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All means All - TODOS são mesmo TODOS!

por Robinson Kanes, em 03.07.20

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Créditos: https://gem-report-2020.unesco.org/poll/

 

Que a inteligência cheire mal, mas não mais que a estupidez.

Vergílio Ferreira, in o "Existencialismo é um Humanismo"

 

 

Existem os hypes e existem as realidades, os primeiros são impingidos e mediáticos, os segundos... Os  segundos são isso mesmo, a realidade - ambos legítimos, mas com análises diferentes. Falamos de racismo, é só um exemplo, como se fosse num sentido único (brancos contra pretos) mas nunca questionamos a génese de determinados comportamentos que começa com a educação ou falta dela, e é ao encontro dessa génese que chegamos a mais uma conclusão: só menos de 10% dos países têm leis que asseguram uma completa inclusão pela educação (UNESCO - "Global Education Monitoring Report: Inclusion and Education 2020"). 

 

Todos temos conhecimento, ou deveríamos ter, que a exclusão não se deve somente a factores raciais ou de género, mas também de pobreza, geografia, idade, deficiência, linguagem, religião, crenças e atitudes, só para citar alguns exemplos. Com a COVID-19 assistimos ao acentuar destas situações sobretudo em meios que já enfrentavam desafios na educação e ensino de indivíduos mais vulneráveis às lacunas do sistema.

 

Segundo a UNESCO, são 258 milhões de crianças e jovens que estão completamente excluídos nesse acesso, sendo que o factor principal dessa exclusão é mesmo a pobreza. 258 milhões que estão nas estatísticas e sabemos como a margem de erro, infelizmente nestes estudos, peca sempre por ser para cima. Um exemplo de uma verdade cruel é o facto de que, em cerca de 20 países do mundo, uma jovem que complete os estudos secundários ser um case study, tal a raridade de casos. 

 

A realidade mostra-nos também que uma grande maioria de países ainda pratica a segregação educacional com severos impactos em termos de discriminação e usando a tradução à letra do inglês, uma quase alienação dos indivíduos. A realidade mostra-nos que ainda existem países (2) que não autorizam que jovens grávidas frequentem as escolas, que existem países (117!!!) que permitem casamentos entre crianças e que nessa mesma realidade ainda temos países (20) que não rectificaram as emanações da 138º Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e que estabelece as premissas "Sobre a Idade Mínima de Admissão ao Emprego".

 

E neste somatório de coisas boas, nem os mais desenvolvidos escapam. Dentro dos países da Organização para a Coperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), dois terços dos alunos com um background migratório frequentam escolas ondes são 50% da população estudantil, em termos de inclusão sabemos o que isto significa. Em Portugal isto também acontece, sobretudo em termos de turmas que servem de depósito de imigrantes.

 

As exclusões são mais que muitas e em alguns casos, a realidade mostra-nos que 335 milhões de raparigas frequentam escolas que não lhes garantem as condições minímas de sanidade e higiene que lhes permitam frequentar as aulas durante a menstruação. Sim, a menstruação gera exclusão...

 

Para o fim deixo uma  questão que provavelmente não passa pela cabeça de muitos e que contribui para uma das situações já relatadas, a alienação dos alunos. São muitos os indivíduos que estão excluídos dos materiais de ensino, da História, das ciências e com isso acabam por sentir que chegaram a outro planeta e estão em campos de reeducação para se adaptarem a um novo mundo. Em alguns casos, esta prática é realizada em países cujas lideranças se esforçam em varrer a História, mas não só.

 

No entanto, também muitas boas iniciativas estão a ser realizadas e para isso, nada como visitar o "Profiles Enhancing Education Reviews (PEER)". É aí que vamos de descobrir que em algumas regiões da India já são incluídas línguas tribais nos programas, que no Quénia as aulas são ajustadas ao calendário dos povos nómadas (esta é qualquer coisa...) e na Austrália, 19% dos alunos não se adaptam apenas à escola, também é a escola que se adapta às suas necessidades e desta união tira o melhor partido destes.

 

Infelizmente, por cá, vejo os professores da velha guarda (do básico ao superior) avessos à inovação, em pânico porque as coisas e o mundo mudam, com preocupações meramente administrativas, salariais e em alguns casos de demais expedientes e status. Apesar de tudo, não somos os piores, mas também não somos os melhores.

 

Podemos fazer mais alguma coisa ao invés de debitar palavras? Podemos, pouco que seja é possível e até podemos começar por aqui em ALL means ALL. Se queremos ser "virais", vamos arriscar com esta campanha, não dá likes mas pode mudar o Mundo!

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