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A Doença Que Nos Acossa!

por Robinson Kanes, em 19.01.17

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Jean Baptiste Greuze, A Maldição Paternal (Museu do Louvre)

 

Cada vez mais, tenho a impressão que andam todos tão empenhados em ser felizes nas redes sociais e junto dos amigos que se esquecem de ser felizes em casa, no trabalho ou até quando ninguém está a ver.

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Naturalmente, estarão a pensar, porque é que me atrevo a afirmar tamanho ultraje... na realidade, é que nem a desculpa do “solinho faz bem à saúde” permite a uma grande parte de nós estar bem de saúde! Se é na Irlanda é porque chove e ficamos doentes, em Inglaterra o mesmo, na Suécia morre-se com depressão... então e o “solinho” em terras de D. Afonso Henriques? Parece não ajudar.

 

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o cidadão português é o indivíduo mais” doente” do dito mundo desenvolvido, ou melhor, o que mais se sente em baixo no que toca a essa variável. Desenganem-se todos aqueles que pensam que o rosto fechado do alemão é por doença, ou que a frieza do holandês ou do norueguês é causa de uma patologia no intestino e sem qualquer cura possível...

 

Os portugueses são o povo que se vê como o mais doente à face da terra! Até o húngaro carrancudo e com ar de prisão de ventre consegue ter mais saúde que nós! Até os gregos andam melhores que nós e comem molho Tsatziki antes de atacarem um borrego grelhado com especiarias que nunca mais acabam! Até nos Estados Unidos, onde ir ao médico é o mesmo que comprar um apartamento de luxo na baixa de Chicago sem saber como é que se vai pagar, até aí... as pessoas se sentem mais saudáveis que nunca! Mesmo em países onde a sigla SNS (Serviço Nacional de Saúde) é uma espécie de sonho em ganhar o Euromilhões... até aí, as pessoas se sentem mais saudáveis.

 

O que se passa com o portugueses? Será que a minha lógica do “cara de atum” afinal tem uma base científica que corrobore o meu devaneio?

 

Daqueles que se queixam por tudo e por nada seja o reino dos céus, já dizia Cristo, segundo S. Mateus, pois deles serão os estudos que corroboram tanto mal-estar!... 

 

Fonte da Imagem: Própria

Fonte do Gráfico: OCDE Estatísticas da Saúde, 2015.

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1 comentário

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Sónia Pereira a 19.01.2017

Aí está outro tema que daria para uma tese de doutoramento.
Recordo um texto que li (já não sei aonde) de um estudioso, isto no século XVIII ou XIX, que visitou vários países para tentar caracterizar os seus povos. Já nessa altura, os portugueses foram caracterizados por ele como pessoas que viviam das aparências e, simultaneamente, muito fatalistas.
Na realidade, vemo-nos sempre como os mais desgraçados, competimos entre nós sobre quem é mais doente, mas, num paradoxo, gostamos das aparências, de passar a imagem de que tudo está bem, de que perfeição. É uma bipolaridade estranha, lá isso é.
Não sei se o comportamento de desgraçadinho terá a ver com algum síndrome de inferioridade que foi germinando durante séculos ou se será mesmo de natureza mais genética, característica do nosso povo.
Parece que a vida não pode ser vivida sem uma grande dose de desalento à mistura, como se fossemos todos uns niilistas, uns poetas da desgraça.
Alguém que estude o assunto e depois nos venha dar conta da génese do nosso mal-estar.
Com isto, recordei um sketch dos gatos fedorento de duas velhas a competirem para ver qual delas tinha mais doenças. :)

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