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Aben Hácen e Zahara

por Robinson Kanes, em 25.01.17

IMG_5382.JPG

 

Iniciei a leitura das páginas da “Crónica de la conquista de Granada” (sim, em castelhano) de Washington Irving, baseada nos escritos de Frei António Agápida. História de Espanha... lê-se em castelhano.

 

Esta crónica relata um dos episódios históricos e sociais mais marcantes da Península Ibérica, nomeadamente, as últimas guerras da reconquista cristã... que não acabaram com a conquista do Algarve.

 

Se em Portugal já andávamos a explorar o continente africano, em Espanha o Reino de Granada, governado pelo rei mouro Muley Aben Hácen, ainda disputava o seu território com os Reis Católicos - Fernando II e Isabel I.

 

Até aqui, nada de novo... o interesse começa quando o soberano mouro deixa de pagar o tributo à coroa espanhola e decide avançar, em primeiro lugar, com as hostilidades. Mais tarde ou mais cedo alguém ia dar o primeiro passo. Também Fernando II, só não avançara porque tinha de gerir as convulsões internas do seu próprio reino e os habituais atritos com os primeiros separatistas que “Espanha” conheceu: os Portugueses.

 

E eis que, para minha surpresa, Muley Aben Hácen decide atacar e tomar Zahara de la Sierra, um pueblo andaluz situado no Parque Natural de Grazalema e que faz parte da “Rota dos Pueblos Blancos”. Esta tomada decorreu de forma hostil com várias mortes e prisioneiros, aliás, no regresso a Granada, perante tão sanguinária campanha, muitos foram os que anteviram um cenário negro para o reino: uma espécie de castigo que chegaria muito em breve.

 

Zahara é daquelas imagens que não se esquecem. Da barragem, agora construída, e olhando para aquele pueblo, conseguimos imaginar as forças de Aben Hácen a invadir a fortaleza (conquistada em 1407 aos Mouros) que ainda hoje lá se encontra. Imaginamos os gritos dos seus residentes a ecoarem pelos vales até Arcos, embora a paisagem, tão bucólica, possa levar ao engano. Uma chegada ao amanhecer transmite-nos uma tranquilidade singular, uma espécie de acalmia pós-batalha e cujo cenário jamais permitirá, ao ignorante de tais factos, imaginar a carnificina que ali teve lugar na noite anterior. O principio do fim da presença muçulmana na Península Ibérica começara em Zahara a ser redigido.

 

Foi uma agradável surpresa, aperceber-me da importância de tão bonito local e, pelo que estou a ler, será o primeiro de muitos no que toca às peripécias da Conquista de Granada.

 

Fonte da Imagem: Própria.

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34 comentários

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De Robinson Kanes a 25.01.2017 às 19:16

Grato!
Isto tenho estado a aprofundar com este livro... matéria nova :-)
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De HD a 25.01.2017 às 19:20

Pouco conhecida, eu tinha vagas luzes sobre o tema!
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De Robinson Kanes a 25.01.2017 às 19:35

Os nossos programas focam-se, no que toca a matérias com árabes e espanhóis, muito no nosso país, quando muitas das alterações que ocorreram tiveram em conta a Península Ibérica como um todo. Além disso, quando se entra nas época dos Descobrimentos, parece que mais nada acontecia no Mundo a não ser a diáspora portuguesa e a "saudável" evangelização.
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De HD a 25.01.2017 às 22:02

É o costume :)
O nosso umbigo é mais bonito que o dos outros ;)
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De Robinson Kanes a 26.01.2017 às 09:18

De facto :-)

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