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"Contrapassear" pelo Exclave de Tourém...

por Robinson Kanes, em 27.07.17

IMG_6900.JPG

 Fonte das Imagens: Própria

 

Tourém, a par de Mourão no Alentejo é um dos exclaves de Portugal. Atravessado pelo Rio Salas faz fronteira a norte com Espanha, nomeadamente com os Ayuntamientos de Muíños e Calvos.

 

Tourém, com cerca de 151 habitantes, repousa nas costas do Gerês e é aí que olha para Espanha e se deixa banhar pelo rio que serve de local de descanso e alimentação para pessoas e animais. É um local mítico e que serviu de apoio ao Castelo de Piconha que defendia Portugal de Castela. 

 

De Tourém podemos admirar as suas casas ainda bem preservadas, o seu chão em paralelo e toda uma história de aldeia comunitária que a colocam lado-a-lado com aldeias como Pitões das Júnias, ou até com a mais distante, Rio de Onor. O Forno acaba por ser o grande herdeiro desses tempos, como o é nas demais mencionadas.

 

Chegar a Tourém é chegar ao fim de Portugal, não só pelo facto de estarmos perante uma aldeia raiana mas também por deixarmos para trás os encantos únicos do Gerês e penetrarmos num outro mundo que é o da Galiza com todas as suas tradições e especificidades, muitas delas bem semelhantes às da região do Barroso.

 

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Como Aldeia Raiana, Tourém não escapou ao contrabando, uma temática que ainda cultiva algumas questões mas que é também um produto turístico. Aqui, recomendo o trabalho fotográfico de um investigador da Universidade de Trás-os-Montes, Hugo Costa, que retratou em imagens as histórias de alguns contrabandistas de Tourém com a sua câmera fotográfica. Uma volta pelo "google" e não faltarão exemplos. Para quem gosta de caminhar, porque não experimentar um percurso pedestre da "Rota do Contrabando", mais especificamente  o "Trilho de Tourém" - permite que sejamos contrabandistas por um dia e conhecer toda a aldeia e paisagem envolvente, o download do trilho pode ser feito no website da Câmara Municipal de Montalegre. São 11km mas o percurso é circular e permite contemplar o Forno Comunitário, a Capela de S. Lourenço, o Largo do Outeiro e a Albufeira de Salas. Parar, conversar com quem passa, jogar às damas num qualquer café e fazer festas aos cães que deambulam por aquelas ruas também vai ser uma realidade.

 

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Visitar Tourém é recuar a tempos mais distantes onde o sentimento de comunidade era a maior arma contra o isolamento e contra os duros Invernos daquelas terras distantes... Atravessar a ponte e observar a albufeira e as montanhas circundantes, enquanto observamos o gado a saciar a sede naquelas águas, é como sermos transportados para Alberto Caeiro, para a capa bucólica de Fernando Pessoa.

 

Uma nota para os que gostam de "passarada", aqui não faltam atractivos, na foto consegui captar um Gavião, mas também se podem encontrar, entre outros, o Bútio-vespeiro (Pernis apivorus), Águia-calçada (Aquila pennata), Águia-cobreira (Circaetus gallicus), Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus), Ógea (Falco subbuteo) e a  Águia-d'asa-redonda (Buteo buteo)... E estamos só a falar de aves de presa, imaginem o que não poderão ver mais... O website Aves do Barroso pode ajudar.

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Também prometi que esta semana falaria da Cordoama e do Castelejo mas... Com o país em chamas, falar de praia não é a melhor postura!

 

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49 comentários

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Ana a 28.07.2017

Deve ser linda. Não conhecia.
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Robinson Kanes a 28.07.2017

Pacata e bucólica... :-)
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Maria Araújo a 28.07.2017

Não conheço, mas tudo o que é pequeno e interior, é belo.
As fotos e a descrição mostram-no
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Robinson Kanes a 28.07.2017

É belíssimo! Não fica longe de um local que mencionou no outro artigo...
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Triptofano! a 29.07.2017

Ler os teus roteiros provoca sempre uma vontade de ir e nos perder-mos. Adoro.
Um grande abraço
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Robinson Kanes a 01.08.2017

Obrigado. Eu procuro que seja mais uma partilha, uma experiência :-)

Grande Abraço.
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Román a 28.07.2018

Obrigado pela informação, acho que numa visita futura farei este trilho. Apenas uma pequena correção: não são "ayuntamientos", são "concellos", ou "concelhos" com grafia portuguesa. Eis a denominação administrativa oficial e da língua galega, irmã da sua e oficial na Galiza. Este mesmo tratamento lingüístico à espanhola se reflite na brochura oficial do trilho dos contrabandistas que se dá no Ecomuseo. Acho que é uma questão que bem precissa de maior sensibilidade por parte portuguesa. Saudações e paraby pelo artigo.
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Robinson Kanes a 02.08.2018

Quem agradece o rigor sou eu. Só apontaria que o galego é co-oficial na Galiza, a outra língua é o castelhano. Mas fica esse registo importante para estarmos efectivamente mais sensibilizados e também se acrescentar mais-valias a este espaço que também é feito por quem o comenta.

Fico à espera do relato da visita :-)
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Román a 28.07.2018

*parabéns, perdoe a gralha provocada pelo corretor.

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