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Cristiano-Ronaldo-Airport-main.jpg

Fonte da Imagem:https://www.newsbreak.ng/wp-content/uploads/2016/07/Cristiano-Ronaldo-Airport-main.jpg

 

Hoje era dia de escrever sobre o fim de semana. Contudo, não posso deixar passar em claro, até porque temo ser detido caso não aborde o tema, a questão que mais preocupa os portugueses e que é:

 

Os offshores?

Os casos de corrupção em vários sectores da sociedade, inclusive até naqueles que andam sempre a mendigar apoios?

O Montepio ou a Caixa Geral de Depósitos com certeza?

A dívida pública que teima em não parar de aumentar?

A manipulação da sociedade portuguesa pelos media?

 

Não! O nome do Aeroporto da Madeira. O Aeroporto da Madeira tem gerado um buzz (excelente palavra) na medida em que se vai tornar mais... fashion (outra excelente palavra). O “novo” aeroporto vai ser “adquirido” pela CR7, o primeiro aeroporto público, embora concessionado, a ter um nome de uma marca associada a “luxo”. Ainda vou ver a Gucci, a Hugo Boss, ou até a C&A e porque não a Primark a terem o seu próprio aeroporto. Porque não? Aeroporto Primark só para Low Cost! CR7 é uma marca comercial, parece que nos esquecemos disso... os do costume também vão boicotar a promiscuídade com o poder político?

 

Ao que sei, até o Presidente da República vai inaugurar o espaço, mas... o Aeroporto da Madeira não existe há anos? Porque é que vamos gastar mais uns milhares de euros de fundos públicos para inaugurar um aeroporto que já funciona há mais de 60 anos? Perdoem a crítica ao Pop President mas ainda guardo rancor por não me pagarem, como outros fizeram, para dizer bem de políticos num blog. Ainda vou ver a marca MRS4 a ser vendida em lojas portuguesas de recordações turísticas, pelo menos marketing não lhe irá faltar. Por vezes tenho a sensação de que vivo num país como os que são satirizados em filmes de autor de leste...

 

Mas eu até concordo, afinal chamar João Gonçalves Zarco a um aeroporto de uma ilha descoberta pelo próprio é no mínimo... descontextualizado, ninguém sabe quem era este senhor. Ninguém sabe quem era este senhor e ninguém sabe quem foi Gago Coutinho ou até Sacadura Cabral... eu digo-vos, foram jogadores de futebol do União da Madeira. Mas... a Madeira é Cristiano Ronaldo, Portugal é Cristiano Ronaldo, por isso... nada como homenagear em vida alguém que é admirado, não pelo futebol que pratica, mas pela riqueza que acumulou em tão pouco tempo e somente a jogar futebol. Ganhasse Cristiano Ronaldo mil euros por mês e gostaria de ver se era admirado... mesmo a praticar um bom futebol.

 

Mas de facto, concordo com o nome e com a chancela de MRS4 para esta nova denominação, afinal Munique tem o aeroporto Franz Joseff Strauss, Veneza o Marco Polo, Lyon o Saint-Exupéry, Madrid o Adolfo Suárez, Granada o Garcia Lorca, Nova Iorque o JFK e até Budapeste tem o Ferenc Lizt (Franz Liszt).

 

Também concordo que o conhecimento histórico dos portugueses ou é fraco ou então reconhecer aqueles que fizeram alguma coisa pelo país é algo que não é muito comum... sabem que o Aeroporto até tem nome? Chama-se Santa Catarina.

 

Permitam-me que deixe uma sugestão: eu acredito piamente que o Aeroporto de Porto Santo deveria ser chamado de Aeroporto Internacional Santa Dolores.

 

Finalmente, também acredito que alguns dirão: “mas o nome de Ronaldo está em todo o lado e quando se fala de Portugal é o Ronaldo que vem à tona”... pois vem, e é isso mesmo que me deixa infeliz. Porque quando se fala de Espanha, é todo um povo que é recordado, quando se fala da Alemanha, são séculos de história e toda uma indústria que é recordada, quando se fala em França são todas as políticas e inovações sociais que são recordadas, quando se fala na Irlanda (um país no mesmo patamar de Portugal) é a inovação e crescimento que saltam à vista e até... quando se fala na Grécia, é todo um passado glorioso que vem à nossa memória.

 

Bom fim de semana... 

 

P.S: E se querem engalanar o Aeroporto da Madeira, tratem de homenagear aqueles 131 indivíduos que perderam a vida em 1977 no voo TP425.

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48 comentários

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Robinson Kanes a 21.03.2017

É a velha apatia e o "vamos mudar" mas depois na realidade ninguém se move. Penso que o excesso de poder e dependência do Estado e do poder local em algumas regiões leva a uma total falta de desinvestimento e sentimento de que nada há a fazer. Se há coisa que as políticas para zonas interiores não têm é capacidade de "empowerment".

Ontem estive com um colega do Montijo, bem a propósito, deu-me um panfleto de propaganda que está a ser distribuído nas caixas de correio (pago pelos munícipes) e onde o presidente da câmara já "engana" os montijenses dizendo-lhes que conseguiu que o aeroporto ficasse na terra. Confesso que acho estranho que já se estejam a comprar terrenos e a fazer infra-estruturas em algo que, simplesmente, ainda não está clarificado… dá que pensar. Falarei disso… até porque fiquei com o panfleto.

Li o "teu" artigo e cheguei à conclusão que vivemos num filme cómico:

"Já o presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta, destacou que os pilotos que utilizam a base aérea do Montijo referem que o tamanho da pista não será um problema, mas admitiu que a opinião dos pilotos não é unânime.

O autarca do Montijo salientou que não está preocupado com este assunto, até porque “a pista tem sido usada ao longo dos tempos para a aterragem e descolagem de aviões muito pesados, nomeadamente militares”, tendo até dado apoio à guerra do Iraque."

Aviação militar é uma coisa, aviação civil é outra. Penso que isso é básico, mas o Sr. Nuno Canta desconhece.
Também é interessante perceber que a viabilidade e segurança de uma pista aeroportuária é percepcionada com base em meras opiniões de "balcão".

“A base foi sempre conquistada ao rio, com aterros sucessivos. E é possível fazer um aterro sem muito impacto ambiental, não apenas de 300 metros, mas de cerca de meio quilómetro, se for necessário”, adiantou, salientando que, caso seja ponderado o aumento da pista, ele deverá ocorrer “na direção do Barreiro”.

Também é interessante a definição de "sem muito impacte ambiental"… com base em? Conversa de quem quer ganhar as autárquicas? E já agora, chuta-se para o Barreiro.

Mais uma vez pensa-se em eleições e não nas consequências a longo prazo. Acho interessante porque é que na OTA onde os riscos ambientais eram menores se fez tanto alarido e agora as associações ambientalistas e muitas outras instituições públicas e não só andam tão serenas...

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