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Fonte da Imagem: https://ultimaker.com/en/stories/43969-volkswagen-autoeuropa-maximizing-production-efficiency-with-3d-printed-tools-jigs-and-fixtures

 

Trabalhar na Autoeuropa passou a significar que estamos perante uma elite de desgraçados que trabalham numa das empresas com um salário médio acima, e passo a redundância, da média nacional - também tenho noção que, como empresa que é, tem os seus problemas e não é um local perfeito.

 

Trabalhar aos Sábados, aliás, alguns Sábados, e receber várias compensações por isso já é mau... Afinal, nem todos têm uma vida regalada como outros indivíduos que não sabem durantes meses o que é um fim-de-semana e se desdobram em tentar encontrar quem lhes tome conta dos filhos porque simplesmente não podem pagar a creche dos mesmos - porque o salário mal dá para viver e porque não existem benefícios quaisquer associados ao trabalho ao fim de semana e, em alguns casos, até por turnos - não estou com isto a defender que pelo facto de alguns serem altamente explorados os outros também tenham de ser.

 

Esses e outros regalados trabalhadores, que aturam, sobretudo na margem sul e não só, a estupidez daqueles que não querem abdicar do fim de semana e descarregam nestes as frustrações da semana, deverão agora, através dos seus impostos, apoiar os pobres trabalhadores da Autoeuropa. Eu acho bem, que isto de trabalhar fins de semana sem compensação não é para todos, só para privilegiados! Não vou culpar a administração da Autoeuropa - fosse eu o CEO da mesma e concordava imediatamente com a decisão, além de que a meta desta passa por atingir os objectivos de produção e manter a sobrevivência de milhares de pessoas ... No entanto, porque é que os portugueses têm de pagar mais um luxo (pois já pagam muitos, sobretudo no sector público) a trabalhadores do sector privado que decidiram que trabalhar ao Sábado é crime! É crime e uma falta de respeito pela vida familiar... Pelo menos até os Sábados serem pagos a dobrar e a triplicar e trazerem também outras regalias... Aí deixa de ser penoso...

 

Porquê esta cedência do Governo, mesmo que nos digam que é uma prática normal - que afinal não é assim tão comum? E porquê mais uma temática em que o comentador do reino, vulgo Presidente da República, procurou fugir... Há assuntos que incomodam Marcelo... E cada vez são mais, já não é só o Grupo Espírito Santo e Angola.

 

Sempre me ensinaram que o papel dos Estados é fomentar o investimento, não é garantir a sobrevivência eterna das empresas, ou de sindicatos com interesses que não passam pela manutenção do tecido empresarial nacional - Será que deveria ter tirado um curso na Universidade Pyongyang? Deste modo também podemos falar de captação de investimento, todavia, fazer as reformas estruturais é um assunto que teima em não ver a luz do dia, até lá, vão-se esbanjando os impostos dos contribuintes a troco de votos e interesses partidários. Depois da Azambuja, vislumbro o fecho de Palmela, e honestamente, é talvez algo que a administração da AutoEuropa deva começar a pensar, talvez após isso e com níveis de desemprego assustadores na região de Setúbal, já por si fragilizada, muitos possam perceber que o mundo está a mudar e 10 milhões não têm de se sacrificar só para que alguns mantenham privilégios que não lembram a ninguém!

 

Em relação à classe política... Pense-se mais no país e menos em votos... Em relação a este povo... Pense-se mais nos problemas estruturais e menos nos decotes das meninas da Fórmula 1.

 

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Balde de Helicóptero com Água Fria...

por Robinson Kanes, em 24.01.18

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 Fonte da imagem: http://www.concordmonitor.com/getattachment/25ec3997-1bcd-43dc-8c6f-b50e490549ec/RayFire-cm-100717-ph1

 

Vivemos num país caricato... Um país onde, por muito espírito positivo que se tenha (e eu tenho), é difícil conseguir manter o mesmo ao longo do dia... 

 

Os mesmos responsáveis políticos que deixam helicópteros apodrecer por falta de manutenção ou por não fiscalizarem a mesma... Os mesmos responsáveis políticos que dizem que o uso de helicópteros tem de ser limitado para não aumentar despesas e custos de manutenção... Os mesmos responsáveis políticos que preferem deixar hectares de floresta arder e pessoas e animais morrerem até fazer levantar um helicóptero... São os mesmos que agora defendem o uso destes aparelhos para andar na caça à multa! Nunca fui apologista do termo, até porque só é multado quem não cumpre as regras de trânsito, no entanto, é de estranhar como as prioridades são assustadoramente desenhadas por estes indivíduos.

 

Estes políticos são os mesmos que recusam projectos que contemplam drones na vigilância de florestas mas depois dizem que não falta investimento e vontade para a utilização de drones na vigilância das estradas, subentenda-se vigilância como forma de detectar contra-ordenações. Estes políticos são os mesmos que deixam quartéis à mercê de larápios e ainda se dão ao luxo de contratar empresas de segurança privada para assegurarem a defesa de instalações militares... Instalações militares... Estranho... Estes políticos são também os mesmos que compraram helicópteros para a Força Aérea mas onde praticamente metade não voa por falta de dinheiro para a manutenção... São os mesmos que têm helicópteros Puma parados e desactivados sob a justificação de que não podem ser utilizados em incêndios, mas depois, vemos helicópteros exactamente iguais a operar em França, Espanha, Itália e outros tantos países...

 

A prioridade de um Governo deixou de ser a defesa directa dos seus cidadãos e passou a ser a punição por meio de coimas daqueles que ousam prevaricar na estrada. Nada tenho contra a fiscalização das estradas, volto a reforçar, mas é de estranhar que um país arda por falta de meios mas estes cresçam como cogumelos quando se fala de multas de trânsito. Será que o valor das multas que daí possam advir vai ser investido em equipamentos de Protecção Civil? Será que a Protecção Civil deve ser utilizada na fiscalização de contra-ordenações de trânsito?

 

Ainda esta semana alguém voltou a chamar Mário Centeno de "Cristiano Ronaldo das Finanças"... Mas ao que sei... Cristiano Ronaldo não chegou a melhor jogador de futebol do mundo à custa do sofrimento e morte de muitos (existe quem lhe prefira chamar cativações) e sempre faz uso da cabeça, mais que não seja para marcar golos... 

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Autor: Anónimo. 

Fonte da Imagem: Própria.

Já muito se havia falado, aquando dos incêndios, que o Estado havia falhado e que não poderia garantir um dos seus pilares fundamentais: a defesa do seu território e dos seus habitantes. No entanto, ainda podíamos falar de Estado.

 

Por estes dias, os portugueses descobriram que afinal o Estado não existe, perceberam que são meros animais de quinta governados por porcos. As leis de financiamento dos partidos, que já não são uma questão nova (não são, nada disto é novo), continuam a ser actualizadas e a não ser esquecidas numa gaveta, ao contrário do que acontece com temas que envolvem a defesa, a segurança, a saúde e um outro sem número de interesses bem mais importantes para um Estado Democrático.

 

Muitas vezes, recordo alguém que abandonou a vida de deputado e disse que se os portugueses soubessem o que se fazia naqueles corredores e naquele hemiciclo, subiam as escadarias e incendiavam aquele espaço com os respectivos frequentadores habituais lá dentro.

 

As várias leis de financiamento e "encobrimento" das actividades partidárias têm sido um dos maiores crimes que são cometidos em Portugal. O legislar à porta fechada - muito democrático - o retirar conteúdos de actas - muito democrático também - é uma das provas cabais da falta de transparência destes processos. Neste aspecto toda a representação parlamentar é criminosa e espanta-me que os auto-intitulados partidos do povo e das minorias como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda sejam sempre os primeiros a consentir e a legitimar estas mesmas leis. Será que o povo para estes partidos são aqueles que têm cartões de militante? Discutir esta situação seria desvendar um dos maiores embustes da actividade partidária nacional... Outro embuste é discordar de uma lei mas votar a favor, sobretudo quando nos beneficia: Catarina Martins, só assinou aquilo que toda a gente sabe mas ainda ninguém do Bloco de Esquerda tinha sido claro a afirmar:o Bloco de Esquerda não é uma alternativa a nada, bem pelo contrário!

 

Os partidos, os deputados e muitos governantes, mostraram aos portugueses que o Estado Democrático não existe e que no fundo, dar liberdade para se falar é indiferente quando aqueles que defendem a transparência e as instituições democráticas não são ouvidos... A diferença entre não ser ouvido ou ser poribido de falar é ténue... Aliás, a primeira é mais eficiente, pois quando somos proibidos de falar, tendemos a quebrar a regra ou a fugir para terras mais seguras e aí continuar a fazer ouvir a nossa voz... Já quando podemos exercer a nossa liberdade de expressão mas ninguém nos ouve é mais fácil silenciar um povo e a contestação. 

 

Portugal substituiu uma ditadura por outra e com o consentimento de todos os cidadãos! Nesse aspecto, foi um golpe de mestre, pois se antes tinhamos cidadãos oprimidos e cuja repressão aumentava o desejo de revolta, hoje temos cidadãos que tranquilmente seguem na dança da morte quais figuras da "Danse Macabre" que decoram a igreja de Saint Orien em Meslay-le-Grenet, França. Um pequeno apontamento: de facto o 25 de Abril nem foi feito pelo povo mas sim por militares do quadro que, perante a escassez de milicianos, não quiseram colocar os pés em África e entregar-se a uma possível morte.

 

Portugal é o país onde alguém que à frente de uma instituição de solidariedade é destruído na praça pública, mas que protela a resolução dos problemas estruturais ao mais alto nível da governação e que aplaude a compra de 10% dos activos de um banco por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa num negócio pouco claro e cujo poder político teima em não abordar. É o mesmo país que censura as finanças em Espanha por quererem prender um jogador de futebol português - pensando que anda por terras lusas e ainda goza com a autoridade - porque fugiu aos seus deveres como cidadão. É um país que se ergue e não descansa enquanto não vê o sangue de alguém que escreveu meia dúzia de alarvidades num acórdão mas não critica a sentença em si, a consequência do processo! Todavia, é um povo que aceita a corrupção numa governação que, apesar do que tira, distribuiu pequenas migalhas e procura estar em tudo qual Estado paternalista. 

 

É o país que consente que o cartão partidário se alimente do seu suor e do seu esforço.

 

Em Portugal, 2017, deveria ter sido um ano de mudança, não só pelos escândalos e por todas as tragédias que tiveram lugar, no entanto, temo que 2017 venha a ser o ano em que Portugal chegou à conclusão que o Estado Democrático não existe e que já não é o país que não se governa e não se deixa governar, mas sim o país de casca polida mas podre por dentro que aguarda com rasgado sorriso pelo colapso. Por norma, nestes países de gingões cujo labreguismo é disfarçado pelo show-off, a longo-prazo, estas coisas pagam-se caro...

 

Espero que 2018, finalmente, traga cidadãos... É o que mais falta faz... Feliz Ano Novo...

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Quando a Raridade é Normalidade...

por Robinson Kanes, em 12.12.17

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Fonte da Imagem: http://integritas360.org/2016/02/why-anti-corruption-programmes-fail/ 

 

Esta é aquela parte em que, de garrafa na mão, percorro as ruas aos gritos e digo "eu bem dizia, eu bem dizia"... Senão vejamos:

 

Solidariedade... Uma visão mercantilista do conceito?

ONG, bom ou mau?

Empreendedorismo Social e o Paradoxo do Culto da Personalidade.

Empreendedorismo Social não é Dádiva.

Caritas et Lucrum.

Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons

O Social... Os Donativos... E a Mendicidade de Resultados...

 

Raríssimas são as instituições sociais que em Portugal são completamente transparentes! A raridade é a nova normalidade. Não sou só eu que o digo, os acontecimentos falam por si: é a Cáritas que já mostrou uma inclinação para práticas menos claras (interessante que foi um caso que desapareceu do mapa), são instituições que. recebem roupa mas depois a vendem, é o Banco Alimentar Contra a Fome, a AMI e outras tantas instituições que de transparência têm pouco mas continuam a ser instituições com um peso tremendo no país e até onde o próprio Presidente da República que tudo comenta, se encarrega de fazer publicidade mas não de comentar quando as notícias não são de feição.

 

Associações, Misericórdias e outras Instituições Particulares de Acção Social (IPSS) proliferam em Portugal e garantem a ostentação de muitos indivíduos, em muitos casos em clara promíscuidade com o poder político, central e local.

 

Em Portugal a área social e o not for profit são áreas onde o enriquecimento é garantido, basta olhar à volta para se perceber... Porque é que estas áreas não são alvo de controlo mais apertado? Porque é que continuam a ser autênticos poderes? Porque é que se fomenta esta espécie de dádiva mas não se fomenta o empowerment dos cidadãos? Porque é que se utiliza o discurso da morte pela fome quando em Portugal, tal, não é uma realidade? E nem é preciso ir à fome: perde-se a conta às instituições e aos milhões gastos, na história do empreendedorismo e de ajudar os outros a vingar na vida... Mas depois... Face aos milhões investidos quais são os resultados?

 

Não é por mero acaso que existem organizações empresariais que se recusam a trabalhar com a área social! Talvez porque percebem que aqueles que lhes pedem conseguem maiores lucros que os próprios!

 

Alguns dos melhores exemplos são muitas comunidades imigrantes que se ajudam mutuamente e permitem que muitos indivíduos consigam trabalho ou até montar um negócio e a maioria nem quer ouvir falar de instituições que os apoiem... Esses sim, são bons exemplos.

 

Experimentem desenvolver um projecto a título indivídual e vejam se conseguem? Experimentem, em  muitas zonas do país, desenvolver um projecto social ou de cidadania sem pedir autorização (e algo mais) a poderes instalados em associações, munícipios, misericórdias e Igreja... Não vão conseguir, é um mundo fechado e só aberto a alguns! Espantados com a Presidente da Associação Raríssimas? Existem autênticos ditadores na área social, um meio para atingir muitos fins e que nem sempre é o bem-estar do outro... Olhem à vossa volta, mesmo na vossa região, na vossa cidade, vila ou aldeia e vejam quem está à frente desta área... Não tenhamos receio de dizer que a área social em Portugal alimenta máfias muito poderosas e que muitas instituições sociais ou de ajuda ao próxima não passam de grupos de tráfico de influências...

 

Perguntem porque é que alguém como o Ministro Vieira da Silva e outros estão ligados aos orgãos sociais destas instituições? Porque é que um dos próximos da lista era um deputado do PSD? Somem a isto os imensos apoios que esta instituição tem e rapidamente chegarão a uma conclusão... A área social em Portugal tem de ser alvo de uma avaliação profunda, tal como outras tantas áreas, a cultura é uma outra... 

 

Estamos num país onde é mais fácil gerar retorno com a área social e a "ajudar" os pobrezinhos do que a criar valor, emprego e investimento! Tal já diz muito da triste situação em que nos encontramos.

 

Não sejamos ingénuos, são muitos aqueles que já trabalharam e trabalham com a área social e sabem bem como as coisas acontecem... Falar da área social em Portugal é tabu! É tabu porque, no dia em que se olhar para esta área com atenção vamos perceber que milhões e milhões de euros investidos nem um euro de Social Return on Investement (SROI) geraram! Falar da área social em Portugal é mexer com aquilo que mais de podre existe na sociedade, na política e na Igreja... E aqui nem o nosso Presidente escapa...

 

De facto, também existem situações em que o trabalho é bem feito e existe um claro espírito de missão, e a esses voltarei! Mas é por isso mesmo, por existirem esses bons exemplos que nós, cidadãos, devemos exigir um claro escrutínio destas instiuições... Podemos fazer muito, basta que deixemos de participar em actividades e também em deixar de dar donativos. Podemos pressionar o poder central para que feche a torneira que alimenta autênticas oligarquias e sorvedouros do dinheiro dos nossos impostos.

 

Em tempos alguém me dizia... "achas que se fosse uma área com tantas dificuldades quem lá está se perpetuava eternamente e destruía todos aqueles que poderiam assumir o lugar e trazer sangue novo? Já viste alguém que lá esta a pedir para si por não ter que comer?".

 

É Natal, sejamos verdadeiramente solidários e actuemos directamente, porque... Se todos agirmos como verdadeiros cidadãos estas instituições deixarão de ter razão de existir. E para sermos solidários, não precisamos de andar sempre a dizer que o somos... A verdadeira solidariedade não tem publicidade, para isso temos a Responsabilidade Social Corporativa, onde aí até faz sentido... Até porque cansa ouvir um sem número de indivíduos todos os dias a repetirem que já entregaram um saquinho de comida a pobrezinho mas depois, no seu dia-a-dia são autênticos seres desprezíveis para com quem os rodeia.

 

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IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

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Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

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Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

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Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

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 Fonte da Imagem:https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/static.wetek.com/storage/events/597f0206-77d4-40df-a5cd-5c6925fc7e5d-websummitlisbon2017.jpg

 

Eventos como a "Web Summit" são, para mim, uma mais-valia para Portugal. São bons para a própria marca "Portugal", para o turismo e todos os seus actores e acima de tudo animam uma cidade que não deixa de ser uma das mais belas do Mundo. Com tantas criticas à mesma, seria interessante perceber os custos vs retorno desta face ao tão aplaudido Festival Eurovisão da Canção, por exemplo.

 

Discutir tecnologia é hoje fundamental. Não tenhamos dúvidas que o futuro passa por aqui e é importante desmistificar (contra a vontade de alguns) que não estamos perante nenhum "bicho de sete cabeças". Todavia, reconheço, que todos estes eventos (salvo algumas situações) são um mero encontro de profissionais e cujo retorno é sempre difícil de quantificar. Políticos e organizadores atiram números de milhões para o ar, mas na realidade, nunca temos contas certas, e neste campo, o Estado é responsável até porque financia, também com milhões, este evento. Eu sei que é aborrecido estragar a festa, mas quem já trabalhou com americanos, alemães e outras tantas nacionalidades sabe que o discurso é sempre interessante, mas os números têm de aparecer no papel e no terreno! Podemos falar de consumos de copos de água e cafés, do número de audiovisuais e afins, mas o que queremos são mesmo os números e os resultados concretos.

 

A "Web Summit", mais que um evento com resultados, é marketing e networking. Do ponto de vista do marketing é positivo, como também é necessário dar imagem ao mercado, ou não fosse a organização especialista em transmitir a ideia às organizações (sobretudo startups) que são convidadas e especiais, mas depois têm de pagar cerca de €1.500 para serem efectivamente tão especiais e dignas de convite. Do ponto de vista do networking também, todavia o foco nesta questão (apontada pela maioria como o ponto fundamental do evento) tira protagonismo à discussão de temas relevantes e ao desenvolvimento de estratégias para o futuro.

 

É neste sentido que, na "Web Summit", ficou também por esclarecer, apesar de ter sido abordado, como é que o mundo se vai preparar para toda esta revolução na robótica e que inclui a Inteligência Artificial (IA). Quais serão os reais impactes nas pessoas, nos negócios e nos países menos desenvolvidos? Eu sei que estamos perante um encontro na área das tecnologias da informação, mas não falar das pessoas... Como é que vamos conviver com este futuro que, para muitos, é visto com optimismo e para outros com grande pessimismo, enquanto a grande maioria não pensa nisso enquanto se diverte a brincar com o cão robot e não tem paciência para um cão de carne e osso. Interessante os risos e a satisfação quando um robot se vira para os humanos e lhes diz que o emprego destes tem os dias contados mas não lhes oferece uma solução... Mas a maioria aplaude. Aplaude até não ter emprego e passar a ser a personagem de um romance-catástrofe.

 

Não sou contra a IA, no entanto, defendo que esta merece uma grande discussão! Não só ao nível da ética mas também das consequências positivas e negativas que trará e, como já referi num outro artigo, comparar esta revolução com a primeira Revolução Industrial é no mínimo patético e revela um total desconhecimento do passado e do presente. Como é que enquadramos esta realidade nos desafios do presente e do futuro? Aqui, estamos perante um enorme  buraco negro em que ninguém arrisca entrar e já nem vamos falar da quase ausência da questão da responsabilidade social - não chega ter Al Gore a lançar desafios... É preciso agarrá-los. A lógica da sensibilização de cada um de nós tem limites, todavia, as mentalidades não se mudam somente com conselhos.

 

Fiquei também com a sensação que a "Web Summit" é um acontecimento político. À boa maneira portuguesa, a presença dos políticos do costume (Presidente da República - que até deixou a questão da água para segundo plano - e Primeiro Ministro incluídos) demonstra o ainda peso do Estado e a propaganda que grassa nestes meios. Até tivemos um presidente de câmara, Fernando Medina, que acompanhou todo o evento, mais parecia a "Web Medina", mas depois disse não ter conhecimento de um jantar no Panteão (um dos momentos altos da conferência), chegando mesmo a estar contra o mesmo.

 

Desta feita até foi bom, porque "apagou" a questão da legionella num hospital público, causando amnésia ao Presidente da República que encarou este facto como único, esquecendo o que aconteceu em Alverca em tempos recentes. Neste âmbito, também foi interessante assistir à presença de João Vasconcelos (ex Secretário de Estado da Indústria) como se ainda ocupasse um cargo de Estado (estando presente inclusive em alguns dos certames oficiais e diplomáticos) após ter sido demitido, perdão, se ter demitido devido ao escândalo com as viagens pagas pela GALP e cujo inquérito ainda decorre. Pelo campanha de comunicação em torno deste indivíduo, então no LinkedIn e em alguns "media" é bem latente que ter saído do Governo foi a melhor coisa que lhe poderia ter acontecido. José Régio escreveu "Há Mais Mundos", eu escreveria "Há Mais Isaltinos".

 

Mais uma vez, passou-se a imagem que Portugal é Lisboa... Tirando um evento de surf na Ericeira, num país pequeno como o nosso não ficaria mal alargar o âmbito da conferência. Contudo, a ideia com que fiquei, e aqui baseio o meu relato somente naquilo que vou ouvindo, é que a "Web Summit" é uma coisa, os portugueses são outra... O português comum é totalmente arredado deste evento não só por falta de informação concreta, bem como pela apresentação dos resultados... Volta a questão do empowerment e da crónica estupidez nacional de não gostar muito de passar a informação toda capacitando assim os outros. Em muitos com quem falei, encontrei a ideia de que a "Web Summit" é um evento elitista, quando não o deveria ser, e muito menos me parece que seja essa a ideia de Paddy Cosgrave. Na verdade, não é por andarmos de t-shirt e calças de ganga que a nossa mentalidade se torna mais cool ou moderna. Não é por se trocar o fato, a gravata e o golfe, por um polo, umas sapatilhas e surf que deixamos de ser aquele executivo labrego e nos transformamos no mais atractivo CEO do mundo.

 

Finalmente, algumas provocações: no país da tecnologia, não é de estranhar que durante os incêndios esta tenha falhado redondamente? No país da tencologia, não é de estranhar que muitas das inovações portuguesas (inclusive na área dos incêndios) não tenham a devida projecção? No país da tecnologia ainda discutimos jantares no Panteão nacional como se a nossa independência estivesse em causa e esquecemos o que realmente tem travado o nosso desenvolvimento? No país da tecnologia, porque é que ainda continuamos com uma mentalidade obsoleta? Porque a tecnologia altera hábitos mas não muda mentalidades.

 

Esperemos por 2018 e finalmente por bons resultados... Porque também isso leva o seu tempo e em relação à "Web Summit" quero continuar optimista. Venha a próxima edição...

 

Uma nota: ainda a propósito do famoso jantar, pede-se aos humoristas nacionais (muitos deles tão inteligentes que julgam viver num universo acima daqueles que ainda os sustentam)  que tenham em atenção o facto de personalidades como Camões, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e o Infante D. Henrique (destes quatro últimos nem ninguém se lembrou) não se encontrarem sepultados no Panteão. Na Igreja de Santa Engrácia encontram-se somente os cenotáfios destes. No país da tecnologia e de gente que domina a praça pública e se diz tão evoluída já deveriam saber isso...

 

 

 

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

o Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios carece de uma forte incorporação de conhecimento. Muitas das decisões são tomadas apenas com base em conhecimento empírico e baseadas em perceções normalmente questionáveis

 

Incompetência! Inaptidão para o cargo. Falamos do território nacional, de património natural e edificado, de pessoas e bens, de animais...

 

A Escola Nacional de Bombeiros, integralmente financiada por recursos públicos, deverá ser integrada no sistema educativo nacional, transformando-se numa escola profissional e orientando a sua ação prioritariamente para perfis profissionais acreditados. A oferta atual de cursos de curta e muito curta duração, deverá ser avaliada e eventualmente reformulada, explorando as modalidades de ensino a distância. (pág. 19)

 

Porque já não o é? Ainda por cima suportada integralmente por todos nós?

 

A sociedade portuguesa tem um distanciamento cultural em relação à floresta que urge ultrapassar. Por esse motivo, Portugal regista um elevadíssimo número de ignições por ano, valor que é seis vezes superior ao registado em Espanha e 19 vezes superior ao da Grécia. (pág. 22)

 

A culpa também é nossa...

 

No período 2000-2016 os custos de prevenção variaram, no entanto, muito pouco: entre os três períodos, entre 23 a 25 milhões de euros por ano. Os custos com a supressão, porém, aumentaram naqueles três períodos de 65,9 para 69,5 e para 78,1 milhões de euros por ano, destacando-se a importância dos meios aéreos de combate que variaram naquele período entre 50% e 65% do custo total de supressão. (pág. 37)

 

Para aqueles que defendem que a prevenção tem tido um aumento no investimento face ao combate...

 

A causa da ignição inicial associada ao incêndio de Pedrogão Grande não consta ainda do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF). O relatório circunstanciado da GNR datado de 26 de julho refere que teve origem na linha elétrica, por contacto ou descarga, a qual observámos estar muito próxima da copa das árvores; o ponto de ignição situa-se num troço da linha de média tensão que numa extensão de 500 m estava desprovido de faixa de proteção. (pág. 61)

 

Atentemos no "teve origem na linha elétrica, por contacto ou descarga, a qual observámos estar muito próxima da copa das árvores". A tese de acidente continua a ter validade? Fica a questão.

 

O EUMETSAT assinala uma descarga elétrica positiva na região por volta das 14h45 sendo de notar que os registos de raios detetados pelo IPMA não incluem a descarga que originou o fogo de Góis nem aquelas observadas em fase mais adiantada do incêndio de Pedrogão Grande. (pág. 62)

De acordo com os testemunhos existentes a propagação inicial do fogo foi tímida e a sua intensidade inicial muito reduzida, apresentando no caso de Regadas Cimeiras chamas com tamanho aproximado de 20 cm. (pág. 64)

 

Contradições e a confirmação de que o fogo só atingiu uma maior "força" horas mais tarde. Não foi imediato.

 

A existência de maquinaria pesada propriedade das câmaras municipais ou protocoladas para sua utilização (como é o caso das máquinas da Associação de Desenvolvimento Regional da Serra do Açor – ADESA) é muito valorizada, quer para ações de beneficiação de caminhos e/ou de faixas de gestão de combustíveis, quer para apoio ao combate a incêndios florestais.

Existem equipas de sapadores florestais em todos os concelhos. Estas equipas são utilizadas, mas apenas em vigilância, primeira intervenção e rescaldo. (pág. 102) 

À exceção da REN e EDP, o cumprimento do PMDFCI pelas restantes entidades é considerado relativamente baixo. (pág. 103)

 

Nem tudo é mau e afinal, uns dos que são apontados como os maus da fita em muitas situações, até são os que cumprem a lei. No entanto, a ignição de Pedrogão coloca algumas questões nesta matéria.

 

Refira-se o caso de Pedrógão-Grande que não tem o plano aprovado, apesar de ter procedido ao planeamento das faixas de gestão de combustível. Este planeamento (gestão combustível) não pode ser negligenciado, sendo por isso considerado na presente análise. (pág. 104)

 

Voltamos a ter o presidente de câmara vítima em xeque...

 

Os técnicos apontam a necessidade de preparar as populações para ocorrências como a de Pedrogão, através de um trabalho pedagógico continuado e dirigido.

Metade dos técnicos acha que faltaram meios no incêndio de Pedrogão e que houve falhas de coordenação. Há críticas também à falta de formação dos bombeiros e ao facto de os comandantes não serem escolhidos em função das suas competências. Houve críticas também de descoordenação no PCO.

Houve igualmente críticas às falhas de comunicação, sobretudo por motivos organizacionais. Apesar das críticas ao dispositivo de combate, a maioria dos técnicos considera que as condições foram excecionais em termos de meteorologia e de comportamento do incêndio. (pág. 114)

 

Mais uma vez o empowerment e educação das populações não está a ser feito. Mais uma vez a questão das nomeações por factores que não são as competências a justificar o compadrio. Contudo, existe o reconhecimento de que foi uma situação atípica.

 

O briefing do dia 14 de junho deu conta do agravamento da situação meteorológica a partir do dia 16 e culminando nos dias 17 e 18, com previsões do aumento da temperatura máxima do ar e diminuição da humidade relativa (e sem recuperação noturna no interior do país), aliás como se veio a verificar. Muito significativamente, apontou para “instabilidade no interior, mais provável a partir do dia 17 com trovoada e aguaceiros”. Em Portugal o apoio à decisão baseado na informação pirometeorológica está subdesenvolvido, pese embora o manancial de informação atualmente disponível e que procede de várias fontes. Além do IPMA há que referir o European Forest Fire Information System e o serviço “Mapas e Dados Meteorológicos e Florestais”, disponibilizado pelo Instituto Dom Luiz e apoiado pela ANPC e ICNF. (pág. 120)

 

A informação existe, não existem indivíduos ou os que existem não possuem competência para interpretar a mesma.

 

Na descrição da situação meteorológica pode-se ler no 4o parágrafo do referido CTO, sublinhado e a bold no comunicado técnico “entre os dias 16 e 18, a temperatura máxima poderá atingir valores entre 40 e 43 o C nas regiões do interior...” associado a ventos moderados e a humidades abaixo dos 30%. Sem dúvida que se estaria na presença de um quadro em que era expectável tempo quente e seco com permanência de condições favoráveis à eventual ocorrência e propagação de incêndios florestais.

Sabe-se também que estávamos em plena fase Bravo, em que os meios disponíveis e a capacidade instalada é francamente menor do que a prevista e planeada para a fase Charlie. Contudo não deixa de ser estranho que em sede de determinações operacionais, de acordo com o ponto 4 do já referido CTO, o único meio de reforço pré-posicionado para o quadro previsto fosse o Grupo de Ataque Ampliado (GRUATA) da Força Especial de Bombeiros (FEB), na base de apoio logístico (BAL) de Castelo Branco. (pág. 122)

 

Sem comentários...

 

deduzindo-se que por isso a probabilidade de novas ocorrências deveria ser igualmente baixa. Este racional é reforçado no documento de resposta à senhora Ministra onde se reafirma que: “... dado que na zona de Pedrógão não ocorriam incêndios há 10 anos, por este facto a zona não era historicamente relevante.”Além de não haver rigor factual na afirmação, a não ocorrência de incêndios numa série de anos não deverá constituir fundamento para aliviar o planeamento operacional e a prevenção.

Ou seja, para cada dia, para cada mês ou para cada ano que passa sem que um território, caracterizado por elevado risco de incêndio florestal, seja fustigado pelo fogo, conduz a um aumento gradual de risco de incêndio, situação que aconselharia a redobrar a atenção relativa a novos incêndios. Por este motivo, medidas de ajustamento operacional, antecipando cenários, teriam tido todo o sentido, se orientadas para o interior norte do distrito de Leiria, bem como para os distritos de Castelo Branco e de Coimbra.(pág. 123)

Amadorismo, incompetência, negligência... Como é possível que indivíduos com tamanha responsabilidade apresentem justificações e pareceres destes...

 

Na fita de tempo é referido que às 18h18 é acionado o H03-Kamov para este teatro de operações, o que nunca veio a acontecer como se comprova pelo relatório de controlo missão diário desta aeronave, já que à mesma hora foi mobilizado para São Miguel Rio Torto, concelho de Abrantes, distrito de Santarém, onde efetuou sete descargas e onde esteve em missão até ao final do dia. Assim conclui-se que entre 16h03/16h10 e as 17h58/18h06, um período de cerca de duas horas na fase mais crítica do incêndio, não esteve nenhum meio aéreo a operar no incêndio de Pedrógão Grande, nem em ATI nem em ATA. Precisamente no início da fase de ataque ampliado, na qual os meios deveriam ser diferenciados, esta operação ficou desprovida de qualquer meio aéreo.(pág. 128)

 

Sem Comentários...

 

Continua...

 

 

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Para Onde Vai o Meu Dinheiro?

por Robinson Kanes, em 04.10.17

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Fonte da Imagem: https://www.forbes.com/forbes/welcome/?toURL=https://www.forbes.com/sites/laurashin/2015/02/26/44-ways-to-make-more-money/&refURL=https://www.google.pt/&referrer=https://www.google.pt/

Para Onde Vai o Meu Dinheiro?

 

Esta é a pergunta que muitos de nós fazemos, contudo, também é uma pergunta para a qual nem sempre encontramos resposta.

 

Alguém, que não aguentou presenciar muitas das coisas que se passam na Assembleia da República, disse um dia algo como isto: "se o povo soubesse o que ali se passa rapidamente aí acorria e pegava fogo a tudo". Na verdade, quantos de nós sabemos para onde vai o nosso dinheiro, mesmo que numa estimativa muito "caseira"? Poucos, muito poucos.

 

Foi neste sentido que decidi partilhar a iniciativa "Where Does My Money Go?" que visa, embora de uma forma ainda pouco detalhada, alertar e informar os contribuintes do Reino Unido das despesas realizadas com os seus impostos. Basicamente, e segundo os promotores da iniciativa, o objectivo passa simplesmente por procurar promover a transparência e o engagement dos cidadãos numa lógica de visualização e análise da informação dos gastos públicos no Reino Unido. 

 

Talvez se, a nós portugueses, nos dissessem com clareza para onde vai o nosso dinheiro e também cada um de nós procurasse saber essa informação, fosse possível ter uma melhor aplicação dos nossos impostos ou então, muito provavelmente face a um primeiro impacte da informação, fosse criado um clima de guerra civil... É um longo caminho, pois quantos de nós têm realmente interesse em saber onde são aplicados os seus impostos? E quando as próprias instituições públicas não cumprem a lei nem as directivas do Tribunal de Contas e infringem claramente as regras não sendo transparentes na divulgação das despesas? Está em cada um de nós ser mais activo e assim exercer também o papel fiscalizador nestas matérias... Porque o dinheiro é nosso e é um bem escasso.

 

E a vocês? Interessa-vos realmente saber onde é investido o dinheiro dos vossos impostos? Se sim, como exercem esse dever?

 

P.S: por cá existe o http://www.base.gov.pt, tenho é dúvidas que seja assim tão frequentado pelos cidadãos. Aconselho a consulta, foi aí que já encontrei algumas situações, no mínimo, ultrajantes para o erário público (lembram-se de ter falado de uma situação aquando dos incêndios?). Não é um espaço perfeito, muitos contratos e adjudicações directas permanecem omissas.

 

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 Fonte da Imagem:http://www.dailyherald.com/storyimage/DA/20170930/news/309309987/AR/0/AR-309309987.jpg&updated=201709300118&MaxW=800&maxH=800&noborder

 

Se há país pelo qual nutro grande simpatia é Espanha, e a região da Catalunha tem, também para mim, um valor especial. Não irei falar do referendo nem de todas as peripécias acerca do mesmo, até porque já se falou tudo. Actualmente, é fundamental ter opinião sobre tudo mesmo que não se saiba nada... Muitos dos comentadores de bancada (incluam aqui a minha pessoa) e não só, olham para a Catalunha como Barcelona, esquecem-se é da dimensão da região e da importância de outras cidades. É o que dá passar uns dias em Barcelona, ou fazer um excursão até Montserrat e achar que se conhece uma região inteira.

 

Mas o referendo da Catalunha teve em Portugal fervorosos adeptos e já nem vou falar numa certa extrema esquerda que adora o caos para se instalar nele e trocar de nome com os porcos, numa alusão à "A Quinta dos Animais" de Orwell. Como é estranho ver que os portugueses estão (ou alguns que querem que os portugueses estejam) tão interessados no referendo em Espanha e pouco interessados com o que se passa em Portugal. De facto, é uma forma de ocultar uma mentalidade provinciana fornecendo-lhe uma capa de cosmopolitismo: eu português, cidadão do mundo mas tacanho como aquando de 1143. E porque digo isto? Porque enquanto andamos (até a imprensa) interessados em fazer campanha pela independência da Catalunha esquecemos que:

 

- Para as eleições autárquicas o número de violações à lei foi elevado e a Comissão Nacional de Eleições não tem mãos a medir, punições?

 

-Ainda nas eleições autárquicas temas o protagonismo de candidatos que têm/tiveram problemas com a lei e chegaram inclusive a prejudicar-nos a todos. Votamos nesses que nos defraudaram em milhões, mas defendemos a prisão e queremos distância daquele que roubou uma peça de fruta de um hipermercado. O concelho mais desenvolvido do país, ou pelo menos um deles, mostrou que a corrupção e as máfias são uma coisa boa. Dá que pensar o conceito de desenvolvimento em Portugal...

 

-Tivemos um Presidente da República (eu sei que não ganho pontos com isto, sobretudo nesta plataforma, talvez tenha de começar a fazer elogios ao mesmo) que esta semana dividiu os portugueses em dois: os distraidos e os que gostam dele. Fica sempre bem ao Presidente que se diz de todos os portugueses. Esse mesmo presidente que, mais uma vez, fez chantagem com o povo e dividiu os portugueses nos que votam e nos que não votam. Parece-me que um especialista da área e o defensor máximo da Constituição tem de fazer reciclagem nesta matéria. Marcelo por vezes parece deslizar ao seu passado anterior a 1974...

 

-Tivemos um Primeiro-Ministro criminoso (e não estou a falar de José Sócrates) que, e com a conivência da lei, travou um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Também pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático. Se isto não é ser criminoso, o que será? Pouco falado foi também este caso...

 

- A investigação à Caixa Geral de Depósitos, prometida pelo Primeiro-Ministro, continua por fazer. Dos incêndios e da prevenção, pouco ou nada se sabe (o povo merece ser informado), dos donativos, todos "sacudiram água do capote", como se  ninguém soubesse o cancro são muitas instituições sociais, associações e ONG em Portugal. Talvez no Natal se volte a falar dos incêndios quando o folclore já prometido pelo nosso Presidente da República tiver lugar.

 

- Por acaso alguém sabe do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda? Não os tenho visto... E no fundo, ondem andam também os outros? Um deles anda mais preocupado com a Catalunha, para ocultar desaires nas eleições - afinal as licenciaturas em teatro têm aplicação prática na política.

 

Mas o mais importante é o referendo na Catalunha, isso sim, deve tirar o sono aos portugueses. Não é por querer mostrar que estou muito interessado num referendo inconstitucional na Catalunha que varro para debaixo do tapete o meu provincianismo. Até ficamos espantados e veiculamos notícias de cargas policiais que, supostamente, chocaram o Mundo. Não chocaram nada! Violou-se claramente a lei e foi preciso restablecer a mesma! Atacar violentamente uma autoridade no cumprimento do dever não é um crime, mas proteger a lei já é? Em muitas situações estivemos perante um bando de arruaceiros a desafiar a autoridade policial e um outro sem número de cidadãos a tentar evitar que os muitos agitadores o fizessem... Mas, mais uma vez, a comunicação social foca-se apenas num dos lados e num pseudo-poder (ou retiro o "pseudo") que é um clube de futebol a tomar partido por uma independência e a ter um destaque como se de um grande movimento revolucionário se tratasse. O futebol, esse símbolo de boas práticas...

 

Finalmente: e se a Madeira, os Açores ou até o Algarve decidirem ser independentes? Também vamos ser assim tão defensores dessas causas? E por acaso, não estarão os portugueses esquecidos de Olivença? Tanto folclore em torno da independência da Catalunha, mas a questão de Olivença continua sem ser resolvida desde o Congresso de Viena em 1815 onde a própria Espanha reconheceu a soberania portuguesa sobre aquela área. Sugiro sim um referendo a Olivença e aí talvez tenhamos a surpresa ao perceber que quem lá habita não quer fazer parte de Portugal. 

 

Falar e querer ver o caos nos outros é fácil, desde que não nos toquem nas feridas e assim possamos ir alimentando a decadência disfarçada de prosperidade... Pelo menos para alguns... 

 

Finalmente, fazer o que nos apetece sem ter consequências dos actos não é Democracia... Tem outro nome e não é Democracia, mas é melhor não o dizer, sob pena de ferir susceptibilidades e despertar paradoxos de pensamento.

 

Boa semana...

 

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Fonte da Imagem: Própria 

Muito se tem falado do Turismo, mas pouco se sabe sobre a dinâmica do mesmo. Uma classe que se julga urbana vê diferentes nacionalidades a deambularem pela rua e já se considera especialista em Turismo e, como qualquer português (estou aqui neste rol) opina sobre aquilo que não sabe e porque toda a gente fala nisso ao ponto da discussão sobre turismo se centrar em Lisboa ou Porto ou numa tendência que gera likes e visualizações.

 

Quando temos um jornal generalista de grande tiragem a fazer a distinção entre turista e "viajante", colocando ambos lado-a-lado e apenas baseado na questão se um tira fotos e se o outro planeia, já temos uma falácia de monta. Quando temos "especialistas" em viagens a olhar para o turismo como um conjunto de selfies ou uma lista de locais a visitar temos também um problema, sobretudo quando a mensagem dos mesmos tem eco. Turismo não é andar à boa-vida e será um conceito ao qual voltarei.

 

Mas vejamos:

 

Turista, de um modo breve, é um conceito definido teoricamente e com mais expressão em 1937, nomeadamente no âmbito da Sociedade das Nações, e que definia o turista como o indivíduo que passa no mínimo 24 horas fora do seu país. De facto, ao longo dos anos, esta definição foi sofrendo várias alterações até ser enquandrada num conceito mais abrangente, nomeadamente o de visitante, mas já lá iremos. Deste modo, o turista é um visitante que pernoita pelo menos uma noite num alojamento colectivo ou privado no local visitado. Uma nota para o facto de já não ser colocada a questão se é ou não fora do país de origem e para a dificuldade em definir o que é propriamente "pernoitar" e alguns tipos de alojamento.

 

Deste modo, o conceito de turista é uma ramificação de um conceito mais amplo, como já referi, nomeadamente o de Visitante e cuja definição é a de um indivíduo que viaja para um local fora do seu ambiente habitual por menos de 12 meses e que não exerce uma actividade remunerada no local que visita. Ou seja, o foco aqui é temporal, nomeadamente a deslocação que não pode ser superior a 12 meses e ainda a questão remuneratória. Podemos também questionar as motivações e o conceito de "ambiente habitual", mas isso é um tema mais extenso e a ser debatido de futuro.

 

O conceito de visitante, engloba ainda um outro conceito, nomeadamente o de Visitante do Dia, até há bem pouco tempo denominado de Excursionista. O Visitante do Dia não é mais que todo e qualquer visitante que não passa uma noite num alojamento colectivo ou privado do local visitado.

 

Finalmente, para chegarmos à conclusão que um Viajante não é propriamente um turista e nem se relacionam no estudo do turismo. Neste caso, o visitante (englobando aqui os conceitos de turista e visitante do dia) faz parte de um sistema bem maior e que começa, aí sim no viajante. Contudo, um viajante pode ser alguém que se desloca por um qualquer motivo, por exemplo, um refugiado é um viajante, ou até um estudante. Licínio Cunha, considerado um dos grandes estudiosos portugueses nesta área, define viajante como “(...) toda a pessoa que viaja entre dois ou mais locais, qualquer que seja o modo ou o meio da sua deslocação” (Cunha, 2009:17). 

 

Deste modo, temos aqui um conjunto de definições que nos ajudam a entender alguns dos diferentes actores e a compreender um pouco esta realidade que já não é nova mas que actualmente (no caso português) é um tema em extenso debate.

 

 Alguma bibliografia para ajudar à compreensão do tema:

 

  • Cunha, Licínio (2009[2001]) Introdução ao Turismo. Lisboa: Editorial Verbo.
  • Cunha, Licínio (2010) A Definição e o Âmbito do Turismo: um aprofundamento necessário. ReCiL - Repositório Científico Lusófona. Acedido a 28/08/2017 no endereço: http://recil.grupolusofona.pt/bitstream/handle/10437/665/A%20Defini%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%A3o%20e%20o%20%C3%83%E2%80%9Ambito%20do%20Turismo.pdf?sequence=1
  • http://www2.unwto.org 

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