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Rent-a-Car... Cuidados a ter...

por Robinson Kanes, em 28.03.18

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Fonte da Imagem: https://www.scamalert.sg

 

É com alguma frequência que me desloco a Itália, e de facto, existem situações que já não encaramos como mero turista em lazer ou negócios que se desloca a primeira ou a segunda vez a um país e tem uma má experiência, uma situação isolada. Esta situação é comum em muitos países, no entanto, nunca tive problemas com rent-a-car, sobretudo na União Europeia mas... em Itália, é sempre um dilema. Aí, o maior padrão está em algumas situações que são de extrema fraude, que toda a gente sabe que existem mas que parecem não ter eco no respectivo país.

 

Também não fosse já ter conhecido excelentes profissionais nesta área, seria obrigado a dizer que um dos requisitos é a falta de educação, o total desinteresse, e em alguns casos, a brutalidade com que os clientes são tratados. Se existe indústria que só utilizo porque tem mesmo de ser, é esta!

 

Em Itália, não são raras as vezes em que os carros são entregues sem serem vistoriados! Aqui, sugiro que vistoriem sempre os carros no interior e no exterior, aquando do levantamento – inclusive jantes e pára-choques por baixo! Procurem, inclusive, pelo pneu suplente, triângulo de sinalização, correntes de neve (se incluídas ou obrigatórias) e até os coletes! Tirem fotografias e chamem alguém, se necessário, para sinalizar essa situação. Os problemas que vão ter no acto da entrega começam logo por aí, sobretudo se a entrega for feita num aeroporto, onde são muitas as companhias que jogam com a “pressa” dos clientes.

 

E é aqui, à entrega, que podemos ter todo o tipo de problemas, desde férias estragadas até problemas com a vossa empresa. Um dos problemas/situações mais comuns são as “amolgadelas” por baixo do carro, junto às cavas das rodas. Não são raras as situações em que vos é entregue um carro com essas zonas sujas, ocultando assim riscos nas jantes e amolgadelas por baixo! Em muitas situações, vão perceber que, indivíduos menos treinados na arte da fraude, vão directamente a esses locais – vão logo visualizar por baixo do carro algo quase invisível, por vezes, quando nem viram o resto do automóvel.

 

Alguns colegas já me informaram – e também tive oportunidade de pesquisar na internet – que muitos destes danos na carroçaria são propositadamente provocados com o chamado “macaco”, o elevador do carro em caso de furo. Desta forma, um simples aluguer pode custar-vos uma autêntica fortuna. Deste modo, o ideal será seguir alguns destes conselhos:

 

  • Verifiquem sempre a viatura antes de levantar a mesma – pneus, jantes, carroçaria exterior (inclusive por baixo) pára-choques, faróis, vidros, antena, cavas das rodas, interior (estofos, bagageira, porta-luvas, por baixo dos bancos).

  • Tirem fotografias e, se possível, datem-nas.

  • Cuidado com a luz – pela noite é mais difícil encontrar danos, mesmo quando sob iluminação, por causa dos reflexos – o mesmo acontece quando está muito sol.

  • Se possível, tentem alugar em companhias multinacionais – poderão não ter sorte, mas a abordagem é diferente, e além disso, têm mais escritórios, inclusive em Portugal, onde podem apoiar-vos na resolução de eventuais problemas. As multinacionais têm também políticas de apoio ao cliente mais desenvolvidas.

  • Em caso de fraude, chamem sempre a polícia e envolvam as autoridades competentes para este tipo de situações.

  • Leiam com muita atenção tudo o que assinam – aqui é importante fazer o trabalho de casa.

  • Leiam os documentos de entrega da viatura e não assinem nada sem ler com atenção, mesmo que vos digam que os valores, apesar do suposto dano, não vão ser cobrados sem o vosso consentimento – muitos destes documentos escondem nas entrelinhas que assumem o dano.

  • O condutor também causa danos, o ideal é sempre ter um seguro completo, contra todos os riscos – isso evita muitos problemas.

  • Existem empresas que aplicam custos quando não adquirimos o seguro directamente com as mesmas, cuidado com estas situações.

  • Apelando ao bom senso, se sentirem que poderão estar a ser alvo de uma fraude, contactem imediatamente o V/banco e apresentem uma reclamação ou cancelem quaisquer débitos no cartão de crédito.

  • Levem sempre a documentação solicitada – cartões de débito raramente são aceites e o cartão de crédito tem de estar no nome do condutor principal.

 

Todo o cuidado é pouco, sobretudo em países onde este tipo de práticas é comum e que acabam por manchar a imagem de toda uma indústria.

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Em tempos, por aqui passaram algumas perguntas... Hoje, reparo que todas estão por responder, motivo pelo qual as coloco lá mais para baixo, no entanto, novas perguntas surgiram...

 

Porque é que continuamos a ter um Ministro das Finanças que prejudica o país a troco de bilhetes para a "bola" e continua a sair impune? E nem é só este...

 

Porque é que os relatórios e as investigações dos incêndios de 2017 continuam a ser desprezados e sem apuramento de responsabilidades?

 

Porque é que, aquando do escândalo da "Raríssimas" (eu sei que já ninguém se lembra e os culpados ficaram impunes) se disse que não era a prática comum na área social, mas casos destes não faltam em Portugal? Quem o disse continua no activo quer como Primeiro-Ministro, Ministro da Solidariedade e Segurança Social e Presidente da República. E muitas destas instituições continuam a ser aclamadas como bons exemplos de solidariedade.

 

Porque é que as instituições que trabalham na área social, à semelhança das instituições desportivas, gozam de total impunidade neste país?

 

Porque é que existem pontes em risco de cair, linhas-férreas destruídas, património a cair e ninguém parece preocupado com isso, mesmo quando alguns espaços são concessionados e ninguém hesita em cobrar... Por exemplo... Portagens ao preço do ouro?

 

Porque é que todos os negócios danosos do Estado nunca têm culpados?

 

Porque é que as Comissões de Inquérito Parlamentar nunca dão em nada?

 

Porque é que a Lei do Financiamento dos Partidos vai passar e a pouca vergonha corruptiva vai continuar - resultou a manipulação aos cidadãos quer por parte dos partidos quer por parte do próprio Presidente da República que interviu no momento em que os cidadãos estavam revoltados, mas agora com os ânimos mais serenados, vai aprovar a mesma enquanto fala de voluntariado - voluntariado, essa mão de obra a custo zero que enriquece muitas instituições neste país!

 

Porque é que Portugal é dos países onde se passa mais tempo preso (porque se rouba uma carteira com 10 euros, por exemplo) mas os presos por corrupção quase que se contam pelos dedos de uma mão, sabendo nós que é o grande cancro e o veículo destruidor do país e consequentemente da vida dos cidadãos?

 

Porque é que os sindicatos da Autoeuropa (conduzidos pelo PCP e pelo BE) estão a tentar entrar noutras indústrias de Palmela e Setúbal, onde ainda não têm peso, com o intuito de destruir o tecido produtivo da região?

 

Porque é que a Santa Casa da Misericórdia é uma das instituições mais ricas do país e até se dá ao luxo de comprar parte de um banco como o Montepio que, apesar do mau momento, continua a dar grandes festas que enchem a Altice Arena? Não é estranho o silêncio da nossa classe política em torno deste caso?

 

E permitam-me... Mas porque é que o terceiro comentador da nação que usa humor para fazer política e não ser responsabilizado pelo que diz (falo de Ricardo Araújo Pereira) aponta sempre as balas a partidos como o PSD, mas quando a escandaleira anda pelos partidos mais à Esquerda ou dos corporativismos em que este se movimenta - e que o alimentam - não parece ter tanto interesse em dizer piadas humorísticas dotadas de sentido de manipulação? Cuidado quando falamos de mérito e de currículos...

 

E não querendo abusar e exaltar a minha pessoa... Quando falei de redes sociais como o Facebook e mencionei (eu e muitos outros) as vulnerabilidades das mesmas e a possibilidade de ocorrência de factos como os que agoram estão na origem deste escândalo recente, chamaram-me "desactualizado e quadrado". Os mesmos cuja única coisa que dominam é o email e o smartphone... Perdoem-me, mas numa blogosfera onde tanta gente é perita em personal branding, tive de ter o meu momento...

 

Até breve...

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E agora as perguntas de outros tempos - também aqui

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

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Fonte da imagem: Gustavex 

 

 

Podemos afirmar que Rio de Onor se assumiu como uma aldeia comunal bem ao gosto do que fora idealizado por Owen aquando da sua ida para os Estados Unidos com o intuito de fundar New Larnack - sobretudo do ponto de vista rural e não industrial. Denote-se que Rio de Onor viveu também em plena ausência de estado providência, pelo que a associação de pessoas se tornou imperial para combater as dificuldades impostas pelo território e pelas dificuldades da época (Portugal vivia também um período de ditatura).

 

Nesta questão poderíamos abrir o leque para uma outra discussão que seria o facto de ser mais fácil uma economia mais solidária, mais comunal até, vingar em países onde os suportes estatais são menores ou inexistentes - uma espécie de paradoxo em que a "economia das pessoas" tende a ganhar terreno mais facilmente em tempos de crise do que em épocas de prosperidade.

 

Rio de Onor jamais poderá ser também um exemplo de economia solidária neste ponto: “nem todas as “novas” famílias poderiam participar no conselho, embora com margem para serem ajudadas por este, no entanto, não participando na definição dos destinos da terra”. Aqui não encontramos uma verdadeira abertura inclusive para a criação de subconselhos, disso não existe registo, até porque o sucesso de muitas iniciativas destas no passado se deveu ao facto de muitas delas depois darem origem a outras, garantindo a sustentabilidade destas e das demais posteriormente criadas.

 

Tudo isto vai ao encontro do facto de nem podermos falar sequer de Democracia quanto mais de Democracia Participativa, senão vejamos: as “mulheres que, jamais, poderiam ser nomeadas mordomos e não existindo homens numa casa, quando muito a casa da mulher poderia ser admitida (mediante pagamento) no conselho, mas nunca nomeada para os cargos de administração, não tendo participação nas reuniões, mas embora beneficiando das regalias do conselho”. 

 

Em resumo, podemos dizer que ao nível económico, poderemos encaixar Rio de Onor numa espécie de cooperativa rural e social que vendia de igual modo os produtos dos seus associados a terceiros e aqui qualificar a mesmo como um exemplo de economia solidária.

 

Como projecto social e cultural, teremos de ter em conta as desigualdades que embora negadas por muitos autores eram bem latentes, todavia o sentido identitário era uma das marcas bem vincadas, um dos exemplos era a manutenção dos costumes e ritos - os responsáveis por se deslocarem a Bragança utilizavam uma indumentária própria que os distinguia na cidade dos demais.

 

Como projecto ambiental, Rio de Onor dá-nos poucos exemplos também atendendo à época. Na actualidade, poderíamos encaixar em Rio de Onor uma dinamização das actividades de agricultura biológica. O projecto territorial eram sem dúvida uma das mais valias de Rio de Onor, além das condicionantes do território serem uma das situações que levaram ao desenvolvimento deste tipo de comunidade, também muitos dos dividendos gerados pelo comércio dos produtos rionorenses eram reinvestidos na terra.

 

Contudo, O’Neill ao ver os rionorenses como povo endividado e dionisíaco deixou a porta aberta para um estudo mais aprofundado, nomeadamente se um povo assim, permitia uma tão equitativa distribuição dos bens e dos dividendos.

 

Como projecto de gestão, sem dúvida, podemos assemelhar Rio de Onor a uma cooperativa popular, quer pelo tipo de associação, mas também das regras e políticas traçadas.

 

Como projecto de conhecimento, Rio de Onor, deu muito à Antropologia e denotou-se que durante os anos de vida desta comunidade a transformação pela aprendizagem foi latente, um dos exemplos está relacionado com o facto de se ter passado da votação à rotação, no caso da eleição dos mordomos do conselho.

 

O projecto político já foi abordado e fica longe de ser perfeito, aliás, é aqui que Rio de Onor se desloca largamente do conceito de economia comunitária.

 

Do ponto de vista artístico não há muito para falar, porque pouco se conhece destes hábitos nos rionorenses.

 

Já o projecto transfronteiriço é um exemplo interessante porque a questão dos países não era importante e Rio de Onor de cima era vista como parte integrante de Rio de Onor de baixo e não como Espanha e/ou Portugal.

 

Finalmente a questão da felicidade. Até que ponto podemos afirmar que Rio de Onor era um pequeno Butão? A inexistência de dados não permite ir mais longe, e infelizmente somos levados a pensar que estas gentes assim agiam por necessidade e com trabalho, e pouco tempo dedicavam a estudar/desenvolver esta forma de estar, se assim lhe quisermos chamar.

 

Continua...

 

 

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (1)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (2)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (3)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (4)

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"Fiesta", Sol e Solidão...

por Robinson Kanes, em 19.03.18

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

 

Admito que, embora Hemingway até seja um Existencialista, nem sempre tenho a melhor relação com o autor, no entanto, existem livros que nos colocam numa situação em que percebemos o porquê de alguém ter sido elevado à categoria de génio - nada como começar com "As Neves do Kilimanjaro" e deixar que Francis Macomber nos deixe emocionados com o seu sofrimente em "A Curta e Feliz Existência de Francis Macomber".

 

Mas quando falo dos confrontos com tamanho génio, fica-me na mente a obra "Fiesta" ou "O Sol Nasce Sempre" - é uma dessas situações... Uma dessas situações em que num contexto diferente nos deparamos com uma igualdade de pensamento assustadora... Inspirado em muitas das vivências e numa parte do seu círculo de amigos, Hemingway retrata bem a apatia dos esclarecidos e a triste solidão dos fortes e dos inteligentes - de como a guerra (pós 1ª Guerra Mundial) destruiu uma sociedade, lhe tirou a sua capacidade de pensar - estranho que o contraste com os dias de hoje não existe, todavia não estamos em guerra (pelo menos a Ocidente) mas estamos paradigmaticamente numa sociedade de abundância onde, aparentemente, não existe uma resposta para os desafios que nos são colocados e somente um berreiro atroz que camufla a apatia generalizada.

 

Muitos apontam que Hemingway se inspirou em indivíduos como Picasso ou Scott Fitzgerald para nos dar a conhecer uma espécie de geração perdida - embora alguns tenham sido mestres na sua arte!

 

"Hoje", enquantos os toros correm pelas ruas de Pamplona, as bebedeiras aplaudem o circo - que não é o dos "toiros" - mas dos cabrestos que assumem a arena enquanto aos verdadeiros "toiros" não é permitida a saída dos curros...

 

Esperemos que o Sol não deixe de nascer... Ou talvez até já se tenha iniciado o crepúsculo e ninguém parece dar por isso, tal é a luz artificial à sua volta...

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Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

por Robinson Kanes, em 16.03.18

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Pode ser turístico, pode já ter sido visitado por tudo e por todos, mas ninguém concebe Barcelona sem "La Rambla" ou "Le Ramble" em catalão. Este nome, e em Espanha tantas vezes isto acontece, vem do árabe ramla que significa rio seco. Neste caso, volta a fazer todo o sentido, pois até ao século XV, era por ali que passava um rio até ser desviado.

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Um dos "passeios dos tristes" de Barcelona é mesmo esse, descer a "Plaça de Catalunya" até ao mar, mais precisamente até ao "Port Vell". Digamos o que dissermos, é óptimo sentir aquela multidão de gente, todas aquelas culturas e até nos cruzarmos com os vendedores que fogem sempre que passa a polícia. É a vida da cidade, é um dos seus grandes centros, com cafés e restaurantes fantásticos, mas que valem apenas pela vista e pelo ambiente - quem quiser comer bem tem de se afastar. Ver gente, muita gente nas ruas, essa coisa tão espanhola e tão profundamente atraente que só em Madrid encontra paralelo ou então quando temos de atravessar o oceano até Buenos Aires.

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Passeava, não poucas vezes por aí, afinal é, como costumo dizer, um dos melhores anti-depressivos, além disso é aí que se encontra o Grande Teatro do Liceu, a casa da ópera de Barcelona e que, como amante desta experessão artística, de vez em quando lá me lembrava de rebentar com o orçamento e assistir aos espectáculos.

 

 

Além disso, a história deste local é vasta, pois aquando da sua inauguração em 1847, era a maior ópera da Europa em termos de lugares! Entre outras histórias, foi aqui que em 1893, assistia-se a "Guilherme Tell" de Rossini, foram lançadas duas bombas causando um número elevado de mortos e feridos - atribuiu-se o ataque ao anarquista Santiago Salvador.

 

 

Visitar este espaço e aí assistir a um espectáculo, é quase obrigatório! E se por aqui já referi que os cafés não são os melhores, talvez um café antes de uma representação possa ser uma óptima escolha se o fizermos no "Café de L'Opera" - um espaço com interior em art noveau.

 

Pelas fotografias, facilmente se percebe que este era um dos locais de eleição para se passar muitas vezes a noite antes de voltar à cama, uma coisa que, em Barcelona e tantas outras cidades espanholas, nem sempre é fácil - ou porque não nos deixam simplesmente dormir, ou porque também não conseguimos ficar imunes ao contágio da movida que nos faz querer aproveitar cada momento, e por estranho que pareça, até nos ajude a levantar com outro sorriso e disposição no dia seguinte.

 

Por muito turístico que também seja, e caro, visitar "La Boqueria" (Mercat de Sant Josep), pode ser também uma óptima opção, embora nunca lá tenha comprado nada - quem tem o "Mercat de La Barceloneta" e o "Mercat de Sant Antoni" não vai sentir grande falta da "La Boqueria". Não quero com isto dizer que não mereça a visita, pois a beleza e o investimento constantemente realizado na promoção e dinamização têm transformado este espaço num local bastante agradável. Importa também não esquecer a carga histórica do espaço, pois os primeiros registos de um mercado naquele local remontam a 1217!

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E esta noite, combinamos na "Font de Canaletes" e vamos descer a até à "Ronda Litoral"?

 

Bom fim de semana,

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Autor Francês - Retrato de um General, (Alte Pinakothek)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Há uma coisa que nos últimos tempos me tira o sono... Tira-me mesmo, não consigo dormir e perco horas do meu dia a pensar nisso - porque é que a Lusoponte, mesmo quando a ponte Vasco da Gama está parada, não coloca um aviso a desviar o trânsito no sentido Alcochete-Lisboa? Mas isso agora interessa pouco.

 

O que tenho notado é o facto de hoje em dia existir uma profissão muito importante para os cidadãos e que é a de humorista ou de comentador, sobretudo daqueles que se julgam diferentes e sem "papas na língua" mas mais não fazem do que seguir a tendência, ou aquilo que lhes pedem para fazer.

 

Para tal, basta falar mais alto, soltar umas chalaças, vestir-se como um miúdo de 18 anos e deixar crescer a barba - tentar fazer rir mas sem tocar nos temas fracturantes. Também podemos sempre reforçar com uns óculos de massa para dar aquele look de pseudo-intelectual mas que frequenta os locais mais badalados da noite periurbana de Copenhaga ou até de Helsinborg. 

 

Apesar de tudo isso, eu pergunto: porque é que todos têm de fazer trejeitos de boca ou com olhos? Porque é que o esgar tem de estar presente? Talvez tenha algumas respostas: primeiro porque somos todos tão especiais e únicos que o ideal é fazer diferente fazendo aquilo que todos fazem - isto que escrevi não se percebe, pois não? Óptimo! Era aí que eu queria chegar.

 

Uma outra situação, pode estar relacionada com o facto do humorista ou comentador, ao mostrar tal imagem, queira dar a entender que, apesar de ser amigo do povo e de estar com ele, vive num patamar que o coloca acima de todos esses que o devem admirar ou até atirar ovos e tomates podres - sim, quantos não têm sucesso só porque fazem questão de ser mal vistos pelo público? Falem mal deles, mas desde que falem...

 

Com efeito, volto a colocar uma questão: é doença profissional? Se assim for, as seguradoras, a ACT e a Segurança Social têm de fazer o seu papel, já para não falar de técnicos de segurança e higiene no trabalho com especialidade em humoristas e comentadores com cara de parvos! Penso que isto acontece porque já são poucos os humoristas que são promovidos a especialistas em cultura e literatura só porque, no meio de erros infinitos, dizem uma palavra daquelas que espanta meio mundo - admitamos que esses já têm o seu lugar na praça.

 

Será que, se a partir de agora, surgir com a sobrancelha bem levantada e com ar de enfastiado com a sociedade - a mesma que eu preciso para ser alguém - me vou tornar um humorista de sucesso? É uma questão de tentar... (a fazer um esgar enquanto olho para o ar e me interrogo sobre um tema que está nas bocas do mundo).

 

P.S.: Stephen Hawking deixou-nos... Deixou-nos um grande legado... E estas palavras bastarão...

 

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Joaquín Torres-García - Bodegón con Máscaras, (MoMA New York - "JoaquínTorres-García: The Arcadian Modern." 2015)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Por vezes, temo pensar que avaliamos mal as pessoas e nutrimos por elas um sentimento que é sempre de desconfiança, ou não fossem Portugal e Turquia os países da OCDE onde esta é maior. No entanto, são cada vez mais as vezes onde essa desconfiança tem uma razão para existir, e até quando não existe, rapidamente é deitada abaixo por mais um caso... Ainda me recordo de alguém ter dito que a "Raríssimas" era caso único e o país não é assim, mas o que não faltam são instituições solidárias que são tão solidárias que até enriquecem, de formas pouco claras, quem delas vive... E são tantas, desde o "O Sonho", até à Fundação "O Século", já para não falar nos constantes casos em instituições da Igreja Católica que rapidamente são abafados, exemplo maior está na Cáritas, isto alegadamente...

 

O último caso não envolve dinheiro, mas envolve moral e valores, algo que não deveria ter um preço, mas nunca como hoje esteve à venda por tão poucos euros. Refiro-me à  presidente da "Associação das Vítimas de Pedrogão" que aceitou, pela mão de Adolfo Mesquita Nunes (já repararam que ultimamente só se fala deste indivíduo? Ainda vamos ouvir falar muito dele, quando já nos tiver sido bem vendido) o convite de um partido para ingressar numa equipa coordenadora no âmbito das próximas eleições legislativas. A ser verdade que por detrás da criação da associação esteve uma jurista da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos - e do CDS-PP - as coisas até acabam por fazer sentido. Mais sentido fazem quando o ódio à Ministra da Administração Interna de então era bem latente, já para não falar na cabala que se tentou montar em torno do número de mortos com o patrocinio de movimentações partidárias - alguém voltou a ver essa senhora que estava tão certa do que dizia?

 

Recentemente saiu um estudo, e falarei dele, onde se lia que a maioria dos empresários portugueses considerava que para ter sucesso era necessário ter amigos na política - aqui não falamos de produção, falamos de viver de impostos e de donativos, mas o modus operandi parece ser o mesmo e no fim vemos a "Cidadania" a ser derrotada pela ambição desmedida e pela ditadura partidária que fechou Portugal numa camisa de forças. Resta lembrar que Nádia Piazza recebeu o "Prémio Cidadania 2017",   atribuído pela Plataforma das Associações da Sociedade Civil. E num país onde existem tantas associações, que movimentam milhões que ninguém consegue perceber onde são aplicados, seria uma boa ideia pensar na Associação das Vítimas da Associação de Vítimas de Pedrogão, talvez entre todas as mencionadas, seja a única que tenha uma verdadeira razão para existir.

 

E como desconfiado que sou, as ascensões meteóricas, têm sempre razões que a própria razão desconhece, deturpando as palavras de Blaise Pascal. E quem me disse é um especialista... Nesta área, de criar ídolos. A brincar, rimo-nos também com as mudanças que acontecem quando trocamos a camisa e as calças de ganga pelos saltos altos e pela alta costura.

 

Por estes dias, percebemos que a Cidadania voltou a ser derrotada e que as vítimas de Pedrogão, agora que meses passaram, a única coisa que conseguiram foi serem fantoches ou verdadeiros palhaços neste circo em que se transformaram muitos sectores da vida nacional - mereciam mais respeito e menos aproveitamento, sobretudo político e até monetário!

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O Pointer Inglês...

por Robinson Kanes, em 06.03.18

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 Fonte das Imagens: Própria e GC

 

Uma das coisas que mais me agrada, quando vou para lá das terras do "pai do vento", é a oportunidade de estar com o Pointer... Não porque seja um cão de raça - nunca fizemos qualquer aquisição de cães - mas sobretudo pela energia que este transmite.. Uma energia e genica que não lembra a ninguém!

 

Experimentem começar o vosso dia com uma caminhada pelos montes e vales da Cabreira, do Larouco, da Amarela ou do Alvão e serem acompanhados por um cão que não consegue andar sem ser a correr! Experimentem ver um cão que não consegue estar parado, que desaparece entre a vegetação, persegue coelhos e outros animais e simplesmente não sabe onde fica o botão de "desligar". Imaginem que param para comer algo e aquela figura de quatro patas não consegue estar quieto! Agora vejam-se a chegar a casa, com as botas - que ao final do dia parecem pesar 50 quilos cada uma - e aquela "coisa" ainda não está cansada!

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Como perdigueiro que é, de facto, o Pointer é capaz de fazer grandes distâncias, mas convenhamos... É demais! "Aquilo" não se cansa! Infelizmente, talvez por isso, também a esperança de vida destes seja muito curta face a outros cães. E sim, não é fácil conseguir uma fotografia como aquela que podem ver abaixo! Acredito que se deve a muito calor e ao facto dos tutores estarem dentro de casa, pelo que, os ânimos estão um pouco mais calmos... No entanto, não coloquem um pé fora de casa!

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Este bicho estranho, além disso, adora esfregar-se na lama, nas ervas, no estrume de outros animais e em tudo o que seja óptimo para se conseguir um cheiro pouco agradável. Ainda não percebi porque é que os anúncios ao "SKIP" não utilizam perdigueiros - era uma óptima ideia! Por falar em anúncios... Lembrei-me que um bom artigo para sexta-feira, quiçá umas leituras interessantes sobre estes amigos, os cães, não os senhores de marketing da Unilever! E com isto, lá estou a dizer que o "SKIP" é bom, e de facto é, mas agora até estou a experimentar "X-TRA" que até tem um boneco bem giro e é da concorrente Henkel! E o que é que isto tem a ver se não me pagam publicidade e este artigo não tem nada a ver com detergente para a roupa? Não sei! Enfim, fiquemos com o olhar do nosso amigo, tentando adivinhar onde existem perdizes para que as possa parar.

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E sim, embora quem me acompanha diariamente seja o alemão, admito que este inglês é também uma daquelas personagens que me fazem sempre acreditar que uma das melhores coisas do mundo é percorrer os campos e as serras com os nossos companheiros que nunca nos abandonam. Lá vai ele a correr... Hey Pointer, despede-te das pessoas... Ainda bem que estava ali uma vedação, caso contrário não teriam este olhar de quem vos está a dizer até à próxima...

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Os Revoltosos Acomodados...

por Robinson Kanes, em 26.02.18

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Texto: Anónimo

Fonte da Imagem: Própria 

 

 

 

A era das comunicações de massa é de deterioração da comunicação inter-humana. 

Gilles Lipovetsky in, "O Império do Efémero".

 

 

Nunca como hoje, o Ocidente teve oportunidade de se expressar de forma tão livre. As redes sociais, aliás, o digital como um todo, permitem que uma grande maioria da população tenha voz - ou será que é uma maioria assim tão grande? - e se expresse de forma mais ou menos entusiasta. Neste campo, tenho de enaltecer todas as inovações e de como a transformação foi, e é, necessária.

 

Nunca como hoje, em Portugal e não só, a revolta da sociedade foi tão generalizada e tão audível. Mas talvez, nunca como hoje essa revolta não passa de meros caracteres digitados num café enquanto se espera por um amigo, ou então porque é preciso escrever qualquer coisa para mostrar que existimos ou que temos opinião. Que temos opinião mesmo não tenhamos pesquisado sobre o tema e a única fonte de informação são os títulos de um qualquer artigo notícioso que nem sempre é o mais fidedigno ou opiniões de uma massa que não interessa contrariar. Camuflamos a nossa incapacidade de ter opinião própria, embarcado no comboio daqueles que nem sempre seguem para um destino esclarecido. 

 

Actualmente, temos opinião sobre tudo e sobre todos mas, talvez depois de esmioçadas convicções e argumentos não tenhamos opinião sobre nada a não ser sobre nós próprios, e mal. Baseamos a nosso opinião naquilo que nos chega e não paramos um momento para pensar - não procuramos ir mais longe e imediatamente desatamos a escrever e a falar como se estivessemos na posse de toda a informação e presenciado factos in loco. Podemos dizer que sempre foi assim... E foi. Mas antes a maioria da população não utilizava nomes "pomposos" para definir as suas habilitações ou o seu cargo profissional... Não estávamos perante uma população tão esclarecida, tão letrada e com os níveis de vida que encontramos na sociedade actual. Mas pensar em algo, analisar uma temática, leva a que percamos o comboio que leva todos aqueles que querem ser ouvidos, mesmo que não digam nada digno de ser escutado... 

 

Nunca como hoje fomos tão revoltados, revoltados no nosso sofá, na nossa secretária em casa ou no trabalho (porque até nem gostamos do que fazemos, mas ao invés de mudarmos preferimos protelar essa decisão para garantir que a nossa imagem perante os outros continua alicerçada em vigas de areia) mas tão cobardes na praça pública. Na praça pública que não é uma rede social, mas aquela praça pública onde somos rosto, cheiro, voz e cidadãos. Mais do que um povo reprimido, que não pode falar sob pena de acabar numa cadeia, tenho medo de um povo que pode dizer o que quer e revoltar-se por tudo e por nada, mas que embarca neste folclore de entra tema e sai tema como se nada tivesse acontecido. Mais que tudo, e seguindo as palavras da Faulkner nos "Ratoneiros", o nosso exterior é apenas aquilo em que vivemos, em que dormimos, e pouca ligação tem com o que somos e ainda menos com o que fazemos".

 

Aquele que contesta no digital o poder político por ser corrupto, é o mesmo que amanhã troca favores com outrem a bem de trazer mais uns euros no final do mês para além do ordenado. Aquele que se revolta contra a fome em África, é aquele que atropela tudo e todos no emprego e no regresso a casa, só para que ao filho não falte um carro de passeio que custa mais que alguns automóveis. Aquele que critica e despeja toda a raiva nas redes sociais, em blogs, em jornais e outros meios, é aquele que mal chega a hora de sair, fecha o computador, não deseja bom descanso a ninguém, chega a casa, janta e vê televisão e dorme um descansado sono sem qualquer inquietação em relação ao mundo que o rodeia... A não ser que tenha contraído dívidas quando teve necessidade de viver acima das posses e agora não as possa pagar. Ou então aquele que se bate (nas palavras e na imagem) pela luta contra o racismo mas não é capaz de trabalhar lado-a-lado com um preto. Ou finalmente, aquele que se bate contra a pobreza, mas nem arrisca passar de carro num bairro social, mesmo que goste de tirar fotografias ao lado dos desgraçadinhos enquanto lhes coloca um pacote de arroz no saco enquanto faz voluntariado de holofote - sobretudo agora que o voluntariado abre portas também no emprego.

 

Para aqueles que praticam o mal, para aqueles cuja ética e bem-estar não passam de notas de rodapé em revistas sociais, talvez, nunca como hoje, o mundo tenha sido um local tão apetecível para perpetuar tantas más práticas... Pois, já diz o povo, "os cães ladram mas a caravana passa", mesmo que vá cheia de bandidos, pois também diz esse mesmo povo que "cão que ladra não morde". Para os revoltosos acomodados, na verdade, podem ficar tranquilos no sofá enquanto a única noção que têm de conflito é o Netflix, pois "quem não age, não corre riscos", já dizia Vergilio Ferreira.

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Retratos de Inverno - O Mar Guincho

por Robinson Kanes, em 23.02.18

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Fonte das Imagens: Própria 

 

 

Um dos espectáculos mais admiráveis da costa portuguesa dá-se entre Cascais e Sintra... É nesse troço de beleza única que encontramos o Guincho e toda a sua encantadora fúria. Paradoxalmente, assistimos a uma demonstração de força inigualável e à qual não podemos ficar indiferentes devido à tamanha perfeição da Natureza.

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O Guincho é um paraíso para surfistas, ciclistas, visitantes de Domingo e, sobretudo no Verão, para banhistas e aspirantes a um qualquer estatuto social - dizer que se faz praia no Guincho, ou que se almoçou no Guincho ainda é sinónimo de um qualquer status - e ainda bem, até porque assim talvez tenhamos o devido cuidado com a paisagem que nos rodeia. E sim, não vou negar que adoro o meu café na Fortaleza do Guincho onde temos um bar fantástico e praticamente em cima do mar - nada como sentir a espuma nos dias mais agrestes mesmo a bater ali no vidro.

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Também não podemos esquecer que estamos num Parque Natural, o mesmo é dizer que entramos numa zona protegida e onde todos os cuidados têm de ser mantidos - mas a isso voltaremos um destes dias.

O Guincho, de facto, e sobretudo no Inverno, não é so glamour, ou restaurantes - é frio, é algo de sedutoramente tenebroso e apaixonante. É o vento norte a entrar-nos pelo corpo, mas que nada consegue contra o impulso de não querermos abandonar aquelas rochas.

IMG_1002.JPGPor tudo isto, e sobretudo para aqueles que vão ter fim-de-semana, nada como flanar num daqueles locais que faz sempre parte do "passeio dos tristes". Se possível, nada como levar a bicicleta ou as botas e percorrer todos estes recantos, aposto que, mesmo para quem tem filhos, eles vão adorar - o melhor que pode acontecer é apanharem uma constipação, mas isso até reforça as defesas naturais na idade adulta. Acredito até que seja melhor do que passar o dia fechado numa rocha de cimento.

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Finalmente, e se estiver um daqueles dias em que não apetece mesmo sair do carro e apanhar aquela brisa marinha, pensem que uma embalagem de água do mar, nas farmácias, pode custar mais de 10 euros e aqui, além de perfeitamente natural e sem aditivos, temos essa embalagem em doses indústriais e sem custos...

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Bom fim-de-semana, 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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