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Banhos, Ciência de Esquina e Banhadas...

por Robinson Kanes, em 30.05.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Ontem, violando os deveres do confinamento, sentei-me na esplanada do costume, não a "Taberna dos Cabrões", mas aquela que já deu azo a grandes artigos.  Foi por lá que se fizeram alguns balanços da semana entre choco frito, cerveja Sagres da "botella" (a imperial esgotou), martini, gin só com limão e sem água tónica, azeitonas, queijo de Azeitão e bochechas... Agora lembrei-me do...

 

O primeiro balanço saiu da boca de um marialva daqueles que não compreendia como é que se defende o confinamento e o distanciamento social e depois se disputa nas televisões palco mediático por idas à praia, ainda por cima antes da abertura oficial da época balnear e perto de bairros onde a bomba começa a explodir e só são importantes para a selfie popular (lembrei-me do funeral popular que se faz em Alcochete) ou para o Banco Alimentar Contra a Falta de Fome. Na ausência da bola, é preciso continuar na senda da popularidade com alguns relatos de autênticas "banhadas" que mais parecem um Benfica-Sporting. Não foi o marialva, fui eu, mas não convém sempre dizer que sou eu... 

 

Entretanto, uma das grandes figuras de Alcochete, toca noutro ponto: mas porque raio é que temos de andar a colocar sempre o nosso dinheiro nas mordomias da TAP? Porque é que a TAP interessa tanto? Além dos votos e dos conluios, anda toda uma súcia de desejosos em nacionalizar a mesma... Aprendam com a Lufthansa, a Alemanha não serve só para nos dar dinheiro. E mais não digo, antes que a música seja outra, como disse "em tempos" um dos patrocinados do regime e alguém que confunde a pasta de ministro com a de ditador, com todo o respeito pelos segundos que subiram, mal ou bem, a pulso.

 

E numa zona onde alguns comunistas abundam, especialmente os que são financiados pelo Orçamento de Estado, são muitos o que questionam porque é que um dos espectáculos mais duvidosos em termos legais e de pagamento de impostos vai ter uma cláusula especial lá para início de Setembro. Aqui a conclusão foi fácil: "vamos lá e rebentamos com aquilo tudo". Denotem que isto foi o proprietário de um pastor alemão que usa sapato de vela, veste camisa Ralph Lauren e usa calças de montar a proferir - após a décima segunda cerveja (e sempre são 33cl x 12).

 

Finalmente, e depois de ter recebido da Suiça um link com muitos smiles, link esse de uma publicação daquelas revistas de especialidade cujos artigos são sempre com os mesmos, ninguém conseguiu deixar de estar inquieto com Miguel Pina Martins - um senhor que aparecia muito, depois deixou de aparecer quando a fraca procura de acções em Bolsa se deu e agora volta em força como porta-voz de mais uma associação - um aparte: nunca vi um país tão pequeno com tantas associações, e olhem que sempre me ensinaram que menos é mais.

 

Este indivíduo, cujo mérito no desenvolvimento de um conceito de brinquedos é notório, uma ideia brilhante, aplica o discurso ameaçador do "ou nos dão aquilo que queremos ou fechamos", no habitual atirar de números para o ar e declarando guerra aos senhorios, particularmente aos proprietários de centros comerciais que, no entender deste, deveriam ser "penalizados" pois os custos são inferiores aos dos arrendatários. Para um gestor, o conceito de investimento e retorno do mesmo deveria ser mais claro, além de que, sendo moralmente condenável ou não, lá porque eu estou a sofrer, o do lado não tem que sofrer também - chama-se economia de mercado. Além disso, não basta criar conceitos e desenvolver produtos e ficar à espera que seja o mercado a vir ter connosco, até porque este n\ão é estanque, cada vez menos.

 

Pina Martins pede também ao Estado, os famosos empréstimos a fundo perdido e mais um sem número de privilégios para o retalho, dando a entender que o retalho são somente as lojas de centro comercial ou as mais conhecidas. Chego a ter dúvidas que muitas organizações empresariais ligadas ao retalho tenham esta visão. A repetição do discurso da crise, do dinheiro grátis e da chantagem está à vista, mas...

 

... em nenhuma linha vi Miguel Pina Martins tecer planos para o futuro, nomeadamente no médio-prazo. Também não vi Miguel Pina Martins focar-se nas novas formas de fazer chegar o produto ao consumidor final, acabando por defender (e colocando esse escolha no próprio consumidor - anda a falhar na análise) o tradicional comportamento retalhista da ida à loja. Existiu uma crise com proporções dantescas, mas falamos no regresso ao que era, do "vai ficar tudo igual"... É o mundo a mudar e "vai ficar tudo bem" não é o mesmo que dizer "mais do mesmo"! Se num país com economia dinâmica e sem esperar subsídios do Estado a toda a hora, esta visão arruina qualquer empresa. O comércio online, desafios logísticos, reconversão dos colaboradores, formas de investimento, estratégia nacional e internacional, desenvolvimentod e produtos, nada disso é falado, nada! Até o hype do "teletrabalho" é deixado de lado, para alguns, já coisa do passado. E de facto até é, pois nos últimos meses parece que descobrimos a pólvora, a verdade é que já tinha sido descoberta há décadas...

 

Pergunto, aliás, perguntamos todos a Miguel Pina Martins: fundo perdido? Em que mundo é que vive, Miguel? Pelo facto de sermos o país das borlas e do esmaga orçamentos (em tudo) é que também não evoluímos muito, mas permita-me dizer-lhe que não é motivo para trazer essa questão à praça. E olhe que vi empresas a encerrar nesta fase porque (até arrogantemente) se recusavam a ser financiadas pelos impostos de todos nós e a ouvir associações que só criam entropia e defendem interesses que vão muito além dos interesses de todos os associados. A nossa recomendação, Miguel, venha mais para a esplanada e passe menos tempo nos media. Venha discutir connosco e ensinar-nos qualquer coisa... Olhe que até nos enfrascamos de surface  e gráficos na mão, mas uma coisa é certa, nunca nos lembraríamos da dos fundos perdidos e do regresso ao que era.

 

P.S.: também falámos de coisas boas, sobretudo quando se chegou ao gin. Nasceu um burrito que está cada vez mais brincalhão e ainda ninguém conseguiu perceber como é que eu não sendo um aficionado, mas apaixonado pelos touros no campo, continuo a ter excelentes momentos com aquela malta... 

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1_YHCUfvoIa-36YJGmIfIXAw.jpegCréditos: https://medium.com/@buchireddy/the-importance-of-unlearning-765f4c32112e (responsabilidade do autor do espaço)

 

O meu estimadíssimo amigo Robinson Kanes convidou-me para escrevinhar no seu blog, Não é que não houvesse, um dos espaços que há mais tempo acompanho e um dos que me suscita mais carinho.
Sendo assim é fácil imaginar a honra que senti diante de tal convite, perante a generosidade do meu anfitrião.
O desafio foi...
O que aprendi nestes últimos seis meses?
Ora bem...
Se me dissessem nos primeiros dias de 2020 que iríamos todos, o mundo, passar dois meses confinados em casa com o receio de uma Pandemia que chegava para aniquilar parte da Humanidade, iria achar uma patetice.
Sentiria que a impossibilidade dessa realidade só poderia ser descrita num guião de péssima qualidade, apressado e sem adesão à vida quotidiana deste planeta.
Enganei-me.
Aqui está uma das primeiras lições...
Não menosprezar a impossibilidade desses “impossíveis” que um dia se tornam realidade.
Deve ter sido isso que sentiram aquelas pessoas entregues a um Tsunami, descrito no filme O Impossível, esmagados por uma onda que tomou conta desse momento parecendo sair de um filme de terror.
Pois é...
Às vezes pode ser possível.
Outra das coisas que aprendi, foi a gerir o compartilhar de espaço e tempo, confinado em família, olhando para os mesmos rostos, as mesmas vozes, 24 sobre 24 horas...
O que eu troçava desta frase, de autoria dos concorrentes de Reality Shows, mas que durante esta Pandemia se tornou real em nossas vidas.
Por vezes a realidade que chega não necessita de ser extraída de um filme de ficção cientifica, pode mesmo ser de um qualquer BIG BROTHER, no entanto, não deixa de trazer consigo um pedaço de ensinamento.
Só aprendizado.
Durante este tempo aprendi ainda a partilhar em comunidade, neste caso no Sapo, juntando-me a um estimado grupo de amigos, com personalidades diferentes, ideias diferentes, para num projecto comum dar voz ao tamanho mar que se atreve a libertar pedaços de pensamento amarrado a cristalinas ondas salgadas.
O sardinhaSemlata é esse pedaço de abraço que conjuga dentro de si, vidas, realidades, gente...
Numa partilha maior da palavra.
Aprendi tanta coisa...
Aprendi a ter saudades, tamanhas e pequenas, desgarradas e serenas, pessimistas e optimistas.
Aprendi a ter saudades dos abraços perdidos em braços esquecidos de um tempo por viver.
Aprendi a aprender...
Tentando discernir sobre as milhões de questões que invadiam o dia a dia deste nosso Pandémico quotidiano, nesse medo de sair, de conviver, de viver.
Tantas e tamanhas aprendizagens que não caberão num texto para este Blog, mesmo sendo o Não é que não houvesse, habituado a viagens e palavras, frases e retratos, pequenos pedaços de deslumbre da responsabilidade deste queridíssimo amigo, de seu nome Robinson.
Obrigado meu amigo, pelo convite, pela amizade, pela partilha desta nossa viagem em lata e por tanto que ainda se vislumbra no horizonte.

Um abraço

Filipe Vaz Correia

Caneca de Letras

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O que aprendi nos últimos seis meses...

por Robinson Kanes, em 27.05.20

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Créditos: https://soundmacguy.wordpress.com/2018/06/29/good-moaning-london/

 

 

Amanhã, pela segunda vez este espaço estará aberto aos amigos e seguidores do mesmo. Aliás, pela segunda, em tempos alguém (alguém, porque foi anónimo) quis expressar uma opinião e cedi-lhe o "Não é que não Houvesse" por um dia.

 

Todas as quintas, um convidado poderá falar um pouco do que aprendeu nos últimos seis meses. Esta época, por certo, fez-nos pensar e aprender muitas coisas e mesmo que até ao final do ano, os estilhaços (bons e maus) de toda esta crise irão marcar-nos... Pelo menos a todos os que têm coluna vertebral e têm de trabalhar para viver ou, não podendo trabalhar, querem fazer algo pelas suas vidas e dar um significado às mesmas.

 

É também uma forma de nos conhecermos, de conhecermos o outros e quem sabe até de nos deixarmos inspirar.

 

Quem nos acompanha, vá ficando por aí - amanhã o meu convidado será um grande Amigo destas ondas agrestes onde navega o "Não é que não Houvesse", até porque... Haver, havia, não era grande coisa, mas havia.

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Sardinhada pela Liberdade de Imprensa...

por Robinson Kanes, em 26.05.20

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Créditos: https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/e-se-andre-ramos-falar-verdade-18040

 

Hoje a sardinhada é temperada com fraca ética e com muitas especiarias à base de liberdade de imprensa... Espero que as sardinhas não venham a sair queimadas ou fechadas numa lata. Acompanhem-nos aqui.

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Sem Destino no Adriático...

por Robinson Kanes, em 23.05.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

A maioria dos homens não tem destino.

Manuel Vilas, in "Ordesa"

 

Já tão perto, o mar Adriático arrasta-nos para a Costa Albanesa com o Parque Natural de Llogara a Norte. Terras perigosas dizem, em tempos talvez, hoje mais seguras apesar da distância que nos separa de Tirana a nordeste. Sem destino, apenas com o gelado italiano na memória e com águas que brotam história, cada salpico traz consigo milhares de anos de diálogos e de sangue. O mar tem a capacidade de nos retirar o peso do mundo mas também de nos fazer reflectir sobre o mesmo, apreende-nos e faz-nos querer ir mais longe... Talvez o desabafo para percorrer a Albânia, a Macedónia e entrar em Istambul pela Bulgária, percorrer o Mar Negro até Batumi ou Poti, já na Geórgia, e aí repousar antes do regresso à Arménia.

 

Sem destino, "como barcos contra a corrente, arrastados incessantemente", para citar Scott Fitzgerald, ao sabor das vagas... Ensina-nos a vida moderna, que o destino não existe, ou simplesmente acontece e todos os dias se renova numa espécie de conceito cuja formulação deixo aos pensadores deste século. Absorvem-se já os ares da terra albanesa, pois as suas águas territoriais já nos acolheram. Nesse embalo rimo-nos de como é que é possível acreditar e viver num mundo em que damos tudo como um dado adquirido e tamb´ém troçamos daqueles que, evidentemente, se riem de pensarmos dessa forma... Como era bom que a pandemia que assola o mundo em 2020 tivesse sido há uns anos. Talvez aqueles que perdendo o estrelato, o topo da hierarquia em prol da verdade tenham a razão do seu lado, talvez até não. Quiçá o herói de Kazantzakis tenha toda a razão do mundo enquanto dançava nas areias das não distantes praias gregas. Quiçá nenhum de nós tenha real noção e no conforto de uma paz sustentada em tenros pilares tenha sucumbido ao drama do conforto, mesmo que aponte os tempos actuais como um período de mudança. Também nos podemos rir, afinal a mudança há muito que começou e só um jerico pode afirmar que, agora nestes meses, é que é o tempo de mudar. 

 

Cheira a Tavë Kosi, ou melhor, talvez nós queiramos que esse aroma e o que vem atrás dele nos entre pelo estômago... O Souvlaki há muito para trás já não nos engana o apetite. Podemos atravessar a Macedónia e ficar pelas praias da Bulgária antes de seguir caminho? Mil e um destinos, mil e um de nadas e naquele momento, onde a água e a terra albanesa se beijam e levam o que ainda de mediterrânico existe até aos balcãs, seja também o momento oportuno para selarmos com um beijo e um sorriso o destino. Para o escrever e transformá-lo em passado, porque não me quero mover no contínuo mas sim ficar extremamente sensível naquilo a que Cortázar chamava de descontinuidade vertiginosa da existência.

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Prescrição Perpétua...

por Robinson Kanes, em 20.05.20

Antonio Allegri (Corregio) - _Descanso na fuga parAntonio Allegri (Corregio) - "Descanso na fuga para o Egipto com São Francisco" (Le Gallerie Degli Uffizi) 

Imagem: Robinson Kanes

 

 

A fatalidade faz-nos invisíveis.

Gabriel Garcia Márquez in "Crónica de uma Morte Anunciada"

 

Não há muito que elaborar neste artigo, basta colocar nos escaparates deste local pouco agradável a seguinte citação, depois da Comissão de Protecção de Crianças, Jovens e Pessoas Vulneráveis da Arquidiocese de Braga ter sido confrontada com a ocultação de dois casos (que se conheçam) de abuso sexual de menores por parte de sacerdotes: "canonicamente prescritos".

 

Depois de "Ballet Rose" continuar a ser um escândalo e continuar presentemente ocultado (e já dura há mais de meio século) porque altas figuras do regime de Salazar e depois da Democracia ainda se encontram vivas e outras, apesar de falecidas, não podem ver os nomes manchados... Depois do processo Casa Pia ter sido a pouca vergonha que foi com leis aprovadas na Assembleia da República à pressa para ilibar altas figuras do Estado (da época e de hoje), ler "canonicamente prescritos" não me deveria espantar. Mas espanta...

 

Chocados ficamos com as Valentinas, com os casos de abuso sexual de menores em meios vulneráveis (isto se forem notícia, caso contrário é tema pouco interessante) mas como cidadãos deixamos que o crime de abuso sexual de menores em Portugal continue a ser uma coisa ligeira, um crime de roubo de carteira por esticão e em alguns casos, até uma questão cultural. Até em meio prisional os reclusos têm mais sensibilidade para "castigar" estes criminosos do que propriamente a nossa política, a nossas instituições sociais e claro, nós cidadãos.

 

Canonicamente prescrito é a desculpa ideal para ocultar crimes de abuso sexual de menores (e continuo a repetir a expressão) sem que ninguém se preocupe muito com isso, porque a Igreja, sobretudo em Braga é uma real instituição que vai dispondo de alguns interesses da cidade como quer, e o beijo na cruz é transversal se queremos ter sucesso por lá. 

 

Para estar acima da lei num dos crimes mais hediondos que se podem cometer basta dizer que está "canonicamente prescrito"! Uns dizem que se estão a "cagar para o segredo de Justiça" (é ele sim, o Presidente da Assembleia da República), outros dizem que as leis dos homens não estão acima das leis de meia-dúzia de indivíduos que utilizam a ortodoxia em proveito próprio e continuam a não ter qualquer pejo em cometer crimes contra a Humanidade. 

 

Até lá,  vamos continuando intelectualmente e criticamente prescritos... Pelo menos até serem os nossos filhos a serem abusados pelas sotainas. Interessante a semelhança da palavra com Satanás.

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Desacatos no Parque...

por Robinson Kanes, em 18.05.20

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Créditos: https://www.vieiradominho.tv/esquadra-da-policia-do-bairro-bela-vista-atacada-com-cocktails-molotov/

 

E dos desacatos do fim de semana na freguesia do Parque das Nações? Onde é que estão as associações de defesa dos cidadãos que foram atormentados com os mesmos? Onde andam as tulhas repletas de comentários e artigos de opinião?

 

E ser PSP em Portugal? Ser PSP em Portugal significa ter um coro de criticas quando se faz o trabalho em prol dos demais e cair no esquecimento quando sofre na pele à mão de muitos que impunemente continuam a dançar entre os pingos da chuva da Justiça.

 

Enquanto este silenciamento continuar e impavidamente ocultarmos este tipo de situações ou adoptarmos o discurso do politicamente correcto com toques de "caça-likes" e do "não vou falar contra a corrente", não vamos resolver o problema. Vamos, aliás, alimentar o discurso dos "Venturas" que tantos com espaço na praça procuram eliminar. Só estão a alimentar a máquina...

 

Finalmente, quem é que defende o cidadão trabalhador português? Quem é que defende o cidadão cumpridor da lei em Portugal? Quando um cão morde um homem devia ser notícia, mas em Portugal dá-se exactamente o contrário e a escalabilidade de algumas situações está aí.

 

Este tipo de questões não se resolve com selfies (ou na sua nova versão de papagaismo-mor selfies do vírus) mas sim com acções concretas e musculadas, num país onde além de existirem cidadãos de segunda e de terceira (consagrado em Constituição) ainda existem aqueles que têm mais diretos, mais impunidade e menos deveres que os demais. Isto não é Democracia, é, como alguém dizia, uma "piada de mau-gosto".

 

Uma Nota final:

E aos criticos da também "fraca" actuação da PSP, lembrem-se que não é fácil controlar uma multidão de 100 pessoas, algumas delas armadas e no seu território e além disso ainda terem de lidar com a pressão dos media e com um representante máximo da nação que as destrói num discurso hipócrita e de aproximação ao criminoso em detrimento da autoridade.

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Orazio Borgianni -  "A Visão de São Jerónimo" (Musée du Louvre)

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Whenever two people meet, there are really six people present. There is each man as he sees himself, each man as the other person sees him, and each man as he really is.

William James in, "The Principles of Psychology"

 

 

Agora que já todos assassinámos os dois suspeitos pela morte de uma criança em Atouguia da Baleia. Agora que todos nós, que falamos de direitos e democracia como paladinos do bom comportamento, já enforcámos sumariamente no pelourinho dois suspeitos de um crime - suspeitos, importa reforçar - é importante perceber que talvez estejamos apenas a analisar e a adquirir opiniões emocionais e de revolta popular com base em apenas 1% do processo.

 

Enquanto somos rápidos a tecer julgamentos na praça pública (e ainda bem que existe a Justiça para não ceder às nossas emoções), não somos tão rápidos a perceber o que é que tantas vezes está à nossa volta. Não somos tão rápidos, a denunciar o crime de violência doméstica (e violência doméstica não é só o matulão a bater na mulher indefesa) que acontece mesmo ao nosso lado. Não somos tão rápidos a perceber as circunstâncias sociais que revestem este tipo de casos. Somos rápidos a defender o politicamente correcto e a cair rapidamente na onda mediática da espuma dos dias, acabando, por intermédio do nosso comportamento por tropeçar naquilo que repudiamos.

 

Na verdade, enquanto não largamos a onda geral e paramos para pensar de forma critica, não reparamos que estes episódios, salvo muito raras excepções, não se concretizam num dia - existe todo um historial por detrás e que, mais uma vez, é do conhecimento das instituições, das autoridades e inclusive dos vizinhos, os tais que não se inibem de opinar dizendo que "já sabiam que aquilo acontecia".

 

Na realidade, ao exigirmos a morte imediata de suspeitos, e volto a reforçar, suspeitos, estamos de uma forma ou de outra a procurar na morte de outrem, que também tem direitos consagrados na Constituição e em todas os códigos abaixo desta, a nossa forma de exclusão de responsabilidade.

 

É utópico pensar que salvaremos todas as crianças, todas as mulheres e todos os homens, pensar o contrário é tolo. No entanto, não é utópico estarmos mais atentos, ao nosso pequeno bairro, ao nosso pequeno mundo e acima de tudo às nossas instituições. É a elas que devemos exigir trabalho e competência, é a nós próprios que devemos exigir deveres (sim, deveres, palavra tão complexa) de cidadania. 

 

É necessária cautela, porque condenar alguém sem o devido processo judicial pode levar a erros gravosos, pode inclusive levar à "condenação" de inocentes. Não podemos defender um Estado de Direito uns dias, e defender milícias populares nos outros. Importa também, ter em conta que os resultados destes processos, devem servir para acautelar situações futuras. Tanto profissionais judiciais, como profissionais de saúde mental, profissionais de serviço social e nós cidadãos devemos acompanhar e analisar com toda a atenção, porque também nos cabe a nós garantir que este tipo de situações não atinge uma escalabilidade que acaba por se consumar em crimes hediondos.

 

E depois do show off mediático e do "eu também tenho opinião" (como se alguém se importasse com isso), quantos de nós nos debruçamos sobre o processo, sobre o desfecho e sobre as conclusões? Preferimos a poesia ou a revolta do momento...

 

Finalmente, uma nota, embora sem total conhecimento do processo: está aí mais um alerta para provar que a saúde mental não é o caixote do lixo do sistema de saúde. A saúde mental, não é nem pode ser um tema de lifestyle, um tema de programas de televisão em que o profissionalismo de alguns deixa a desejar, sem contar com aqueles que falam de saúde e bem-estar mental como se fosse uma trend new age ou porque lemos meia dúzia de coisas na internet e achamos que somos bons conselheiros.A saúde mental é um tema sério, e que tem de ser gerido com a devida honestidade e valor.

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Avante contra a Liberdade...

por Robinson Kanes, em 14.05.20

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Créditos: https://rdldn.co.uk/elgin-maida-vale/mao-communist-1024x586/

 

Lenine dizia que a Liberdade era um bem tão precioso que tinha de ser controlado... Será por isso que um dos últimos países onde um certo comunismo ainda dita as regras faz aplicar esta regra com total impunidade.

 

Depois do 1º de Maio e da cedência ao sindicalismo naftalinoso eis que chegamos ao Avante. O Partido Comunista Português (PCP) não abdica de fazer a festa, como não abdicou com os seus tentáculos de fazer o 1º de Maio, doa a quem doer, como dizia um Chefe de Estado no tempo dos fogos (até agora ainda ninguém sentiu dores...).

 

O que nos coloca a pensar é a inquietação provocada por uma minoria que consegue todos os anos realizar festas privadas/partidárias que alegadamente utilizam fundos e meios públicos, fogem aparentemente aos impostos e cujos promotores se dão luxo de contornar a lei em pleno Estado de Emergência contrariando tudo e todos e fazendo valer a sua vontade. Que poder é este para escarrar na cara de todos os portugueses que trabalham e cumprem a lei? Que poder é este que domina o Estado Democrático e o funcionalismo público? Questionamos tanto as opções e das ideias de André Ventura (que enfim...) mas continuamos há mais de 45 anos a suportar autênticas ditaduras de uma minoria poderosa que defende regimes sanguinários. Não hesitamos em citar Hitler (o mais popular, logo mais fácil para os mentecaptos) mas aplaudimos os servos de Kim Jong Un, Maduro, Estaline, Pol Pot e por aí adiante... Não é uma questão de esquerda e de direita, é de terror!

 

Continuamos também a permitir que os intentos de uma Constituição claramente comunista e com uma exagerada protecção da máquina do Estado e de todos aqueles que vivem na sua sombra, impedindo, não em raras ocasiões, o desenvolvimento do país e a reforma do Estado - a ausência de coragem para fazer esta reforma tem sido um dos nossos maiores atrasos crónicos - e assim promete continuar a ser, pelo menos tambem enquanto continuarmos numa dicotomia esquerda/direita.

 

Continuamos a deixar que tudo isto aconteça, mesmo que enquanto um grupo de gente de bem, democrática e que vive na miséria a ajudar o próximo (ou não) faça o que bem entende... Fazendo o que bem entende enquanto ficamos confinados nas nossas casas, enquanto não poderemos celebrar festas populares de cariz religioso e profano com origens em tempos que nem o comunismo sonhava existir. Teremos de ficar em casa, muitos de nós, durante as férias porque não podemos exercer a nossa liberdade e ajudar a economia em nome de um bem maior. Teremos de abdicar de produzir, de exercer muitas actividades... No fim, muitos de nós ainda irão perguntar porquê! Talvez poucos, talvez aqueles que estejam cansados de ver os seus impostos a fugir por túneis sem fim, talvez aqueles que preferem lutar a viver na sombra do paternalismo!

 

Porque é que continuamos a ficar parados e corroídos de ferrugem enquanto o mundo cresce? É a pergunta que se coloca, além de que não é de descartar que talvez gostemos e talvez o atraso civilizacional e económico crónico seja por vontade própria... Basta ver o nosso apetite insaciável por destruir que tem novas ideias para o país, seja a nível público seja a nível privado. 

 

Ainda dizem que o orgulhosamente sós era do tempo da outra senhora... O orgulhosamente sós continua na cabeça da maioria...

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Sardinhada em Isfahan...

por Robinson Kanes, em 12.05.20

isfahan (1).jpgImagem: Robinson Kanes

 

Paul Dolan diz-nos que a chave para sermos mais felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos  ao que não nos causa felicidade". Afinal, e segundo as palavras do mesmo,  "não é a mesma  coisa que prestar atenção à própria felicidade". É por isso que no meio um turbilhão de más notícias decidi ir apanhar um ar fresco a Naqsh-e Jahan e resolvi por lá fazer a sardinhada desta semana... Podem acompanhar aqui.

 

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