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Hoje é Dia de Sardinhada...

por Robinson Kanes, em 28.04.20

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Créditos: www.observador.pt

 

E hoje é terça-feira, dia de sardinhada onde nos mudamos para outras paragens.

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Talvez Volver...

por Robinson Kanes, em 27.04.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

La mayoría de los hombres non tienen destino.

Manuel Vilas, in "Ordesa"

 

Talvez porque sim... Talvez porque, mais uma vez, já sinta tanto a tua falta... Talvez porque um dia possa ser, finalmente, em definitivo! Talvez porque nem a mais perigosa das pestes conseguirá esvaziar as tuas ruas, os teus becos e bares do ruído e da presença daqueles que não trocam a rua nem o constante empurrar e conversas perdidas em alta voz enquanto se escuta "las cosas pequeñitas".

 

Não,  "La Latina" nunca conseguirá sobreviver sem os gritos, os risos, as tapas e as cervejas que a enchem de Segunda-Feira a Domingo, até porque, naquelas ruas, não existe nem Lunes nem Viernes, nem Sabado nem Domingo. Talvez porque a fronteira um destes dias abrirá e entre o "Espanol" e o "La Zarzuela", lá estaremos para tomar aquele tão apetecível anti-depressivo que tão bem nos faz... 

 

Talvez porque nos faz falta a aridez da Extremadura, de La Mancha e da Comunidad, sem esquecer o acolhimento que sempre nos proporcionas... Mesmo que a altas horas na "La Segunda Base" entre a Mauricio Legendre e a Augustin Foxá, já perto de Chamartín e onde debaixo daquelas arcadas, a animação é uma constante e não nos faz sentir a falta da loucura das Cortes.

 

Talvez por isso, volveremos cuanto antes...

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Ondem andam os milhões do turismo?

por Robinson Kanes, em 24.04.20

euro_45790700_12940600.jpgCréditos: https://en.publika.md/2016-ends-with-investments-of-tens-of-millions-euro-for-economy-relaunchment_2632517.html

 

Ao longo dos últimos anos, não terá passado ao lado de ninguém, o fabuloso mundo do turismo em Portugal. Todos nós vimos serem anunciados milhões e milhões de apoios ao turismo por parte dos diferentes Governos e sobretudo pela anterior Secretária de Estado que tanto explorou a sua imagem que ficámos a pensar se o turismo em Portugal era só a pessoa de Ana Mendes Godinho - afinal, com o dinheiro dos outros. A verdade é que resultou e a catapulta para Ministra do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social fez-se notar.

 

Anunciaram-se financiamentos de milhões ao mesmo tempo que se apresentavam os números do turismo, havia que investir na galinha dos ovos de ouro, mesmo que mais de metade dos turistas fosse o tão conhecido "pé de chinelo". No entanto, uma das coisas que se aprende logo no primeiro ano de uma licenciatura na área, em Introdução ao Turismo ou em Economia do Turismo, é que esta indústria é a mais vulnerável em períodos de crise. Entendo que tal seja esquecido, afinal os primeiros anos na universidade servem é para a malta andar nos copos. 

 

Com tamanho encaixe financeiro, com uma economia a apostar tão forte neste tipo de serviços, com a gabarolice de que o revenue per available room (RevPar) estava mais alto que nunca, de que os milhões não paravam de entrar em hotéis, restaurantes, eventos e alojamento local, de um regresso de uma certa sobranceria de certos actores, acabamos, numa vastidão de casos, ainda no primeiro mês de vírus com o caos montado - ainda o vírus tentava sair da China e já alguns negócios abriam falência ou iniciavam o discurso habitual do colapso imediato. A minha questão é simples: onde estão os milhões do turismo? Onde está o return on investement (ROI) ou, pelo menos, uma clara demonstração do destino desses valores?

 

Portugal pode-se orgulhar de ter uma boa oferta turística, mas não se pode gabar de pagar os melhores salários nessa área. Portanto, não terá sido aí que todos esses milhões desapareceram. A destruição do valor da profissão (e dos salários) que culminou com a crise de 2008, não voltou à ao glamour da profissão em tempos anteriores, embora reconheça que muitas correcções eram necessárias. Uma nota: não eram poucos os hotéis, pelo menos em Lisboa, cujas máfias de trabalhadores imperavam, e isso foi/é importante limpar.

 

Mas volto à questão, onde estão os milhões do turismo? Gastámos esses milhões todos a comprar prémios para dizerem que nosso turismo era o número 1? São os próprios agentes do turismo, os que têm coragem, que o dizem... Um deles é o inesperado André Jordan.

 

E os planos de contingência? Será que à boa maneira portuguesa ignorámos estes mesmos planos? Porque é que não nos preparámos para crises? Porque é que só alguns autores estavam preparados, os mesmos que encerrando serviços têm investido na manutenção, não despediram e ao invés de andarem a apanhar cacos já andam a pensar em 2021. Estes, sobretudo na hotelaria, foram também aqueles que conseguiram antever o colapso de operadoras como a Booking.com e outras ,e que deixaram os seus clientes sem apoio, e encetaram um sem número de contactos no sentido de apoiar os seus hóspedes, antecipando riscos, encontrando soluções e não deixando para o período crítico problemas com os quais ninguém quer ter com que se preocupar quando a questão é a saúde.

 

Quer para o turismo e quer para todas as outras áreas, são necessário muitos novos actores e a reconversão de tantos outros sem esquecer a retenção dos melhores. Vai ser preciso resistir ao show off; às maçonarias de profissionais de determinadas áreas e apostar em gestores/colaboradores com uma visão de futuro, um futuro imprevisível, que obriga a decisões dificeis e a uma clara visão de longo-prazo e não de dias ou semanas.

 

O futuro será de altos e baixos, e só aqueles cuja capacidade de antevisão, adaptação e reacção às crises é que poderão acrescentar valor, caso contrário, teremos o caos e o pânico montados de cada vez que acontece algo, isto porque continuamos a ter um plano para a vida do qual não queremos ter desvios. Tuudo isto não vai mudar com horários de trabalho desenfreados, com o discurso do cheio de trabalho e horas não dormidas (muitas vezes com eficiência zero), mas sim com um mindset claro de quais são as prioridades, a estratégia, e mais que nunca, a aposta na sustentabilidade.

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E hoje é dia de Sardinhada...

por Robinson Kanes, em 21.04.20

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Créditos: Teleculinária

 

E hoje é dia de mais uma sardinhada com Corrupção e Direitos Humanos...

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Entre os Aplausos e o Isolamento Mental...

por Robinson Kanes, em 09.04.20

IMG_20190622_161453.jpgImagem: Robinson Kanes

 

Por certo já alguém deve ter abordado a temática, no entanto, o Coronavirus vai sendo visto de duas formas: por uns como uma guerra e por outros como um romance - ora sendo um caso "novo" para o mundo de hoje, balizamos o mesmo nessas duas margens e talvez nem o estejamos a combater como deveríamos, mas sobre isto, falarão os especialistas (desde que não tenham amigos nos jornais e não sejam o senhor Buescu). Por pouco me esquecia, ainda faltam aqueles que estão à espera que a tempestade passe e vão utilizando as fórmulas gastas do passado.

 

O que me espanta é que na segunda década do século XXI, para se tornar viral e ser notícia como se a lua se tivesse tornado verde e habitável, é preciso aplaudir e reconhecer quem trabalha, ou melhor, parte de quem trabalha. Até hoje, aplaudir todos ainda não era propriamente sinal de criação de conteúdos virais, o melhor é fazerem mesmo uma música, mesmo que copiada de outros artistas - pode ser que acabem num telejornal (basta fazer umas comparações entre uns "artistas" nacionais e um artista internacional).

 

Aplaudir o próximo, e lamento desapontar os românticos, não deveria ser notícia, deveria sim, ser uma coisa banal. Apreciar o trabalho do próximo, reconher esse trabalho e até recompensá-lo terá de ser das coisas mais normais do mundo (embora em alguns casos... Mas a isso voltarei num futuro próximo) e não um mero conteúdo ou prática viral! No caso português, como em outros, aplaudir profissionais de saúde, cantar o hino e colocar bandeiras não deve ser fancy e uma cópia do que já se fez noutras localizações, mas sim uma prática comum. Até porque em países como Itália e Espanha, muitos dos movimentos que vimos foram espôntaneos - quem conhecer bem aqueles dois povos sabe do que falo... Não se tratou somente de uma boa onda. Não se tratou apenas de show off para rede social.

 

O isolamento e o distaciamento sociais vão mudar bastante a nossa forma de estar no futuro, em alguns casos para pior, mas que os aplausos, o reconhecimento e o mérito, mudem para melhor, que seja um hábito, uma banalidade... Uma coisa é certa: teremos cidadãos, empresas e administrações públicas mais bem preparadas para futuras crises, e elas virão. É altura das ideias serem vividas e não se ficarem pelo pensamento, como dizia Malraux, no entanto, isso pode implicar que a prosa macilenta dos arautos da praça seja substituída pela força e empenho dos silenciosos...

 

P.S.: aproveitem e comam umas SardinhaSemLata (O Filipe deve ter bebido umas boas canecas para ter sequer pensado em convidar-me para este espaço...)

 

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De Yazd a Isfahan: Isfahan à noite...

por Robinson Kanes, em 06.04.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Yazd começa a ficar para trás... O tempo entristeceu-se com a nossa partida, ou talvez por termos trazido quase todos os bolos da cidade, conhecida pela sua pastelaria. No entanto, o fascínio da cidade e das suas gentes continua a ser a sua mais-valia e claro, bem perto, duas reservas naturais bastante interessantes: Kalmand e Dar-e-Anjir.

 

Talvez não perceba, ou não queira perceber, mas o ideal passaria por dar o salto até Isfahan e passar à frente dos quase 350 quilómetros que fazem distar esta metrópole persa de Yazd. Apetece-nos, contudo, percorrer nos nossos pensamentos aquela longa estrada onde durante muitos e muitos quilómetros de alcatrão onde não se vê uma alma ou sequer uma construção. Percorrer o deserto, e este não se faz propriamente de areia, pode ser uma sensação única - sobretudo se não conhecermos o clima e o tempo triste de Yazd não tiver sido uma premonição das duas tempestades de areia que se avizinhavam. Uma mais severa que a outra, mas nada que obrigasse a grandes paragens - ficámos rapidamente a perceber porque é que muitos dos camiões vinham com os "pirilampos" da frente ligados...

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Aproveitamos um check-point dos Guardas da Revolução para descansar... Perguntam-se, por certo, por que raio é que no meio de uma tempestade de areia, duas figuras com ar de cidade decidem percorrer o deserto como se nada se passasse. Terão pensado quão tolas poderiam ser aquelas almas que não tinham noção de que estavam num controlo dos Guardas da Revolução, a temida tropa de elite iraniana. Estranhamente, a despedida foi com sorrisos, como não poderia deixar de ser, sem esquecer as fotografias de Lisboa, mostradas entretanto.

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A chegada a Isfahan dá-se já pela noite... De repente parece que damos connosco no Mediterrâneo. As ruas povoadas de gente e até a relva dos cruzamentos se encontra ocupada por gente sentada em família a conviver e a comer. Isfahan tem o condão de ser talvez, no Irão, a cidade turística por excelência, mas ninguém pode esperar tal movimento nocturno. Pensávamos nós que em Shiraz já tinhamos visto tudo... 

isfahan_3.jpgAntes de jantar, seguimos alguns conselhos e percorremos as margens do Zayandeh com o intuito de sentir o "estranho" movimento de pessoas e também conhecer as suas pontes que, durante a noite, não perdem a animação que nasce logo pela manhã. Somos convidados para nos juntar a muitos daqueles que estão sentados a conviver e a comer, acompanhamos os pequenos grupos que se reunem para cantar e por lá ficamos entre o som da música persa, das águas que não cessam de correr e das gargalhadas e sorrisos que contaminam todo aquele lugar.

c_1.jpgApesar de tudo, ainda temos uma "larica" que nos faz querer encontrar um local para comer... E é aí que atravessamos, um pouco mais distantes do Zayandeh, uma das maiores praças do mundo e também uma das mais belas, a "Praça Naqsh-e Jahan". Mas ela voltaremos... Por ora, respiramos fundo, admiramos toda a sua excelência e ficamos absortos com tão mágico lugar.

iafhn_2.jpgA noite acaba num pequeno restaurante onde a culinária persa, pela mão de uma perna de cordeiro, mostra que, mais uma vez, é algo que levaremos sempre no coração e no paladar.

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Porquê? Ainda sobre as "fake news"...

por Robinson Kanes, em 25.03.20

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Fonte: https://www.americangrit.com/2018/07/25/challenges-wed-like-see-internet/

 

 

Um cérebro pode servir para fins bastante diferentes e a conquista do mundo é mais desejável que a sua ordem.

André Malraux, in "A Tentação do Ocidente".

 

Todos falam de "fake news", é tema corrente, mas à boa portuguesa (e não só) quando é altura de fazer alguma coisa continuam as vozes mas os braços tendem a não aparecer... Ou a serem cortados.

 

Foi preciso um indivíduo português estar em Inglaterra e acompanhar as notícias da sua pátria para denunciar uma das maiores escandaleiras dos media em Portugal. A história da liberdade de imprensa, que agora vai sendo chamada de liberdade de comunicação, vai-nos mostrando que "alguém" continua a ter mais liberdade que os demais. Até quem nos governa tem limites, inclusive num cenário de "Estado de Emergência", já alguns media... Um dia ainda vamos ver uma guerra a ter início por causa de um "jornalista" de trazer por casa se lembrar que afinal não estudou para relatar factos mas emitir opiniões e até criar esses mesmos factos, mas espera aí, isso até já...

 

Referi aqui também alguns exemplos de como se pisa o risco e não se recolhem as consequências, no entanto, uma estação de televisão (SIC) foi mais longe e mostrou uma Londres envolvida no caos por causa do "vírus chinês", como já é apelidado.

 

Ao vídeo, bastante actual (2011) atribuiu-se uma história rocambolesca e que não desculpabiliza a jornalista que o fez sair para a rua mas também não pode desculpabilizar um director de informação e todos aqueles que também são responsáveis pela informação do canal, inclusive o "pivot" que "lançou" a notícia como se de um filme de terror se tratasse. Podemos errar no vídeo, mas não  podemos errar na montagem que é feita em torno do mesmo, isso é ir longe, demasiado longe.

 

Também foi preciso que um indivíduo em Inglaterra, sim, em Inglaterra, viesse mostrar a falsidade desta notícia! Em Portugal passava, como passavam tantas outras e ninguém dava por nada. A prova de que bebemos tudo aquilo que nos colocam à frente sem sequer questionar ou pensar é assustadora e enquanto andamos todos galantemente a achar-nos muito esclarecidos e letrados, não passamos de um bando de ovelhas que procura a sua relva sem olhar ao essencial. Reclamamos e achamo-nos demasiado espertos quando uma chefia nos pede para fazer alguma coisa, por exemplo, mas digerimos tudo o resto com uma facilidade tremenda, daí serem sempre os mesmos com as mesmas mãos cheias de nada... Daí sermos um paraíso para que o "chico-espertismo" continue a vingar.

 

Finalmente, a SIC é também o tentáculo televisivo do "Polígrafo", será que essa notícia foi ao polígrafo? É que este polígrafo tende a diferenciar-se do polígrafo electrónico pela forma como é tendencioso e erra nas análises que faz, ou não fosse o seu fundador/editor, um indivíduo que esteve envolvido num escândalo por, alegadamente, ser sócio de uma empresa que promovia publicamente determinados indivíduos (alguns com o nome bem manchado) - algo incompatível com a profissão de jornalista.

 

O que aconteceu este fim-de-semana e tem vindo a acontecer nos últimos anos é grave, é muito grave, e a liberdade de informação não deve servir de desculpa para que se cometam as maiores atrocidades, já dizia Platão que "é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". Esperemos também que estes dias, sirvam para podermos pensar um pouco e desligar a televisão e algumas publicações electrónicas de vez... É altura de seleccionar aquilo que vemos e aquilo que queremos ser - e continuar a ser uma seresma, também é uma opção, a escolha final é de cada um.

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Ter COVID 19 também pode ser "fancy".

por Robinson Kanes, em 20.03.20

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Fonte: LinkedIn

 

Que o diga um indivíduo de Águeda que não tem olhado a meios para ser um dos grandes embaixadores da "covidomania". Este indivíduo, que dá pelo nome de Pedro Xavier Simões (três nomes como manda a regra actual), foi sendo impingido pelo Sapo e por outros meios, sobretudo através do amigo "jornalista" Nuno Noronha. Se é para fazer furos "jornalísticos", nada como começar pelos amigos, sempre assim foi, até aí não é novidade...

 

Neste furo, falava-se do indivíduo que padecia desgraçadamente nos Hospitais Universitários de Coimbra (HUC) posando qual instagramer de sucesso para a foto. Até o cabelo, apesar das limitações em aplicar mais cera, foi tendo o cuidado devido. Enquanto criticava o Serviço Nacional de Saúde, dava como porta-voz do seu estado de saúde, o presidente da Câmara Municipal de Águeda, um especialista de saúde como nunca se viu até hoje - aliás, este indivíduo que veio de Itália e não se lembrou de fazer isolamento voluntário e alargou a infecção a colegas de trabalho, é o primeiro a alertar de que isto vai ficar muito pior e que não estamos preparados. Daqui à saída em grande estilo dos HUC foi um passo onde nem a garrafinha de água foi deixada para trás, sem esquecer a montagem com uns óculos, um livro e tudo aquilo que dá jeito para criar uma imagem pessoal. Covid 19 é uma terra de oportunidades...

 

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E pronto, temos um herói pouco acidental, promotor da irresponsabilidade e especialista em vírus. 

 

Mas a história não fica por aqui, afinal enquanto muitos "famosos" (bem entre aspas) se mostram muito preocupados com a humanidade enquanto partilham as coisas boas da vida, mesmo que em casa, temos o Pedro Simões (reduzido apenas a dois nomes), muito preocupado no seu LinkedIn com a fotografia que o Diário de Coimbra, ou como é conhecido na cidade, o "Calinas" (porque é que será...), partilhou num artigo sobre si depois deste abandonar os HUC. E pensar que o Sobral Cid não fica assim tão longe...

 

Todos devemos sentir uma certa pena por este indivíduo, mas por certo, não é obviamente por ter contraído COVID 19 mas sim por gostar de usar camisas à Tom Cruise no filme "Cocktail", laço à empregado de mesa da "Versailles" e capa (ou casaco) à Harry Potter. Idealmente e enquanto os mortos não são aos magotes, o melhor é também que aqueles que podem estar em vias de empaviar, tenham alguma coisa que os ligue a algo ou alguém famoso... Não importa o vosso nome, mas de quem são conhecidos ou algo do género.

 

Entretanto, estou já a criar um movimento de partilha de fotografias de todos aqueles que morreram e vão morrer de COVID 19 para seleccionarmos a melhor, especialmente aquelas onde a malta surge assim com melhor aspecto, de copo na mão e tal ou então com uma imagem das últimas férias em Torremolinos. Enviem-me as vossas, eu já escolhi a minha para a CMTV: estou de peito à mostra a beber uma Sagres na praia de Paço de Arcos. Admito que se me acontecer algo, vou ficar furioso se aparecer uma daquelas em que estava... Normal?

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COVID 19: A Pouca Vergonha Mediática

por Robinson Kanes, em 16.03.20

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Créditos: https://www.facebook.com/soundsofmediapanic/

 

Tenho andado ausente, tenho pensado em reter as palavras, sobretudo numa altura como esta. Tenho opiniões muito próprias acerca da forma como a crise do COVID 19 está a ser gerida, mas vou guardar para mim. Acredito que cada Governo está a fazer o que pode e entendo perfeitamente o não querer fechar fronteiras. Quem quiser uma União Europeia e uma Europa forte e unida vai perceber o porquê - se não perceber, umas aulas de história contemporânea e da própria União, não farão mal a ninguém.

 

Continuo a trabalhar, não me fecho em casa, além disso não posso deixar parceiros, clientes e as minhas equipas sem apoio. Não está fácil, e provavelmente todos sabemos qual o final, mas enquanto houver esperança, chorar e lamentar não é permitido, a orquestra irá continuar a tocar e os homens não abandonarão o leme, aliás, em muitos, apenas um o quis fazer e a opção foi respeitada. Enquanto existir um cliente a precisar de nós, lá estaremos, até ao último homem! Se o Governo precisar de nós e das nossas infraestruturas, lá estaremos!

 

Deixei de ler jornais e afins. Sigo as recomendações da Direcção Geral de Saúde (DGS) e recuso-me a pactuar com práticas que me deixam boquiaberto e me fazem pensar se o ideal, ao invés de fechar fronteiras, não é fechar jornais, algumas publicações online até televisivas.

 

Ver publicações de referência (será?) a partilharem testemunhos de indivíduos (amigos) que posam para o instagram enquanto criticam o Serviço Nacional de Saúde e passam a imagem de que é cool estar internado mesmo tendo arriscado sabendo que podia ser portador do vírus, deixa-me a pensar se a estupidificação colectiva atingiu o seu momento 2.0. Ter o vírus ou ter estado com alguém que, já me torna um especialista! Lamento, mas não, por isso, nestes tempos, o ideal é propagar as fotos pelo instagram e fechar a boca. O cunhismo e o compadrio também se perpetuam em tempos de crise, afinal muitos dos actores incompetentes são os mesmos que existiam antes desta crise!

 

Ver publicações de referência a partilharem testemunhos anónimos (sempre anónimos faz-me pensar se não serão epifanias de quem não tem nada que escrever) de que em Madrid, há duas semanas "parecia uma Guerra", estou a citar. Eu estive há duas semanas em Madrid (data da notícia) e a última coisa que se via era um clima de guerra, as prateleiras estavam cheias, as farmácias "vazias" e não havia caos nas ruas! Nem em Madrid nem nos arredores, e os arredores, no meu caso foram Getafe, Alcobendas e Alcalá de Hénares. Ainda esta semana saiu o relato do "inferno", estou a citar, na Noruega! Qual a publicação? Visão!

 

A semana passada, também lia numa publicação (Jornal I) que se focava no facto da baixa de Lisboa estar deserta e toda a gente andar de máscara! Falso! Só a partir de sexta-feira se sentiu uma quebra muito maior e mesmo no dia de hoje, são muitas as pessoas que andam sem máscara. O home office nas redacções deve estar a dar nisto! Se querem dar notícias verdadeiras, o melhor é saírem mesmo de casa, caso contrário, abstenham-se de falar do que não sabem.

 

Chega de instalar o medo! Basta! Liberdade de Imprensa não é o cultivo de ódios e do medo, e mesmo isso, deverá ser revisto no pós-crise COVID 19 - alguém tem de começar a ser punido! Não é com discursos destes que fazemos serviço público e muito menos estaremos do lado de quem nos quer proteger! 

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Irão: Do Pedido de Desculpas...

por Robinson Kanes, em 24.01.20

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Em nove décimos do homem o que pensa é o animal. E é com o décumo que resta que quereis reinventá-lo? Quereis? Mas é da parte que negais nos outros que vos servis de engodo para a pregação.

Vergílio Ferreira, in "Signo Sinal"

 

Podemos até afirmar que não haveria outra hipótese... Que era a resposta esperada mas...

... Quantas vezes vimos altos responsáveis políticos e militares a assumirem o que generais, líderes políticos e religiosos assumiram com o abate do avião da Ukranian Airlines? Não passou uma semana e um país como o Irão assume a responsabilidade pela destruição de um avião com cidadãos estrangeiros e nacionais daquele país.

 

A verdadeira bofetada que o Irão deu ao assumir este acidente mostrou que os erros existem e mesmo em situações de alta tensão temos de os assumir! De quantos pedidos desculpas estamos à espera relativos a massacres, atentados e guerras iniciadas por países ditos desenvolvidos? Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas em relação ao Iraque! Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas em relação à Síria! Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas relativo a muitas colónias no Norte de África e na América do Sul! É importante lembrar que numa coisa tão simples como foi o "Bloody Sunday" na Irlanda do Norte, só com David Cameron o pedido de desculpas surgiu. E o pedido de desculpas relativo à destruição do avião da Malaysia Airlines sob território ucraniano? E mesmo as organizações empresariais que exploram crianças e demais população em países sub-desenvolvidos, o tais que em tempos era chique apelidar de Terceiro Mundo? E quando é que pedimos desculpas por fazer negócios e parcerias com países que torturam e eliminam dissidentes e indivíduos de diferentes etnias e culturas? Quando é que pedimos desculpas por apertar a mão a criadores de sistemas como o "skynet"?

 

O Irão, para o mal ou para o bem, deu-nos uma grande lição e mesmo não sendo o maior admirador do regime iraniano, tenho de reconhecer que se existissem mais líderes e países a ter este tipo de atitude o mundo poderia ser um local muito melhor! Além disso, não me custa engolir que um país como o Irão tem mais anos disto (civilização) que nós... Até porque, consta que ainda mais antigo que a própria Pérsia, é o Irão.

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