mesmas.
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HD a 22.03.2017

Mas potenciam as proporções do pedinchar de atenção... ;p
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Robinson Kanes a 22.03.2017

Isso é interessante, e o que leva a essa necessidade ainda mais…
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HD a 22.03.2017

A qualidade da atenção já praticamente não existe (não é reconhecida, vulgarmente!)
Tenho de discutir contigo este ponto de vista seriamente ;p
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Robinson Kanes a 22.03.2017

Vamos a isso, sou todo "ouvidos"...
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HD a 22.03.2017

Vou pensar num post mais pedagógico para retomarmos a atenção, a reciprocidade e outros parentes cada vez mais longínquos... :)
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Kalila a 22.03.2017

Amigo Rob, aviso já que sou simplista e contrária a redes sociais. Pois bem, estar grávida é um estado de graça, não há mãe que não fique vaidosa, feliz e encantada, mesmo que disforme, gorda ou estriada. Trazer vida em si, fruto do seu amor, é um incomensurável milagre, sim senhor. Claro que é mais do que natural mas isso remete todas as mães para a sua essência animalesca e todas as expectativas e anseios que vivem na altura têm que primar por outro tipo de valores ou não nos sentiríamos humanas na medida certa.
Como tudo o que engravida tem que ser fêmea e há por vezes neste género um vasto leque de futilidades adjacentes, fazer da própria gravidez um show de modas e palermices faz parte da conjuntura em que vivemos actualmente. Não as censuro, reservo-me só o direito de não me imaginar em certos propósitos mas acredita, amigo, é uma vaidade boa, gloriosa e digna da grandeza de ser mãe, mesmo que se apresente por vezes em forma de futilidade. São limitações de certos cérebros que só acompanham as modas...
Nascem bebés marcados, inchados e com cores estranhas, sim senhor, ou não fosse o parto o maior trauma porque passa cada ser humano. Ao fim de umas horas já quase todos estão lindos e alguns são feiosos, pois claro e ainda bem! O mundo caminha para só ter valor quem é lindo, que nasçam muitos feios também para ver se há algum equilíbrio!
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Robinson Kanes a 22.03.2017

Acredito que para cada bem seja um estado singular, nem é isso que questiono. Na verdade é todo um folclore que é realizado e que também apontas. É todo um comportamento inerente, nomeadamente… não basta ser mãe, com tudo o que isso tem de bom? Ser uma "instamum" é o mesmo que ser uma mãe normal?

No fundo somos animais, claro que depois, no caso dos humanos, existe todo um constructo que leva à adopção de outros comportamentos e até a outras emoções… mas não será o problema do "espectáculo" algo questionável? Uma mãe, ou até um pai que amem os filhos mas não entram em histerias (como alguém o disse já aqui) amarão menos ou mais que um pai ou mãe "social media"? A questão de ser a coisa mais natural do mundo é toda a panóplia de situações provocadas por alguns pais, será que justifica? Entre estes é uma coisa, mas o prolongamento para o exterior?

Eu também não censuro, procuro compreender :-)

Em relação ao aspecto dos bebés, isso era mais em tom de brincadeira, mas na verdade… aquelas primeiras horas, é raro o bebé que seja bonito :-)

Obrigado pela tua participação. Quando o tema mete família e filhos existem sempre contributos preciosos.
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Rita PN a 22.03.2017

Uma, duas, três vénias para ti! Haja quem as diga bem ditas.
Analisando: a questão de estar na moda é verdade. De repente começou a ser bem e cool ostentar uma barriguinha redondinha, assim como postar fotografias com os recém chegados ao mundo que nada conhecem, mas já são figura social. Se tiveres menos de 28 anos ainda melhor, uma vez que estás a ganhar um novo estatuto ao olhos das demais: youngmum.

Agora falando um pouco mais a sério, a questão da gravidez é, tal como referiste e bem, um fenómeno natural. Acontece desde sempre em todas as espécies mamíferas. É desta forma que todas elas se perpetuam e o ser humano não é excepção. Querem mais naturalidade que isto?
A questão é que na nossa espécie o fenómeno não acontece por influência dos ciclos sexuais e reprodutores instintivos. É uma questão racionalmente pensada, salvo algumas excepções, e como tal, é uma decisão que a cada um pertence no tempo que é o tempo de cada qual. Não deveria ser alvo de opiniões alheias nem de pressões sociais. Existe uma uma coisa que se chama respeito e saber respeitar o espaço dos outros é fulcral para também se ser respeitado.

Nascemos mulheres, mas isso não significa que tenhamos a obrigação de procriar. Temos sim, a obrigação de ser felizes mediante todas e quaisquer decisões que viermos a tomar.

Pessoalmente, ao dia de hoje, não me vejo a ser mãe. Por motivos vários. Não significa que um dia mais tarde não venha a querer sê-lo, estamos em constante mutação, mas num horizonte próximo não. Chamem-me egoísta se for essa a vossa visão, mas preciso de viver e de me viver mais, de conhecer e de me conhecer mais, de abraçar a vida e de me abraçar a mim mesma antes de poder ser o abraço de alguém. Preciso de atingir objectivos pessoais a que me propus antes de dar passos que por agora não são de todo uma prioridade. Preciso de desfrutar de uma liberdade que sei que, em parte, iria perder. E a cima de tudo preciso de sentir, sentir muito todas as coisas da vida. (E ser mãe também é algo que se sente, dizem. Não é uma pressão e uma imposição social).

"Tens 28 anos, não pensas em arranjar alguém, casar e constituir família? Olha que fica tarde para teres filhos. As tuas amigas estão todas a casar e de barriga." - Muito a propósito do tema de modas... foi-me dito hoje.
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Robinson Kanes a 22.03.2017

Ora, obrigado… só gosto de sondar as opiniões e, no fundo também confrontar a minha com as demais e retirar as devidas conclusões. Gostei do "youngmum"! Confesso que nem me passou pela cabeça, mas tens toda a razão…

"A questão é que na nossa espécie o fenómeno não acontece por influência dos ciclos sexuais e reprodutores instintivos. É uma questão racionalmente pensada, salvo algumas excepções, e como tal, é uma decisão que a cada um pertence no tempo que é o tempo de cada qual.".

Grande verdade e de maior valia para a discussão…

"Não deveria ser alvo de opiniões alheias nem de pressões sociais. Existe uma uma coisa que se chama respeito e saber respeitar o espaço dos outros é fulcral para também se ser respeitado.".

E no seguimento da frase anterior esta vem concluir com a questão da pressão social e de como isso pode ter efeitos menos bons na vida do casal, ou da mãe, ou até do pai… vejo muito gente a ceder a essa pressão sem sequer ter uma vontade… vou chamar-lhe genuína…

Procriar não é uma obrigação e mesmo em muitas outras espécies as coisas também não são lineares.

Terás o teu tempo, dizer para que não o faças é cair no erro daqueles que apelam para que faças. Parte de nós, tem de sentir… e aqui já sou eu a falar como homem. Penso que não pode ser "imposto" ou somente porque é uma obrigação, até porque aí o prejudicado face a um certo egoísmo será a criança que vai nascer.

Egoísmo? Será egoísmo não querer ter um filho? E querer ter um filho do "nosso ventre" quando existem tantas crianças a pedir por uma família? Será egoísmo trazer mais pessoas ao mundo quando o mundo já tem pessoas a mais? (sim, muito Malthus, Huxley, Orwell e outros mais científicos, bem… Malthus é). Não te debatas com isso :-)

Vê lá Rita, tu casa-te e fica já de barriga! :-) Outra coisa que também nunca percebi e a esse tema quero voltar aqui é o facto do casamento surgir muitas vezes associado à gravidez! Casa-te para teres filhos! Então e a relação?

Obrigado por mais um óptimo "input" e como sempre… colocas a minha cabeça a trabalhar e a conversa desenrola-se como cerejas.
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Rita PN a 22.03.2017

Mas a sociedade pensa no casal? Ou só pensa no fenómeno de ter um filho? Aquele espaço de tempo entre a sua formação e o seu nascimento? Digo isto porque depois não os vejo muito preocupados com a criança. Salvo aquele cliché do "está tão bom, que boas bochechas!" ou perguntar "come bem? dorme bem? É mansinho?" (Mansinho? A sério? qual animal...) julgo até que muitas mães pensarão "era mais fácil se lá fosse a casa ajudar"!
Depois do facto consumado já nasceu, já nasceu. O importante era fazê-lo e dar à luz em prol da sociedade e da proliferação da espécie e da família. Agora cria-se.


"Terás o teu tempo, dizer para que não o faças é cair no erro daqueles que apelam para que faças. Parte de nós, tem de sentir… e aqui já sou eu a falar como homem." - Tanto é errado dizer faz como não faz. Ambas as opiniões invadem um espaço que não é o nosso. (aliás, qualquer opinião que não nos seja solicitada é um veículo invasor em espaço alheio). É ai que reside o respeito pela liberdade de pensamento e do sentimento do outro relativamente à questão.
Agora explica-me, para um homem é diferente esse "sentir"? A falar como homem? Isso existe? :-) Eu sou mulher e falo como tu ahahahaha devia preocupar-me?

Quantas vezes a chegada de um bébe destrói a vida de um casal? E aí o que será mais egoísta? Querer ter um filho mesmo que uma das partes não o quisesse assim tanto, ou aguardar que fosse um querer conjunto? Que também poderia não acontecer e aí... não somos chamados para a conversa :-)

"Outra coisa que também nunca percebi e a esse tema quero voltar aqui é o facto do casamento surgir muitas vezes associado à gravidez! Casa-te para teres filhos! Então e a relação?" - O casamento não é mais que um status social, a meu ver. É o formalizar legalmente a relação aos olhos dos outros. Mas que são os outros numa relação senão eles mesmos? Apenas os outros! Se for desejo, sonho e vontade do casal nada contra. Agora porque o nome da família assim o obriga, ou porque a posição social exerce pressão...
Casar é uma decisão tão pessoal quanto a de ter um filho. Ou deveria ser. Se um casal entender que está na hora de dar o passo seguinte e ter um filho, não precisa de se casar para que a criança nasça legal aos olhos dos outros! A questão é que ainda se pensa muito assim, senão vejamos a diferença entre "O YY casou-se com a XX e agora têm uma menina" vs "Já viste? O YY juntou-se com a XX e agora têm uma criança".
Na mesma linha de pensamento, fica mal um casal estar junto há anos e não se intitularem de marido e mulher perante os restantes. Já ouvi comentários como "não deve gostar assim tanto dela. deve ter outras por fora. Para não casar..." Rídiculo! (Não a meu respeito que eu estou muito bem sozinha. E aí temos outra grave questão para a sociedade que é o facto de existirem pessoas como eu, independentes, que não sentem necessidade de ter uma habituação ao lado só porque sim. Lamento por eles, por esses que pensam que estou mal assim. Errado. Mal estava antes, não agora. E no dia em que voltar a ter alguém com que queira e sinta que de de facto quero estar e partilhar a vida, assumirei que estou, mas não comerão bolo, porque não é um sonho meu casar. - Ai Rita tu és muito moderna dás cabo da cabeça das pessoas. :-)

Peço desculpa se firo susceptibilidades por aqui, mas ou faz sentido ou não me faz sentir!

eu é que agradeço estes bocadinhos :-)
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Robinson Kanes a 23.03.2017

Em muitas situações é o nascer, o criar (muitas vezes delegado em jardins de infância, escolas e avós) e a correria ao mais caro… depois começa a fase da competição que vemos nos adultos.

Respondendo à tua questão, honestamente nunca senti :-) e também não sei se será diferente, o que sei é que se em casal (porque não é preciso existirem duas pessoas para criar uma criança) a escolha tem de ser de ambos. Acredito que se possa sentir, contudo não acredito no constructo social do "relógio biológico" defendido até por especialistas em comportamento e não só. Não há nada que prove essa lógica a 100%. A mim isso não me tira o sono… e não és, de todo, a única mulher a pensar assim, fica tranquila.

Já falei sobre o fim do casal com a chegada do filho. Em muitos, mas muitos casais é uma realidade… outros conseguem perfeitamente equilibrar e até fortalecer a relação. Conheço um caso, recente, em que a namorada se virou para o namorado e disse: "ou casamos ou temos um filho, escolhe!". A verdade é que o namorado optou por endividar os pais em €20.000 com uma festa de casamento e como fiadores de uma casa para se poder casar… segundo o mesmo, ter um filho ia dar mais trabalho. Honestamente, já vejo as consequências ao fundo do túnel…

O Casamento está na cabeça, eu chamar-lhe-ia até… União… quer queiramos quer não, o casamento é um conjunto de obrigações, é a celebração de um negócio com direitos e deveres consagrados por lei, a prova disso é a dificuldade nos divórcios e as obrigações que muitas vezes advêm dos mesmos. Podemos falar, depois, do foco religioso, mas mais uma vez, é um contrato com um entidade religiosa… o não ser castigado, o seguir as regras, o obedecer a uma lógica de fé. Mais que tudo isso é o amor, paixão, ou seja lá o que for, que une duas pessoas, independentemente de estarem envolvidas num processo legal e/ou religioso.

E são os outros que sabem o que vai dentro da nossa cabeça ou até dentro das nossas 4 paredes? Não! Desde que esteja feliz, essa é uma temática que não me apoquenta. Não são raras as vezes em que essa pergunta ou exclamação surge, a minha resposta é: já pedi para te divorciares? É que não te vejo muito feliz...
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Rita PN a 23.03.2017

"...e também não sei se será diferente, o que sei é que se em casal (porque não é preciso existirem duas pessoas para criar uma criança) a escolha tem de ser de ambos. Acredito que se possa sentir, contudo não acredito no constructo social do "relógio biológico".
Tocas numa das questões mais sensíveis desta temática na atualidade. A adopção! Seja ela por parte de uma casal homem/mulher, homem/homem ou mulher/mulher ou por parte de apenas um deles. A meu ver, adoptar é tão legítimo quanto ter um filho biológico, desde que estejam reunidas todas as condições, amor e uma vontade muito grande. O que não é legítimo é tê-los e abandoná-los ou não lhes dar as condições mínimas de subsistência nem amor.... Claro que a situação de muitas das crianças em processos de adopção não é apenas esta, a do abandono. Existe uma panóplia de motivos pelos quais as crianças são institucionalizadas, mas no fim a questão é a mesma: não estarem reunidas as condições necessárias por parte dos pais biológicos e no seio da própria família.
Uma criança adoptada não deve ser alvo de discriminação nem deve ser olhada com o rótulo de "filho adoptivo". É um filho do coração. Porquê diferenciar?
Digo-te, um dos meus sonhos é poder integrar uma missão humanitária em países desfavorecidos e contactar directamente com crianças vítimas dessa realidade. Tudo porque nãos as posso trazer para minha casa... Vamos ignorar essas realidades porquê? Ignorar os milhares de órfãos de guerra porquê? Continuar a criar desequilíbrios sociais entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos porquê? continuar a sobrelutar o mundo porquê? Quando metade da população mundial não tem condições dignas do ser humano que são.


"O Casamento está na cabeça, eu chamar-lhe-ia até… União… quer queiramos quer não, o casamento é um conjunto de obrigações, é a celebração de um negócio com direitos e deveres consagrados por lei, a prova disso é a dificuldade nos divórcios e as obrigações que muitas vezes advêm dos mesmos." - é exactamente desta forma que eu o vejo, sendo exactamente isso que eu não quero, um contrato e um conjunto de obrigações legais para... amar? O amor é um sentimento livre, sendo a liberdade um dos pilares da felicidade. Ninguém é feliz por obrigação, nem por imposição. aliás, é muitas vezes essa imposição social de "ter que se ser feliz" que leva à infelicidade. Não tem. É-se.

"ou casamos ou temos um filho, escolhe!" - Bom... só está a pensar no lado dela. Nos sonhos dela e na realização dela, ao mesmo tempo que tenta moldar a outra parte para que a realização dos mesmos seja possível. Será isto legítimo? Ou entramos, agora sim, no egoísmo maternal/pessoal?
são duas decisões conjuntas e que devem ser tomadas com base no bem estar de cada um, na realização de cada um e naquilo que cada uma das partes sente. Decisões unilaterais nunca as vi ter bons fins... e agora digo-te, casaram-se... se correr mal poderá vir um filho como possível "salvação"... e... todas as consequências que daí advirão. a única criança que veio ao mundo para salvar alguma coisa foi Jesus, e mesmo nessa história eu nunca fui crente. (Mas não vamos ferir mais susceptibilidades por aqui, senão deixo ter leitores no blog ahahaha :-) )
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Robinson Kanes a 23.03.2017

Por acaso não era essa a minha intenção, admito. Por isso utilizei o verbo criar (não me exprimi talvez da melhor forma), é possível que alguém tenha filhos não tendo parceiro. Era aí que me queria focar.
Mas sim, tu abriste outra caixa de pandora… a adopção é um tema tabu, a não ser quando é feita por "grandes celebridades". Fala-se de egoísmo, mas parece que é melhor deixar algumas questões na despensa.

Penso que será sempre um filho! Um filho é um filho… pelo menos vejo as coisas assim. Dizem que trato o meu cão como se fosse um filho, por exemplo… até dizem, vai lá ao papá. Sei que a comparação é tola, mas isto para dizer que está tudo no sentimento que tem… (não coloco laços nem coisas desse género no cão… apenas tenho sempre muita atenção para com ele e simplesmente o deixo ser cão).

É exactamente isso, amor é amor, não tem contrato nem tem de ser provado seja onde for. Nada tenho contra quem casa pelo registo e/ou por outro culto qualquer. Até concedo que faça sentido, desde que as pessoas se sintam bem… também reconheço que legalmente garante um leque de protecções que de outra forma podem não ser acauteladas. No caso mais religioso, se as pessoas têm fé e se sentem bem, pois que o façam… até devem… embora veja muita gente a confundir fé com festa e vontade dos pais.

Só abordei a temática, porque é um blog e um caso que conheço. Nem me pronunciei na "vida real", cada qual é consciente ou deve ser nas escolhas que faz. Mas para análise, parece-me um caso bem interessante. Eu penso como tu… é uma decisão unilateral e arriscada. Só temos de desejar o melhor, contudo… cair também faz parte da vida.

Acredito que não… o teu blog, apesar de não ser de massas (e ainda bem) cativa qualquer público pelo carácter genuíno e pelos temas abordados.
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Rita PN a 23.03.2017

"Possível que alguém tenha filhos não tendo parceiro." - Abriste outro tema polémico! Sim é possível. E não precisas de ir muito longe nessa temática. Basta constatar que existem mães e pais solteiros, com total responsabilidade sobre os seus filhos, sem ajudas e presença dos segundos. Eu pessoalmente, apenas me considero filha da minha mãe. Claro que oiço constantemente "não digas isso, pai é pai". Não. Ou melhor, nem sempre. O meu nunca o soube ser. Não é o sangue nem o apelido que me confere estatuto de filha, tal como a ele não lhe confere o estatuto de pai. Ser filho, tal como ser pai ou mãe é uma questão muito mais complexa do que apenas a fusão de um óvulo com um cromossoma, formando uma célula única que sofre sucessivas mitoses e transformações ao longo do processo gestativo e que culmina com o nascimento de um ser humano. Quanto isso eu sou muito crítica. Talvez por ter sentido na pele o que é ser filha de um desconhecido que até se conhece. Preferia permanecer ignorante, confesso... saber que tinha uma mãe era-me suficiente.
Outra forma de se ser, neste caso mãe, sem necessidade física de um pai é a possibilidade do recurso à inseminação medicamente assistida, recorrendo a bancos de esperma. Agora pergunto, porquê criticar? Se a mulher sente que está na hora de ter um filho, o quer gerar dentro dela e não tem um parceiro que considere apto tanto para seu companheiro como para pai do seu filho. Se tiver o amor e as condições necessárias para, então deixai.
A adoção já foi referida.

"Sei que a comparação é tola, mas isto para dizer que está tudo no sentimento que tem…" - não é tola, baseia-se extamente naquilo que referiste, o sentimento que se tem. O meu pai, sei-o, tem duas cadelas que são muito mais filhas que eu e o meu irmão. É a elas que ele sempre deu a tenção, o amor, os cuidados e o carinho que a nós nunca sentiu que queria dar. e vou eu criticar porquê? É assim, é assim. Respeito embora me custe horrores aceitar.

"também reconheço que legalmente garante um leque de protecções que de outra forma podem não ser acauteladas." - O que muitas vezes força o casamento. Veja-se a divergência a nível de regalias fiscais de um casal casado e de um casal em união de facto. Para não entrar noutros exemplos.

O meu blog não é de massas e ainda bem :-) Nunca foi essa a intenção com que o crirei. Sei que o público que o lê, e que umas vezes se manifesta publicamente e outras de forma mais privada, é um público especial. Não é um blog onde abordam assuntos recorrentes e banais, que geram buzz e que incentivam à opinião pública. É um blog que entra mais fundo em determinadas questões, muito ligado à reflexão e a algum sentimento. Por isso, também não tem para mim qualquer interesse que ele seja massificado :-)

Sei que quem lá passa é especial!
Muito obrigada pelo carinho, Robinson!
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Vânia Carranca a 22.03.2017

Mais um excelente post :)

Pois é, a sociedade é severa com as mulheres (e não só). Se somos solteiras por opção é porque temos algum defeito que nenhum homem nos quer. Se não queremos casar é porque não temos a capacidade de agarrar um homem. Se vamos casar é porque somos loucas. Se casamos passamos os próximos anos a ouvir a pergunta "então, para quando bebés?". Se tivermos a coragem de admitir que filhos não faz parte dos nossos planos somos egoístas.

Agora a juntar a tudo isto ao engravidarmos temos, "obrigatoriamente", que expor ao mundo o quão maravilhosas ficamos grávidas e o quão rapidamente recuperamos a silhueta após o parto nas redes sociais.

Falando um pouco de um post que fiz sobre redes sociais (Seres Sociais, Redes Sociais), se me permites Robinson, digo algo como "ninguém é tão feliz quanto faz questão de parecer nas redes sociais." e está é para mim um dos grandes problemas quando se insiste em querer alcançar determinados padrões

Aí entra a depressão, quando as recém mamãs percebem que aquilo que é exposto por essas redes sociais fora não corresponde a realidade da vida...



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O ultimo fecha a porta a 22.03.2017

Tocas num ponto muito interessante: o show-off das redes sociais e os reflexos que isso tem nos "followers" e a possibilidade de entrarem em depressão.
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Vânia Carranca a 22.03.2017

Existem estudos que referem que quanto maior o número de horas passadas nas redes sociais maior a probabilidade de sofrer de depressão.

Existe até alguma discussão, se as pessoas que passam muito tempo nas redes sociais ficam deprimidas, ou se elas estão deprimidas e por isso usam durante muitas horas as redes sociais para preencher um vazio...

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Robinson Kanes a 23.03.2017

Se me é permitido, entrar… e ter "followers" é um barómetro credível? E no caso de um indivíduo (ou seja, fora da esfera comercial), que resultados isso pode ter? Até porque ser aceite pelos outros é uma das maiores ambições do ser-humano.
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Robinson Kanes a 23.03.2017

É sempre a velha história do "Velho, do Rapaz e do Burro", não há como fugir e somente ignorar, no entanto, nem sempre é fácil…

Depois vem a questão da pressão já falada e da necessidade que apontas, e bem, da gravidez ser uma espécie de espectáculo, acho que se torna uma espécie de utensílio para se ser mais aceite, para se ser mais "cool", por vezes chego a pensar, perante algumas situações, que a gravidez foi uma descoberta recente e alcançável por poucos.

De facto, a "depressedmum" ao não conseguir acompanhar, muitas vezes as máquinas do marketing, sente-se ainda mais deprimida… quando na verdade não é diferente em nada, dos demais… mas, no fundo, não quererão algumas "depressedmums" ser isso mesmo? Diferentes...
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O ultimo fecha a porta a 22.03.2017

Es tu com as grávidas e eu com os daddy/mummy blogs.

Há tempos li uma polémica qualquer sobre isso. No entanto, como não envolve terceiros, acho que apesar do show-off e de não envolver terceiros, não me faz muita confusão.
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Vânia Carranca a 23.03.2017

Bem... ai podemos considerar os filhos terceiros!!

Sobre isso, ouvi não à muito tempo, não me lembro onde que em Inglaterra (se não estou em erro) uma jovem aos chegar aos seus 18 anos, colocou os pais em tribunal por terem exposto toda a sua infância, e lucrado com isso, num Blog.

Ao que parece ganhou em tribunal obrigando os pais ao pagamento de uma indemnização...

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Robinson Kanes a 23.03.2017

É uma atitude interessante… e também acredito que a família possa ser disfuncional.

Vemos pais que não baptizam os filhos porque querem deixar aos mesmos, um dia mais tarde, esse poder de decisão… contudo expõe os mesmos de uma forma lucrativa em redes sociais e afins.
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Robinson Kanes a 23.03.2017

Lembro-me desse artigo que colocaste no teu blog.

No fundo quem tem o blog não é o culpado, basicamente é como as redes sociais… são as pessoas que as fazem e não as redes que se fazem a si próprias.
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Nay a 24.03.2017

Mas quem és tu para opinar, heim?!?!?
Nem sequer és mulher!!!


Brincadeira, achei que estava a faltar um bocadinho de polémica nestes comentários :D

Sou mãe. Estive grávida antes da febre das redes sociais.
Não fazia parte dos meus planos, sempre quis adoptar mas veio e aceitei com toda a naturalidade.
Não gostei do processo, nem do acto de parir, por isso não tive mais nenhum.

Era capaz de fazer sucesso de fosse neste tempo, não engordei praticamente nada, não sofro com estrias e a minha barriga era e continua lisa (bendita genética) por outro lado a minha visão do processo tornada pública era coisa para influenciar a taxa de natalidade nacional

E sim, os bebés quando nascem tem todos "cara de joelho"...menos a minha, a minha é linda desde que nasceu
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Robinson Kanes a 26.03.2017

ahahahhaahahah

Ora aí está, as coisas a acontecerem… naturalmente… e de facto parece que, actualmente falar das dificuldades da gravidez é crime…

Sim, já diz o povo, os filhos nunca cheiram mal aos pais :-)

É bom ter-te de volta :-)
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MJ a 02.08.2017

Tenho andado com pouca disponibilidade, logo, há posts teus, e não só, que me têm escapado.
Quando li este temi pela tua segurança. Sobreviveste? Pode vir a terceira guerra mundial que estás a salvo. Sim, que isto foi uma "vacina", mas ó que vacina!
Sobre essas mulheres, as tais que querem - ou não- ser isto e aquilo, que se mostram e exibem nas redes sociais, que são ... adiante, não tenho paciência para continuar a falar das ditas.
Só gostava de perceber uma coisa, uma coisita simples: saberão EXACTAMENTE o que andam a fazer neste mundo. Não, a mulher não existe apenas para procriar, mas também.
Chega-lhes ter sucesso na carreira?
Chega-lhes ter independência económica?
Chega-lhes ter uns trapos giros para vestir?
Chega-lhes ...
Afinal chega-lhes o quê?
Ser Mãe, caríssimas - desculpa, agora dirijo-me às ditas - é a realização maior de qualquer mulher. É através do filho que gera que se cumpre. Não sejam idiotas, pode ser? Não sejam vazias, pode ser? Não querer ser Mãe também é um direito vosso, claro que é, mas não arranjem "justificações" palermas.
E vocês, cavalheiros, o que pensam disto? Se quiserem ser pais e vos calha uma alma assim como fazem? Ah, recorrem a uma barriga de aluger!
Ui, vou-me embora, e já!:(

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Robinson Kanes a 02.08.2017

Foste desenterrar uma tema interessante e que no fundo nunca deveria ter sido enterrado. Tenho sobrevivido até hoje :-)

Penso que a partir do momento em que a opinião de outros em relação ao nosso corpo e ao modo como a maternidade "afectou" o mesmo leva-nos a acreditar que há muita coisa que não está bem - por muito que se possa querer fugir à temática a gravidez é uma coisa perfeitamente normal, não é nada do outro mundo... Podemos interpretar a "nossa" como quisermos mas não deixa de ser algo perfeitamente natural e com as consequências disso mesmo...

Penso também que as redes sociais (e até muitos comportamentos que vamos vendo por aí) são a prova de que a uma camada da população não chega ter tudo... E sublinho, a culpa não é das redes sociais mas de quem as utiliza com determinadas motivações.

Efectivamente existem mulheres que não querem ser mães e as que são não devem entrar em depressão porque não têm aquele culpo escultural, mas infelizmente a pressão social e a carga mediática empurra as mesmas para aí...

Como nunca pensei na questão de ter um filho, confesso que não te sei responder a essa questão... Mas neste momento lidaria bem com alguém que não quisesse ser mãe, não por uma questão de elegância, mas por uma questão de não querer ou não se sentir preparada para tal.

Obrigado pela tua participação e por te recordares deste tópico :-)

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