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A Fuga em Massa...

por Robinson Kanes, em 25.02.19

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Créditos: https://www.ceskatelevize.cz/porady/1108935721-cesky-sen/

 

E se alguém dissesse que nas próximas semanas seriam desenhadas políticas efectivas (e eficientes) de combate à corrupção em Portugal?

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E se o beijo fosse hoje?

por Robinson Kanes, em 20.02.19

kiss3.jpgCréditos: https://nypost.com/2012/06/17/the-true-story-behind-the-iconic-v-j-day-sailor-and-nurse-smooch/

 

Anda nas bocas do mundo a morte de George Mendonsa... O marinheiro que protagonizou, com Zimmer Friedman a imagem acima.

 

A fotografia é um dos marcos da história contemporânea mas... E se fosse hoje? Se hoje, aquele marinheiro, no meio da avenida, se agarrasse a uma desconhecida e lhe "espetasse" um beijo?

 

Imaginem também que a fotografia vinha parar às redes sociais!

 

Por certo, já estaria ser condenado por assédio sexual!

 

 

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Créditos: https://desporto.sapo.pt/modalidades/motores/artigos/africa-eco-race-elisabete-jacinto-vence-etapa-e-mantem-lideranca

 

Elisabete Jacinto é alguém que, com a companhia do marido, tem levado Portugal pelo mundo ao volante do seu camião. Elisabete Jacinto é alguém que chegou a ser alvo de muitas brincadeiras porque andava sempre pelo "Rally Dakar" com o patrocínio do "Trifene 200" e acabava sempre enterrada nas dunas e nem as provas terminava. Elisabete Jacinto é alguém que agora ganhou o "Africa Eco Race", a prova sucessora do Dakar!

 

O que Elisabete Jacinto não é? Não é jogadora de futebol, e mesmo que o fosse não era por aí, pois nesta moda da discussão das questões de género o futebol (como sempre) passa ao lado. Elisabete Jacinto também não investe em popularidade, prefere juntar o que ganha para procurar patrocínios e ir arranjando o seu camião. Foi talvez por isso que Elisabete Jacinto não recebeu um telefonema de Marcelo Rebelo de Sousa - talvez porque ninguém dos media lá estivesse. Talvez porque, uma mulher ao volante de um camião tenha feito aquilo que nenhum homem português fez até hoje! Talvez porque uma mulher ao volante de um camião, que humildemente até diz que gosta de de dar entrevistas - enquanto outros chamam os jornalistas e queixam-se de que é um enfando tal as solicitações que dizem ter - não é assim tão popular.

 

Não é tão popular que nem foi utilizada como bandeira pela metralhada da questão de género! Talvez porque se esteja a borrifar para isso, talvez porque o "hype" para aquelas bandas não traga visibilidade a ninguém, e portanto, não interesse exaltar a conquista de outrem se a "mim" não me traz popularidade.

 

Mas talvez seja melhor assim! Numa época em que as nulidades são exaltadas todos os dias, talvez seja bom passar ao lado de todo esse ruído - é cada vez mais o sinal de que os bons não precisam de chinfrim!

 

Parabéns Elisabete! Parabéns de quem, honestamente, nunca acreditou que chegarias onde chegaste! Talvez por isso, o orgulho em ti ainda seja maior! 

 

 

 

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Sobre "Vacation Shaming"...

por Robinson Kanes, em 18.02.19

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Créditos: https://www.businessinsider.com/vacation-shaming-millennials-2017-8/?IR=T

 

Recentemente fui confrontado com um artigo sobre a temática do "Vacation Shaming". No fundo, em bom português, uma espécie de "Vergonha por ir de férias". Imediatamente me revi em alguns ambientes onde já trabalhei e em outros que vou tomando conhecimento por intermédio de algumas conversas que vou tendo.

 

O "Vacation Shaming" é uma espécie de pressing no sentido de fazer com que um colaborador (ou até um colega) se sintam mal pelo simples facto de tirarem uns dias para descansar. Não são raros os casos de trabalhadores que são pressionados no sentido de não tirarem férias ou de não gozarem determinadas folgas. Também não são raros os casos em que a ausência durante uns dias permite que os colegas de trabalho possam ter terreno livre para perpetrar actos menos éticos contra quem não está. Neste âmbito, até vamos ao encontro daquilo que defendo, o mal raramente está em quem manda, está mais nos colegas.

 

Tudo isto pode transformar as férias num tempo onde os níveis de stress durante e após o período das mesmas ultrapassam o limite do razoável. Num dos artigos que consultei, é possível aferir de um desses exemplos pela mão de um dos mais conhecidos colunistas da Forbes, Victor Lipman. Num outro artigo, ficamos a perceber que muitas destas situações ocorrem em organizações que prometem um ambiente descontraído e onde o "tirar uns dias" é prática comum - no entanto, a realidade tende a ser bem diferente, e no caso dos Estados Unidos também está relacionado com outras questões, nomeadamente  legislação relativa a férias.

 

Todavia, a questão fundamental passa pela pressão e pelo stress que pode causar o "vacation shaming", sobretudo em culturas empresariais (e até culturais) onde o presentismo - perdoem não utilizar o termo mais aceite "presenteísmo" que julgo ser menos válido - e a avaliação pelo tempo no trabalho têm mais peso que a produtividade. 

 

Mais do que organizar os processos tendo em vista o aumento da produtividade, em algumas organizações (não sublinho somente as empresas, casos destes são imensos na área social e da solidariedade) parece ser mais fácil praticar a cultura do caos instalado, do presentismo e do micromanagement. Em relação à primeira, percebo que muitas chefias instem ao caos pois "tornam-se" indispensáveis, sobretudo quando já estão nas organizações há muitos anos. O segundo  e terceiros casos, acredito que seja mesmo cultural, numa quase aproximação a um conceito muito utilizado em Espanha, o "negrero".

 

Se efectivamente temos muitos colaboradores que são desleixados, podemos, com estas práticas, estar a promover um clima ainda maior de desleixo, e na maioria das situações, a deixar escapar os nossos melhores talentos.

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Os Amigos são para as Ocasiões...

por Robinson Kanes, em 04.02.19

 

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Imagem: https://tribunaexpresso.pt/um-azar-do-kralj/2018-06-28-Ronaldo-a-presidente--E-bem-capaz-de-resultar

 

Os amigos são para as ocasiões e não é só Rui Rio que se lembra disso quando se trata de defender os seus, mesmo quando cospem nos votos de todos os cidadãos e simulam presenças na Assembleia da República. Mas a política, mais do que sentido de dever, é uma praça de amizades, sobretudo quando também envolve futebol, e, desta vez foi o intocável património nacional (futebol) que saiu impune de mais uma vergonha para qualquer cidadão nacional.

 

A recente atitude de não retirar as condecorações a Cristiano Ronaldo demonstrou - mais uma vez - o poder do futebol em Portugal. O que o Presidente da República quis dizer ao não retirar as condecorações a um criminoso que fugiu aos impostos e até foi condenado a pena de prisão, foi que, desde que o assunto seja futebol, mexa com populismos e votos, tudo é permitido. Também Marcelo cuspiu em todos os portugueses que pagam os seus impostos e não gozam uma vida melhor porque continuam a alimentar instituições que tudo absorvem e viagens a roçar o privado de algumas altas entidades do Estado. Depois da amnistia a um padre que era tido como um ser repugnante e por isso foi condenado, já tudo se espera - afinal, também Marcelo tem de pagar os seus favores, sobretudo à santa Igreja que é um dos pilares da sua popularidade na trilogia, assistencialismo, media e religião. Pelo menos para mim, maior criminoso que o próprio, é aquele que conhece o crime, assiste ao crime e o legitima!

 

Mas deixemos Marcelo e pensemos na forma como toleramos isto: temos em Portugal um jogador de futebol (e toda uma instituição futebolística) que goza de total impunidade, aliás, a clubes e jogadores os portugueses tudo perdoam e tudo dão mas são os primeiros a julgar na praça pública aquele que roubou um quilo de laranjas para alimentar a família. Que cidadania completamente inebriada é esta que se vende desta forma tão... fácil? Que cidadania é esta que pede a cabeça de um bando de desocupados (E até os acusa de terrorismo...) que invade uma academia de futebol mas permite que o terrorismo diária afunde o país num buraco sem fundo?

 

José Sócrates, Zeinal Bava e outros perderam as condecorações da República, os intocáveis que afinal não são mais intocáveis que um jogador de futebol... Andamos de facto inebriados, resta saber até quando, porque não hesitamos em ameaçar e aplaudir a prisão de quem pede uma revisão dos impostos ns combustíveis e na forma como é administrado o Estado mas batemos palmas aos criminosos que, muito provavelmente, sustentam a nossa popularidade. E quando assim é, por norma, as coisas não acabam bem... Pelo menos em países onde o povo ainda pensa e deseja um futuro melhor e não uma embriaguez imediata...

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Jamaica Beat...

por Robinson Kanes, em 24.01.19

1323428.jpgImagem: www.publico.pt

 

Lisboa e arredores puderam, nos últimos dias, ter uma amostra do que é viver em Kingston e até no resto da verdadeira Jamaica: os portugueses acordaram para o facto de, embora a uma pequena escala, se conseguir em horas mobilizar centenas de indivíduos de bairros algo distantes entre si tendo em vista a prática de crimes violentos. Os barris de pólvora por cá também existem e paióis abertos a todos não existem apenas em Tancos.

 

Os portugueses também ficaram a saber que um ataque contra uma academia de futebol é terrorismo mas o ataque a polícias e o incitamente à violência contra as forças de defesa do Estado por parte de indivíduos desocupados, partidos/ajuntamentos políticos (alguns até suportam o actual Governo) e associações "pacíficas" é apenas um delito menor. Como frisam o Presidente da República e o Ministro da Administração Interna, o povo português é sereno... Sereno como se pudesse aceitar tudo e mais alguma coisa, desde que não seja o futebol, tudo é permitido e... Sereno.

 

Quem está à frente de associações como a SOS Racismo e de partidos políticos como o Bloco de Esquerda, entre outros, tem de ter cautela com o que publica e com o que diz, caso contrário, faz-nos pensar se a diferença entre fascimo, populismo, comunismo e uma certa extrema esquerda não é de facto uma semelhança. O ataque gratuito às forças políciais tem sido uma constante, isto talvez porque muitos partidos políticos não tenham a sua própria força policial, uma espécie de Stasi ou Milítsia. Também fico algo pensativo quando escuto o discurso de que todos os extremos são maus, no entanto, alguns ditos moderados começam a assumir um papel demasiado extremista...

 

Também é de estranhar que num país democrático, manifestações como as dos "coletes amarelos" sejam vistas como acontecimentos fascistas e populistas e este tipo de actos seja encarado como algo isolado e que não merecem tanta atenção. Se por um lado temos manifestações com um intuito claro de lutar contra um certo estado de coisas que nem sempre é o melhor, por outro temos violência gratuita. Mais grave é quando o mencionado Presidente da República, já em campanha eleitoral, adquire também a atitude de repudiar os primeiros e aceitar como normal os segundos. 

Também pergunto onde andavam os telemóveis dos membros de partidos do Partido Comunista e o Bloco quando a Polícia carrega sobre aqueles que defendem um país mais justo e menos corrupto? 

 

Mais uma vez, a polícia, em Portugal é um alvo a abater por determinados quadrantes políticos e sociais, a mesma polícia que nem sempre pode executar as suas funções porque presta serviço a esses mesmo quadrantes e aos "ópios" do povo - no entanto, pode ser que um dia a polícia seja tão pacífica e tão neutra que não actue sob pena de ser acusada de violência. Afinal, como refere  dirigente da SOS Racismo e assesor do Bloco de Esquerda, a Polícia é uma bosta... Que chatice zelar pelo bem público... A Polícia, essa sim, parece ser cada vez mais deixada à mercê de uma certa bandidagem e altamente solicitada quando alguém decide dizer que esta Democracia já teve (se é que alguma vez teve) dias melhores.

 

Cabe também apurar responsabilidades em termos sociais - afinal, que têm feito as instituições estatais, autárquicas e sociais no sentido de empoderar muitos dos habitantes destes bairros para que arranjem um emprego (muitos já o têm e são cidadãos exemplares) e possam comprar/arrendar as suas casas e assim acabar com estes guetos? Continua a preferir-se o assistencialismo e as recolhas dos bancos alimentares com direito a câmeras de televisão, permitindo assim que a taxa de empowerment seja maior - até porque cidadãos com mais empowerment questionam o status quo e exigem mais da política, algo mais que subsídios, exigem uma política séria.

 

No entanto, para mal de muitos, Portugal é um país que ainda respeita os seus polícias e não será uma minoria com assento parlamentar e uma ou outra instituição que conseguirá abalar este sentimento. Entretanto, os dias de violência continuam e o povo está sereno, isto até um polícia agredir um hooligan num estádio de futebol, aí é que vamos ter a revolta nacional ou bando de desocupados invadir um centro de treinos. 

 

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Ghent, Gand, Gent... Não Interessa o Nome!

por Robinson Kanes, em 23.01.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Deixemos Bruges e façamos cerca de 50 quilómetros até outra cidade, menos divulgada mas, em meu entender, ainda mais agradável que a anterior. Falo de Gent, uma daquelas cidades que é tão bonita de inverno como de Verão - apesar de tudo, o calor faz das suas e as áreas junto ao rio enchem-se de habitantes que o aproveitam para apreciar uma cerveja ou uma outra qualquer bebida. Já conheci a Gent mais escura e a Gent mais soalheira, ambas não desiludem.

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Uma das formas mais surpreendentes de iniciar uma visita à cidade é começar pelas imediações - seguir o rio até ao centro é uma das mais belas surpresas que se podem ter, um pouco como já senti em Aachen (mas sem o rio). Chegar à noite e entrar madrugada adentro na Abacho 2K18 é também uma boa opção - ABACHO 2K18, a discoteca silenciosa! Bem... Não é silenciosa, somos é convidados a utilizar headphones onde podemos escolher a música que queremos ouvir e assim personalizar a mesma! Demasiado individualista? Nem por isso, os headphones adquirem diferentes cores consoante o canal que se ouve, ou seja, conseguimos saber quem é que está a ouvir a mesma música que nós! Devo dizer que ao início estranha-se mas depois é uma experiência daquelas...

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Começar o dia em Gent é simples... Nada como conhecer o centro da cidade logo pelo Graslei e pelo Korenlei, as duas margens do rio. Dá para voltar atrás no tempo e imaginar a azáfama típica do comércio na Flandres, um pouco aquela sensação que também temos em Amesterdão, por exemplo. As fachadas são tipicamente flamengas e o movimento de gente nas ruas, contrastando com o resto da cidade, dá uma ajuda. Confesso que as viagens de barco ao longo do rio se dispensam, aqui o caminho a pé é, sem dúvida, a melhor opção! Se tiverem em conta que no século XII a cidade banhada pelo "Leie/Lys" era só a quarta maior cidade da Europa, também vão ter uma grande surpresa.

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Gent é também conhecida pelo Belfry, Património da Humanidade, e que encerra o dragão que zela pela vigilância não só da torre mas também da cidade! Escutar o seu carrilhão é também algo singular, bem como a escalada ao topo, todavia, gosto de ver a cidade de Gent com a sua fila de três torres, algo que não posso assistir se subir ao Belfry.

Continuando pelo património histórico, nada como passar pela Sint-Baafskathedraal (Catedral de São Bavão), o exemplo da rebeldia de Gent porque, ao longo da história, foi sofrendo diferentes intervenções, um pouco de acordo com as tendências e desejos da época, no entanto... A grande mais-valia deste espaço, como não poderia deixar de ser é a tela da "Adoração do Cordeiro Místico" de Jan Van Eyck! Quase que Gent merece uma visita só por esta obra! Seguindo a rota pelos templos católicos, não podemos esquecer a igreja de "Sint-Niklaaskerk/São Nicolau" um exemplo de gótico e com uma torre bastante peculiar, nomeadamente na sua localização em relação à planta do edifício.

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E porque o tempo escasseia, a pressa não nos deve deixar perder o Castelo de Gravensteen, mandado construir por Filipe da Alsácia e que além de ser conhecido pela sua história de horror e tortura foi também um símbolo de poder sendo hoje um local de espectáculos e festividades! Aliás, a celebração de casamentos naquele espaço é comum.

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E despedimo-nos já de Gent? Nem por isso... Apesar da comida não ser a melhor (ainda hoje me faz confusão como é que se pode gostar tanto de batatas fritas - se fosse só em Gent) existem outros atrativos e um deles é um espaço menos divulgado e por isso menos conhecido mas que merece indubitavelmente uma visita: o Museu Dr. Guislain. Um pioneiro psiquiatra, nascido em Gent, com uma abordagem muito diferenciadora acerca das doenças mentais e que fundou este asilo numa lógica de acolher todos aqueles que precisavam de apoio - isto numa época (século XIX) em que as doenças mentais ainda eram olhadas (quando o eram) como obra do diabo. Agora...

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...Peguem numa bicicleta e percorram a cidade! Se tiverem companhia, não se esqueçam de parar na ponte de São Miguel e dar um daqueles beijos apaixonados, apoiados, cada um, nas vossas bicicletas - quando lá chegarem vão perceber...

 

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Noite de Facas Longas...

por Robinson Kanes, em 26.11.18

IMG_2296.jpgJudite decapitando Holofernes, Caravaggio -Gallerie Degli Uffizi

Imagem: Robinson Kanes

 

Existe uma coisa em política que me coloca sempre a pensar em como a pescadinha de rabo na boca é mesmo uma realidade e não há forma de, muitas vezes, cortar de vez às postas um enrolar hipócrita e prejudicial, inclusive para a Democracia.

 

Vejamos... Um dos maiores discursos dos indivíduos de esquerda, sobretudo daqueles mais adeptos da causa e que chamam (democraticamente) fascita a qualquer um que tenha uma ideia diferente da sua, é a de que alguém domina e controla tudo, de que o capitalismo nefasto subjuga as pessoas e transforma as mesmas em objectos, que as elites todos os dias encenam mais um acto da famosa "noite das facas longas". Este discurso de cassete, repetido décadas e décadas, tende até a enganar alguns mais incautos, todavia...

 

É estranho como estes arautos da liberdade, da ética e dos valores, muitas vezes, são alimentados pelo mesmo sistema que criticam, pelo sistema que lhes permite viver uma vida tranquila e até bem coroada em termos monetários. Uma espécie de sistema, grande maioria das vezes público, que ao alimentar tais faustosas vidas, ainda permite que, democraticamente, possam exprimir os mais absolutos disparates - não me refiro somente a Mário Nogueira, Francisco Louçã, Catarina Martins e tantos e tantos outros que podemos citar.

 

Também nos faz pensar no facto de, quando no poder, este tipo de indivíduos e clãs, rapidamente esquecer os problemas que antes apontavam. Se existiam impostos altos, na boca dos mesmos, terão deixado de existir, se existiam desigualdades, rapidamente deixaram de existir... O importante passa sobretudo por manter um discurso próximo de uma maioria que vota e que está ligada ao funcionalismo público. Afinal, uma coisa são meia-dúzia de estivadores, já outra são quadros técnicos do Estado. Alimentar os pobres não lhes dando, contudo, empowerment é também um forma de manter uma larga camada de população que vê nestes discursos a tábua de salvação.

 

Quando têm a mínima sensação de poder, é vê-los (democraticamente) a exercer uma espécie de "noite das facas longas" mas com outro nome, é que a denominação anterior puxa muito ao fascismo e ninguém quer comparar conceitos, mesmo que na prática as coisas sejam pouco diferentes. Essa mínima sensação de poder, faz com que estes indivíduos se comportem de pior forma que um capitalista e acumulem riqueza, nem sempre porque investiram mas porque o poder lhes dá - uma espécie de transformação de "filhos da sopeira" que de repente passam a senhores do feudo - por norma, quando isso acontece com pouco esforço ou preparação, o resultado é catastrófico.

 

Soa a discurso elitista de facto, mas a realidade não distingue discursos. Afinal, já Platão havia dito em a "República", que é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". É do cúmulo da liberdade, conceito repetido até à exasutão por estes indivíduos, que (democraticamente) se alimentam muitos tiranos com capa de bom samaritano.

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A Derrocada...

por Robinson Kanes, em 20.11.18

IMG_3902.JPGMonument aux Bourgeois de Calais: Andrieu D'Andres Monumental, Auguste Rodin - Musée Rodin

Imagem: Robinson Kanes

 

Era um homem quando vi Portugal inteiro a arder e os erros a somarem-se uns atrás dos outros. Vi o país a arder de norte a sul e a incompetência a grassar por todas as entidades, desde responsáveis pelos bombeiros, passando pela protecção civil até às figuras máximas da política nacional que não hesitaram um momento na altura de se colocarem como salvadores da pátria. Uma Ministra e um Secretário de Estado que se demitiram e um sem número de responsáveis ainda sem sentirem o peso da Justiça. Hoje, ainda muitos não percebem o que aconteceu aos seus familiares. Dizia-se nunca mais...

 

Desse ano fatídico, não passaram uns meses para que num Outubro, com os mesmos incompetentes a comandar, o fogo voltasse a matar um assustador número de portugueses abandonados às chamas no interior do país. Depois de Pedrogão, o fogo alastrou por todo o centro do país e ainda queimou uma das nossas jóias da coroa, o Pinhal de Leiria. Os do costume... Escaparam impunes e muitos deles andaram a plantar "pinheirinhos" para as cameras de televisão com o sorriso cínico de quem pensa mais no poder do que naqueles que os sustentam. Dizia-se nunca mais...

 

O ano passado, ardeu a Serra de Monchique num fogo que, estranhamente, durou dias e dias e foi um dos maiores de sempre na Europa! Os mesmos responsáveis, os mesmos erros, menos mediatismo (pois não morreu ninguém, como se isso fosse o suficiente para desculpabilizar este tipo de (in)acção). As mesmas fotos, os suspeitos do costume e dizia-se nunca mais... Não existiram salvadores da pátria, não houve mortos nem famílias desses mortos a chorar nos ombros sofrendo a humilhação de políticos inúteis.

 

Recuando no tempo, era um miúdo quando vi cair a ponte de Entre-os Rios e já era um adolescente quando li os versos que estão junto aquele austero anjo que nos corta a respiração, sobretudo quando temos presentes as imagens que deixaram de boca aberta toda uma geração. Um ministro - que não pode saber tudo - que se demitiu, culpados que, convenhamos, escaparam à justiça e um sem número de famílias que ainda hoje desconhece o paradeiro dos seus familiares. Dizia-se nunca mais...

 

Esta semana, não foi uma ponte que ruiu mas uma estrada e os do costume lá estão... O mesmo discurso, a mesma conversa, a mesma impunidade e, como disse e bem, embora a propósito de outro tema, a nossa Ministra da Cultura, "as polémicas hoje duram uma semana". Duram uma semana, amanhã ninguém se lembra. Temos os opinadores que só opinam e nada fazem, nada exigem e só procuram palco e pouca justiça.... E diz-se nunca mais...

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Do Porto a Cagliari!...

por Robinson Kanes, em 18.11.18

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Imagem: Robinson Kanes

"Sem dar por ela", eis que nos últimos dias me vi no voo inaugural Porto - Cagliari... A Ryanair a fazer das suas, lá me ofereceu simpaticamente um bolo de cenoura e laranja (óptimo, por sinal) e um sumo - e não pagámos! Também nos ofereceu um simpático acolhimento no aeroporto e uma  descontraída tripulação - muito bem disposta - o que permitiu que muitos ficassem calmos face à turbulência causada pelas  tempestades que têm fustigado Itália! Não viajei apertado e não paguei mais por isso também, o mesmo aconteceu com o voo Lisboa - Porto com a mesma companhia.

 

De todas as vezes que tenho viajado com esta companhia, se tenho algo a apontar é a falta de qualidade de alguns passageiros! Afinal, também não fica mal dizer bem da Ryanair, quando todos parecem sempre andar à procura do mais pequeno percalço para criticar esta companhia. Em muitos casos já superou os voos que fiz com algumas companhias de bandeira. Aliás, voltarei para "dizer mal" da Ryanair mas tal será devido à existência de algumas almas que se julgam acima das outras e não sabem a diferença entre bagagem de mão e bagagem de porão, ou então, entre viajar "à borla" ou pagar taxas obrigatórias de bagagem.

 

Foi um momento "mete-nojo" do género estou na Sardenha, mas afinal... Também é daqueles locais que ficamos sempre com vontade de regressar! 

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