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Normandia: um dia de homenagem

por Robinson Kanes, em 30.09.20

american_cemetery_normandy.jpgImagens: Robinson Kanes & GC

 

 

A morte é morte de alguém e tê-lo sido de alguém não é levada pelo moribundo mas pelo sobrevivente

Aristóteles, in "De Anima"

 

Deixamos Bayeux e voltamos para trás, para perto da memorável "Juno Beach", mais precisamente para Courseulles-sur-Mer. É aqui que o carro descansa e as bicicletas descem do tejadilho. Entramos em modo "Tour de Normandie" e procuramos ir ao encontro de alguns dos locais que durante anos, permanecem na nossa memória devido à grande invasão. Daqui em diante e antes de apontarmos ao Mont Saint-Michel vai ser a pé e sobre duas rodas.

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Começamos com uma deslocação de cerca de sete quilómetros, até ao Cemitério Canadiano de Bény-sur-Mer. e que é o repouso dos primeiros mortos canadianos no Desembarque - o de Bretteville-sur-Laize ficou para os que morreram nos momentos posteriores. Mesmo à beira da estrada e já se sente o peso da História, o peso da morte. A primeira sensação? Tantos mortos e este é só o primeiro... Tantos miúdos no chão que morreram em nome da libertação da Europa, em nome de um mundo que nunca mais seria o mesmo... Sentimo-nos cobardes por não termos mantido esse mundo desejável e que lhes custou estupidamente a vida - e este nem é um dos maiores jardins de pedra. Respira-se fundo, ouve-se o vento entre as árvores, faz-se uma revisão da matéria e leem-se as mensagens que encontramos em cada lápide.

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Damos connosco a perceber que já passou mais de uma hora e ainda há tanto para sentir, algo sem aparente explicação... É hora de partirmos, regressarmos para perto de "Juno Beach" e prestar também aí a nossa homenagem junto do memorial e também da primeira casa a ser conquistada naquele dia fatídico e mortífero. 

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Torno-me repetitivo, mas de facto, acabo sempre a pensar, para quê? Será que, à semelhança do que fazemos com os acidentes de viacção, onde muitos juízes condenam os culpados a visitar hospitais, particularmente com as vítimas dos embates, não deveríamos fazer isto com aqueles que parecem esquecer o passado? 

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As praias são isso mesmo, praias, é preciso fechar bem os olhos, ter presente a História da invasão e voltar a esses tempos, caso contrário será mais difícil, mesmo sentido os ares que nos chegam da Mancha. Temos de prosseguir, o nosso destino em duas rodas será o cemitério alemão de "La Cambe" e antes ainda temos de voltar ao Cemitério de Guerra em Bayeux.

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Pelo caminho, um destaque e paragem obrigatória no Cemitério Americano em "Omaha Beach", Colleville-sur-Mer. Até lá, museus e memoriais não faltam, as praias e aquelas região, mesmo à entrada de algumas vilas, não esquecem aqueles que tombaram pela França e pela Europa. Mas temos de parar em Colleville, os Americanos sabem honrar os seus e de facto, este cemitério, é um verdadeiro monumento, uma grandiosa homenagem aos mortos em combate que atravessaram o Atlântico e depois o Canal da Mancha e tombaram em solo francês.

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O número de mortos é imenso, o espaço é imenso e o contraste entre a beleza e o cuidado do local com aqueles que ali jazem é qualquer coisa. Procurou-se criar o paraíso para que aqueles soldados ali possam descansar, bem nas colinas que dão para a praia onde muitos tombaram. A quietude do espaço, a forma como tudo está cuidado (melhor que em muitos palácios), o silêncio... Olhamos novamente o mar que trouxe todos estes corpos para a terra, um Atlântico atravessado, para depois se ultrapassarem as águas da mancha e morrer em nome de todos nós. Vida triste, não podermos reconhecer estes jovens e mesmo os mais velhos, a lágrima... O pensamento a caminhada entre cruzes de Cristo e de David não bastam, deixam-nos impotentes e desarmados. Ficamos a engolir em seco, saímos a engolir em seco. Pensamos no hoje e até no amanhã, pensamos em todos os cemitérios como este e que não existiram... Perguntamos, para quê?

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Prosseguimos... É hora de prosseguir, mas depois daquele dia, não mais somos os mesmos... Depois daquele dia, já adultos e sem a magia que ser criança nos provoca ingenuidade, nunca mais olharemos aquela costa depois deste regresso.

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

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Freud também comia sardinhas...

por Robinson Kanes, em 29.09.20

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Créditos: https://www.pinterest.es/pin/446067538073729058/?amp_client_id=CLIENT_ID(_)&mweb_unauth_id={{default.session}}&amp_url=https%3A%2F%2Fwww.pinterest.es%2Famp%2Fpin%2F446067538073729058%2F&from_amp_pin_page=true

 

E para "acabar" o dia em cheio e porque é terça-feira... Convidámos Freud a comer umas sardinhas. Temo que lhe sejam indigestas mas... Acompanhem-nos aqui!

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London Imperial War Museum

Picture: Robinson Kanes

 

 

I am a kind of plagiarist of a title recently used by José María Gay de Liébana ("España se hunde y no hacemos nada"), a well-known Spanish economist who is eyeing the economy from the front and usually is forced to deny journalists with the tics of economists.

 

Before moving on to the content of the article itself, I would also like to take this opportunity to bring up a few words of this economist who, recently, admitted his perplexity at the fact that Spain legislates for everything and nothing ("sobre el pulpo casero, los vuelos de las palomas ciudadanas") and continues to ignore the relevant facts which, if put aside by a certain "put their noses of joint'", will lead Spain to a state of economic calamity that will be hardly surpassed. For a moment it seems that we are talking about Portugal...

 

"Bazooka" money (and since I have not yet digested this kind of begging and pride in other people's money) still has no destination, in fact, much of this money is already assigned to the state, to social policies (a jargon to camouflage the lack of knowledge of the application of funds). Nobody knows where it is going and nobody seems to be interested either. The crises will be ongoing, the world of the "Les Trente Glorieuses" has not existed for a long time, and periods of prosperity will be less and less lasting, which will cause the collapse of many economies and, when it comes to deciding, only those who will adapt best and make optimal use of foreign currency will be the ones lucky enough to receive European support. European solidarity has a limit and the approval of this latest package has already shown that many in the East, North and even Central Europe do not want to see the same funds being siphoned off by states which do not make wise use of them. As citizens, we should all demand an explanation of how the funds are spent and even a daily profit and loss account, as has been done (in my view too much already) with the daily briefings by the Health National Board. It is frightening to see that the majority of Portuguese are still not really concerned about the situation of the country, the palliatives are having their effect. The chronic lack of strategic vision, let's be positive, then we'll see, all in the interest of Social Justice - the new concept that nobody can explain but it's great to throw everything into the same bag and shirk responsibilities.

 

This is the time also to wake up as a country, to understand the millions that are wasted in grants both for social causes, useless associations and mercy, and for business corporations that make improper use of them, and for the public purse where municipalities are included, and for a countless number of public and private interests that bring nothing good to a country. We must be able to say no! We must know how to apply all these funds and demand a set of specifications, we cannot spend millions on white elephants and millions on associations that each year hold an exhibition for the poor! We must demand results. We have to understand why every day I always meet someone who says he is in layoff but continues to work and the company receives funds from all of us! These funds are not to be used for the purchase of Porsches that transformed one of the poorest regions of Europe into the one that had the most concentration of premium vehicles, the Vale do Ave.

 

Portugal must also understand how many useless positions it has in the civil service and eliminates them! You can start by reconverting because there are areas (also public) where resources can be well applied! It makes no sense to have 10 administrators who spend the day playing solitaire drinking coffee in a department that issues one case per month and in a hospital to be in need of help you have a lack of human resources! We also have to have the courage to eliminate jobs if we have to, we cannot allow many useless wage earners paid with our taxes to keep looking away because their job is not affected. In the private sector too, we must be serious, and the pandemic has shown that there are also many unprofitable jobs!Many of these jobs are being kept at the expense of low wages and because many entrepreneurs like to have their "office" full as it is. Many of these jobs are being kept at the expense of low wages and because many entrepreneurs like to have their "office" full because it sounds like a big corporation! Those are the same ones where everything can be missing in the organization except the paper and the printer!

 

We must also cease to destroy the outstanding human resources that we have! We cannot export individuals who are brilliant and would lend so much to this country! We cannot, we must pay them, we must take them in. We cannot leave these individuals out of the labor market or hire them and promise them a brilliant career and build them a wall just because we still have a medieval mentality. We cannot have job advertisements (when they exist) wherever they go and in whatever area and position they seem to copy-paste each other and recruiters who are obsolete, inoperative, and tremble whenever a CV does not comply with the Europass. We cannot let candidates who go for a job interview be neglected because they are innovative, uncomplicated, shake up the status quo, and take the "mistake" of asking what the organizations' objectives for that position are - a question that never gets answered! We can't overlook candidates who show what they're worth and listen to the "good here is me, not you" answer. We have to surround ourselves with the best, we even have to allow our place to be taken by those same individuals later on - we don't have to be dinosaurs in the same organizations for eternity. We cannot look at high turnover rates in certain departments with the idea that everyone who goes there is bad and the dinosaur in the leadership position is good because he has been in the position for over 10 years! The problem is not the soldiers but the general!

 

We need to work on our soft skills, our citizenship and this is not only done through training. We have to incorporate new teachings and not give the excuse of "but it's always been like this" or "it doesn't work here" or "it's cultural". It is rare to have the headquarters located outside so that certain internal tricks are not discovered. It is necessary to open to the world and this is not done with a cheap trip to that country! You have to take your brain and not just your camera!

 

In universities, we have to understand what matters and what does not matter. Only a fool doesn't understand that in such a small country there are universities that never end and that are also a drain on public money, a stage for academics and some of them with useless courses and in many cases unrelated to the labor market. We also have to bet on technical and pre-university education, but then we can't pay the minimum wage to technicians who are highly qualified. We cannot say that the country is evolving like never before because 51 000 students have entered higher education courses... Get there is easy, in many areas, you can even make it with your eyes closed -the problem comes later.

 

We must also say that the high tax burden is not an exception in salaries and it's not only the bosses' fault (in Portugal we still say, bosses...). We cannot allow double taxation as happens in car tax, but the thirst to have a new car is greater than the thirst to demand rights and duties! It is this thirst that contributes to the hunger of the future.

 

We need to pay attention to the very best, we need to know where they are, and they are not only in magazines, on social networks, and on television... They are not in publications with paid articles, in exchanges of favors, or receiving paid prizes. For example, there is an individual in the human resources field who has built up a career with prizes in years that the organizations went through strikes all the time and scandals. We have to understand where these people are, we have to place them in a group apart and take advantage of them as Plato would say, we cannot allow mediocrity to associate with more mediocrity and produce even more mediocrity.

 

The leaders of this country cannot be made in newspaper and television newsrooms, they cannot be made in partisan youth, they cannot be made in corporatism and in Freemasonry rags that grow in all areas, they must be developed and found in the public square, based on their achievements and on the guidance of great leaders, committed to the well-being of their own, because this is also the source of their well-being. All this is complex and not with unlimited hours of work... Speaking of unlimited hours, our desire to always say that we are working, that we work hours and hours on end, that we are always in meetings and calls, and that in the end, it doesn't turn into earnings. Let's do only 10% of the much that we see preaching here and there, and probably we'll have a better place, let's break the taboos, let's talk head-on about the problems - that's where the success of the solutions comes from - and let's make sure that Eça's works are really past and not current, let's let Raúl Brandão's reports of the French invasions not be a rotten Portugal that is still there today and let Junot's wife not run away to France in panic. And Junot who was not exactly a gentleman...

 

Let's stop with "acomismes", denying this world in a kind of hope for a brighter future. This future will not be bright and only the ability of today to prepare for tomorrow's challenges will make it possible to guarantee minimum welfare for all. Let us not let distractions and the idea that we are apparently too far ahead make us give up on ourselves - let us lower the provincial ego (which disguises instability and insecurity). As Raghuram Rajan will tell us, "people innovate when they are confident that they can question, when they are open to more radical changes and when they do not fear reprisal for it".

 

Finally, let us stop looking at corruption as a natural thing! Corruption is an attack on Human Rights, but there is always the feeling that in every Portuguese there is always someone with some kind of skeletons in the closet. We must demand more of our politics and of our Justice, the same justice that now seems to be discredited because football and other institutions that dominate the narrow-minded people who live the week waiting for the "Circus Maximus". They keep spitting in our faces, starting with the President (paternalism is the enemy of freedom and democracy) and going down the road, passing judges to individuals laughing at us in the middle of the Senate. Fighting this is populism, it is now the excuse of the political spectrum from right to left-wing.

In culture, too, we must look ahead, value those who work in it, put it at the service of society, and stop understanding it only as a channel for more and more subventions. An agent of culture does not have to live off the state, he has to try to sell his work in a society that also has to appreciate what is good about the arts. We have to understand how we can bring people because even the most illiterate are able to appreciate Ibsen or Picasso, we need to get out of the top of the intellect where this developed world is only understood by us, we have to have a culture without vices and also corporatism. Always the same faces, always the same topics... Demand the freedom to have a play "Catherine and the beauty of killing communists" and not only "Catherine and the beauty of killing fascists"... Always the same, always the same themes and always the same incompatibilities... After all, a director of a national theatre uses this one as a disseminator of his work and his ideology (which has been condemned by the European Union) with all that is good for him, forgetting the words of Vergílio Ferreira who said that to be an artist was to exhaust the moment that fell to us.

 

All this is not technical, as it is easy to set up a factory or transform a country in terms of infrastructure, it is difficult to change behavior and make things happen? In terms of changing behavior, many try to do so, especially lately, but with political and corporate objectives, based on hypes and uninformed a society that is more easily manipulated when it is so and proudly finds itself very informed.

 

It depends on each one of us, and damn... To get here so much blood has flowed, there were already so many who descended from the families of Altamira sought and died so that today we are on a level of evolution never seen before, let us make use of it and show that the achievements and mistakes of our ancestors, were not in vain!

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Se nada fizermos, Portugal vai ao fundo!

por Robinson Kanes, em 28.09.20

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London Imperial War Museum

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Um chapéu é apenas uma panqueca, posso ir comprá-lo ao Zimmermann, mas aquilo que se guarda debaixo do chapéu, isso já não se pode comprar.

Fiodor Dostoievski, in "Crime e Castigo"

 

Faço uma espécie de plágio de um título recentemente utilizado por José María Gay de Liébana ("España se hunde y no hacemos nada"), um conhecido economista espanhol que olha para a economia de frente e não raras vezes tem de desmentir jornalistas com tiques de economistas.

 

Antes de passar ao conteúdo do artigo, propriamente dito, aproveito para trazer também algumas palavras deste economista que ainda recentemente, admitiu a perplexidade pelo facto de em Espanha se legislar por tudo e por nada ("sobre el pulpo casero, los vuelos de las palomas ciudadanas") e se continuar a ignorar os factos relevantes que, sendo colocados de lado por vias de um certo "atirar de areia para os olhos" levarão Espanha a um estado de calamidade económica dificilmente ultrapassável. Por momentos, parece que estamos a falar de Portugal...

 

O dinheiro das bazucas (e como ainda não digeri esta espécie de mendicidade e orgulho no dinheiro alheio) continua sem ter um destino, aliás, muito deste dinheiro está já destinado ao Estado, às políticas sociais (um jargão para camuflar o desconhecimento da aplicação dos fundos). Ninguém sabe para onde vai e também ninguém parece estar interessado. As crises serão constantes, o mundo dos "30 anos dourados" já não existe há muito e os períodos de prosperidade serão cada vez menos duradouros o que provocará o colapso de muitos economias e, na hora de decidir, só aqueles que melhor se adaptarão e melhor uso farão das divisas, serão os felizes contemplados com apoios europeus. A solidariedade europeia tem um limite e a aprovação deste último pacote já mostrou que a Leste, a Norte e até no Centro da Europa são muitos os que não pretendem assistir ao sorver destes mesmos fundos por Estados que não fazem uma utilização criteriosa destes. Como cidadãos, todos devemos exigir uma explicação da aplicação dos fundos e inclusive a demonstração dos resultados numa base diária, como se tem feito (em meu entender já em demasia) com os briefings diários da Direcção-Geral de Saúde. É assustador perceber que a maioria dos portugueses ainda não está verdadeiramente preocupada com a situação do país, os paliativos estão a ter o seu efeito... A crónica ausência de visão estratégica, vamos ser positivos, depois logo se vê, tudo em prol da Justiça Social - o novo conceito que ninguém sabe explicar mas é óptimo para colocar tudo no mesmo saco e fugir às responsabilidades. 

 

Este é o momento para também despertarmos como país, para percebermos os milhões que são desperdiçados em subvenções quer para causas sociais, associações inúteis e misericórdias, quer para organizações empresariais que fazem mau uso destas, quer para o erário público onde se incluem autarquias e para um sem número de interesses públicos e privados que nada trazem de bom para um país. Temos de saber dizer não! Temos de saber aplicar todos estes fundos e exigir um caderno de encargos, não podemos gastar milhões em elefantes brancos e milhões em associações que por ano realizam uma exposição para os pobrezinhos! Temos de exigir resultados. Temos de perceber porque é que todos os dias encontro sempre a alguém que diz estar em layoff mas continua a trabalhar e a empresa a receber fundos de todos nós! Estes fundos não são para ser aplicados na compra de Porsches que transformaram uma das regiões mais pobres da Europa naquela que mais concentração tinha de veículos topo de gama, o Vale do Ave.

 

Portugal tem também de perceber a quantidade de posições inúteis que tem na função pública e eliminar as mesmas! Pode começar pela reconversão, pois existem áreas (também públicas) onde os recursos podem ser bem aplicados! Não faz sentido ter 10 administrativos que passam o dia a jogar solitário a beber cafés num departamento camarário que emite um processo por mês e num hospital estarmos a precisar de auxiliares! Temos de também ter coragem de eliminar postos de trabalho se assim tiver que ser, não podemos é permitir que muitos inúteis assalariados pagos com os nossos impostos continuem a assobiar para o lado porque o seu emprego está intacto. Também no sector privado temos de ser sérios, e a pandemia veio demonstrar que existem também muitos empregos improfícuos! Muitos destes empregos vão sendo mantidos porque os salários são baixos e porque são muitos os empresários que gostam de ter o "escritório" cheio porque dá a ideia de que se é uma grande organização! São os mesmos em que tudo pode faltar na organização, menos o papel e a impressora!

 

Temos também de deixar de destruir os óptimos recursos humanos que temos! Não podemos exportar indivíduos que são brilhantes e dariam tanto a este país! Não podemos, temos de lhes pagar, de os acolher. Não podemos deixar estes indivíduos fora do mercado de trabalho ou contratar os mesmos prometendo uma carreira brilhante e encostá-los a um canto, porque ainda temos a mentalidade da courela! Não podemos ter anúncios de emprego (quando os há) onde seja para que área e posição forem, parecem copy-paste uns dos outros e recrutadores obsoletos, inoperantes e que tremem sempre que um CV não segue o Europass. Não podemos deixar que candidatos que se dirigem a uma entrevista de emprego sejam negligenciados porque são inovadores, descomplicam, abanam o status quo e cometem o "erro" de perguntar quais são os objectivos da organização para aquela posição - pergunta que nunca tem resposta! Não podemos preterir candidatos que mostram aquilo que valem e ouvem a resposta do "o bom aqui sou eu, era só o que faltava". Temos de nos rodear dos melhores, temos até de permitir que o nosso lugar mais tarde possa vir a ser ocupado por esses mesmos indivíduos - não temos de ser dinossauros nas mesmas organizações anos e anos a fio. Não podemos olhar para altas taxas de turnover em determinados departamentos com a ideia de que todos os que lá passam são maus e o dinossauro que ocupa a posição de chefia é que é bom porque já ocupa o cargo há mais de 10 anos! O problema não está nos soldados está no general!

 

Precisamos de trabalhar as nossas soft skills, a nossa cidadania e isso não se faz só com uma acção de formação. Temos de incorporar novos ensinamentos e não darmos a desculpa do "mas sempre foi assim" ou do "aqui não resulta" ou ainda do "é cultural". São raros os casos de fintas que são feitas a headquarters localizados no exterior para que não se descubram certas manhas internas. É preciso abrir para o mundo e isso não se faz com uma viagem barata àquele ou a este país! É preciso levar o cérebro e não só a máquina fotográfica!

 

Nas universidades temos de perceber o que importa e o que não importa. Só um tolo não percebe que num país tão pequeno existem universidades que nunca mais acabam e que são também um sorvedouro de dinheiros públicos, um palco para académicos e algumas delas com cursos inúteis e em muitos casos sem qualquer relação com o mercado de trabalho. Temos de apostar também no ensino técnico e pré-universitário, mas depois não podemos pagar o salário mínimo a técnicos não superiores mas altamente qualificados. Não podemos dizer que o país evolui como nunca porque entraram 51 000 alunos em cursos superiores... Entrar é fácil e actualmente até tirar um curso superior, em muitas áreas, se consegue de olhos fechados, o problema vem depois.

 

É preciso dizer basta também à elevada carga de impostos, nos salários não é excepção e a culpa não é só dos patrões (em Portugal ainda dizemos patrões...). Não podemos permitir duplas tributações como acontece no imposto automóvel, mas a sede de ter um carro novo é maior que a sede de exigir direitos e deveres! É essa sede que contribui para a fome do futuro.

 

Também temos de ouvir os melhores, temos de saber onde eles estão, e esses não andam só nas revistas, nas redes sociais e nas televisões... Não andam em publicações com artigos pagos, em trocas de favores ou a receberem prémios pagos. A título de exemplo, existe um indivíduo que na área dos recursos humanos tem construído carreira com prémios em anos que as organizações por onde passam fazem greves a todo o momento e os casos de escandaleiras são uma realidade. Temos de perceber onde essa gente, temos de colocar esses cidadãos num grupo à parte e aproveitá-los como nos diría Platão, não podemos é deixar que a mediocridade se associe a mais mediocridade e produza ainda mais mediocridade.

 

Os líderes deste país não podem ser fabricados nas redacções de jornais e televisões, não podem ser fabricados em juventudes partidárias, não podem ser fabricados no corporativismo e em rascas maçonarias que crescem em todas as áreas, devem ser desenvolvidos e encontrados na praça pública, com base nos seus méritos e no acompanhamento de grandes líderes, comprometidos com o bem-estar dos seus, pois daí advém também o seu bem-estar. Tudo isto é complexo e não é com horas ilimitadas de trabalho... Falando em horas ilimitadas, o nosso desejo de dizer sempre que estamos a trabalhar, que trabalhamos horas e horas a fio, que estamos sempre em reuniões e calls e que no final não se converte em ganhos. Façamos só 10% do muito que vemos apregoar aqui e alí, e provavelmente teremos um país melhor, quebremos os tabús, falemos frontalmente dos problemas - é daí que vem o sucesso das soluções - e façamos com que as obras de Eça sejam mesmo passado e não actualidade, deixemos que os relatos de Raúl Brandão das invasões francesas não sejam um podre Portugal que ainda hoje ali se revê e que a mulher de Junot não fuja para França em estado de choque. E Junot que não era propriamente um cavalheiro...

 

Deixemo-nos de acomismes, de negar este mundo numa espécie de esperança num futuro brilhante. O futuro não será brilhante e só a capacidade de hoje nos prepararmos bem para o amanhã fará com possamos garantir mínimos de bem-estar para todos. Não deixemos que as distracções e uma ideia de aparentemente estarmos muito à frente nos faça desistir de nós próprios - baixemos o ego (que disfarça instabilidade e insegurança) provinciano. Como nos dirá Raghuram Rajan, "people innovate when they are confident that they can question, when they are open to more radical changes and when they do not fear reprisal for it".

 

Finalmente, paremos de olhar para a corrupção como uma coisa normal! A corrupção é um atentado aos Direitos Humanos, mas fica sempre a sensação de que em cada português há sempre alguém com uma espécie de esquema ou telhado de vidro. Temos de exigir mais da nossa política e da nossa Justiça, a mesma justiça que agora parece estar descredibilizada porque o futebol e outras reais instituições do reino dominam os cérebros tacanhos que vivem a semana à espera do circus maximus. Continuam-nos a cuspir na cara, começa na Presidência da República  (paternalismo é inimigo da liberdade e da Democracia) e vai por aí abaixo, passa pelos juízes até indivíduos que se riem de nós em plena Assembleia da República. Lutar contra esta é populismo, é agora o argumento do quadrante político da direita à esquerda.

 

Também na cultura temos de olhar para a frente, valorizar quem trabalha nesta, colocar a mesma ao serviço da sociedade e deixar de entender esta apenas como um canal para mais e mais subvenções. Um agente de cultura não tem de viver do Estado, tem de procurar vender o seu trabalho numa sociedade que também tem de apreciar o que de bom se faz nas artes. Temos de perceber como é que podemos trazer as pessoas, porque até mesmo o mais iletrado é capaz de apreciar Ibsen ou Picasso, precisamos é de sair do topo da intelectualidade onde esse mundo desenvolvido só é compreendido por nós, temos de ter uma cultura sem vícios e também ela um corporativismo em muitas situações, sempre os mesmos rostos, sempre os mesmos temas... Exigir a liberdade de ter uma peça "Catarina e a beleza de matar comunistas" e não apenas "Catarina e a beleza de matar fascistas"... Sempre os mesmos, sempre os mesmos temas e sempre as mesmas incompatibilidades... Afinal, um director de um teatro nacional, usa este como divulgador da sua obra e da sua ideologia (por sinal condenada pela União Europeia) com tudo o que de bom para este daí advém, esquecendo-se das palavras de Vergílio Ferreira que afirmava que ser artista era esgotar o instante que nos coube.

 

Tudo isto não é técnico, pois é fácil erguer uma fábrica ou transformar um país em termos de infraestruturas, difícil é mudar o comportamento e fazer com que as coisas acontençam... Em termos de mudança de comportamento, muitos o tentam, sobretudo ultimamente, mas com objectivos políticos e corporativistas, alicerçados em hypes e desinformado uma sociedade que mais facilmente é manipulada quando assim é e orgulhosamente se acha muito informada.

 

Depende de cada um de nós, e caramba... Para chegarmos aqui já foi tanto o sangue que correu, já foram tantos aqueles que descendendo das famílias de Altamira procuraram e morreram para que hoje estejamos num patamar de evolução nunca antes visto, façamos uso disso e mostremos que as conquistas e os erros dos nossos antepassados, não foram em vão!

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O Fim da Duralex...

por Robinson Kanes, em 26.09.20

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Créditos: https://www.pinterest.pt/pin/374502525257023726/

 

Foi por Espanha, nomeadamente pelo El País, que soube do fim anunciado da Duralex. Talvez muitos não o saibam, mas a Duralex era o fabricante da "inquebrável" louça de vidro, aquela de aspecto âmbar. Uma imagem de marca dos anos 60 e 70!

 

Recordo-me de, em casa dos meus pais, existirem dois conjuntos: um que se utilizou e mais tarde se deu a uma família carenciada e o outro, intocado que, muito recentemente, me foi doado pela minha mãe - lembro-me dessa primeira doacção, parecia novo apesar do muito uso. Como me recordo, à semelhança de outros, de ouvir dizer "este conjunto que comprámos em Espanha". A Duralex era um ícone das louças mais comuns, em Espanha teve um tremendo sucesso, uma espécie de louça de Sacavém e até teve destaque no original da série "Conta-me como Foi", uma "cópia do original "Cuéntame". 

 

Ao longo dos anos assisti à morte de muitas louças caras, mas a Duralex sobreviveu ao passar dos anos e à minha capacidade de partir pratos e copos devido a umas mãos escorregadias para louças.

 

Dura lex, sed lex, seria a inspiração e slogan para o nome da marca, por incrível que pareça. Desenvolvida pelo actual gigante "Saint-Gobain", os franceses detentores da antiga COVINA em Portugal, e depois de vários investimentos, não resistiu à crise actual causada pela quebra no consumo e no fecho da economia e cedeu.

 

A louça utilitária (ainda me causa alguma impressão o conceito de "louça decorativa") que já era uma peça vintage, despede-se assim e encerra mais uma recordação de um velho/novo Mundo. Talvez agora, seja a oportunidade de sair das cozinhas e das salas dos menos abastados e ocupar a mesa dos mais ricos ou dos locais mais nobres, afinal, a morte transforma a miséria em nobreza.

 

Não estou presente na casa que agora está mais rica com estas peças, mas por certo, aquelas peças, daquele conjunto, terão ainda um maior valor afectivo, pois além da memória dos meus pais serão também a memória de uma época.

 

Duralex, eterna lutea...

 

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Bayeux, a Norman jewel...

por Robinson Kanes, em 25.09.20
 

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Photos: Robinson Kanes

 

 

One of the most beautiful cathedrals in France is located in the department of Calvados, in the Normandy region, more precisely in Bayeux!

 

However, before entering the cathedral, Bayeux has the curiosity of having been the first city to be liberated in the Battle of Normandy! It is also for this reason that it houses the cemetery of all the journalists who have been killed following scenes of conflict since 1944! It is also in the vicinity of the centre of Bayeux that the largest British cemetery of the Second World War is found. But leaving the less good experiences, Bayeux is known for its 11th-century tapestry and where the conquest of England by the Normans led by William II is "reported". It deserves to be visited even because it is catalogued by UNESCO, especially for its carpets.

bayeux_cathedral_france (1).jpgBut what can take someone like me to Bayeux is the opportunity to get to know another Norman town and appreciate the calm and friendliness of its residents, in a near trip to the past. If we expect to spend a morning or an afternoon, we quickly realize that we have to stay longer.

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Returning to the cathedral, we quickly realized the Gothic style that is due to its reconstruction during the 11th century. I would like to emphasize the central nave that guides us through the immense stained-glass windows that spread throughout the entire structure. For lovers of this art, no doubt you will see here your thirst for knowledge quenched.

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Nor can we forget where we are, so in every corner, we are reminded of a not too distant past and where all those who fell in the name of freedom in Europe are remembered.

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If you like Normandy, surely you can't miss Bayeux, because any of the roads there is a real tour full of landscapes that are the real postcard of Normandy.

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Uma jóia normanda: Bayeux

por Robinson Kanes, em 25.09.20
 
 

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Uma das mais belas catedrais de França está situada no departamente de Calvados, na região da Normandia, mais precisamente em Bayeux!

 

No entanto, antes de entrarmos na catedral, Bayeux tem a curiosidade de ter sido a primeira cidade a ser libertada na Batalha da Normandia! É também por isso, que acolhe o cemitério de todos os jornalistas abatidos a acompanhar cenários de conflito desde 1944! Também é nas imediações do centro de Bayeux que se encontra o maior cemitério britânico da Segunda Guerra Mundial. Mas deixando as experiências menos boas, Bayeux é conhecida pela sua tapeçaria do século XI e onde se encontra "relatada" a conquista de Inglaterra por parte dos normandos liderados por Guilherme II. Merece ser visitada até porque está catalogada pela UNESCO, sobretudo pelos seus tapetes.

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Mas o que pode levar alguém como eu a Bayeux é a oportunidade de poder conhecer mais uma localidade normanda e apreciar a calma e simpatia dos seus residentes, num quase viajar ao passado. Se esperamos passar uma manhã ou uma tarde, rapidamente percebemos que temos de ficar mais tempo.

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Regressando à catedral, rapidamente percebemos o estilo gótico que se deve à reconstrução da mesma durante o século XI. Destaco a nave central que nos guia pelos imensos vitrais que se espalham ao longo de toda a estrutura. Para apreciadores desta arte, sem dúvida que verão aqui a sua sede de conhecimento saciada. 

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Também não podemos esquecer onde estamos, pelo que, em cada canto somos recordados de um passado não muito longínquo e onde se recordam todos aqueles que tombaram em nome da liberdade na Europa.

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Se gostarmos da Normandia, por certo que não podemos deixar de conhecer Bayeux, até porque qualquer das estradas até lá é um verdadeiro passeio carregado de paisagens que são o verdadeiro postal da Normandia. 

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A pacata e firme Caen

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The peaceful and firm Caen...

por Robinson Kanes, em 24.09.20
 
 

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Photos: Robinson Kanes 

 

 

Caen is one of those cities that, at least for me, always deserved a visit. Not for the whole city, not for being extremely beautiful, not for being close to the PSA factory... For those who appreciate history, Caen is mandatory to visit, especially when we talk about the history of the Middle Ages, the German occupation, and the landing in Normandy - it is the ideal place to rest after a visit to the Normandy beaches.

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Located in Basse-Normandie, more precisely in the Department of Calvados, Caen is a peaceful city and has in William "the Conqueror" one of its great names, moreover, it is buried in what is the most imposing monument of the city, the "Abbaye-aux-Hommes", a Benedictine abbey of extraordinary beauty and a true example of Romanesque construction. It is here that we find the "Mairie" (Town Hall) and the "Église de Saint Etienne". It is worth walking through the streets to get there, especially if you come by the "Rue de Fossés Saint Julien".

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However, when we visited the Abbey, we entered the "Jean Marie Louvel Esplanade". It is nothing more than a very large garden that places us in front of what is the monument that most fascinates me in Caen, the "Église de Saint-Étienne-le-Vieux". I must confess my passion for ruins but also for the fact that this church is still standing after being practically destroyed during the "Hundred Years War" at the time of the siege of Caen. I admire the building for having remained in ruins for centuries - despite some attempts to rebuild it - and for having been almost reduced to rubble by a German projectile during World War II. Standing is a real achievement. Perhaps that's why it deserves such interest, and it's quite interesting from an architectural point of view.

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To travel through Caen is indeed to know a Norman city, but it is undeniable the historical burden in terms of wars and conflicts that the city carries. It is impossible not to stop feeling the strength of the city that several times was reduced to ashes. A fortified city, as it couldn't be otherwise, it is interesting to see its peacefulness, sometimes too peaceful for the Mediterranean, even when you climb its walls and try to glimpse all the details of the city.

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But it is within the walls that the soul is animated because when you least expect it, especially if a medieval Norman fair is taking place, you find a work of art which, even in the distance, lets out a "that is a Rodin"! It is also between walls that we find another of the great works of the master, one of the best sculptors of all time!

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In fact, we end up liking this city, the ideal refuge in Normandy, especially if we choose a hotel that is right inside a hospital. It's not a top hotel and we don't see or hear ambulances all the time - neither are the helicopters landing right on top audible - and from what I've seen it's several times that you land and take off.

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We left Caen, not before finding another ruin, the "Église Saint-Julien", a church whose first reference dates back to 1150 and which also suffered from the "Hundred Years' War" and was left in the rubble at the time of the famous bombing of 7 July 1944.

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It is an interesting and calm place, even if it is close to a busy street and right in the centre of Caen. The visit to this landmark and to the "Mémorial de Caen" promises to mark who visits the city.

 

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Honfleur, a fishing town...

por Robinson Kanes, em 24.09.20
 
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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

My passion for these towns is more than obvious... Throughout my childhood and adolescence (and why not... adult age) the sea was always there. Having a part of the family connected to the sea it is natural that genes are playing their role here.

 

Honfleur, although not a colossus, is that city where the Seine meets the English Channel and, according to some (i.e. me), where that river loses all that romanticism, which some (i.e. me) do not recognize it. I like, in spite of everything, Honfleur... A quiet town in Calvados, just in the middle of Normandy. A quiet town, with a small bay where we find some leisure boats that contrast with those that work and seek the sea riches of the English Channel. I still prefer it the other way around, but tourism, the cities, and the functionalism of the city itself force this change.

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I love downtown... Being in Honfleur and not enjoying the bars and restaurants by the sailboats is not going to Honfleur - this area is called "Vieux Bassin". However, and knowing Normandy relatively well (for a visitor), I had never been to Honfleur. I like the cafés inside the city, especially the quiet streets, in a different way from being in a port city that ends up being invaded by tourists or was not one of the first tourist attractions for those crossing the English Channel or even entering from the north of France.

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A trading city in the midst of history and one of the most disputed during the Hundred Years War (once again the proximity to England), I am also pleased to be the city where Erik Satie was born - who knows, some of his "Gymnopédies", will not have had any inspiration around here... I don't think so, but that note reinforces a need to visit this city. With a history linked to Impressionism, it is also a city where the plastic arts have their place, I highlight only the "Eugène Boudin Museum" which houses paintings by the artist and also from Monet.

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One of the great attractions, however, is the "Church of Saint Catherine"! Totally made of wood, much because of the naval tradition, it is really a charm for those who like architecture! A wooden church, with the intense smell of old wood and all that particular austerity, is a surprise of those that mark!

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Tired of the smell of wood and of such great wealth, nothing like stopping at the coffee shop near the restaurant "Entre Terre & Mer". Being the same owners, I have to thank the two collaborators who, serving only two expressos, treated us as if we had lobster dinner or other delicacies from that sea so close by - without advertising because I paid the respective two euros for each one.


Finally, and talking about this aspect in a country with such beautiful bridges as Portugal is not exactly fascinating, however, nothing like enjoying the (expensive) views from the "Ponte de Normandie" to the Estuary of the Seine or even from the same river still confined in a shorter space by the "Ponte de Tancarville" - coming from Le Havre, there is no escape.

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The peaceful and firm Caen

Bayeux, a Norman Jewel

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A pacata e firme Caen...

por Robinson Kanes, em 24.09.20

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Caen é daquelas cidades que, para mim, sempre mereceram uma visita obrigatória. Não pelo conjunto da cidade, não por se extremamente bela, não pela proximidade com a fábrica da PSA... Para quem aprecia História, Caen é uma visita obrigatória, sobretudo quando falamos da história da Idade Média, da ocupação alemã e do desembarque na Normandia - é o local ideal para repousar após uma visita pelas praias desse mesmo desembarque.

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Situada na Baixa Normandia, mais precisamente no Departamento de Calvados, Caen é uma cidade pacata e que tem em Guilherme "o Conquistador" um dos seus grandes nomes, aliás, encontra-se sepultado naquele que é o monumento mais imponente da cidade, a "Abbaye-aux-Hommes", uma abadia beneditina de extraordinária beleza e um verdadeiro exemplo de construção românica. É aí que encontramos a "Mairie" (Câmara Municipal) e a "Église de Saint Etienne".  Merece a pena percorrer as ruas até aí chegar, sobretudo se viermos pela "Rue de Fossés Saint Julien"

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Todavia, visitada a Abadia, entramos na "Esplanade Jean Marie Louvel". Não é mais que um jardim bem amplo que nos coloca diante daquele que é o monumento que mais me apaixona em Caen, a "Église de Saint-Étienne-le-Vieux". Admito a paixão por ruinas mas também pelo facto desta igreja continuar de pé depois de ter sido praticamente destruída durante a "Guerra dos Cem Anos" aquando do cerco de Caen. Admiro a construção por ter continuado em ruinas durante séculos - apesar de algumas tentativas para que fosse reconstruída - e ainda por ter sido quase reduzida a escombros por um projéctil alemão durante a II Guerra Mundial. Estar de pé é uma verdadeira conquista... Talvez por isso mereça tamanho interesse, além de que é bastante interessante do ponto de vista arquitectónico.

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Percorrer Caen é efectivamente conhecer uma cidade normanda, mas é inegável a carga histórica em termos de guerras e conflitos que a cidade carrega. É impossível não parar de sentir a força da cidade que por várias vezes se viu reduzida a cinzas. Cidade fortificada, como não poderia deixar de ser, é interessante a pacatez da mesma, por vezes, demasiado pacata para um mediterrânico, mesmo quando se sobe às suas muralhas e se tenta vislumbrar todos os detalhes da cidade.

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Porém, é dentro das muralhas que a alma se anima, pois quando menos se espera, sobretudo se estiver a ter lugar uma feira medieval normanda, encontramos uma obra de arte que, mesmo ainda ao longe, faz soltar um "aquilo é um Rodin"! É também entre muralhas que encontramos mais uma das grandes obras do mestre, um dos melhores escultores de todos os tempos!

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Na verdade, acabamos por gostar desta cidade, o refúgio ideal na Normandia, sobretudo se escolhermos um hotel que fica mesmo dentro de um hospital. Não é um hotel de topo e também não vemos nem ouvimos ambulâncias a toda a hora - nem os helicópteros que aterram mesmo no topo são audíveis - e pelo que vi são várias as vezes em que se aterra e descola.

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Deixamos Caen, não sem antes encontrar mais uma outra ruina, a "Église Saint-Julien", uma igreja cuja primeira referência data de 1150 e que também sofreu com a "Guerra dos Cem Anos" e ficaria em destroços aquando do famoso bombardeamento de 7 Julho de 1944.

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É um recanto interessante, calmo, mesmo que perto de uma rua movimentada e bem no centro de Caen. A visita a este espaço e ao "Mémorial de Caen" prometem marcar quem visita a cidade. 

 

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