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Banhos, Ciência de Esquina e Banhadas...

por Robinson Kanes, em 30.05.20

London.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Ontem, violando os deveres do confinamento, sentei-me na esplanada do costume, não a "Taberna dos Cabrões", mas aquela que já deu azo a grandes artigos.  Foi por lá que se fizeram alguns balanços da semana entre choco frito, cerveja Sagres da "botella" (a imperial esgotou), martini, gin só com limão e sem água tónica, azeitonas, queijo de Azeitão e bochechas... Agora lembrei-me do...

 

O primeiro balanço saiu da boca de um marialva daqueles que não compreendia como é que se defende o confinamento e o distanciamento social e depois se disputa nas televisões palco mediático por idas à praia, ainda por cima antes da abertura oficial da época balnear e perto de bairros onde a bomba começa a explodir e só são importantes para a selfie popular (lembrei-me do funeral popular que se faz em Alcochete) ou para o Banco Alimentar Contra a Falta de Fome. Na ausência da bola, é preciso continuar na senda da popularidade com alguns relatos de autênticas "banhadas" que mais parecem um Benfica-Sporting. Não foi o marialva, fui eu, mas não convém sempre dizer que sou eu... 

 

Entretanto, uma das grandes figuras de Alcochete, toca noutro ponto: mas porque raio é que temos de andar a colocar sempre o nosso dinheiro nas mordomias da TAP? Porque é que a TAP interessa tanto? Além dos votos e dos conluios, anda toda uma súcia de desejosos em nacionalizar a mesma... Aprendam com a Lufthansa, a Alemanha não serve só para nos dar dinheiro. E mais não digo, antes que a música seja outra, como disse "em tempos" um dos patrocinados do regime e alguém que confunde a pasta de ministro com a de ditador, com todo o respeito pelos segundos que subiram, mal ou bem, a pulso.

 

E numa zona onde alguns comunistas abundam, especialmente os que são financiados pelo Orçamento de Estado, são muitos o que questionam porque é que um dos espectáculos mais duvidosos em termos legais e de pagamento de impostos vai ter uma cláusula especial lá para início de Setembro. Aqui a conclusão foi fácil: "vamos lá e rebentamos com aquilo tudo". Denotem que isto foi o proprietário de um pastor alemão que usa sapato de vela, veste camisa Ralph Lauren e usa calças de montar a proferir - após a décima segunda cerveja (e sempre são 33cl x 12).

 

Finalmente, e depois de ter recebido da Suiça um link com muitos smiles, link esse de uma publicação daquelas revistas de especialidade cujos artigos são sempre com os mesmos, ninguém conseguiu deixar de estar inquieto com Miguel Pina Martins - um senhor que aparecia muito, depois deixou de aparecer quando a fraca procura de acções em Bolsa se deu e agora volta em força como porta-voz de mais uma associação - um aparte: nunca vi um país tão pequeno com tantas associações, e olhem que sempre me ensinaram que menos é mais.

 

Este indivíduo, cujo mérito no desenvolvimento de um conceito de brinquedos é notório, uma ideia brilhante, aplica o discurso ameaçador do "ou nos dão aquilo que queremos ou fechamos", no habitual atirar de números para o ar e declarando guerra aos senhorios, particularmente aos proprietários de centros comerciais que, no entender deste, deveriam ser "penalizados" pois os custos são inferiores aos dos arrendatários. Para um gestor, o conceito de investimento e retorno do mesmo deveria ser mais claro, além de que, sendo moralmente condenável ou não, lá porque eu estou a sofrer, o do lado não tem que sofrer também - chama-se economia de mercado. Além disso, não basta criar conceitos e desenvolver produtos e ficar à espera que seja o mercado a vir ter connosco, até porque este n\ão é estanque, cada vez menos.

 

Pina Martins pede também ao Estado, os famosos empréstimos a fundo perdido e mais um sem número de privilégios para o retalho, dando a entender que o retalho são somente as lojas de centro comercial ou as mais conhecidas. Chego a ter dúvidas que muitas organizações empresariais ligadas ao retalho tenham esta visão. A repetição do discurso da crise, do dinheiro grátis e da chantagem está à vista, mas...

 

... em nenhuma linha vi Miguel Pina Martins tecer planos para o futuro, nomeadamente no médio-prazo. Também não vi Miguel Pina Martins focar-se nas novas formas de fazer chegar o produto ao consumidor final, acabando por defender (e colocando esse escolha no próprio consumidor - anda a falhar na análise) o tradicional comportamento retalhista da ida à loja. Existiu uma crise com proporções dantescas, mas falamos no regresso ao que era, do "vai ficar tudo igual"... É o mundo a mudar e "vai ficar tudo bem" não é o mesmo que dizer "mais do mesmo"! Se num país com economia dinâmica e sem esperar subsídios do Estado a toda a hora, esta visão arruina qualquer empresa. O comércio online, desafios logísticos, reconversão dos colaboradores, formas de investimento, estratégia nacional e internacional, desenvolvimentod e produtos, nada disso é falado, nada! Até o hype do "teletrabalho" é deixado de lado, para alguns, já coisa do passado. E de facto até é, pois nos últimos meses parece que descobrimos a pólvora, a verdade é que já tinha sido descoberta há décadas...

 

Pergunto, aliás, perguntamos todos a Miguel Pina Martins: fundo perdido? Em que mundo é que vive, Miguel? Pelo facto de sermos o país das borlas e do esmaga orçamentos (em tudo) é que também não evoluímos muito, mas permita-me dizer-lhe que não é motivo para trazer essa questão à praça. E olhe que vi empresas a encerrar nesta fase porque (até arrogantemente) se recusavam a ser financiadas pelos impostos de todos nós e a ouvir associações que só criam entropia e defendem interesses que vão muito além dos interesses de todos os associados. A nossa recomendação, Miguel, venha mais para a esplanada e passe menos tempo nos media. Venha discutir connosco e ensinar-nos qualquer coisa... Olhe que até nos enfrascamos de surface  e gráficos na mão, mas uma coisa é certa, nunca nos lembraríamos da dos fundos perdidos e do regresso ao que era.

 

P.S.: também falámos de coisas boas, sobretudo quando se chegou ao gin. Nasceu um burrito que está cada vez mais brincalhão e ainda ninguém conseguiu perceber como é que eu não sendo um aficionado, mas apaixonado pelos touros no campo, continuo a ter excelentes momentos com aquela malta... 

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10 comentários

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Luísa de Sousa a 30.05.2020

Foi um belo momento de esplanada e muito produtivo a ver pelos temas aqui abordados


Beijinhos Robinson
Feliz Sábado
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Robinson Kanes a 31.05.2020

Muito obrigado, Luísa.

Beijinhos e um bom Domingo,
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Maria Araújo a 30.05.2020

O que faz falta é beber uns copos, e uma boa cavaqueira.


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Robinson Kanes a 31.05.2020

Às vezes sim... às vezes sim...
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Maria Araújo a 30.05.2020

Esqueci de dizer que a fotografia tem umas cores lindíssimas.
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cheia a 30.05.2020

Nada como dinheiro a fundo perdido! Perdido, para quem paga impostos.

Um abraço
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Robinson Kanes a 31.05.2020

"Perdido, para quem paga impostos."

Brutal...

Abraço,
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Rão Arques a 31.05.2020

E não podemos criar um movimento cívico para que esta esclarecedora palestra, que deita por terra as sopas dos nobres oficiais de serviço á pantomina instalada, seja o mais rapidamente possível publicada em livro?
Pela parte que me toca, convoco desde já o presidente vai a todas, que leia este certeiro tratado de lucidez numa televisão à sua escolha que não lhe negará a requisição.
Para que não se canse, faça imediatamente uma gravação para ser posta no ar pelo menos três vezes ao dia em espaço popular de maior audiência de que tanto gosta..
Vamos lá excelência, e agradeça a quem lhe facilita a vida metendo-lhe nas mãos este elucidativo postal.
Siga o exemplo que lhe deixo:
Obrigado por tudo, Robinson Kanes
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Robinson Kanes a 31.05.2020

Talvez não seja necessário chegar a tanto... No dia-a-dia tento seguir este espírito, nem sempre me dou bem, é um facto - país velho, com muitos vícios e muito pouca vontade em olhar em frente. Muito se fala também, muito se escreve mas, na realidade, quando é para alinhar o discurso com a prática é mais fácil manter a segurança do que mudar alguma coisa.

Espero que as palavras do senhor "Partex" tenham resultado - é um homem de fora e com outra visão, espero que não se deixe tentar. Espero que seja o início de algo melhor. Para já tenho dúvidas, espero não as ter em breve.

Admito também que estas e outras são palavras que poucos gostam de ler (embora já me tenham dito o contrário). Sem querer influenciar ninguém, espero que, pelo menos, as mesmas sirvam para fazer reflectir, basta um que o faça e já é um grande conquista e se, com isso, passar aos actos, tudo terá valido a pena, mesmo que na discordância.

Eu é que lhe agradeço e muito. Obrigado Rão.

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