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De Bicicleta: Barragem dos Minutos e Safira

por Robinson Kanes, em 28.08.20

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

A vida é tão estupidamente bela. Que significa a beleza do mundo sem um homem que a testemunhe? Que significa quando não houver um homem para a testemunhar? Mas é precisamente o que significa, agora que ainda o há.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente II"

 

 

 

A manhã está a meio. É altura de tirarmos a Scott e a KTM do carro. Uma roda 26 e uma roda 29, no Alentejo a segunda será rainha. Estamos na Barragem dos Minutos, deixámos Montemor-o-Novo para trás e seguirmos a estrada de Estremoz. Ao contrário do que esperávamos, o movimento era nulo... Queremos estrada, mas queremos apreciar toda a envolvente desta barragem, uma das mais adoradas pelo quatro patas de 41 quilos. 

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Um pequeno paraíso com muitas paragens, faz-nos lembrar o caminho da albufeira de Montargil onde as paragens são também constantes para apreciar a natureza. É por ali que queremos ficar e é por ali que acabamos por almoçar, um aviado em Montemor-o-Novo fez o milagre da multiplicação da proteina.

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De história tem pouco, talvez os bons momentos nunca tenham grande história, pelo que, seguimos para Montemor-o-Novo, abandonamos a N4 e entramos por Safira - a aldeia abandonada que divide com Santo Aleixo muitas e muitas histórias mas já sem gente que, segundo historiadores locais (Jorge Fonseca é um deles), abandonou a aldeia devido ao seu isolamento. Bicicletas para o chão, lugares inóspitos e austeros é connosco... E encontrar chatices também...

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Muita poeira no alumínio e além de escombros que contam história de um passado assim não tão longínquo a bela planície alentejana, sobretudo quando ganha aquela cor de fim de dia. Percorrer caminhos de terra batida desconhecidos, ver o gado, sentir o inegável cheiro da terra seca. Aquela aridez única e que na Península Ibérica consigo encontrar na Extremadura e no sul de Aragão, bem perto de Teruel. Aqui, contudo, os cheiros são muitos e continuamos o percurso não temendo o crepúsculo e o fim da luminosidade de um dia inesquecível. Não estamos equipados com iluminação, hoje não era dia para isso, mas continuamos e continuamos, mesmo tendo deixado o carro parado no meio de um qualquer monte sem ninguém num raio de muitos quilómetros.

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Pouco importa, na planície alentejana só nos podemos perder com uma das regiões mais bonitas para apreciar o pôr do sol, seja em que época do ano for. Continuamos e, face à falta de água, somos levados a voltar, caso contrário ainda chegaríamos a Santa Susana ou até mesmo ao Estuário do Sado.

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A noite já chegou e conseguimos encontrar o carro, em horas de viagem não vimos ninguém a não ser as aves e o gado e esse foi talvez um dia com mais companhia do que pensávamos. Também por estrada e dias depois, e em mais um regresso de Madrid, já com o asfalto a ditar-nos o percurso, lá estava o mesmo sol, o mesmo crepúsculo que só o sul da Ibéria pode oferecer. E se quiserem o acompanhamento perfeito, lamento, mas tenho de atravessar a fronteira e dançar no assento com os El Duende Callejero e porque não, o tema "Barre las Piernas"...

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E isto é o quê?

por Robinson Kanes, em 27.08.20

As sociedades modernas acreditam nos dogmas humanistas e socorrem-se da ciência para os confirmar e implementar e não para os questionar.

Yural Noah Harari, in ""Homo Deus"

 

Foi no dia 25 de Agosto, ou seja, anteontem... Onde estão as manifestações na rua? Onde estão os pedidos de justiça? É racismo? É violência contra idosos? Pode ser tudo, mas é um crime como muitos que temos visto, só que este precisa da CWB para se tornar conhecido e "por acaso" chegou à FOX. Vi tanta gente chocada com alguns vídeos por aí, até lamentando como era possível que outras pessoas não tivessem ficado em estado de choque, mesmo que no conforto do sofá. Dá que pensar...

 

Este foi em Janeiro deste ano...

Todas as vidas interessam, e independentemente de tudo o resto, temos que protestar é pelo cumprimento da lei... Porque segundo essa lei todos os cidadãos são iguais mesmo com as suas diferenças, sejam elas quais forem... O resto, além de "show off" e ignorância é dotado de "hypes" que só acentuam as diferenças e os extremismos.

 

 

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Obrigado SNS!

por Robinson Kanes, em 26.08.20

15287fcb90c41af48bf9a578484890fe-783x450.jpgCréditos: https://zap.aeiou.pt/hospital-lisboa-sem-radiologistas-202802

 

Este não é um artigo que surja no rescaldo do "vamos todos ficar bem" (uma bela cópia forçada do que espontaneamente surgiu em Itália), das palavras amáveis com profissionais de saúde e com palmas à janela para televisão captar ou porque estávamos com um medo enorme de morrer de COVID-19.

 

Este é um artigo que surge para agradecer de facto o bom trabalho realizado por muitos profissionais que todos os dias dando ou não o seu máximo garantem a nossa saúde. É também para enaltecer o bom trabalho e colocar um contraponto aos que argumentam que dispendem rios de dinheiro no privado (quem acha que a saúde não custa dinheiro ou então é grátis anda completamente alheado da realidade) mas não dão uma oportunidade ao Serviço Nacional da Saúde, não é tão... Aliás, quando o tema é medicina privada, já repararam que ninguém vai ai hospital? Vão à Luz, aos Lusíadas ou à CUF, entre tantos outros.

 

Todos os dias conheço muitos e muitos casos com relativa proximidade, pelo que, me focarei num dos mais recentes.

 

Em pleno pico da pandemia em Portugal, e perante a impossibilidade de um utente se dirigir ao seu médico de família, foi-lhe sugerido que contactasse a sua médica via email - contactar a médica de família via email, em Portugal, ainda é uma daquelas coisas que faz levantar um tornado de reclamações. Deu-se o contacto, e no dia seguine surge uma resposta. Mais uma troca de emails e o "convite" para em menos de uma semana se dirigir ao centro de saúde. Entrada imediata, atendimento em menos de 30 minutos e sem a enchente habitual daqueles que frequentam os centros de saúde diariamente como se fosse o café. Quando, incrivelmente, não se paga nem um euro de taxa moderadora é natural que tudo isto aconteça. Ser consultado e não pagar por isso, pouco que seja, nos tempos actuais, é qualquer coisa.

 

Feita uma observação clínica, porque era necessário, foram marcados exames que ao fim de uma semana e meia estavam prontos. Nova análise à distância com uma rapidez louvável (no próprio dia da recepção dos exames) e uma resposta com a indicação de que estava marcada uma consulta de especialidade num hospital central, nomeadamente o São José, em Lisboa - a carta chegaria entretanto.

 

Em menos de um mês chegou a carta e também em menos de um mês a consulta teve lugar. Hospital, normalmente a abarrotar e onde  confusão reina, totalmente calmo, apesar de algum movimento. Auxiliares à entrada dos serviços com mais simpatia, afinco e dedicação que em muitos lugares onde se vendem artigos ou experiências de luxo.

 

Espera para se ser atendido? Nem 30 minutos. O especialista, um médico da velha guarda, com muito conhecimento que em menos de um minuto deslindou o caso e, não sendo nada de grave, "quase colocou" a opção de cirurgia nas mãos do paciente, pois não era um caso de extrema gravidade. Papéis assinados, uma enorme simpatia (e até sou da opinião que um médico pode, mas não está lá para ser simpático) e a informação de que seria agendada a cirurgia.

 

Cirurgias no SNS? Lista de Espera? Nem neste ano nem para o próximo. Passavam pouco mais de 3 horas desde a consulta e um telefonema de uma médica (não foi de um assistente administrativo) a indagar da disponibilidade do doente para uma cirurgia em menos de um mês. Face à resposta de que existia essa disponibilidade, ficou marcado e aguarda-se o contacto do secretariado tendo em vista o fornecimento de todos os detalhes.

 

Entretanto, em todo este processo, ainda nem um euro saiu do bolso do utente que nem é isento e fica perplexo como é que tudo isto se está a fazer sem custos. Sem custos directos para si, mas com um gigantesco custo para o SNS, ou seja, para o Orçamento de Estado e consequentemente para todos nós. Não é uma pessoa rica, muito longe disso, mas não consegue ainda hoje lidar com o facto de não pagar nada, e até a cirurgia parece não ser uma preocupação.

 

Por tudo isto e muito mais, OBRIGADO SNS!

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Estado de Calamidade na Brasa...

por Robinson Kanes, em 25.08.20

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Créditos: https://www.huffingtonpost.fr/entry/scarface-va-avoir-droit-a-un-remake-signe-des-freres-coen_fr_5ebe6441c5b6500cdf6691f5

 

Hoje declarou-se o Estado de Calamidade no SardinhaSemLata. Podem acompanhar a nossa rubrica das terças-feiras. É já aqui.

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Não há festa como esta!

por Robinson Kanes, em 24.08.20

 

35583452_03048_oGOjESU_osCXP6o.jfifCréditos: https://www.dnoticias.pt/2020/8/20/71215-dgs-esta-a-pedir-mais-documentos-tecnicos-sobre-a-festa-do-avante/

 

Há várias instituições que organizam as suas iniciativas, e a avaliação sanitária há de valer da mesma maneira para todas as iniciativas (...) Não me parece que o vírus mude de natureza de acordo com a natureza das iniciativas.

Marcelo Rebelo de Sousa, 17 de Maio de 2020

 

 

Nunca fui a uma festa do Avante e nunca fui contra quem decide pactuar com o financiamento de um partido repudiado pela União Europeia - equiparado a um partido nazi. Mas ao contrário do que faria um partido comunista, a União Europeia, permite democráticamente que no seu seio, à semelhança de partidos declaradamente de extrema-direita, que também os partidos de ideologia comunista (ou extrema-esquerda que é praticamente o mesmo só muda o rosto) possam ter direito à palavra se essa for a escolha dos seus cidadãos. Admito que sempre achei estranho como é que partidos que defendem a destruição da União Europeia aceitam receber dinheiro dessa instituição e suplicam também por fundos e "bazucas" da mesma para os países onde estão, sobretudo se o cano da bazuca tiver muitos buracos. É como dizer que não se gosta de cerveja mas beber umas dez imperiais por dia e "nos entretantos" roubar os copos.

 

E como seria de esperar, depois de produtores de eventos, músicos, técnicos de audiovisuais e todo um mundo produtivo (e trabalhador - uns falam dos trabalhadores, os outros trabalham efectivamente) ter ficado parado, e assim continuar, desde Março até ao dia de hoje, eis que vamos fazer um mega-evento com 33 mil pessoas por dia. Uma espécie de repetição de grande evento do regime como aquele que teve lugar no Campo Pequeno e onde não faltaram as elites políticas da nação, mas desta feita, ainda mais grandioso e ao ar livre. Afinal, somos um país fantástico, organizamos eventos e é isso que agora nos faz promover internacionalmente... Sobretudo se em muitos oferecermos quase tudo, inclusive isenções de impostos. Por falar em isenções de impostos, é melhor não falarmos sobre isso quando o tema é Festa do Avante, mais uma daquelas coisas dignas de um país como a Bielorrúsia e com a conivência de todos os Governos ao longo da nossa história "democrática".

 

Existe, com efeito, uma pergunta que todos os portugueses deveriam colocar, ou aliás, várias... Porque é que não se puderam fazer arraiai, alguns com pouco mais 50 indivíduos e agora se podem fazer festas com 33 000? Porque é que aldeias, vilas e cidades se viram impedidas de realizar eventos com muito mais história que uma festa partidária e que serve para encher os cofres de um partido que odeia multinacionais mas factura tanto ou mais? Porque é que muitos dos nossos cidadãos, sobretudo fora das nossas metrópoles, se viram sem aquele momento do ano tão especial, aliás, para alguns o único e agora se pode fazer um evento deste calibre? E finalmente, porque é que muitas empresas pagadoras de impostos e cumpridoras da lei se viram impedidas de organizar nem que fosse um minúsculo jantar com 20 pessoas e agora faz-se uma festa gigante como esta e onde a questão fiscal é sempre um daquelas nuvens onde até o conceito de off-shore faz tremer alguns militantes... Piores nuvens só aquelas que surgem se decidirmos consultar os financiamentos que muitas instituições de solidariedade social, misericórdias e associações de tudo e de nada recebem, não raras vezes, sem sabermos para quê. Talvez seja o meu mau feitio, mas gastar um milhão para fazer um estudo para adjudicação de coisa nenhuma, também essa com o seu custo, é qualquer coisa.

 

São perguntas que podemos deixar na modesta sede do PCP em Lisboa, num modesto edifício na Avenida da Liberdade e que não é tão elegante como o "paupérrimo" palacete da CGTP - um dos seus tentáculos. Falamos de um modesto edifício com direito a vários lugares públicos em ocupação privada, na principal avenida da cidade e que até são gradeados sempre que uma viatura abandona o local, não vá algum incauto por aí estacionar. O mais provável é ser corrido pelos indivíduos que agora vendem bilhetes à porta e projectam música pela avenida, espero que paguem as licenças que existem para esse tipo de utilização do espaço público. Já bastam os recursos públicos da Câmara Municipal do Seixal ao serviço de um interesse partidário.

 

Talvez ande realmente deslocado e passe demasiado tempo lá fora, ou então, talvez me comece a sentir como a mulher do médico do "Ensaio Sobre a Cegueira"... Ou talvez o único cego seja eu. Talvez seja isso... Entretanto, na Moita, uma câmara municipal também comunista, não se irá abdicar das tradicionais festas em Setembro, depois de se ter conhecimento do que se iria passar no vizinho Seixal. É irresponsável? Pode ser, mas quem somos todos nós para falar depois do que está previsto para daqui a pouco mais de 10 dias. Pelo menos na Colômbia ainda se combatem as FARC e na Coreia do Norte existe uma corrente contra o "grande líder". 

 

Uma coisa é certa, não há festa como esta... 

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Então não se vê que é um Atum!

por Robinson Kanes, em 21.08.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

Recordo-me de um sketch para trazer mais um desastre na cozinha. Desta feita, aproveitei o facto da matéria-prima ter chegado directamente dos Açores durante a madrugada e consequentemente me ter destruído a carteira. Mas tendo em conta que não passaram 24 horas entre a captura, o transporte de avião e a mesa cá de casa, não nos podemos queixar.

 

Um formoso atum, não tão bom como o senhor Genuíno no Faial ou da "Casa do Rei nas Flores", mas o suficiente para nos encher as medidas. Coisa simples, basta acompanhar com o puré da praxe, o saboroso molho (nem ver sal) e está feito. Esta foi para o Pedro e para a Alice. Por falar nisso, amanhã a Alice será a convidada semanal do SardinhasSemLata.

 

As melhores coisas do mundo são assim, simples. Recordo a experiência maravilhosa que foi também um bonito da Cantábria comprado em Santander. 

 

Todavia, estas coisas nunca podem ser degustadas a seco, e não seguindo a tentação de escolher um vinho do Pico, particularmente não aprecio, fiquei-me por um "Vallado" - um tinto do Douro de 2014. Esta foi para o José e para a Maria. Bem... E para o outro José e para o Folhas... Só não é para este porque é mais apreciador de bebidas brancas.

 

O resto é história e demasiado... pessoal para contar. No entanto, tanto a confecção, como a degustação, não dispensaram uma bela música... Ermal Meta foi o artista deste jantar e destaco uma das suas melhores: "A parte te".

O que é que atum tem a ver com música italiana? Nada! Mas por aqui tem tudo... Além disso estou com umas ganas de percorrer o "Parco Nazionale del Cilento" e gravar mais umas boas caminhadas para trocar com o Pedro!

 

Bom fim de semana,

 

P.S.: esta semana não houve o habitual espaço "O que aprendi nos últimos seis meses". Tal deveu-se a um motivo de força maior e inultrapassável: esqueci-me completamente e não convidei ninguém.

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Créditos: https://imgflip.com/i/1vlfv3

 

Quando o tema é emprego, Portugal tem sido um verdadeiro milagre. O grande milagre português anunciado por Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa não foi no controlo da COVID-19 mas nos números do desemprego. Portugal deve ser dos poucos países do mundo onde o aumento dos despedimentos leva a uma "redução" do número de desempregados! Senhores de Harvard ou de Standford, por favor, aprendam com este país.

 

E é nesse contexto que chegou ao meu conhecimento a passada semana mais um caricato episódio de fraude made in Portugal, aliás, recordando um programa televisivo, é de facto nisso que somos bons.

 

Tudo começa com um anúncio de emprego que já tem vindo a ser publicado desde Fevereiro por uma empresa algarvia que  anda pela internet à procura de um especialista em recursos humanos e mais recentemente também por dois especialistas noutras áreas, nomeadamente em marketing e design. Anúncios com muitos meses são sempre uma red flag, pelo que, deixo o meu conselho à minoria de 1% que ainda acredita que encontra emprego por esta via: nunca se candidatem a estes anúncios.

 

Todavia, o episódio começou com uma candidatura em final de Maio, que acabou recusada em Junho, e de repente, uma repescagem em final de Julho. Uma coisa fantástica, pensou a ingénua candidata que ainda tem a mente lá fora e esquece-se que entre Portugal e a Bielorrúsia as diferenças vão sendo cada vez mais ténues. 

 

Com a primeira entrevista, descobre uma empreendedora portuguesa que trabalhou em Inglaterra e que voltou para continuar a sua empresa em Portugal. Um discurso digno de grande gestora, alguém que sabe do que fala. Cuidado com estes discursos, cada vez são mais e cada vez... Grande empresa e grande futuro se avizinhava nessa multinacional, algo à dimensão de uma Google.

 

Com tudo a correr bem, começam as red flags: um desafio à candidata para que resolva uma situação complexa em termos de fiscalidade e recrutamento internacional e cuja solução já só está ao nível de um profissional muito sénior e que mesmo assim necessita de apoio jurídico e fiscal, em suma, algo que custa uns bons euros e que não se faz num dia.

 

Perante uma resposta elaborada, no entanto evasiva e mais assente no espírito da lei, são pedidos mais detalhes, algo mais aprofundado e mais concreto, algo para ser de imediato colocado em prática. A candidata, já mais alerta, amigavelmente forneceu mais alguma informação mas não adiantou muito mais.

 

Segue-se uma terceira fase em que surge o Operations Manager - uma empresa que se preze só tem títulos pomposos mesmo que, como se veio a descobrir, só tenha pouco mais de 20 colaboradores. Mais uma entrevista com sucesso e já lá vão 4 fases do processo quando surge mais um desafio - afinal dois. Os famosos desafios (a palavra desafio, acredito eu, terá ganho outro  sentido para a candidata depois  destas peripécias): preparar, acompanhar e elaborar um relatório para duas entrevistas que entretanto irão ter lugar! Ética e Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) de fora... Colocar um candidato a entrevistar outros dois é qualquer coisa, sendo que os outros dois nem saberiam que estavam a ser entrevistados por alguém que não estava a trabalhar para e na organização. Acrescendo a isto todo um trabalho que também envolve questões financeiras, fiscais e de mercado. 

 

Diante destes factos, a candidata bateu o pé e disse que não estava disposta a continuar com a situação, ao que rapidamente a grande empreendedora, e perante as contra-medidas entretanto disparadas, deu a entender, pela linguagem verbal e não verbal (viva o Zoom) que só estava à procura de mão-de-obra gratuita, ou melhor, consultoria grátis utilizando o subterfúgio do recrutamento. Na realidade, a história poderia ficar por aqui, mas perante as evidências demonstradas pela candidata, a empreendedora de sucesso rapidamente mudou o discurso apresentando argumentos que afinal era melhor as coisas ficarem como estavam até porque a candidata além de querer um salário "elevado", nem era bem aquilo que a organização procurava. Quem é português sabe do  que falo, ou seja, passar o ónus do problema para o outro, muito tipíco na nacional vigarice que ainda é abundante.

 

Todavia, e como o Mundo é um local rico em comportamentos da fauna que anda em duas pernas, ficou aberta a hipótese de recomendar alguém para uma eventual participação num projecto na área do marketing ou na área do design. A organização preparava agora a contratação de dois elementos para essas posições mas tinham de resolver vários problemas criticos  da mesma para serem aceites, além de que um estágio não estava fora de questão.

 

Infelizmente, situações destas não faltam, já em tempos relatei uma similar, pelo que, não é assim que lá iremos e nem um surto gigantesco de ébola mudará esta mentalidade, condenando-nos à eterna mediocridade. 

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Sardinhada ao Crepúsculo em Acciaroli

por Robinson Kanes, em 18.08.20

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Créditos:  https://www.corriere.it/buone-notizie/19_luglio_16/chiuso-tramonto-l-avviso-clienti-libraio-romantico-1805d84a-a7cd-11e9-87b1-16eba1cb2125.shtml

 

Hoje lemos o Corriere della Sera e vamos até Acciaroli no nosso espaço habitual à terça-feira do SardinhaSemLata.

Leiam-nos aqui.

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Unidos Podemos... Corrompernos también...

por Robinson Kanes, em 17.08.20

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Créditos: https://okdiario.com/espana/iglesias-afirma-recaera-psoe-entregar-gobierno-partido-mas-corrupto-europa-452963

 

A los corruptos les vamos a llamar corruptos.

Pablo Iglesias, 2015 

 

De Espanha têm vindo algumas notícias sobre o Rei Emérito, o que é de bom tom, no entanto, as notícias que colocam, sobretudo os partidos salvadores do início da década como uns dos grandes prevaricadores e usurpadores do Estado Democrátio é  que merecem a nossa inquietação, em suma, os mesmos que lutam contra o mal somente porque não o podem praticar. 

 

Depois de vários escândalos, onde se inclui a famosa casa de Pablo Iglesias Turrión e da esposa, um casal descontraido que não utiliza gravata ou tailleur mas que enriqueceu de forma demasiado rápida e com base nos "coitadinhos" espanhóis - famosa casa em Madrid no valor de €600  000 euros - os espanhóis perceberam que nem os paraplégicos, nem os indivíduos que usam rastas e inclusive nem aqueles que se vestem de forma informal (alguns a roçar a sujidade), os barbudos (de barba mal aparada) ou até aqueles que ousam amamentar numa assembleia nacional e cuja imagem é projectada para promover a diferença do sistema "limpinho" e "engravatado" não são em nada diferentes, bem pelo contrário, comportam-se de forma pior que os porcos de um famoso livro.

 

Desta vez foi o ex advogado do Podemos, José Manuel Calvente, que denuncia a corrupção no partido como sendo ainda mais vexatória do que nos famosos casos Gürtel e Filesa. Para Calvente "a  diferença de todos os casos de corrupção partidários em Espanha, é que no Podemos não estamos perante uma alegada corrupção de um partido, mas antes corrupção dentro do partido devido a um alegado financiamento ilegal de alguns  dos seus dirigentes". A ser verdade, o caso Robles e tantos outros casos morais e criminais relacionados com partidos como o Bloco de Esquerda e até o próprio PCP (o impune partido nacional) parecem pouco... Ou talvez não... Basta perceber como alguns, e friso alguns, membros destes partidos se movimentam e como até o modus operandi é similar.

 

O caso "caja B" em Espanha já está a ser investigado depois de Calvente ter admitido que no Podemos se praticaram "delitos de financiamento ilegal, branqueamento de capitais, gestão danosa e revelação de segredos", juntando-se ainda a má utilização de fundos públicos. Lembrar que este foi o partido, pela voz da sua militante e actual Ministra da Igualdade, Irene Montero, que há pouco mais de 15 dias, dizia acerca da "fuga" de Juan Carlos o seguinte: 'España no admite más corrupción ni más impunidad'.

 

Perante estes factos, as altas instâncias do Podemos, inclusive os seus líderes, defendem-se apenas com o argumento de que tudo é "rumorologia" e com os casos de corrupção do PP de Rajoy. Face às perguntas directas não existem quaisquer respostas, basta para aferir desse comportamento de fuga, acompanhar algumas entrevistas em Espanha. Como também o "El Mundo" diz a 15 de Agosto, mesmo com alguns dos factos a serem realidade, até porque a presunção de inocência deve manter-se, "ni borracho ni solo, Pablo Iglesias va a salir de Moncloa". Adivinham-se tempos difíceis em Espanha.

 

Infelizmente, no país vizinho, também já são muitos os cidadãos que começam a ficar cansados da corrupção sistémica, onde PP e PSOE lideram mas que agora afecta também partidos como o Ciudadanos e até o VOX a nível mais local. Contudo, parece ser o Podemos, o partido "limpo", um sério candidato ao trono dos mais corruptos de Espanha e com isso, quer queiramos quer não, o próprio VOX vai ganhando pontos, basta assistir a alguns debates no Palácio das Cortes para perceber o nível intelectual e de conhecimento da realidade que estes últimos, sobretudo as suas deputadas, têm.  Os libertadores, afinal, não parecem ser tão diferentes dos agressores e onde é que já vimos isto tantas vezes ao longo da História... Que o digam os cidadãos que viviam para lá de um muro que dividia Berlim e talvez um dia o digam também os portugueses.

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Luísa de Sousa

por Robinson Kanes, em 14.08.20

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Créditos: Luísa de Sousa

 

O que aprendi nos últimos seis meses ….

 

Já conhecia esta rubrica do Robinson Kanes e quando recebi o seu convite para participar, que desde já agradeço imenso, fiquei sem saber o que escrever ….

Sim, porque, os meus dias foram sempre iguais, os mesmos de sempre, com as minhas rotinas de sempre ….

Ora vejamos:

Nunca deixei de trabalhar. Tenho funções numa Empresa Pública, considerada prioritária nos seus serviços, logo, nunca estivemos fechados. Todos os dias saía à mesma hora, contemplava o mesmo caminho, trabalhava com muita motivação e regressava à mesma hora …

Sempre fiz os meus treinos em casa desde que fui mãe, já lá vão uns 30 anos. Tenho um plano de treinos que sigo à risca, que vou ajustando conforme as necessidades e que me dá a força, motivação, energia e saúde que necessito para envelhecer bem.

Passei pela pandemia Covid 19, de mansinho, “bem ao lado”, ouvindo e lendo notícias aqui e ali, sem me preocupar em demasia (porque não tinha tempo para preocupações), sem me stressar (porque sou muito despreocupada), acreditando que não passaria de uma fase (porque sou muito otimista) e continuando com a “minha vida” que adoro e me faz muito feliz.

Nunca deixei de escrever nos meus blogs sobre a felicidade, o amor, a alegria, a paixão, a amizade, o otimismo, a motivação, a saúde e o bem-estar, porque são o meu “mantra” diário.

O pouco que aprendi, talvez muito, mas nada surpreendente, foi que, todos fomos postos à prova enquanto seres humanos, do quanto somos vulneráveis e frágeis psiquicamente, do que somos capazes de fazer (para o bem e para o mal) em situações de atípicas como a que estamos a viver, e que o Mundo não é o lugar seguro que pensávamos que era.

 

Luísa de Sousa

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