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A Teatralidade do Subsídio...

por Robinson Kanes, em 03.04.18

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Autoria da Imagem: Jeremy Daniels

Fonte da Imagem: http://www.theaterscene.net/musicals/offbway/money-talks-the-musical/darryl-reilly/ 

 

Estranhamente, aqueles que estão a provocar o fim da Autoeuropa, aliás, que provocaram o fim da OPEL da Azambuja e que agoram recrutam para as suas fileiras um sem número de tropas para acabar com a Ryanair (pensando que esta empresa é a TAP), são os mesmos que se revoltam com os subsídios dados pela Direcção Geral das Artes. 

 

Aqueles que destroem sectores que geram dividendos, e consequentemente impostos, são os mesmos que querem gastar esses mesmos impostos em projectos que nem sempre justificam o investimento de todos nós. São estes que dizem defender os interesses de todos mas... Na verdade, se uma empresa fecha porque não tem clientes ou não consegue manter uma oferta competitiva que atraia esses mesmos clientes, porque é que temos de financiar ad aeternum instituições que não geram retorno, e não raras vezes, alimentam corporativismos e um número de indivíduos que não está disposto a adaptar-se aos novos tempos e prefere viver fechado no seu mundo, muito ao contrário do que devem ser as artes. 

 

Não vou a festivais de verão, não frequento os concertos mais badalados, mas vou ao teatro, assisto a concertos mais "leves", procuro acompanhar a actividade cultural, no entanto, mais que continuar a injectar dinheiro de todos nós em projectos e indivíduos que nem sempre perseguem o verdadeiro foco da cultura, importa perceber outras tantas coisas - uma delas é o porquê. Porque é que os portugueses não vão tanto ao teatro e gastam rios de dinheiro em festivais? Será que estamos a fazer bem o nosso papel nas escolas? Será que o papel das artes e a importância destas em termos de identidade e formação pessoal e profissional dos indivíduos está a ser bem feita? Não me parece que esteja.

 

Será que não sabemos vender a cultura? Será que não queremos vender essa cultura e produzimos a mesma como queiramos que seja e não como tem de ser ou o público deseja? Será porque são sempre os mesmos e como não existe responsabilização também não existe a necessidade de ser melhor? Porque é que quase fui expulso de uma acção de formação em Montemor-o-Novo quando falei em ROI (Return on Investement) e empreenderismo nas artes?

 

Finalmente, e permitam-me chamar a minha experiência, não foram raras as vezes em que, sozinho ou com outros companheiros, coloquei know-how, apresentei projectos, ofereci alternativas, procurei abrir as artes ao exterior, inclusive empresas e... Os mais reticentes a esta abertura foram sempre, ao contrário do que se possa pensar, os próprios actores do circuito cultural. Mesmo aqueles que se queixavam de não poder exercer aquilo para o qual estudaram nem sempre foram abertos a iniciativas paralelas e que incluíam parte da sua formação - porque é que dizemos a quem estuda engenharia e não encontra emprego que tem de se adaptar e eu, se estudei teatro, por exemplo, não tenho de me adaptar e tenho de garantir que, doa a quem doer, alguém tem de pagar essa minha decisão? Porque é que o engenheiro tem de ser casmurro e o artista um alguém que persegue um sonho?

 

Em instituições públicas sucede o mesmo. O dinheiro acaba por chegar, sobretudo em termos salariais - mais de 50% do orçamento das artes anda a pagar recursos humanos! Não interessa a muitas destas instituições a abertura ao exterior preferindo viver num mundo fechado onde até, em muitos casos, aqueles que assistem aos espectáculos são sempre os mesmos anos e anos a fio! Não existe uma cultura de resultados, pelo que, nem são raras as vezes, que se perdem oportunidade, clientes e dinheiro porque simplesmente ninguém quer saber... Casos destes não faltam, onde o encaixe financeiro só não é maior porque indivíduos bem "protegidos" boicotam o desenvolvimento das instituições...

 

Ainda me recordo de estar em duas iniciativas e onde indaguei do porquê de não se estar a fazer mais, ao que me responderam que duas horas de trabalho eram muito exaustivas e as pessoas tinham de descansar... Se tivermos em conta uma semana normal de trabalho estamos a falar de 10 horas de trabalho semanal que é pago por nós! Porque é que aquele que trabalha mais de 40 horas semanais sem direito a pedir por descanso tem de suportar estas regalias?

 

Também não podemos continuar com a mentalidade de que são os contribuintes que têm de ser o pilar destas instituições e pagar os caprichos das mesmas! Em tempos, perante as queixas da falta de apoios, sugeri a uma instituição cultural que se deslocasse de Oeiras para Alverca, onde talvez existisse uma remota hipótese de proporcionar um espaço e apoios mais robustos - a resposta foi clara: "ninguém vai deixar Oeiras para ir para Alverca!". Essa resposta não me admirou, porque a queixa da falta de apoios alargava-se ao facto da câmara municipal, que já cedia um espaço gigante, não se dar ao luxo de cortar umas ervas que se encontravam à entrada do edifício! Até hoje, não conheci um artista que tivesse morrido por roçar mato durante uns 10 minutos. Também hoje, essa instituição continua a ser um sorvedouro de dinheiro público, afinal Oeiras sempre é mais chique... Sobretudo com o dinheiro dos outros.

 

Os tempos são de mudança, mas continuamos atávicamente presos a um passado e a uma espécie de liberdade camuflada que tem perpetuado estas situações e onde o avant garde não é mais que a imposição dos ditames deste ou daquele grupo de pressão.

 

Finalmente, não nos esqueçamos, ao longo da história, a grande maioria dos mestres das artes trabalhava a soldo e procurava vender o seu trabalho, não esperava que o dinheiro caísse do céu! 

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39 comentários

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De Maria Araújo a 03.04.2018 às 11:51

Há anos que o povo português espera que o estado/ contribuinte subsidie tudo e mais alguma coisa.
Estamos habituados às "injecções" de dinheiro, um dia rebentamos pelas costuras e depois é o "ai, e agora?!".
Ah! Nunca fui a um festival.
Mas já fui ao teatro, embora reconheça que cá, na cidade, raramente vou, nem sei explicar bem porquê.
Em tempo idos, o Robinson não era nascido, passava na TV muito teatro, que via com a família, não tínhamos a cultura do teatro fora de casa.
Bom texto, Robinson.
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 12:00

Lembro-me de uma vez, ainda pensando que aquela malta que falava muito sobre muitos temas e tinha sempre tempo de antena, de ter abordado um indivíduo e ter perguntado como é que poderia criar um projecto a título individual que pudesse dinamizar um território específico... A resposta foi interessante: arranjas uns familiares, crias uma associação, arranjas dinheiro do Estado e fazes o projecto... Hoje é professor num Politécnico e está ligado à política...

O Theatro Circo" é um espaço fantástico e passam por aí bons actores... Não deve é ter dinheiro para pagar a pessoas para responderem a emails... Mas isso é outra história.

A cultura do teatro fora de casa, pode e deve ser incutida... São os teatros que têm de trabalhar também para captar públicos... Mais que receber dinheiro é preciso perceber o porquê do "negócio" não estar a ir ao encontro das expectativas e assim criar mecanismos para mudar as coisas... Depois sim, podemos até falar de subsídios, mas como prémio pelas boas práticas e não como a prática em si.

Obrigado :-)
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De Cecília a 03.04.2018 às 12:05

ui o que para aqui vai. tanta coisa para comentar ( concordar com quase tudo, um ponto em que se discorda ligeiramente - no que diz respeito às greves - etc.,.).

primeiro: tive um pico de corrente ao ler "quase fui expulso de uma acção de formação" (o meu nível de cusquice ficou em alta). diverti-me a imaginar a cena.

depois... bem, eu, hoje, por acaso, estive quase a postar algo sobre intelectuais. mas não me apeteceu. o meu caderno de apontamentos vai pelo que me apetece :) neste ou naquele dia, a dado momento.

a arte é paixão.
a arte é (e dá) trabalho.
e há muitos trabalhadores que fazem arte mas, também, temos os artistas da arte...
temos disso em todas as " artes" e na "arte", então, é um mar de ofertas.
falhados a viver à custa dos outros sempre os houve e haverá.
e torna-se perigoso cortar tudo pelo mesmo pé porque é certo e sabido que se deve deixar o joio para que o trigo siga o seu destino.
eu creio que o tempo é a melhor resposta e o melhor juiz.
sobretudo a melhor recompensa para quem de facto faz algo e É algo. sempre defendi que é preferível 5 criminosos "cá fora" do que um inocente "dentro" e portanto se uma companhia, instituição, etc.,., consegue um apoio, mesmo que esse apoio se baseie numa lei ou convenção que alimente 5 idiotas, eu defenderei esse apoio.

quanto ao fast-festival que se passa por este país fora - é simples: não é uma questão de procura do saber e sim do divertimento simples, sem esforço e - o melhor de tudo - à vista de tudo e de todos (o EU ESTOU AQUI é algo muito importante neste país - a par do ESTE É O MEU CARRO). A pequenez de espírito é muito forte - para não dizer genética - nesta lusitânia (mataram o viriato, não é). Não vai lá com educação e formação. Só mesmo com a lei natural da seleção intelectual - o que demorará sempre uns bons milénios.

pronto é mais ou menos isto - que tenho muito que fazer.
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De Cecília a 03.04.2018 às 12:14

leia-se :)

e portanto se uma companhia, instituição, etc.,., consegue um apoio, mesmo que esse apoio se baseie numa lei ou convenção que alimente 5 OUTRAS INSTITUIÇÕES idiotas, eu defenderei esse apoio.
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 12:16

:-)
Grato pelo esclarecimento.
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De Cecília a 03.04.2018 às 12:43

o meu outro post hoje foi (na senda de um tango por dia - eu adoro tango, acho que ainda não se notou nadinha) o tango dos malandros.

se calhar já fica tudo dito quando dançado e escutado
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 12:16

Um dia posso falar aqui sobre esse episódio... Foi deveras interessante, até porque era o formador e mais um sem número de bolseiros, trabalhadores de IPSS e profissionais das artes contra mim... A minha sorte é que tinha pago! :-)

Concordo com o que diz, aliás, pelo meu texto se percebe que não excluo a arte de forma alguma, bem pelo contrário... bem pelo contrário... Contudo, os recursos são escassos, não vivemos num país onde se possa esbanjar (e tanto se esbanja, e não é só nas artes) - é necessário saber a quem ceder os subsídios e fazer análises profundas a isso, sobretudo quando o rácio de 5 criminosos para um inocente se arrisca a ser o sacrifício de milhões por meia dúzia de privilegiados... É necessário perceber que por se estar no mundo das artes, não se é um Ser superior acima de tudo e de todos, quer do ponto de vista intelectual quer do ponto de vista de lugar na sociedade.
Mas sim, entendo que acima de tudo deve estar um bem maior...

São conceitos que resultam, mas que também resultam porque existe abertura dos promotores e um marketing bem pensado, directamente para o cliente se assim quisermos ver as coisas... Também faz bem não pensar, gozar o divertimento pelo divertimento, mas pensar também é preciso...


"Só mesmo com a lei natural da seleção intelectual - o que demorará sempre uns bons milénios. ". ahahahaahhaahahahah

Com educação e formação vai lá, mas não me parece que se consiga com muitos dos moldes em que a mesma se tende a alicerçar.

Obrigado pela sua exposição :-)


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De Cecília a 03.04.2018 às 12:30

as palavras chave são precisamente essas - bem maior:
quantos apoios são na realidade bem aplicados e se consegue coisas lindas por esse país fora!
"é necessário saber a quem ceder os subsídios e fazer análises profundas a isso" quantos lápis azuis isto não daria e, no final, provavelmente, sermos agraciados com "os pançudos" do costume?

eu acredito na educação. e o tema educação mexe-me com as veias, com a carne.
é claro que acredito que nunca é tarde para aprender a tocar piano e que um burro velho pode aprender algumas palavras de uma nova língua. mas para que tudo isto aconteça é preciso que haja disciplina (termos a vontade e o querer a rumarem para o mesmo lado) e simplicidade. só assim a educação encontra terreno fértil: em pessoas disciplinadas e simples.
neste momento temos uma sociedade ( a dos festivais, por exemplo) informada, formada mas nada simples, nada disciplinada. porque ser simples não é ser eco e sustentável e ser disciplinado não é estar a par de todos os gadgest e feed.
óbvio que há bons festivais e tudo é necessário neste vida - o cérebro também precisa parar por vezes mas nessas vezes há que pôr o coração a trabalhar ( e onde anda ele que raramente o vejo por aí?)
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 12:53

Também muitos o são, mas são precisos critérios e análises profundas.

Em relação ao "lápis azul", o facto de este poder existir também não pode ser desculpa, caso contrário todos os processos de avaliação, inspecção e fiscalização, independentemente da área, seriam considerados inúteis - eu colocaria o conceito de responsabilização.

Mudar mentalidades não é fácil, leva tempo... Mas não podemos baixar os braços. Admito que me podem chamar "careta" porque não vou a festivais ou não tenho os gadgets de última geração que só são diferentes porque são mais caros e têm mais um 1GB que o anterior, no entanto, desde que isso não interfira na minha liberdade de escolha...

Depois estamos perante a questão das prioridades... O que é prioritário? Fazer algo pelo meu país e deixar essa herança para o futuro, ou saciar o apetite do momento?

Queixamo-nos muitas vezes que a culpa está nos "media" e nas marcas, mas afinal, quem consome somos nós... É um pouco como a questão da Ryanair... Anda meio mundo chocado, mas a maioria dos críticos viaja nessa companhia porque lhe compensa de alguma forma... Eu também já viajei! Os outros criticam porque também não precisam de viajar na Ryanair porque sempre conseguem "boas oportunidades" na TAP...

Educação é a palavra-chave, mas é preciso que alguém a queira implementar... Disciplina? Vejo isso como algo cada vez mais utópico, até porque não exige só o trabalho do disciplinado mas de quem procura incutir a mesma...
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De Cecília a 03.04.2018 às 13:11

para haver responsabilização há que haver espaço- dado por alguém para que se veja quem faz o quê, para quê. e este espaço sempre é ( e será) aproveitado pelos patos bravos (em todos os setores da vida)

sobre a ryanair: nunca viajei - excepto uma vez porque preferi fazer escala em segundos com aquele bichinho irlandês do que ficar plantada umas horas - e nunca defendi a empresa - essa em particular. quem lê o que o ÓLARÉ diz não pode defender aquela empresa.
eu não posso ir sentadinha num lugar e saber , precisamente, que o faço tão baratamente à custa dos direitos - suprimidos - de outros.
as low cost vieram baixar o ego das companhias de bandeira - ficaram mais terra a terra em relação ao charme da vida no ar - e por isso gosto delas.
há espaço aéreo para os dois conceitos: o viajar e o apanhar-o-avião-ir-ali-e-já-se-volta.
é anedótica a questão de que o preço se consegue à custa das regras de segurança implementadas no cuidado com as aeronaves, etc.,. agora uma questão é os conceitos outra é o que se pretende com a defesa de um determinado conceito e a receita que este possa gerar.
o ponto é sempre o mesmo - certos milagres da vida moderna atual só se conseguem à custa da escravização (sim, berscka, zaras também entram na equação) de outros.

sempre foi por isso que nunca voei e não voarei - em particular - pela low cost ryanair.

há que viajar, conhecer, mas há regras que nos devemos impor a nós mesmos para conseguir o que desejamos.

a geração festival é a geração (atenção que eu não gosto de generalizações mas neste tipo de respostas e contra respostas é um exercicio que tem que ser feito) do aqui e agora. quero logo existo e logo tenho que ter.
insisto: com gente assim o termo (melhor) educação é chover no molhado.

mas sou utópica sim. e acredito que devemos lutar pelo que está certo. daí que os apoios estejam certos porque vão ajudar alguém que sem eles não teria meios para coisa alguma. se há papões profissionais do subsidio? claro. mas isso é em todo o lado: desde os subsidios para a mais básica existência até estes (os culturais) de supra-existência.
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 14:50

Enquanto reinar o sentimento de impunidade... Que também só acontece porque todos nós permitimos :-)

ahahahahah o "ólaré" - por acaso tenho uma conversa pendente com o mesmo acerca do "tiro aos pássaros", ainda estou a aguardar resposta. Sim, as "low cost" vieram dizer a muitas companhias de bandeira que os contribuintes não poderiam continuar a pagar vidas de luxo sob o pretexto dessas vidas serem no ar - uma hospedeira é uma hospedeira, seja em terra, seja no ar... Estranhamente, só a TAP ainda continua com uma forte intervenção estatal e cuidado se alguém falar em privatização total - aparecem logo muitos artistas (sem aspas e com aspas) a criar movimentos - um pouco como a RTP.

A segurança em espaço europeu é uniforme, por aí, as companhias não têm por onde fugir, viajar "low" ou "high" obedece às mesmas regras.


"o ponto é sempre o mesmo - certos milagres da vida moderna atual só se conseguem à custa da escravização (sim, berscka, zaras também entram na equação) de outros. "

Agora é que disse tudo, por acaso as marcas que mencionou pertencem ao mesmo grupo :-)


"quero logo existo e logo tenho que ter. "

Clap! Clap! Clap! Até que um dia não há forma de ter só porque se quer ter e depois temos gente a atirar-se de edifícios porque não consegue comprar um Rolex - e não estou a falar dos verdadeiros ricos :-)

Em relação aos subsídios, pronto... Não entramos em acordo total, embora defendamos o princípio de que os mesmos têm de obedecer a regras mais apertadas - eu mais que a Cecília (ahahahaha) mas entendo o seu ponto de vista - também não deseja que se matem as artes e nesse campo partilho da sua opinião.
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De Cecília a 03.04.2018 às 15:09

pois não (não desejo que se matem as artes) mas ele há cada assassinato por aí que por vezes sinto-me uma (potencial e em crescendo) serial killer (dos açaçinos)

eu estudei música (e literatura - enfim, tenho jeito para o sofrimento em sociedade). e sempre quis ser professora. quando me chamaram, rejeitei. soube, quando rejeitei, que estaria a fechar a porta a uma paixão. mas o cérebro foi - felizmente - mais forte. o ensino das artes nas escolas faria de todos nós melhores pessoas. melhores cidadãos. mas é uma pantominice aquilo a que se assiste.chega a doer de tão parasitário, sensaborão. mas pelo meio lá acontece um milagre. os frutos desse milagre são bens imateriais sem orçamento que se possa definir.
e eu fico feliz de lágrimas nos olhos.
não há contas que paguem essa felicidade.

acredito na educação. na superação que ela é per si.
e na arte como veículo para.

agora não me chateiem com os fornecedores da gasolina / gasóleo e com muitos dos passageiros.
a questão é essa.
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 15:19

Também estudei música e sei o quão importante foi para a minha formação - foi em contexto privado e com muitos custos para o meu pai, até porque a escola "não tinha" essa oferta.

Já eu, fico feliz quando o dinheiro é bem investido, mesmo que o resultado do investimento não seja palpável e, na verdade... Nem sempre o é... Mas prometo vir falar de situações em que as artes justificam cada cêntimo gasto, até porque devo isso a umas pessoas com quem tive oportunidade de trabalhar e são praticamente desconhecidas do grande público.

Mas para não ficar com má impressão de mim no que às artes concerne, tome lá :-)

https://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/as-artes-como-solucao-para-os-desafios-13786

https://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/artes-nos-modelos-de-gestao-7403

https://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/artes-e-empresas-5245

Posso sempre tornar o seu dia pior falando dos fornecedores de energia eléctrica :-)))))


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De Cecília a 03.04.2018 às 15:27

oh! eu sei bem a posição do robinson sobre esta e outras matérias. já li muitos "post" seus.

é. eu sou muito: diz-me o que escreves (o que lês, o que vês, o que ouves) e dir-te-ei quem és. :D

faça um favor a essas pessoas: mantenha-as longe do cu nhecimento do grande público. se gosta delas, é claro.

fornecedores de energia eléctrica? hum, daqueles que plantam notícias em que se informa que a produção da energia via renovaveis superou a procura nacional?
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 16:32

Grato pelo interesse na minha literatura tão... sem arte :-)

Poderia falar delas aqui, também isto não é propriamente o espaço mais lido... :-)

Plantar notícias? Não diga isso que zanga o senhor que não lidou bem com a presença de outros na Quercus... Estava encantado da sua "Zero", esta manhã, a vangloriar-se por tais objectivos... É um pouco como o João Proença na Altice... :-)
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De Cecília a 03.04.2018 às 16:41

são os chamados
zero
à esquerda

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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 17:04

Ou cata-ventos...
ahahahahahaha
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De HD a 03.04.2018 às 20:58

Tenho ido mais vezes ao teatro e fico com a memória mais fresca no que concerne a importância da cultura...

Não posso dizer o mesmo sobre concertos ou outros espetáculos para massas que são cozinhadas pelos chefs do costume... -.-
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 22:23

E fazes tu muito bem... :-)

Até há bons concertos, mas existem certos espectáculos que custa a entender como é que existe público... Atenção que nem estou a falar daqueles em que os bilhetes são todos oferecidos...

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De HD a 04.04.2018 às 21:59

Isso são outras contas que não precisamos de saber... :-)
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De José da Xã a 03.04.2018 às 21:48

Bravo!
Alguém que publicamente coloque o dedo na ferida.
Talvez por toda estas razões o Filipe LaFéria é tantas vezes menosprezado (até lhe chamam o Lafuria).
A subsídiodependência é um cancro há muuuuuuuito instalado na nossa cultura.
Texto a merecer destaque.
Abraço.
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 22:28

O Filipe, goste-se ou não se goste dá o corpo ao manifesto, esforça-se como ninguém para conseguir as coisas... Não tem o melhor feitio do mundo e nem sempre fez tudo bem, mas está lá a distribuir folhetos nos espectáculos, a ajudar velhinhos a subir a escada, a limpar o chão... E isso, isso irrita muita gente e não é só no teatro... Cheguei a ouvir muitos comentários pouco abonatórios por me misturar com a "plebe" e meter a mão na massa... Cheguei mesmo a ter muitas dificuldades em gerir essa situação com demais directores, valeram-me os alemães e os americanos que sempre admiraram essa postura.

Este texto não pode ter destaque, caso contrário o Pedro do Sapo, passo a expressão, vai ter a caixa entupida com emails a pedirem democraticamente o encerramento do blog :-)

Um Abraço,
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De cheia a 03.04.2018 às 22:03

Como é que os Partidos que querem acabar com as empresas de sucesso, com o Euro, com tudo oque seja evolução, porque isso os prejudica, ainda têm votos?
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 22:25

É uma boa pergunta... Apesar de minoritários exercem um poder extraordinário em determinados sectores da sociedade... Fazem lembrar as elites (muitas delas imaginárias) que os próprios criticam... Chego a ter dificuldade em distinguir esquerda radical de direita radical... Apenas na N/lei, sobretudo na Constituição que protege uma mas ataca a outra... É um paradoxo interessante.
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De O ultimo fecha a porta a 03.04.2018 às 23:24

Sabes do que falas....

Como não conheço o tema e não estou dentro da área, prefiro não dizer nada do que dizer asneiras.

Não vou ao teatro desde o Secundário. A ultima vez que fui, foi no 11º ano. Shame on me. No entanto fui ao Marés Vivas há dois anos em Gaia. A máquina de marketing e das redes sociais, com os cabeças de cartaz e respetivos produtores é poderosíssima. O maior produtor português, além de genro de ex-PR e PM Cavaco Silva é accionista da Global Media e de várias rádios, inclusivamente a Nova Era, uma das rádios com maior audiência no Grande Porto (e cujo publico alvo é o jovem e mais frequentador de festivais de música). A isso somam-se as parcerias com os canais de televisão. Ou seja, há um grande investimento em marketing dos festivais de música, numa teia gerada para criar riqueza. No teatro, existe pouca divulgação. os mais conhecidos e com capacidade de fazer publicidade são os que envolvem atores da televisão. Mas será como dizes: haverá intenção do teatro de se abrir ao mundo?
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De Robinson Kanes a 03.04.2018 às 23:41

Pouco, sei pouco.

Importa mencionar que os festivais de Verão também são cultura - não quero com isto excluir esses eventos do conceito. Mas sim, é como dizes, existe vontade em fazer algo, em criar negócio - também não podemos cegar as artes, no entanto, é preciso rentabilizar as mesmas e tornar cada cêntimo gasto num investimento com futuro, material ou imaterial.

Essa história familiar deu muito que falar :-)

Nem todas as artes/artistas estão dispostas a abrir as portas ao mundo... Mesmo que alimentadas por este.
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De Chic'Ana a 04.04.2018 às 11:16

Acho que a expressão "liberdade camuflada" resume tudo aquilo por que temos passado nos últimos tempos..
Gostei bastante de ler, um texto muito assertivo.
Beijinhos
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De Robinson Kanes a 04.04.2018 às 14:25

Obrigado :-)

O excesso de liberdade de muitos acaba por ser a ditadura de outros :-(

Beijinhos,
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De m-M a 04.04.2018 às 12:32

Disse exatamente isso ontem, enquanto ouvia o secretário de estado!
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De P. P. a 04.04.2018 às 14:09

Claro que o trabalho nas nossas escolas não está a ser bem feito.
O gosto pelas artes estimula-se, aprende-se... Até em matemática é possível fazê-lo quando abordamos, por exemplo, fractais, isometrias,...
Sinto que nas disciplinas artísticas valoriza-se, sobretudo, a vocação do aluno. Mas, por exemplo em Música, não se deve ensinar a escutá-la, interpretá-la, decifrar instrumentos?....
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De Robinson Kanes a 04.04.2018 às 14:27

"Até em matemática é possível fazê-lo quando abordamos, por exemplo, fractais, isometrias,..."

Concordo e passei por isso... Aprendi a amar a matemática graças a um único professor.

Penso que as artes são dos melhores estimulantes em termos de "soft skills", penso que é aí que queres chegar.
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De Rita PN a 04.04.2018 às 22:58

Tudo se resume a um mercado. O mercado do espetáculo. O mercado festivaleiro. O mercado das companhias aéreas. O mercado liberalizado. O mercado das artes. O mercado automóvel. O mercado privatizado. O mercado da educação (sim, ele existe). O mercado disto, daquilo e do outro.
Ora, para que um mercado seja dinâmico são necessários clientes! Clientes esses que irão gerar receitas. E como é que se consegue uma maior atratividade? Através de estratégias diferenciadoras, inovadoras, bem direcionadas, bem implantadas no seio do seu público alvo, capazes de gerar seguidores, (fãns, diria), fazendo história e tendo sempre a sua história para contar. E para que isto seja possível é necessário o quê? Dinheiro, fundos, apoios, verbas, subsídios... Chamem-lhe o que quiserem. Pois bem, quem não chora, também não mama, já diziam os nossos avós. Se bem que, há quem mame demasiado, de tal forma que nem oportunidade lhe seja dada para chorar.
E isto é válido até para todos os sectores de actividade.
É sabido que a Arte é quem mais tem sofrido com os cortes dos últimos governos. A par disso, digo eu, que cortar na arte é cortar na educação e formação do cidadão comum. Contudo, não defendo, em momento algum, a atribuição descontrolada de apoios financeiros sem que exista um verdadeiro controlo da sua aplicação. Na verdade, a todos esses apoios deveria estar associado um retorno, ou contrapartida legal.

É mais fácil cativar jovens e move-los em massa para um festival do que para o teatro, exposição de arte, concerto de jazz ou orquestra, museus, desfiles de alta costura, monumentos históricos, lançamentos de livros, bibliotecas, etc... E aí sim, talvez a educação e formação falhem. Não podemos culpar, única e exclusivamente, os novos gadget ou os tempos modernos. (Eu uso os meus gadget para adquirir conhecimento, cultivar-me, estar mais perto de artes diversa, ler, escrever... Não os utilizo para partilhar conteúdo vazio, para cansar as redes sociais, para seguir modas, para me inserir num determinafo meio ou grupo, para ser fixe ou popular...).

Relativamente a questões como seja a da Raynair, onde a política de baixo custo para o cliente assenta nos baixos custos de funcionamento, como sejam diminuir ou retirar direitos aos funcionários, vencimentos deficitários, falta de condições de trabalho, continuidade na empresa dependente de objectivos de venda a bordo, cujo retorno para a empresa não seja directamente proporcional ao prémio de produtividade, garantia de segurança mínima, etc, etc... Não creio ser novidade nos dias que correm. Pensar que qualquer empresa que disponibilize um serviço low coast pode ser equiparada a uma empresa a preço de mercado ou algo superior, é ridículo. Para prestar um serviço mais barato, corta-se na qualidade e nos recursos... humanos!
Mas a exploração moderna acontece na maioria das grandes empresas. Retalho, principalmente. E prefiro nem me lembrar de tempos idos.

A minha questão é, porque é que raramente, ou quase nunca, se canalizam parte dos apoios para recursos humanos? Ou se orientam verbas tendo em vista resultados e retorno? É só comer?!

Ainda a respeito das artes, há quem se auto-intitule artista apenas para se afirmar como intelectualmente diferente, vivendo num egocentrismo artístico tal, que nem a arte que cria chega ao público.
A arte deveria ser vista como um veículo de comunicação. Servindo o seu público, acrescentado valor, denunciando, ilucidando, abrindo espíritos e mentes, educando, consciencializando, revolucionando, fazendo sentir.
A arte que não mexe connosco ainda não é arte, é outra coisa qualquer.
Não é artista quem quer, é artista quem sente, expressa e transmite. Quem provoca. Quem ousa. Quem transforma.
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De Robinson Kanes a 05.04.2018 às 09:34

Em relação ao teu primeiro parágrafo, a questão está mesmo no retorno e na capacidade de criar uma oferta diferenciadora, e de facto, não vemos isso a acontecer, pelo menos nem sempre é a regra.

Tudo o que mencionas no segundo parágrafo poderá ser também cultura, e todos esses actores ou iniciativas devem e podem estar presentes - o que acontece em muitos desses acontecimentos, por exemplo, é um exaustivo trabalho de marketing, de procura de patrocinadores, de demonstração perante quem atribui subsídios, quando é o caso, das mais-valias do projecto e depois de apresentar isso ao público de forma atractiva. Um dos segredos é bastante económico e dispensa subsídios: linguagem simples e clara! E não estou a falar do "yeah vem c'os teus friends ao fest".

"Para prestar um serviço mais barato, corta-se na qualidade e nos recursos... humanos!
Mas a exploração moderna acontece na maioria das grandes empresas. Retalho, principalmente. E prefiro nem me lembrar de tempos idos. "

Dá que pensar... Até porque muitos dos críticos da Ryanair pactuam, sobretudo através das compras, com organizações bem piores e que até exploram mão de obra infantil e/ou escrava... Não me parece que a Ryanair o faça, por exemplo.


"A arte deveria ser vista como um veículo de comunicação. Servindo o seu público, acrescentado valor, denunciando, ilucidando, abrindo espíritos e mentes, educando, consciencializando, revolucionando, fazendo sentir. "

Concordo... E acredito que todos podemos ser artistas de algum modo, as artes também se aprendem... Agora não podemos é querer ser artistas e pronto :-)

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