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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Os encontros com a minha miúda perto da Torre Agbar fizeram-me desviar caminho e deixar para trás um outro percurso que não era raro fazer durante aqueles tempos por Barcelona. Tantas e tantas vezes chegou a ser feito a dois ou mesmo com um pequeno grupo de amigos.

 

De facto, quando o desvio pela "Avinguda Meridiana" não se impunha, a entrada pelo "Parc de la Ciutadella" assumia a preferência, sobretudo como uma travessia, em direcção ao "Port Olímpic" ou às "Platjias de la Mar Bella" ou da "Nova Icària". Este parque, mais uma vez abençoado por aquela luz solar que vem do lado do mar tem na sua cascata monumental a grande atracção, obviamente, sem esquecer o "ZOO", e alguns edifícios de interesse como o "Castell dels Tres Dragons", o próprio Parlamento e as "Cavalariças da Guardia Urbana" que faziam delirar a minha miúda mas que infelizmente, nem sempre estão abertas ao público.

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É um local encantador sempre povoado de gente bem disposta e ponto de passagem para muitos praticantes de desporto que por ali deambulam pela manhã ou ao fim da tarde. Nos primeiros dias, admito que a subida à cascata monumental funcionava como uma espécie de ritual que foi desaparecendo com o tempo e com a pressa, muitas vezes, de chegar ao destino. Era lá em cima, depois de subir as escadas, que contemplava aquele espaço e me sentia cidadão de Barcelona.

 

Agradava-me, naquele parque, a mistura de atracções e diferentes funções que o mesmo adquiria - além da componente natural, tinha as componentes cultural, desportiva, política e claro o jardim zoológico. Era uma pequena cidade sustentável... Aliás, o parque encontra-se naquela que foi a antiga cidadela de Barcelona e ainda hoje conserva vários testemunhos da Exposição Mundial de 1888 - a Cascata Monumental tem a mão de Gaudí entre outros, e os próprios Jardins de Fontserè são uma homenagem àquele que os projectou, nomeadamente Josep Fontserè. Com parques tão belos espalhados pelo mundo fora, este não é excepção.

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Mas toda esta magia, era apenas parte do caminho que terminava no "Port Olímpic" e cuja estrela-guia era assegurada pelas torres da MAPFRE e do Hotel Arts.  Não posso esquecer "Platijas de Nova Icaria" e "Somorrostro" e bons momentos vividos naquelas areias. Apreciar todo aquele mar, passear entre os veleiros e beber algo nas noites quentes (e frias) daquela cidade era sem dúvida um júbilo, apesar dos preços praticados. Assumo, no entanto, que sentia sempre a chamada de Barceloneta, que fica um pouco mais adiante.

 

Recordo-me de grandes fins de tarde naquele porto a discutir política, a monarquia espanhola, o porquê dos espanhóis adorarem Portugal e os portugueses nem sempre gostarem dos espanhóis, o porquê de ser mais bem tratado em Espanha do que em Portugal (mas aí não era só eu) e acima de tudo de sentir um convívio verdadeiro onde as cervejas eram acompanhadas por temas que escapavam à tradicional gabarolice e onde a amizade era realmente verdadeira. 

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Considerava aquele porto como o meu espaço "in" na cidade, sobretudo pelo mar e pela companhia. Todavia, onde nós gostávamos mesmo de estar, de rir e conversar, era sem dúvida nos recantos de Barceloneta, mas essa será uma recordação para mais tarde.

 

Na minha memória, sentado num desses bancos de cimento junto à marina, vejo agora os aviões a fazer a aproximação à pista de "El Prat". Gostaria de estar num deles, para ali, onde o mediterrâneo também une culturas, sentir o pulsar daquela cidade e daqueles amigos... Acompanha-me um compositor contemporâneo nascido em Barcelona, Federico Mompou, talvez para me fazer sentir, também eu... "un pájaro triste".

 

 

 

Grácies Barcelona...

 

 

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Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

por Robinson Kanes, em 13.10.17

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Fonte das Imagens: Própria.

 

A semana passada falei de Barcelona e dos tempos que fixei residência em Ausiàs March - esta semana não resisti em lá voltar.

 

Uma das minhas caminhadas matinais (sim, e nocturnas) passava por descer o "Passeig de Sant Joan" e atravessar os jardins e o Arco do Triunfo pelo "Passeig de Lluís Companys". Era interessante sentir o pulsar da cidade numa das suas zonas mais nobres e também menos antigas, um pulsar estranhamente calmo, sobretudo em relação ao centro oeste. Na verdade, e deixemo-nos de poesia, era muitas vezes um mero acesso até chegar ao "Parc de la Ciutadella" ou até ao mar, ou quase sempre para voltar atrás e seguir pela "Avigunda Meridional" até chegar à "Avigunda Diagonal", perto da Torre Agbar onde combinava com a minha miúda os encontros ao fim de tarde, bem perto da multinacional onde a mesma trabalhava...

 

A Torre Agbar, que de dia não é mais que um "mamarracho", mas ao cair da noite, com todas as suas cores pintava toda aquela paixão. Gostava disso e reconheço que dava outro encanto àquele momento que, muitas vezes, sem a presença daquela torre, seria num local que parecia um estaleiro - durante muito tempo, a zona envolvente esteve em obras.

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Era bom fazer aquele caminho, mesmo que depois tivesse de voltar atrás, não sei explicar... Talvez fosse uma espécie de Sísifo a punir-me pelo erro futuro de recusar viver naquela cidade, acreditanto mais uma vez que poderia trazer algo de novo ao meu país... Ainda hoje consigo vislumbrar a Torre Agbar ao longe e encarar a mesma como uma estrela-guia para um futuro próximo.

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Voltando ao meu percurso, também era aqui que ficava encandeado pelo sol de fim de tarde que ali projecta uma linha cujos raios se estendem pela cidade até ao final do "Passeig Saint Joan" e me fazia por vezes sentar e ligar o Ipod. Aproveitava para queimar algum tempo, até continuar o meu caminho... De facto, muitas vezes era acompanhado pela "Barcelona Gipsy Balkan Orchestra" (que aqui já falei), e desse tempo recordo-me sobretudo destas duas bandas sonoras daqueles momentos: o "Lule Lule" e  "Cigani Ljubiat Pesnji". Esta última, fundamental para um dia ter conhecido os Mossos d'Esquadra, depois de me ter motivado para jogar futebol com uns indivíduos que monopolizavam a relva junto aos "Jardins Fontserè i Mestre"... Ainda me lembro de ter dito que só estávamos a fazer uma "rabia" e chegar à conclusão que o melhor seria ficar calado e esperar que os locais se entendessem com a autoridade.

 

Se como eu não puderem ir a Barcelona por estes dias, nada como aproveitar as sugestões musicais e encontrar o jardim mais próximo de vós, e porque não, libertarem-se um pouco num jogo de futebol, ou com os sons da natureza, das pessoas e da vida, ou então lerem o Relatório aos Incêndios de Pedrogão Grande e Góis...

 

Bom fim-de-semana...

 

 

As bandas sonoras...

 

Bacelona Gipsy Balkan Orchestra - Lule Lule

 

 

Barcelona Gipsy Balkan Orchestra - Cigani Ljubiat Pesnji (sem dúvida, uma das minhas preferidas)

 

 

 

 

 

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 Fonte da Imagem: Própria.

O tempo que vivi em Barcelona tende a vir ao meu encontro todos os dias... Não me vou debruçar sobre o referendo catalão que interessa apenas a meia-dúzia, mesmo que alimentado por um clima de pós-verdade que nos diz o contrário. Também não vou falar do facto de viverem tantos portugueses em Barcelona, mas os meus grandes amigos terem sido espanhóis, franceses, marroquinos, ingleses e de outras tantas nacionalidades. 

 

Ausiàs March é uma rua (Carrer em catalão) no centro de Barcelona, bem perto da  "Plaça de Tetuan" e de uma breve caminhada pelo Arco do Triunfo até ao "Parc de la Ciutadella". É um saltinho daí ao mar... E claro, até Barceloneta, onde muitos amigos residiam e onde as tapas têm um sabor diferente. Voltarei mais vezes a este tema, com diferentes experiências, mas hoje, e posto que o fim-de-semana está aí tão perto, vou focar-me em algumas sugestões que me chegam desses tempos.

 

Uma delas passa por uma das bandas que mais gosto e que, por sinal, me foi sugerida por um grande amigo inglês que também viveu em Espanha, aliás, já viveu um pouco por todo o mundo e "agora" regressou à terra natal.

 

 

A "Barcelona Gispy Balkan Orchestra", também conhecida por "Barcelona Gipsy Klezmer Orchestra" é uma dádiva para o ouvido tal é a mescla de sonoridades, o encontro de culturas e a voz de Sandra Giao, a vocalista. A banda, nascida em 2012, conta espanhóis, um grego, um italiano, um ucraniano, um sérvio e um francês - facilmente já conseguimos ter uma ideia do que estes senhores são capazes.

 

Imaginem que, numa só banda, podemos viajar pela música "Klezmer", pelo Jazz Manouche/Gipsy Jazz (Jazz Cigano), pela música romena, por diferentes sons da europa de leste e dos balcãs sem esquecer as influências de Espanha, América do Sul e Médio-Oriente! Parece muito para uma jovem banda, mas o modo como conciliam tantas influências numa música belíssima é de facto fascinante - hoje mesmo estarão a actuar em Barcelona! Este artigo tem sido acompanhado com algumas das jóias destes senhores, "Shalom Alechem" e "Djelem Djelem" uma das minhas preferidas e companheira de viagens pelos balcãs...

 

Finalmente, uma leitura: se é de Ausiàs March que falamos, o poeta medieval valenciano, considerado um dos grandes do Século de Ouro Valenciano, nada como dar uma vista de olhos por uma poesia trovadoresca e variar um pouco as leituras. Fica o poema "Busquen las gentes fiestas con alegría":

 

Busquen las gentes fiestas con alegría,
alabando a Dios, entremezclando deportes;
que plazas, calles y deleitosos jardines
se llenen con los relatos de grandes gestas;
y vaya yo los sepulcros buscando,
interrogando a las almas condenadas,
que me responderán, pues no están acompañadas
sino por mí en su perenne lamento.

 

Cada cual busca y quiere a su semejante;
por esto no me agrada el trato con los vivos.
Al imaginar mi estado, se tornan esquivos;
como de hombre muerto, de mí toman espanto.
El rey ciprio, prisionero de un hereje,
no es a mis ojos desventurado,
pues lo que quiero jamás será logrado;
de mi deseo médico alguno podrá curarme.

 

Como Prometeo, a quien el águila come el hígado
y siempre brota de nuevo la carne,
y jamás termina el pájaro de devorar;
más fuerte dolor que éste me tiene asediado,
pues un gusano me roe el pensamiento,
otro el corazón, y de roer no cesan,
y su trabajo no podrá interrumpirse
sino con aquello que es imposible de lograr.

 

Y si la muerte no me infiriese la ofensa
-alejándome de tan placentera visión-,
no le agradecería que vista de tierra
mi desnudo cuerpo, quien no piensa perder
el placer, pues tan sólo imagina
que mis deseos no pueden cumplirse;
y si mi postrera hora ha llegado,
término tendrá también el bien amar.

 

Y si en el cielo me quiere Dios albergar,
amén de verle, para cumplir mi deseo
será preciso que allá me sea dicho
que mi muerte vos tenéis a bien llorar,
arrepintiéndoos de que por vuestra poca merced
muriese un inocente, mártir por amaros:
pues el cuerpo del alma separaría
si en verdad creyese que de ello os doleríais.

 

Lirio entre cardos, vos sabéis y yo sé
que bien puede morirse por amor;
si creéis que en tal dolor me hallo,
no os excederéis, poniendo en ello plena fe.

 

Bom fim-de-semana...

 

 

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 Fonte da Imagem: Bruce Beattie - Daytona Beach News Journal

 

O tema não é novo, mas repete-se... E como se repete continua tão actual como aquando da primeira polémica espoletada acerca do mesmo.

 

Sempre que estamos perante um atentado terrorista assistimos à divulgação de imagens (quantas vezes não são as mesmas repetidas atá à exaustão) de pessoas feridas, mortas, em pânico, completamente aterrorizadas e, em alguns casos, até à divulgação do próprio atentado a ter lugar (Charlie Hebdo foi um dos melhores exemplos). Se a sede de vendas aqui ainda encontra uma "descupabilização", o que dizer quando os perpetradores do terror fazem um balanço do ataque e promovem a causa?

 

Pretendo com isto dizer, e em Barcelona a cena repetiu-se, que um dos grandes cúmplices do terrorismo - porque espalhar o medo é terrorismo, não é só pressionar um gatilho - poderão ser os media. O alegado vídeo do Daesh a reinvindicar o ataque foi repetido mil e uma vezes por esse mundo fora e Portugal não foi excepção. Será que não basta "uma" notícia a informar que o Daesh (ou outro movimento) reinvindicou o ataque e voltou a ameaçar? E será que estes vídeos são muitas vezes confirmados, sobretudo do ponto de vista da origem? Não me é de todo difícil colocar um vídeo igual a muitos outros do Daesh a circular na internet.

 

É aqui que também pretendo chegar... Ainda me recordo de ver os vídeos da ETA, do Hezbollah, do IRA e de outros tantos movimentos, onde o foco do mesmo passava por indivíduos que difundiam uma mensagem; mas hoje os videos são mais elaborados e coloridos com imagens que são retiradas dos próprios media. Não só estamos a alimentar a propaganda com conteúdos mas também a divulgar a mesma. Se eu sair à rua com uma suástica no braço arriscarei, por certo, algumas consequências menos boas, contudo, divulgar o ódio e o terror continua a ser um crime que passa impune sob a capa da liberdade de informação - seja de forma propositada ou negligente. 

 

Finalmente, uma nota para o actual Presidente da República Portuguesa e que me ficou retida aquando dos atentados de Barcelona: dizer que nunca morreu tanta gente, nem existiram tantos atentados terroristas como hoje, sobretudo na Europa, revela um desconhecimento da História, sobretudo a mais recente.

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A Corrida às "Hashtags". O Exemplo de Barcelona...

por Robinson Kanes, em 21.08.17

 

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Cabeça Abstracta - Joaquín Torres Garcia (Familia Maslach, in Museu Picasso/Málaga)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Hashtag: espécie de Santo Graal da comunicação, necessidade de ser visto, isco

in Dicionário da Real Academia de Letras e Ciências de Alhos Vedros

 

Hashtag: também chamado de "estou em bicos de pés" ou definição do sentimento de "estou aqui, olhem para mim, sou alguém".

in Dicionário da Real Academia de Letras e Artes de Vila das Aves

 

Hashtag: inventa qualquer coisa e tenta que cole e não te preocupes com o resultado.

in Dicionário do Real Sport Clube de Massamá, modalidade de Zumba.

 

Mal sai uma notícia e logo toda a gente parece estar em cima do acontecimento. De repente, temos todos opinião sobre algo que ainda nem temos a certeza se aconteceu. Aliás, eu acredito que existem pessoas que já têm textos ultracongelados para tudo, pois ainda nem existe a dita notícia e já existem mil e uma opiniões - liga-se o forno a 180º, espera-se 5 minutos e sai um comentário sobre a queda de uma árvore. Mas esteve lá? Já viu mais dados? Não! Só viu o título da notícia que saiu no website da CMTV ou no facebook de outrem enquanto estava a "trabalhar". 

 

É extraordinário, e pegando no exemplo de Barcelona, que ocorra um atentado às cinco horas e às cinco horas e cinco minutos já existam especialistas, "comentadeiros" (escalão sem valor, no qual me incluo na vertente blogista) e um sem número de pessoas que disparam em todas as direcções. Por "sorte", não eram fake news, caso contrário teria acontecido o que acontece sempre: apaga-se o comentário ou desaparece-se do mapa por uns dias ou horas para sermos esquecidos e mais tarde voltarmos à carga... Deve ser aborrecido dizer "eu até ouvi o estrondo" e depois vir a saber-se que não houve estrondo nenhum e a existir ocorreu a uns 100km! 

 

Temos também as vítimas do costume... Aqueles que lá estavam? Não, aqueles que desejariam estar para colorir melhor um testemunho que lhes permita dizer que estão ou estiveram lá, ou, no mínimo, dizer que estão a sofrer muito e que nem vão sair de casa, que Barcelona está um caos, mesmo que estejam em Sabadell ou Lleida. Seguindo um comentário que já tinha deixado, ainda vou ver indivíduos a correrem atrás destes veículos assassínos ao invés de fugirem dos mesmos só para conseguirem um ferimento e poderem partilhar a experiência nas redes sociais! Até acho que acabei de descobrir a fórmula para acabar com o terrorismo, deixem-me fazer o meu personal branding, vulgo, gabarolice pessoal! Imaginem um terrorista a dizer a outro: "aí não, está muita gente com smartphones ainda activam a bomba antes de nós só para tirarem uma selfie, vamos para aquela esquina que não está lá ninguém, isso é que vai ser uma explosão".

 

Existem sempre aqueles que, não estando no local, querem tomar parte na tragédia, mesmo que estejam bem longe e só, mais uma vez, se apercebam que aconteceu algo porque viram na televisão ou alguém lhes disse... Se a polícia não fecha logo a área, não vão faltar indivíduos a tentar que os rostos fiquem com marcas de pneu ou poeira que adveio de uma eventual explosão. Antigamente eram os "mirones" e os "fiscais", hoje já temos uma postura mais interactiva e não nos basta olhar, há que tomar parte na tragédia e dizer isso ao mundo. Também podemos sempre ir ajudar mas não dar um passo sem registar o momento para mais tarde "partilhar".

 

Outro pormenor está relacionada com o o facto do coro dos testemunhos e solidariedade vir sempre de locais fantásticos e com classe, mas quando em outros locais do planeta rebentam corpos todos os dias ninguém parece muito preocupado em partilhar. Também não existe muita paciência para aqueles que se martirizam mais que as próprias vítimas com o típico discurso do "estou tão mal, poderia lá estar". Eu também poderia ter estado em Nagasaki ou até há mais tempo a fazer festas a um T-Rex mesmo antes de cair um asteróide na terra. Afinal chegamos à conclusão que não estamos solidários, estamos é cheios de medo e angústia porque poderia ter acontecido connosco. Meus amigos, isso não se chama solidariedade, chama-se "umbiguismo".

 

Estamos na Era em que primeiro se comenta e se tem uma opinião e depois se lê, vê ou ouve a notícia... É que enquanto reunimos dados para fundamentar uma opinião estamos a perder minutos preciosos e a deixar que as hashtags dos outros ganhem terreno. E não, vocês não são assim tão importantes, meus caros. 

 

Desejem é que nunca tenham de ouvir o som da guerra ao vosso lado bem como sentir o cheiro a morte... Se desejarem tanto isso, experimentem se tiverem coragem fora da cadeira ou do sofá e voltem para contar a história - talvez voltem, mas nem queiram falar disso... O silvo de uma explosão é das coisas que nunca mais se esquecem...

 

Finalmente uma nota: Sr. Presidente e Sr. Primeiro Ministro, existiu em tempos um estadista, ministro do reino que, perante a inércia do seu rei, disse: "é preciso enterrar os mortos e cuidar dos vivos" (há quem diga que foi o Marquês da Alorna ao invés do Marquês de Pombal). De facto, chorar os mortos traz votos e popularidade e sempre dá para mais uns minutos na televisão. O trabalho não dá e cuidar dos vivos muito menos... Mas consigo compreender, naquela época não era preciso enganar ninguém para conquistar votos porque o poder estava assegurado ao contrário do que sucede hoje em dia, que a sensação de poder é a mesma, mas é preciso ir atirando pão para a praça.  

 

Espero também que a preocupação de Vossas Excelências com o terrorismo não seja somente numa lógica externa, pois ver dois estadistas a tomar café nas ruas de Barcelona tentando fazer passar uma falsa consternação com os acontecimentos lá fora, enquanto vão permitindo que o terrorismo mantenha o próprio país em chamas é, no mínimo, caricato. Chamar a atenção em Barcelona foi das melhores hashtags que já vi. Citando alguém que não foi, mas lutou por ser estadista: se fosse comigo, "obviamente demitia-os" por traição à pátria. Para um de vós, esta expressão já não é nova, apesar de ninguém ousar falar de como era a vida do próprio antes de 1974.

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