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O Estuário do Tejo...

por Robinson Kanes, em 09.08.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O Estuário do Tejo... A Reserva Natural do Estuário do Tejo, esse espaço em vias de extinção, uma extinção há muito anunciada, ou não fosse o estado de abandono da mesma por parte das autoridades nacionais. Tanto se fala da preocupação com o ambiente, mas é mesmo às portas da (e na própria) capital que se assiste ao apagar de um património que, depois de destruído, será irrecuperável. O "senhor Ryanair" é que já deve estar muito satisfeito e a preparar a sua espingarda para começar a caçada aos pássaros.

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Mas o que está em risco? O que é que podemos perder com o novo aeroporto e a construção desmedida que está a tomar conta desta zona que, supostamente, deveria ser protegida? Onde estão os ambientalistas? Onde estão os partidos da natureza? Onde está a promessa de cuidar do ambiente e do nosso património único? Já deixaram que os incêndios destruissem o nosso país, permitiram que industriais sem escrúpulos destruissem os nossos rios, só falta acabarem com este estuário!

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Quem toma conta desta espécie que, por sinal, é protegida - a Garça Real (Ardea cinerea)?

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E esta "passarada"? Vamos destruir umas das principais rotas migratórias do Mundo? Este é um espectáculo singular na Primavera e no Outuno que vai deixar de existir!

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E o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo), o terror do peixe na maré baixa. Quando em bando é um espectáculo digno de ser ver nas margens do Tejo. Um autêntico ataque aéreo digno de registo!

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E os flamingos do Tejo (Phoenicopterus roseus) os autóctenes e os migratórios? Andamos todos vestidos à flamingos, com bóias e vestidos pirosos mas ignoramos a sua destruição? Mas que apropriação é esta ou já encaramos os mesmos como mera peça de decoração?

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Será que uns voos mais baratos valem a destruição de todo este espaço? Valem a construção de mais uma infraestrutura gigante, de mais uma ponte e de todo um desastre ambiental sem precedentes? E quem estamos a satisfazer a pretexto do desenvolvimento do país? Os interesses da AHRESP? Dos novos empresários do turismo que desconhecem o conceito de turismo sustentável? De políticos que nunca responderam por estes crimes? Temos um aeroporto em Beja a apanhar pó! 

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Já percebemos que o Governo actual (e muitos dos anteriores) falharam em toda a medida na defesa dos interesses do cidadão comum e do país... Por quanto tempo mais vamos deixar que estes crimes continuem sem pelo menos lutarmos por aquilo que é nosso para sempre e não somente por legislaturas de 4 anos? E porque não estamos também a ter em conta a subida no nível dos mares e os impactes que isso terá numa zona como aquela onde querem localizar o novo aeroporto?

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Defendam o pouco que ainda resta de bom no vosso país! 

 

P.S.: há pouco mais dois dias, um avião da United aterrou de emergência devido ao embate com uma ave. A situação ocorreu no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Imaginem no Montijo (que não é só Montijo, é o Seixal, Barreiro, Almada, Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Palmela, Moita, Benavente, Alcochete - e isto são apenas sedes de concelho).

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its-always-sit-peter-steine.jpgCréditos: https://condenaststore.com/featured/its-always-sit-peter-steiner.html

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar esta contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma  cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado, em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do «mobbing», do ódio social.

Korand Lorenz, in  "Os Oito Pecados Mortais da Civilização".

 

 

Confesso que esta semana tinha em mente continuar com uma escrita mais polite, digamos assim. O lado bom é que não se arranjam inimigos e inimizades na gestão, no entanto...

 

No entanto, já começa a ser exagerado esta preocupação com o que se passa no Brasil e nos Estados Unidos da América (EUA), como se o que estivesse a acontecer em ambos os países fosse alguma espécie de novidade (basta um pestanejar fora de contexto e temos o caos montado) - e contra mim falo que ligo mais ao que se passa lá fora do que às pequenas coisas que por cá ocorrem, já que às grandes, todos passam ao lado.

 

Mas enquanto andamos a criticar a polícia montada nos EUA que prende um indivíduo e o leva atado a uma corda para a esquadra deixamos que o Governo vigente e o presidente cool de Portugal continuem a defender a existência de portugueses de primeira e de segunda (e em alguns casos de terceira). Preferimos lamentar um atentado (e bem) mas não deixamos a toalha de praia enquanto o país arde! Terrorismo é invadir uma academia de futebol, incendiar um país é um lapso, invadir supermercados e esquadras de polícia são crimes menores. Terrorismo é termos um primeiro-ministro que não se mostra para não prejudicar a imagem e envia o Ministro da Propaganda Iraquiano, Augusto Santos Silva, o porta-voz de todos os Governos PS dos últimos anos - todos sabemos como Santos Silva se mexe nos media. Importa lembrar que Augusto Santos Silva é Ministro dos Negócios Estrangeiros mas tem tido a palavra em tudo o que é assunto/escandaleira de política nacional. Santos Silva diz "assunto encerrado" e todos os media se calam!

 

Mas voltando ao Texas... É isso, estamos no Texas (ao menos tivessem assistido ao "Walker, O Ranger do Texas") - esta gente urbana vê alguém com um chapéu à cowboy e pensa que o Texas é uma espécie de Namíbia! Até aqui se vê um Portugal a duas velocidades de pensamento. Na Venezuela, na Coreia do Norte, na Rússia ou na China aquele senhor teria sido imediatamente abatido ou transportado com os queixos a bater numa unimog! Trump também se enganou no nome da cidade onde teve lugar recentemente um atentado e é o colapso em Portugal! Pelo menos Trump tem um país daquele tamanho para pensar, por cá, com meia-dúzia de quilómetros, muitos nem sabem onde ficam as principais cidades do interior. Reforço, não sou defensor de Trump...

 

O selfie man demonstra também que ainda não perdeu os tiques corporativistas que traz do Estado Novo e "aumenta" os juízes em 700 euros! Não está mal, afinal também deixou que passassem dois ordenados mínimos, um para funcionários públicos e outro para cidadãos de segunda. Interessante em Marcelo é que aprova e depois condena, uma espécie de assassino da Democracia que dispara o tiro contra a senhora mas depois diz que não é bem assim que as coisas devem ser... Se isto não é populismo ou conivência com uma política podre, não sei o que será! Não esqueçamos que é este mesmo senhor que acha que sabe mais que o Tribunal Constitucional. Um dia admirem-se da ascensão do populismo que tanto temem... Só lhe estão a dar espaço.

 

Marcelo também é especialista em dividir o povo, já o fez em vários episódios e agora está a fazer o mesmo com os motoristas, tentando virar o país contra estes, agora até tem a companhia do raríssimo Vieira da Silva (alguém que num país verdadeiramente democrático já estaria preso!). Já não é a primeira nem a segunda vez que Marcelo o faz, seguindo a tendência do Governo! Que o Governo o faça, até se entende, mas um Presidente da República? É feio, é desonesto, já para não mencionar o contínuo desrespeito pelas polícias (excepto pela GNR, guarda pretoriana do regime) e pelos militares - não tivessem sido estes a destruir o seu sonho de ser Presidente do Conselho antes do 25 de Abril. Marcelo vai sorrindo cinicamente dos portugueses enquanto vai actuando na sombra! Marcelo só não se revolta com algumas figuras públicas com muitos telhados de vidro, com a Igreja, com as rádios e televisões e claro, com a "bola", onde o perdão de impostos e a corrupção é uma coisa aceitável, defendendo inclusive esse atentado (terrorismo político?) com compromissos internacionais. Nem a humilhação na OCDE mudou a atitude deste senhor que se vai comportando como uma espécie de político mexicano comprado pelos cartéis da droga, qual filme americano dos anos 80 sobre estas temáticas.

 

Reafirmo, não percebo a critica ao que se passa no outro lado do Atlântico, ou pelo menos o exagero. Nos EUA, Trump, o alvo perfeito, e Bolsonaro porque uma pseudo-elite brasileira (não todos os brasileiros) que se instalou em Portugal parece monopolizar a opinião em muitos media e até no panorama cultural nacional. No entanto, na Rússia, estamos a assistir à aniquilação da oposição e à tomada de poder no sentido de reactivar a União Soviética: Crimeia e Geórgia que o digam! Silêncio total... É mais fácil falar de encontros nacionalistas e querer uma democracia desde que seja com a minha vontade e lei. Não vejo ninguém a criticar as brigadas anti-fascistas e de extrema-esquerda que desfilam pelas ruas deste país, qual legião hitleriana invertida aquando do 1º de Maio, 25 de Abril e outras tantas manifestações. No entanto, vejo muitos destes criticos a partilharem as democráticas fotos das férias em países autoritários como a Tailândia, China, Vietname, Laos e Emiratos Árabes Unidos!

 

Debate em duas direcções precisa-se... Agora chamem-me o que quiserem, mas recuso ser alguém cuja embriaguez democrática atinge de tal forma o pensamento que o transforma num caos totalitário! Citando um dos grandes heróis de muitos destes senhores, Lenine, cada vez mais "a liberdade é um bem de tal modo precioso que tem de ser controlado", sobretudo face àqueles que a estão a usar para imporem o seu autoritarismo camuflado de bondade. Isto acontece sempre que a política se julga intocável e as pseudo-elites intelectuais julgam ter a desenvoltura mental que o comum dos mortais não consegue atingir!

 

P.S.: Deixo duas questões: Sr. Presidente, alguém em Maio/Junho prometeu o "fim" da corrupção em Julho, já estamos em Agosto? Como comentador profissional e autor dessa promessa, terá algo a dizer? Também prometeu que não se recanditaria se as tragédias dos incêndios se repetissem - em que está  pensar? Monchique, Mação, Vila de Rei e tantas outras tragédias com feridos e mortos, não são tragédias, são meros churrascos? Cuidado, não se faz política com a carne queimada daqueles que foram apanhados pelo desleixo do Estado. E ainda falta Tancos...

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llanes_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

De repente, as rodas travam e numa brusca viragem à direita segue-se em direcção ao mar! "Mas porque é que foi esta manobra?" perguntas... Mais um daqueles momentos em que o automóvel deixa o alcatrão e investe por caminhos onde as pedras saltam à passagem dos pneus. 

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Estamos entre Comillas e San Vicente de la Barquera... O dia já vai querendo despedir-se, a chuva ameça cair em força mas chega até nós em modo "molha-tolos". Caminho inacessível! Voltamos para trás, o carro lembra-nos as viagens aos Açores, com as cavas cheias de lama e esterco. Voltar atrás, novo caminho -"não me metas aí o carro" e lá se vai o branco nacarado - e eis que chegámos a uma pequena estrada de alcatrão... Encontramos a igreja, lá no alto, com o seu cemitério, pois sem ele e as suas promessas de vida eterna, arrisca ficar sem clientela.

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Paramos... Contemplamos o mar e os prados da Cantábria, sobretudo quando, mais uma vez, nos vamos despedir deste pedaço de terra... Onde fica a Igreja? Não conto, fica para nós! Mas é uma das melhores vistas da Cantábria!

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Estamos perto de San Vicente de la Barquera e como manda a tradição (a nossa), é preciso parar à entrada da ponte e apreciar o estuário com as montanhas de um lado (já se avistam os Picos da Europa) e o mar cantábrico do outro. Chove ainda, pouco, mas o suficiente para molhar os nossos rostos, o nosso cabelo que já pede uma lavagem. Cuidado, a chuva já não molha só tolos, vai ficando mais grossa... Ficar por ali... Simplesmente ficar a apreciar a ria. É o que mais nos encanta nesta vila piscatória, com o seu castelo e a famosa "Iglesia de Santa María de los Ángeles". Gostamos de estar por lá, descer à praia e beber o ar da montanha em perfeita harmonia com o a brisa marinha.

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As pontes, o colorido das embarcações, os ecossistemas e uma luz (ou falta dela) que nos transporta para aqueles dias carregados em que a ida ao mar é mais atrevida e onde o sustento dos homens da faina pode trazer a morte.

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Apesar de pequena, esta vila é carregada de história, com a sua origem romana (consta) até à ponte de "Maza" mandada construir pelos Reis Católicos, não fosse este um ponto de passagem fundamental entre a Cantábria e as Astúrias

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E por falar em Astúrias, Llanes está perto... É hora de fazer pouco mais de 30 km e partir em direcção às Astúrias. A diferença é reduzida, mas existem pequenos apontamentos que tornam as terras do Principado ligeiramente diferentes da Cantábria.

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Mais uma vila junto ao mar, histórica e com um património invejável! Llanes foi também vila baleeira e hoje o porto é uma pequena amostra do que outrora foi a azáfama naquela terra.

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De destacar a muralha e claro, a "Basílica de Santa María del Conceyu", data do século XII. Também não faltam edifícios de impar beleza como o "Casino de Llanes" e palácios nobres!

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A praia é também um dos atractivos especialmente a "Playa del Sablon". Mas deambular pelo casco antiguo e terminar essa caminhada junto à comunhão do Carrocedo com o mar é algo que não deixa ninguém indiferente. Começar o dia com esse percurso e terminar com uma tortilla de patata enquanto os comerciantes ainda iniciam a montagem das suas bancas é a experiência perfeita para ainda sentir o pulso à vila e imaginar o convívio entre pescadores e agricultores!

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A simpatia da Cantábria também aqui não sofre grandes diferenças e o tardio despertar também não, ou não estivéssemos em Espanha. Llanes é talvez uma daquelas vilas que podem ser o fim e o início de um dia de viagem, a aurora e o crepúsculo! Perder um destes momentos pode levar a que só possamos trazer "metade" da vila connosco.

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E ainda só entrámos nas Astúrias, mas até a "fabada" já tem outro sabor... Sobretudo se confeccionada com os sabores do mar...

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P.S.: Praias? O que não falta são praias! Quem quiser saber mais pode consultar este site e fazer download da APP - lá encontra também uma lista (por comarca) das praias asturianas. É super completa com os itinerários, descrição e infraestruturas entre outras informações muito úteis! Perfeito!

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Venga!

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Playlist para um dia de Verão Pós-Laboral...

por Robinson Kanes, em 06.08.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

Já lá vão uns tempos que não partilho um pouco de mim... Por norma, um pouco através da música e daquilo que nos transporta para outras dimensões do pensamento... Sem sair da realidade...

Um fim de tarde de Agosto... A varanda... Uma cadeira e a vista para lá, entre as duas árvores que sombreiam os melros no solo e acolhem o rouxinol que simplesmente fez um contrato com alguma editora e nos dá música o dia inteiro. 

Mas o que se ouve enquanto o copo com vinho branco já perde a sua frescura e pede um gole rápido para voltar a receber a frescura de um néctar alentejano?

 

Começo com a Andrew Bird, a noite ainda não chegou, talvez seja uma ótima transição para a azáfama de um dia que parecia não ter fim... Com esta música ficamos com a sensação de que o mesmo tende a não terminar, efectivamente... Mas terminamos numa paz onde a esperança reina, sobretudo em tempos conturbados. Se puderem, visitem a letra desta música, "Bloodless".

"Há o desejo, que não tem limite, e há o que se alcança, que o tem. A felicidade consiste em fazer coincidir os dois", quem o disse foi Vergílio Ferreira na "sua" "Conta Corrente IV"... Michael Kiwanuka com "Love and Hate"

Começo a perceber que o fim de tarde não será de grandes saltos... Será do vinho? Fresco, mas tranquilo na forma como nos acalma... "I Go to Sleep" dos "The Pretenders". Ainda é cedo para recolher a Morfeu mas nunca é cedo para ouvir esta música, nunca é cedo para nos deixarmos adormecer e acordar na manhã seguinte... Escutem a letra...

Continuo perdido em décadas distantes, mas o sol, a preparar o seu caminho até desaparecer faz-nos lembrar que, de facto, "Always the Sun" é que nos torna melhores... Não o astro, mas talvez aquele sol que podemos ter em cada um de nós. Fica o tema maior dos "The Stranglers".

O meio da lista deverá ser uma transição e a escolha passa por uma daquelas músicas que associo sempre a um fim de tarde na praia, antes de recolher e deixar que a noite se prolongue enquanto, sentados, entre amigos, vamos deixando que a espuma do mar, mesmo ali à frente da esplanada seja testemunha de momentos que, por certo, um dia vamos recordar certamente... Kings of Convenience com "Misread". Sabe bem dançar esta música, mesmo com os pés cravejados de bagos de areia.

O Verão, vida... Paixões e saudades, mesmo que os pés estejam sempre lá. Sons de Espanha, de Barcelona... E música para apreciar o vinho a rodar no copo numa dança frenética com o vidro!  Jarabe de Palo, com "La Flaca"...

Por un beso de la flaca daría lo que fuera
Por un beso de ella, aunque sólo uno fuera
Por un beso de la flaca daría lo que fuera
Por un beso de ella aunque sólo uno fuera
Aunque sólo uno fuera

"Seremos amanhã uma grande noite. E numa noite espessa é mais visível um fósforo aceso que um grande monumento às escuras". Novamente Vergílio Ferreira e "a" Conta Corrente IV... Obrigatórios até porque estão em cima da mesa, lá atrás... O mote para esta música e para continuar em Espanha com os Vetusta Morla e "Golpe Maestro".

De regresso à língua inglesa, trago para junto dos ouvidos os James. "Born of Frustration" é talvez uma das músicas mais conhecidas de uma banda que apaixona e sobreviveu a um certo hype que abundou há alguns anos e onde só algumas bandas conseguiram perpetuar a sua música. O copo abanou, é certo... Por pouco não se entornou o precioso néctar!

Para que não digam que não escolho música portuguesa e porque a noite mostra agora todo o seu negro contrastante com as estrelas e as luzes da cidade, "Nightfalls" dos "Best Youth"... Eu sei, eles não cantam em português, mas devo admitir que não é uma língua que me apaixone em termos de música. Os Best Youth são talvez uma das melhores bandas da actualidade e que poderiam estar noutros caminhos, bem mais altos...

Tenho de fazer isto acabar em grande... Talvez acabe com a banda que me acompanhou ontem durante uma boa parte da manhã . e assim ficamos com o mote para ainda aproveitar esta noite que promete ser quente... Tame Impala com um dos seus grandes hits, "Let it Happen". Move that body e dia 09 deste mês lá estaremos em Helsínquia no "Flow Festival"...

Apreciem o fim do dia...

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Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

por Robinson Kanes, em 05.08.19

IMG_0050.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A estrada deve levar-nos directos a Comillas. A A8 (Autovía del Cantábrico) é demasiado rápida para os nossos intentos... A Cantábria traz-nos a recordação da Bretanha e da Normandia até que entre Santander e o destino final esbarramos com Santillana del Mar!

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Voltamos atrás no tempo, além disso, uma sidra já não cai mal, sobretudo se vier acompanhada com uma tapa de morcela de arroz... Santillana del Mar é voltar atrás no tempo, como tantas outras vilas da Cantábria e de Espanha - começa na senhora com perfil de século XIV que nos cobrou o estacionamento. A "vila das três mentiras" (não é santa, não é plana nem fica perto do mar) transporta-nos para uma época distante onde o casario cantábrico salta à vista.

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O turismo é agora, muito provavelmente, a grande alavanca económica da vila, no entanto, a simpatia com que cada um de nós é atendido nas lojas, nos cafés e por todos aqueles que amam a sua vila é de sublinhar, constrastando talvez com os ferozes habitantes de outros tempos que andavam por Altamira, bem perto.

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O grande destaque é a "Colegiata de Santa Juliana" que entre o casario e os campos nos apresenta uma arquitectura singular de influências românico-góticas não datasse a mesma de finais do século XI, embora tenha origens no século IX ("Monasterio de Santa Juliana"). É o mais importante marco românico da região e isso é mais que suficiente para provocar alterações na rota!

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Bem... Isso e trazer dois sacos carregados de "Corbatas de Santillana del Mar", "Quesadas" (que em vácuo aguentam dias de viagem), "Piedras", "Sobaos" e muitas "Palmeras de Chocolate" - basicamente palmiers de chocolate mas com menos açúcar e bem mais... Enfim, saborosos? Este website tem algumas das receitas destes doces tradicionais e o lado bom é que podemos encomendar online! É uma pouca vergonha, admito, mas... Enquanto houver espaço na bagageira e uma praia como a de Santa Justa para destruir, qual monstro das bolachas, os palmiers... Nada a fazer...

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É hora de regressar à estrada e agradecer à senhora de ar medieval...

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

O nosso carácter é formado, não apenas pelas nossas liberdades, mas também pelas forças da memória e da história.

Orhan Pamuk, in "A Mulher de Cabelo Ruivo"

 

A verdade é que a onda anda por aqui, e sabendo que existem tantos seguidores do grande Bryan Ferry, esta semana deixo o best off dos Roxy Music - foi muito importante esta semana na medida em que me acompanhou todos os dias e admito que já não lhe pegava há uns tempo. Fez bastante companhia a um outro albúm, "Flesh and Blood". Deu bem para pensar, amar e abanar o "carolo". De facto, existem bandas intemporais e esta é uma delas, embora só o Bryan ande pelos caminhos da fama. Deixo-vos, do primeiro albúm, "All I Want is You" - se o albúm "Country Life" tivesse aquela capa hoje... Muitos dos que o compraram naquela época... Hoje, por "politicamente correcto", não o fariam. E eu em 1974 nem sequer era imaginado! Do segundo, malhar com "Eight Miles High".

Já falei de Pamuk por aqui e agora volto, depois de "Uma Estranheza em Mim" e de uma passagem por Istambul, ao autor que nos faz apaixonar pelas personagens de uma forma que temos uma certa ânsia de que as mesmas sejam reais para as podermos abraçar e consolar. Pamuk é exímio a criar essa ternura... Partilho "A Mulher de Cabelo Ruivo", como habitualmente, não vou explorar o livro, mas posso dizer que o final é uma grande surpresa, algo a que Pamuk já nos habituou... Gosto da Turquia, gosto de Istambul, admiro Orhan Pamuk.

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Agora é altura de "voltar" muito atrás, ao início dos anos 60 do século XX e lembrar "La Notte", o primeiro Urso de Ouro italiano e um filme brilhante realizado pelo grande Michaelangelo Antonioni. Com Marcello Mastroiani (eu sei, falo muito deste senhor, eu sei) e a saudosa (falecida recentemente em 2017), Jeanne Moreau. A deterioração da relação entre o casal, a infidelidade e todo o definhar daquilo que entendemos como estar a dois... Basicamente, os finais não têm de ser todos perfeitos. 

E porque já percebi que andam aqui muitos "bebedolas", nada como acompanhar uma música, um livro ou um filme com um tinto... Uma surpresa, "Conde de Arraiolos Reserva", a Herdade das Mouras brinda-nos com um vinho elegante e sem entrar em grandes loucuras no que concerne a gastos! É de Arraiolos, só podia ser bom!

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Finalmente, se estiverem de férias ou fim-de-semana e a abraçar os vossos filhos ou até simplesmente a pensar como é que vão pagar 150 euros por umas sapatilhas para que eles não fiquem "atrás" dos colegas em Setembro, podem sempre pensar que neste nosso mundo, metade dos 1.3 biliões de pessoas "multidimensionalmente" pobres, são crianças/jovens abaixo dos 18 anos de idade sendo que um terço tem menos de 10 anos...

 

Bom fim-de-semana,

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Atravessar a verde Cantábria!

por Robinson Kanes, em 01.08.19

san_vicente_de_la_barquera.jpgCréditos: Robinson Kanes e GC

 

 

Castilla y León fica para trás e com ela também a "Provincia de Burgos", entramos agora na Cantábria. É estranho sentir uma certa saudade da aridez de Castilla y León, ou até da Extremadura... Por vezes, temos a sensação que estamos numa paisagem lunar, sobretudo na segunda região. Naquelas terras há algo que me encanta - o cheiro daqueles solos secos, aquele calor que nos faz suplicar por uma pequena brisa fresca. Isso consegue ser fascinante, sobretudo quando matamos a sede com águas do "Valle del Jerte" e tragamos uma fatia de presunto ibérico enquanto admiramos o quadro criado pelo horizonte!

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A Cantábria fecha as portas a essa Espanha e abre-nos um novo mundo, um mundo que desejamos percorrer e onde o verde reina, onde tudo é verde - já pareço Miguel Torga a falar do Minho, onde até o vinho "era" verde. Mas na verdade, entramos numa outra Espanha, num outro mundo onde a natureza é tão pura, em muitos casos praticamente intacta. Sabe-nos bem parar, mesmo em terras mais pequenas como Mataporquera ou Retortillo e ficar a admirar as montanhas junto à igreja! 

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Sabe-nos bem desviar caminho e percorrer os vales dos rios "Saja" e "Nansa", ou os chamados "Valles Altos del Nansa y Saja" - apetece-nos "beber" aquelas águas, interiorizar aqueles picos, inundar o nosso nariz de aromas contidos num mundo ideal e perfeito! E os ursos! Os ursos da Cantábria... Os ursos e toda aquela fauna de lobos, águias imperiais e tantos outros bichos! Genial... É fascinante poder observar tantas águias imperiais  ibéricas (aquila adalberti). Espécie em perigo... São imponentes e belas, mesmo debaixo de um tempo que nem sempre é convidativo, não conseguimos abandonar as montanhas: o espectáculo é único...

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É bom percorrer aquelas estradas, seja via A-67 ou até via N-623! É simplesmente belo... Não poderia ser de outra forma quando se está entre as Astúrias e o País Basco... Temas para outras conversas...

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A Cantábria é também desenvolvimento, e a sua grande cidade, Santander, disso é exemplo! Se a chegada até nos pode dar a sensação de estarmos a entrar numa zona muito industrializada, aí chegados, percebemos que as coisas são diferentes - cidade rica, com casas belíssimas e onde se encontra o "Palacio de la Magdalena", localizado na garbosa península com o mesmo nome! Santander apresenta as suas ruas, percorridas de gente distinta, sobretudo no seu centro perto da Catedral ("Santa María de la Asunción") e do ayutamiento.

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É agradável também percorrer toda a marginal (não esquecer os "Jardines de Piquío") e mergulhar nas "Playas de los Peligros e de la Magdalena". No entanto, é no Sardinero e na "playa" com o mesmo nome que gostamos de estar... É lá que temos boas recordações...

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Ir ao "Mercado de la Esperanza" é obrigatório, como é obrigatório percorrer os "Jardines de la Pereda" e toda aquela promenade... É obrigatório o Museu Marítimo e também o "Centro Botín". No entanto, é mesmo nas ruas que se sente a cidade e porque não no "Barrio Pesquero" - esta paixão por portos, enfim...

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A Cantábria, comete o "erro" terrível de tirar uma percentagem do fascínio que temos quando chegamos às Astúrias. Porque de facto, é uma região única e singular, como o contrário... Se deixarmos as Astúrias e entrarmos na Cantábria, percebemos que afinal, toda aquela falta de fôlego está para continuar...

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Sentemo-nos e apreciemos a "Bahía de Santander"... Até porque ao longe temos o "Estuário del Miera" e a "Playa de Somo"...

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1000.jpegCréditos: AP/Sam Mednick

 

O Sudão do Sul é mais um daqueles países que, pontualmente, tem 20 segundos de atenção nas notícias e pouco importa para todos nós! O "folclore" dos refugiados no Mediterrâneo tem mais impacte, no entanto, esquecemos que a origem não está nas águas deste mar... Está em locais mais longínquos.

 

Num país devastado pela guerra e consequente violência, travam-se guerras "anónimas". São guerras travadas entre guardas armados de metralhadoras automáticas e caçadores furtivos. Os primeiro defendem as reservas da tirania dos segundos e também da invasão humana. Muitos destes guardas são também antigos soldados que combateram na guerra e agora travam uma guerra que já não é civil mas sim contra aqueles que querem destruir uma das, se não a maior, riquezas do Sudão do Sul: os parques nacionais! São seis parque nacionais e 13 reservas de caça (13% do território).

 

Num país onde a guerra matou mais de 400 000 pessoas e cuja paz ainda é recente e frágil, procura-se agora estimular um turismo sustentável e promover o estudo de todos estes espaços - alguns passos já foram dados em relação ao elefantes da floresta e à grande migração dos antílopes, uma das maiores do continente. No entanto, a tarefa não é fácil: a disseminação de armamento e a sede de consumo dos países desenvolvidos são promotores da caça furtiva! Também os recursos são escassos, num país que investe, mesmo assim cerca de seis milhões de dólares na defesa da natureza (é pouco, mesmo assim, mas acredito que bem mais que num país como Portugal - mais rico, por sinal).

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Créditos: AP/Sam Mednick

 

Esta é uma guerra que não pretende dar tréguas - para que se tenha uma ideia, os guardas do parque dormem sempre separados, pois os ataques dos caçadores furtivos a estes são constantes e a garantia de que pelo menos alguns possam sobreviver já é uma conquista! Estes são os verdadeiros guardas da Natureza, ou melhor, os soldados da Natureza que além de lidarem com autênticos guerrilheiros ainda têm de conter o avanço das populações que, com a exploração agricola, vão devastando importantes áreas protegidas. Juntem-se a isto as ameaças de morte e temos um cocktail explosivo!

 

Todavia, entre a crueldade existem sempre focos de esperança. É importante ter em conta que estamos num país em ruinas e no centro de África, mas surgem iniciativas no sentido de mostrar e explicar este valioso património às crianças, de fazer viagens de campo colocando as crianças "em contacto" com os animais - só assim a destruição poderá dar lugar à preservação e criar uma mentalidade de união nacional na defesa daquele que é um património do Sudão do Sul e de todos nós! Também assim, o Sudão do Sul está a investir em futuros soldados da Natureza e também em, quiçá, futuros técnicos de turismo ambiental e sustentável ou até biólogos e investigadores!

 

Com o apoio de entidades estrangeiras mas ainda sem o peso de muitas associações ou ONG (que, não raras vezes, atrasam o processo e não criam empowerment nas populações), podemos ter aqui um exemplo para o mundo. Talvez assim, também possamos ser mais activos na defesa do ambiente no nosso país, até porque andamos preocupados com as políticas ambientais de um país (sempre o mesmo) do outro lado do Atlântico e fechamos os olhos ao que se passa por cá e no resto do mundo.

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O Padeiro que pôs a mão na Massa...

por Robinson Kanes, em 30.07.19

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Créditos: https://franschhoek.org.za/event/bread-making-course-bread-wine-restaurant/

 

 

Se descobrires uma vida melhor do que governar, para os que devem governar, podes conseguir um Estado bem . administrado. Pois só nesse mandarão aqueles que são realmente ricos, não em dinheiro, mas naquilo em que deve abundar quem é feliz - uma vida boa e sensata. Se, porém, os mendigos e os esfomeados de bens pessoais entrarem nos negócios públicos, pensando que é daí que devem arrebatar o seu benefício , não é possível que seja bem administrado. Efectivamente, gera-se a disputa pelo poder, e uma guerra dessas,  doméstica e interna, deita-os a perder, a eles e ao resto da cidade.

Platão, in  "República"

 

 

Em tempos, ouvi a história de um senhora cujo filho não estava a aproveitar os milhares de euros que eram investidos pelos pais, trabalhadores incansáveis, num curso superior na Universidade Católica. Fiquei imediatamente a pensar se o indivíduo não andaria nos copos e nas farras que a vida de estudante encerra, aquela vida pobre e de muito sacrifício. Para mim sempre foi, sobretudo quando visitava alguns colegas em residências universitárias e não conseguia estacionar o 206 porque as mesmas estavam com os estacionamentos ocupados por carros de alta cilindrada.

 

Na verdade, o que retirava o jovem das aulas durante o dia e durante a noite era outro vício bem mais perigoso que as drogas, as mulheres da vida ou a bebida: a juventude partidária! Com efeito, quando questionado pela mãe sobre a má-vida, a resposta foi "estudar agora não é muito importante! Importante é dar-me com esta malta que isso é que vai fazer o meu futuro". 

 

A verdade é que os licenciados em juventudes partidárias tendem a ser um cancro para o país, sobretudo quando nem fazem a licenciatura e escolhem carreiras mais modestas mas, sem dúvida, em muitos casos, mais interessantes, porque não padeiro? Uma nota: vejo mais arte num padeiro que num administrativo que "apenas" actualiza folhas de Excel.

 

Ser padeiro, profissão antiga e que merece o meu maior respeito, pode também abrir portas para ser especialista em protecção civil! E quando isto acontece... Temos a empresa que vende golas (uma empresa de Turismo de Aventura criada, aparentemente só para aproveitar a onda financeira dos incêndios de 2017), que por sinal é do amigo e da esposa (que por mero acaso é militante do nosso partido), a vender serviços ao Estado. Temos esse famoso especialista a colocar em risco a vida de todos os portugueses que possam necessitar das respectivas golas... E isso é normal, porque padeiros de Gaia não faltam, só lamento é que a "Padeira de Aljubarrota" tenha sido uma lenda que poucos ousam, actualmente, tornar real.

 

Num país onde tantos especialistas, em tantas áreas, têm de emigrar ou aceitar empregos para os quais não estudaram (o que não é mau) e com salários miseráveis... Num país onde tenham desistido das suas valências e dos seus sonhos por culpa destes padeiros que continuam a contaminar as instituições públicas e privadas, não raras vezes em posições de elevada responsabilidade técnica e funcional... Continuamos de olhos fechados perante estas situações! Continuamos a valorizar mais aquele que tem mil e um cargos e não desempenha qualquer tarefa na maioria deles, temos os profissionais das revistas e das palestras e continuamos a ocultar quem tem realmente valor e competências para tantos e tantos cargos neste crónico atrasadismo mental - já não é cultural! 

 

Se a todos estes juntarmos os padeiros que acumulam cursos superiores só porque sim, temos um país governado não por padeiros mas por autênticos sapateiros!

 

P.S.: entretanto, soube-se à data da publicação deste artigo que também as carcacinhas andaram a querer imitar os pães de quilo com contratos públicos.

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120 na Auto-Estrada? Isso é de Meninos!

por Robinson Kanes, em 29.07.19

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Créditos: https://deskgram.net/fernovogroup

 

 

Sou contra a censura de todo e qualquer texto, por muito estúpido que seja, até porque nunca sabemos quando aquele "tontinho" que estamos a atacar pode ter razão. Além disso, temos belas pérolas para apreciar... Só lamento que nem sempre seja feito o contraponto a muitos disparates que são ditos. Por exemplo, eu digo bastantes e às vezes ninguém me diz nada - isso não é bom para a Democracia.

 

Um destes, dias dei comigo a ler um artigo que me enviaram porque achei que só poderia ser uma brincadeira, no entanto, estava muito distante de ser um momento de humor. Um indivíduo, de seu nome Vítor Rainho, explanava no "Jornal I" a sua revolta face a este país, mas vejamos:

 

Criticou uma auto-estrada (A8), apelidando a mesma de acto de loucura, mas não dispensou o uso da mesma quando tinha mais alternativas, por exemplo, uma nacional ou até outras auto-estradas. 

 

Mas o nosso Tommi Mäkinen não se ficou por aqui. Do alcatrão passou para o ataque à GNR que, ao invés de ter ficado no "posto" eis que decidiu andar nas estradas a patrulhar e a multar quem não cumpre com as regras! Anda uma pessoa a pagar impostos para a Brigada de Trânsito ficar a almoçar nos restaurantes de beira de estrada em Muge ou então na Apúlia e agora lembram-se de andar nas estradas a patrulhar! Uma vergonha!

 

O "forrobodó", expressão utilizada pelo autor, era uma coisa digna de se ver. Eu ainda não consigo perceber como é que deixam que a GNR atenda os telefonemas quando alguém pede socorro. É que é logo um "forrobodó" atrás dos criminosos! Um escândalo!

 

E quando já pensávamos que não podia ser pior, eis que o nosso cavaleiro do asfalto questiona a velocidade de 120km/h nas auto-estradas! Vai mais longe e até refere que esteve quase a adormecer face a tão monótona velocidade.

 

A conclusão desta mente brilhante é que a sociedade civil se deveria mobilizar (sim, sublinhei para acentuar o ridículo) e fazer boicote às auto-estradas, colocando com isso as gasolineiras, as concessionárias e o Governo em muito maus lençóis! Portanto, quando criticamos textos ou artigos de gente que fundamenta opiniões, muitas deles com base em factos cientificos, temos uma guerra civil em Portugal mas quando se ataca a "estupidez" que é o facto da GNR fazer cumprir a lei e o facto de andar a 120km/h não ser algo tolerável numa sociedade civilizada pouco importa!

 

Eu sugiro que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes ou a Prevenção Rodoviária Portuguesa contratem o senhor Vítor Rainho para influencer: "Jovem! Tens um Civic todo quitado, aquilo não deita fumo pela ponteira por causa da IPO e ainda te causa sono? Previne o acidente e desperta com o Vtec aberto até às 8000 rotações! Do bufo!"

 

Alguém lembre também o senhor Rainho, que a velocidade não está só relacionada com o perigo que a mesma por si só pode constituir, existem também as questões ambientais. Provavelmente o senhor Rainho nunca teve de andar a 50km/h na cidade, numa via rápida de muitos quilómetros e cuja limitação existia porque o ar era irrespirável! Não precisa de ir para muito longe, pode começar por Madrid onde tal é comum! Quanto mais velocidade, mais consumo e também mais poluição. Mas no alegre provicianismo bacoco ainda não há espaço para ir mais longe - o orgulhosamente sós ainda anda na cabeça de muitos portugueses, sobretudo daqueles que deveriam estar um pouco mais evoluídos.

 

Em jeito de conclusão, ao senhor Rainho, apenas deixo algumas sugestões:
 
 
1º Vá à Ponte Vasco da Gama, mas sentido Lisboa-Montijo, para não pagar portagem, e simule uma paragem inesperada na "cauda de Samora". Espere então até levar com um carro a 120km/h na sua traseira. Ou então experimente andar bem acordado, e não sonolento (que andar a 120km/h dá sono) e "espatifar-se" contra um sobreiro na A2!
 
2º Escolha uma estrada ao acaso e atravesse a pé a mesma como se quisesse receber o dinheiro de um seguro mas tente escolher uma viatura que circule apenas a 50km/h. Vai ver que não dói nada no seu corpinho lindo!
 
3º E já que falou na A8. Então experimente fazer a descida de Loures (sentido Malveira-Lisboa) a 200km/h (isso é velocidade de homem, valentão!) e terá um carro voador que, com sorte, aterra em cima da Hovione em Sete Casas!
 
4º Ate-se à traseira do seu "Ferrari", coloque a boca no escape e diga ao condutor que acelere até aos 120km/h durante uns bons quilómetros. É o melhor para os pulmões!
 
5º Com tantos problemas neste mundo, o senhor Rainho está preocupado porque não consegue ir a Esposende a mais de 120km/h o que lhe causa sono e até um desconto nos pontos da carta! Senhor Rainho, tem de sair dessa via e ver o que se passa à sua volta, pois o Mundo tem muito mais com que se possa preocupar, pelo menos o mundo fora da real pequenez nacional.
 
 

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