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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Sexta-feira, não raras vezes, é um dia que se aproveita o casebre para apontar algumas ideias mais... "bonancibles"? Eu admito que tento relaxar na pressão dos temas mas nem sempre consigo, pelo que, vamos lá ver se tiro algum peso "à coisa"...

 

Se há coisa que um português gosta é de uma boa esplanada, de preferência sobre o mar! E eis que me lembrei (fazendo vénias) do "meu" Vergílio Ferreira! Dirão "lá vem este com aquela conversa e com os livros do Vergílio", mas este é leve, aliás, tão leve que é uma espécie de conto e que até encontrarão pela internet... "Uma Esplanada Sobre o Mar".

 

Não há nada mais igual do que o mar ou o lume ou uma flor. Ou um pássaro. E a gente
não se cansa de os ver ou ouvir. Só é preciso que se esteja disposto para achar diferença nessa
igualdade. Posso olhar o mar e não reparar nele, porque já o vi. Mas posso estar horas a olhar e
não me cansar da sua monotonia.

Vergílio Ferreira, in "Uma Esplanada sobre o Mar"

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Sim, de facto não consigo manter a leveza da coisa... E se agora tanto se fala de demografia (ou se evita ao não apontar os factos reais e aproveitando o refúgio no politicamente correcto) nada como ir aos "primórdios" do excesso de população e pensar em Thomas Malthus! É uma visão que já precisa dos seus ajustes mas que em determinadas passagens está mais actual e é mais necessária que nunca! Para quem conhece a teoria de Malthus, saberá que este nos dizia (de uma forma bastante sucinta) que a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos de forma aritmética, logo levava à fome! A isto junta-se a questão ambiental e de sustentabilidade cuja fragilidade aumenta com a eliminação dos predadores e das doenças, entre outros factores.  "Ensaio sobre o Princípio da População"... 

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Uma música... Uma música para um fim-de-semana ou um momento em que estamos perfeitamente em altas (ou em baixas) depende do contexto mas não perdendo o foco no positivo! Para tirar peso à coisa e para se celebrar o amor (seja lá o que isso for... até já há quem use (mal) a ciência para dizer a anormalidade de que este só dura 5 anos), nada como regressar a Tiziano Ferro, agora com Carmen Consoli. "Il Conforto" é um hino à paixão e pelos vistos não fui eu só a achar isso em 2016/2017, quando esta música foi lançada! Tiziano Ferro morreu há muito em Portugal mas em Itália é um senhor! Esta está sempre na lista...

 

Per pesare il cuore con entrambe le mani 
Ci vuole coraggio 
E occhi bendati su un cielo girato di spalle 
La pazienza a casa nostra il coraggio il tuo conforto 
Ha a che fare con me 
È qualcosa che ha a che fare con me

 

E um filme? De facto, quem sou eu para estar aqui com sugestões? Enfim... Porque é que não me dão as vossas também? Trocamos? Afinal, quem sugere é mais do que quem segue? Negativo! Às vezes, bem pelo contrário... Chutem! Deixo "Istanbul Kirmizisi" ou "Rosso Istambul" de Ferzan Ozpetek. Ver este filme é percorrer Istambul , é recordar... E muito que há para recordar! A banda sonora é interessante e embora não sendo um filme perfeito, a história em torno da personagem do escritor Orhan Şahin merece a pena...

Caríssimos... E é isto! Se tiverem tempo, nada como dar uma espreitadela a este artigo que nos fala do ameaçado "Mouchão da Póvoa" em pleno estuário do Tejo! Estou em dívida com o autor, pois contamos iniciar uma série de textos (e talvez, não só) no sentido de alertar para os perigos que o nosso "Tejo" enfrenta.

 

Bom fim-de-semana e... Não se esqueçam que os 10% de assalariados (assalariados, reforço) mais pobres do Mundo têm de trabalhar três séculos (portanto... 300 anos!) para auferir o rendimento anual (365 dias, 1 ano) dos 10% mais ricos.

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Rod Stewart: O cota ainda está em grande!

por Robinson Kanes, em 03.07.19

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Imagem: GC 

 

Não é comum, mas "volta e meia" (cão deitado), acabo por falar de uma ou outra experiência que acaba por ter algum impacte em mim.

 

Rod Stewart esteve anteontem na Altice Arena em Lisboa, e mais do que vir debitar as músicas, é importante mencionar que o senhor esteve em grande. Quem conhece os concertos de Stewart, sobretudo nos últimos anos, sabe que a desculpa de que se aleijou na visita ao Estádio Nacional  não convence! A estrela já tem idade para estar quieta no seu canto! Tal não impediu que fizesse um esforço (em alguns momentos, hercúleo) para estar em palco e não perder aquele ritmo e boa disposição que sempre o caracterizou!

 

Rod fez os mais lamechas dar uns abraços, trocar uns beijos e acima de tudo, fez dançar aqueles que, como eu, estavam num "dia não". O dia 1 de Julho é um dia de más memórias, e a este somaram-se decisões arriscadas e de uma terrível luta interior entre se manter fiél ao que defende e não embarcar em facilidades. Rod ajudou a ultrapassar tais inquietações - e só por isso mereça aqui um destaque. 

 

E a malta que ouve Rod Stewart também é boa gente - na plateia, ao nosso lado, um casal apaixonado pelo músico fez questão de nos oferecer duas cervejas durante o espectáculo! Porquê? Não sei! Quem lá esteve ouviu por duas vezes um "I Love you Rod" que ecoou pelo recinto? Pois é! Foi o cavalheiro que nos ofereceu as cervejas!

 

Em suma, o velho ainda mexe e ainda nos faz levantar o rabo da cadeira, mesmo que seja um dia daqueles...

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En Cantabria, una "playlist" para nosotros...

por Robinson Kanes, em 27.06.19

IMG_0014.JPGImagem: Robinson Kanes

 

 

Santander... Toda a Cantábria fica para trás e a fascinação daquele mundo verde contrasta com o mar Cantábrico mesmo ali diante de nós. Santander conta-nos histórias de pescadores, de navios comerciais e de uma industrialização que a tornam tão rica e com tantos contrastes. Para trás fica o Carbaceno e mais um sem número de memórias e quilómetros nos pés...

 

Contemplando esse mar enquanto aguardamos por mais umas "copas" perto do "Mercado de la Esperanza", sentamo-nos, ligamos o iPod (sim, ainda o utilizamos), estendemos as pernas e acabamos a escutar a nossa playlist...

 

A presença do mar chama-nos para "Llorándole debajo del agua", o dueto de Rojas e Niña Pastori. Não podemos ficar indiferentes aos sons de Espanha. Uma das grandes músicas de Rojas, talvez pelo toque especial de Niña Pastori... Nem com o Cantábrico por perto podemos esquecer o Mediterrâneo.

Continuamos por Espanha, talvez com uma música mais apropriada para uma viagem, mas o que é o repouso da viagem se não uma parte dessa mesma viagem e nunca o seu fim? Escutamos Bebe, e cantamos "¿donde estabas quando te llamaba" do single "Me Fui". Por certo perceberás o porquê da minha preferência por esta música.

Bebe leva-nos para outra música, para aquela que, para mim, é um dos seus grandes sucessos... "Siempre me Quedara"... "Palafueras Telarañas". Um ritmo especial, uma voz espanhola de nova geração e uma melodia que nos envolve e nos transporta para um passado com mais serenidade e com mais esperança no futuro que se aproxima. Esta música tem esse poder.

E porque não fazermos esta playlist toda em castelhano? Afinal, este é o país que melhores recordações e vivências nos trás, aquele que dizemos ser a nossa casa. Voltamos a Ninã Pastori, eu sei, devo ter nascido numa pedra em Grazalema ou numa casa do Albaicín, mas não posso deixar passar "Amor de San Juan". Vamos descer até Cádiz e apreciar?

E na Cantábria não nos larga este foco do sul? Maldição... Vamos aproveitar e parar em Jerez de la Frontera e voltar à Real Escuela? Fiquemos com "Los Delinqüentes" e viver aquilo que tanto gostamos: "El Aire de la Calle". Recordamos essa banda que desapareceu e que teve um tremendo sucesso... Temos saudades e o falecido Miguel Ángel Benitez também terá... Esteja lá onde esteja!

A respiração do mar torna-se mais intensa e invade "El Sardinero". Dançamos na varanda, afinal por cá não temos os filtros do país do lado. Queremos aquecer as coisas e desafiar o frio bafo marinho e encomendamos a voz de Olivia Ruiz com os franceses Nouvelle Vague num cover da música dos Mano Negra (escrita por Manu Chao). Gostamos desta versão que é presença quase diária nas nossas vidas... "Mala Vida". Mala vida si...

Existem bandas que com o tempo vão ficando melhores, que se vão perpetuando e não são efémeras... Que podem sair dos grandes holofotes, mas que ficam. Uma dessas bandas são os "La Oreja de Van Gogh" (estarão a chegar aqui os ares do País Basco?).  Já sem a grande figura que foi Amaia Montero e com a encantadora Leira Martínez (fica aqui uma dica para um certo espaço), continuam a dar cartas - uma banda que é difícil esquecer. E como estamos pelo "Sardinero", nada como escutar "La Playa", um dos grandes sucessos da banda ainda com a voz de Amaia - inesquecível!

Mantemos a selecção, até para dar espaço à senhora Martinez e escutamos, com a companhia de uma espécie de "Hojaldre de Astorga", "La Niña que Llora en tus Fiestas"... Não estamos com muita vontade de deixar de dançar! Temos de trocar as "copas" por um jantar se a coisa continua a assim... Percebemos porque é que esta banda ainda não se extinguiu. 

Com Sole Giménez ou Lydia, esta banda da belíssima colheita de 1983, é outra das que nunca morre! Talvez por isso também mereça dois destaques enquanto a noite começa a cair e as luzes do Sardinero começam a acender. Presuntos Implicados é mais uma daquelas bandas que nos encantam desde que começamos a ouvir a voz de Sole Giménez, uma voz única e singular que, em muito, ajudou a catapultar esta banda para o sucesso. Como foste tu que me deste a conhecer esta preciosidade, nada como escutarmos uma das suas melhores músicas e com uma frase que muito utilizas: "Nunca es para Siempre".

Já vais? Vais colocar aquele vestido? Não me parece, deixas a tua formalidade para outras paragens, pelo menos esta noite... Eu "Esperare", e deixo que as últimas cores do dia se desvaneçam com os Presuntos Implicados...

Vamos? Já devem estar à nossa espera...

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Imagem: Robinson Kanes

Chegou o Verão, a silly season (se bem que nos últimos anos esta tende a alastrar-se pelas quatro estações) e também a época em que aproveitamos para saltar por cima do cão. Cá por casa, como não temos fogueiras e não podemos dar azo ao nosso paganismo através desse modo, nada como saltar por cima do cão! Não, não é vitíma de bullying (o PAN pode ficar tranquilo). É Verão salta por cima do cão ou, como sempre dizemos, é São João, salta por cima do cão!

 

Na verdade, aquele bicho de 42 quilos olha para nós e pensa: "enfim, com tanta gente no mundo, só me poderiam sair tutores como estes!". 

 

Para entrar no Verão e como está o fim de semana à porta, partilho uma leitura: "A Ilha", de Aldous Huxley! O Verão não nos deve impedir de pensar e quando lemos esta obra de Huxley é muito provável que vejamos alguns casos bem reais e pensemos no mundo de uma outra forma - alguns terão a sensação de viver nessa ilha. Talvez tenham de lutar com todas as suas forças para não conhecer igual destino. Como todos os livros de Huxley, merece bem a pena a leitura, infelizmente, numa altura em que encontramos um Huxley já totalmente pessimista com o mundo.

 

E como saltar por cima do cão, só tem graça com muita música, nada como recordar alguns finais de tarde de Verão bem quentes. Admito que, enquanto escrevo, só me recordo das intermináveis estradas de Espanha, sobretudo de Castilla y León e Aragão... Do sol a iluminar com uma luz única os campos entre Segóvia e Ávila ou o tórrido calor de Aragão em Teruel quando percorremos a A-23!

 

Bem a propósito, nada como recordar, do albúm "Fuego y Cielo", a música "Mi Suerte" de Nolasco. O Nolasco tem uma presença especial na minha vida, não só por aquela voz andaluza, mas também como muitos  em Espanha, por "Las Cosas más Pequeñitas"...  Um dia voltarei a Nolasco e quiçá ao La Latina em Madrid.

E porque uma sugestão pode ser pouco, nada como terminar a travessia ao som de Buika e claro, como não poderia deixar de ser "No Habrá Nadie en el Mundo"...

Agora deixemos que a música, as recordações e também as leituras - com as respectivas inquietações - nos levem a saltar por cima do cão! É estúpido? É... Mas ele diverte-se e nós também...

 

Por aqui ainda se dança, e o Verão tem o seu lado piroso... E porque existe uma certa aura de amor... Existe? Manuel Carrasco e "Uno X Uno"...

Bom fim de semana... Bom Verão...

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Busy Twist e dois vinhos para entrar em Junho..

por Robinson Kanes, em 31.05.19

Está aí Junho e está aí o fim de semana... Mesmo que o fim de semana não seja ao Sábado e ao Domingo, temos oportunidade de viajar, nem que seja nas paredes do quarto e recordar os sons, as paixões e aquele calor de África. Talvez por isso, esta entrada quente em Junho me faça trazer aqui os Busy Twist, uma banda nascida em Londres mas que junta os ritmos africanos, londrinos e até latinos como ninguém...  Por isso, coloquem as colunas mais altas e preparem a cadeira ou o colchão para uns bons balanços: "Friday Night". Não só o título é sugestivo, como vamos ficar a cantar e a dançar... E muito! "Let it go... Let it go..."

Honestamente, não sei como é que estes senhores chegaram até mim... Talvez entre um contacto ou outro, uma partilha, uma viagem...  A partir desse momento, pode-se dizer que os meus ombros e as minhas pernas nunca mais foram os mesmos!

Deixo-vos mais uma sugestão para shake that ass, Traveller (aqui com Zongo Abongo)... Vamos lá, toca a largar a televisão e o temor de ir para a praia ficar com a sensação de que se acabou de chegar a Teerão!

E porque festa não regada não é festa, duas sugestões diferentes para gostos diferentes: o Head Rock, um vinho branco com 75% de Alvarinho e 25% de Gouveio o que o torna num vinho branco com um toque bem forte de verde. Fresco é uma maravilha e traz boas memórias cá a casa, sobretudo porque vem de Nozedo, pequena localidade em Vila Pouca de Aguiar - Trás-os-Montes! O resto dos sabores e dos taninos deixo para se entreterem noutros espaços... Aqui importa é beber e gostar.

Finalmente, "Fazer as Onze - Premium 2015" - um tinto interessante, aprovado por alentejanos com um mix de castas interessante, nomeadamente; Trincadeira, Aragonês, Syrah e Alicante Bouschet. Nada mau, para quem gosta de um sabor mais quente e mais forte. O nome deve-o à tradição de em Borba os homens se deslocarem à taberna mais próxima para beber um copo pelas onze da manhã e "matar o bicho".

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Bem regados e bem dançados... Bom fim de semana...

Ah! Circulem pela direita, sobretudo na Ponte Vasco da Gama! São três faixas não duas...

 

Imagens: Robinson Kanes

 

 

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Playlist para um Fim de Semana de Maio...

por Robinson Kanes, em 24.05.19

Talvez porque a Primavera oscila entre tempo frio e um sol cálido... Talvez porque Maio é sempre um mês especial... Talvez porque "volta e meia (cão deitado)" me lembre de partilhar um pouco de mim através da música... Talvez porque sim... Ficam aqui as sugestões para um fim de semana que pode ser mais intenso, mais vivido, quem sabe a ouvir estes temas enquanto conduzimos para lado nenhum até percebermos que estamos algures no meio da Extremadura ou em Andaluzia.

 

Falando de Espanha, lembro-me de Buika, que por sinal até vai estar por Portugal num excelente concerto! Buika, uma maiorquina que tem em si o sangue da Guiné Equatorial! Só assim se poderia constituir uma intérprete praticamente perfeita! Partilho "No Habrá Nadie en el Mundo"... Uma canção de amor que não cura feridas mas ajuda, pelo menos, a atenuar as mesmas.

Já que estamos nestes ritmos, não posso deixar passar alguém que já trouxe aqui! Seria injusto deixar passar este fim de semana sem a "minha" Natalia Lafourcade! Deixamos Maiorca e vamos directos para a cidade do México para ouvir "Hasta la Raíz"... Gosto desta senhora, que posso dizer mais?

E agora que preparo esta playlist, vou-me deixando influenciar pela hispanidade e não consigo largar esta língua nem estes ritmos... Além disso, com mais uma ida a Barcelona para breve, torna-se difícil, sobretudo quando pelo meio ainda está uma incisiva exploração das Astúrias! No entanto tenho de quebrar e talvez a melhor forma seja descer à Argentina e começar por uma das minhas composições preferidas de Gustavo Santaolalla - "Endless Flight". A primeira composição que ouvi do filme Babel e que me fez encomendar de imediato o CD - Hoje, o CD, é das melhores peças que por aqui andam... Sugiro também que vejam o filme de Alexandre González Iñárritu, do melhor que se faz... Um filme para ver com atenção... Talvez volte a ele, até porque a melhor música fica por divulgar...

Gosto de Hooverphonic, não sou apaixonado, não são de longe nem de perto a minha banda de eleição, mas existem músicas que não se podem deixar passar... Talvez enquanto as luzes da cidade se reflectem no nacarado que acaba por colorir o DS, seja a música ideal para te olhar enquanto conduzo depois de uma noite no teatro e que termina com um copo no Ferroviário... "Mad About You", é daquelas músicas "James Bond style" e nesta versão é apenas restrita para apaixonados...

Maio não deveria ser mais alegre? Sim, mas agora não me apetece ir por aí... Até porque a alegria nem só de batida é composta... É por isso que me lembro imediatamente de Hozier. Gostas de dança, talvez por isso também acabe por ser obrigatória a escolha de "Movement", e... Talvez uma mensagem para uma certa inspiração que anda por aí presa... Hozier, é do melhor que anda por aí e admito que adoro esta música!

Estamos a meio da lista... As rodas já correm em piso espanhol? Andarei perdido ainda por Portugal? Talvez... E para que digam que não gosto de música portuguesa, escolho uma das melhores bandas do nosso panorama e que me espanta não terem mais divulgação, sobretudo no meio de todo o lixo nacional que por aí circula, falo dos Best Youth! São daquelas bandas que têm tudo para o sucesso e encostam tantas outras a um canto, permitam-me a expressão... Sobretudo uma com uma vocalista que nem as respirações consegue fazer mas se auto-intitula como uma das grandes cantoras deste país (lá se vai qualquer hipótese de destaque). Escolhi "Red Diamond" porque me recorda um destes fins de semana e porque hei-de voltar a esta banda.

Uma música bem a propósito do dia de hoje, aliás, dos dias de hoje... Lembrei-me do "Flow Festival" em Helsínquia e veio-me de imediato à memória "Nobody" de Mitski. Um ritmo descontraído que apesar de tudo esconde sempre uma mensagem interessante... É razão para passar o fim de semana a repetir "Nobody... Nobody..." e pelo meio dançar, porque afinal a música também se presta a isso...

Falei do "Flow Festival"? The Cure, não poderia ficar para trás! Já falámos do Flow Festival e de amor, "só" me recordo de "Lovesong"... "Whenever I'm alone with you... You make me feel like I am free again"! Não digo mais nada...

Volto aos Best Youth, talvez porque acabem sempre por ficar no ouvido... Trago "Renaissance" porque gosto, como em tantos outros casos, chega... Gosta-se e pronto.

Não estou a fazer de propósito para colocar aqui à força uma música italiana. Afinal... o fim de semana tem de acabar em grande e só me consigo recordar de uma "grande malha" que trouxe de Itália, "Una Vita in Vacanza" -  aquela música que faz aumentar o volume do som, no carro ou em casa... Aquela música que me faz recordar a Sardenha e que também, apesar da boa disposição, acaba por carregar uma mensagem curiosa. É com Lo Stato Sociale, que termino e também aproveito para vos desejar um Excelente fim de semana...

E votem... E aqueles que não votem não se sintam mal por isso... A Vossa mensagem também acabará por ser passada, mesmo que a tribo política prefira enterrar a cabeça na areia e ignorar o facto da abstenção ser sempre tão grande. Até hoje ainda ninguém se preocupou com uma estratégia nacional para "acabar" com a mesma, porque será?

 

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Per Sempre Morricone...

por Robinson Kanes, em 07.05.19

IMG-20190507-WA0002.jpgImagens: GC

 

Sempre aplaudido de pé, Morricone acabou por encantar a Altice Arena, como seria de esperar... Passou por sucessos menos conhecidos pela maioria dos portugueses e não deixou passar os grandes temas "spaghetti western". O apogeu deu-se no final com a óbvia banda sonora de "Cinema Paradiso", sem esquecer a "Missão".

 

"Cinema Paradiso" arrebatou a plateia e as lágrimas foram uma presença ao longo de toda a interpretação, acabámos todos por fazer um pouco o papel de Salvatore quando, no final, coloca a fita que Alfredo lhe deixou e se desfaz em lágrimas - boas recordações e no turbilhão de emoções que as mesmas trazem. Senti-me, também, um Salvatore, por todas as razões e mais algumas. Quem escuta "Cinema Paradiso", "Once Upon a Time in America" ou até o tema de "Malena" ao vivo (os dois últimos desta vez não tiveram lugar), nunca mais vai esquecer!

 

Uma excelente orquestra, um excelente coro, um excelente maestro e compositor, e claro, uma excelente soprano - Susanna Rigacci - não poderiam ter tornado o espectáculo melhor. Ao contrário do que também alguma imprensa já hoje diz, Dulce Pontes não foi, embora tentasse, uma das estrelas da noite! Uma voz que deixa a desejar, um mau inglês que parecia búlgaro numa das interpretações, honestamente, não tem a mínima qualidade para estar naquele palco com tão grande compositor, tão grande soprano e com tantas vozes de qualidade no coro. O público percebeu isso e, se de facto, ouve menos exaltação nos aplausos foi quando Dulce Pontes cantou...

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Mas o espectáculo de Morricone, a sua presença em palco, fizeram-nos sonhar, e ao mesmo tempo, entristeceram-nos. Ver aquele senhor de 90 anos já algo debilitado fez-nos mesmos acreditar no "farewell". Tivemos, mais uma vez, a oportunidade de lhe dizer "grazie" e isso terá sido o mais importante. Nunca o esqueceremos e estará sempre junto de nós, sempre a recordar aquela forma própria de conduzir uma orquestra.

 

Uma nota particular também para o facto de uma orquestra maioritariamente "entradota", um maestro que é um verdadeiro dinossauro da música, sem esquecer o coro, mostrarem que a idade não importa quando se fala de ser ou não um bom profissional, de facto... Uma lição que todos também podemos tirar da noite passada!

 

Obrigado Ennio... 

 

(Também o SAPO aqui não esqueceu o Mestre)

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Tempo para Morricone!

por Robinson Kanes, em 06.05.19

Imagem3.pngImagem: Robinson Kanes

 

Senhor com "S" grande... Hoje, por aqui, damos uma folga aos Açores e a tantos outros temas, porque voltar a ver este Senhor no meu país é um acontecimento único. Temo também que seja a última vez que vou ver o Mestre!

 

Deixo a banda sonora de "'D' Amore Si Muore" realizada por Carlo Carunchio, iniciavam-se os anos 70 e eu nem era sequer pensado (e acho que nem os meus pais já se conheciam)... Mas o cinema italiano tem destas coisas e com esta banda sonora...

E porque o Ennio nunca aborrece, talvez deixe aqui mais uma tremenda recordação (e sim, estou a tentar fugir aos grandes sucessos...), "Amore per Amore"...  De outro grande filme, "Così come sei" e onde estão presentes a esquecida Nastassja Kinski, Francisco Rabal e claro (eu sei que é de "cota") o grande Marcello Mastroianni! 

O Ennio é talvez aquele compositor que me acompanhou desde sempre, não só pelas excelentes bandas sonoras mas também pelos filmes que tiveram oportunidade de usufruir de tamanhas composições... Hoje talvez seja o dia do Adeus, e num misto de imensa alegria e muita tristeza aplaudirei, mais uma vez de pé, o GRANDE! Aliás, aplaudiremos aquele que também nos juntou... 

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Dave Matthews Band Rebentou!

por Robinson Kanes, em 08.04.19

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Fotografia: Robinson Kanes

 

Existem coisas que já não nos deviam supreender... Uma delas é sair de um concerto de David Matthews Band e pensar que acabámos de assistir a uma qualidade que já não abunda no mundo musical.

No entanto, depois de no passado Sábado, em plena Altice Arena, ter voltado a ouvir estes senhores, não pude ficar indiferente, e mais uma vez, espantado com a categoria do Dave e de todos os seus músicos. "Graveddiger" nunca me soou tão bem como ontem, "Stay or Leave" voltou a ser outra daquelas coisas que só quem acompanha estes senhores há muito pode sentir.

 

Nem a ausência de "Space Between" ou "You & Me" causou qualquer tristeza, pois a interpretação de temas como "Sledgehammer" de Peter Gabriel (outro colosso), "Fly Like an Eagle"  da Steve Miller Band mas que muitos conhecem pela interpretação de Seal ou "All Along the Watchover" de Bod Dylan (cuja primeira versão que ouvi foi de Jimi Hendrix), fizeram esquecer esse "lapso"! Quem segue Dave Matthews Band sabe que o alinhamento é sempre variado e cada concerto é uma experiência única.

 

Banda e vocalista low profile, um palco sem uma produção de milhões, mostram como ainda é possível, existindo qualidade e trabalho, fazer melhor do que grandes produções cujas "luzes" são aos milhares mas o som dos instrumentos e das vozes deixa muito a desejar.

 

Deixo-vos com uma das que passou: "Ants Marching"... E que regressem em breve para voltar a ver aquela forma peculiar de caminhar pelo palco...

 

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Playlist para uma Noite Sem Ti

por Robinson Kanes, em 07.03.19

Quantas vezes, entre um moscatel, uma caipirinha feita à pressa, um Porto da melhor qualidade ou entre um simples branco do Tejo ou um Tinto alentejano não nos sentamos à varanda e vivemos uma "noite sem ti"? Talvez hoje, não à varanda, mas entre vidros protegido pela chuva, encontre algumas sonoridades que poderiam fazer-me recordar-te numa ausência tua...

 

"Love doesn't End" e o regresso a Michael Nyman. Aquele que nos marcou para sempre e que já escutámos apaixonadamente... Trago-o também de um filme brilhante, "The End of the Affair" onde Juliane Moore e o Ralph (o Fienes de quem tanto gostamos, sobretudo no teatro) contracenam num filme inesquecível. Das poucas obras literárias que Graham Green que até aprecio.

Poderia agora escutar o "Intermezzo" de "Cavalleria Rusticana", de Mascagni -no entanto, já aqui falei dele - uma das peças mais bonitas de todos os tempos quando a temática é a música... Fiquemos com a "Ouverture" que não nos deixa indiferentes antes daquela entrada em palco do Placido Domingo, lembras-te?

Não consigo sair da música clássica e é na inacabada "Zaida"  de Mozart que encontro "Ruhe Sanft". Não me perguntes o porquê de gostar desta ária... Talvez pelo alemão... Talvez pela vulnerabilidade que, pontualmente, o mais forte dos homens também sente.

Stavros Lantsias... Porquê? Porque me embala, entre a ingenuidade e verdade do amor quase infantil dos 20 e entre a maturidade (ou ideia dela) em anos mais adiante. Porque nos torna infantis no amor quando a seriedade é uma realidade que nos rodeia... Prefiro e deixo-me levar por esta "Valsa dos Olhos".

Não podia deixar passar uma "playlist" destas sem trazer o Ennio... O Senhor Morricone que nos faz viajar pelo mundo atrás dos seus concertos... Também não poderia deixar passar "For Love One Can Die". Pela nostalgia, pela profundidade, pela recordação do grande actor Carlos Paulo naquela peça... Talvez porque a música do Ennio tem aquele efeito em mim... Talvez porque me torna nostálgico de uma época que nem vivi, que nem sequer era sonhado... Talvez a recordação de amor, de sofrimento, de um mundo de emoções... Quando as emoções são algo em vias de extinção!

Se há filme que superou largamente o livro foi "Out of Africa" mas... Há algo que ainda superou o filme: aquela banda sonora única de John Barry! Já não se fazem composições destas... Também já não se fazem filmes destes... Também já não se fazem actores destes... Talvez aquela atracção por África venha deste filme, ou então pela carga genética que carrego ou carregamos, afinal todos "nascemos" em África... E em 1986... Em 1986 eu nem "existia"!

Tenho de voltar ao Ennio e à recordação de "Amore per Amore", mais uma daquelas que nunca se esquece e que, associada ao filme, ainda mais intensa se torna. O filme, "Così Come Sei" permitiu esta pérola e sim, gosto de Marcello Mastroianni. Olhar para lá da varanda, contemplar as estrelas que as luzes da cidade nos deixam fitar. Olhar para lá, onde estou sem ti.

A noite vai longa, a madrugada apela aos sentidos e importa dar uma certa voz ao momento... Revejo-me nas palavras de Vergílio Ferreira quando sei que não posso sentir falta da vida mas sim daquilo que a faz viver. Talvez por isso tenha de trazer uma das divas dos nossos tempos e uma das suas mais brilhantes interpretações... Diana Krall e "Why Should I Care"... De facto, why should I care...

Uma das músicas mais interpretadas em castelhano, sobretudo no espanhol da América do Sul, é a "Historia de un Amor". Fiquei indeciso entre Luz Casal e Guadalupe Pineda. Desta vez ganhou Pineda com uma interpretação mais nossa, mais quente e levada ao expoente máximo de uma paixão que se distancia por não estares aqui... Até porque "não há remédio que cure o que a felicidade cura", dizia García Márquez no seu "Do Amor e outros Demónios".

Tenho de fechar com algo vocal e moderno - sob pena de ainda me acharem velho e trágico...Tenho de fechar com algo que me torne a noite mais tranquila, tenho de fechar com algo que nos possa unir e também unir todos aqueles que podem vir a ler estas sugestões, esta partilha... Tenho de fechar com algo... "Stay or Leave" da Dave Matthews Band e acreditar que este meu lado mais virado para o "acosmisme" efectivamente mostre que tenho razão... Além disso, vão pensar que sou lamechas.

 

 

 

 

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