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8666655_orig.jpgCréditos: https://jaypgreene.com/2016/06/28/ed-reform-is-animal-farm/

 

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar estra contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado. Em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do mobbing, do ódio social.

Konrad Lorenz, in "Los ocho Pecados Mortales de la Humanidad Civilizada"

 

Nos últimos dias tenho andado alheado da realidade nacional como um todo. O trabalho tem-me consumido e o pouco tempo disponível, admito, é dedicado a quem está perto, ou melhor, àqueles que, por segurança podem estar perto - os outros ainda esperam. 


No entanto, ontem, vésperas de 1 de Maio, em plena Praça da Figueira, ao avistar uma viatura de matrícula recente e com megafones montados, pensei ser mais um daqueles avisos a enviar as pessoas para casa. Poderia ser, mas não era, era uma viatura nova a enaltecer uma central sindical, a CGTP, e a convidar à participação (em plena rua) na manifestação do 1º de Maio. A crise automóvel fica mais atenuada com as compras sindicais...


Com o país, aliás, com o mundo fechado há meses, com a quase proibição de estarmos perto de quem amamos, dos nossos familiares, dos nossos amigos, dos nossos empregos, das nossas segundas casas, dos nossos espaços, inclusive com limitações à liberdade de circulação que fariam corar de vergonha um Mussolini ( quem não apanhar esta última, pode perguntar ao nosso Presidente da República, simpatizante da causa quando os tempos eram outros) abrimos mão de tudo isso para que um conjunto de indivíduos, que de democrático parece ter pouco, possa fazer algo de máximo interesse e inadiável - defender uma ideologia. Aliás, nos ultimos tempos tenho percebido que, aqueles que mais apregoam liberdade e direitos são so que no segundo seguinte ao discurso decorado fazem exactamente o seu contrário. Mas é preciso desfilar e espalhar a ideologia bacoca, em que poucos acreditam e querem acreditar, mas que continua a minar as decisões de um país! Fechamos a economia, mas permitimos manifestações que de novo nada trazem! 


É verdade que os sindicatos e a aceitação destes é boa para o voto governativo e presidencial, além de que, muitos deles, acabam sempre por defender diretos (deveres, poucos) de classes profissionais que já são das mais privilegiadas. Dá sempre jeito defender os que vivem do Estado, para o Estado, da sombra do Estado e deixar que uma maioria viva num ambiente patético, sem esquecer os pobrezinhos - esses também são importantes para a foto e para alimentar alguns impérios que incluem misericórdias, bancos alimentares e tantas outras IPSS. Distribuir comida em tempos como os de hoje, de fato e gravata e ainda participar numa selfie, nem Tarantino faria melhor!


Hoje, muitas bestas ficarão em casa retidos, nem do seu concelho de residência poderão sair, em último caso arriscam mesmo a detenção e para quê? Para que as bestas que andam sempre com o conceito de liberdade na boca, possam sair à rua! Honestamente, um povo com um pingo de cidadania, hoje poderia sair à rua, ir para as praias e para os cafés, viver como se nada tivesse acontecido. Esse povo, apesar do dispartate que estaria fazer, mostrava, pelo menos, que de palhaço teria pouco... Mesmo que, em alguns casos, tal significasse sacrificar uma certa estabilidade paternalista com tentáculos familiares, sociais, profissionais e partidários.

 

Fechamos a economia, ignoramos os verdadeiros especialistas e fazemos reuniões semanais com meros académicos e boys partidários de forma a corroborarem a decisão política, abalamos os laços sociais, fechamos o mundo como o conhecemos. Todavia, manifestações que cedem a estranhas pressões de um poder político e social bafiento podem ter lugar - de facto, já estamos habituados a que nos cuspam, mas... Fechamos um país e impomos, em alguns casos, estranhas regras que um povo inteiro questiona e nem sequer é ouvido, ignoramos os verdadeiros especialistas, mas deixemos que uns possam sair à rua para defender ideologias políticas e fechamos os outros em casa, normalmente aqueles que pagam as mordomias dos que nas ruas desfilam.


É razão para citar Orwell e chegar à conclusão que "todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros".

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Hoje é Dia de Sardinhada...

por Robinson Kanes, em 28.04.20

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Créditos: www.observador.pt

 

E hoje é terça-feira, dia de sardinhada onde nos mudamos para outras paragens.

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Talvez Volver...

por Robinson Kanes, em 27.04.20

IMG_20190105_193110-2.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

La mayoría de los hombres non tienen destino.

Manuel Vilas, in "Ordesa"

 

Talvez porque sim... Talvez porque, mais uma vez, já sinta tanto a tua falta... Talvez porque um dia possa ser, finalmente, em definitivo! Talvez porque nem a mais perigosa das pestes conseguirá esvaziar as tuas ruas, os teus becos e bares do ruído e da presença daqueles que não trocam a rua nem o constante empurrar e conversas perdidas em alta voz enquanto se escuta "las cosas pequeñitas".

 

Não,  "La Latina" nunca conseguirá sobreviver sem os gritos, os risos, as tapas e as cervejas que a enchem de Segunda-Feira a Domingo, até porque, naquelas ruas, não existe nem Lunes nem Viernes, nem Sabado nem Domingo. Talvez porque a fronteira um destes dias abrirá e entre o "Espanol" e o "La Zarzuela", lá estaremos para tomar aquele tão apetecível anti-depressivo que tão bem nos faz... 

 

Talvez porque nos faz falta a aridez da Extremadura, de La Mancha e da Comunidad, sem esquecer o acolhimento que sempre nos proporcionas... Mesmo que a altas horas na "La Segunda Base" entre a Mauricio Legendre e a Augustin Foxá, já perto de Chamartín e onde debaixo daquelas arcadas, a animação é uma constante e não nos faz sentir a falta da loucura das Cortes.

 

Talvez por isso, volveremos cuanto antes...

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Ondem andam os milhões do turismo?

por Robinson Kanes, em 24.04.20

euro_45790700_12940600.jpgCréditos: https://en.publika.md/2016-ends-with-investments-of-tens-of-millions-euro-for-economy-relaunchment_2632517.html

 

Ao longo dos últimos anos, não terá passado ao lado de ninguém, o fabuloso mundo do turismo em Portugal. Todos nós vimos serem anunciados milhões e milhões de apoios ao turismo por parte dos diferentes Governos e sobretudo pela anterior Secretária de Estado que tanto explorou a sua imagem que ficámos a pensar se o turismo em Portugal era só a pessoa de Ana Mendes Godinho - afinal, com o dinheiro dos outros. A verdade é que resultou e a catapulta para Ministra do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social fez-se notar.

 

Anunciaram-se financiamentos de milhões ao mesmo tempo que se apresentavam os números do turismo, havia que investir na galinha dos ovos de ouro, mesmo que mais de metade dos turistas fosse o tão conhecido "pé de chinelo". No entanto, uma das coisas que se aprende logo no primeiro ano de uma licenciatura na área, em Introdução ao Turismo ou em Economia do Turismo, é que esta indústria é a mais vulnerável em períodos de crise. Entendo que tal seja esquecido, afinal os primeiros anos na universidade servem é para a malta andar nos copos. 

 

Com tamanho encaixe financeiro, com uma economia a apostar tão forte neste tipo de serviços, com a gabarolice de que o revenue per available room (RevPar) estava mais alto que nunca, de que os milhões não paravam de entrar em hotéis, restaurantes, eventos e alojamento local, de um regresso de uma certa sobranceria de certos actores, acabamos, numa vastidão de casos, ainda no primeiro mês de vírus com o caos montado - ainda o vírus tentava sair da China e já alguns negócios abriam falência ou iniciavam o discurso habitual do colapso imediato. A minha questão é simples: onde estão os milhões do turismo? Onde está o return on investement (ROI) ou, pelo menos, uma clara demonstração do destino desses valores?

 

Portugal pode-se orgulhar de ter uma boa oferta turística, mas não se pode gabar de pagar os melhores salários nessa área. Portanto, não terá sido aí que todos esses milhões desapareceram. A destruição do valor da profissão (e dos salários) que culminou com a crise de 2008, não voltou à ao glamour da profissão em tempos anteriores, embora reconheça que muitas correcções eram necessárias. Uma nota: não eram poucos os hotéis, pelo menos em Lisboa, cujas máfias de trabalhadores imperavam, e isso foi/é importante limpar.

 

Mas volto à questão, onde estão os milhões do turismo? Gastámos esses milhões todos a comprar prémios para dizerem que nosso turismo era o número 1? São os próprios agentes do turismo, os que têm coragem, que o dizem... Um deles é o inesperado André Jordan.

 

E os planos de contingência? Será que à boa maneira portuguesa ignorámos estes mesmos planos? Porque é que não nos preparámos para crises? Porque é que só alguns autores estavam preparados, os mesmos que encerrando serviços têm investido na manutenção, não despediram e ao invés de andarem a apanhar cacos já andam a pensar em 2021. Estes, sobretudo na hotelaria, foram também aqueles que conseguiram antever o colapso de operadoras como a Booking.com e outras ,e que deixaram os seus clientes sem apoio, e encetaram um sem número de contactos no sentido de apoiar os seus hóspedes, antecipando riscos, encontrando soluções e não deixando para o período crítico problemas com os quais ninguém quer ter com que se preocupar quando a questão é a saúde.

 

Quer para o turismo e quer para todas as outras áreas, são necessário muitos novos actores e a reconversão de tantos outros sem esquecer a retenção dos melhores. Vai ser preciso resistir ao show off; às maçonarias de profissionais de determinadas áreas e apostar em gestores/colaboradores com uma visão de futuro, um futuro imprevisível, que obriga a decisões dificeis e a uma clara visão de longo-prazo e não de dias ou semanas.

 

O futuro será de altos e baixos, e só aqueles cuja capacidade de antevisão, adaptação e reacção às crises é que poderão acrescentar valor, caso contrário, teremos o caos e o pânico montados de cada vez que acontece algo, isto porque continuamos a ter um plano para a vida do qual não queremos ter desvios. Tuudo isto não vai mudar com horários de trabalho desenfreados, com o discurso do cheio de trabalho e horas não dormidas (muitas vezes com eficiência zero), mas sim com um mindset claro de quais são as prioridades, a estratégia, e mais que nunca, a aposta na sustentabilidade.

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E hoje é dia de Sardinhada...

por Robinson Kanes, em 21.04.20

sardinhas-assadas-com-salada-de-batata-e-pimentos.

Créditos: Teleculinária

 

E hoje é dia de mais uma sardinhada com Corrupção e Direitos Humanos...

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sardinhaSemlata

por Robinson Kanes, em 14.04.20

-files-images-img_5b1cea9dcd73d.jpgCréditos: https://www.algarveprimeiro.com/d/movimento-associativo-juvenil-do-algarve-festeja-satildeo-joatildeo-com-sardinhada-no-ipdj-/21834-1

Hoje é dia de sardinhada...

 

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Um Sável e uma Moretti...

Com uma viagem pelo Líbano e Fuente Ovejuna

por Robinson Kanes, em 11.04.20

IMG_2929 (1).jpg

A felicidade é a capacidade de nos libertarmos da tirania e das emoções negativas. A felicidade não é uma recompensa da virtude: a felicidade é a virtude em si mesma.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

 

A Páscoa... Para um não religioso é o tempo de encontros e acima de tudo um tempo actual para pensar, para se envolver na metáfora do nascimento e da ressureição, e como nos fará tão bem pensar nisto!

 

Todavia, também pode ser tempo de felicidade (em uma ou várias das suas vertentes - porque aqui não é uma palavra de moda e charlatanice mas uma área cientifica). Estaremos assim tão mal enquanto em tantos países do Mundo há muito se morre de fome, guerra e doença?

 

É nesse contexto que por aqui o Robinson volta à cozinha e desta vez com uma bela Açorda de Sável acompanhada com o rei do mês de Março e Abril - e mais houvesse durante o ano. Como sempre, não tenho o hábito de partilhar a receita, não é um espaço culinário. Mas também se bebe, e não é pouco, por isso, nada como acompanhar com uma Moretti para me recordar a bella Italia.

 

E o que é uma açorda de sável sem um bom livro? Desta vez, numa ideia diferente do habitual, vou até à dramaturgia de Lope de Vega, até ao século XVII, com o seu "Fuente Ovejuna". Fuente Ovejuna lo hizo, tantas vezes "ouviremos" ao longo da obra, ondes os fracos triunfam sobre os fortes, mas não sobre os fortes de espírito e que sabem utilizar o poder. Triunfa sim sobre os fortes que nunca sendo fortes não sabem utilizar tal instrumento.

fuente_ovejuna.jpg

Deixo a música de lado, até porque posso repetir-me, afinal escuto "Vetusta Morla" enquanto escrevo, no entanto, para perceber que talvez não possamos estar assim tão mal, deixo uma recordação cinematográfica que retrata mais um episódio das relações entre o Líbano e Israel e os bombardeamentos de 2006. "Sous les bombs", um filme libanês de 2007, realizado por Philippe Aractingi e que nos vai deixar com um nó no estômago, é um facto. E também nos vai deixar a pensar que talvez não estejamos assim tão mal... Afinal não foi a Covid 19 que trouxe o mal à Humanidade, há muito que ele já anda por aí.

Boa Páscoa...

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Entre os Aplausos e o Isolamento Mental...

por Robinson Kanes, em 09.04.20

IMG_20190622_161453.jpgImagem: Robinson Kanes

 

Por certo já alguém deve ter abordado a temática, no entanto, o Coronavirus vai sendo visto de duas formas: por uns como uma guerra e por outros como um romance - ora sendo um caso "novo" para o mundo de hoje, balizamos o mesmo nessas duas margens e talvez nem o estejamos a combater como deveríamos, mas sobre isto, falarão os especialistas (desde que não tenham amigos nos jornais e não sejam o senhor Buescu). Por pouco me esquecia, ainda faltam aqueles que estão à espera que a tempestade passe e vão utilizando as fórmulas gastas do passado.

 

O que me espanta é que na segunda década do século XXI, para se tornar viral e ser notícia como se a lua se tivesse tornado verde e habitável, é preciso aplaudir e reconhecer quem trabalha, ou melhor, parte de quem trabalha. Até hoje, aplaudir todos ainda não era propriamente sinal de criação de conteúdos virais, o melhor é fazerem mesmo uma música, mesmo que copiada de outros artistas - pode ser que acabem num telejornal (basta fazer umas comparações entre uns "artistas" nacionais e um artista internacional).

 

Aplaudir o próximo, e lamento desapontar os românticos, não deveria ser notícia, deveria sim, ser uma coisa banal. Apreciar o trabalho do próximo, reconher esse trabalho e até recompensá-lo terá de ser das coisas mais normais do mundo (embora em alguns casos... Mas a isso voltarei num futuro próximo) e não um mero conteúdo ou prática viral! No caso português, como em outros, aplaudir profissionais de saúde, cantar o hino e colocar bandeiras não deve ser fancy e uma cópia do que já se fez noutras localizações, mas sim uma prática comum. Até porque em países como Itália e Espanha, muitos dos movimentos que vimos foram espôntaneos - quem conhecer bem aqueles dois povos sabe do que falo... Não se tratou somente de uma boa onda. Não se tratou apenas de show off para rede social.

 

O isolamento e o distaciamento sociais vão mudar bastante a nossa forma de estar no futuro, em alguns casos para pior, mas que os aplausos, o reconhecimento e o mérito, mudem para melhor, que seja um hábito, uma banalidade... Uma coisa é certa: teremos cidadãos, empresas e administrações públicas mais bem preparadas para futuras crises, e elas virão. É altura das ideias serem vividas e não se ficarem pelo pensamento, como dizia Malraux, no entanto, isso pode implicar que a prosa macilenta dos arautos da praça seja substituída pela força e empenho dos silenciosos...

 

P.S.: aproveitem e comam umas SardinhaSemLata (O Filipe deve ter bebido umas boas canecas para ter sequer pensado em convidar-me para este espaço...)

 

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De Yazd a Isfahan: Isfahan à noite...

por Robinson Kanes, em 06.04.20

yazd_isfahan_2.jpg

Imagens: Robinson Kanes

 

 

Yazd começa a ficar para trás... O tempo entristeceu-se com a nossa partida, ou talvez por termos trazido quase todos os bolos da cidade, conhecida pela sua pastelaria. No entanto, o fascínio da cidade e das suas gentes continua a ser a sua mais-valia e claro, bem perto, duas reservas naturais bastante interessantes: Kalmand e Dar-e-Anjir.

 

Talvez não perceba, ou não queira perceber, mas o ideal passaria por dar o salto até Isfahan e passar à frente dos quase 350 quilómetros que fazem distar esta metrópole persa de Yazd. Apetece-nos, contudo, percorrer nos nossos pensamentos aquela longa estrada onde durante muitos e muitos quilómetros de alcatrão onde não se vê uma alma ou sequer uma construção. Percorrer o deserto, e este não se faz propriamente de areia, pode ser uma sensação única - sobretudo se não conhecermos o clima e o tempo triste de Yazd não tiver sido uma premonição das duas tempestades de areia que se avizinhavam. Uma mais severa que a outra, mas nada que obrigasse a grandes paragens - ficámos rapidamente a perceber porque é que muitos dos camiões vinham com os "pirilampos" da frente ligados...

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Aproveitamos um check-point dos Guardas da Revolução para descansar... Perguntam-se, por certo, por que raio é que no meio de uma tempestade de areia, duas figuras com ar de cidade decidem percorrer o deserto como se nada se passasse. Terão pensado quão tolas poderiam ser aquelas almas que não tinham noção de que estavam num controlo dos Guardas da Revolução, a temida tropa de elite iraniana. Estranhamente, a despedida foi com sorrisos, como não poderia deixar de ser, sem esquecer as fotografias de Lisboa, mostradas entretanto.

yazd_isfahan_4.png

A chegada a Isfahan dá-se já pela noite... De repente parece que damos connosco no Mediterrâneo. As ruas povoadas de gente e até a relva dos cruzamentos se encontra ocupada por gente sentada em família a conviver e a comer. Isfahan tem o condão de ser talvez, no Irão, a cidade turística por excelência, mas ninguém pode esperar tal movimento nocturno. Pensávamos nós que em Shiraz já tinhamos visto tudo... 

isfahan_3.jpgAntes de jantar, seguimos alguns conselhos e percorremos as margens do Zayandeh com o intuito de sentir o "estranho" movimento de pessoas e também conhecer as suas pontes que, durante a noite, não perdem a animação que nasce logo pela manhã. Somos convidados para nos juntar a muitos daqueles que estão sentados a conviver e a comer, acompanhamos os pequenos grupos que se reunem para cantar e por lá ficamos entre o som da música persa, das águas que não cessam de correr e das gargalhadas e sorrisos que contaminam todo aquele lugar.

c_1.jpgApesar de tudo, ainda temos uma "larica" que nos faz querer encontrar um local para comer... E é aí que atravessamos, um pouco mais distantes do Zayandeh, uma das maiores praças do mundo e também uma das mais belas, a "Praça Naqsh-e Jahan". Mas ela voltaremos... Por ora, respiramos fundo, admiramos toda a sua excelência e ficamos absortos com tão mágico lugar.

iafhn_2.jpgA noite acaba num pequeno restaurante onde a culinária persa, pela mão de uma perna de cordeiro, mostra que, mais uma vez, é algo que levaremos sempre no coração e no paladar.

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Porquê? Ainda sobre as "fake news"...

por Robinson Kanes, em 25.03.20

Fake-News.jpg

Fonte: https://www.americangrit.com/2018/07/25/challenges-wed-like-see-internet/

 

 

Um cérebro pode servir para fins bastante diferentes e a conquista do mundo é mais desejável que a sua ordem.

André Malraux, in "A Tentação do Ocidente".

 

Todos falam de "fake news", é tema corrente, mas à boa portuguesa (e não só) quando é altura de fazer alguma coisa continuam as vozes mas os braços tendem a não aparecer... Ou a serem cortados.

 

Foi preciso um indivíduo português estar em Inglaterra e acompanhar as notícias da sua pátria para denunciar uma das maiores escandaleiras dos media em Portugal. A história da liberdade de imprensa, que agora vai sendo chamada de liberdade de comunicação, vai-nos mostrando que "alguém" continua a ter mais liberdade que os demais. Até quem nos governa tem limites, inclusive num cenário de "Estado de Emergência", já alguns media... Um dia ainda vamos ver uma guerra a ter início por causa de um "jornalista" de trazer por casa se lembrar que afinal não estudou para relatar factos mas emitir opiniões e até criar esses mesmos factos, mas espera aí, isso até já...

 

Referi aqui também alguns exemplos de como se pisa o risco e não se recolhem as consequências, no entanto, uma estação de televisão (SIC) foi mais longe e mostrou uma Londres envolvida no caos por causa do "vírus chinês", como já é apelidado.

 

Ao vídeo, bastante actual (2011) atribuiu-se uma história rocambolesca e que não desculpabiliza a jornalista que o fez sair para a rua mas também não pode desculpabilizar um director de informação e todos aqueles que também são responsáveis pela informação do canal, inclusive o "pivot" que "lançou" a notícia como se de um filme de terror se tratasse. Podemos errar no vídeo, mas não  podemos errar na montagem que é feita em torno do mesmo, isso é ir longe, demasiado longe.

 

Também foi preciso que um indivíduo em Inglaterra, sim, em Inglaterra, viesse mostrar a falsidade desta notícia! Em Portugal passava, como passavam tantas outras e ninguém dava por nada. A prova de que bebemos tudo aquilo que nos colocam à frente sem sequer questionar ou pensar é assustadora e enquanto andamos todos galantemente a achar-nos muito esclarecidos e letrados, não passamos de um bando de ovelhas que procura a sua relva sem olhar ao essencial. Reclamamos e achamo-nos demasiado espertos quando uma chefia nos pede para fazer alguma coisa, por exemplo, mas digerimos tudo o resto com uma facilidade tremenda, daí serem sempre os mesmos com as mesmas mãos cheias de nada... Daí sermos um paraíso para que o "chico-espertismo" continue a vingar.

 

Finalmente, a SIC é também o tentáculo televisivo do "Polígrafo", será que essa notícia foi ao polígrafo? É que este polígrafo tende a diferenciar-se do polígrafo electrónico pela forma como é tendencioso e erra nas análises que faz, ou não fosse o seu fundador/editor, um indivíduo que esteve envolvido num escândalo por, alegadamente, ser sócio de uma empresa que promovia publicamente determinados indivíduos (alguns com o nome bem manchado) - algo incompatível com a profissão de jornalista.

 

O que aconteceu este fim-de-semana e tem vindo a acontecer nos últimos anos é grave, é muito grave, e a liberdade de informação não deve servir de desculpa para que se cometam as maiores atrocidades, já dizia Platão que "é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". Esperemos também que estes dias, sirvam para podermos pensar um pouco e desligar a televisão e algumas publicações electrónicas de vez... É altura de seleccionar aquilo que vemos e aquilo que queremos ser - e continuar a ser uma seresma, também é uma opção, a escolha final é de cada um.

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