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A crise que está a caminho...

por Robinson Kanes, em 27.08.19

What should startups do when they encounter a cris

Créditos: http://elitebusinessmagazine.co.uk/sales-marketing/item/what-should-startups-do-when-they-encounter-a-crisis

 

Andamos todos a gastar que nem doidos, pouco interessados (mais uma vez) na produtividade porque, mal ou bem, o consumo exagerado e o dinheiro que vai chegando da União Europeia e outros expedientes vão segurando a economia (os expedientes vão deturpando). Contudo, depois do efeito devastador da última crise a próxima pode ser ainda pior, sobretudo porque novos actores estão mais activos quer em termos políticos quer em termos ambientais e sociais.

 

O mundo de há 10 anos não estava tão ameaçado por guerras comerciais e bélicas e os problemas ambientais eram menores (embora a tendência fosse de aumento). Também a diplomacia estava menos tensa e os próprios media tinham menos poder de monopolização e distorção da informação: mais do que nunca, hoje é possível desencadear uma guerra só com uma ou duas "fake news". As massas nunca estiveram tão apáticas e a inteligência artificial (IA) ainda estava muito longe (pelo menos para o público em geral, porque a mesma já existe há muito, a capacidade de operar e monitorizar é que era muito fraca). Também a questão das migrações é um problema global que continua a não ser combatido na origem. Estamos perante um tema cuja defesa se dá sob a capa do politicamente correcto e a servir de palco para alguns actores mostrarem quão caridosos são.

 

Pelo mundo, a produção industrial está a abrandar, as trocas estão a cair e as maiores economias começam também a dar sinais de  abrandamento. As soluções de há 10 anos podem também não resultar, afinal as taxas de juro estão mais baixas que nunca e as divídas soberanas mais altas. Por cá, o normal, continuamos a gastar e António Costa até brinca quando se fala de divída externa - continuamos a gastar, e a esquecer que tudo se paga. A Moody's já avisou que a tendência de decrescimento vai ser o normal nos próximos três/quatro anos. A acompanhar este pessimismo temos também a OCDE e o FMI a reverem os números. Além disso também é importante termos em conta que a injecção de dinheiro fácil na União Europeia e Japão algum dia tem de terminar.

 

Juntem a tudo isto uma China a crescer menos, a crise com os impostos comerciais, o Brexit (que ninguém sabe como vai acabar/começar) e temos o caos montado, sobretudo com uma Europa que não cresce: vejam o primeiro semestre e uma Alemanha com fortes hipóteses de entrar em recessão - a crise dos motores a Diesel ainda está a provocar muitas baixas.

 

Outra realidade é o facto das empresas estarem a controlar investimentos (a guerra comercial assusta quando se fala de investimentos no exterior e a expectativa de uma crise também). Temos também o dilema de que a teoria do crescimento tem de sofrer uma nova abordagem na medida em que os recursos nunca foram tão escassos face às necessidades de um mundo que não quer parar de crescer e consumir, sobretudo nos países mais industrializados. Temos de repensar os pilares económicos, sociais, humanos e ambientais sob pena de estarmos a entrar em colapso iminente. É fundamental desenvolvermo-nos e garantir a sustentabilidade económica sem crescimento desenfreado.

 

É necessário que a comunidade como um todo se mobilize, a cidadania se mostre, se encontrem novas formas de governar - lá por fora já vai falando do localism , por cá, fala-se pouco e porque é um conceito giro. Não pensamos em como vamos gerir todos os desafios, pensamos no agora quando o amanhã é isso mesmo, já amanhã ou até daqui a umas horas.

 

Quero também deixar uma nota para a questão do emprego. Não sou um pessimista em relação a todo um mundo que é a IA, mas é importante estarmos preparados e começarmos a discutir tudo aquilo que aí vem. Por incrível que pareça, a chegada em força da IA vai-nos tornar mais humanos e provocar essa necessidade no mercado de trabalho, temos sim, de estar preparados para tal. Nos países onde a veia humana e a criatividade são combatidas, podemos ter um grande problema - Portugal é um deles.

 

Também por cá as coisas também não têm tudo para correr pelo melhor, nem sempre sabemos administrar os fundos, não nos desenvolvemos assim tão bem (estamos a reboque de outros actores) e continuamos a viver com meia-dúzia de empresas que vão suportando o tecido económico e empresarial e até aniquilindo demais concorrentes. Acreditamos no Turismo e com isso justificamos todos os atropelos e mais alguns - as consequências não tardarão. O Estado continua a gastar e a adiar a sua própria reforma a troco de votos dos funcionários públicos - por isso talvez nunca falte dinheiro para "luxos" mas falte para ambulâncias.

 

A cimeira do G7 em Biarritz e sobretudo aquela (menos badalada, mas quiça mais importante) que teve lugar no Wyoming não acontecem por acaso. E se existem muitas soluções que podem ser colocadas on track, o intuito deste texto é demonstrar que o diabo (como ficou convencionado chamar a estes acontecimentos) talvez não se tenha ido embora e ande por aí à procura de uma oportunidade - porque o diabo são todos aqueles que não aprendem com o passado e que não se preparam para o futuro. 

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25 comentários

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Cecília a 27.08.2019

as crises dão dinheiro a ganhar a certos alguns. por isso, o ciclo não é interrompido.

claro que isto desculpa o sistema.

quem não tem desculpa é a carneirada acéfala que alimenta, paga e é esmagada pelo sistema.
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Robinson Kanes a 27.08.2019

Sim, embora tenha de assumir que nem sempre vai para aqueles que puxam pela economia. A crise bancária em PT, por exemplo, foi muito mal gerida e é uma das maiores faltas de respeito aos cidadãos. Ninguém está muito importado, apenas uma certa malta do "BES" que ficou sem os "investimentos tóxicos".

A "carneirada" alimenta porque ignora o passado e vive na ambição de chegar o dia em que alguém dia "a crise acabou" para voltar a gastar como se não houvesse amanhã. Aliás, houve em PT quem declarasse o fim da crise por isso mesmo.
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Folhasdeluar a 27.08.2019

Caro Robinson...a minha teoria,(catastrofista), é a de que o mundo económico nunca vai aprender a lição. A ganância vai sempre sobrepor-se à inteligência. Virá o dia em que a economia não poderá crescer mais. Consumir mais. Desenvolver-se mais. Chegará o dia em esgotados os recursos naturais. Esgotada a capacidade do planeta para absorver o dióxido de carbono. Voltaremos às "origens", milhões sofrerão e morrerão, de fome, e de guerras...mas a Terra vai sobreviver.
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Robinson Kanes a 27.08.2019

Partilho da teoria, mas tento não pensar muito na mesma, até porque significa baixar os braços quando ainda existem hipóteses, muito remotas, bem longe, mas existem. O ser-humano de outros tempos podia ser apelidado de não estar "a par" do mundo, mas o de hoje não tem desculpas para errar.

Alterar a forma de crescer encerra desafios, encerra mudanças e muitos sacrifícios, será que estamos dispostos a isso? Será que quem optar por outro caminho tem mercado? Alguns casos de sucesso já vão existindo. Mas nem em todos os mercados isso acontece...

No fundo, só estamos a acelerar um processo (ao nível da Terra) que acabará, como sabemos, com a mesma a ser engolida pelo sol daqui a muitos milhões de anos.
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Folhasdeluar a 27.08.2019

O problema é que a alteração ao tipo de vida que sabemos ser necessária, não se coaduna com o sistema económico actual. Teríamos que prescindir de imensas coisas que não nos fazem falta, mas que a propaganda consegue impingir. Por exemplo, os carros eléctricos permitem diminuir a quantidade de gases na atmosfera...mas..e as baterias? E as baterias dos telemóveis? O lítio é explorado a céu aberto, logo iremos destruir imensas áreas naturais. E quando acabar o lítio? Ah...isso não interessa depois logo se resolve. Ora é nesta expressão que reside o problema do Homem, um dia as coisas irão resolver-se, só que da forma mais cruel.
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Robinson Kanes a 27.08.2019

Existem coisas que "não poderemos" eliminar, pelo menos de um momento para o outro... Não sejamos irrealistas, é um facto.

Sabe que se as coisas apertarem, temos mesmo. Além disso existem leis para alguma coisa, podemos é estar a matar mercados, países e muitas e tantas organizações que dão trabalho a muita gente - é preciso diversificar e sim, sacrificar.

Mesmo o carro eléctrico tem muito que se lhe diga no seu processo de fabrico. O lítio é outro daqueles problemas e o hidrogénio ainda está na fase da resolução de problemas, nomeadamente a sua armazenagem (num depósito comum, face ao frio, congela, por exemplo). E já nem falo dos custos de "produção".

Em relação ao lítio, de facto, é importante pesar muito bem os prós e os contras e consequentemente a emissão de licenças. É importante que não seja, e passo a expressão, à toa. Não podemos ter um ministro do ambiente que declara o fim do gasóleo e depois destrói o património natural do seu país.

Perante uma catástrofe as coisas teriam/terão que mudar... E quando falo de uma catástrofe, falo mesmo de uma grande catástrofe. O ser-humano só lá vai por medo, espero que desta vez não seja necessário chegar a tanto.
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Folhasdeluar a 27.08.2019

Mas vai chegar... os objectivos da humanidade se tornarão mais "humanos" perante a catástrofe...ela virá e depois lá teremos mais uns milhares de anos à nossa frente...para continuar a destruir o mundo...ou então aprenderemos a preservá-lo...
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Robinson Kanes a 27.08.2019

E custa tão pouco ser humano...
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Folhasdeluar a 27.08.2019

Leia-se tornar-se-ão...não sei onde fui buscar o" se tornarão"...
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Robinson Kanes a 27.08.2019

Não se apoquente. Quando escrevo no telemóvel, depois vejo mais tarde... às vezes é com cada arrepio :-)))
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MJP a 27.08.2019

Olá, R.! :-)

Aplaudo ("de pé") o que escreveste!!!

"hoje é possível desencadear uma guerra só com uma ou duas "fake news""
(algo tão "real e terrivelmente assustador...)

"As massas nunca estiveram tão apáticas"
(apáticas e "permeáveis à manipulação"...)

"o diabo são todos aqueles que não aprendem com o passado e que não se preparam para o futuro"
(plenamente de acordo... e... são tantos!!!...)

Beijo
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Robinson Kanes a 27.08.2019

Hi MJ,

Obrigado, não é preciso tanto. É só a visão de quem está a ver as coisas a acontecer, sem entrar em números e coisas mais complexas. Até posso estar muito errado :-)

O diabo está em todo o lado, podes crer :-))))

Beijo,
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MJP a 27.08.2019

Lamentavelmente... não creio que estejas (nada) errado! :(

Pois... o "diabo"...

Beijo
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cheia a 27.08.2019

Felizmente, cada vez, há mais consciência de que não poderemos continuar a desbaratar os recursos naturais,
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Robinson Kanes a 28.08.2019

Será que no cidadão comum há?
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cheia a 28.08.2019

Boa pergunta! Penso que não.
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José da Xã a 29.08.2019

O problema de Portugal é endémico.
Não vale a pena andarmos a gastar latim com gente que não nos escuta. Apenas interessa o umbigo deles.
Mas nós lusos descendentes daqueles que "não se governam nem deixam governar" continuamos a assobiar para o lado.
O que interesse é que venham mais 10 cêntimos todos os meses na pensão...
E mais não digo. Porque sei coisas que nunca deveria saber!
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Robinson Kanes a 29.08.2019

Se fosse só o José... E, no fundo, todos sabemos de muita coisa, mas parece que existe sempre o medo de falar, de apontar e de corrigir.
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Maria Araújo a 30.08.2019

Os portugueses não aprendem com nada, vivem a vida como se não houvesse amanhã e havendo uns trocos para ir à bola, comer e beber, o resto vai-se pagando, e se pagar.


"Perante uma catástrofe as coisas teriam/terão que mudar... E quando falo de uma catástrofe, falo mesmo de uma grande catástrofe. O ser-humano só lá vai por medo, espero que desta vez não seja necessário chegar a tanto."

Nunca duvidei.
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Robinson Kanes a 30.08.2019

O problema é mesmo o "e se pagar"... Enquanto não existir uma "mão forte" que diga: tem de pagar, vai ser complicado.

:-)

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