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A Nossa Elite: Aliu Camará!

por Robinson Kanes, em 15.07.19

tiago miranda - expresso.jpgCréditos: Tiago Miranda/Expresso

 

Não sou propriamente conhecido por elogiar tudo o que é português... No entanto, vou ficando com a sensação que, apesar de ser dos poucos que o reconhece, muitos outros que alimentam o discurso contrário são os primeiros a criticar a nobre nação porque não homeageia um músico, um actor ou quem quer que seja que venha do Brasil!

 

Entendo que agora estamos no hype (já longo, e é isso que me "assusta") de fazer vénias a tudo o que vem do Brasil e não só - e tanta coisa boa que há no Brasil e só importamos o que é mau! Recomendo aos pseudo-intelectuais e pseudo-influenciadores que olhem para dentro quando morre um dos nossos escritores ou uma das nossas figuras ao invés de espalharem o discurso que somos "atrasados" porque não se deu o devido destaque a este ou àquele artista do lado de lá do Atlântico . Do alto da vossa elite política, cultural e mediática (elite?) e da pseudo-intelectualidade, desçam à terra e reconheçam outros heróis, alguns deles o garante de que podem escrever as maiores barbaridades e disparates.

 

Um deles, a quem devem tirar o chapéu (ou devo dizer a bóina? Mas essa tem de ser merecida) é o soldado Aliu Camará, filho de guineenses e nascido no Casal da Boba na Amadora. Estes exemplos de sucesso tendem a não ser explorados pelas "SOS Racismo" deste país e também por isso a capa do "Expresso" é um verdadeiro elogio a este soldado. É um verdadeiro elogio aos desconhecidos que todos os dias nos defendem, cá e lá e ainda têm tempo para defender os demais! 

 

Muitos também censuram o excesso de reconhecimento a estes indivíduos porque se voluntariam para estas missões e até são pagos por isso. Os mesmos que batem palmas a jogadores de futebol e ainda têm tempo para agredir o vizinho no café - jogadores esses que numa hora ganham mais que muitos destes homens num ano!

 

A capa do "Expresso" é uma das grandes capas deste ano, um orgulho a todos nós: "sou Comando, vou sair daqui de pé", diz um soldado olhando para a câmera fotográfica e com as duas pernas amputadas! Poupem-me os discursos, poupem-me as conversas, um Comando não quebra... Aquele homem vai abandonar o hospital de pé! Um de nós choraria porque, com pernas, talvez não tivesse as sapatilhas de marca para calçar!

 

Lembrem-se muitos daqueles que defendem a extinção desta força (Bloco de Esquerda, PCP e tantos outros pseudo-pacifistas e moralistas) que aquele homem é um exemplo do que é ser português. Não é um desses indivíduos que ao primeiro soar de alarme, por certo, também serão os primeiros a saltar a fronteira e a defender o país da Venezuela ou de outras paragens distantes para que, quando tantos outros tiverem morrido, voltarem como os grander obreiros da vitória! Isto de ser patriota e defender a paz com palavras e obras de arte a milhares de quilómetros de distância tem muito que se lhe diga...  

 

Devemos estar orgulhosos, porque até ganhámos o mundial de hóquei em patins, cuja equipa tem de mendigar ser recebida pelo "entertainer" da nação... Devemos estar orgulhosos porque temos homens como estes e que, segundo dizem, na República Democrática do Congo são chamados de "ronaldos"... Quando provavelmente eram os "ronaldos" deste país que deveriam ser apelidados de "camarás"...

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

"Happy Friday", meus senhores e minhas senhoras! "Happy Friday" também para aqueles que vão passar o fim-de-semana a trabalhar! (Nunca me esqueço, até porque, não raras vezes, também sou um deles).

 

Ontem estava deitado e dei comigo a pensar que esta semana carreguei demasiado no pedal. Quem deve estar contente com isso é o Pedro, aqui do SAPO. 

 

E sexta, pontualmente, tende a ser um dia em que partilho também algumas das minhas paixões ou preferências - sugerir acho pesado, embora utilize o termo, afinal... Quem sou eu para sugerir o que quer que seja? Começo pela música, e esta semana com duas recomendações. Uma delas porque foi a minha banda sonora no carro e como é bom uma das viaturas lá de casa ainda trazer leitor de CD - aliás, todas trazem, embora a mais recente tenha sido uma grande surpresa! Obrigado à malta da DS por se ter lembrado de quem também ainda utiliza CD!  Sting, fui à prateleira e não resisti ao "Symphonicities" gravado com a Royal Philharmonic Orchestra (RPO). Se as músicas de Sting (e não gosto dos "Police") já são qualquer coisa, com a RPO é um delírio para quem gosta muito do artista e de música clássica! E não se sintam amedrontados se podem achar que é pseudo; ao ouvirem a primeira faixa e a versão de "Next to You" irão perceber de imediato o que quero dizer:

Depois de Sting, o fim-de-semana pode ser preenchido com algo mais particular, Yann Tiersen! Recordo-me também do tempo dos CD e de "La Valse des Monstres", o primeiro do compositor e que além de outras composições para filmes, inclui já dois temas que acabaríamos por encontrar no sucesso de Jean-Pierre Jeunet, "Amélie". Deixo aquela que dá o título ao disco - "La Valse des Monstres" - e uma que reconhecerão de imediato, "Le Banquet" - e como é bom ouvir algo que também sabemos interpretar.

Para ler, não posso deixar de me recordar da MJP que, em tempos, me perguntou de onde conhecia Marie de Hennezel! Marie de Hennezel, é uma psicóloga clínica e terapeuta que, em França (e não só), transformou o modo como encaramos a morte e também como vivemos os nossos últimos dias, especialmente quando sabemos que tudo está perdido! Foi sobretudo a partir da Unidade de Cuidados Paliativos para doentes terminais de Paris que o Mundo pôde conhecer o trabalho desta senhora, essa sim, uma verdadeira heroína quer em termos de humanidade quer em termos profissionais! Deixo "O Coração não Envelhece"... E não se deixem levar pela capa - de romance "barato" tem pouco. Tem um peso extraordinário e acredito que a muitos pode ajudar. Apesar da carga espiritual, é algo completamente exposto com ciência e com um conhecimento único! Imaginem um "De Senectute" dos séculos XX e XXI mas com uma visão mais cientifica. Ou não imaginem... Sobretudo se tiveram que ler a obra de Cicero em latim... O livro lê-se com uma facilidade tremenda e gera emoções que não vos vão deixar com a mesma visão da velhice dos tempos modernos!

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E para que este cavalheiro venha para aqui dizer que peco por excesso, nada como deixar "Mia Madre" de Nanni Moretti, realizador de quem já falei aqui. A história de uma mulher que entre os desafios profissionais, o fim de uma relação e a adolescência da filha ainda tem de pensar na sua mãe doente - é um filme de Moretti, não é fácil de digerir, mas é sempre uma valente dose do que é ser humano, algo que não vemos em todos as produções cinematográficas.

E é isto... Se não estiverem interessados em conversas sobre a proibição de piropos, falsas acusações de racismo e gente fanática disfarçada de bons moralistas e defensores de grandes causas, sempre podem dar uma vista de olhos por isto...

Bom fim-de-semana,

 

P.S.: Caro "X", não me esqueci da Cantábria... Para a semana está prometido, mas tenho de estar em sintonia para me recordar de todas as emoções e vasculhar todos os meus apontamentos. Caro Folhas, o Tejo também não está esquecido.

 

 

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image_23.jpgCréditos: https://www.nvinoticias.com/nota/109336/acoso-callejero-en-oaxaca-suplicio-cotidiano

 

Um destes dias, numa conversa fútil de café, voltou a temática dos piropos, nem sei a que propósito. A verdade é que alguém atirou para cima da mesa que tinha lido algures que era um tema que estava a voltar: É Verão, como em Portugal nada se passa (passa-se tanta coisa, mas não se apontam para aí os holofotes que ninguém quer chatices) e dá trabalho saber o que acontece no Mundo, inventa-se para não se ser esquecido.

 

O piropo! De repente o piropo transformou-se na maior ameaça às mulheres! Aliás, a Humanidade foge desse tema com um medo atroz, ninguém quer saber em violações ou mutilações genitais quando o piropo anda por perto. De repente, um pouco na lógica de "Me Too", um grupo de iluminados decidiu que as mulheres sofrem muito com o piropo! Não conheço uma que alguma vez se tenha sentido em estado de choque com um piropo na rua, muito honestamente!

 

Tenho, inclusive, conhecimento de um caso em que um piropo até deu azo à seguinte resposta: "aí em cima és o maior, vem cá abaixo e não fazes um terço do que dizes pá"! Desde esse dia, esta mulher sofreu muito e teve de ser acompanhada... Não! E não, as mulheres não têm medo de andar na rua por causa dos piropos (quantas vezes já repeti esta palavra?) e não andam em grupo porque têm medo de serem atacadas por "piropeiros" - em alguns casos, muitas até nem se importavam! Muitas e muitos! Sim, porque também as há que deitam o seu piropo ao cavalheiro! Ainda me lembro (há muito tempo) de partilhar a cabine com cinco mulheres, praças da Força Aérea, no regional que ligava o Entroncamento a Santa Apolónia... O que não faltaram foram piropos. E eu detestei, foi uma coisa horrível! O que mais detestei foi quando tiveram de sair em Vila Franca de Xira para irem para a Ota! Já pensaram, soubesse eu e tinha dito "oh aviãozinho, vais para o aeroporto?" - sim, há época falava-se do aeroporto na Ota.

 

É inacreditável como os "anti-piropo", se dão ao luxo de ofender na praça pública e com cobertura de meios de comunicação que não devem fazer avaliação de desempenho, um sem número de indivíduos e não hesitam em ditatorialmente querer obrigar os outros "à sua boa onda", muitas vezes também, camuflada de humor.

 

De facto, temos de corrigir velhos comportamentos na nossa sociedade, mas não é com hypes, com contadores de likes e com uma necessidade tremenda de dar saltos para que reparem em nós que lá vamos! Aproveitem sim para tocar na ferida em temas fracturantes e deixem lá o indivíduo mandar o seu piropo - por este andar, qualquer dia, elogiar a beleza de uma mulher ainda vai colocar alguém na cadeia! Um destes dias, olhar uma mulher nos olhos e dizer que a amamos e que tem umas formas que só me dão vontade de a agarrar e... ainda vai dar cadeia - simplesmente porque um grupo de indivíduos criado entre videojogos, entradas à borla em espectáculos, bares do Bairro Alto e um sem número de cunhas, sobretudo nos media, se lembra de impor as suas liberdades aos outros.

 

O que deveria ser ilegal, por exemplo, era indivíduos que escrevem mal, carregam no vernáculo (porque ser mal-criado é "cool") e passam o ar de "boa onda" só porque usam barba e/ou t-shirt enquanto defendem as nobres causas, sentados na esplanada de um café a chorar pelas criancinhas em África ao mesmo tempo que marcam as próximas férias (ou tentam que alguma revista ou canal de televisão o faça) na Tailândia e em hotéis de 5*****! Não vão as criancinhas pobres serem "piropeiras" e dessas queremos distância! Quem é que não troca um "acoso callejero" por um bom "acoso hotelero"?

 

P.S.: isto tudo será porque os "Piropo", há muito tempo, lançaram um disco com o nome de "Russians" e com o emblema da União Soviética? Será uma espécie de retaliação?

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A Bófia Existe para Levar no Lombo!

por Robinson Kanes, em 10.07.19

EPRIs2.jpgCréditos: Polícia de Segurança Pública.

 

O que vou escrever hoje não é novo, já por aqui falei de tropas especiais, como os Comandos - e de ser estranho que a negligência em mortes de recrutas seja sempre nesta força e nunca nas outras, pelo menos para os media - e da Polícia de Segurança Pública (PSP), nomeadamente, aqui e também neste artigo. Tomo sempre o cuidado de ser realista e não embarcar no discurso corrente e que dá trunfos, sobretudo aos comentadores de bancada que gostam do políticamente correcto, mesmo que estejam a cometer um erro crasso e com consequências no longo prazo. Por isso, se sou populista, pois bem, que o seja quem defende um Estado de Direito e não um estado de hipocrisia e selfies.

 

Na verdade, vão sendo mais recorrentes os casos em que agentes da PSP são recebidos à paulada, à pedrada e à pistolada em bairros problemáticos e não só. Se por um lado, um agente da PSP algema à força um indivíduo, passa a ser tema neste país e com pedidos de execução pública no pelourinho. Por outro lado, quando um agente da PSP é agredido, ou as notícias não existem, ou então ficam lá naquele cantinho bem escondido enquanto os comentadores acima mencionados, e perdoem-me a expressão, nem piam! 

 

Um deles é o comentador-mor do reino, que desautoriza a polícia (e confirma com a sua atitude a acusação de racismo contra esta) , troca abraços e tira selfies com criminosos - se eu apedrejar um polícia sou um criminoso, a não ser que existam leis diferentes para mim e para os outros - mas que não se vê a tomar uma atitude de apoio ao trabalho dos polícias! Importa recordar que são elementos da PSP que garantem a segurança do Presidente, nomeadamente, agentes do Corpo de Guarda Pessoal (CGP) integrado na Unidade Especial de Polícia (UEP).

 

Reconheço também, que podem existir abusos por parte das forças de segurança, no entanto, esta desautorização constante e esta falta de reconhecimento começa a ser escandalosa, sobretudo por parte dos habituais defensores dos coitadinhos mas que moram na Lapa e nos bairros mais ricos de Oeiras e Cascais - os mesmos que jamais tolerariam morar em locais como a Quinta da Princesa ou Cova da Moura. É fácil defender as "minorias" nas páginas dos jornais, nas televisões, na assembleia da república e nas redes sociais, ser activista no sofá e nas lentes das câmeras...

 

Mas... No meio de tudo isto, onde ficam aqueles que arriscam a vida por um salário miserável? Aqueles que muitas vezes também habitam nestes bairros e que garantem a nossa segurança. Onde está o reconhecimento da sociedade pelos nossos agentes e como pode ele existir se os mais altos cargos da nação simplesmente desrespeitam o seu papel? Onde está a discussão pública acerca da elevada taxa de suicídios, sobretudo na PSP? Os mortos não dão votos! Muitos dos polícias também não pululam nas redes sociais como tal, e por isso, não são influencers na caça ao voto e no mediatismo.

 

É fácil falar mal da polícia e quase defender um Estado onde a polícia é tratada como lixo, sobretudo quando se tem tempo de antena (tantas vezes inexplicável) nos media... Mesmo quando a grande maioria dos portugueses defende exactamente o contrário - e é isso que é preocupante! À semelhança de tantos temas, cada vez menos, o que se vê e lê por aí não é o pensamento do país real... E no longo prazo, tende a ser perigoso. 

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O Toiro Vencedor!

por Robinson Kanes, em 09.07.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Em pleno século XXI, num país que se diz desenvolvido, ainda tenho de fazer a seguinte pergunta: a que pretexto se violenta um animal na arena, ou nas ruas de uma qualquer cidade, por puro prazer ou desporto? Também não venho apregoar politicas à PAN e defender que todos devem comer ração vegetal (enquanto o PAN às escondidas devorará, muito provavelmente, umas boas costeletas de novilho). 

 

Tenho de sublinhar que também me fazem uma certa impressão as reacções humanas quando é o touro a ganhar a "parada" - então mas não é o desafio do homem contra a "besta"? A "arte" não é essa, ou quando a "arte" não joga a nosso favor interpretamos as coisas de forma diferente, como a derrota do touro fosse sempre certa? Fica a questão... 

 

Importa também lembrar que na equação existe um cavalo... Alguém por acaso também observa o sofrimento do cavalo, ou pensam que um animal daqueles se diverte? Só quem não conhece o comportamento dos cavalos é que defende o contrário. Iniciemos pelo básico da questão (e já não entro em questões comportamentais): experimentem ser montados por indivíduos que não sabem montar a cavalo (de dressage sabem pouco) e além disso peçam que vos coloquem arreios pela goela abaixo, e enquanto vos montam, ainda vos obrigam a fazer hiperflexão do pescoço. Genial, não?

 

A isto juntam-se os seres humanos que praticam a tauromaquia, normalmente oriundos das mesmas famílias de sempre, algumas ricas, outras que gostariam de ser mas que, na sua maioria, dominam as lides nacionais... O povo que se entretenha a pegar o touro ou sonhe com a hipótese de um dia ser matador.

 

 

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A propósito do mais recente "acidente" em Coruche, desta vez foi o touro a ganhar, ou não... Terá tido um sofrimento ainda maior - conhecendo algumas das personagens que frequentam praças de touros, terá sofrido e muito... Mas ganhou e nem por isso saiu em braços e foi adorado por todos aqueles que estavam na praça de touros!

 

Em suma, podemos esperar alguma coisa de alguém que se diverte a assistir a um espancamento (e morte) gratuita de outro animal? Admito que me faz confusão... E em alguns casos até poderei ser hipócrita na abordagem, afinal também como peixe como se não houvesse amanhã. No entanto, não deixo de defender a vida animal! Além disso, estes espectáculos são, não raras vezes, financiados por todos nós!

 

Mas sim, também eu sou hipócrita que não abdico da amizade de muitas famílias com ganadarias e criadores equinos, pessoas que valorizo bastante, e perdoem-me, até mais que os "solidários" e "ambientalistas" de sofá ou de televisão. Admiro a camaradagem do povo ribatejano e dos marialvas, um povo singular e com quem sei que posso contar! Verdadeiros amigos, gente boa e com que me divirto muito! Sim, é verdade... Admiro essa gente e sua companhia faz-me bem! Bem melhor do que a da maioria dos defensores dos animais!

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Sexta-feira, não raras vezes, é um dia que se aproveita o casebre para apontar algumas ideias mais... "bonancibles"? Eu admito que tento relaxar na pressão dos temas mas nem sempre consigo, pelo que, vamos lá ver se tiro algum peso "à coisa"...

 

Se há coisa que um português gosta é de uma boa esplanada, de preferência sobre o mar! E eis que me lembrei (fazendo vénias) do "meu" Vergílio Ferreira! Dirão "lá vem este com aquela conversa e com os livros do Vergílio", mas este é leve, aliás, tão leve que é uma espécie de conto e que até encontrarão pela internet... "Uma Esplanada Sobre o Mar".

 

Não há nada mais igual do que o mar ou o lume ou uma flor. Ou um pássaro. E a gente
não se cansa de os ver ou ouvir. Só é preciso que se esteja disposto para achar diferença nessa
igualdade. Posso olhar o mar e não reparar nele, porque já o vi. Mas posso estar horas a olhar e
não me cansar da sua monotonia.

Vergílio Ferreira, in "Uma Esplanada sobre o Mar"

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Sim, de facto não consigo manter a leveza da coisa... E se agora tanto se fala de demografia (ou se evita ao não apontar os factos reais e aproveitando o refúgio no politicamente correcto) nada como ir aos "primórdios" do excesso de população e pensar em Thomas Malthus! É uma visão que já precisa dos seus ajustes mas que em determinadas passagens está mais actual e é mais necessária que nunca! Para quem conhece a teoria de Malthus, saberá que este nos dizia (de uma forma bastante sucinta) que a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos de forma aritmética, logo levava à fome! A isto junta-se a questão ambiental e de sustentabilidade cuja fragilidade aumenta com a eliminação dos predadores e das doenças, entre outros factores.  "Ensaio sobre o Princípio da População"... 

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Uma música... Uma música para um fim-de-semana ou um momento em que estamos perfeitamente em altas (ou em baixas) depende do contexto mas não perdendo o foco no positivo! Para tirar peso à coisa e para se celebrar o amor (seja lá o que isso for... até já há quem use (mal) a ciência para dizer a anormalidade de que este só dura 5 anos), nada como regressar a Tiziano Ferro, agora com Carmen Consoli. "Il Conforto" é um hino à paixão e pelos vistos não fui eu só a achar isso em 2016/2017, quando esta música foi lançada! Tiziano Ferro morreu há muito em Portugal mas em Itália é um senhor! Esta está sempre na lista...

 

Per pesare il cuore con entrambe le mani 
Ci vuole coraggio 
E occhi bendati su un cielo girato di spalle 
La pazienza a casa nostra il coraggio il tuo conforto 
Ha a che fare con me 
È qualcosa che ha a che fare con me

 

E um filme? De facto, quem sou eu para estar aqui com sugestões? Enfim... Porque é que não me dão as vossas também? Trocamos? Afinal, quem sugere é mais do que quem segue? Negativo! Às vezes, bem pelo contrário... Chutem! Deixo "Istanbul Kirmizisi" ou "Rosso Istambul" de Ferzan Ozpetek. Ver este filme é percorrer Istambul , é recordar... E muito que há para recordar! A banda sonora é interessante e embora não sendo um filme perfeito, a história em torno da personagem do escritor Orhan Şahin merece a pena...

Caríssimos... E é isto! Se tiverem tempo, nada como dar uma espreitadela a este artigo que nos fala do ameaçado "Mouchão da Póvoa" em pleno estuário do Tejo! Estou em dívida com o autor, pois contamos iniciar uma série de textos (e talvez, não só) no sentido de alertar para os perigos que o nosso "Tejo" enfrenta.

 

Bom fim-de-semana e... Não se esqueçam que os 10% de assalariados (assalariados, reforço) mais pobres do Mundo têm de trabalhar três séculos (portanto... 300 anos!) para auferir o rendimento anual (365 dias, 1 ano) dos 10% mais ricos.

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Também tu, ISCTE?

por Robinson Kanes, em 04.07.19

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Créditos: https://www.theguardian.com/culture/2016/jan/04/how-we-made-the-usual-suspects-bryan-singer-gabriel-byrne

 

Um dos meus cursos superiores foi obtido no ISCTE-IUL em Lisboa. Um lugar interessante, e também com uma forte componente política por detrás, sobretudo voltada à Esquerda (por vezes, demasiado à Esquerda) e por alguns indivíduos que, à semelhança de tantas outras instituições de ensino superior, ao invés de darem algo de novo ao mundo, regozijam-se com a masturbação intelectual.

 

Também lá conheci gente muito interessante, alguns que até me deixaram surpreso, pela proximidade com alguns Governos, nomeadamente o de Sócrates. Um dos melhores professores que tive, era um socrático de "primeira apanha", passo a expressão, mas também um excelente professor e ser-humano.

 

Mas o que me custa a digerir é o facto do ISCTE-IUL, em mais um dos seus "Executive Masters"  não vou divulgar qual, ter caído na tentação de atrair os do costume...

 

E quem são os do costume? São aqueles que estão sempre nas revistas da especialidade, em eventos (muitas vezes criados e financiados pelos próprios), nos jantares habituais de maçonaria rasca de determinada actividade profissional. São aqueles que ninguém conhecia até começarem a aparecer e a trocarem favores e dinheiro por prémios em "galas" da especialidade... São aqueles que em plenos pulmões, nas redes sociais e não só, se queixavam de terem sido corridos de um banco falido, e declamarem poesia relacionada com o facto dos amigos não nos darem um "tacho" quando não temos trabalho (já pensaram em mérito, esforço e envio de CV?). Aposto que um deles não está presente porque a recente crise numa empresa onde também auferia prémios por nada ter feito estalou...

 

São os mesmos que em duas conferências não me conseguiram dar casos práticos ou exemplos daquilo que diziam praticar... São também aqueles que dominam determinadas posições em muitas organizações e não há forma de sairem - alguns, quando abandonam são forçados mas logo os amigos estão lá para ajudar. São aqueles que usam e abusam da posição mas em termos de trabalho feito e novos horizontes, nada...

 

São aqueles que são e lambem as botas de figuras que dominam certos sectores e cujo domínio não é propriamente pelo bom trabalho - são os dinossauros de discurso balofo e das quintas habituais. São também aqueles que escrevem livros, não respondem a emails profissionais, mas estão sempre atentos aos emails pessoais e às reuniões paralelas... São aqueles que pouco sabem, não querem que os outros saibam ou até sejam vistos... E como existe disso por cá! Alguns dos conflitos mais absurdos que tive era quando (pares portugueses) me questionavam o porquê de "enviar" este ou aquele colaborador para eventos, formações e até "show off" ao invés de ir eu!

 

São aqueles que falam de mérito e reconhecimento mas na vida nunca disseram um obrigado - também não admira, tal é a velocidade com que dão entrevistas, sobretudo a revistas que ninguém compra. Alguns são bem conhecidos na praça por passarem mais tempo no salão de cabeleireiro ou em determinados restaurantes a tratar de assuntos pessoais e da imagem do que no trabalho. E atenção: não estou a falar de cargos em que isso é importante para a organização!

 

Desta vez não havia necessidade ISCTE, até porque basta olhar para algumas das nulidades que estão no curso para perceber que todos os outros trazem um empurrãozinho dos próprios - além de que os favores são para pagar e dar umas aulas e sempre nos fazem carregar a obrigação de contratar determinado fornecedor de serviços.

 

Com tanta gente boa por aí, não era necessário embarcar nos bafientos do costume...

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Rod Stewart: O cota ainda está em grande!

por Robinson Kanes, em 03.07.19

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Imagem: GC 

 

Não é comum, mas "volta e meia" (cão deitado), acabo por falar de uma ou outra experiência que acaba por ter algum impacte em mim.

 

Rod Stewart esteve anteontem na Altice Arena em Lisboa, e mais do que vir debitar as músicas, é importante mencionar que o senhor esteve em grande. Quem conhece os concertos de Stewart, sobretudo nos últimos anos, sabe que a desculpa de que se aleijou na visita ao Estádio Nacional  não convence! A estrela já tem idade para estar quieta no seu canto! Tal não impediu que fizesse um esforço (em alguns momentos, hercúleo) para estar em palco e não perder aquele ritmo e boa disposição que sempre o caracterizou!

 

Rod fez os mais lamechas dar uns abraços, trocar uns beijos e acima de tudo, fez dançar aqueles que, como eu, estavam num "dia não". O dia 1 de Julho é um dia de más memórias, e a este somaram-se decisões arriscadas e de uma terrível luta interior entre se manter fiél ao que defende e não embarcar em facilidades. Rod ajudou a ultrapassar tais inquietações - e só por isso mereça aqui um destaque. 

 

E a malta que ouve Rod Stewart também é boa gente - na plateia, ao nosso lado, um casal apaixonado pelo músico fez questão de nos oferecer duas cervejas durante o espectáculo! Porquê? Não sei! Quem lá esteve ouviu por duas vezes um "I Love you Rod" que ecoou pelo recinto? Pois é! Foi o cavalheiro que nos ofereceu as cervejas!

 

Em suma, o velho ainda mexe e ainda nos faz levantar o rabo da cadeira, mesmo que seja um dia daqueles...

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Uma União Europeia "à Lagardère”.

por Robinson Kanes, em 03.07.19

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Créditos: https://www.euractiv.com/section/eu-elections-2019/news/christine-lagarde-a-non-conventional-pick-for-the-ecb-presidency/

 

Falar-se de Isaltino Morais (e outros) em Portugal é o suficiente para causar alguns rápidos vómitos, sobretudo se estivermos a falar de ética, Justiça e... Pouca vergonha. No entanto...

 

No entanto, depois de Juncker, o senhor dos cambalachos com multinacionais no Luxemburgo, a União Europeia decide, mais uma vez, lançar uma pedra para aquela que poderá ser a sua destruição a longo prazo. Essa destruição, contudo, não será com guerras nem conflitos económicos, mas com uma destruição de valores e pela total ausência de interesse por parte dos europeus. Se em Portugal o pouco interesse com as questões europeias é latente e poucos estão interessados em conhecer as causas, na União Europeia o esforço também não tem lugar! 

 

Defendo a União Europeia (concordo e discordo também com algumas políticas), contudo, colocar Christine Lagarde como representante máxima do Banco Central Europeu (BCE) é, no mínimo, um dos maiores escândalos depois de Juncker e até Vitor Constâncio. Durão Barroso e outros também, mas ninguém poderia prever que mais tarde poderiam seguir outros caminhos...

 

Tantas vezes criticamos o nosso país, mas estamos numa Europa que elege para o BCE alguém que pedia a outros (aos gregos) que pagassem impostos e auferia rendimentos de milhões sem pagar qualquer taxa sobre isso! Elegemos para o BCE alguém que desviou verbas públicas e foi condenada por isso - mas não cumpriu pena porque era a Directora do Fundo Monetário Internacional! A impunidade dos clássicos ainda dura... Sobretudo quando tais "julgamentos fantoche" são conduzidos pelos próprios parlamentares! Uma espécie de comissão parlamentar que, mais uma vez, obstrui a verdadeira justiça! A gravidade é tal que nem a pseudo-condenção de Lagarde surge no seu cadastro!

 

É com a "eleição" dos suspeitos do costume, e sempre do mesmo bloco dominador, que aqueles que querem uma Europa unida esperam ter o apoio dos seus cidadãos? Especialmente do bloco de leste (que, de certo modo, até sai "vencedor" como força de bloqueio) e do bloco mediterrânico? É assim que os portugueses também podem confiar num Governo que coloca como candidato a vice presidente do Parlamento Europeu, Pedro Silva Pereira - indivíduo com claros "telhados de vidro" no caso Sócrates e que foi "escondido" dos portugueses aquando da campanha para as eleições europeias? 

 

Em suma, é esta Europa que está preparada para os tempos mais difíceis da sua existência?

 

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Sobre a Corrupção e um Obrigado ao Sapo!

por Robinson Kanes, em 01.07.19

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Créditos:https://www.bloomberg.com/news/features/2017-06-08/no-one-has-ever-made-a-corruption-machine-like-this-one

 

Tenho de iniciar este artigo com um agradecimento especial à "página principal" do portal SAPO, sobretudo pela partilha do meu último texto dedicado à corrupção. Tenho de admitir que não esperava, quer pelo teor quer pelo "esticar da corda" com que abordei o tema. O SAPO e eu nem sempre estamos de acordo, mas também tenho de reconhecer quando faz um bom trabalho e quando tem em conta os meus artigos e de outros que, embora menos divulgados, também vão tendo o seu destaques. Obrigado! E admito que é com um grande sorriso que vejo que também estão atentos a temáticas que são verdadeiramente interessantes, mesmo que a partilha deste género de conteúdos nem sempre possa gerar a simpatia de todos os vossos visitantes. OBRIGADO!

 

Aproveito também este artigo, porque não deixei de pensar nas palavras que ouvi num programa de rádio (Bloco Central, na TSF - 28/06/2019) onde, mais uma vez, uma rádio que já foi de algum nível dá espaço de comentário a indivíduos que ninguém consegue perceber o porquê: o típico comentador de tudo que tanto está num programa a comentar política e/ou economia como num outro a comentar futebol e cuja vida gira em torno de tecer comentários - pior que isso, o jornalista comentador que não quer perceber a linha entre ser jornalista e ser, de certo modo, influencer e arrogante na exposição da sua "verdade"... Nem que seja na Rádio Voz do Sardoal, não consigo perceber.

 

Não posso deixar de ficar estupefacto com o facto de um desses mesmos indivíduos, que estão numa rádio de expressão nacional, vir dizer, por outras palavras, que a corrupção não é um problema, ou quando muito, não é um problema grave! Um dos argumentos, até faz sentido, não fosse surgir com o intuito de não dar importância ao que foi anunciado pelo Conselho da Europa e que se  debatia com o facto de termos leis a mais no combate à corrupção! Aliás, vai mais longe e diz que muitas delas violam a Constituição e vão além daquilo que deveriam ir! Até pode fazer sentido, mas aí também fará sentido debater a Constituição noutras matérias - tema pouco abordado! Também não vi nesse programa ser defendido o facto de que se temos tantas leis, porque é que não são aplicadas como deveriam ou o porquê dos meios não serem reforçados.

 

Um outro argumento, está relacionado com o facto de se encarar o tema da corrupção como sendo populista e como uma forma de que, quem não tem sustento, poder ganhar dinheiro a falar e a denunciar a corrupção! Face a um argumento destes, chego a pensar se na cabeça de quem profere isto não se procura promover as práticas de corrupção ou, no mínimo, abafar a discussão em torno desta - já não questiono o porquê de tal pensamento. Se falar e combater a corrupção for populista ou pindérico, pois bem, chamem-me tudo isso! Melhor isso do que corrupto ou vendido encartado.

 

As pérolas não se ficam por aqui, e uma outra é o facto de garantir que o Ministério Público e quem investiga a corrupção tem meios e campo de actuação mais que suficientes! Sugiro que fale com quem trabalha, só a título de exemplo, no Ministério Público ou na Polícia Judiciária. Parece que o intuito aqui é responsabilizar quem combate a corrupção, pela existência da mesma - no mínimo, vergonhoso!

 

Finalmente, o argumento de que a Justiça condiciona a acção de determinado partido que está refém do "caso Sócrates"! A Justiça não condiciona ninguém e ao contrário do que foi veiculado por alguns media nos últimos dias, não vive de derrotas nem vitórias - ao contrário da política, a Justiça não é um jogo, embora seja o desejo de muitos jornalistas, comentadores de WC e políticos.

 

Espero que, de facto, quem acompanhe estes programas - cuja ideia é interessante - não se deixe levar pelas alarvidades que são ditas por indivíduos mandatados por outrem ou que simplesmente vivem de opinar sobre tudo e sobre nada e que têm também os seus expedientes. Temo que esta espécie de comentadores tenha demasiado tempo de antena e pouca avaliação/crítica por parte de quem vê/lê/ouve... Temo que o comentário de outrem seja o "delegar do nosso pensamento e espírito critico". Temo que não se avalie a credibilidade, conhecimento e competência destes indivíduos...

 

Em alguns casos, chego a "temer" que num país sem corrupção, indivíduos destes também não existiriam...

 

P.S.: Não deixem de visitar este espaço que nos fala da importância de preservamos o nosso Tejo! Tenho a vaga ideia de que esta temática vai andar por lá e por cá nos próximos tempos!

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