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141984225_10158178486731867_4966213057139066488_o.Créditos: https://www.elmundo.es/ - @taverinez

 

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que emerge da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Parece que o Mundo nunca esteve tão mal... De facto, os tempos não são bons, mas não é pior momento da Humanidade e muito do caos não é obra do ocaso mas das nossas escolhas. O anunciado "fim dos tempos" com o SARS-CoV 2 leva ao pânico quase global. Estranhamente com tantas guerras, doenças e miséria que continuam e "sempre" estiveram aí não tenhamos entrado em pânico. Dá que pensar... Dá que pensar...

 

Mas enquanto a lógica vigente de que tudo é mau continua a ter lugar, existem os pessimistas optimistas que não perdem a esperança apesar de dispararem em todas as direcções. E é nesse optimismo que partilho algo que num país como Portugal importa pouco neste momento (triste sina) mas que é uma conquista única em termos de ciência! 

 

Foi na Ruhr-Universität de Bochum, Alemanha, que um conjunto de investigadores conseguiu um genial feito, e até hoje impossível em mamíferos, ao conseguirem que ratos com lesões ao nível da medula espinal voltassem a andar! Isto significa uma esperança enorme para tantos acidentados pelo mundo fora! 

 

Por intermédio da injecção de uma proteína no cérebro (hiprinterleucina-6), estes investigadores conseguiram provocar um estímulo nas células nervosas ao ponto destas se regenerar em. Está proteina espalha-se igualmente pelo cérebro conseguindo um efeito nunca alcançado até hoje. 

 

O passo seguinte serão os mamíferos de maior dimensão, todavia, e embora ainda possa levar décadas para termos resultados mais concretos, é uma conquista única para a Humanidade e sobretudo para os apaixonados das neurociências!

 

Neste mundo actual, onde após o "vai ficar tudo bem" parece ter dado lugar ao "vai ficar tudo péssimo" - como se palmas e clichés nos procurassem enganar e pensar que tudo passava em semanas - ainda vão existindo muitas coisas boas e muitas vidas a serem salvas, seja agora... Seja num futuro que parecemos não querer encarar e muito menos preservar.

 

É segunda-feira... E para os que se recusarem a estar em casa a ouvir, a ler e a visualizar uma quase lavagem cerebral (afinal, para muitos que pedem que fiquemos em casa no sofá não há nada melhor que um confinamento para aumentar audiências e likes) sempre existem boas notícias por esse mundo fora, ou até neste nosso pequeno bairro...

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"Por qué no te callas" Mário...

por Robinson Kanes, em 06.01.21

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Créditos: https://sol.sapo.pt/artigo/645257/vice-do-conselho-da-magistratura-critica-excessos-de-linguagem-nas-sentencas

 

Se o medíocre se associa ao medíocre,  a arte de imitar, só produz mediocridades.

Platão, in "República"

 

 

É incrível como é que a questão da adulteração de um CV para fazer passar um indivíduo num crivo de um concurso internacional gera tanta polémica em Portugal. Será que estamos a evoluir e agora ao invés de termos 90% da população adorar uma boa cunha, um favor ou a mentir sobre a experiência profissional, só temos 60%? Pior ainda quando a escolhida/preferida é outra pessoa que já não importa tanto por causa das apertadas "golas".

 

No entanto, como diria o saudoso Sabino Rui, não foi isso que me trouxe aqui. O que me traz aqui é um Secretário de Estado Adjunto da Justiça que diz o seguinte sobre alguém que descobriu mais um esquema que envergonha qualquer um: "Quanto ao facto de ter sido retirado do Portal da Justiça um comunicado, a razão é simples: a dignidade das instituições e a autoridade democrática do Estado não permitem que dirigentes demitidos usem plataformas e serviços públicos como se fossem quintas privadas.". Parece-me bem, aliás, espero que Mário Belo Morgado faça disso exemplo para toda a estrutura da administração pública e local e a partir de agora esteja atento. Temo é que tenha de criar uma Secretaria de Estado só para isso. Isto é proferido no Twitter por um juiz superior e que já foi Director Nacional da Polícia de Segurança Pública (sim, é verdade, não estamos no Laos, mas é verdade)... Que sentido de responsabilidade! A censura e a falta de vergonha já não têm m limites quando para se destruir e achincalhar ainda se cai numa cinca bem pior.

 

Mas quem é o Mário? Refiro-me a este cavalheiro como Mário porque tenho dúvidas se será juiz ou político profissional tal é o número de cargos que já ocupou e que me levanta dúvidas entre aquilo a que se chama separação de poderes. Também é de estranhar que em Portugal existam tantos juízes ligados à política, quer por intermédio de cargos ocupados na mesma quer por distribuição de "benesses" aqui e acolá. O artigo de Nuno Gonçalo Poças que um amigo teve oportunidade de me enviar ontem, reflecte bem este estado da arte e a própria conivência do mais alto magistrado da nação com estes verdadeiros esquemas: o candidato Sousa, o mesmo que há mais de 20 anos continua em campanha eleitoral (descontado os anos em que queria ser o sucessor de Marcello Caetano e seguir as pisadas do seu ídolo Salazar), e nem se apercebeu que havia ganho as presidenciais. As intrigas e o comportamento de mulher de soalheiro não conseguem esconder que também Marcelo é um homem do regime e foge a sete pés quando tem que ser o Presidente diferente que diz ser. Espanta-me também (ou talvez não) que tenha sido Nuno Gonçalo Poças a fazer uma pesquisa tão aprofundada (onde nem a Ministra da Justiça escapa) sobre esta teia e não um jornalista.

 

Mas de facto, o Mário é perito em dizer uma coisa e o seu contrário o que, para um juiz do Supremo Tribunal de Justiça, me faz pensar se tem estofo para a profissão que exerce. O Mário é o mesmo que defende abertura da justiça, que esta não deve ser secreta, mas depois gosta de mostrar tiques de censura no Twitter, sem esquecer que o secretismo em torno das actas do Estado de Emergência - para o Mário, estas não deveriam ser públicas. Mas voltemos às quintas, algo que o Mário parece não gostar, mas esquece que em 2018, emitiu um despacho como Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura onde pedia para ser consultado pelos magistrados das suas intenções de adiar processos e leituras de sentenças. Esta situação não ocorreu propriamente no seguimento de um processo em que um os visados tinha roubado fruta de pomar alheio, sucedeu nos casos de Duarte Lima e dos Vistos Gold.

 

Finalmente, o Mário que parece ter mais estofo para estar agarrado ao poder do que para ser juiz, é aquele que não foi reeleito para o cargo que ocupava no Conselho Superior de Magistratura, e até eu consigo entender o porquê: quem passar pela página do instagram da candidatura do mesmo fica com ideia que a Justiça é um pouco como dizia o saudoso Jeroen Dijsselbloem acerca dos mediterrânicos: "mulheres e copos". Chego a pensar se o Conselho Superior da Magistratura, no entender do Mário é uma espécie de Gambrinus ou efectivamente uma Tasca do Careca, mas com pior aspecto. Além disso o Mário não dispensa aquele nacional contração espasmódica de sacar umas boas selfies nas cadeiras do avião.

 

Na verdade, acredito que, como referiu em tempos o Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, "os juízes reprovam essa situação (justiça de mãos dadas com a política), não por constituir uma ilegalidade (...)mas porque pode levantar problemas de ética”. Custa-me, embora reconheça a legalidade, ver juízes em cargos de confiança política, sem que abdiquem para sempre da profissão. No meu entender de cidadão, de Democracia e princípio da Separação de Poderes, tem muito pouco e se a isso juntarmos as ligações que muitos também têm com o futebol, dará que pensar se vivemos efectivamente nessa Democracia em que julgamos estar. Afinal quando temos alguém que exerce o cargo de Ministra da Justiça toma posse como juíza do Supremo Tribunal é o reflexo do estado ultrajante e totalitarista a que chegámos... Se voltarmos bem lá para trás, muitos dos envolvidos na teia que Poças apresenta ainda são encontrados no caso Casa Pia e em alguns factos que envergonhariam qualquer Democracia... Roma pagava bem aos seus generais, e pelos vistos na Lusitânia também os pulhas pagam bem aos seus bandalhos.

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Créditos: https://www.dailymail.co.uk/news/article-3137211/At-18-people-killed-knife-bomb-attack-Chinese-Muslims-police-checkpoint-atheist-government-bans-fasting-Ramadan.html

 

O homo sapiens não é feito para a luta, por isso, devia aprender a arte e a sabedoria da fuga, como as lebres e os veados. Mas ele adoro a luta e a guerra. Quem terá criado esta criatura tão estúpida.

Yoko Tawada, in "Memórias de um Urso Polar"

 

 

O título deste artigo deve ser a justificação para o facto dos Rohingya e dos Uigures terem passado um pouco ao lado dos nossos pensamentos natalícios. Na verdade, assistimos a uma crescente destruição dests grupo étnicos islâmicos não só em Myanmar como na China. Enquanto no primeiro país a perseguição é clara e não se faz grande segredo em torno de, no segundo, as coisas acontecem de outra forma, numa lógica do gulag educativo e bom para todos - onde é que já vimos isto. 

 

O final de 2020 não vai trazer a vacina para que esta perseguição cesse, aliás, a mesma tem atingido outra dimensão no Bangladesh, onde os Rohingya que procuraram abrigo nesse débil país enfrentam agora, depois do medo em Myanmar, a deportação para ilhas isoladas daquele território. O Governo do Bangladesh afirma que as deportações são executadas com o consentimento dos próprios, todavia, não faltam testemunhos pela internet e pelas redes sociais do contrário. Myanmar, por sua vez, continua a limpeza étnica e recusa-se a reconhecer a cidadania a esta minoria. De facto, continuamos a cair nos erros do passado e só a reconhecer genocídios quando os mesmos passam a escala dos milhões de mortos - se bem que alguns genocídios, sobretudo para alguns indivíduos e partidos a Ocidente, parecem ser mais que os outros mesmo que a dimensão tenha sido maior. Também é importante não deixar passar que muito deste ódio teve o "alto patrocínio" da rede social Facebook que muito tardiamente começou, de forma branda, a encerrar as páginas de incitamento ao ódio.

 

Já a China comunista, e diante de quem o Chefe de Estado Português se babou, continua a sua perseguição aos Uigures com o intuito de alterar toda a sua génese e inclusive eliminar a sua fé islâmica. Na verdade, muitos dos membros desta etnia estão a ser enviados para campos de concentração, gentilmente apelidados de campos de reeducação e onde se procura desprover todos estes indivíduos daquilo que os torna... humanos. O número de detidos não cessa de crescer e a construção de campos de concentração também não, além de que a loucura não tem limites quando alegadamente até crianças com meses são encarceradas nestes campos de inferno. Assiste-se a uma verdadeira eliminação civilizacional e identitária, o que já não é uma novidade.

 

As demonstrações de preocupação que nos chegam de muitos países fazem-se notar de forma muito leve, um pouco como assistimos em períodos horrorosos da História do século XX, e onde a preocupação não é mais que uma formalidade expressa num comunicado de imprensa para ficar bem nos meandros da geopolítica e das relações internacionais.

 

Vamos ficando com a sensação de que os anos vão passando e um dos mecanismos mais maravilhosos do ser-humano, a memória, tende a ficar desgastada e corroída pelo supérfluo e pelo esquecimento. Tenhamos coragem de ousar e de fazer ouvir a nossa voz, porque o caminho para o inferno, segundo Sapolsky, está pavimentado de racionalização. Apesar de termos a falsa ideia de que elegemos os nossos governantes para nos representarem, é importante que tenhamos noção de que podemos sempre ir mais longe e garantir que a sua governação está sobre o nosso jugo... Isto se tivermos algum interesse no que se passa em locais bem distantes, é um facto...

 

Para os portugueses que também tanto andaram preocupados com as eleições norte-americanas e com a eleição de Biden, que não se esqueçam de fazer o follow up à promessa de campanha em que o presidente eleito afirmou que aplicaria sanções económicas à China motivadas pela situação dos Uigures e com a repressão em Hong Kong.

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Só eu Escapei porque o Mal não Existe...

por Robinson Kanes, em 19.12.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

O homem não quer matar a sede. O homem quer é a sede. Por isso é que come tremoços quando bebe cerveja.

Vergílio Ferreira, in "Promessa"

 

 

Deixar passar a oportunidade de ver no mesmo palco, Lídia Franco, Márcia Breia, Maria Emília Correia e Catarina Avelar seria um ultraje. Foi por isso que voltei ao Teatro Aberto para assistir à peça "Só eu Escapei" de Caryl Churchill e encenada por João Lourenço. Não estamos perante uma peça para tempos de Natal, no entanto, a mesma, sendo escrita há cerca de 4 anos é mais actual que nunca - temo até que Caryl Churchill tenha um oráculo. O teatro tem a capacidade de nos colocar a pensar e a reflectir, de nos chocar até... E é nesse choque que abandonamos a sala com a sensação de que o Mundo não é aquilo que pensamos e de que caminhamos para um "fim" iminente, trágico até, em contraste com toda a inovação que temos. Fazendo até aqui uma ponte com o romance, somos em alguns momentos transportados para os admiráveis mundos de Huxley. 

 

A cultura faz bem, um jantar no "Pano de Boca", o restaurante do teatro que muito aprecio, faz maravilhas... Não me canso de repetir que os filetes de peixe-espada preto, com banana e milho, simplesmente geniais.

 

Um dos melhores filmes que vi este ano e vencedor do Urso de Ouro em Berlim, "O Mal não Existe". A minha admiração pelo cinema iraniano fica mais uma vez reforçada com este filme de Mohammad Rasoulof. Um filme que se foca na pena de morte e na luta que os indivíduos enfrentam na concretização ou não da mesma. É um filme extraordinário, com a sensibilidade que só os iranianos conseguem ter e que custou a liberdade (cerca de um ano) a Rasoulof por desafiar o regime. O filme é fantástico e penso que nos traz uma realidade que nos orgulhamos de já não ter de enfrentar e onde até fomos pioneiros no combate a... Admirável! Assisti nos cinemas UCI em Lisboa, mas vai andar pelo país...

Para terminar, não podia deixar de lado alguém de quem falei recentemente num artigo de memórias sobre Berlim: Severija - uma actriz lituana que deslumbra a cantar, sobretudo em alemão. Simplesmente adoro "Zu Asche, Zu Staube" e embora nunca tenha visto "Babylon Berlin", a banda sonora é qualquer coisa. Um timbre semelhante ao de Sónia Tavares, mas esta senhora é mais humilde e sabe cantar, além de que trabalhou a respiração.

Já agora, anda tudo doido ou a falta de trabalho (ou melhor, o emprego sem trabalho e com a real cunha) anda a deixar algumas pessoas completamente tontas? Até o anúncio da CNE para as eleições presidenciais gera revolta? Será que é desta que a estátua do Marquês vai abaixo? Como diz o outro, "olha, escuta... vai mas é trabalhar e fazer algo de útil pela sociedade".

 

Boas Festas...

 

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Sardinhas à Papagaio-Mor...

por Robinson Kanes, em 15.12.20

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Créditos: https://funchalnoticias.net/2016/09/14/o-ppresidente-que-beija-e-prova-tudo/

 

Hoje estamos no SardinhaSemLata a grelhar sardinhas congeladas que o tempo há muito que já não é para sardinha fresca e a época da faina está fechada.

Desta feita, fizemos umas "Sardinhas à Papagaio-Mor", estão secas e não sabem a nada, vá-se lá saber porquê... Saibam mais aqui.

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António José Pinto Doce... Herói Nacional...

por Robinson Kanes, em 14.12.20

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Créditos: Polícia de Segurança Pública

 

Os grandes valores não se definem, como não se define uma simples dor de dentes.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente V"

 

 

António José Pinto Doce não é famoso, e ainda bem, temo até que hoje em dia isso seja uma virtude. António José Pinto Doce também não tem horas em televisão e não traz votos que justifiquem um folclore criado em torno do mesmo, apesar de não duvidar que o Estado Português lhe prestará a devida homenagem quer por intermédio da Polícia de Segurança Pública (que já o fez) quer por via do Ministério da Administração Interna e até outras instâncias maiores...

 

António José Pinto Doce é um herói nacional simplesmente por ser um cidadão comum... Por ser um Agente Principal colocado no Comando Distrital de Évora. Neste caso, não será preciso fazer storytelling, inventar-lhe dotes e arranjar figuras públicas que digam bem do mesmo. Bastará dizer que o Agente Principal Pinto Doce, fora de serviço, ao presenciar uma agressão de um indivíduo à sua companheira (inclusive o seu arrastamento para dentro de uma viatura) agiu de imediato e tentou terminar com o crime em curso... No entanto, o agressor entrou dentro do seu automóvel, colocou-se em fuga e atropelou este agente (fora de serviço) arrastando-o por 40 metros. O desfecho foi o pior possível, o Agente Principal Pinto Doce, de 45 anos, casado e pai de dois filhos, veio a falecer ontem não resistindo às lesões provocadas pelo atropelamento. O alegado homicida, já havia sido condenado por violência doméstica e é guarda prisional. Sim, isto é possível... Como é possível que se o desfecho fosse a morte do agressor muita tinta seria impressa, mas a grandeza de cidadãos e instituições também se vê pelo seu weltanschauung.

 

Admito que me toca sempre a morte de um polícia, sobretudo em tempos conturbados como este em que as autoridades parecem ser um alvo a abater. Admito que ainda me tocou mais por a 16 de Novembro ter também eu passado pelo mesmo enquanto evitava uma fuga de um local onde se deu um pequeno acidente de viação, a diferença é que eu estou aqui e consegui escapar ao atropelamento.

 

Temos de saber reconhecer os nossos heróis, mesmo os anónimos, até porque infelizmente esta é uma pátria que distribui condecorações e homenagens consoante o show mediático, as inclinações partidárias e os amigos lá de casa. Muitos destes heróis nos escapam, mas ao invés de andarmos tão atentos a artificialismos, talvez seja a hora de perceber que na nossa família poderá estar um ou até na porta do lado. E muitos desses heróis não precisam de morrer à mão de indivíduos que nem sempre pagam o verdadeiro preço do crime... Muitos desses heróis estão até nos pequenos gestos, naqueles que vemos na rua e passamos, sem selfies, porque o segredo desta espécie de random act of kindness é esse mesmo.

 

Para estes heróis não existem dias de "luto nacional" nem chamadas para televisão filmar, todavia, em cada um de nós deverá existir o reconhecimento de que são estes os exemplos do que é ser cidadão, do que é ser português, do que é ser humano. Os actos falam por si, sem construções, pelo que hoje qualquer português, mesmo sem institucionalismos estará de luto.

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Por aqui não temos medo de perder o emprego...

por Robinson Kanes, em 04.12.20

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Créditos:Jerome Favre/EPA-EFE/Shutterstock &Ravi Choudhary/PTI

 

 

Não, não temos... Até porque, como diria Jonathan Hennessey, a ignorância é o pior inimigo de um povo que quer ser livre.

 

Por isso é que não nos esquecemos de dizer que na Bielorrúsia, desde a sua alegada eleição fraudulenta, o regime de Lukashenko já prendeu mais de 30 000 pessoas e torturou cerca de 4000, sem esquecer as humilhações a que são submetidas nos canais de televisão e onde, para lá disso, são obrigadas a desculparem-se por exigirem liberdade. Falácias e gritaria, dizem muitos por cá... Falácias e gritaria...

 

Por isso é que não nos esquecemos de Joshua Wong, um dos mais conhecidos elementos dos protestos pró-democracia em Hong Kong, condenado esta semana a 13 meses de prisão. Este e outros activisitas têm sido perseguidos, violentados e detidos no seguimento da nova lei de segurança nacional criada a "martelo" para acabar com as manifestações pela Democracia na rua. O movimento não terá morrido, mas desapareceu dos focos mediáticos e das ruas. Objectivo conseguido apenas por se ter conquistado a simpatia do povo.

 

Por isso é que não nos esquecemos que os pacificos independentistas da Catalunha criaram uma Polícia Secreta, encarregada também da defesa de Puidgemont, protegido por um país fundador da União Europeia, para desencadear operações clandestinas tendo em vista o objectivo final do movimento separatista.

 

Por isso é que não nos esquecemos que depois da morte de jovens na Nigéria por simplesmente exigirem pacificamente liberdade foram abatidos por uma força especial criada para estes efeitos, agora são os agricultores daquele país que estão a ser massacrados. A Nigéria tem importância para o Ocidente em termos de recursos naturais, e enquanto a cadeia de abastecimento não for cortada, está tudo normal. O último relato aponta para 110 camponeses assassinados.

 

Por isso é que não nos esquecemos de que na Índia, apesar do foco estar na pandemia, são também os agricultores com o apoio do povo que estão na rua e a ser violentamente reprimidos porque estão cansados de ser explorados por multicionais e com total complacência do Governo. É na maior Democracia do Mundo que Narendra Modi, fez aprovar um sem número de leis que aumentam os seus poderes e limitam a actuação de todos os outros, inclusive aqueles que fazem oposição. Instituições públicas e não só têm sido minadas por indivíduos leais a Modi e a Índia está cada vez mais perto de ser um país de Partido Único absorvendo inclusive práticas que estão a ser feita em países como Polónia, Hungria e Turquia.

 

Por aqui não nos esquecemos de todos aqueles que ainda seguem a sua ética e cumprem aquilo que efectivamente devem fazer: informar, sem paredes e sem ceder a pressões de meios que cada vez  são mais relações públicas do que informativos.

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O Desejado Irão...

por Robinson Kanes, em 02.12.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

The Germans sell chemical weapons to Iran and Iraq. The wounded are then sent to Germany to be treated. Veritable human guinea pigs.

Marjane Satrapi, in "The Complete Persepolis"

 

 

Que a Pérsia sempre foi um território profundamente desejado, não restem dúvidas, desde a Antiguidade que o império é alvo de cobiça por vizinhos e inclusive por Ocidentais. Aliás, não será vergonha nenhuma um Ocidental assumir que ainda tem muito a aprender com a cultura e conhecimento produzidos por aquele povo.

 

Também é verdade que o Irão actual, muito por culpa do Ocidente, se encontra sob governação de radicais, sobretudo no parlamento, embora a liderança de "Hassan Rohani" se tenha pautado por bastante moderação em contraste com os tempos de Mahmoud Ahmadinejad onde o discurso feroz e agressivo imperava. Durante a Governação Trump, estivesse Ahmadinejad no poder e as coisas poderiam ter corrido de forma muito diferente, sobretudo após o assassinato do Major-General da Guarda Revolucionária do Irão, Qasem Soleimani. 

 

Na verdade, a influência do Irão em alguns países, nomeadamente no Líbano, onde é o principal financiador do Hezbollah, não é sinal de orgulho para o país. Não obstante, as tentativas de aproximação ao Ocidente e alguma pressão interna junto dos mais radicais poderia dar frutos num futuro próximo. Conhecer o Irão é, apesar do muito trabalho que ainda existe, chegar a essa conclusão. Todavia, se é crime apoiar organizações terroristas como o Hezbollah, também o é apoiar tantas outras por esse mundo fora - e onde a Europa, Estados Unidos, China, Rússia, Israel e Arábia Saudita têm a sua participação. 

 

O Irão é um país rico, onde a abundância de água é uma realidade e o seu aproveitamente de um conhecimeno ancestral. O Irão tem uma importância logística vital no Golfo Pérsico: o estreito de Ormuz. O Irão é o país onde também o petróleo jorra por todo o lado e o gás natural está nos poros daqueles solos. Sobrevoar o Irão à noite, independentemente das rotas, é como sobrevoar a Europa, tal é a iluminação do país, riquíssimo na produção de electricidade que não  se deve somente à indústria nuclear. Podemos andar em algumas aldeias remotas e as canalizações de gás natural estão lá.

 

Por sua vez, enquanto China e Rússia se aproximam do país construíndo infraestruturas, embora de modo controlado, pois a estas também não importa que este país se desenvolva de modo desenfreado, a Europa e o Estados Unidos vão desperdiçando uma oportunidade de ouro. A Rússia e a China nada dão em troca e recebem muito do que o Irão produz, aliás, essa é uma das queixas daqueles que por lá habitam, sobretudo em relação ao petróleo e ao gás natural.

 

Esta semana, e depois do assassinato por parte dos Estados Unidos e não só, de Qaseim Soleimani, foi a vez do mais proeminente cientista nuclear iraniano ter perdido a vida também num assassinato bem planeado. Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado pela sua importância no programa nuclear iraniano, alegadamente por duas potências que pouco se podem gabar do seu pacifismo: Israel, Arábia Saudita e quiçá Estados Unidos, até porque raramente uns fazem algo sem conhecimento e cooperação dos outros. O encontro ao mais alto nível entre Israel e Arábia Saudita, algo inédito, a semana passada, aumentou também as suspeitas, até porque inicialmente o mesmo foi negado. Acresce ainda o facto de que este tipo de operações só está ao alcance de potências com meios para tal... E entrar no Irão, cometer um crime e sair sem acordar o gato não está ao alcance de todos. 

 

A prática de assassinar cientistas iranianos é comum, basta recuar a 2010 e 2011... Apesar do radicalismo, não tenho dúvidas que é toda uma herança histórica iraniana e um lado xiita mais moderado que tem tornado o ambiente mais calmo, além da "estratégia de paciência" encetada por Rouhani mas que não é a mais apreciada pelas altas elites religiosas do Irão.

 

A União Europeia e a ONU já condenaram o assassinato, todavia Mohamad Javad Zarif, o Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, diz que não basta... A hipocrisia continua a ter lugar, à semelhança daquele que existiu com a Crimeia ou até com os bombardeamentos em hospitais sírios. A saída de Trump pode também estar a acelerar a tomada de medidas extremas na medida em que Biden, mais moderado, evitará (assim se espera) hostilizar países como o Irão! Ao nível internacional, Biden terá uma oportunidade suprema de manter o bom trabalho de Trump em relação à Coreia do Norte (até melhorar o mesmo) e aproximar-se do Irão, seria muito provavelmente um dos feitos diplomáticos do século terminando inclusive com a política iraniana de ter aprisionados cidadãos não-iranianos ou com dupla nacionalidade para servirem como moeda de troca por cidadão iranianos detidos no estrangeiro.

 

Aguardemos... Todavia, e como tenho vindo a referir, a pandemia tem sido uma excelente oportunidade para que se cometam algumas das maiores atrocidades do século XXI. Perguntem isso inclusive àqueles que numa base diária vivem um verdadeiro holocausto no médio oriente porque alguém se lembra de arrasar as suas casas e os tratar como escravos. Esperemos que a estratégia paciente de Rouhani se mantenha, até porque nas mais altas instâncias iranianas já corre o boato de um ataque a Haifa.

Actualização (13h:45m): o parlamento iraniano votou pelo fim da autorização às inspecções da Agência Internacional para a Energia Atómica (AIEA). 

 

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Lille: A Rainha da Flandres Francesa

por Robinson Kanes, em 30.11.20

vielle bourse lille.jpgImagens: Robinson Kanes

 

O pequeno-almoço em Paris começa cedo... É hora de calibrar e preparar os cerca de 230 km até Lille. É preciso precaver as paragens em Arras e Lens e claro, a mítica chegada, já depois da capital da Flandres francesa, a Roubaix. Para os amantes de ciclismo, de carro ou de bicicleta, todos perceberão a importância de uma viagem Paris-Roubaix.

 

Duzentos quilómetros com mil e uma paragens levam-nos a chegar ao anoitecer, sendo que, encontramos uma Lille bastante animada e o milagre de ficar mesmo no centro e ter um lugar para estacionar. Temos também a sorte de passar pela Rue de Gand, uma das mais animadas da cidade e onde está o "Chez la Vieille". Um restaurante apetecível, inclusive no preço. Sempre repleto de comensais, com empregados e clientes simpáticos e manjares deliciosos, onde só as batatas fritas podem provocar algum dano. Cerveja artesanal em abundância e um início de noite perfeito, até porque, estando na Rue de Gand, as cervejas não se ficam por um só sitio. Lembrei-me deste espaço, afinal também ele um monumento da cidade, não só pela comida mas também pela decoração e animação.

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A noite prolonga-se e o dia seguinte implica uma visita a um dos mais importantes (e um dos primeiros) museus de França, o Palais des Beaux-Arts de Lille.  Belas artes, onde lá voltamos a encontrar Rodin, a grande tendência desta aventura que nos acompanha desde Caen. Uma visita à Casa-Museu Charles de Gaulle e temos a manhã completa, sendo que é possível que um pequeno-almoço seja demorada na medida em que o pão, o queijo e o vinho são qualquer coisa... E ainda bem que não me lembro da queijaria no centro que... Enfim, é melhor nem ir por aí...

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Lille, ao contrário do que esperávamos, é uma cidade enérgica, inclusive culturalmente, pelo que também a visita à Ópera não podia faltar. Temos assim tempo para percorrer o centro, nomeadamente La Grand'Place e a Vielle Lille. Todavia, existe apenas um problema... Cuidado com o cartão de débito. Sacos carregados de queijos, pão, livros e enchidos, uma bagagem de porão bem apimentada... Pequenas lojas, bem arrumadas e simpáticas, os edificios antigos e tão característicos da Flandres fascinam-nos. As cores, pequenas esplanadas, tudo se conjuga na perfeição e onde o dia não pode terminar sem apreciar duas das mais belas e imponentes estruturas das cidade: o Hôtel de Ville (câmara municipal) e o seu "Beffroi" (torre sineira). E como não poderia deixar de ser, o colorido e mais pitoresco edifício da cidade, o Palácio da Bolsa ("Vieille Bourse"). Temos a sorte de poder adquirir alguns livros antigos no mercado de velharias que se realiza no claustro. 

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Gostamos de Lille e vamos sair da cidade com uma boa dose de calorias, sendo que, não contentes com isso, ainda importamos algumas delas para consumo em Portugal. A noite aproxima-se e depois da amizade do dia anterior, voltamos à Rue de Gand, para nos perdermos no "Chez la Vieille". Hoje as cervejas descansam e aproveitamos para um passeio nocturno, está muito calor para as habituais temperaturas da Flandres. O centro fica ainda mais belo, mas o sono já nos começa a atacar depois de tantos quilómetros de estrada. 

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Chegamos ao nosso último dia na cidade... A prioridade será  absorver a transformação de Lille que se está a modernizar fortemente. Uma cidade sustentável que quer ser a grande metrópole fronteiriça (Euralille). Percorremos a novas construções, muitas delas ainda em tosco e acabamos a manhã no Les Halles de Wazammes. No interior não encontramos propriamente um mercado muito barato, e no exterior... No exterior é uma viagem ao Norte de África. É um mercado de imigrantes, e segundo alguns, um espaço apetecível para carteiristas. Sendo que em França e na Argélia "sou" argelino", na Turquia "sou" turco, no norte de África nem sei e no Irão "sou" iraniano, acabei por não sentir grande risco e a alemã também não. Cá fora os produtos são mais baratos e depois de, mesmo em frente ao mercado termos visto um pequeno restaurante gerido por árabes com mais um sem número de argelinos agarrados a uns belos pitéus, não resistimos... Comida óptima, um acolhimento formidável quer pelos proprietários quer pelos clientes e ainda cozinheiras de uma extrema simpatia. Fabuloso... E mais duas horas à conversa!

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Por pouco, não esquecemos do nosso passeio pelo Parc de la Citadelle e os seus fabulosos 110ha entre arvoredo e o Deûle. Um dos passeios mais interessantes na cidade, não só pela oportunidade que temos respirar um pouco de ar puro, visitar o Zoo de Lille e encontrar muita gente que aproveita este espaço ao máximo, seja em terra seja no próprio rio que nos dá algumas vistas fantásticas. Apreciamos mesmo este momento, um verdadeiro embalo de calma e tranquilidade antes do regresso... Pelo caminho de regresso ainda conseguimos para no Jardin d'Arboriculture Frutiere e no Palais Rameu... Fantástico!

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É fascinante... juntar toda esta flora e fauna num parque dentro de uma cidade agitada mas ao mesmo tempo com a sua pacatez do Norte de França. Lille foi uma das grandes surpresas desta longa jornada, até porque já havíamos andado por perto, inclusive a atravessar a fronteira para a Bélgica e nunco nos detemos perante esta pérola de inegável beleza, qualidade de vida e sustentabilidade.

 

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A Morte do Homem Branco...

por Robinson Kanes, em 25.11.20

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Créditos:https://sylg1.files.wordpress.com/2016/09/keep-calm-and-kill-all-white-people.png

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões!

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Enquanto uns dizem que o comunismo nunca existiu, outros também podem incitar ao ódio com palmas. Ainda esta semana, um indivíduo que tem sido um dos garantes que o discurso de ódio em Portugal não cessa, e onde nem a polícia escapa, é aquele que recentemente agitou a bandeira da morte ao homem branco. Várias conclusões têm de ser retiradas sendo que, se fosse um outro qualquer a minha opinião seria exactamente a mesma.

 

Será que se fosse um indivíduo da nossa praça, e já nem vou sublinhar André Ventura, a proferir essas mesmas palavras mas com uma diferença, a mudança no tom de pele, a reacção seria mesma? Um processo judicial, extravasamento de competências e pedidos de investigação por parte de Ferro Rodrigues e Marcelo Rebelo de Sousa, além dos habituais pacíficos/manipuladores humoristas e jornalistas da nossa praça a pedirem a sua cabeça... Mas foi Mamadou Ba, que em Portugal goza de especial estatuto - ainda desconheço a que propósito, mas somos o país dos estatutos, este é mais um.

 

Por outro lado, surgiu o discurso (mesmo daqueles que sabem muito bem o que Ba quis dizer, todavia, a sua voz revolucionária cessa quando a imagem pública pode ficar manchada pelo políticamente incorrecto) de defesa do contexto em que as mesmas palavras foram proferidas. Eu não ouvi só aquelas palavras e a ideia com que fiquei foi de que todo o contexto era de ódio, de repulsa e de incitamento ao combate. Amedronta-me ver que aqueles que atacam os discursos extremistas mas depois desculpabilizam estas palavras - afinal é só retórica, são metáforas, são palavras mal escolhidas! Se hoje disser que não gosto de cerveja preta, são os mesmos que dizem logo que sou racista! Onde é que está a coerência? Corremos o risco de perder palco e de sermos conotados com extrema-direita? Com reaccionarismo? A verdade, a pluralidade e moderação nunca serão de extremos... No entanto, é a conivência com um extremo que alimenta o outro, além da criação de fantasmas numa sociedade que tem tantos problemas para resolver e que acaba por criar no cidadão comum uma certa desilusão quando começa a conceber que está na base da pirâmide, amordaçado e escravizado.

 

Também me assusta o discurso: "homem branco"; "homem preto"; "eles"; "nós"... Tenho muitas dúvidas que a grande maioria dos indivíduos que Mamadou Ba diz defender se revejam nestas palavras... Ainda bem que não estamos na África do Sul, caso contrário, Malema teria um aliado de peso. Ou então talvez seja um defeito meu que vejo seres-humanos e iguais perante a lei... e não catálogos...

 

Mais do que as palavras, o ódio que vemos nestas reuniões privadas, neste discurso que não é público e onde os "sociais utópicos" lá estão para defender os pobres coitados, é corrente. É certo que alguns estão por bem, mas conheço suficientemente alguns destes defensores para perceber que estou mais seguro junto de uma hiena esfomeada do que propriamente junto de determinadas personagens, normalmente apenas predadores de subvenções dos regimes que eles próprios criticam.

 

Assusta-me, mas isso talvez seja porque ontem perdi uma noite inteira a falar de Democracia, liberdade e acesso à educação com um "homem preto" que ninguém conhece, mas coloca a emancipação do seu povo à frente de querelas e discursos de ódio extremo, porque no final, é na luta pela paz, pela liberdade e pela educação do seu povo que coloca o seu foco...

 

P.S.: um dos últimos indivíduos (Fredrick Demond Scott) que disse "kill all the white  people" abriu a cabeça a seis inocentes norte-americanos, um deles uma sem-abrigo idosa.

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