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Fonte da Imagem: Própria. 

 

o Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios carece de uma forte incorporação de conhecimento. Muitas das decisões são tomadas apenas com base em conhecimento empírico e baseadas em perceções normalmente questionáveis

 

Incompetência! Inaptidão para o cargo. Falamos do território nacional, de património natural e edificado, de pessoas e bens, de animais...

 

A Escola Nacional de Bombeiros, integralmente financiada por recursos públicos, deverá ser integrada no sistema educativo nacional, transformando-se numa escola profissional e orientando a sua ação prioritariamente para perfis profissionais acreditados. A oferta atual de cursos de curta e muito curta duração, deverá ser avaliada e eventualmente reformulada, explorando as modalidades de ensino a distância. (pág. 19)

 

Porque já não o é? Ainda por cima suportada integralmente por todos nós?

 

A sociedade portuguesa tem um distanciamento cultural em relação à floresta que urge ultrapassar. Por esse motivo, Portugal regista um elevadíssimo número de ignições por ano, valor que é seis vezes superior ao registado em Espanha e 19 vezes superior ao da Grécia. (pág. 22)

 

A culpa também é nossa...

 

No período 2000-2016 os custos de prevenção variaram, no entanto, muito pouco: entre os três períodos, entre 23 a 25 milhões de euros por ano. Os custos com a supressão, porém, aumentaram naqueles três períodos de 65,9 para 69,5 e para 78,1 milhões de euros por ano, destacando-se a importância dos meios aéreos de combate que variaram naquele período entre 50% e 65% do custo total de supressão. (pág. 37)

 

Para aqueles que defendem que a prevenção tem tido um aumento no investimento face ao combate...

 

A causa da ignição inicial associada ao incêndio de Pedrogão Grande não consta ainda do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF). O relatório circunstanciado da GNR datado de 26 de julho refere que teve origem na linha elétrica, por contacto ou descarga, a qual observámos estar muito próxima da copa das árvores; o ponto de ignição situa-se num troço da linha de média tensão que numa extensão de 500 m estava desprovido de faixa de proteção. (pág. 61)

 

Atentemos no "teve origem na linha elétrica, por contacto ou descarga, a qual observámos estar muito próxima da copa das árvores". A tese de acidente continua a ter validade? Fica a questão.

 

O EUMETSAT assinala uma descarga elétrica positiva na região por volta das 14h45 sendo de notar que os registos de raios detetados pelo IPMA não incluem a descarga que originou o fogo de Góis nem aquelas observadas em fase mais adiantada do incêndio de Pedrogão Grande. (pág. 62)

De acordo com os testemunhos existentes a propagação inicial do fogo foi tímida e a sua intensidade inicial muito reduzida, apresentando no caso de Regadas Cimeiras chamas com tamanho aproximado de 20 cm. (pág. 64)

 

Contradições e a confirmação de que o fogo só atingiu uma maior "força" horas mais tarde. Não foi imediato.

 

A existência de maquinaria pesada propriedade das câmaras municipais ou protocoladas para sua utilização (como é o caso das máquinas da Associação de Desenvolvimento Regional da Serra do Açor – ADESA) é muito valorizada, quer para ações de beneficiação de caminhos e/ou de faixas de gestão de combustíveis, quer para apoio ao combate a incêndios florestais.

Existem equipas de sapadores florestais em todos os concelhos. Estas equipas são utilizadas, mas apenas em vigilância, primeira intervenção e rescaldo. (pág. 102) 

À exceção da REN e EDP, o cumprimento do PMDFCI pelas restantes entidades é considerado relativamente baixo. (pág. 103)

 

Nem tudo é mau e afinal, uns dos que são apontados como os maus da fita em muitas situações, até são os que cumprem a lei. No entanto, a ignição de Pedrogão coloca algumas questões nesta matéria.

 

Refira-se o caso de Pedrógão-Grande que não tem o plano aprovado, apesar de ter procedido ao planeamento das faixas de gestão de combustível. Este planeamento (gestão combustível) não pode ser negligenciado, sendo por isso considerado na presente análise. (pág. 104)

 

Voltamos a ter o presidente de câmara vítima em xeque...

 

Os técnicos apontam a necessidade de preparar as populações para ocorrências como a de Pedrogão, através de um trabalho pedagógico continuado e dirigido.

Metade dos técnicos acha que faltaram meios no incêndio de Pedrogão e que houve falhas de coordenação. Há críticas também à falta de formação dos bombeiros e ao facto de os comandantes não serem escolhidos em função das suas competências. Houve críticas também de descoordenação no PCO.

Houve igualmente críticas às falhas de comunicação, sobretudo por motivos organizacionais. Apesar das críticas ao dispositivo de combate, a maioria dos técnicos considera que as condições foram excecionais em termos de meteorologia e de comportamento do incêndio. (pág. 114)

 

Mais uma vez o empowerment e educação das populações não está a ser feito. Mais uma vez a questão das nomeações por factores que não são as competências a justificar o compadrio. Contudo, existe o reconhecimento de que foi uma situação atípica.

 

O briefing do dia 14 de junho deu conta do agravamento da situação meteorológica a partir do dia 16 e culminando nos dias 17 e 18, com previsões do aumento da temperatura máxima do ar e diminuição da humidade relativa (e sem recuperação noturna no interior do país), aliás como se veio a verificar. Muito significativamente, apontou para “instabilidade no interior, mais provável a partir do dia 17 com trovoada e aguaceiros”. Em Portugal o apoio à decisão baseado na informação pirometeorológica está subdesenvolvido, pese embora o manancial de informação atualmente disponível e que procede de várias fontes. Além do IPMA há que referir o European Forest Fire Information System e o serviço “Mapas e Dados Meteorológicos e Florestais”, disponibilizado pelo Instituto Dom Luiz e apoiado pela ANPC e ICNF. (pág. 120)

 

A informação existe, não existem indivíduos ou os que existem não possuem competência para interpretar a mesma.

 

Na descrição da situação meteorológica pode-se ler no 4o parágrafo do referido CTO, sublinhado e a bold no comunicado técnico “entre os dias 16 e 18, a temperatura máxima poderá atingir valores entre 40 e 43 o C nas regiões do interior...” associado a ventos moderados e a humidades abaixo dos 30%. Sem dúvida que se estaria na presença de um quadro em que era expectável tempo quente e seco com permanência de condições favoráveis à eventual ocorrência e propagação de incêndios florestais.

Sabe-se também que estávamos em plena fase Bravo, em que os meios disponíveis e a capacidade instalada é francamente menor do que a prevista e planeada para a fase Charlie. Contudo não deixa de ser estranho que em sede de determinações operacionais, de acordo com o ponto 4 do já referido CTO, o único meio de reforço pré-posicionado para o quadro previsto fosse o Grupo de Ataque Ampliado (GRUATA) da Força Especial de Bombeiros (FEB), na base de apoio logístico (BAL) de Castelo Branco. (pág. 122)

 

Sem comentários...

 

deduzindo-se que por isso a probabilidade de novas ocorrências deveria ser igualmente baixa. Este racional é reforçado no documento de resposta à senhora Ministra onde se reafirma que: “... dado que na zona de Pedrógão não ocorriam incêndios há 10 anos, por este facto a zona não era historicamente relevante.”Além de não haver rigor factual na afirmação, a não ocorrência de incêndios numa série de anos não deverá constituir fundamento para aliviar o planeamento operacional e a prevenção.

Ou seja, para cada dia, para cada mês ou para cada ano que passa sem que um território, caracterizado por elevado risco de incêndio florestal, seja fustigado pelo fogo, conduz a um aumento gradual de risco de incêndio, situação que aconselharia a redobrar a atenção relativa a novos incêndios. Por este motivo, medidas de ajustamento operacional, antecipando cenários, teriam tido todo o sentido, se orientadas para o interior norte do distrito de Leiria, bem como para os distritos de Castelo Branco e de Coimbra.(pág. 123)

Amadorismo, incompetência, negligência... Como é possível que indivíduos com tamanha responsabilidade apresentem justificações e pareceres destes...

 

Na fita de tempo é referido que às 18h18 é acionado o H03-Kamov para este teatro de operações, o que nunca veio a acontecer como se comprova pelo relatório de controlo missão diário desta aeronave, já que à mesma hora foi mobilizado para São Miguel Rio Torto, concelho de Abrantes, distrito de Santarém, onde efetuou sete descargas e onde esteve em missão até ao final do dia. Assim conclui-se que entre 16h03/16h10 e as 17h58/18h06, um período de cerca de duas horas na fase mais crítica do incêndio, não esteve nenhum meio aéreo a operar no incêndio de Pedrógão Grande, nem em ATI nem em ATA. Precisamente no início da fase de ataque ampliado, na qual os meios deveriam ser diferenciados, esta operação ficou desprovida de qualquer meio aéreo.(pág. 128)

 

Sem Comentários...

 

Continua...

 

 

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É licito concluir, portanto, que houve subavaliação e excesso de zelo na análise da fase inicial do incêndio de Pedrógão Grande, que contribuíram para que o ataque inicial não conseguisse debelar o avanço do fogo. (...) No caso de Pedrógão Grande, quando tecnicamente se passou à fase de ataque ampliado, dever-se-ia ter alterado o comportamento do combate. Contudo, entre as 16h00 e as 18h00, numa fase crítica do incêndio, não houve intervenção de meios aéreos. Este período abrange já um primeiro momento de ataque ampliado sem a presença de qualquer meio aéreo. (págs. 12 e 13)

 

Ao contrário do que disse o Primeiro-Ministro, afinal as falhas já não foram só no início do incêndio... Está a esquecer-se da prenvenção e desta fase...

 

Poder-se-á recordar que as medidas de gestão de combustível em redor das vias de comunicação e em volta dos aglomerados populacionais não tinham sido cumpridas. A promiscuidade entre casas e árvores nestes aglomerados, por incúria ou falta de recursos económicos dos proprietários, cria situações de enorme risco junto às habitações. Nas vias de comunicação, as obrigações das entidades gestionárias e/ou concessionárias não tinham sido cumpridas de acordo com as determinações legais. (pág. 14)

 

Vamos continuar a ter pena dos presidentes de câmara?

 

O PCO voltou a emigrar, já no dia 19, para Avelar (Ansião). O seu funcionamento, para além dos aspetos técnicos referidos, foi nos primeiros dias perturbado pela presença excessiva de autoridades e elementos de órgãos da comunicação social. Situação que se deveria evitar, pois a função de comando exige total concentração. (pág. 15)

 

O folclore dos senhores do colete, bem como o folclore de altas entidades governativas (Presidente da República e Primeiro-Ministro não são excepção) acabou por ser também responsável por uma maior ineficácia dos meios. Uma coisa é estar a apoiar, outra coisa é atrapalhar. O populismo tem destas coisas, desta vez as selfies foram um entrave. Interessante que pouco se falou sobre este tema...

 

Nestes dois mega-incêndios, as falhas de comunicações do SIRESP foram sendo colmatadas transitoriamente com o recurso às redes móveis públicas e à ROB. Estas redes permitiram superar pontualmente as ineficiências da rede SIRESP funcionando como redes redundantes. A rede SIRESP está baseada em tecnologia ultrapassada (quando comparada com as tecnologias 3G e 4G). Representou, quando foi introduzida, um enorme avanço em relação à fragmentação passada. Mas não acompanhou a evolução vertiginosa que as tecnologias de comunicação sofreram nos últimos anos. (pág. 15)

 

A culpa não foi do SIRESP, mas andamos a pagar milhões para ter um sistema de comunicações obsoleto que até é superado por sistemas ao dispor de qualquer cidadão. Sendo um sistema obsoleto, não tendo culpa na tragédia... Quem adjudicou tal sistema?

 

no que respeita ao incêndio de Pedrógão Grande, e para além das excecionalidades meteorológicas atrás referidas, não houve pré-posicionamento de forças, nem análise da evolução da situação com base na informação meteorológica disponível. A partir do momento em que foi comunicado o alerta do incêndio, não houve a perceção da gravidade potencial do fogo, não se mobilizaram totalmente os meios que estavam disponíveis e os fenómenos meteorológicos extremos acabaram por conduzir o fogo, até às 03h00 do dia 18 de junho, a uma situação perfeitamente incontrolável. (pág. 15)

 

O que é preciso mais?

 

Continua...

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Esta semana a grande sugestão  que todo e qualquer português com idade para votar ou fazer algo pelo seu país deve ler (e se não souber peça para lhe lerem) é o "Relatório de Análise e apuramento dos factos relativos aos incêndios que ocorreram em Pedrogão Grande, Castanheira de Pera, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Góis, Penela, Pampilhosa da Serra, Oleiros e Sertã, entre 17 e 24 de Junho de 2017" - basta descarregar o mesmo aqui. Deve fazê-lo porque os media deveriam fazer o seu papel que era informar, mas cuidado com as análises e as selecções a gosto que são feitas...

 

Hoje e amanhã, como cidadão (sem conhecimento técnico e sem vontade de influenciar o que quer que seja) vou ter este espaço aberto onde colocarei vários excertos da minha leitura com alguns comentários. Contudo, reafirmo, leiam todos o relatório e tirem as vossas conclusões.

 

A questão que se coloca é a seguinte: no século XXI, com o avanço do conhecimento nos domínios da gestão da floresta, da meteorologia preventiva, da gestão do fogo florestal, das características físicas e da ocupação humana do território, como é possível que continuem a existir acontecimentos como os dramáticos incêndios da zona do Pinhal Interior que tiveram lugar no verão de 2017? (pág. 7)

 

É a pergunta que todos colocam e ninguém responde, porque?

 

A desadequação entre as funções desempenhadas por cada um dos diversos agentes e as respetivas qualificações e competências é um dos graves problemas que impede a solução de muitos dos problemas existentes em torno dos incêndios florestais (e) teremos de orientar a atuação para a adoção de forças especializadas, com elevado nível de qualificação, destinadas à resolução destas problemáticas, o que não se coaduna com amadorismos. (pág. 8)

 

Gente a mais, despesa a mais, amadorismo a mais e trabalho a menos, jobs for the boys... Aqui a culpa não é do raio...

 

Em Espanha, por exemplo, qualquer incêndio de amplitude significativa tem um Diretor, que é um técnico florestal experimentado na gestão da floresta e do fogo. Esse perfil profissional, também iniciado em Portugal mas adotado de forma distinta, é pouco solicitado, conduzindo a que as operações de combate a incêndios tenham um carácter estritamente quantitativo, em redor da mobilização de homens, viaturas, aviões ou helicópteros, apimentados com os relatos artificialmente empolados da responsabilidade de alguns órgãos da comunicação social. (págs. 8 e 9)

 

Temos o meios e os profissionais, mas provavelmente, estes não terão os amigos certo. O perigoso poder dos media a ser apontado como influenciador na tomada de decisões. Não vi isto em nenhum website noticioso.

  

Recorde-se, desde logo, que a autoridade florestal nacional mudou seis vezes de figurino institucional nos últimos vinte anos. Para uma instituição que se manteve estável durante mais de um século, nada de bom haveria a esperar desta evolução tortuosa. (pág. 9)

 

Responsáveis políticos desta e de outras épocas?

 

A área de faixas de gestão de combustível, incluídas nos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios, dos 11 municípios afetados pelos incêndios de Pedrogão Grande e Góis, atingem a extensão de 31 712,09 ha. No período de 2012 a 2017, apenas foram executados cerca de 19%, de acordo com a informação cartográfica recolhida. O maior constrangimento apontado foi a falta de cumprimento da legislação ao nível das faixas de rede secundária (50 m em volta das edificações, 10 m para cada lado da rede viária e 100 m à volta dos aglomerafos populacionais), comprometendo transversalmente proprietários privados e as entidades gestoras das infraestruturas públicas e privadas. (pág. 12)

 

Os Presidentes de Câmara e outros que se fizeram de vítimas durante todo este processo, onde estão para responder a esta questão? Podem responder agora, que as autárquicas já foram e a demagogia já não é necessária.

 

As condições atmosféricas então vigentes determinaram no dia 16 de junho um alerta especial de perigo de incêndio florestal em nível Amarelo para todo o território por parte do CNOS. Estava- se ainda na fase Bravo (15 de maio a 30 de junho) e não tinha sido tomada decisão alguma para eventualmente antecipar a fase Charlie (normalmente de 1 de julho a 30 de setembro). Face às condições instaladas e previstas, a avaliação que deve ser feita relativamente à prontidão das atividades de pré-supressão de incêndios é francamente negativa, uma vez que:

  •  Os postos de vigia para deteção de incêndios mais próximos da ocorrência de Pedrógão Grande não estavam ainda ativos;

  •  não havia vigilância móvel armada nem pré-posicionamento de meios de combate em local estratégico, à exceção dos sapadores florestais.

    Nesta situação, e perante os avisos e alertas meteorológicos, estavam criadas as condições para que um eventual incêndio florestal se desenvolvesse, explorando as condições físicas, meteorológicas e de insuficiente prontidão das forças de proteção civil. A antecipação da fase crítica do DECIF poderia ter permitido a deteção mais precoce dos fogos nascentes e certamente teria tido implicações nos resultados do combate aos incêndios.

    É manifesta a rigidez dos procedimentos e recursos disponíveis para a pré-supressão e supressão a incêndios em Portugal, indicando deficiências na perceção do risco e impedindo uma resposta efetiva à evolução temporal do potencial de incêndios ao longo do ano. Note-se que Portugal não dispõe de operacionais especializados em meteorologia aplicada a incêndios, com acompanhamento permanente (em tempo real) das condições e dos incêndios ativos.

 

Negligência atroz de todos os responsáveis por esta área, inclusive políticos! O que estes palavras nos dizem é que existia conhecimento da situação de gravidade e nada foi feito... Quem é/são os responsáveis? As lágrimas no dia da(s) tragédia(s) foram somente o choro de criminosos que ficaram cara-a-cara com os estragos do crime. Este facto é de uma gravidade extrema!

 

Continua...

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

Mas uma natureza medíocre jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade.

Platão, in "República"

 

 

E Portugal continua a viver debaixo de uma intensa nuvem de fumo que parece até cortar a visão aos seus cidadãos...

 

Os fogos continuam a deflagrar! Na verdade, agora até podem deflagrar porque não estamos na burocratizada época de incêndios, por isso o impacte mediático é curto. Aliás, até podemos aproveitar a onda e vender o produto "Turismo Incendiário" para combater a sazonalidade. Fosse esta época tão quente como foi em alguns países e provavelmente muitos membros do Governo e o próprio Presidente da República já tinham sido chamados a responder onde está o "doa a quem doer", sob pena de serem pendurados numa varanda em Belém e São Bento. Mas os fogos também são uma mais-valia, que o diga o Presidente da Câmara de Pedrogão Grande que utilizou os mesmos (e o dinheiro do povo), para fazer campanha eleitoral. A verdade é que cometeu um crime, mas a diferença é que Isaltino Morais tem uma máquina melhor que a Comissão Nacional de Eleições no espaço mediático - um vende bem a promover-se, o outro beneficia do quase anónimato.

 

Contudo, apraz-me perguntar: podemos chamar de profissional e competente quem, vendo que o panorama climático não iria mudar, decidiu baixar a guarda perante uma calamidade que já se adivinhava? Há mais de 40 anos que os erros se têm vindo a repetir, Pedrogão (pelo grau de violência) seria o ponto de viragem. Todavia, não passaram três meses e os erros infantis de gente medíocre voltaram a repetir-se! Reduziram-se os meios, fecharam-se postos de vigia e fechou-se os olhos ao cataclismo. Os olhos só se voltaram a abrir porque alguns indivíduos vieram para a comunicação social, denunciar a incompetência e a imbecilidade de quem está à frente desta matéria, caso contrário, continuaria tudo na mesma - aliás, o próprio inapto Secretário de Estado com a pasta da protecção civil, veio dizer ontem que muitos meios seriam reactivados por causa das notícias dos últimos dias! Por causa das notícias, que mexem com a popularidade e não por uma necessidade! O país é gerido numa lógica de popularidade, mas sem um país, também não existirá popularidade...

 

E porque é que em muitas situações os meios aéreos só entram quando o fogo já atingiu dimensões incontroláveis? Não percebo de incêndios, é apenas a visão de quem está a ver o seu país a ser destruido por um vasto conjunto de indivíduos podres e que contaminam tudo o que ainda de bom subsiste, mas os meios aéreos não atingem o ponto maior de eficácia nos primeiros momentos do incêndio?

 

Entretanto o país arde... Mas o fogo dos portugueses já está mais focado no futebol... Desde que não ardam estádios, o resto pode arder e alguns vão assim assistindo ao fim de um país! Até os defensores do separatismo catalão, tiraram hoje o dia para se debruçarem sobre o futebol, excepto alguns que andam a dizer que a Catalunha é uma não questão para Portugal, mas até vão aplaudir uma hipótética declaração de independência in loco

 

Na verdade, a corrida ao melhor lugar na fotografia, levou a uma irresponsabilidade grotesca que terá consequências no médio-longo prazo. Não importa ser bom, importa estar nos grupos certos, nos meios certos e conhecer as pessoas certas... E aqui, é extensível a tantas outras áreas deste país... Talvez seja verdade o que alguns dizem: temos aquilo que merecemos - a ser verdade, que arda tudo e limpe de vez este povo do mapa, sobretudo o sentimento de impunidade e a incompetência camuflada de discursos e imagens bonitas... 

 

Porque não é passando o Natal em Pedrogão sob os holofotes mediáticos (óptima estratégia para aparecer numa época que politicamente tem pouca expressão nos media e passar a imagem do pai caridoso - estratégia muito comum em regimes ditatoriais) que os problemas das populações se resolvem: a prova é de que não foram coletes, nem donativos e muito menos selfies que evitaram um Setembro e um Outubro negros.

 

E para que não nos esqueçamos até ao Natal:

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lidia

O Fogo que Fala

O Fogo que nos Continua a Queimar

Chegou de Avioneta a Cobardia de um Povo

Caramba, Nunca Mais Morrem Pessoas nos Incêndios destes Dias

Sr Presidente, Não Somos Nada Bons

Pensamentos da Malta do Bairro Sobre Exames, Incêndios, Corrupção e Cegueira Colectiva

O Fogo do Inferno e as Chamas da Irresponsabilidade e da Vergonha

Fires in Portugal: Our heros are not hust Football or TV Stars!

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Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lídia...

por Robinson Kanes, em 28.09.17

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 Eva Gonzalès, Une loge aux Italiens (Museu d'Orsay)

Fonte da Imagem: Própria

 

Felizmente, mais que os heróis das redes sociais, mais do que os sentimentalistas de blogs, mais que os solidários da televisão e das artes, existem anónimos que fazem a diferença, aliás, são eles que fazem a diferença, os outros só aparecem.

 

É também por serem anónimos que não vou revelar mais da identidade destas duas pessoas que vou elogiar (elogiar, em Portugal? Não, não perdi a cabeça, não lhes pedi nenhum favor e não quero ganhar nada com isto), até porque os mesmos não iriam querer essa exposição. Estamos perante uma história verídica.

 

O Dr. Vasco, eu sei que não sou pessoa de tratar outros por títulos e o Dr. Vasco nunca fez questão que eu o fizesse - no entanto, existem pessoas que fazem questão de ser tratadas pelo título e outras cuja educação, respeito, ética, profissionalismo e postura nos fazem automaticamente assumir o título, mesmo que, academicamente nem fossem dignos de tal, o que não é o caso. O Dr. Vasco e a D. Lídia são um casal anónimo que não fala, não escreve e muito menos procura protagonismo com causas solidárias, contudo, o Dr. Vasco e a D. Lídia tiveram num Verão, uma viagem na ordem dos 3000-3500 euros agendada para fora das nossas fronteiras.

 

Ao verem o país a arder, sobretudo a sua região, o Dr. Vasco e a D. Lídia decidiram negociar com a agência e doar todo o dinheiro para a causa dos incêndios! Obviamente que não foi através de associações. Segundo o Dr. Vasco e a D. Lídia não se sentiam bem consigo próprios pelo facto de andarem a passear por aqui e por acolá deixando para trás um país em chamas, por sinal o seu. Não se sentiam bem por verem indivíduos conhecidos com o coração nas mãos enquanto bebiam um refresco em algumas das praças mais belas do mundo.

 

Uma história simples que não precisa de mais floreados e cujo testemunho o tive na primeira pessoa... Um exemplo de cidadania, demonstrativa de que, para além do folclore mediático os verdadeiros heróis são anónimos e andam espalhados por esse país fora. Cabe-nos a nós, demais anónimos, encontrá-los, valorizá-los e exaltá-los ao invés de perdermos muito do nosso tempo a bater palmas a indivíduos ocos e patrocinados pelo compadrio político e/ou mediático. No vosso dia-a-dia, inclusive, não faltam esses anónimos, hoje elogiem-nos, dêem-lhes um abraço e convidem-nos para tomar um café.

 

P.S: e praticamente em Outubro, ainda estamos à espera das responsabilidades ou de desenvolvimentos visíveis acerca dos incêndios do Verão... "Doa a quem doer"... Mais importante que passar um Natal mediático em Pedrogão é a justiça!

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"Dinner in the Sky"? Prefiro "In the Tree".

por Robinson Kanes, em 22.08.17

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Fonte das Imagens: http://www.redwoodstreehouse.co.nz/photo-gallery/

 

Uma das "últimas" tendências na área dos eventos e até do turismo é o "Dinner in the Sky", ou seja, "Jantar no Céu". Não estou a falar de uma reedição da "Última Ceia" mas agora com palco nas alturas e muito menos no "Cenáculo", em pleno Monte Sião. Também ninguém vai trair o organizador do jantar, é mesmo um jantar numa plataforma suspensa e suportado por gruas com chefs famosos a servirem. 

 

Pessoalmente não é uma iniciativa que aprecie, mesmo que digam que é moderno. Além de que... Se alguém beber bastante corre o risco de cair (não acontece, estarão presos).

 

No entanto, para comer nas alturas, um dos locais/iniciativas que mais me encantou foi recomendado por um colega austríaco na Nova Zelândia, mais precisamente em Warkworth, Auckland. O resultado é fazer a refeição nas árvores, uma espécie de regressar às origens mas de uma forma bem mais conseguida e bem mais ecológica que a anterior. Estou a falar da "Reedwoods Treehouse", um conceito de restauração extremamente interessante. Também é nas alturas, mas bastante mais natural e humano. 

 

Saborear uma refeição ou celebrar uma festa no meio da floresta, tendo para isso de atravessar uma plataforma de madeira entre as árvores e entrar num "ninho" é algo de singular. Actualmente, a "Reedwoods Treehouse" ainda só pode ser utilizada para eventos privados mas é sem dúvida um ideia excelente e que poderia ser transposta para as nossas florestas. Quando nos queixamos que a floresta está ao abandono, pode ser uma forma de rentabilizar um espaço garantindo, contudo, o equílibrio com a natureza. Ainda me lembro, quando apresentei esta ideia a um investidor e a duas câmaras, a perplexidade de todos. Embora não fosse algo novo a reacção foi esta: "acha que somos macacos para comer em árvores?". Tivesse eu falado de um jantar suspenso por gruas mas que tem mais visibilidade talvez tivesse tido mais sorte.

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O conceito é fantástico, ecológico e de extremo bom gosto criando uma experiência inesquecível. Com Portugal a ser o foco do turismo internacional, bem podemos ter uma forma de fazer o mesmo chegar a locais mais recônditos e menos conhecidos e com isso desenvolver um turismo sustentável e com reais impactes positivos no local. Além disso, a estrutura foi construída em apenas 66 dias! Quando falamos em "Turismo para Todos" não nos podemos esquecer de incluir no "todos" os que cá estão sob pena de cometermos erros que outros já se arrependeram e agora se encontram a corrigir.

 

Se ser macaco é isto, pois bem, trepemos às àrvores e aproveitemos este espaço!

 

Querem saber como tudo começou? Sigam esta ligação e vejam como uma campanha de marketing acabou por dar origem a este espaço.

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O Fogo Que Fala...

por Robinson Kanes, em 17.08.17

 

 

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Foi logo depois dos incêndios de Sertã e de Nisa que andei por aquela zona e tive oportunidade de ouvir vários relatos, sobretudo na primeira pessoa, mais fidedignos mas sempre com margem para exageros... Se por um lado consegui verificar no terreno que alguns correspondiam à verdade, outros nunca saberei...

 

A impressão com que fiquei é que existe um conjunto de indivíduos que combate incêndios dando o seu melhor (bombeiros, polícia, militares e outros cidadãos, sobretudo com postos subalternos) e um outro conjunto que percebe muito de incêndios mas... Eu admito, tirando alguns em que já me vi envolvido a ajudar, nada percebo. Mas vejamos:

  

Sabes, quando o fogo de Nisa começou a chegar perto da fronteira de Espanha, os gajos entraram no nosso país com aviões, máquinas de rasto, bombeiros e apagaram o fogo. Quem apagou o fogo de Nisa em horas foram os espanhóis e nós andámos cá uma semana e não conseguimos controlar o fogo. Aqui ainda nem vi nenhuma máquina de rasto.

Disse-me um conhecido. Se é verdade ou mentira não sei, mas já não é a primeira vez que escuto isto! Algo se passa e levo a crer que são falhas no comando e na forma como são geridos os operacionais no terreno. Mas os cargos perpetuam-se.

  

Então o comandante que estava aqui e é daqui (Vila Velha de Ródão) chamaram-no para o incêndio de Proença (Proença-a-Nova), mas isto ainda estava muito mau. Deixaram isto aqui com outro gajo que não conhecia o terreno como o outro.

 Motivos operacionais?

 

E os gajos da Protecção Civil? Então os gajos trazem o gerador de Lisboa e quando chegam aqui parecem baratas tontas porque precisam de gasóleo porque o gerador não tinha? Lá tive de ir às oito da noite correr à bomba do ------- buscar gasóleo! Os gajos trazem aquela m---------- sem gasóleo?

 Organização?

  

Se não fosse o gajo do helicóptero a vê-los e a largar-lhes um balde de água em cima tinham lá ficado todos, estes gajos não conhecem o terreno e ainda levavam um dos nossos. Então ninguém viu que por ali não dava, o ------ bem lhes disse que por ali não dava? Por falar em helicópteros, vão lá ver quem é que manda naquilo.

Não comento.

 

Qual força-aérea, qual combate, os pilotos deles é que andam aí a encher os bolsos a apagar os fogos nos helicópteros e nos aviões do outro que também... (não digo mais por causa das acusações que foram feitas).

 (À minha afirmação "está bem, mas os pilotos da força aérea são pilotos de combate e não estão preparados para combate a incêndios?")

Idem

 

Gente dessa não precisamos cá, eles não querem meter os carros nem dar cabo deles no meio do fogo. Eles querem lá saber isto não é deles e os carros são, eles não querem perder nem estragar os carros. Andam a deixar arder.

 Idem

 

Eles estavam à rasca lá em baixo, e eu como tinha o barco disse logo para arranjarem uma bomba que nós íamos para lá e do rio conseguíamos dominar daquele lado, uns gajos que deviam ser de Lisboa ainda nos mandaram estar quietos que não percebíamos nada de fogos. Eu já conheço esta zona há mais de 40 anos e sei como chegar a sítios onde eles nem sonham.

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(não é a fotografia que está mal tirada, são pequenos "tornados" que se formam das cinzas no alto da serra criando um ambiente ainda mais dantesco) 

 

 

Quem sabe é que manda. Ouvi muitos relatos em que muitos indivíduos do alto da sua "sabedoria" ignoram todo e qualquer conselho que venha de quem conhece o terreno.

 

Esses querem é encher o rabo com o mal dos outros olha que dinheiro a eles não lhes falta, é só encherem-se de casas e carros novos desde que lá andam. 

A propósito de uma entidade de que se dedica à acção social.

 

 

Os jornalistas querem é ver miséria mas não ouvem o que nós lhes dizemos. Na televisão não dizem aquilo que a gente lhes diz e só querem filmar-nos em pânico. Dão é conversa aos políticos que não sabem nada disto.

Não comento, mas penso que não perco muito por não ver televisão ou outros media.

 

 

E pagarem-se 15000 euros à esposa de um responsável da Protecção Civil para esta elaborar um estudo tendo em vista a aquisição de uma viatura ligeira que custa pouco mais que o próprio estudo? A esposa do responsável é geógrafa e trabalha numa câmara municipal. 

Esta fui eu mesmo que disse e está no website onde são divulgados alguns contratos e adjudicações públicas. Estudos do estudo com vista à elaboração do estudo para estudar o estudo que vai servir de apoio ao estudo que vai estudar a aquisição de uma viatura.

 

Foram algumas das coisas que ouvi. Se são verdade, algumas presenciei, outras nem por isso... Ainda há muito a fazer e ao invés de andarmos a pensar em listas e em discursos bonitos, temos de começar a pensar no fogo como um todo, na prevenção, mas mais que tudo, na máquina que está por detrás...

 

Mais uma vez, obrigado pelo esforço daqueles que presenciei visivelmente cansados (bombeiros e soldados) às portas de quartéis como o de Vila Velha de Ródão, Sertã, Abrantes, Nisa, Idanha-a-Nova e outros... 

  

Só me consigo lembrar de alguém que um dia, abandonando a Assembleia da República por não se identificar com o cargo de deputado disse que "se o povo soubesse o que por ali se passava invadia o edifício e matava todos os que lá estão".

 

E o fogo continua à espera de mortos para alguém interromper as férias e colher mais uns votos de popularidade... Os feridos não trazem ou tiram votos, já os mortos sim...

 

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O Fogo Que nos Continua a Queimar...

por Robinson Kanes, em 14.08.17

 

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

E as coisas tendem a não mudar... Quando a temperatura está prestes a aumentar e o vento a soprar com mais intensidade, anunciamos logo que vêm aí dias favoráveis a incêndios. Eu, se fosse incendiário, andava sempre informado como os surfistas o fazem em relação ao estado do mar... Mas esses ainda têm de ir à procura, já estes avisos caem de bandeja em cima daqueles que incendeiam e mandam incendiar... Mandam incendiar... Não são poucos os casos de incendiários (muitos com deficiências cognitivas) que perante a ameaça de pena máxima de prisão não ousam dizer quem lhes encomendou o serviço! É o medo e o poder de quem ordena. Não é um lugar-comum, são as palavras de quem já assistiu a situações do género!

 

Aposto também que o incendiário, no seu modus operandi, verifica se tem o bidão de gasolina, os fósforos e outros apetrechos logo que é anunciada a "época de incêndios" tal qual caçador de perdizes antes da abertura da "época de caça"...

 

O tema está gasto? Também a minha paciência, também os solos deste país, um país que só acorda para os incêndios se alguém morrer (tristes cidadãos). É Verão e posto que até ao Natal não há tema, já só fala de eleições... Eleições para cargos responsáveis também pelos grandes incêndios... O papel de tristes vítimas dos presidentes de câmara durante os incêndios é lamentável! Quem é responsável pelo PDM? Quem também faz a fiscalização? O esquecimento, o rótulo do reaccionário, o rótulo do "sempre a falar do mesmo", é a capa perfeita para continuar a perpetuar a impunidade, a irresponsabilidade e a incompetência! Mas o que importa agora são as autárquicas e presidentes que não se podem recandidatar a passarem para candidatos na presidência das assembleias municipais para daqui a quatro anos voltarem a conduzir os seus pequenos impérios "demcocráticos". Não é por acaso, que existem municípios onde existe um medo generalizado qual campo de concentração! 

 

Mais uma vez, as coisas vão acontecendo, vamos engolindo em seco... Até passam à história, de um dia para o outro, aqueles(as) que procuraram protagonismo com listas, mas pelas suas amizades (sem aspas) com alguns meios de comunicação social e perante a vergonha, rapidamente são absorvidos por um programa de protecção de criminosos (não me enganei e não queria dizer testemunhas)... Volto a dizer que não seria má ideia que, ao invés do tão aguardado terramoto, Lisboa e outras localidades pudessem passar por um incêndio de grandes dimensões que dizimasse metade da população... E, mesmo assim, tenho dúvidas que os portugueses chegassem à conclusão de que os incêndios não são espectáculos de solidariedade mas sim um crime de lesa-pátria!

 

Com o país em chamas levata-se também uma questão: onde estão aqueles partidos que gostavam de virar o país do avesso quando ardiam meia-dúzia de hectares e agora permanecem em silêncio perante este e outros factos de extrema gravidade? Onde estão aqueles supostos intelectuais, artistas, profissionais do mal dos outros e gentes da "ribalta" que protestam por tudo e por nada e, nas horas em que realmente o país precisa de mentes capazes de abanar o status quo, temem dar a cara ou preferem um mergulho no mar?

 

Temos uma Constituição que dá para tudo e para nada mas... Aos maiores crimes contra a pátria, esta parece ter sido omissa, ou também silenciada... Sejam solidários e continuem a contribuir com donativos e a assinar por baixo a carta de destruição do país...

 

Uma nota para Inês Henriques: parabéns pela vitória, pois não fosse o ouro e a necessidade de ocultar algumas tragédias, a maioria dos portugueses continuava a desconhecer a modalidade de "marcha" e também que estão a decorrer os Mundiais de Atletismo (ao que sei, se não fossem as medalhas era temática que passava ao lado). Os do costume já deram os parabéns... Agora é a vez do teu povo! Parabéns.

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 Fonte da Imagem:https://pixabay.com/pt/users/JosepMonter-1007570/

 

E porque é que inauguro o texto com este título? Serei sanguinário? Adoro a tragédia? Gosto da morte? Não... Mas em Portugal só existem incêndios quando morrem muitas pessoas, até lá o país pode arder todo, desde que não chegue perto da praia e incendeie o parque de estacionamento! Pior que um incêndio na praia onde passamos férias é o carro a arder!

 

Sem mortos e o foco na pessoa humana, parece que nunca é uma tragédia, mesmo que ardam hectares e hectares de flora, morram animais e sejam destruídas infra-estruturas! E as associações do costume, as dos peditórios, onde é que andam? Estão à espera da primeira meia centena de mortes para encaixar mais uns donativos, ou estão na praia? A "solidariedade" também vai a banhos ou também precisa de sangue para ser mais eficiente na recolha do donativo?

 

Será que o retorno solidário para as celebridades e para os media só existe quando existem muitos mortos? Ou será que falar de números de algo que já aconteceu sempre ajuda a esquecer o que está a acontecer? Podiamos fazer um concerto solidário em Vilamoura - com sorte até se recolhiam mais donativos, mas isso não é cool, não liga bem com sol, biquini e mojitos! Lembro a visita do Papa em que de um momento para o outro todos os portugueses se converteram ao catolicismo praticante e de repente até os ateus partilhavam selfies na Cova da Iria. Ao que sei "também" não se olhou a gastos para prevenir um incidente, doesse a quem doesse...

 

A verdade é que esta semana está a ter lugar uma calamidade (mais uma) no Centro do País (e se fosse só o Centro...): Mação, Coimbra, Sertã, Castelo Branco, Vila Velha de Rodão e por aí adiante... Mas ainda não morreu ninguém e aconteceu um outro azar: é Julho e é mês de férias... Este ano não foi preciso esperar por Setembro e Outubro para esquecermos os incêndios... Os incêndios de Alijó foram há menos de uma semana, ainda alguém se lembra? Não, agora queremos é festival da Eurovisão... Esperemos é que o fogo não chegue a Lisboa nem às grandes cidades e as pessoas comecem a perceber que o mesmo não se apaga com donativos e que a cidadania não é algo que se venda a troca de uma chamada solidária.

 

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Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons!

por Robinson Kanes, em 18.07.17

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Fonte da Imagem: https://imagens.publicocdn.com/imagens.aspx/598837?tp=KM&db=IMAGENS&w=823

 

É fácil a voz da grandeza, quando a pequenez está calada.

Vergílio Ferreira, in "Rápida a Sombra"

 

 

Por estes dias o Sr. Presidente da República anunciou ao mundo que nós, portugueses, somos mesmo muito bons!

 

Proferir estas palavras com meio país a arder é sem dúvida um momento ideal para reforçar a alma lusitana que se encontra a banhos e pouco interessada com o que se passa no resto do país. A grande "vantagem" de Alijó e Almeida é que não existiram mortos e como não existiram mortos não há problema! Em Portugal, para se "abrir os olhos", é sempre necessário para cima de 50 mortos, no mínimo.  

 

Talvez enquanto estivesse no México, o Sr. Presidente não estivesse em Alijó intoxicado pelo fumo como eu estive ou não tivesse sentido a nuvem de fumo que já se sentia quando se entrava em Espanha por Calvos! Calvos, Sr. Presidente, são 176km! Talvez enquanto estivesse no México a falar de alegrias não se deparasse com o desespero, mais uma vez, das populações. De facto, Portugal é um país de gente maravilhosa mas que continua a não compreeender, por exemplo, como é que somos o único país do sul da Europa que não tem meios-aéreos de combate a incêncios afectos à Força Aérea! Interessante... Pois somos também aquele que tem maior número de área queimada. Também ninguém consegue perceber porque é que tarda a decidir-se acerca da responsabilidade na gestão dos donativos no incêndio de Pedrogão... Há muitos abutres da "solidariedade" interessados em gerir este bolo riquíssimo, afinal são 13 milhões e sempre estas reuniões devem ser mais concorridas do que as pequenas reuniões municipais e nacionais do "choradinho" de fundos para os pobres com a malta do "social"! E denotem... Não sou eu que lhes atribuo este estatuto, são os próprios que gostam de dizer que são do... Social!

 

Interessante é também o discurso dos mais velhos, e aqui perdoem-me os politicamente correctos, que dizem que no "tempo do Salazar e do padrinho do actual Presidente da República não se viam tantos incêndios, mas depois do Verão Quente de 1975 nunca mais pararam"!. Não me venham dizer que são só as alterações climáticas! Eu nem vivi esses tempos...

 

Somos realmente muito bons, só ainda não descobrimos como é que podemos sobreviver sem andar sempre a reboque da máquina do Estado e de como responsabilizar o Estado por falhar nos seus deveres primordiais para com todos nós. Ou talvez perceba, porque a única coisa que faz com que os estudantes (o futuro do país) se revoltem nas Universidades é um aumento de 10 euros nas propinas e que pode significar menos uma noite de cervejas à conta do erário público. E nunca é de bom tom não ter acesso a uma bolsa quando se quer ir de carro novo para a Universidade.

 

Por enquanto o país vai ardendo, mas não se salvam pessoas, animais, árvores, infraestruturas e todo um país com minutos de silêncio, discursos, comentários e homenagens protocolares! O país também não se salva com a hipocrisia partidária que hoje defende uma coisa, amanhã já defende outra porque afinal... Afinal, por muito que nos doa, é a ânsia de poder que domina o actual sistema partidário e os portugueses são somente marionetas que sustentam esse sistema mas pouco obtêm dele. Talvez por isso, quando alguém mete o dedo na ferida e denuncia as tranches de dinheiro que continuam a ser enviadas para muitos indivíduos que poderiam trabalhar e obedecer à lei, mas não o fazem, sejam imediatamente criticadas... Afinal, enquanto o dinheiro chegar também não se revoltarão... Nisto também somos muito bons, Sr. Presidente.

 

Pessoas, animais, árvores, infraestruturas e todo um país, salvam-se sim com acções no terreno, sobretudo preventivas. Pois somos muito bons efectivamente, mas todos temos os nossos limites de paciência! Até porque o fogo não abranda com um beijinho nem com um afecto e muito menos com propaganda a fazer lembrar tempos idos...

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