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A Teatralidade do Subsídio...

por Robinson Kanes, em 03.04.18

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Autoria da Imagem: Jeremy Daniels

Fonte da Imagem: http://www.theaterscene.net/musicals/offbway/money-talks-the-musical/darryl-reilly/ 

 

Estranhamente, aqueles que estão a provocar o fim da Autoeuropa, aliás, que provocaram o fim da OPEL da Azambuja e que agoram recrutam para as suas fileiras um sem número de tropas para acabar com a Ryanair (pensando que esta empresa é a TAP), são os mesmos que se revoltam com os subsídios dados pela Direcção Geral das Artes. 

 

Aqueles que destroem sectores que geram dividendos, e consequentemente impostos, são os mesmos que querem gastar esses mesmos impostos em projectos que nem sempre justificam o investimento de todos nós. São estes que dizem defender os interesses de todos mas... Na verdade, se uma empresa fecha porque não tem clientes ou não consegue manter uma oferta competitiva que atraia esses mesmos clientes, porque é que temos de financiar ad aeternum instituições que não geram retorno, e não raras vezes, alimentam corporativismos e um número de indivíduos que não está disposto a adaptar-se aos novos tempos e prefere viver fechado no seu mundo, muito ao contrário do que devem ser as artes. 

 

Não vou a festivais de verão, não frequento os concertos mais badalados, mas vou ao teatro, assisto a concertos mais "leves", procuro acompanhar a actividade cultural, no entanto, mais que continuar a injectar dinheiro de todos nós em projectos e indivíduos que nem sempre perseguem o verdadeiro foco da cultura, importa perceber outras tantas coisas - uma delas é o porquê. Porque é que os portugueses não vão tanto ao teatro e gastam rios de dinheiro em festivais? Será que estamos a fazer bem o nosso papel nas escolas? Será que o papel das artes e a importância destas em termos de identidade e formação pessoal e profissional dos indivíduos está a ser bem feita? Não me parece que esteja.

 

Será que não sabemos vender a cultura? Será que não queremos vender essa cultura e produzimos a mesma como queiramos que seja e não como tem de ser ou o público deseja? Será porque são sempre os mesmos e como não existe responsabilização também não existe a necessidade de ser melhor? Porque é que quase fui expulso de uma acção de formação em Montemor-o-Novo quando falei em ROI (Return on Investement) e empreenderismo nas artes?

 

Finalmente, e permitam-me chamar a minha experiência, não foram raras as vezes em que, sozinho ou com outros companheiros, coloquei know-how, apresentei projectos, ofereci alternativas, procurei abrir as artes ao exterior, inclusive empresas e... Os mais reticentes a esta abertura foram sempre, ao contrário do que se possa pensar, os próprios actores do circuito cultural. Mesmo aqueles que se queixavam de não poder exercer aquilo para o qual estudaram nem sempre foram abertos a iniciativas paralelas e que incluíam parte da sua formação - porque é que dizemos a quem estuda engenharia e não encontra emprego que tem de se adaptar e eu, se estudei teatro, por exemplo, não tenho de me adaptar e tenho de garantir que, doa a quem doer, alguém tem de pagar essa minha decisão? Porque é que o engenheiro tem de ser casmurro e o artista um alguém que persegue um sonho?

 

Em instituições públicas sucede o mesmo. O dinheiro acaba por chegar, sobretudo em termos salariais - mais de 50% do orçamento das artes anda a pagar recursos humanos! Não interessa a muitas destas instituições a abertura ao exterior preferindo viver num mundo fechado onde até, em muitos casos, aqueles que assistem aos espectáculos são sempre os mesmos anos e anos a fio! Não existe uma cultura de resultados, pelo que, nem são raras as vezes, que se perdem oportunidade, clientes e dinheiro porque simplesmente ninguém quer saber... Casos destes não faltam, onde o encaixe financeiro só não é maior porque indivíduos bem "protegidos" boicotam o desenvolvimento das instituições...

 

Ainda me recordo de estar em duas iniciativas e onde indaguei do porquê de não se estar a fazer mais, ao que me responderam que duas horas de trabalho eram muito exaustivas e as pessoas tinham de descansar... Se tivermos em conta uma semana normal de trabalho estamos a falar de 10 horas de trabalho semanal que é pago por nós! Porque é que aquele que trabalha mais de 40 horas semanais sem direito a pedir por descanso tem de suportar estas regalias?

 

Também não podemos continuar com a mentalidade de que são os contribuintes que têm de ser o pilar destas instituições e pagar os caprichos das mesmas! Em tempos, perante as queixas da falta de apoios, sugeri a uma instituição cultural que se deslocasse de Oeiras para Alverca, onde talvez existisse uma remota hipótese de proporcionar um espaço e apoios mais robustos - a resposta foi clara: "ninguém vai deixar Oeiras para ir para Alverca!". Essa resposta não me admirou, porque a queixa da falta de apoios alargava-se ao facto da câmara municipal, que já cedia um espaço gigante, não se dar ao luxo de cortar umas ervas que se encontravam à entrada do edifício! Até hoje, não conheci um artista que tivesse morrido por roçar mato durante uns 10 minutos. Também hoje, essa instituição continua a ser um sorvedouro de dinheiro público, afinal Oeiras sempre é mais chique... Sobretudo com o dinheiro dos outros.

 

Os tempos são de mudança, mas continuamos atávicamente presos a um passado e a uma espécie de liberdade camuflada que tem perpetuado estas situações e onde o avant garde não é mais que a imposição dos ditames deste ou daquele grupo de pressão.

 

Finalmente, não nos esqueçamos, ao longo da história, a grande maioria dos mestres das artes trabalhava a soldo e procurava vender o seu trabalho, não esperava que o dinheiro caísse do céu! 

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8 comentários

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De Cecília a 03.04.2018 às 12:05

ui o que para aqui vai. tanta coisa para comentar ( concordar com quase tudo, um ponto em que se discorda ligeiramente - no que diz respeito às greves - etc.,.).

primeiro: tive um pico de corrente ao ler "quase fui expulso de uma acção de formação" (o meu nível de cusquice ficou em alta). diverti-me a imaginar a cena.

depois... bem, eu, hoje, por acaso, estive quase a postar algo sobre intelectuais. mas não me apeteceu. o meu caderno de apontamentos vai pelo que me apetece :) neste ou naquele dia, a dado momento.

a arte é paixão.
a arte é (e dá) trabalho.
e há muitos trabalhadores que fazem arte mas, também, temos os artistas da arte...
temos disso em todas as " artes" e na "arte", então, é um mar de ofertas.
falhados a viver à custa dos outros sempre os houve e haverá.
e torna-se perigoso cortar tudo pelo mesmo pé porque é certo e sabido que se deve deixar o joio para que o trigo siga o seu destino.
eu creio que o tempo é a melhor resposta e o melhor juiz.
sobretudo a melhor recompensa para quem de facto faz algo e É algo. sempre defendi que é preferível 5 criminosos "cá fora" do que um inocente "dentro" e portanto se uma companhia, instituição, etc.,., consegue um apoio, mesmo que esse apoio se baseie numa lei ou convenção que alimente 5 idiotas, eu defenderei esse apoio.

quanto ao fast-festival que se passa por este país fora - é simples: não é uma questão de procura do saber e sim do divertimento simples, sem esforço e - o melhor de tudo - à vista de tudo e de todos (o EU ESTOU AQUI é algo muito importante neste país - a par do ESTE É O MEU CARRO). A pequenez de espírito é muito forte - para não dizer genética - nesta lusitânia (mataram o viriato, não é). Não vai lá com educação e formação. Só mesmo com a lei natural da seleção intelectual - o que demorará sempre uns bons milénios.

pronto é mais ou menos isto - que tenho muito que fazer.
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 12:16

Um dia posso falar aqui sobre esse episódio... Foi deveras interessante, até porque era o formador e mais um sem número de bolseiros, trabalhadores de IPSS e profissionais das artes contra mim... A minha sorte é que tinha pago! :-)

Concordo com o que diz, aliás, pelo meu texto se percebe que não excluo a arte de forma alguma, bem pelo contrário... bem pelo contrário... Contudo, os recursos são escassos, não vivemos num país onde se possa esbanjar (e tanto se esbanja, e não é só nas artes) - é necessário saber a quem ceder os subsídios e fazer análises profundas a isso, sobretudo quando o rácio de 5 criminosos para um inocente se arrisca a ser o sacrifício de milhões por meia dúzia de privilegiados... É necessário perceber que por se estar no mundo das artes, não se é um Ser superior acima de tudo e de todos, quer do ponto de vista intelectual quer do ponto de vista de lugar na sociedade.
Mas sim, entendo que acima de tudo deve estar um bem maior...

São conceitos que resultam, mas que também resultam porque existe abertura dos promotores e um marketing bem pensado, directamente para o cliente se assim quisermos ver as coisas... Também faz bem não pensar, gozar o divertimento pelo divertimento, mas pensar também é preciso...


"Só mesmo com a lei natural da seleção intelectual - o que demorará sempre uns bons milénios. ". ahahahaahhaahahahah

Com educação e formação vai lá, mas não me parece que se consiga com muitos dos moldes em que a mesma se tende a alicerçar.

Obrigado pela sua exposição :-)


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De Cecília a 03.04.2018 às 12:30

as palavras chave são precisamente essas - bem maior:
quantos apoios são na realidade bem aplicados e se consegue coisas lindas por esse país fora!
"é necessário saber a quem ceder os subsídios e fazer análises profundas a isso" quantos lápis azuis isto não daria e, no final, provavelmente, sermos agraciados com "os pançudos" do costume?

eu acredito na educação. e o tema educação mexe-me com as veias, com a carne.
é claro que acredito que nunca é tarde para aprender a tocar piano e que um burro velho pode aprender algumas palavras de uma nova língua. mas para que tudo isto aconteça é preciso que haja disciplina (termos a vontade e o querer a rumarem para o mesmo lado) e simplicidade. só assim a educação encontra terreno fértil: em pessoas disciplinadas e simples.
neste momento temos uma sociedade ( a dos festivais, por exemplo) informada, formada mas nada simples, nada disciplinada. porque ser simples não é ser eco e sustentável e ser disciplinado não é estar a par de todos os gadgest e feed.
óbvio que há bons festivais e tudo é necessário neste vida - o cérebro também precisa parar por vezes mas nessas vezes há que pôr o coração a trabalhar ( e onde anda ele que raramente o vejo por aí?)
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 12:53

Também muitos o são, mas são precisos critérios e análises profundas.

Em relação ao "lápis azul", o facto de este poder existir também não pode ser desculpa, caso contrário todos os processos de avaliação, inspecção e fiscalização, independentemente da área, seriam considerados inúteis - eu colocaria o conceito de responsabilização.

Mudar mentalidades não é fácil, leva tempo... Mas não podemos baixar os braços. Admito que me podem chamar "careta" porque não vou a festivais ou não tenho os gadgets de última geração que só são diferentes porque são mais caros e têm mais um 1GB que o anterior, no entanto, desde que isso não interfira na minha liberdade de escolha...

Depois estamos perante a questão das prioridades... O que é prioritário? Fazer algo pelo meu país e deixar essa herança para o futuro, ou saciar o apetite do momento?

Queixamo-nos muitas vezes que a culpa está nos "media" e nas marcas, mas afinal, quem consome somos nós... É um pouco como a questão da Ryanair... Anda meio mundo chocado, mas a maioria dos críticos viaja nessa companhia porque lhe compensa de alguma forma... Eu também já viajei! Os outros criticam porque também não precisam de viajar na Ryanair porque sempre conseguem "boas oportunidades" na TAP...

Educação é a palavra-chave, mas é preciso que alguém a queira implementar... Disciplina? Vejo isso como algo cada vez mais utópico, até porque não exige só o trabalho do disciplinado mas de quem procura incutir a mesma...
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De Cecília a 03.04.2018 às 13:11

para haver responsabilização há que haver espaço- dado por alguém para que se veja quem faz o quê, para quê. e este espaço sempre é ( e será) aproveitado pelos patos bravos (em todos os setores da vida)

sobre a ryanair: nunca viajei - excepto uma vez porque preferi fazer escala em segundos com aquele bichinho irlandês do que ficar plantada umas horas - e nunca defendi a empresa - essa em particular. quem lê o que o ÓLARÉ diz não pode defender aquela empresa.
eu não posso ir sentadinha num lugar e saber , precisamente, que o faço tão baratamente à custa dos direitos - suprimidos - de outros.
as low cost vieram baixar o ego das companhias de bandeira - ficaram mais terra a terra em relação ao charme da vida no ar - e por isso gosto delas.
há espaço aéreo para os dois conceitos: o viajar e o apanhar-o-avião-ir-ali-e-já-se-volta.
é anedótica a questão de que o preço se consegue à custa das regras de segurança implementadas no cuidado com as aeronaves, etc.,. agora uma questão é os conceitos outra é o que se pretende com a defesa de um determinado conceito e a receita que este possa gerar.
o ponto é sempre o mesmo - certos milagres da vida moderna atual só se conseguem à custa da escravização (sim, berscka, zaras também entram na equação) de outros.

sempre foi por isso que nunca voei e não voarei - em particular - pela low cost ryanair.

há que viajar, conhecer, mas há regras que nos devemos impor a nós mesmos para conseguir o que desejamos.

a geração festival é a geração (atenção que eu não gosto de generalizações mas neste tipo de respostas e contra respostas é um exercicio que tem que ser feito) do aqui e agora. quero logo existo e logo tenho que ter.
insisto: com gente assim o termo (melhor) educação é chover no molhado.

mas sou utópica sim. e acredito que devemos lutar pelo que está certo. daí que os apoios estejam certos porque vão ajudar alguém que sem eles não teria meios para coisa alguma. se há papões profissionais do subsidio? claro. mas isso é em todo o lado: desde os subsidios para a mais básica existência até estes (os culturais) de supra-existência.
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 14:50

Enquanto reinar o sentimento de impunidade... Que também só acontece porque todos nós permitimos :-)

ahahahahah o "ólaré" - por acaso tenho uma conversa pendente com o mesmo acerca do "tiro aos pássaros", ainda estou a aguardar resposta. Sim, as "low cost" vieram dizer a muitas companhias de bandeira que os contribuintes não poderiam continuar a pagar vidas de luxo sob o pretexto dessas vidas serem no ar - uma hospedeira é uma hospedeira, seja em terra, seja no ar... Estranhamente, só a TAP ainda continua com uma forte intervenção estatal e cuidado se alguém falar em privatização total - aparecem logo muitos artistas (sem aspas e com aspas) a criar movimentos - um pouco como a RTP.

A segurança em espaço europeu é uniforme, por aí, as companhias não têm por onde fugir, viajar "low" ou "high" obedece às mesmas regras.


"o ponto é sempre o mesmo - certos milagres da vida moderna atual só se conseguem à custa da escravização (sim, berscka, zaras também entram na equação) de outros. "

Agora é que disse tudo, por acaso as marcas que mencionou pertencem ao mesmo grupo :-)


"quero logo existo e logo tenho que ter. "

Clap! Clap! Clap! Até que um dia não há forma de ter só porque se quer ter e depois temos gente a atirar-se de edifícios porque não consegue comprar um Rolex - e não estou a falar dos verdadeiros ricos :-)

Em relação aos subsídios, pronto... Não entramos em acordo total, embora defendamos o princípio de que os mesmos têm de obedecer a regras mais apertadas - eu mais que a Cecília (ahahahaha) mas entendo o seu ponto de vista - também não deseja que se matem as artes e nesse campo partilho da sua opinião.
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De Cecília a 03.04.2018 às 15:09

pois não (não desejo que se matem as artes) mas ele há cada assassinato por aí que por vezes sinto-me uma (potencial e em crescendo) serial killer (dos açaçinos)

eu estudei música (e literatura - enfim, tenho jeito para o sofrimento em sociedade). e sempre quis ser professora. quando me chamaram, rejeitei. soube, quando rejeitei, que estaria a fechar a porta a uma paixão. mas o cérebro foi - felizmente - mais forte. o ensino das artes nas escolas faria de todos nós melhores pessoas. melhores cidadãos. mas é uma pantominice aquilo a que se assiste.chega a doer de tão parasitário, sensaborão. mas pelo meio lá acontece um milagre. os frutos desse milagre são bens imateriais sem orçamento que se possa definir.
e eu fico feliz de lágrimas nos olhos.
não há contas que paguem essa felicidade.

acredito na educação. na superação que ela é per si.
e na arte como veículo para.

agora não me chateiem com os fornecedores da gasolina / gasóleo e com muitos dos passageiros.
a questão é essa.
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 15:19

Também estudei música e sei o quão importante foi para a minha formação - foi em contexto privado e com muitos custos para o meu pai, até porque a escola "não tinha" essa oferta.

Já eu, fico feliz quando o dinheiro é bem investido, mesmo que o resultado do investimento não seja palpável e, na verdade... Nem sempre o é... Mas prometo vir falar de situações em que as artes justificam cada cêntimo gasto, até porque devo isso a umas pessoas com quem tive oportunidade de trabalhar e são praticamente desconhecidas do grande público.

Mas para não ficar com má impressão de mim no que às artes concerne, tome lá :-)

https://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/as-artes-como-solucao-para-os-desafios-13786

https://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/artes-nos-modelos-de-gestao-7403

https://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/artes-e-empresas-5245

Posso sempre tornar o seu dia pior falando dos fornecedores de energia eléctrica :-)))))


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