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O Toiro Vencedor!

por Robinson Kanes, em 09.07.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Em pleno século XXI, num país que se diz desenvolvido, ainda tenho de fazer a seguinte pergunta: a que pretexto se violenta um animal na arena, ou nas ruas de uma qualquer cidade, por puro prazer ou desporto? Também não venho apregoar politicas à PAN e defender que todos devem comer ração vegetal (enquanto o PAN às escondidas devorará, muito provavelmente, umas boas costeletas de novilho). 

 

Tenho de sublinhar que também me fazem uma certa impressão as reacções humanas quando é o touro a ganhar a "parada" - então mas não é o desafio do homem contra a "besta"? A "arte" não é essa, ou quando a "arte" não joga a nosso favor interpretamos as coisas de forma diferente, como a derrota do touro fosse sempre certa? Fica a questão... 

 

Importa também lembrar que na equação existe um cavalo... Alguém por acaso também observa o sofrimento do cavalo, ou pensam que um animal daqueles se diverte? Só quem não conhece o comportamento dos cavalos é que defende o contrário. Iniciemos pelo básico da questão (e já não entro em questões comportamentais): experimentem ser montados por indivíduos que não sabem montar a cavalo (de dressage sabem pouco) e além disso peçam que vos coloquem arreios pela goela abaixo, e enquanto vos montam, ainda vos obrigam a fazer hiperflexão do pescoço. Genial, não?

 

A isto juntam-se os seres humanos que praticam a tauromaquia, normalmente oriundos das mesmas famílias de sempre, algumas ricas, outras que gostariam de ser mas que, na sua maioria, dominam as lides nacionais... O povo que se entretenha a pegar o touro ou sonhe com a hipótese de um dia ser matador.

 

 

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A propósito do mais recente "acidente" em Coruche, desta vez foi o touro a ganhar, ou não... Terá tido um sofrimento ainda maior - conhecendo algumas das personagens que frequentam praças de touros, terá sofrido e muito... Mas ganhou e nem por isso saiu em braços e foi adorado por todos aqueles que estavam na praça de touros!

 

Em suma, podemos esperar alguma coisa de alguém que se diverte a assistir a um espancamento (e morte) gratuita de outro animal? Admito que me faz confusão... E em alguns casos até poderei ser hipócrita na abordagem, afinal também como peixe como se não houvesse amanhã. No entanto, não deixo de defender a vida animal! Além disso, estes espectáculos são, não raras vezes, financiados por todos nós!

 

Mas sim, também eu sou hipócrita que não abdico da amizade de muitas famílias com ganadarias e criadores equinos, pessoas que valorizo bastante, e perdoem-me, até mais que os "solidários" e "ambientalistas" de sofá ou de televisão. Admiro a camaradagem do povo ribatejano e dos marialvas, um povo singular e com quem sei que posso contar! Verdadeiros amigos, gente boa e com que me divirto muito! Sim, é verdade... Admiro essa gente e sua companhia faz-me bem! Bem melhor do que a da maioria dos defensores dos animais!

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Uma União Europeia "à Lagardère”.

por Robinson Kanes, em 03.07.19

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Créditos: https://www.euractiv.com/section/eu-elections-2019/news/christine-lagarde-a-non-conventional-pick-for-the-ecb-presidency/

 

Falar-se de Isaltino Morais (e outros) em Portugal é o suficiente para causar alguns rápidos vómitos, sobretudo se estivermos a falar de ética, Justiça e... Pouca vergonha. No entanto...

 

No entanto, depois de Juncker, o senhor dos cambalachos com multinacionais no Luxemburgo, a União Europeia decide, mais uma vez, lançar uma pedra para aquela que poderá ser a sua destruição a longo prazo. Essa destruição, contudo, não será com guerras nem conflitos económicos, mas com uma destruição de valores e pela total ausência de interesse por parte dos europeus. Se em Portugal o pouco interesse com as questões europeias é latente e poucos estão interessados em conhecer as causas, na União Europeia o esforço também não tem lugar! 

 

Defendo a União Europeia (concordo e discordo também com algumas políticas), contudo, colocar Christine Lagarde como representante máxima do Banco Central Europeu (BCE) é, no mínimo, um dos maiores escândalos depois de Juncker e até Vitor Constâncio. Durão Barroso e outros também, mas ninguém poderia prever que mais tarde poderiam seguir outros caminhos...

 

Tantas vezes criticamos o nosso país, mas estamos numa Europa que elege para o BCE alguém que pedia a outros (aos gregos) que pagassem impostos e auferia rendimentos de milhões sem pagar qualquer taxa sobre isso! Elegemos para o BCE alguém que desviou verbas públicas e foi condenada por isso - mas não cumpriu pena porque era a Directora do Fundo Monetário Internacional! A impunidade dos clássicos ainda dura... Sobretudo quando tais "julgamentos fantoche" são conduzidos pelos próprios parlamentares! Uma espécie de comissão parlamentar que, mais uma vez, obstrui a verdadeira justiça! A gravidade é tal que nem a pseudo-condenção de Lagarde surge no seu cadastro!

 

É com a "eleição" dos suspeitos do costume, e sempre do mesmo bloco dominador, que aqueles que querem uma Europa unida esperam ter o apoio dos seus cidadãos? Especialmente do bloco de leste (que, de certo modo, até sai "vencedor" como força de bloqueio) e do bloco mediterrânico? É assim que os portugueses também podem confiar num Governo que coloca como candidato a vice presidente do Parlamento Europeu, Pedro Silva Pereira - indivíduo com claros "telhados de vidro" no caso Sócrates e que foi "escondido" dos portugueses aquando da campanha para as eleições europeias? 

 

Em suma, é esta Europa que está preparada para os tempos mais difíceis da sua existência?

 

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Sobre a Corrupção e um Obrigado ao Sapo!

por Robinson Kanes, em 01.07.19

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Créditos:https://www.bloomberg.com/news/features/2017-06-08/no-one-has-ever-made-a-corruption-machine-like-this-one

 

Tenho de iniciar este artigo com um agradecimento especial à "página principal" do portal SAPO, sobretudo pela partilha do meu último texto dedicado à corrupção. Tenho de admitir que não esperava, quer pelo teor quer pelo "esticar da corda" com que abordei o tema. O SAPO e eu nem sempre estamos de acordo, mas também tenho de reconhecer quando faz um bom trabalho e quando tem em conta os meus artigos e de outros que, embora menos divulgados, também vão tendo o seu destaques. Obrigado! E admito que é com um grande sorriso que vejo que também estão atentos a temáticas que são verdadeiramente interessantes, mesmo que a partilha deste género de conteúdos nem sempre possa gerar a simpatia de todos os vossos visitantes. OBRIGADO!

 

Aproveito também este artigo, porque não deixei de pensar nas palavras que ouvi num programa de rádio (Bloco Central, na TSF - 28/06/2019) onde, mais uma vez, uma rádio que já foi de algum nível dá espaço de comentário a indivíduos que ninguém consegue perceber o porquê: o típico comentador de tudo que tanto está num programa a comentar política e/ou economia como num outro a comentar futebol e cuja vida gira em torno de tecer comentários - pior que isso, o jornalista comentador que não quer perceber a linha entre ser jornalista e ser, de certo modo, influencer e arrogante na exposição da sua "verdade"... Nem que seja na Rádio Voz do Sardoal, não consigo perceber.

 

Não posso deixar de ficar estupefacto com o facto de um desses mesmos indivíduos, que estão numa rádio de expressão nacional, vir dizer, por outras palavras, que a corrupção não é um problema, ou quando muito, não é um problema grave! Um dos argumentos, até faz sentido, não fosse surgir com o intuito de não dar importância ao que foi anunciado pelo Conselho da Europa e que se  debatia com o facto de termos leis a mais no combate à corrupção! Aliás, vai mais longe e diz que muitas delas violam a Constituição e vão além daquilo que deveriam ir! Até pode fazer sentido, mas aí também fará sentido debater a Constituição noutras matérias - tema pouco abordado! Também não vi nesse programa ser defendido o facto de que se temos tantas leis, porque é que não são aplicadas como deveriam ou o porquê dos meios não serem reforçados.

 

Um outro argumento, está relacionado com o facto de se encarar o tema da corrupção como sendo populista e como uma forma de que, quem não tem sustento, poder ganhar dinheiro a falar e a denunciar a corrupção! Face a um argumento destes, chego a pensar se na cabeça de quem profere isto não se procura promover as práticas de corrupção ou, no mínimo, abafar a discussão em torno desta - já não questiono o porquê de tal pensamento. Se falar e combater a corrupção for populista ou pindérico, pois bem, chamem-me tudo isso! Melhor isso do que corrupto ou vendido encartado.

 

As pérolas não se ficam por aqui, e uma outra é o facto de garantir que o Ministério Público e quem investiga a corrupção tem meios e campo de actuação mais que suficientes! Sugiro que fale com quem trabalha, só a título de exemplo, no Ministério Público ou na Polícia Judiciária. Parece que o intuito aqui é responsabilizar quem combate a corrupção, pela existência da mesma - no mínimo, vergonhoso!

 

Finalmente, o argumento de que a Justiça condiciona a acção de determinado partido que está refém do "caso Sócrates"! A Justiça não condiciona ninguém e ao contrário do que foi veiculado por alguns media nos últimos dias, não vive de derrotas nem vitórias - ao contrário da política, a Justiça não é um jogo, embora seja o desejo de muitos jornalistas, comentadores de WC e políticos.

 

Espero que, de facto, quem acompanhe estes programas - cuja ideia é interessante - não se deixe levar pelas alarvidades que são ditas por indivíduos mandatados por outrem ou que simplesmente vivem de opinar sobre tudo e sobre nada e que têm também os seus expedientes. Temo que esta espécie de comentadores tenha demasiado tempo de antena e pouca avaliação/crítica por parte de quem vê/lê/ouve... Temo que o comentário de outrem seja o "delegar do nosso pensamento e espírito critico". Temo que não se avalie a credibilidade, conhecimento e competência destes indivíduos...

 

Em alguns casos, chego a "temer" que num país sem corrupção, indivíduos destes também não existiriam...

 

P.S.: Não deixem de visitar este espaço que nos fala da importância de preservamos o nosso Tejo! Tenho a vaga ideia de que esta temática vai andar por lá e por cá nos próximos tempos!

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Créditos: http://circulodainovacao.pt/politica/2017-07-03-Pressao-cresce-Azeredo-inamovivel

 

O povo português começa a ter noção de que uma das maiores ameaças à Democracia vem da casa da ...Democracia, nomeadamente da Assembleia da República (AR). Isto porque assistimos diariamente a uma instituição que serve para legitimar a impunidade e a incompetência e, em muitos casos, abafar situações de lesa-pátria e pressionar os tribunais a "não decidir".

 

O caso mais recente é o relatório de Tancos, onde os partidos da Esquerda (quem diria que o Bloco e o PCP...) se alinharam para excluir de responsabilidades no caso Tancos, tanto António Costa como o antigo ministro da defesa, Azeredo Lopes. Ou seja, o relatório de Tancos vai ser aprovado mesmo que, declaradamente enviesado face à realidade.

 

Caberá perguntar a Marcelo Rebelo de Sousa a quem irá doer então o furto das armas! Caberá perguntar a Azeredo Lopes porque foi forçado a demitir-se - posto que não tem quaisquer responsabilidades. Caberá perguntar a António Costa porque é que forçou a demissão do seu ministro! Caberá perguntar porque é que tantos outros ministros abandonaram os cargos em situações que, apesar de terem responsabilidade, não podiam controlar as ocorrências! Caberá perguntar a António Costa quando é que finalmente assume as suas responsabilidades como Primeiro-Ministro - que vão para além de fomentar a divisão dos portugueses em indivíduos de segunda e de primeira.

 

A casa da Democracia tende a ser, cada vez mais, a casa da vergonha, a casa onde acima dos interesses do país se encontra um número exagerado de indivíduos com mais tentáculos que um polvo gigante e que se arrogam de gozar de total impunidade e de usar a lei para se ilibarem dos crimes que cometem!

 

Entretanto, o caso vai-se arrastando e se alguém for condenado (o que me levanta dúvidas) serão sempre os peões que sujaram as mãos... Entretanto, a informação de que a Presidência sabia da encenação do aparecimento das armas, também ficou esquecida, sobretudo pelos media que são fiéis a Marcelo.

 

Esta notícia, também divulgada pelo Sapo 24, é mais uma daquelas que vai passar ao lado dos portugueses e ao lado daquilo que deveria ser a Democracia...  Nada de anormal, no país em que todos somos estrelas mas em que ninguém é responsável por nada...

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A Peste dos Porcos!

por Robinson Kanes, em 07.06.19

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Créditos: https://sg.news.yahoo.com/dead-pig-found-beach-cheung-060130076.html

 

A sexta-feira tende a ser um dia dedicado a algumas sugestões ou algo mais descontraído, no entanto, não posso deixar escapar uma notícia que não tem tido o eco que deveria ter - por cá é daquelas que passa completamente à margem.

 

O sudoeste asiático está a debater-se com aquela que já é considerada a maior pandemia animal de sempre - inclusive em comparação com doenças que ficaram conhecidas pelo grande público como "doença das vacas loucas" e a "gripe das aves".

 

A febre suína africana começou na China, alastrou-se ao Vietname, Cambodja Mongólia, Coreia de Norte, Hong Kong e é possível que já esteja na Coreia do Sul e na Tailândia. Entretanto, os próximos alvos já estão sinalizados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO): Myanmar, Filipinas e Laos.

 

Acresce que não existe qualquer vacina e por isso os suínos ficam sujeitos a uma hemorragia interna ate à morte e que obriga ao abate imediate dos mesmos pois o risco de contaminação é altíssimo entre animais - não em pessoas, pelo menos para já (afinal as mutações existem).

 

Nestas situações, os riscos acabam também por aumentar devido ao medo em informar as autoridades - até porque não existe compensação pelo abate dos animais - e também devido à falta de informação, sem esquecer as dimensões destes países e as fracas condições de vida em alguns deles. Consequências? Disseminação da doença e surgimento de um mercado negro altamente descontrolado e com riscos inimagináveis. Escusado será também falar do aumento do preço da carne de porco, afinal em muitos destes países, o consumo desta carne está também na base da alimentação.

 

Estamos a falar de milhões de animais abatidos, de muitos milhões de "euros" e de um risco muito grande para o Mundo - apesar do tema, o "ébola dos porcos" não preencher capas de jornais - um pouco como o ébola dos humanos, afinal um está na Ásia e o outro em África.

 

... ainda.

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Praga de conteúdos brasileiros...

por Robinson Kanes, em 30.04.19

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Créditos: https://www.bussoladoinvestidor.com.br/onde-foi-que-eu-errei/

 

 

Já tinha este artigo pronto há algum tempo mas... Anda por aqui a maturar no sentido de que não venha a ser entendido como xenófobo, pois a Democracia actual censura tudo aquilo que não segue os parâmetros defendidos por esta ou por aquela moda... Todavia, as mais recentes notícias sobre a Universidade de Lisboa em relação aos estudantes brasileiros fizeram-me acrescentar uns pontos e fazer sair as minhas palavras.

 

Antes de surgirem os defensores dos bons costumes, sobretudo aqueles que defendem as minorias mas não moram nem querem morar ao lado das mesmas, deixem-me dizer que tenho vários amigos brasileiros (desde proprietários de fazendas maiores que Portugal até pessoas que vivem/viveram em favelas), já estive no Brasil e longe de mim adoptar um discurso xenófobo. Qualquer pessoa com dois dedos de testa rapidamente vai perceber onde quero chegar. Falei de amigos brasileiros? Ainda são piores que eu quando dizem que em Lisboa os brasileiros são uma verdadeira "praga". Tomei também a liberdade de consultar alguns brasileiros acerca deste tema no sentido de perceber se a minha visão não poderia estar deturpada.

 

Nos últimos meses tenho assistido a um proliferar, sobretudo a nível cultural, de um sem número de produtos culturais brasileiros, muitos deles de má qualidade! Robinson, lá estás tu a ser mau! Não estou na medida em que, como disse, já estive no Brasil e pelos amigos que por lá tenho vou tendo noção de algumas realidades e muito do que consumimos por cá nem no Brasil é conhecido! É um hype e vai passar, mas até lá...

 

São peças de teatro, concertos, artistas que nos são impingidos, músicas carregadas de vernáculo (experimente um português fazer o mesmo...), peças e músicas a incitar à violência e outro género de comportamentos menos... bons. São comentadores carregados de parcialidade no ataque a Bolsonaro e a aspectos culturais portugueses que nem os mesmos conhecem. É proibido criticar um Caetano Veloso, mesmo que utilize um discurso e pratique outra coisa.

 

A pergunta que eu faço e que muitos brasileiros também fazem, é questionar o porquê de termos esta invasão de conteúdos que nos chegam através de editoras, produtoras e media? E sendo o Brasil um país tão rico culturalmente porque é que nem sempre nos chega o que esse país tem de melhor? E porque é que os artistas internacionais como Madonna (ainda estou para descobrir quem tem pago esta fantasia por cá - e espero que não sejam os meus impostos) quando se referem àquilo que de melhor descobriram em Portugal foram conteúdos... brasileiros?

 

Com tanta coisa boa que também temos por cá, com tanta coisa boa que existe no Brasil, na Europa e no resto do Mundo, porque é que nos continuam a ser impingidos conteúdos de fraquíssima qualidade quando existe tanto valor por esse país, por esse mundo? Basta viajar por aí, e fugindo ao tema, para perceber aquilo que não nos chega. Tal não é acolhido e e nem sempre é por uma questão de vendas - é por boicote de editoras e de outros indivíduos que têm o poder de controlar a cultura em Portugal - país onde culturamente oscilamos entre conteúdos de terceira, outros intelectualmente estúpidos e outros que ninguém percebe mas que parecem dar um "ar de importante" se dissermos que estamos encantados.

 

São também muitos dos meus amigos brasileiros que brincam ao dizer que muitas destas personagens só têm sucesso em Portugal, porque no Brasil jamais o teriam... Quiçá... Haja paciência, pois até no Brasil, os próprios brasileiros são os primeiros a brincar estas situações! Por cá, a brigada dos bons costumes volta ao ataque, sobretudo quando apoiada por uma outra brigada cultural e jornalística que tem de viver na Europa porque no Brasil não é bem vinda, tal é a superioridade intelectual que tais personagens se arrogam de possuir.

 

Em relação à faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, cuidado com os sensacionalismos. Aquela mensagem de xenófobo pouco tem e não incita à violência, é apenas uma metáfora. Mais do que perceber o porquê de tal mensagem, parece mais fácil passar ao ataque - dá-se uma vista de olhos pelo que diz a maioria e vamos a tomar uma posição sem qualquer sentido... Vivemos em tempos que não se pode brincar ou dizer algo que vá contra um certo status quo imposto por meia dúzia! 

 

Finalmente, e apoiado em António Moreira Antunes, recentemente envolvido num escândalo que ainda ninguém percebeu porquê, tenho o máximo respeito pelos brasileiros, mas isso não quer dizer que estejam acima da crítica.

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Notre-Dame, das Cinzas Renascerá...

por Robinson Kanes, em 17.04.19

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Imagem: Robinson Kanes

Notre-Dame... Lembras-te de Paris? Lembras-te da nossa primeira viagem àquela cidade que nem nos apaixonou muito naquele Março em que celebrávamos os teus anos?

 

Recordo-me que logo após termos chegado de Orly e termos pousado as malas no nosso apartamento do Marais, a primeira observação foi: "vamos a Notre-Dame". Lembras-te do fascínio, de vermos aquela catedral que preencheu os nossos livros de história e que não descansámos enquanto não a visitámos, fechando o círculo das grandes catedrais francesas - onde incluímos Reims e Rouen. Lembras-te dos regressos e dos fins de tarde naquele jardim, onde fotografávamos os ratos e, de perto, observávamos as cores da catedral ao pôr do sol?

 

Ontem, durante a viagem de carro, assistia a outro pôr do sol quando ouvi a notícia na rádio. Corri para o ginásio e pedi para que mudassem um dos televisores para as notícias e foi aí que vi um dos tesouros mais belos da Humanidade em chamas. 

 

Sabemos que estas catedrais foram construídas com o sangue de muitos que perderam tudo para que uma Igreja ávida de poder e assente em dialética de esquina pudesse mostrar a sua força, contudo, não podemos ficar indiferentes à arquitectura, à história e a todo um passado que esta catedral foi enfrentando: guerras, pilhagens, fome, epidemias e tantas outras catástrofes.

 

Sabemos que em França o povo exige e os políticos são mais responsáveis, sabemos que delegam também o poder da reconstrução no povo e não assumem paternalismos com promessas que não podem cumprir, não querem as tragédias para limpar a imagem e tirar fotografias onde humilham o seu povo com, e repito, paternalismos que fazem lembrar anos de ditadura.

 

Sabemos que Notre-Dame vai renascer das cinzas e nós lá estaremos, bem perto, naquele jardim... a apreciar aquele beleza extraordinária e aquele pedaço de identidade cultural.

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Créditos: http://www.antimafiaduemila.com/rubriche/saverio-lodato/71093-vivere-o-morire-di-trattativa-paolo-borsellino-ne-mori.html

 

Salvatore Riina, mais conhecido por Totò Riina, se ainda fosse vivo, por certo, ficaria absolutamente espantado com o facto de em Portugal ser mais fácil montar um polvo do que na ilha da Sicília. Em Palermo, entre uma "pasta alla norma" e um "chinotto", "il capo dei capi" rapidamente chegaria à conclusão que por terras lusas teria tido ainda mais sucesso e sem necessidade de recorrer às armas.

 

Também Ricardo Salgado e compadres, por certo não serão assim tão culpados e apelidar os mesmo de "donos disto tudo" começa a ser ofensivo para outros que perdem assim o verdadeiro protagonismo. O que Ricardo Salgado e respectivos compadres fizeram foi apenas aproveitar o panorama e alimentar uma corja de parasitas (da direita mais conservadora à esquerda mais radical) que não se bastou na usurpação dos bens públicos. Se hoje não se sabe mais do caso BES é porque se Ricardo Salgado abre a boca temos uma guerra civil.

 

Se por um lado, muitos conquistam o espaço nos partidos e na máquina de consumir cargos e dinheiros públicos, outros começam, e muito bem, em terrenos mais longínquos. Podemos falar de Cabeceiras de Basto, da Covilhã,  de Gondomar, de Vila Nova de Gaia, de Castelo Branco e de tantas outras localidades que serviram de rampa de lançamento para muitos... Também podemos falar dos Açores e de como estes são também uma excelente ponte política para chegar a Lisboa, mesmo que por lá tenhamos causado prejuízos de milhões. É dos Açores que muitos conseguiram colocar quase toda a família na administração central, na administração regional, local e em muitas empresas do Estado! Foi do arquipélago e depois da sua nova base em Lisboa que muitos tentáculos vão sendo criados e a impunidade alimentada. É por Lisboa que se circula como Riina que não temia os carabinieri nem a contestação dos sicilianos.

 

Uns dizem a César o que é de César, mas Portugal nunca foi de César... Todavia, qual imperador, este e tantos outros vão impunemente controlando tudo à sua volta, mesmo que o poder não lhes seja dado pelos deuses mas por uma população que se revolta se o Benfica perde mas não mexe o dedo perante os roubos diários a que é sujeita - uma população que, se mais inteligente fosse, e soubesse o que se passa nos corredores da Assembleia da República, talvez já tivesse entrado no edifício e qual tomada da Bastilha, já há muito tivesse feito rolar as cabeças de muitos "capos". Uma população que teme homens como Falcone e Borsellino, vá-se lá saber porquê...

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Os Lucchese de Castelo Branco...

por Robinson Kanes, em 02.04.19

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Créditos: https://eu.lohud.com/story/news/crime/2018/09/14/lucchese-crime-family-associate-faces-15-years-attempted-murder-plea/1304740002/

 

 

Dizem por aí que para os lados de Castelo Branco uma Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) foi criada para nem existir. Basta atentar neste artigo do jornal "Público" para se perceber que estamos perante mais uma daquelas "ONGD fantasma" que, não raras vezes, não sabemos para que servem e muito menos quem toma parte nas mesmas. Muitas só as conhecemos quando consultamos editais ou documentos que mencionam a atribuição de subsídios!

 

Sabemos contudo que, por detrás do discurso de que ninguém aufere rendimentos e de que todos os euros são necessários, sobretudo quando sugam fundos públicos e até privados ou não querem pagar eventos de arromba e procuram tudo de forma gratuita, se esconde um vasto património imobiliário, viaturas topo de gama, tráfico de influências e um outro sem número de regalias.

 

Casos destes não são raros em Portugal, todavia sempre que alguém fala em criar verdadeiras "empresas sociais", e passo a expressão, cai o "Carmo e a Trindade" porque a "solidariedade" não serve para fazer dinheiro. Que interesses são estes que vão desde a mais pequena aldeia até aos corredores do poder central? Falar da "empresa social" na Assembleia da República, por norma, não é de bom tom e acaba com um chumbo, isto quando alguém consegue levar a discussão a plenário, coisa rara! Porque não a "empresa social" e administração de instituições sociais com um cariz mais empresarial que não só beneficie as contas mas as abordagens em termos de marketing que se revelarão mais eficientes na captação de donativos. 

 

A economia social, e aqui incluo misericórdias, fundações, ONG e muitas associações, em Portugal, não sendo áreas lucrativas movimentam milhões e pagam bons salários, sobretudo a quem as gere, não propriamente aos voluntários que ainda vão no discurso de que não há dinheiro para pagar ou então para funcionários que são explorados de forma atroz e os colocam como um dos principais grupos de risco quando se fala de burnout.

 

Até quando os portugueses vão continuar a assistir a casos "raríssimos" como estes? Até quando vamos permitir que o Ministro Viera da Silva, que tutela muitas destas áreas, diga que casos destes não existem! Aliás, ele próprio é um ávido consumidor dos benefícios do "social" - o "Social", como muitos gostam de chamar a esta área, sobretudo os assistentes sociais e membros de muitas destas entidades - mencionar o facto de gostarem do trato de doutor(a). Onde estão as "manas" Mortágua, pois alegadamente o pai destas também está envolvido?

 

Casos destes continuam a passar impunes, e quando descobertos, ficam-se pelas demissões ou pela tão conhecida "caminhada no deserto". Enquanto andamos tão preocupados com um "dono disto tudo", temos de ter em conta que "donos disto tudo" não faltam e que são as nossas populações, neste caso no interior, que estão a pagar caro a existência destas máfias que por aí proliferam! O lugar como administrativo na Câmara Municipal ou na Misericórdia não deve comprar a cegueira de fechar os olhos ao que está errado! O medo - porque em muitas vilas e cidades do interior existe medo - não pode levar os cidadãos a ficarem calados perante estes factos! Porque na verdade, se tudo isto acontece, a culpa é integralmente nossa!

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Créditos: https://www.scrubadub.com/

 

Enquanto andamos todos a correr no sentido de quem é o mais solidário com Moçambique... Uns escrevem, outros tiram "selfies", outros ocupam horas na televisão com discursos ocos que até as tropas adormecem, outros organizam concertos para sair do esquecimento... Eu faço uma pergunta para pensarmos no fim de semana...

 

... E se em Portugal houvesse um lava-jato? E porque se tem tanto medo de colocar na lei a delacção premiada? Será que existiriam prisões para todos? Ficaria o pais mergulhado no caos porque ficava sem classe política e sem mais de metade da população? E se fosse um lava-jato ético e moral?

 

A pensar...

 

P.S.: Uma palavra de agradecimento a todos os que estão de corpo e alma a ajudar quem precisa, quer em Moçambique quer em outras partes do Mundo.

E já agora... Alguém diga a Fernando Medina que uma coisa é achar-se (tal como o filho já o pensa no Colégio de elite que frequenta) "dono disto tudo" e subir à montanha do Pico sem autorização e andar a distribuir favores a todos e mais alguns em Lisboa, sobretudo aos construtores, já outra coisa são as borlas aos operadores de trotinetes.

 

Bom fim de semana...

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