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A Cura do Teu Sorriso...

por Robinson Kanes, em 12.05.17

 

IMG_3166.JPG

 

Fonte da Imagem: Própria

 

Previa-se um dia de chuva mas, como sempre, não foram as previsões que nos demoveram de acordar cedo e partir à aventura.

 

Na estrada, ao longo da linha longitudinal, os pneus secos confirmavam as falsas profecias. A prometida enxurrada não atrasaria a viagem e agora, só o sol do Alentejo nos acompanhava entre a secura do interior e a frescura daquele litoral que segue entre ravinas e pequenos areais até à Ponta de Sagres. É aí que o atlântico encontra o calor da terra, é aí que se aquece e se deixa afundar entre xisto e areia.

 

Foi também nessa paz terrena, enquanto percorríamos a estrada britada da Praia de Vale dos Homens, que te olhei e entre a sombra dos pinheiros e o azul do mar contemplei a tua forma de ser. O nosso Billy Joel retrata-te na perfeição, lê-me os pensamentos quando diz que o teu sorriso me consegue curar, mesmo eu não sabendo como.

 

Vejo-te sair do carro, caminhas em direcção ao mar - mar calmo - como se de repente tenha decidido conter as suas ondas e aproximar-se da costa, lentamente, para diante de ti se debruçar e venerar-te qual pretendente de Turandot que não teme o risco da morte só por te desejar.

 

Contemplo-te, observo-te a caminhar qual menina da serra que encontra no mar o equilíbrio perfeito entre a frieza pérfida das montanhas e o temperamento dócil de menina... Tão teu, tão único. Só consigo ver esse sorriso quando caminhas na chuva, qual Senhora que não corre, mas caminha de cabeça erguida apreciando com os teus lábios cada gota e deixando a pele absorver a natureza no seu estado mais puro.

 

Ao longe, fotografas os únicos seres humanos que ocupam a praia, um casal que, de calças arregaçadas, observa o filho a brincar nas pequenas poças de água que sobrevivem à maré baixa. Não tenho dúvidas que pensaste na fotografia de Druet e na praia de Trestignel. Com a tua capacidade de conjugar o passado e o presente, encontraste aquele menino, vestido de marinheiro, pela mão do pai a sentir as pequenas ondinhas que invadiam aquele pequeno lago...

 

A ti, o mar acolheu-te e tu aplaudiste. Lançaste aquele olhar longínquo de quem abandona o espaço dos homens e entrega a alma às águas. Deixaste que o mar, também submisso à força da tua natureza te envolvesse. Tens noção do ser mortal que és e de como fazes parte dessa natureza finita é assim - mesmo quando te digo, a ti crente, que Deus é uma criação dos homens para não se suicidarem - que encontras a plenitude e o equilíbrio entre o teu ser e aquilo em que acreditas realmente, que sentes no contacto e na união do teu corpo com todas as coisas que te rodeiam. Deixas que as tuas emoções, ali bem contidas, qual onda que espera irromper pela praia, sejam uma forma de apreender o mundo. Deixas que o halo da natureza te cubra e te afaste de tudo, inclusive de mim.

 

Tens uma luz em ti, diz o Billy... E eu, na minha insignificância perante tal espírito puro, aceito que, onde quer que vás, te rodeia um milhão de sonhos de amor!

 

 

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