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A Nova "Trend": Barrigas de Aluguer.

por Robinson Kanes, em 19.07.17

IMG_2110.jpg

 Adoração do Menino - Filippino Lippi (Galleria degli Uffizi)

Fonte da Imagem: Própria

 

Falar de incêndios já não é cool. E quando o tema já não vende revistas, jornais ou visualizações nada como ir buscar temas que vendem muito, nomeadamente a homossexualidade e agora as trendy "barrigas de aluguer". Homossexualidade, para mim, é um tema gasto, perdoem-me mas qualquer dia até me sinto mal por ser heterossexual. Ou sou eu, ou então algo se passa, dos muitos amigos(as) que tenho com uma orientação sexual diferente da minha não me recordo de perdermos muito tempo a falar do tema.

 

Mas as "barrigas de aluguer"... Primeiro, é triste perceber que foi preciso um jogador de futebol "comprar filhos na Amazon" para de repente toda a gente se lembrar que esta prática existe. Caríssimos, é uma prática com séculos e ninguém descobriu a pólvora, aliás, um dos empreendimentos mais bem sucedidos da História, o Cristianismo, começou com uma "barriga de aluguer".

 

Mas tanto se fala de "barrigas de aluguer"... Pelo que, voltemos aos moralistas do politicamente correcto, sempre a defender a liberdade e ao que diriam se encararmos essa prática como a venda de seres-humanos? A verdade é simples e crua: estamos a mercantilizar seres-humanos! Podemos concordar ou não, mas aí temos de ter muito cuidado quando apregoamos leis morais, éticas e humanas, mas depois defendemos esta prática. 

 

Vejamos também outra questão e que alguém por aí (alguém a quem nem dou grande importância, mais foi exímio na análise) falou, que é a questão dos impostos? Ora, se existe uma compra, como é que são calculados os impostos? Como é que eu, que tenho um estabelecimento onde vendo bifanas e Sumol de Ananás, fico quando tenho de pagar dezenas de taxas e quem vende crianças não está sujeita a impostos? Mas é uma criança, um bebé, como é que se pode falar de impostos, questionarão! Todavia, não temos pejo em defender o comércio de seres-humanos que só não é tráfico porque, em alguns casos, já se encontra legislado. Não é diferente da criação de leis que regulem o tráfico de droga, e aí passamos a ter um mercado legal... Mas é "trendy". Até nos damos ao luxo de atacar as pessoas que vão buscar filhos a África, no entanto, já achamos bem se forem por encomenda e full extras. Ficamos chocados com a mulher que vende o corpo por sexo, mas não ficamos tão chocados se vender o feto...

 

Hoje é "trendy" mercantilizar seres-humanos e sob a capa do "trendy" têm sido cometidas algumas atrocidades que nos fazem estar a atravessar uma crise de valores e de comportamentos, mas mais que isso a sofrer de uma espécie de arregimentação pela incapacidade de aliar o bem da liberdade à virtude da tolerância. E aí, Huxley rapidamente nos demonstrou que o resultado desse arregimentação só poderia ser uma grande infelicidade! Eu só espero que comece a ser "trendy" criticar a corrupção e a injustiça, aí sim, deixarei de ser um indivíduo fora de moda.  

 

Finalmente, algumas questões que irei abordar amanhã: nesta sociedade do ter, doa a quem doer e custe o que custar, não estaremos demasiado focados na importância do ter ao invés de nos focarmos na mentalização do não ter? Do saber viver sem ter? Poderão também dizer que é egoísmo da minha parte, mas quem é o egoísta? Não faltam crianças em dificuldades no mundo inteiro e se formos por aí, há muito que superámos a capacidade de carga do planeta, pelo que se dispensam mais seres-humanos, já em 1798 Malthus o dizia no seu "Ensaio Sobre o Princípio da População". Passaram mais de 200 anos e ainda nos custa pensar nisto... Além de que, por muito que não queiramos ver, cientificamente, a sobrepopulação é uma das grandes ameaças ao futuro da Humanidade.

 

 

 "Trendy": algo que está na moda. Algo que é forçoso que esteja na moda...

 

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49 comentários

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De Rita PN a 20.07.2017 às 14:28

A mim não me choca nem a adoção (monoparental ou por casal), nem a opção de não querer ter filhos, nem a pressão social, nem casais com mais do que 3 filhos, tão pouco homens e mulheres que querem ser país sem a obrigação de ter um parceiro, assim como não me choca a questão das barrigas de aluguer.
Todos nós somos diferentes, temos formas de estar diferentes, visões distintas, assim como a educação que recebemos não é igual de geração para geração, nem tão pouco no seio da própria família. São questões que se levantam, porque a sociedade não evolui toda ao mesmo ritmo, existem choques de culturas, existem visões mais abrangentes e outras mais vanguardistas, existe a religião, a política, a ciência, a economia...
Existem, no fundo, diversos factores que condicionam ou propiciam determinadas opções. Contudo, não julgo nenhuma. Tento perceber o fundamento.

Biologicamente, fui concebida por um casal, contudo, considero-me apenas filha de uma das partes. Aquela que me criou, desde sempre. Na verdade, se a minha mãe tivesse recorrido a um banco de esperma para me gerar, seria igual. Nenhuma diferença faria. Talvez até me causasse menos infelicidade, a respeito da paternidade.

Nestas questões maus trendy, o único dedo que aponto prende-se com a seleção de genes. Aí sim, tenho os meus contras e mantenho as minhas reservas.

Quanto ao aluguer uterino, nada contra. Poderei ter algo contra determinadas circunstâncias e condições do "negócio", mas lá está, quando é negócio. Consigo não generalizar, porque conheço uma situação em que a mulher não podia, de todo, gerar o filho dentro de si, por questões de risco de vida e foi a própria irmã quem lhe gerou o feto. Por amor e não por dinheiro.
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De Robinson Kanes a 20.07.2017 às 15:05

Cuidar de uma criança, ou melhor, querer cuidar de uma criança não deve, de facto, chocar ninguém, penso que isso é ponto assente. Penso que teremos também de esperar alguns anos para perceber os efeitos da adopção por casais do mesmo sexo, por exemplo. Não numa lógica de crítica, mas numa lógica de validação e até de aproximação aos demais casais… Podemos assim retirar conclusões que podem fazer cair por terra (ou alimentar) muitas críticas negativas.

É preciso uma visão humana e que possa também congregar demais áreas e acima de tudo, numa área em que é difícil não fazê-lo, tirar o "coração" das conclusões. Como em várias outras questões, tento retirar a minha convicção pessoal, mas também aquilo que o coração me diz.

Falas do teu caso pessoal, e isso moldará a tua opinião, embora também pudesse ter sido problemático seguindo outros "trâmites". No fundo, prova que as coisas não são tão lineares como queremos.

Ser "trendy" levanta outras questões, porque sempre que algo é "trendy" muitas outras coisas basilares ficam pelo caminho. Perdem-se as bases… Falas da selecção de genes, mas o argumento que defende uma actuação não poderá ser utilizado para defender a outra?

São muitos os casos em que é negócio… Infelizmente são mais os casos em que é um negócio. Espero também que nesse caso exista maturidade familiar para que a criança um dia perceba qual a sua origem, e aí entramos numa outra questão que já vai para além da mera "barriga de aluguer"… É um tema complexo, como referi e com consequências ao longo dos anos. Mas aí voltamos à questão que quis focar neste artigo e sobretudo no que se lhe seguiu: a capacidade de gerir limitações, de aceitar condições ou de procurar outras alternativas… Sem criticar uma ou outra visão, é fundamentalmente isto que procuro perceber e que acredito não ser tarefa fácil.

Um dos pontos de partida, e mesmo assim com muitas limitações, que cada indivíduo respondesse claramente qual a motivação que o leva a seguir determinada opção e porque exclui as outras.

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