Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Playlist bem regada...

Para um fim-de-semana de Maio...

por Robinson Kanes, em 09.05.20

Donatella-Tandelli1.jpg

Créditos: https://altovineyards.net/wine-and-music/

 

 

A maioria dos homens não tem destino.

Manuel Vilas, in "Ordesa".

 

O primeiro fim de semana onde já muitos sentem a ordem de soltura, para outros com ordem de soltura diária, talvez, uma noite de final de semana mais pacata... Entre um Porta de Santa Catarina Tinto de 2015 e um que recorda o Pico nos idos de Maio, a música em épocas de complexidade, terá outra entoação mais forte. Caríssima, este também marcha bem e nada como aproveitar uma ida a Estremoz e trazer uma caixa de branco e outra de tinto. E usted tome lá mais um... Ainda estou à espera de um prometido petisco...

 

Hoje enquanto conduzia, uma pérola na SBSR, Lou Reed com "Perfect Day", bem a propósito, depois de ouvir o pessimismo disfarçado com optimismo bacoco, realmente nada como um néctar musical destes.

Ainda numa onda de pensamento, nada como navegar com uma voz conhecida dos Kings of Convenience, Erlend Oye & La Comitiva com "Paradiso". Uma voz nórdica com requintes de mediterrâneo, ideal para a noite quente e para ouvir de copo na mão... Música suave, para embalar a alma tranquilamente entre o cheiro do rio e o sabor do luar.

Já me perguntaram o que é que eu tenho contra a música portuguesa. Pouco, só não gosto da nossa língua em modo cantado, parece uma língua eslava e mesmo assim existem línguas eslavas que se bebem melhor que a nossa. Depois temos a qualidade que não abunda... Talvez duas das poucas excepções se possam encontrar na letra e música de José Mário Branco, "Inquietação". Camané e os Dead Combo numa versão simplesmente espectacular... Finalmente em português e com todas as inquietações que nos percorrem actualmente.

Uma letra interessante com o que de bom ainda se fez nos anos 90, onde a boa música (salvo a dos grandes) já começava a declinar. Manic Street Preachers, com "Motorcycle Emptiness". Actual, sempre actual, feliz ou infelizmente.

Pensar onde é que é a nossa casa... Será que tem de ser onde vivemos. Será que é esta a nossa casa. Onde é que é o nosso país? Tem de ser aquele que nos viu nascer? Podemos pensar nisso enquanto os Kaiser Chiefs interpretam "Coming Home".

Falou-se em casa... Talvez esta música aqui não se relacione muito com a playlist que hoje trago, mas quem me conhece sabe perfeitamente o que significa "El aire de la calle". Já me faz falta esse ar temperado com a fritura, com o aroma da Cruzcampo ou até com uma Alhambra que me diz menos. Um eterno delinquente mental a ouvir "Los Delinqüentes"... Esta malta de Jerez de la Frontera já está crescida...

Surge aqui, mas poderá ser efectivamente a última música, para o último copo e para a última fatia de queijo... Não encaixa, não tem de encaixar, mas a noite não pode acabar de outra forma e por isso mesmo o argentino Federico Aubele deixa-nos os seus "Postales".

Peter Gabriel, porquê? Porque sim, é Peter Gabriel... Escolhi "Darkness" mas a lista seria longa.

Já por aqui passaram, não podia deixar que o "Silence" da noite não fosse quebrado pelos "Manchester Orchestra". Há ruídos baixinhos que provocam grande tumulto...

Fecho com uma banda que me tem acompanhado há muito, não que prossiga com novos discos mas tem sido uma presença constante desde 2010, os "Oi va Voi". Também hoje pensamos em "Yesterday's Mistakes", espero que possamos aprender com os mesmos... Tenho dúvidas, mas basta que uma meia-dúzia já o consiga fazer para que o mundo seja um lugar bem melhor.

Bom fim de semana,

P.S.: Para não dizerem que sou do contra... Partilho aqui uma ideia do Rui Melo, do Henrique Dias e do Sérgio Graciano. Terminemos assim em grande com um musicaaaaaaaaaaaaaaaaaaal! 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sem Lata, fala-se de Teletrabalho...

por Robinson Kanes, em 05.05.20

0efc468bc0d086659f9fb0cb2e3cc686.jpg

Créditos: https://www.pinterest.es/pin/75435362493673702/

 

Estava a assar sardinhas.

Com o lume a arder.

Queimei a pilinha sem ninguém saber...

É parvo, eu sei...

 

 

E esta semana, depois da visita de ontem ao espaço da Alice, é hoje o dia do encontro semanal na lata de sardinhas... A época dela está quase aí e nada como umas sardinhas carregadas de microgotículas numa boa esplanada... Mas como dizia o outro, não foi isso que me trouxe aqui mas sim o tema do teletrabalho... Nada como passar por lá, comer uma sardinha, mesmo aqueles que irão ficar com vontade de me cuspirem as espinhas para a cara. A porta de entrada é aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Chazada com a Alice...

por Robinson Kanes, em 04.05.20

imgID134049270.jpg.gallery.jpgCréditos: https://www.harrowtimes.co.uk/news/15663073.boris-johnson-drops-in-at-eastcote-care-home/

 

Não é que não houvesse... Haver havia, não era grande coisa, mas haver havia... E como havia, hoje estamos no espaço da Alice com uma chazada  e um grande passeio pela Arrábida...

Boa semana,

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Bacalhau e o Guarda-Rios...

por Robinson Kanes, em 02.05.20

thumbnail.jpgImagens: Robinson Kanes

 

As palavras nada significam quando não exprimem sentimentos. O acto é o resultado do pensamento, ou, por vezes, o pensamento estimula a acção, e é um meio de a realizar.

John Steinbeck, in "O Inverno do Noso Descontentamento"

 

Entre um bacalhau assado com batatas a murro, fico a perceber que no meio de tamanha crise sou alguém que tem os seus privilégios. Não vou, contudo, embarcar no discurso da solidariedade, da fome em Portugal, como muitos gostam - é talvez a forma mais simpática de ocultarem a sua gula, afinal, já dizia Vergílio Ferreira que o "o maior prazer de quem precisa, é haver quem precise mais".

 

E como por estas terras os reais bebedolas não faltam, convido hoje, a partilharem virtualmente (como se fosse possível), um Guarda-Rios Branco de 2018, o homem da lampreia, o homem da caneca cheia, o alpinista do alterne, e o homem da beira-tejo. E se mais bebedolas existirem, pois bem, que se juntem. A minha exigência é uma, duas horas e meia depois do bacalhau e de uma garrafa de vinho cada um, vamos todos correr uma meia-maratona ou fazer uns quilómetros de bicicleta.

 

Ou então, especialmente para o homem do alterne não ficar chateado, vamos subir todos à Serra da Arrábida... Para acompanhar um Guarda-Rios Branco, também existe um bom prato: "A Agressão" de Konrad Lorenz... Tomá lá Vorph!

konrad_lorenz.jpg

Nota final: bebo Guarda-Rios, branco e tinto e vários lotes e reservas e a família Mello não me paga um tostão para dizer isto, bebo porque quero e porque é bom!

 

Bom fim de semana...

Autoria e outros dados (tags, etc)

8666655_orig.jpgCréditos: https://jaypgreene.com/2016/06/28/ed-reform-is-animal-farm/

 

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar estra contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado. Em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do mobbing, do ódio social.

Konrad Lorenz, in "Los ocho Pecados Mortales de la Humanidad Civilizada"

 

Nos últimos dias tenho andado alheado da realidade nacional como um todo. O trabalho tem-me consumido e o pouco tempo disponível, admito, é dedicado a quem está perto, ou melhor, àqueles que, por segurança podem estar perto - os outros ainda esperam. 


No entanto, ontem, vésperas de 1 de Maio, em plena Praça da Figueira, ao avistar uma viatura de matrícula recente e com megafones montados, pensei ser mais um daqueles avisos a enviar as pessoas para casa. Poderia ser, mas não era, era uma viatura nova a enaltecer uma central sindical, a CGTP, e a convidar à participação (em plena rua) na manifestação do 1º de Maio. A crise automóvel fica mais atenuada com as compras sindicais...


Com o país, aliás, com o mundo fechado há meses, com a quase proibição de estarmos perto de quem amamos, dos nossos familiares, dos nossos amigos, dos nossos empregos, das nossas segundas casas, dos nossos espaços, inclusive com limitações à liberdade de circulação que fariam corar de vergonha um Mussolini ( quem não apanhar esta última, pode perguntar ao nosso Presidente da República, simpatizante da causa quando os tempos eram outros) abrimos mão de tudo isso para que um conjunto de indivíduos, que de democrático parece ter pouco, possa fazer algo de máximo interesse e inadiável - defender uma ideologia. Aliás, nos ultimos tempos tenho percebido que, aqueles que mais apregoam liberdade e direitos são so que no segundo seguinte ao discurso decorado fazem exactamente o seu contrário. Mas é preciso desfilar e espalhar a ideologia bacoca, em que poucos acreditam e querem acreditar, mas que continua a minar as decisões de um país! Fechamos a economia, mas permitimos manifestações que de novo nada trazem! 


É verdade que os sindicatos e a aceitação destes é boa para o voto governativo e presidencial, além de que, muitos deles, acabam sempre por defender diretos (deveres, poucos) de classes profissionais que já são das mais privilegiadas. Dá sempre jeito defender os que vivem do Estado, para o Estado, da sombra do Estado e deixar que uma maioria viva num ambiente patético, sem esquecer os pobrezinhos - esses também são importantes para a foto e para alimentar alguns impérios que incluem misericórdias, bancos alimentares e tantas outras IPSS. Distribuir comida em tempos como os de hoje, de fato e gravata e ainda participar numa selfie, nem Tarantino faria melhor!


Hoje, muitas bestas ficarão em casa retidos, nem do seu concelho de residência poderão sair, em último caso arriscam mesmo a detenção e para quê? Para que as bestas que andam sempre com o conceito de liberdade na boca, possam sair à rua! Honestamente, um povo com um pingo de cidadania, hoje poderia sair à rua, ir para as praias e para os cafés, viver como se nada tivesse acontecido. Esse povo, apesar do dispartate que estaria fazer, mostrava, pelo menos, que de palhaço teria pouco... Mesmo que, em alguns casos, tal significasse sacrificar uma certa estabilidade paternalista com tentáculos familiares, sociais, profissionais e partidários.

 

Fechamos a economia, ignoramos os verdadeiros especialistas e fazemos reuniões semanais com meros académicos e boys partidários de forma a corroborarem a decisão política, abalamos os laços sociais, fechamos o mundo como o conhecemos. Todavia, manifestações que cedem a estranhas pressões de um poder político e social bafiento podem ter lugar - de facto, já estamos habituados a que nos cuspam, mas... Fechamos um país e impomos, em alguns casos, estranhas regras que um povo inteiro questiona e nem sequer é ouvido, ignoramos os verdadeiros especialistas, mas deixemos que uns possam sair à rua para defender ideologias políticas e fechamos os outros em casa, normalmente aqueles que pagam as mordomias dos que nas ruas desfilam.


É razão para citar Orwell e chegar à conclusão que "todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 2/2



Mais sobre mim

foto do autor



Instagram



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sardinhas em Lata

Todas as Terças, aqui! https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog


subscrever feeds




Mensagens







Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB