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O Pré-Românico Asturiano e Oviedo...

por Robinson Kanes, em 11.09.19

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Os Picos da Europa começam a ficar para trás. Numa gasolineira, de uma marca portuguesa, e após os meus comentários, dizem que todos os portugueses se queixam do preço dos combustíveis em Portugal sendo que, em Espanha, os impostos sobre os produtos pretrolíferos também são elevados.

Carro atestado, e à semelhança do que havia pensado, o caminho até Oviedo não foi directo. É preciso viajar na História, é preciso subir mais montanhas e ir ao encontro de igrejas quase milenares e admirar o pré-românico asturiano classificado como Património da Humanidade!

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Vindos dos Picos da Europa, começamos por aquela que nos suscita, talvez maior interesse e nos obriga a um desvio, a Ermida de Santa Cristina de Lena, no vale do "Río Lena" e cuja data de construção aponta para o ano de 850! Podemos chamar desvio ao facto de termos acedido a esta ermida via Parque Natural de las Ubinãs - La Mesa - Esta gente não consegue deixar os montes da cordilheira cantábrica, enfim... Chegados à Ermida, admiramos toda aquele pequeno monumento mas que respira história, muita história...

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Tantos séculos, anos e dias, continua imponente naquela colina apenas acordada pelo ruído da via rápida que fica uns quilómetros abaixo. Conversamos com os locais, percebemos que metemos o carro onde não deviamos mas nem isso tira a simpatia àquelas gentes... Imaginamos aquela Ermida noutras épocas, sem estradas e apenas com o pueblo atrás de si. Quantos não terão perdido aqui horas a admirar a paisagem que se abre ao longo das montanhas e que este pitoresco ponto permite contemplar com agradável decoro...

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É hora de partir, além disso já se comia qualquer coisa... Como tinhamos a noção de que nos poderíamos "perder" pelo parque natural viemos prevenidos... Enlatados, fruta e muita água. Não fomos a restaurantes glamourosos e entregámo-nos ao glamour de "las Ubiñas". 

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Agora sim, seguimos em direcção a Oviedo onde, num dos montes que ladeia a cidade, encontramos mais dois magnificos monumentos pré-românicos e também Património da Humanidade: a "Iglesia de San Miguel de Lillo" e o "Palacio Ramiro", conhecido como "Santa María del Naranco". Mais visitados, estes dois monumentos são duas das principais atracções da cidade! Olham para Uviéu bem lá de cima e são obras-primas da arquitectura que, de uma forma simples e pequena fascinam todos aqueles que os visitam. Por ali nos quedamos um pouco. É preciso digerir, com calma... Ainda nos espera o centro de Oviedo e toda a azáfama da capital do principado.

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Oviedo é a típica cidade antiga e até algo escura... Mas estamos em Espanha, e mesmo a norte, a animação é constante, as ruas falam, vivem... Como não poderia deixar de ser, procuramos deixar o carro perto da "Camilo de Blas", uma pastelaria fantástica, daquelas bem antigas e onde nos acompanha o café dois apetecíveis carbayones. Tenho de admitir, contudo, que o melhor momento em termos de comidas e bebidas foi ao balcão de uma bela tasca perto da catedral.

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Carregados de açúcar, nada como começar pela Catedral. É impossível ignorar este monumento que se localiza na "Plaza de Alfonso II", especialmente a sua torre gótica! Como seria de esperar, encontramos muitos peregrinos (é um ponto de passagem para quem faz este Caminho de Santiago"). O interior é belo, austero como gostamos, e a "Cámara Santa" um dos seus maiores atractivos, além das jóias e das reliquias que ignoramos - admito que é algo que não nos fascina.

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Caminhamos pela zona, esta cidade medieval com todas as suas torres tornam-na apetecível para nós. Faz-se, contudo, sentir algum frio, é preciso aquecer, mas na rua... Qual a melhor escolha? A "Plaza del Fontán" que deve o seu nome ao facto de aí ter existido uma pequena lagoa! É aí que também se localiza o mercado e lojas com coisas bem interessantes, sobretudo para quem gosta de comer... É um local extremamente movimentado, não fosse também uma forte zona de comércio e próxima da "Plaza del Ayuntamiento" e da "Plaza de Abastos". É por aqui que se sente Oviedo, é por aqui que queremos estar...

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A visita ao "Museo de Bellas Artes" é obrigatória, a paixão pela arte obriga-nos. Somos obrigados também a correr até ao "Teatro Campoamor" no sentido de saber se há espectáculo. Nunca percebemos bem porquê, mas sempre quisemos pisar este espaço.

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No entanto, Oviedo é feito das caminhadas pelo seu "casco histórico", é passar pela Universidade e terminar para umas compras na "Calle Uría", ligeiramente mais moderna. É a cidade antiga por excelência, é a capital do "reino"... Despedimo-nos do "interior", o dia seguinte já será junto ao mar, ainda nas Astúrias e numa cidade que, estranhamente, nos conquistou logo após a primeira visita.

 

Mais informação:

Valladolid: Primeiro Estranha-se... Depois Entranha-se...

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Atravessar a verde Cantábria!

Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

 

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Novo dia e mais um pequeno-almoço em Labra - bem rico e o cachopo que ainda por cá continua a dar forças, sem esquecer as vieiras. Não falei das vieiras à Asturiana, mas são qualquer coisa... Casa María é o nome do restaurante, mesmo à beira da AS-114. Simpatia e uma comida divinal. 

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Mas hoje é dia de colmatar algumas falhas, nomeadamente ir até Tielves e Sotres (Monte Camba) - recomendação dos locais, os melhores conselheiros. Desta vez, deixamos Bulnes... Gostamos de Bulnes quando alcançado pelo caminho da montanha - gastar uma fortuna num transporte sem qualquer vista não nos convence (a nós e a todos os asturianos com quem falámos). A estrada que liga a Tielves e sobretudo a Sotres é por si só um verdadeiro monumento. Sotres, a 1050 m de altitude, é uma das aldeias mais altas das Astúrias e é também aí que o Cabrales tem um dos seus pontos de referência - só isso já justifica a ida, sobretudo depois de não resistirmos ao Cabrales entretando comprado em Cangas de Onìs. Gostamos de Sotres, gostamos daquele vale enorme que nos acompanha e nos transporta para uma espécie de alpes espanhóis... É algo único, e onde as montanhas falam, as pedras têm vida, e isso não conseguimos encontrar nos Alpes que ficam mais ao centro da Europa.

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Em Sotres caminhar é a palavra de ordem, caminhar e ter preparação para... Se é para caminhar, então que amemos efectivamente os Picos da Europa e possamos ir conversando com cada pedra, com cada brisa, caso contrário... Será uma simples caminhada. Em Sotres existe uma queijaria... Mais queijo Cabrales? Por favor, Robinson...

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É hora de voltar e percorrer caminhos e vales apaixonantes, é tempo de parar em Tielves e fechar os olhos - apertamos as mãos e deixamo-nos descair um pouco na cadeira. De olhos fechados, regressamos aos Lagos de Covadonga e àquela caminhada. É tempo de nos recordarmos do objectivo principal da visita ao local, avistar a águia-imperial-ibérica... Fantástico... Parece que se juntaram de propósito em voos rasgados ou simplesmente a planear para nos agradecerem a nossa presença. Ver aqueles gigantes dos ares é qualquer coisa. Tão perto que praticamente são dispensados os binóculos. Não pensamos em fotografias, queremos simplesmente assistir ao espectáculo e voar. Aquando da partida, pode ser que se tire qualquer coisa.

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A preservação desta ave de presa (espécie vulnerável e protegida) está a ter grande sucesso em Espanha, infelizmente em Portugal, nem por isso. Voamos, deixamo-nos voar... Acho que reparam no pin que transporto no exterior da mochila: uma águia-imperial-ibérica! Começam a voar por cima de nós e é mágico. Uma forte neblina, em segundos, abate-se sobre nós, ficamos parados na direcção do ponto de referência para onde queremos ir. No entanto, e estamos nas Astúrias, a neblina desaparece à velocidade que chegou e todo aquele espectáculo revela-se diante de nós, mais uma vez. A experiência repete-se várias vezes... Enchemos a barriga, mas não queremos voltar... Começa a chover, o frio tende a ser mais gelado mas nada nos demove... 

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Acordamos... Ainda queremos parar em Poncebos e fazemo-nos ao caminho... É hora de descansar um pouco e decidir onde jantar, o que, nas Astúrias, não é propriamente a tarefa mais complicada. Resistimos à Fabada e amanhã é dia de deixar a alta montanha e entrarmos em Uviéu (asturiano), ou se preferirem, Oviedo... Mas, como sempre, temos a sensação que o caminho não será assim tão linear.

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Chega a noite, e não descansamos como os pastores, mas o nosso anfitrião consegue que nos sintamos como verdadeiros asturianos no aconchego do seu pequeno hotel.

 

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Astúrias: de Labra para a Ruta del Cares.

por Robinson Kanes, em 05.09.19

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Em Labra o amanhecer é surpreendente. Durante a noite nevou nas montanhas e dpois de um pôr do sol com cores únicas, a alvorada é preenchida com a névoa a desvanecer deixando as montanhas com os cumes pintados de branco.

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Depois de um pequeno-almoço bem composto, pois o dia prometia: o objectivo era apreciar o "Picu Urriellu", mais conhecido por "Naranjo de Bulnes". O caminho torna-se "duro" de Labra a Poncebos e as paragens são constantes... Para-se, caminha-se, volta-se ao carro e mais meia dúzia de quilómetros um novo ritual. Começar cedo é fundamental, sobretudo se, nos planos, estiver a "Ruta del Cares".

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E eis que, entre o nevoeiro, a montanha mostra-se! O primeiro objectivo fica concluído, não "escalámos" a montanha, não era essa a pretensão - mais que isso queríamos ver aquele monumento de pouco mais de 2500 m a mostra-se, entre outras montanhas, aos nossos olhos - admirável!

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Mas o "melhor" do dia está para vir, nomeadamente os 24 km entre Poncebos e Caín de Valdeón, sempre com o rio Cares a dividir os dois desfiladeiros. Começamos em Poncebos (Astúrias) e contamos terminar em Caín (Castilla y León). A "Garganta Divina" permite-nos hoje que a percorramos devido ao acesso criado em 1950, acesso que permitiu o acesso para manutenção do canal de água entre Caín e Poncebos - canal esse que desde o primeiro quartel do século XX já estava em funcionamento. 

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É esse o percurso que, embora em altitude, raramente obriga a grandes subidas, excepto nos primeiros 2/3 km (direcção Poncebos - Caín). É um facto que estamos perante um percurso que tende a ser considerado de baixo risco, embora não seja essa a nossa opinião - o risco está sempre iminente, estamos a uma altitude elevada e além do caminho ser estreito não existe qualquer protecção (é assim que tem de ser). Já foram registados muitos casos de quedas (com mortos), sem esquecer que a travessia no Inverno tende a ser perigosa, devido ao gelo/frio e ao perigo de queda de pedras. O Verão pode ser mais calmo e é muito aconselhado por quem já visitou e fala do local, mas em dias muito quentes, quem não estiver preparado e hidratado pode meter-se em sarilhos. No Verão a queda de pedras é um risco também, sobretudo devido às cabras da montanha.

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A tudo isto, temos de juntar o número de pessoas que, novamente no Verão, pois consta que é bastante elevado, aumenta o risco de nos encontrármos com os peritos do trekking instagrameiro que, com roupas compradas horas antes para o look desportivo e aventureiro, arriscam demasiado.

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Questões logísticas à parte, entramos numa nova dimensão... Num local onde somos nós e a natureza! A beleza da montanha, o rio lá em baixo e por vezes os canais a correrem lado-a-lado connosco, é simplesmente apaixonante. É a oportunidade de vermos e contactarmos com as cabras da montanha em autêntico trapézio, o uivo dos lobos e um pastor a correr montanha acima preocupado com o rebanho.

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É calcorrear um caminho que já perto de Caín nos oferece a oportunidade de molhar o rosto nas águas frias do Cares, é passar dentro das rochas, é parar e sentir a humidade e os cheiros da terra e dos minerais. 

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A chegada a Caín é, mais do que um alívio, é um objectivo cumprido e a oportunidade de repor energias! Atacamos os enlatados, os frutos secos, os ovos cozidos e a água. No entanto, Caín, outrora terra de pastores, tem agora no turismo o seu sustento, pelo que tem alguns pequenos cafés e restaurantes - não resistimos a ir comprar pão e queijo cabrales para nos alimentarem para o regresso! Enquanto almoçamos, partilhamos o espaço junto ao cemitério com caminhantes franceses: queijo, vinho de Bordéus, enchidos franceses, falamos muito de Saint-Malo e da Bretanha - temos a a típica imagem de portugueses e franceses à mesa - não aceitamos o vinho, não ajuda ao caminho.

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Ao nosso lado, a Igreja e o cemitério oferecem-nos uma vista única sobre os picos e aproveitamos para prestar homenagem àqueles que morreram a escalar os mesmos. É tempo de silêncio que é interrompido com um "merci a vous, au revoir". Tomamos um café, um espaço com um anfitrião muito simpático e que nos obrigou a colocar no lugar um grupo de portugueses (professores de velha guarda em época de correção de exames) cujo complexo de inferioridade estava a reflectir-se com algum desrespeito no simpático proprietário. Agora partimos com um "venga, hasta luego" e fazemo-nos ao caminho. Os professores ficaram a pensar que éramos espanhóis...

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Mais uma oportunidade para nos maravilharmos... Não queremos deixar aquele local e só já pensamos em 2020 para percorrer o que falta do Parque Natural de Somiedo, já a sudoeste de Oviedo. Pelo caminho novo encontro com portugueses, desta vez com um "Wait!Wait! Só sei dizer isto porra". A companheira de viagem desta senhora aliviava-se agora a meio do caminho! Mais um postal de bom português.

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Estamos a chegar e prestes a terminar mais um dia... Amanhã voltamos à montanha, agora é hora de ir tomar banho, comer um "Cachopo" e cair na cama que o dia seguinte promete ser longo...

 

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Ribadesella e uma Praia Asturiana...

por Robinson Kanes, em 19.08.19

ribadesella_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente III"

 

As montanhas estão cada vez mais perto, aliás, em Llanes já se mostravam na sua supremacia terrestre suprema mas, e embora uma paixão pela altitude e pelos mistérios dos montes, custa-nos deixar o mar... E é por isso que seguimos o "Sella" até Ribadesella!

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Custa-nos deixar o forte aroma que vem do Cantábrico e talvez por isso fiquemos presos a Ribadesella, mais um pequeno porto, mais um pequeno estuário, mais um encontro entre os pálidos rios da montanha e o mar em toda a sua força - até "esquecemos" o Património da Humanidade, a "Cueva de Tito Bustillo" e nos deixamos encantar por um passeio na marginal junto ao rio (o "Sella"). Caminhamos até onde este beija o mar, uma caminhada na areia ("Playa de Santa Marina") onde também partilhamos um beijo celebrando esse encontro e onde o vento faz convidado.

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Ribadesella é aquele local de veraneio com cariz de norte da Europa, afinal os Picos da Europa estão mesmo ali, Cangas de Onis (uma das portas de entrada) é bem perto... As casas demonstram um apetite das famílias pelo local e também da própria aristocracia, afinal estamos num Principado onde a comunhão de um povo de forte e nobre raça se une a uma aristocracia secular.

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Mais uma sidra? Ainda é cedo e a tortilla de Llanes ainda faz "estragos" no estômago. Contemplemos o mar e aproveitemos para percorrer a cidade, junto às docas, cheira a peixe fresco que trocou as caixas de madeira pela esferovite...

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Despedimo-nos de Ribadesella com um até já, até porque temos curiosidade com o pôr-do-sol. Mais uns quilómetros, mais uma alteração de planos, se é que os mesmos existem... Não resistimos, contudo, e queremos terminar a manhã junto ao mar... Acabamos junto a uma praia, uma praia asturiana com uma "Estrella Galicia" na mão e um sorriso a cada gole enquanto alguém, ao longe... tal como nós, conversa com o mar e deste recebe em troca toda a sua venustidade. Recordo Michael Nyman, aliás, Michael Nyman pelas mãos de Valentina Lisitsa com "Time Lapse" - banda sonora do filme "A Zed & Two Noughts". Porquê? Não sei... 

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Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

por Robinson Kanes, em 05.08.19

IMG_0050.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A estrada deve levar-nos directos a Comillas. A A8 (Autovía del Cantábrico) é demasiado rápida para os nossos intentos... A Cantábria traz-nos a recordação da Bretanha e da Normandia até que entre Santander e o destino final esbarramos com Santillana del Mar!

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Voltamos atrás no tempo, além disso, uma sidra já não cai mal, sobretudo se vier acompanhada com uma tapa de morcela de arroz... Santillana del Mar é voltar atrás no tempo, como tantas outras vilas da Cantábria e de Espanha - começa na senhora com perfil de século XIV que nos cobrou o estacionamento. A "vila das três mentiras" (não é santa, não é plana nem fica perto do mar) transporta-nos para uma época distante onde o casario cantábrico salta à vista.

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O turismo é agora, muito provavelmente, a grande alavanca económica da vila, no entanto, a simpatia com que cada um de nós é atendido nas lojas, nos cafés e por todos aqueles que amam a sua vila é de sublinhar, constrastando talvez com os ferozes habitantes de outros tempos que andavam por Altamira, bem perto.

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O grande destaque é a "Colegiata de Santa Juliana" que entre o casario e os campos nos apresenta uma arquitectura singular de influências românico-góticas não datasse a mesma de finais do século XI, embora tenha origens no século IX ("Monasterio de Santa Juliana"). É o mais importante marco românico da região e isso é mais que suficiente para provocar alterações na rota!

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Bem... Isso e trazer dois sacos carregados de "Corbatas de Santillana del Mar", "Quesadas" (que em vácuo aguentam dias de viagem), "Piedras", "Sobaos" e muitas "Palmeras de Chocolate" - basicamente palmiers de chocolate mas com menos açúcar e bem mais... Enfim, saborosos? Este website tem algumas das receitas destes doces tradicionais e o lado bom é que podemos encomendar online! É uma pouca vergonha, admito, mas... Enquanto houver espaço na bagageira e uma praia como a de Santa Justa para destruir, qual monstro das bolachas, os palmiers... Nada a fazer...

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É hora de regressar à estrada e agradecer à senhora de ar medieval...

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Pela A62, de Palencia a Burgos.

por Robinson Kanes, em 25.07.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Valladolid fica para trás... Mas a A62, uma das estradas dos camionistas portugueses e dos emigrantes para a Europa segue até Burgos, onde não é só a Catedral nos apaixona...

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Entre estas duas cidades fica uma outra cidade que não é menos interessante: um ponto de paragem obrigatório para quem acorda em Valladolid e volta a percorrer o alcatrão de Castilla y León, por exemplo, até Burgos. Palencia, a cidade banhada pelo Carrión (onde vai encontrar bem perto o Pisuerga) e cujas margens podem ser um ótimo ponto de partida para abrir o apetite.

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Não estamos numa cidade de luxos e ainda bem, uma cidade típica da região e cujos cafés são simples e ótimos para iniciar o dia com uma torrada com doce de tomate e uma tortilla - ao balcão, como tem de ser e mesmo em frente ao "Mercado de Abastos de Palencia"! Por lá existe um café onde é necessário descer uns três degraus! Simples, nem sempre o mais limpo do mundo mas se assim não fosse, também não teria interesse. 

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Estômago refastelado e nada como pararmos para apreciar o edifício da "Deputación Provincial" (um edifício de 1914 que é, sem dúvida, o mais bonito da cidade) e o "Teatro Principal". Já com os olhos em fascínio, nada como voltar atrás pela "Calle Don Sancho" para apanharmos a mais típica rua da cidade, a "Calle Mayor Principal". Rua movimentada, com lojas, gente simpática pela manhã e cujo emblema da cidade ficará do lado direito, a "Plaza Mayor" onde se encontra o "Ayuntamiento" e a "Iglesia de San Francisco". O espaço é interessante, mais pequeno que muitas das "plazas mayores" que encontramos em Espanha. Mas, como qualquer "plaza mayor" é agradável e, estranhamento, até com um certo toque de nostalgia.

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Caminhamos agora em direcção ao rio. Espera-nos a "Catedral de San Antolín" que data do século XII e conta com uma cripta visigótica! Esta é talvez uma das catedrais mais underated de Espanha e que não fica atrás de outras catedrais góticas como, por exemplo, a de Reims! A visita é obrigatória, antes do passeio terminar na "Iglesia de San Miguel" -mais um interior gótico para deliciar os apaixonados por esta arquitectura. Chegamos à conclusão que também Palencia nos encanta.

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Está na hora de seguir caminho... Burgos ainda fica a cerca de 100km de distância e os camiões já dominam a A62, uma constante naquela estrada onde as matrículas portuguesas abundam nos pesados. 

 

Falar de Burgos não é nada de novo para a maioria, é só o local de uma das maiores e mais belas catedrais góticas do Mundo, a "Catedral de Santa María de Burgos" e obviamente classificada pela UNESCO. A arquitectura gótica está em todo o lado e ao entrar, rapidamente nos apercebemos da construção em cruz latina. É uma das mais belas catedrais do mundo e não visitar a mesma, estando em Burgos, é um verdadeiro crime! Crime é também não conhecer algum do património religioso da cidade, nomeadamente o "Monasterio de Santa María la Real de Las Huelgas" , imponente e austero edifício (e como isso nos encanta) e a "Cartuja de Miraflores". De fora também não pode ficar o castelo que bem merece a pena devido às vistas que proporciona sobre a cidade. Finalmente, uma visita à Universidade de Burgos pode ser também uma opção interessante para os apaixonados por arquitectura e história.

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No entanto, aquilo que nos apaixona em Burgos é percorrer o centro histórico! Nada como iniciar esse passeio romanesco perto das margens do Arlanzón, nomeadamente, junto ao "Arco de Santa Maria"! É aí que podemos percorrer o "Paseo del Espolón" - um caminho fantástico, com árvores minuciosamente podadas, cujo percurso e posterior entrada no centro histórico nos faz recordar Lyon! Não é propriamente parecido mas fica-se com tal sensação, vá-se lá saber porquê.

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Uma nota importante, andar pelo centro e não comer uma morcela de arroz ou beber uma Estrella Damm com uma um bocadillo de jamón é um crime contra "El Cid", não o irritem! Ao fundo da "Calle Laín Calvo" existe um espaço de venda de queijos e presuntos que faz umas sandes para fora que é qualquer coisa - não deixem é lá carteira pois arriscam-se a trazer sacos de queijos e jamón ibérico que vos vão aumentar as calorias de forma exponencial! É o aviso de alguém que já cometeu esse pecado em Burgos.

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É bom andar por Burgos, é bom apreciar os edifícios coloridos, beber un café con leche ou solo na "Plaza Mayor", percorrer o casco viejo junto ao Arlanzón e sair dos limites turísticos da cidade - e porque não de bicicleta? Percorrer Burgos cria-nos uma particular atracção na medida em que a Catedral, a main attraction, acaba por ser "só" mais um ponto de interesse nesta bonita cidade o que, só para termos uma ideia e a título de exemplo, já não acontece em Colónia. 

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E os ares da Cantábria já vão chegando e a frescura dos mesmos embrenha-se com a aridez de Castilla Y León numa dança que só nos faz adivinhar que, para norte em direcção a Santander as coisas só poderão melhorar!

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valladolid.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Valladolid sempre teve um significado especial, não só pela sua universidade que é uma das mais antigas do mundo mas também pela importância que tem para a língua castelhana. A isto, acresce o facto de ser um ponto de passagem de muitos emigrantes e camionistas no "acesso à Europa". Parar torna-se obrigatório, embora muitos não o façam e percam uma excelente oportunidade de ficarem mais ricos...

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Chegar a Valladolid não fascina, sobretudo se viermos de Salamanca ou até mesmo do calor "extremeño", no entanto, depois de uma caminhada junto ao Pisuerga (que é afluente do Douro), podemos ficar a conhecer melhor uma cidade que, à semelhança de todas as cidades espanholas, tem nas pessoas a sua força, o seu ritmo e a sua vida. 

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Comecemos junto ao edifício do "Instituto Zorrila" e encontramos o "Colegio de San Gregorio" que além da beleza em termos de arquitectura é também o "Museo Nacional de Escultura" - só por isto já vale a pena passar uns dias nesta cidade. Passar umas horas a admirar muito do que a escultura espanhola é um bom início! Adicionem o facto de, praticamente na mesma praça (Plaza de San Pablo), terem a "Iglesia de San Pablo", com uma fachada singular e o "Palacio Real"

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Mas Valladolid, ao contrário do que possa parecer, é uma cidade grande... Se seguirem pela "Plaza de San Pablo" e entrarem na "Calle de las Angustias", rapidamente atravessam um relvado onde, no lado esquerdo, encontram a "Iglesia de Santa María la Antigua": uma igreja interessante, austera e onde o românico e o gótico se misturam de um modo particular! Se continuarem em direcção à Catedral, ainda vão passar pelas ruínas da "Colegiata de Santa María la Mayor" - se gostam de ruínas, têm aqui, na "Plaza de Portugalete" um com que se deliciar. 

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E eis que chegamos à Catedral, ou melhor, "Catedral de Nuestra Señora de la Asunción"... É austera, o que me agrada, no entanto, está longe de ser uma das mais bonitas de Espanha... Quem espera encontrar grande monumentalidade não terá grande sorte, o que não impede a visita, bem pelo contrário. Uma desculpa para ficar por aqui pode ser a oportunidade para "pinchar" algo... Não faltam locais para comer e beber qualquer coisa, embora, em Valladolid a diferença entre espaços de "tapeo" seja pouca.

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Esperem! Não abandonem esta área sem apreciar a estátua de Cervantes e a Universidade! É mesmo ao lado da Catedral, não há como deixar para trás! Depois de deixarem a Cervantes um grande obrigado pela herança que nos deixou, o ideal seria descer imediatamente pela "Plaza de Libertad", apanhando a "Calle Ferrari" para chegarem à "Plaza Mayor", uma das imagens de marca da cidade - aliás, qual é a Plaza Mayor em Espanha que não é uma imagem de marca da respectiva cidade ou vila? No entanto, é preciso uma paragem obrigatória: a "Pasaje Gutiérrez"! (Maldição! Tenho as fotos num outro local... Fica prometida a partilha e com o bónus do "Palacio Pimentel"). É nesta pequena galeria que encontramos alguns cafés deveras interessantes e com um gosto bem particular, o ideal para beber um copo ou até jantar! Muito se fala de Milão, por exemplo, mas toda aquela sumptuosidade, em meu entender, tende a ser absorvida pelo ambiente deste local! Agora sim, "Plaza Mayor"! Aproveitem e bebam uma "Mahou 5 estrellas" enquanto apreciam a torre do relógio e o Ayuntamiento.

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E como o dia pode estar a acabar, nada como aproveitar o fim de tarde para passar na "Academia de Caballería" onde podem encontrar, além do espectacular edifício, um excelente "arsenal" de artefactos que retratam muito do que foi e é a cavalaria em Espanha. Contudo, porque os finais de tarde são longos em Espanha, dar um passeio mais romântico pelo "Campo Grande" é fundamental para fazer divergir novamente a atenção para quem nos acompanha. Mas cuidado, os patos e os pavões são reis neste ecossistema!

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A noite aproxima-se, por isso, existindo cartaz, nada como agendar um programa no "Teatro Calderón de la Barca", isto antes de "salir de copas", isso é fundamental para um dia/noite bem passada nesta cidade de Castilla y León.

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Ao acordar, no dia seguinte, rapidamente ficamos com a ideia de que como destino final ou como mera paragem de uma longa viagem, Valladolid "nos encanta" e tem aquela magia especial que tende a não se mostrar após um primeiro olhar. Não podia faltar a poesia ou não tivesse nascido aqui o poeta José Zorrilla.

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Muito importante! O Mercado, o "Mercado del Val"... Como em qualquer cidade, é uma visita obrigatória e acima de tudo uma oportunidade de encher o saco, especialmente se pudermos trazer os produtos frescos connosco! Estes espaços têm sempre um encanto especial que vai para lá das fotografias... Os cheiros, as pessoas e a história, toda uma cultura nos corredores e nas bancadas... E também na carteira...

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En Cantabria, una "playlist" para nosotros...

por Robinson Kanes, em 27.06.19

IMG_0014.JPGImagem: Robinson Kanes

 

 

Santander... Toda a Cantábria fica para trás e a fascinação daquele mundo verde contrasta com o mar Cantábrico mesmo ali diante de nós. Santander conta-nos histórias de pescadores, de navios comerciais e de uma industrialização que a tornam tão rica e com tantos contrastes. Para trás fica o Carbaceno e mais um sem número de memórias e quilómetros nos pés...

 

Contemplando esse mar enquanto aguardamos por mais umas "copas" perto do "Mercado de la Esperanza", sentamo-nos, ligamos o iPod (sim, ainda o utilizamos), estendemos as pernas e acabamos a escutar a nossa playlist...

 

A presença do mar chama-nos para "Llorándole debajo del agua", o dueto de Rojas e Niña Pastori. Não podemos ficar indiferentes aos sons de Espanha. Uma das grandes músicas de Rojas, talvez pelo toque especial de Niña Pastori... Nem com o Cantábrico por perto podemos esquecer o Mediterrâneo.

Continuamos por Espanha, talvez com uma música mais apropriada para uma viagem, mas o que é o repouso da viagem se não uma parte dessa mesma viagem e nunca o seu fim? Escutamos Bebe, e cantamos "¿donde estabas quando te llamaba" do single "Me Fui". Por certo perceberás o porquê da minha preferência por esta música.

Bebe leva-nos para outra música, para aquela que, para mim, é um dos seus grandes sucessos... "Siempre me Quedara"... "Palafueras Telarañas". Um ritmo especial, uma voz espanhola de nova geração e uma melodia que nos envolve e nos transporta para um passado com mais serenidade e com mais esperança no futuro que se aproxima. Esta música tem esse poder.

E porque não fazermos esta playlist toda em castelhano? Afinal, este é o país que melhores recordações e vivências nos trás, aquele que dizemos ser a nossa casa. Voltamos a Ninã Pastori, eu sei, devo ter nascido numa pedra em Grazalema ou numa casa do Albaicín, mas não posso deixar passar "Amor de San Juan". Vamos descer até Cádiz e apreciar?

E na Cantábria não nos larga este foco do sul? Maldição... Vamos aproveitar e parar em Jerez de la Frontera e voltar à Real Escuela? Fiquemos com "Los Delinqüentes" e viver aquilo que tanto gostamos: "El Aire de la Calle". Recordamos essa banda que desapareceu e que teve um tremendo sucesso... Temos saudades e o falecido Miguel Ángel Benitez também terá... Esteja lá onde esteja!

A respiração do mar torna-se mais intensa e invade "El Sardinero". Dançamos na varanda, afinal por cá não temos os filtros do país do lado. Queremos aquecer as coisas e desafiar o frio bafo marinho e encomendamos a voz de Olivia Ruiz com os franceses Nouvelle Vague num cover da música dos Mano Negra (escrita por Manu Chao). Gostamos desta versão que é presença quase diária nas nossas vidas... "Mala Vida". Mala vida si...

Existem bandas que com o tempo vão ficando melhores, que se vão perpetuando e não são efémeras... Que podem sair dos grandes holofotes, mas que ficam. Uma dessas bandas são os "La Oreja de Van Gogh" (estarão a chegar aqui os ares do País Basco?).  Já sem a grande figura que foi Amaia Montero e com a encantadora Leira Martínez (fica aqui uma dica para um certo espaço), continuam a dar cartas - uma banda que é difícil esquecer. E como estamos pelo "Sardinero", nada como escutar "La Playa", um dos grandes sucessos da banda ainda com a voz de Amaia - inesquecível!

Mantemos a selecção, até para dar espaço à senhora Martinez e escutamos, com a companhia de uma espécie de "Hojaldre de Astorga", "La Niña que Llora en tus Fiestas"... Não estamos com muita vontade de deixar de dançar! Temos de trocar as "copas" por um jantar se a coisa continua a assim... Percebemos porque é que esta banda ainda não se extinguiu. 

Com Sole Giménez ou Lydia, esta banda da belíssima colheita de 1983, é outra das que nunca morre! Talvez por isso também mereça dois destaques enquanto a noite começa a cair e as luzes do Sardinero começam a acender. Presuntos Implicados é mais uma daquelas bandas que nos encantam desde que começamos a ouvir a voz de Sole Giménez, uma voz única e singular que, em muito, ajudou a catapultar esta banda para o sucesso. Como foste tu que me deste a conhecer esta preciosidade, nada como escutarmos uma das suas melhores músicas e com uma frase que muito utilizas: "Nunca es para Siempre".

Já vais? Vais colocar aquele vestido? Não me parece, deixas a tua formalidade para outras paragens, pelo menos esta noite... Eu "Esperare", e deixo que as últimas cores do dia se desvaneçam com os Presuntos Implicados...

Vamos? Já devem estar à nossa espera...

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Em Sitges... Entre o Mar e um Café...

por Robinson Kanes, em 08.06.18

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Fonte Imagens: Própria. 

 

 

Conheci sempre Sitges fora da época de Verão, o que me transporta para uma experiência mais genuína, até porque esta pequena cidade chega a ser apelidada da Saint Tropez da Catalunha. Contudo, nada é mais errado, pois quem já esteve em ambas as localizações vai perceber que as diferenças são muitas e cada espaço tem as suas peculariedades. 

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Sitges é sempre o meu retiro de Barcelona. Rapidamente acessível de comboio pela estação de Passeig de Gràcia (Barcelona Sants ou Estació de França também são opção) é sem dúvida uma cidade para tranquilamente percorrer as pequenas ruelas, parar numa qualquer pastelaria e sentir a brisa do mar que se torna mais intensa quando apertada pelos edifícios que ladeiam as estreitas ruas. Admito que um dos melhores momentos aquando da minha vida em Barcelona era o pequeno-almoço em Sitges. Sair cedo de Ausiàs March, apanhar o comboio, atravessar o Garraf e em Sitges apreciar uma manhã com gente simpática e com o mar ali como companheiro era sem dúvida um momento soberbo.

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Sitges é também daquelas cidades pequenas onde as estações de caminho-de-ferro têm vida e onde o quotidiano se sente a pulsar nessas tão importantes ágoras. No Verão, a cidade enche-se de turistas e talvez muita da sua magia se perca, no entanto, mesmo em meses mais "tristes" como Novembro, as pessoas são gentis e a simpatia e alegria do povo espanhol é evidente em cada conversa. Além disso, nos meses de Inverno conseguem-se autênticos dias de Verão que enchem as ruas, sobretudo ao fim de semana, na costa desde Castelldefels até Tarragona.

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Bem perto de Barcelona, é uma cidade com uma intensa actividade cultural, onde se destacam o Festival de Cinema, o  Carnaval e as "noches sitgeanas". Mas Sitges é muitos mais, é o estilo mediterrânico bem presente na arquitectura, nas varandas, nas pessoas, na brisa marítima, nos sons que ecoam e por aquele cheiro único que nenhum fragrância consegue igualar. O património é uma das suas imagens de marca e isto acontece sem ter necessidade de possuir grandes monumentos. Aqui o "small is beautiful" tem uma das suas mais maiores exaltações.

IMG_2528.jpgOutra das coisas que não se pode dispensar em Sitges é a caminhada junto ao mar... Aliás, o banho no mar é altamente recomendável. Aqui as cores do Mediterrâneo também não deixam ninguém indiferente e o todo o pitoresco do horizonte contagia-nos de uma forma que não nos faz querer voltar a Barcelona.

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O que podemos dizer mais desta cidade? Sentemo-nos num qualquer banco de jardim diante do mar... Temos o pequeno-almoço  tomado, o café (como tem de ser), o sol a tocar-nos no rosto e um sem número de aromas que nos limpam os pulmões... Será que é preciso dizer mais alguma coisa? Pois bem, esperemos pela noite e vamos de "copas". À noite a cidade não se transforma, não deixa que lhe tirem a identidade e é isso que também a torna mais interessante para quem aprecia ficar até de madrugada a aproveitar aquilo que só as cidades espanholas (e Argentinas) podem oferecer.

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Já vai ficando tarde e é preciso voltar a apanhar o comboio. É possível que hoje a noite ainda não tenha acabado, é preciso passar em Cornellà de Llobregat... Até lá, vamos discutindo porque é que Sitges é tão especial e merece o seu destaque lado a lado com Saint Tropez, até porque entre uma e outra cidade, dificil é escolher.

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Bom fim de semana... 

 

 

 

 

 

 

 

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A Democracia dos Derrotados...

por Robinson Kanes, em 04.06.18

 

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 Créditos: http://www.polyp.org.uk/corporate-rule_cartoons/cartoons_about_corporaterule_and_democracy.html

 

 

 

Vou tentar abordar este tema como o cidadão comum, como aquele que não quer pensar a política como um todo mas como um mecanismo que tem em vista o bem geral do país e se preocupa com o dia-a-dia do mesmo e prefere não pensar num outro tipo de manobras.

 

As moda das "geringonças" tem levado a algo estranho na história da Humanidade, nomeadamente, a escrita dessa mesma História pelos perdedores e não pelos vencedores. A diferença é pouca, um pouco como o comunismo vs fascismo onde se utilizam diferentes palavras para descrever a mesma vontade, o segredo é contestar o outro e abonar o nosso.

 

Até podemos dizer que, apesar de tudo, existe uma maioria e que portanto representa a maioria dos cidadãos. Mas voltamos ao cerne da questão: será que é assim tão democrático puxar o tapete a um candidato ou partido vencedor e substituir o mesmo por um candidato ou partido derrotado? Será que essa defesa, por muitos, de que essa maioria tem o aval dos cidadãos é assim tão realista? Até porque, alguém os consultou em relação a essa matéria? Uma coisa são as coligações entre um partido vencedor e outros partidos tendo em vista uma maioria parlamentar, outra coisa é não olhar a meios para, face a um derrota eleitoral, atacar o poder.

 

É preciso ter em conta que não são raras as situações em que para chegarmos a esses consensos os intervenientes vendem a alma ao diabo e abdicam em muito daquilo que foram as suas grandes lutas partidárias, ideológicas e de encontro aos interesses daqueles que neles votaram. Será que, mesmo que com uma minoria parlamentar, temos legitimidade para deixar cair um Governo mas, mais grave que isso, substituir o mesmo por um outro que não foi democraticamente eleito? Não confudir esta afirmação com legalmente eleito... Existem algumas diferenças entre o que é legal e o que é democrático.

 

Exemplos não faltam... Quem viu o "Podemos" na data da sua fundação e o vê agora? Quem viu o Bloco de Esquerda há menos de meia dúzia de anos e o vê agora? Pergunto muitas vezes se esse movimento ainda existe para lá de meia dúzia de artigos de opinião que são um hino ao paradoxo. Não os tenho visto em parte alguma e tenho a ideia de que estamos a viver a repetição nacional do que acontece em Lisboa, primeiro com o "Zé" que rapidamente desapareceu do mapa com o cargo de Vereador e se passou a chamar Engenheiro José Sá Fernandes, ou então com Ricardo Robles que, com um semblante de militante do CDS, também se tornou uma espécie de militante do PS com uma inclinação especial para Fernando Medina. É interessante ver como estes débeis não tiveram coragem de ser justos, e como nos disse Rabindranath Tagore, escapam ao dever de ser justos e tentam obter resultados rápidos pelas vias abreviadas da injustiça. Aqueles que tanto criticavam, inclusive as políticas do PS e de José Sócrates são os mesmos que agora, incondicionalmente, apoiam um copy-paste do seu Governo e de muitas políticas similares ou até mais agressivas para os cidadãos.

 

Pergunto também pelo PCP e pelas constantes afirmações de que se está contra tudo o que um Governo faz, mas continua a garantir a presença desse mesmo Governo no poder? Não chega apenas pagar almoços com dinheiros camarários e não só a idosos e pensionistas antes das eleições... Que o diga Bernardino Soares, em Loures...

 

E entre tudo isto, onde se encontra a maioria de indivíduos que acreditava nestes partidos quando defendiam a redução dos combustíveis, a redução dos impostos, um melhor combate aos incêndios, mais investimento em educação e saúde, mais isto e mais aquilo... Será que essa maioria se identifica com o status quo?

 

Em Espanha, esta semana, Pedro Sánchez tomou posse como Primeiro-Ministro, apesar das constantes derrotas e até de, internamente, nem sempre ser visto como a opção mais credível... Mas ele aí está com 84 deputados face aos 137 que venceram as eleições. Vamos ver como será gerida a questão da Catalunha e como resistirá o "Podemos", agora que Pablo Iglesias e a esposa, dois cidadãos simples e humildes, mas também dois assalariados de luxo do mesmo movimento, têm de pagar a casa de 600 mil euros em Madrid.

 

Claramente estas coisas são mais complexas, no entanto, no quotidiano, é com estas interrogações que nos deparamos.

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