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Críticas ao "Centralismo"?

por Robinson Kanes, em 02.09.19

centralization.png

 

Créditos: https://thesaurus.plus/antonyms/centralization

 

Nota introdutória: se as coisas em Portugal estão demasiado centradas na capital? Estão!

 

É recorrente, inclusive por estas bandas, a critica contra o centralismo: ou porque o evento "x" é em Lisboa, ou porque Lisboa vai receber mais dinheiro para isto e para aquilo, é porque em Lisboa há de tudo e no resto do país não existe nada. Não concordo e passo a explicar o porquê:

 

- Algumas cidades e os seus arredores sempre quiseram ser Lisboa. Lisboa é a capital, como em qualquer outro país, é natural que tenha mais investimento e consequentemente um maior índice de desenvolvimento. Querer ser uma outra capital, além de mentalidade tacanha e bairrista, é simplesmente ignorar a realidade e perpetuar o tão apregoado isolamento. 

 

- Na hora de votar, os eleitores dos círculos eleitorais fora de Lisboa, votam em deputados que irão representar as respectivas regiões na Assembleia da República... em Lisboa. Será que são interpelados pelos cidadãos dessas regiões no sentido de aferirem o que tem sido feito em prol da região que os elegeu? Não esperem que sejam os eleitores de Lisboa a fazê-lo.

 

- Em muitas vilas e cidades, existem autênticos impérios de determinados indivíduos e instituições que controlam esses mesmos locais. Esses impérios que vão desde autarquias, misericórdias e um ou outro indivíduo da terra, são responsáveis por muito do centralismo. As localidades ficam fechadas sobre si próprias e, no caso das autarquias e outras instituições públicas (inclusive IPSS), o poder é tal que ninguém questiona sob pena de perder o emprego em toda a família ou até sofrerem represálias! Não são raros os casos em que, quem vem de fora empreender, rapidamente é excluído. O forasteiro que traz algum know-how ou investimento não é bem-vindo. É mais fácil conseguir apoios junto dos munícipios para esta ou aquela associação que ninguém sabe propriamente o que faz do que para constituir um negócio com impactes na economia local.

 

- Existem também os indivíduos que criticam um certo centralismo e a própria capital, mas temos os outros que fogem para a mesma por já estarem a sufocar nas respectivas vilas/cidades, o motivo? Muito do que referi acima e não só.

 

- Também não podemos querer ser como a capital e dizer que não estamos dispostos a passar duas horas no trânsito e nem pensar em trabalhar fins de semana, feriados ou horas extraordinárias. Não podemos quer ser como a capital e chorar porque todos os dias temos de fazer 20km para o trabalho! Na capital, 20km é para quem "trabalha de casa".

 

- Mais do que criticar ou querer ser como este ou aquele, o ideal passa por fazer mais e melhor, ser cidadão e ir contra poderes obscuros e instituidos que em nada abonam a favor desta ou daquela região. É ser coerente e aproveitar sim o associativismo e muito do know how existente para fazer diferente, para realçar e unir todos em prol do desenvolvimento das regiões que não são Lisboa! Descentralização não é só andar por Lisboa à procura de dinheiro e fundos para viadutos de milhões onde passam "meia dúzia" de automóveis por ano... Um exemplo? Cabeceiras de Basto!

 

- O centralismo não existe apenas em Lisboa, existem cidades em Portugal que também exercem uma espécie de centralismo mas a um nível regional.

 

- Finalmente, falem-me de localism, e aí já faz sentido voltarmos a abordar esta questão.

 

E em jeito de provocação, muitas vezes não entendo a critica do isolamento e do "pouco dinheiro", pois o parque automóvel, em algumas vilas/cidades/aldeias é bem mais apetecível que em Lisboa... O parque automóvel, as casas, a qualidade de vida e até para se conseguir um restaurante é uma luta... Se a isso juntarmos hipermercados sempre a abarrotar, dá que pensar.

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1 comentário

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Rão Arques a 04.09.2019

Recuperação de Maio de 2012 (sem emenda)
Freguesias e fregueses
Actualização do estatuto e reformulação das freguesias, claro que sim.
Mas não se acomodam anexos antes de se dimensionar a nave principal.
Se os partidos da actual maioria feitos patos-bravos querem assentar tijolo sem cuidar dos alicerces, dos socialistas registe-se que quando na governação não gerem, atrapalham, diluem e transferem. Catastróficos ao leme, ciclone arrasador na oposição.
Não há solução para o País com um sistema eleitoral talhado á conta e medida como alimento das clientelas partidárias do arco dominante, em que as permutas de poder, entre estafados e viciados ocupantes se sucedem ciclicamente em restrita escala a dois comparsas, com pendura de ocasião em permanente estado de alerta.
Inundados de naftalina trocam de actores e fatiotas, preservando á vez a chave bem guardada do palheiro que os vai engordando, repartindo e enfardando entre si em palco de simulação de guerrilhas para entretenimento público.
Só uma emenda constitucional de emergência máxima constituirá receita curativa para tão nociva moléstia, com renovação de gentes, refrescamento e distribuição com renovados e legítimos peões em tabuleiro a arejar com destreza.
Das quase duas centenas e meia de deputados ensacados em turbilhão, aí uns 50% não tem feito mais que coçar cadeiras, agarrados, tolhidos e obedientes por vícios fósseis desde á mais de 30 anos, em que nunca foram capazes, ou intencionalmente mascararam a emergência de parir uma nova, escorreita e transparente lei eleitoral.
O modo e tempo da actual discussão do número de freguesias não passa de um mal encenado número circense, quando tudo deveria iniciar-se por uma constituição adulta e sem sofismas, pelo modo de eleição e assento no parlamento e órgãos autárquicos para que com legitimidade renovada se arquitecte o edifício administrativo do País.
A redução do número de deputados deve andar perdida, a descentralização, (que não uma regionalização multiplicadora de benesses e burocracia), parece que se perdeu.
Se os governantes de turno apenas rodeiam habilidosamente as questões estruturais de fundo, os anafados opositores enquanto arregalam o olho á espera de vez, vão-se coçando com um chega para lá macaco, que em vez de apontar alternativas decentes insistem em inundar-nos a pele, tossindo e salivando gafanhotos.
Saltam de galho em galho como quem muda de camisa, de Faro para Braga como de Sintra para Lisboa.

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