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Créditos: https://medium.com/swlh/stop-working-start-thinking-e2a643c11b86

 

 

Recentemente o eco revelou um relatório da OIT que apontava para o facto de 36% dos trabalhadores a nível mundial trabalharem em excesso. Vejamos, estes relatórios são baseados nas informações que se conseguem, ou seja, trabalho legal, declarado e não escravo - podemos sempre imaginar o que estes relatórios não alcançam.

 

No caso português muito se tem falado - não faltam revistas, comentadores que cultivam o networking, gestores de recursos humanos e não só, que apregoam uma coisa e fazem outra ou então que assumem como obra sua copy-paste de directivas que são emanadas pelas multinacionais para as quais trabalham. Não são raras as situações em que essas directivas constam nos relatórios e nas visitas dos headquarters mas não no dia-a-dia dos demais trabalhadores. Se por um lado já temos muitos gestores que merecem tal designação, ainda temos muitos que vivem no tempo das Descobertas.

 

Fala-se bastante, os amigos distribuem prémios uns entre os outros (não existe só uma maçonaria),  mas os resultados não surgem e continuamos a trabalhar muito e a produzir pouco! Continuamos com a mentalidade de que, mais do que uma produção e organização dos recursos, importa o tempo e a presença. Em Portugal é mais fácil criar manobras de diversão para uma chefia (envio de emails sem interesse ou movimento de caos) do que propriamente convencer a mesma por intermédio dos bons resultados. Isto ainda acontece no Portugal moderno do século XXI. Depois temos outros factores que é a dificuldade em penalizar os maus colaboradores ou então em gerir as chamadas "cunhas", muitas vezes recrutadas por imposição de outrem ou pelo próprio e com as consequências que as mesmas têm. 

 

Existem, contudo, questões que é preciso colocar e têm de ser estudadas por todos:

  • Porque é que trabalhamos tantas horas e produzimos tão pouco?
  • Porque é que não cultivamos uma cultura de mérito? Até porque muitas são as vezes em que produzimos mas não existe eco de achievement
  • Porque é que não criamos espaços de partilha? E quando os criamos rapidamente saímos da discussão, damos a volta por trás e fazemos "valer a nossa"? Ou então acabamos com a discussão e resolve-se autoritariamente.
  • Porque é que a culpa é sempre dos gestores? Mesmo em muitos outros colaboradores existe uma lógica de que ser bom passa por trabalhar horas e mais horas? Muitos são os motivos: insatisfação familiar (inclui marido e filhos), ausência de hobbies e de um sentido de vida, mentalidade tacanha e tantas outras...
  • Estamos dispostos a abdicar de muitos serviços que nos são oferecidos fora de horas e em dias de descanso para muitos dos cidadãos? Existem alguns que são de todo impossíveis, mas os demais?
  • Está o país preparado para proporcionar a mesma oferta a quem trabalha fora dos "picos" e a flexibilizar o trabalho? (um conselho, se forem a uma entrevista questionem sempre o recrutador acerca do que é flexibilidade). 
  • Estamos dispostos a pagar mais por um produto/serviço oferecido por uma organização que reconhece os seus trabalhadores, lhes dá condições e oferece qualidade final ao respectivo produto/serviço?

 

E tantas perguntas que podemos colocar, no entanto, deixei de ir a muitos encontros de recursos humanos em Portugal porque, a título de exemplo, em questões tão básicas como objectivos de produção a pergunta que atormentava muitos profissionais da área era a necessidade de perceber como é que se "picava o ponto" se as pessoas não tinham horário (sei do que falo, pois embora tendo também uma das vertentes da minha formação nessa área, não exerço como profissional da mesma).

 

Deste modo é complicado ir mais além, até porque, e já escrevi sobre isso, se uma coisa tão simples como um "obrigado" tende a ser algo muito difícil de dizer, não vá ser dado alguma espécie de poder a quem o ouve e isso ser uma ameaça a quem o diz. Quando os créditos, a competição (não saudável), a mentalidade mísera e provincina, a impunidade, a ausência de pensamento crítco por parte de outrem, e claro, uma mãozinha parental e estatal são sempre uma presença, é natural que a vontade de evoluir também seja pouco e assim o status quo permaneça inalterável.

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E porque hoje é o dia da Terra...

por Robinson Kanes, em 22.04.19

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Créditos: Daniel Muller/Greenpeace - https://earthjournalism.net/stories/copy_of_philippines-and-pacific-island-countries-step-up-battle-against-plastic-pollution-in-the-pacific-ocean

 

E porque hoje é o dia da Terra, e porque também hoje, começo a ficar descrente na atitude do ser-humano para salvar o planea, junto a minha voz à Earth Day Network e às Nações Unidas e partilho algumas recomendações e deixo algumas mensagens... Apesar de todas as dificuldades, tento manter o meu pessimismo optimista.

 

 

  1. Junte-se a um parque local, rio ou praia limpa (em Portugal não é fácil a não ser que estejamos ligados às associações e grupos do costume, mas nada como tentar, só isso também poderá mudar as coisas).
  2. Use, produtos de limpeza não tóxicos ecológicos (leia bem os rótulos).
  3. Substituir as lâmpadas incandescentes ineficientes com lâmpadas fluorescentes compactas ou LED eficientes. 
  4. Pratique o car-sharing, ande de bicicleta, utilize os transportes públicos ou adquira veículos automóveis mais amigos do ambiente.
  5. Mantenha seus pneus com a pressão correcta e consiga melhores consumos. 
  6. Mude o filtro de ar do seu carro regularmente.
  7. Use o Skype, WebEx ou outro software ao invés de viajar.
  8. Reduza o uso de plásticos descartáveis, especialmente plásticos de uso único, como garrafas e sacos.
  9. Recicle! Recicle! Recicle! Reduza o lixo em 10%. É pouco mas é um começo com grande impacte.
  10. Doe as suas roupas velhas e bens domésticos. Compre bens usados.
  11. Use toalhas de pano em vez de papel.
  12. Mude a facturação em papela para facturação online. 
  13. Leia os documentos online e não os imprima. Imprima frente e verso.
  14. Convença as autoridades públicas locais a optarem por bens reutilizáveis.
  15. Utilize garrafas reutilizáveis ​​para água, e canecas reutilizáveis ​​para o café. Faça o mesmo para os sacos das compras.
  16. Compre comida produzida localmente para reduzir a distância do produtor à mesa. Compre nos mercados ou fomente o desenvolvimento de cooperativas.
  17. Compre alimentos orgânicos para manter seu corpo e o ambiente livre de pesticidas tóxicos. Apoie os agricultores e empresas que utilizam ingredientes orgânicos.
  18. Adira a um grupo de farm-share.
  19. Reduza o consumo de carne para reduzir as emissões de carbono dos produtores de gado.
  20. Transforme o seu lixo da cozinha em fertilizante (compostagem).
  21. Utilize o duche e por períodos mais curtos.
  22. Nas torneiras, coloque sistemas de retenção.
  23. Escolha plantas resistentes à seca em áreas secas. Regue apenas de manhã e/ou fim da tarde.
  24. Lave a roupa com programas curtos e utilize água fria.
  25. Forme uma “equipa verde” no seu trabalho de modo a encontrar formas rentáveis ​​para conservar os recursos e promover a sustentabilidade.
  26. Ofereça-se-se para um grupo ambiental local.
  27. Retire plantas invasoras do jardim e substitua as mesmas por plantas autóctenes.
  28. Ligue e desligue os equipamentos electrónicos quando que não estiverem a uso.
  29. Desligue as luzes quando sair de uma divisão.
  30. Instale painéis solares.
  31. Utilize as escadas em vez do elevador para economizar energia (e fazer desporto).
  32. "Rentabilize" o termóstato do aquecedor abaixo de dois graus no inverno e até dois graus no verão para reduzir a sua pegada de carbono.
  33. Baixe a temperatura do seu aquecedor de água.
  34. Utilize eletrodomésticos e equipamentos electrónicos eficientes em termos energéticos.

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O Natal nunca mais será o mesmo!

por Robinson Kanes, em 11.04.19

IMG_20190303_170305.jpgCréditos: Robinson Kanes

 

Crianças que esperam pelo presente! Pais que gastam um orçamento de Estado em prendas como se isso colmatasse a vossa ausência o resto do ano? Malta que procura naquela noite de 24 para 25 a paz por intermédio de um bem de consumo?

 

 

Lamento informar-vos mas o "Pai Natal" apareceu morto numa rua da Corunha por estes dias. Ao que tudo indica poderá ter sido assassinado por alguém a mando da Amazon ou do Alibaba. Todavia, algumas fontes confirmaram que a morte se deveu a causas naturais. Outros relatos apontam que foi atingido por um 737-800 da Ryanair carregado de ingleses para Tenerife! São muitos também aqueles que alegam ao facto do figado não ter resistido a tanta Coca-Cola. Há ainda quem diga que foi uma das renas que se cansou de não receber ordenado há mais de seis meses. E finalmente, há quem jure a pés juntos que pode ser um adepto do Deportivo que saiu do "Riazor" embriagado e chateado porque não conseguiu umas tapas e queijo galego às 11 da noite.

 

 

A verdade é que o "Pai Natal" morreu e nada será como dantes...

 

 

Entretanto, nas escolas portuguesas e laicas, já se celebram missas pascais pedindo a Cristo que volte em Dezembro com um saco cheio de prendas e assim possa substituir São Nicolau - o Vaticano é que entretanto já emitiu um comunicado de imprensa dizendo que os presentes de Cristo são para consumo interno e não vão alterar uma lei com 2019 anos! 

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa também já se pronunciou e lamentou a morte desta individualidade tendo fretado um avião carregado de jornalistas para estar presente no funeral que se realizará na Lapónia. Da parte do Governo estará o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva que ficará por essas terras depois de dizer que quem se preocupa com a corrupção (atribuir cargos públicos a familiares, porque sim, é corrupção) é parolo. Não consta que volte a Portugal.

 

 

Em suma, temos de assumir que a magia do Natal se perdeu, mas ainda vamos tendo alguns "batatoons" que por aí pululam... Podia ser pior.

 

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De "saca patrocínios" a "anti-patrocínios"!

por Robinson Kanes, em 21.03.19

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Créditos: https://www.neworld.com/newsblog/2018/three-reasons-why-brands-should-partner-with-social-media-influencers/

 

Houve tempos em que a corrida atrás das marcas, no sentido de conseguir que estas patrocinassem blogues ou enviassem produtos, era tal que se tornou uma tendência. De facto, não foram as marcas que procuraram os "bloggers", pelo menos numa fase inicial, mas o contrário. Na verdade, acabou por suceder que muitos espaços ficaram, digamos, famosos e as marcas acabaram elas próprias por também serem proactivas na procura de "influencers".

 

Sinto-me também à vontade para falar deste tema pois é política, que este espaço não tenha quaisquer apoios, patrocínios ou mecenas, no entanto, não é de todo impossível que tal venha a suceder. A importância é deixar claro o que é uma parceria, por exemplo, e um artigo sem parceria. O importante é que um artigo não seja uma venda do princípio ao fim e muitas vezes realizada de forma medíocre por pessoas que de marketing percebem pouco - o que até não abona a favor da marca. Imaginem que as coisas correm mal, quem faz a gestão da crise?

 

Todavia, tenho assistido a uma tendência, na comunidade SAPO e não só, de anti-patrocínios. Nomeadamente, por parte daqueles que queriam apoios e não os têm (basta aferir o conteúdo de alguns artigos e claramente se percebe o objectivo) ou então de outros que tentam explorar um novo conceito - ser "anti-parcerias blogueiras", apelidemos as coisas desta forma.

 

O ser "cool" agora, passa por ser anti-parcerias! Nada como explorar a temática e dizer que as marcas são umas "marotas" que andam a enganar as pessoas - pior que isso, trazer isso a público, revelando o mau carácter e a falta de ética e profissionalismo dos "bloggers".

 

Também existem aqueles que se vangloriam de recusar parcerias mas nem um pedido recebem - faz parte do mundo da ilusão e do "like". Também aqui as marcas pecam, pois nem sempre analisam um mercado que, mais do que procurar profissionalmente desenvolver um negócio, tem motivações que por vezes não são garante de que se possa confiar nas qualidades de quem "vende" a marca - além disso não estão "protegidos" por códigos de conduta, havendo apenas uma dependência do carácter do blogger - e no mundo real e sobretudo na internet, sabemos como é facilmente moldável e mutável. 

 

Em todo este ruído, fica uma total ausência de explicação face ao modo como funcionam estas estratégias de marketing, o rigor no sentido de escrever sobre produtos de forma imparcial e acima de tudo de ser um verdadeiro "brand advocate", esse sim um real valor para o consumidor e para a marca. O que ficamos é com um sem número de textos vazios, por vezes até com bastantes leituras e comentários. Todavia, somente de uma pequena comunidade que em nada representa, criando uma ilusão que em nada vai ao encontro da realidade, até porque, conseguir o "like" é fácil, o problema está na confiança...

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Cuidadinho, vai aqui o meu paizinho!

por Robinson Kanes, em 19.03.19

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Créditos: http://apps3333.bigbigabum7.icu/?utm_medium=oxxGrJ1EO8rl%2flkgHhDHtdaJe%2b6y3ml38Z%2b1ZX9QaLo%3d&t=main4

 

 

As crianças são encantadoras e por elas os pais dão tudo. Falam delas aos amigos, publicam fotos nas redes sociais, criam blogues dedicados às mesmas e acima de tudo sentem um adoração infinita por esse acontecimento a que tanto gostam de chamar de "milagre da vida", como se os outros seres-vivos da Terra fossem peças de manufactura ou a biologia não fosse uma coisa normal.

 

O amor dos pais pelos filhos é uma coisa que devemos enaltecer. Aquilo que mais me encanta são os papás e as mamãs que colocam autocolantes nas respectivas viaturas: "Mateus a bordo", ou então "Santiago a bordo" ou até o tradicional "bebé a bordo"! É amoroso não é? Por acaso não escolhi nem José e muito menos Ricardo porque hoje todas as crianças têm praticamente os mesmos nomes - mal os papás sabem que os filhos daqueles que realmente são ricos e finos, pronto, dão nomes perfeitamente normais aos filhos, como Joaquim, Óscar ou até Manuel! A filha do falecido Américo Amorim, chama-se? Paula! O filho do falecido Belmiro de Azevedo, chama-se? Paulo! O antigo "dono disto tudo", chama-se? Ricardo! E o primo, como se chama? José Maria, de facto!

 

E permitam-me: acham que alguém quer saber se o vosso filho se chama Bernardo e que vai no interior do vosso carro a crédito? Acham mesmo?

 

Mas retomando os autocolantes - e aquele especial, o "cuidadinho vai aqui o meu paizinho"? Por acaso, e até acredito que exista, ainda não vi o "cuidadinho vai aqui a minha mãezinha"! Se uma certa corrente castradora que anda por aí sabe, vai começar a apedrejar os carros desses machistas! Como se só os homens fossem merecedores de serem reconhecidos com o piroso "tóclante". Machistas! (Nem sei como é que ainda permitem que se diga "pais e filhos" e não "pais, mães e filhos".

 

O que os papás não sabem é que provavelmente esse "tóclante" deveria servir para alertar os outros condutores! Alertar os outros condutores dos papás e das mamãs que adoram as suas crianças e até espelhos colocam no interior dos carros para, enquanto conduzem, não tirarem os olhos do "filhinho", não vá este morrer entretanto. Pode morrer, de susto, quando olha para conta-quilómetros ou quando o papá e a mamã se comportam como verdadeiros selvagens ao volante!

 

Os papás que adoram os seus filhinhos e até trocam de carro porque de repente nasceu um filho, deveriam gostar dos filhos ao ponto de respeitarem os limites de velocidade e as demais regras de trânsito! É que ultrapassagens altamente perigosas, excesso de velocidade, manobras perigosas e altamente agressivas no trânsito enquanto levam os filhos nas suas station-wagon ou SUV pode não só acabar com a vida do filhinho amado como com a vida do filhinho do outro! E acreditem que nem a cadeirinha que mais parece o assento de um carro de WRC os vai salvar!

 

Eu sei que até é permitido que se faça a vida negra aos pais dos outros para que o nosso filhinho tenha tudo, é um facto que a nossa sociedade até aceita isso! Mas convenhamos, que levar tanto amor no carro e depois entrar a abrir, qual street racer na Ponte Vasco da Gama,  com um carro a brilhar mas com os pneus gastos (porque a malta pensa que os invejosos só olham para a chapa e porque os indivíduos das casas de pneus não gostam muito de créditos) é uma coisa que...

 

Arriscar a vida do filhinho no traço contínuo ou com uma "entrada à cão" só porque estar na fila a ouvir programas estupidificantes das três rádios mais ouvidas de Portugal nem sempre é agradável, é uma coisa que...

 

Em suma, começo a ter mais respeito pelo acelera do M3 ou do Type R do que propriamente da carrinha pirosa com a cadeirinha... Que isto de andar ao lado de carros com filhos a bordo, todo o cuidado é pouco e pior que um "racer" ou um tipo com o carro todo "quitado" é o pai ou mãe com pressa de chegarem a casa ou à creche do filho.

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De Almourol a Recordar...

por Robinson Kanes, em 14.03.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Poderia vir aqui repetir a história do Castelo de Almourol mas tenho de admitir que as recordações que este castelo e toda a área envolvente me trazem vão bem para além do monumento em si e do seu carácter histórico. 

Tenho em mim a memória daqueles fins de tarde na companhia do meu pai, depois do serviço... Recordo-me dos militares a usufruirem do Tejo, quer com a sua ponte do regimento de engenharia, quer com banhos naquelas águas como refrescante de horas e horas de treino ali mesmo em cima, em Tancos... Ou então ainda mais acima pois eram, na sua maioria, paraquedistas. 

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Almourol era o pôr do sol que no Ribatejo e também no Alentejo tem uma luz especial e onde disputava o seu protagonismo com Vila Nova da Barquinha ou até com o Arrepiado, quando se atravessava para a margem sul do Tejo via Constância ou via Chamusca. Fins de tarde quentes e onde escutei mil e uma histórias e ensinamentos - talvez algumas tenham feito de mim o homem que sou hoje! 

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Almourol traz-me também à memória a vontade de, ainda miúdo, querer atravessar aquelas águas a nado e descobrir os segredos do castelo - dizia o meu pai, para me assustar, que ainda lá se encontravam cavaleiros do templo e que todo o cuidado era pouco.

 

Hoje apeteceu-me recordar mais um pouco desses tempos no Ribatejo, das tardes em Praia do Ribatejo, de Constância, da Atalaia e das muitas amizades que se faziam na Asseiceira, já a caminho de Tomar.

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Essas Malditas Mulheres!

por Robinson Kanes, em 08.03.19

 

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Créditos: https://tenor.com/view/white-woman-dancing-gif-11348861

 

Agora que o "Dia da Mulher" já aí está... Agora que a hashtag está esgotada e o número de visualizações não cessa de aumentar; agora que muitos daqueles que levantam a voz contra a violência doméstica já se vão acalmando e engolindo em seco o facto de falarem muito nas redes sociais mas não terem coragem de testemunharem num tribunal, é altura de fazer uma pequena análise às primeiras horas do dia 08 de Março.

 

Começo pelas conclusões: o maior inimigo da mulher... é a mulher! Ou melhor, algumas mulheres... 

 

Quando muitas mulheres de bem com a vida se preparam para celebrar o dia 08 com um sorriso, com uma flor e com uma grande jantarada que até poderia envolver uns indivíduos desnudos, eis que surjem os novos libertadores, aqueles que defendem o bem de todos e a Democracia como nunca se viu.

 

E o que diziam estas mentes esclarecidas que lutam pelos nossos direitos? Que o "Dia da Mulher" não é um dia de festa mas um dia de luto!

 

De facto! Malditas mulheres que ao invés de ficarem a chorar no quarto depois de cozinharem para o marido, ou então de desenrascarem uns cereais enquanto choram sozinhas no sofá, optaram por ir para a festa? Malditas mulheres que ao invés de irem tomar conta dos filhos hipotecam a feliz vida de mães por uma festa! Malditas mulheres que ao invés de ficarem a destilar textos feitos e imagens de péssimo gosto nas redes sociais foram para a farra! Malditas mulheres que deveriam ter ficado a ver programas de televisão de 5ª categoria para depois poderem comentar os mesmos nas redes sociais e nos blogues como se fosse a coisa mais imporante do mundo - isto enquanto outras mulheres sofrem! Malditas mulheres que têm a vida em risco porque testemunharam a favor de uma outra mulher em tribunal mas mesmo assim arriscam sair para uma noitada ao invés de ficarem armadas em juízes de sofá!

 

Deviam ter ficado em casa vestidas de preto e a chorar! A chorar por aquelas que morreram...Maldição esta das pessoas que não opinam no "show mediático" e vão viver a vida! Gente fria que não se interessa pelos factos! Gente fria que defende as mulheres e não alinha com aqueles que na segunda-feira já vão ver se conseguem prejudicar a colega de trabalho que está em vias de ser promovida!

 

Ai essas malditas mulheres que só querem ser mulheres e também não estão muito interessadas em ser rotuladas e entrarem no jogo da "velhinha que não queria atravessar".

 

A essas que hoje vão partir a louça toda, divirtam-se... E divirtam-se muito!

 

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Dizem que é "Personal Branding"...

por Robinson Kanes, em 08.03.19

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Créditos: https://www.freepik.es/psd-gratis/hombre-elegante-senalandose-si-mismo_938521.htm

 

É só para dizer que se um indivíduo passa a vida no LinkedIn a empolar o seu trabalho, a dizer que é o maior e que até recebe prémios, que tem muito orgulho na equipa (que por vezes nem lidera) e defende que a sua empresa é fantástica além de que é óptimo trabalhar em tal local onde tudo é perfeito e as condições são mais que muitas é porque...

 

...está à procura de emprego!

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Playlist para uma Noite Sem Ti

por Robinson Kanes, em 07.03.19

Quantas vezes, entre um moscatel, uma caipirinha feita à pressa, um Porto da melhor qualidade ou entre um simples branco do Tejo ou um Tinto alentejano não nos sentamos à varanda e vivemos uma "noite sem ti"? Talvez hoje, não à varanda, mas entre vidros protegido pela chuva, encontre algumas sonoridades que poderiam fazer-me recordar-te numa ausência tua...

 

"Love doesn't End" e o regresso a Michael Nyman. Aquele que nos marcou para sempre e que já escutámos apaixonadamente... Trago-o também de um filme brilhante, "The End of the Affair" onde Juliane Moore e o Ralph (o Fienes de quem tanto gostamos, sobretudo no teatro) contracenam num filme inesquecível. Das poucas obras literárias que Graham Green que até aprecio.

Poderia agora escutar o "Intermezzo" de "Cavalleria Rusticana", de Mascagni -no entanto, já aqui falei dele - uma das peças mais bonitas de todos os tempos quando a temática é a música... Fiquemos com a "Ouverture" que não nos deixa indiferentes antes daquela entrada em palco do Placido Domingo, lembras-te?

Não consigo sair da música clássica e é na inacabada "Zaida"  de Mozart que encontro "Ruhe Sanft". Não me perguntes o porquê de gostar desta ária... Talvez pelo alemão... Talvez pela vulnerabilidade que, pontualmente, o mais forte dos homens também sente.

Stavros Lantsias... Porquê? Porque me embala, entre a ingenuidade e verdade do amor quase infantil dos 20 e entre a maturidade (ou ideia dela) em anos mais adiante. Porque nos torna infantis no amor quando a seriedade é uma realidade que nos rodeia... Prefiro e deixo-me levar por esta "Valsa dos Olhos".

Não podia deixar passar uma "playlist" destas sem trazer o Ennio... O Senhor Morricone que nos faz viajar pelo mundo atrás dos seus concertos... Também não poderia deixar passar "For Love One Can Die". Pela nostalgia, pela profundidade, pela recordação do grande actor Carlos Paulo naquela peça... Talvez porque a música do Ennio tem aquele efeito em mim... Talvez porque me torna nostálgico de uma época que nem vivi, que nem sequer era sonhado... Talvez a recordação de amor, de sofrimento, de um mundo de emoções... Quando as emoções são algo em vias de extinção!

Se há filme que superou largamente o livro foi "Out of Africa" mas... Há algo que ainda superou o filme: aquela banda sonora única de John Barry! Já não se fazem composições destas... Também já não se fazem filmes destes... Também já não se fazem actores destes... Talvez aquela atracção por África venha deste filme, ou então pela carga genética que carrego ou carregamos, afinal todos "nascemos" em África... E em 1986... Em 1986 eu nem "existia"!

Tenho de voltar ao Ennio e à recordação de "Amore per Amore", mais uma daquelas que nunca se esquece e que, associada ao filme, ainda mais intensa se torna. O filme, "Così Come Sei" permitiu esta pérola e sim, gosto de Marcello Mastroianni. Olhar para lá da varanda, contemplar as estrelas que as luzes da cidade nos deixam fitar. Olhar para lá, onde estou sem ti.

A noite vai longa, a madrugada apela aos sentidos e importa dar uma certa voz ao momento... Revejo-me nas palavras de Vergílio Ferreira quando sei que não posso sentir falta da vida mas sim daquilo que a faz viver. Talvez por isso tenha de trazer uma das divas dos nossos tempos e uma das suas mais brilhantes interpretações... Diana Krall e "Why Should I Care"... De facto, why should I care...

Uma das músicas mais interpretadas em castelhano, sobretudo no espanhol da América do Sul, é a "Historia de un Amor". Fiquei indeciso entre Luz Casal e Guadalupe Pineda. Desta vez ganhou Pineda com uma interpretação mais nossa, mais quente e levada ao expoente máximo de uma paixão que se distancia por não estares aqui... Até porque "não há remédio que cure o que a felicidade cura", dizia García Márquez no seu "Do Amor e outros Demónios".

Tenho de fechar com algo vocal e moderno - sob pena de ainda me acharem velho e trágico...Tenho de fechar com algo que me torne a noite mais tranquila, tenho de fechar com algo que nos possa unir e também unir todos aqueles que podem vir a ler estas sugestões, esta partilha... Tenho de fechar com algo... "Stay or Leave" da Dave Matthews Band e acreditar que este meu lado mais virado para o "acosmisme" efectivamente mostre que tenho razão... Além disso, vão pensar que sou lamechas.

 

 

 

 

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O Fim dos Anúncios de Emprego!

por Robinson Kanes, em 01.03.19

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Créditos: https://www.etcconsult.com/career-guidance/15-worrying-signs-that-youre-stuck-in-a-dead-end-job/

 

 

Admito! Tenho de me dar como derrotado... As últimas experiências demonstram que estava completamente enganado, afinal também tenho humildade para reconhecer quando falho. Não parece, mas é verdade... De facto, às vezes talvez não...

 

Sempre fui um acérrimo defensor do mérito e sempre acreditei que, embora com oscilações e "hypes" o envio de um CV ou até a resposta a um anúncio poderia trazer muitos frutos. Sempre acreditei que, como chefia, tinha de me rodear dos melhores e até catapultá-los para outros voos mais interessantes. Nunca censurei as referências honestas (as quais têm de ser filtradas) mas, por sua vez, sempre censurei o compadrio - e como isso me trouxe e tem trazido tanta discussão.

 

Todavia, se já tinha percebido que uma grande maioria dos anúncios de emprego só vem a público quando não existem "amigos" para o lugar, ou porque não há ninguém na lista que queira o trabalho, ou até porque se vai promover alguém mas as regras obrigam a que seja feito um concurso (perfeita perda de tempo e de recursos) começo a perceber algo ainda mais grave e essas são as experiências dos últimos tempos.

 

Já é um facto que em Portugal só são anunciados os empregos que ninguém quer, seja na base da pirâmide hierárquica seja no topo, até aqui, nada de novo. Pelo meio vão ficando outros bem mais interessantes que as maçonarias e determinados grupos de indivíduos vão partilhando entre si - é verdade, a Maçonaria em Portugal não tem grande visibilidade porque aquilo que não falta são cópias da mesma, a uma escala mas pequena mas que andam por aí como cogumelos - alguns até se reunem pontualmente em jantares para decidir quem é que vai daqui para acolá e não havendo interessados quem é que todos querem que seja - e no meio disto vão circulando também informações confidenciais das empresas onde cada um trabalha.

 

Todavia, e tentando não me perder, o que tenho sentido é que, se temos uma boa oferta de emprego e a publicamos, começa a ser muito complicado ter candidatos, e é isto que me assusta. Assusta-me pensar que os candidatos perderam a esperança neste meio, quer queiramos quer não, o mais imparcial e independente de todos. Não é fácil encontrar bons candidatos, ou até candidatos para boas posições. 

 

Foi por este motivo que fui tentar perceber o mercado. Não fiz um estudo exaustivo e também não fiz um estudo daqueles que algumas entidades fazem com 20 ou 30 testemunhos (e vendem como se fosse um grande estudo) que nem sempre são o alvo que queremos estudar. Falei com as pessoas... E ainda falei com algumas...

 

As respostas foram aquilo que esperava: para ter um emprego em Portugal é importante ter contactos, esta foi notória. Uma outra com bastante peso foi a de que responder a anúncios é pura perda de tempo e além disso ou são falsos ou então já é porque somos mais que décima escolha. A outra é de que, mais do que trabalhar é preciso trabalhar uma imagem, ou seja, mais que produtividade é preciso popularidade e se, estivermos numa posição de chefia, o ideal é tapar e aproveitar quem está abaixo. Ou seja, o ideal é assumirmos o papel daquela senhora que corre pela rua com as mamas à vista de todos e grita "look at me, look at me". 

 

Uma outra ainda, e que acaba por resumir tudo isto, é o "real compadrio". Andamos a falar em combater a injustiça e a corrupção quando praticamente todos... Deixo ao vosso critério o fim da frase...

 

Em suma, mais do que tudo o que está acima enumerado, assustou-me o facto da procura, ou uma grande parte dela, ter perdido a esperança, até porque ainda são muitos aqueles que, normalmente por motivos económicos e sociais não têm outro meio e, ou acabam por não sair de um poço sem fundo ou ficar dependentes de instituições "solidárias" que, em alguns casos, alimentam essa mesma dependência para sempre.

 

O resto são meios que já fazem parte do nosso quotidiano e cabe a cada um escolher o seu, no entanto, não era preciso termos chegado a tanto... Tenho, contudo, esperança no futuro... Um futuro em que o sobreaquecimento do mercado de trabalho vai dar lugar a um outro ciclo...

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