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Porquê? Ainda sobre as "fake news"...

por Robinson Kanes, em 25.03.20

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Fonte: https://www.americangrit.com/2018/07/25/challenges-wed-like-see-internet/

 

 

Um cérebro pode servir para fins bastante diferentes e a conquista do mundo é mais desejável que a sua ordem.

André Malraux, in "A Tentação do Ocidente".

 

Todos falam de "fake news", é tema corrente, mas à boa portuguesa (e não só) quando é altura de fazer alguma coisa continuam as vozes mas os braços tendem a não aparecer... Ou a serem cortados.

 

Foi preciso um indivíduo português estar em Inglaterra e acompanhar as notícias da sua pátria para denunciar uma das maiores escandaleiras dos media em Portugal. A história da liberdade de imprensa, que agora vai sendo chamada de liberdade de comunicação, vai-nos mostrando que "alguém" continua a ter mais liberdade que os demais. Até quem nos governa tem limites, inclusive num cenário de "Estado de Emergência", já alguns media... Um dia ainda vamos ver uma guerra a ter início por causa de um "jornalista" de trazer por casa se lembrar que afinal não estudou para relatar factos mas emitir opiniões e até criar esses mesmos factos, mas espera aí, isso até já...

 

Referi aqui também alguns exemplos de como se pisa o risco e não se recolhem as consequências, no entanto, uma estação de televisão (SIC) foi mais longe e mostrou uma Londres envolvida no caos por causa do "vírus chinês", como já é apelidado.

 

Ao vídeo, bastante actual (2011) atribuiu-se uma história rocambolesca e que não desculpabiliza a jornalista que o fez sair para a rua mas também não pode desculpabilizar um director de informação e todos aqueles que também são responsáveis pela informação do canal, inclusive o "pivot" que "lançou" a notícia como se de um filme de terror se tratasse. Podemos errar no vídeo, mas não  podemos errar na montagem que é feita em torno do mesmo, isso é ir longe, demasiado longe.

 

Também foi preciso que um indivíduo em Inglaterra, sim, em Inglaterra, viesse mostrar a falsidade desta notícia! Em Portugal passava, como passavam tantas outras e ninguém dava por nada. A prova de que bebemos tudo aquilo que nos colocam à frente sem sequer questionar ou pensar é assustadora e enquanto andamos todos galantemente a achar-nos muito esclarecidos e letrados, não passamos de um bando de ovelhas que procura a sua relva sem olhar ao essencial. Reclamamos e achamo-nos demasiado espertos quando uma chefia nos pede para fazer alguma coisa, por exemplo, mas digerimos tudo o resto com uma facilidade tremenda, daí serem sempre os mesmos com as mesmas mãos cheias de nada... Daí sermos um paraíso para que o "chico-espertismo" continue a vingar.

 

Finalmente, a SIC é também o tentáculo televisivo do "Polígrafo", será que essa notícia foi ao polígrafo? É que este polígrafo tende a diferenciar-se do polígrafo electrónico pela forma como é tendencioso e erra nas análises que faz, ou não fosse o seu fundador/editor, um indivíduo que esteve envolvido num escândalo por, alegadamente, ser sócio de uma empresa que promovia publicamente determinados indivíduos (alguns com o nome bem manchado) - algo incompatível com a profissão de jornalista.

 

O que aconteceu este fim-de-semana e tem vindo a acontecer nos últimos anos é grave, é muito grave, e a liberdade de informação não deve servir de desculpa para que se cometam as maiores atrocidades, já dizia Platão que "é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". Esperemos também que estes dias, sirvam para podermos pensar um pouco e desligar a televisão e algumas publicações electrónicas de vez... É altura de seleccionar aquilo que vemos e aquilo que queremos ser - e continuar a ser uma seresma, também é uma opção, a escolha final é de cada um.

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Ter COVID 19 também pode ser "fancy".

por Robinson Kanes, em 20.03.20

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Fonte: LinkedIn

 

Que o diga um indivíduo de Águeda que não tem olhado a meios para ser um dos grandes embaixadores da "covidomania". Este indivíduo, que dá pelo nome de Pedro Xavier Simões (três nomes como manda a regra actual), foi sendo impingido pelo Sapo e por outros meios, sobretudo através do amigo "jornalista" Nuno Noronha. Se é para fazer furos "jornalísticos", nada como começar pelos amigos, sempre assim foi, até aí não é novidade...

 

Neste furo, falava-se do indivíduo que padecia desgraçadamente nos Hospitais Universitários de Coimbra (HUC) posando qual instagramer de sucesso para a foto. Até o cabelo, apesar das limitações em aplicar mais cera, foi tendo o cuidado devido. Enquanto criticava o Serviço Nacional de Saúde, dava como porta-voz do seu estado de saúde, o presidente da Câmara Municipal de Águeda, um especialista de saúde como nunca se viu até hoje - aliás, este indivíduo que veio de Itália e não se lembrou de fazer isolamento voluntário e alargou a infecção a colegas de trabalho, é o primeiro a alertar de que isto vai ficar muito pior e que não estamos preparados. Daqui à saída em grande estilo dos HUC foi um passo onde nem a garrafinha de água foi deixada para trás, sem esquecer a montagem com uns óculos, um livro e tudo aquilo que dá jeito para criar uma imagem pessoal. Covid 19 é uma terra de oportunidades...

 

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E pronto, temos um herói pouco acidental, promotor da irresponsabilidade e especialista em vírus. 

 

Mas a história não fica por aqui, afinal enquanto muitos "famosos" (bem entre aspas) se mostram muito preocupados com a humanidade enquanto partilham as coisas boas da vida, mesmo que em casa, temos o Pedro Simões (reduzido apenas a dois nomes), muito preocupado no seu LinkedIn com a fotografia que o Diário de Coimbra, ou como é conhecido na cidade, o "Calinas" (porque é que será...), partilhou num artigo sobre si depois deste abandonar os HUC. E pensar que o Sobral Cid não fica assim tão longe...

 

Todos devemos sentir uma certa pena por este indivíduo, mas por certo, não é obviamente por ter contraído COVID 19 mas sim por gostar de usar camisas à Tom Cruise no filme "Cocktail", laço à empregado de mesa da "Versailles" e capa (ou casaco) à Harry Potter. Idealmente e enquanto os mortos não são aos magotes, o melhor é também que aqueles que podem estar em vias de empaviar, tenham alguma coisa que os ligue a algo ou alguém famoso... Não importa o vosso nome, mas de quem são conhecidos ou algo do género.

 

Entretanto, estou já a criar um movimento de partilha de fotografias de todos aqueles que morreram e vão morrer de COVID 19 para seleccionarmos a melhor, especialmente aquelas onde a malta surge assim com melhor aspecto, de copo na mão e tal ou então com uma imagem das últimas férias em Torremolinos. Enviem-me as vossas, eu já escolhi a minha para a CMTV: estou de peito à mostra a beber uma Sagres na praia de Paço de Arcos. Admito que se me acontecer algo, vou ficar furioso se aparecer uma daquelas em que estava... Normal?

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COVID 19: A Pouca Vergonha Mediática

por Robinson Kanes, em 16.03.20

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Créditos: https://www.facebook.com/soundsofmediapanic/

 

Tenho andado ausente, tenho pensado em reter as palavras, sobretudo numa altura como esta. Tenho opiniões muito próprias acerca da forma como a crise do COVID 19 está a ser gerida, mas vou guardar para mim. Acredito que cada Governo está a fazer o que pode e entendo perfeitamente o não querer fechar fronteiras. Quem quiser uma União Europeia e uma Europa forte e unida vai perceber o porquê - se não perceber, umas aulas de história contemporânea e da própria União, não farão mal a ninguém.

 

Continuo a trabalhar, não me fecho em casa, além disso não posso deixar parceiros, clientes e as minhas equipas sem apoio. Não está fácil, e provavelmente todos sabemos qual o final, mas enquanto houver esperança, chorar e lamentar não é permitido, a orquestra irá continuar a tocar e os homens não abandonarão o leme, aliás, em muitos, apenas um o quis fazer e a opção foi respeitada. Enquanto existir um cliente a precisar de nós, lá estaremos, até ao último homem! Se o Governo precisar de nós e das nossas infraestruturas, lá estaremos!

 

Deixei de ler jornais e afins. Sigo as recomendações da Direcção Geral de Saúde (DGS) e recuso-me a pactuar com práticas que me deixam boquiaberto e me fazem pensar se o ideal, ao invés de fechar fronteiras, não é fechar jornais, algumas publicações online até televisivas.

 

Ver publicações de referência (será?) a partilharem testemunhos de indivíduos (amigos) que posam para o instagram enquanto criticam o Serviço Nacional de Saúde e passam a imagem de que é cool estar internado mesmo tendo arriscado sabendo que podia ser portador do vírus, deixa-me a pensar se a estupidificação colectiva atingiu o seu momento 2.0. Ter o vírus ou ter estado com alguém que, já me torna um especialista! Lamento, mas não, por isso, nestes tempos, o ideal é propagar as fotos pelo instagram e fechar a boca. O cunhismo e o compadrio também se perpetuam em tempos de crise, afinal muitos dos actores incompetentes são os mesmos que existiam antes desta crise!

 

Ver publicações de referência a partilharem testemunhos anónimos (sempre anónimos faz-me pensar se não serão epifanias de quem não tem nada que escrever) de que em Madrid, há duas semanas "parecia uma Guerra", estou a citar. Eu estive há duas semanas em Madrid (data da notícia) e a última coisa que se via era um clima de guerra, as prateleiras estavam cheias, as farmácias "vazias" e não havia caos nas ruas! Nem em Madrid nem nos arredores, e os arredores, no meu caso foram Getafe, Alcobendas e Alcalá de Hénares. Ainda esta semana saiu o relato do "inferno", estou a citar, na Noruega! Qual a publicação? Visão!

 

A semana passada, também lia numa publicação (Jornal I) que se focava no facto da baixa de Lisboa estar deserta e toda a gente andar de máscara! Falso! Só a partir de sexta-feira se sentiu uma quebra muito maior e mesmo no dia de hoje, são muitas as pessoas que andam sem máscara. O home office nas redacções deve estar a dar nisto! Se querem dar notícias verdadeiras, o melhor é saírem mesmo de casa, caso contrário, abstenham-se de falar do que não sabem.

 

Chega de instalar o medo! Basta! Liberdade de Imprensa não é o cultivo de ódios e do medo, e mesmo isso, deverá ser revisto no pós-crise COVID 19 - alguém tem de começar a ser punido! Não é com discursos destes que fazemos serviço público e muito menos estaremos do lado de quem nos quer proteger! 

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