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Aprendam! Eles não duram sempre!

por Robinson Kanes, em 27.09.19

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Imagem: Petr David Josek / AP

 

Não é absolutamente necessário voar e entrar pelo sol adentro, basta rastejar até um lugarzinho limpo nesta terra onde de vez em quando o sol brilha e nós nos podemos aquecer.

Franz Kafka, in "Carta ao Pai".

 

Não resisti, por isso aprendam... Eles não duram sempre e mostram que ainda existem Homens com "H" grande...

 

Agora sim... Até breve!

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Imagens: Robinson Kanes

 

Já estão a chegar mais dois dias de boa vida. Pelo menos para alguns, pois há quem trabalhe, muitas vezes, para que esses dois dias sejam óptimos para os outros. A semana passada, como em outras, dei folga a esta rubrica, se assim preferirem chamar a mesma - mas o "Dia Internacional da Paz" surgiu-me como prioritário, sobretudo pela ligação que tem agora às questões climáticas e pela ausência de alguma discussão em torno do mesmo.

 

Por aqui será feita uma pausa de alguns dias. Dias para experimentar uma realidade diferente, dias para equacionar uma presença, dias para muitas outras coisas. 

 

E que tal um fim de semana com Albert Camus? "A Queda" é talvez a sugestão que mais se enquadra para o dia de hoje, talvez aquele que me pode fazer reflectir no dia de hoje.

 

Que importa, no fim de contas? As mentiras não conduzem finalmente à via da verdade? E as minhas histórias, verdadeiras ou falsas, não tenderão todas todas para o mesmo fim, não terão o mesmo sentido? Que importa então, que sejam verdadeiras ou falsas, se, nos dois casos, são significativas do que fui e do que sou? Vê-se mais claro, por vezes, naquele que mente do que no que fala a verdade.

Albert Camus, in "A Queda"

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Deixo também uma ideia (sugestão é colocar-me em bicos de pés), musical. Talvez um dos melhores complementes à leitura da obra que falei anteriormente - Rachmaninov e o "Concerto para Piano nº2 em Dó Menor op.18 ". Escrito depois de um colapso nervoso no início do século XX é uma obra clássico-romântica e capaz de nos fazer ir bem para além da compreensão humana.

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É talvez o mais conhecido e em alguns trechos irão reconhecer alguns acordes que foram aproveitados por cantores actuais. Optei por seleccionar uma versão com menos qualidade mas tocada pelo próprio. Para algo "melhor", Rafael Orozco não é uma má opção.

Finalmente, fica uma ideia para ver cinema... Cinema espanhol, de Miguel Ángel Lamata, o filme "Nuestros Amantes". Aquilo que parece ser uma comédia não o é e acaba por tocar em pontos bem profundos das relações... Aquilo que parece ser uma brincadeira é algo muito sério. Enquanto conhecem (ou recordam) um pouco de Zaragoza (e até de Teruel) vão rir e pensar muito... Não tenho dúvidas. Não gosto como Miguel Ángel Lamata filma, no entanto é um filme actual e para os amantes de hoje.

E para pensarmos enquanto adoramos viver neste país e talvez chegarmos à conclusão que não somos um povo de brandos costumes mas de acomodados, corruptos e apáticos (para ser simpático): Pedrogão; Incêndios de Outubro; Tancos (ninguém me diz que o papagaio-mor do reino não é...); perdões aos bancos; perdões do banco público Novo Banco a instituições como a Malo Clinic; perdões à EDP, partidos que vendem a ideologia a troco de maiorias; falta de condenções a detentores de cargos públicos ou aplicação de simpáticas penas suspensas; destruição do ambiente; golas anti-fumo; habitantes do concelho, dito o mais desenvolvido do país, a votarem em massa e a defenderem um corrupto; sempre os mesmos nas universidades e sempre os mesmos em várias áreas profissionais a opinarem sobre aquilo que não sabem e não fazem; sempre os mesmos a dizerem aquilo que é bom para nós e e ainda um sem número de situações que envergonhariam qualquer cidadão digno desse rótulo... Mas por cá há poucos, logo a vergonha também tende a escassear...

 

Até breve e bom fim de semana,

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Postas de Pescada e Reflexões Sobre Ter um Blog...

por Robinson Kanes, em 26.09.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

Foi um destes dias que descobri, graças ao comentador Nuno Carvalho, o alcance do "Não é que não Houvesse" - pois é, ultrapassou fronteiras e um dos artigos (traduzido em inglês) foi parar ao facebook de uma página de fans do Bryan Ferry. É bom saber isso, é bom ter reconhecimento, sobretudo além-fronteiras e de forma desinteressada... E como é bom e genuíno o reconhecimento lá de fora - então quando ele não existe cá dentro. É bom receber alguns emails, sobretudo de pessoas que não têm blogs e de outras pessoas (perdoem-me as mesmas, mas também não vos vou expor) que tendo espaços como este, optam por não tornar muitos dos comentários públicos ou pedir desculpa por não comentarem mas... Aprecio esse facto e compreendo, cada qual terá as suas prioridades neste mundo.

 

Isto para dizer que, pontualmente, é bom fazer balanços... Também assumo que, estando na plataforma que estou, não escrevo com um propósito para a mesma, todavia, não deixo de agradecer todos os artigos destacados até agora, sobretudo na página principal que é onde, acredito, ter mais adeptos do meu "trabalho". Perdoem-me se não crio artigos de agradecimento, não é o meu estilo, sou adepto da eficiência e não do folclore (sem carácter depreciativo)... E há outras formas menos óbvias de agradecimento que vão bem para lá disso, é uma questão de se estar atento e ter capacidade de encaixe.

 

Nestes tempos por aqui, sendo ainda cedo para um balanço, admito que sempre temos dias bons e dias maus. Deixamos de seguir este e aquele espaço porque já não nos desperta interesse, deixamos de comentar só porque sim e somente porque realmente o tema nos merece atenção, tornamo-nos mais selectivos, mesmo que isso implique que existam muitos que ficam revoltados e nos punem com o seu cancelamento, faz parte... Até brinco com isso sempre que alguns temas fazem derrapar o número de seguidores. Algumas boas discussões não faltam, sobretudo quando os apologistas da liberdade e dos direitos nos apontam a sua forma mais vil de serem ditadores.

 

Também já tive artigos dedicados a mim e os quais agradeço: uns muito bons, outros nem por isso... Agradeço especialmente à "Mami", à "MJP", ao "Homem da Caneca" e ao "Pedro Correia" pelos convites à escrita nos seus espaços. Os menos bons, pois bem, fazem parte... Não são tema para agora.

 

Penso que também tenho o dever de agradecer a todos os que me vão seguindo e lendo - uma nota especial para as subscrições por email, não sei quem são, mas são uns "Senhores" a quem agradeço muito. São eles que fazem este espaço, não é o Robinson Kanes que é a vedeta cá do sítio, são todos vocês, inclusive os que espumam quando observam alguns textos... A riqueza destes espaços vem daí e por apreciarem algo que realmente dá trabalho. No meio de tanta azáfama, dá mesmo muito trabalho, este não é um espaço de copy-paste ou de débito fácil! Acreditem ou não, não são raras as vezes em que recebo mais do que dou. Permitam-me, contudo, sublinhar que não abdicarei do que sou e do que penso, bem como de uma certa "linha editorial", isso não o farei.

 

Um obrigado especial a todos aqueles que aceitam os meus comentários e sobretudo àqueles espaços que, não tendo muito destaque e visibilidade, são de uma riqueza extraordinária! Admito que sigo apenas dois separadores: "opinião" e "últimos posts" - não há tempo para mais e é preciso fazer escolhas. É no último que tenho descoberto conteúdos verdadeiramente interessantes! Obrigado a muitos deles também por serem a minha companhia, pois nem sempre é fácil, mesmo nesses separadores, encontrar conteúdo destacado que seja de qualidade, mas afinal, o "Não é Que Não Houvesse" também não se pode gabar muito nesse campo, ainda está numa fase de aprendizagem constante.

 

Obrigado por aturarem o meu mau-feitio, obrigado por compreenderem que não gosto de discursos bonitos e fofos (não resisti... damn), por vezes tenho aquilo a que os holandeses chamam de "bespreekbaarheid". Por cá nem sempre resulta, somos uma cultura mais superficial e também emocional no campo de dizer o que pensamos.

 

Obrigado por estarem aí, sejam apreciadores ou haters, até porque, a existência de um hater implica que alguém nos segue, nos lê e digere o que escrevemos).

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cudillero-2.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

 

A manhã não está animadora quando deixamos Gijón, no entanto, depois de mais uma café em Avilés, (conhecemos Avilés de estarmos sempre a tomar café quando por lá passamos) o tempo parece colocar-se de acordo com o nosso estado de espírito. Em San Juan de Nieva o bom tempo e o mar calmo já criam a perfeita sintonia para o que se avizinha. Desta vez não queremos ir pelo interior e deixamos que seja o mar a indicar-nos o caminho até entrarmos na Galiza - ainda a uns dias e quilómetros de distância.

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O objectivo do dia, é sobretudo sentir e estar em Cudillero. No entanto, até lá e na costa entre Avilés e aquele pueblo, as praias e as escarpas são um dos atractivos principais. Não queremos perder o mar de vista, até porque as montanhas são sempre uma presença nas nossas costas quando os nossos olhos se perdem na imensidão do Cantábrico.

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Cudillero tem um interesse especial, é um daqueles locais que nos inspira e nos recorda (embora à maneira asturiana que não é melhor nem é pior, é bem diferente) locais mediterrânicos e do Adriático que encontramos mais a sul, desde Espanha até à Turquia. Além disso, é também em Cudillero que se encontra a "Fundación Selgas-Fagalde", um pouco antes de se chegar ao pueblo em si. Os jardins e o palácio tornam-na num dos tesouros artísticos e culturais mais bem escondidos do norte de Espanha.

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Mas eis que chegamos a Cudillero que, além do carácter pitoresco com as suas casas de diferentes cores e ganhando espaço à montanha, também se tornou curioso para nós, apaixonados pela cultura dos "pexins vs lavradores" um pequeno apontamento etnológico. Também aqui "existe" uma divisão social bastante vincada, com os "Mariñana" (os habitantes que estão junto ao mar, sejam eles lavradores ou pescadores), com os "Xalda" (os que vivem no interior, maioritarieamente da terra) e os "Vaqueira" (os pastores da montanha, os mais isolados da comunidade).

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No entanto, se aprofundarmos ainda mais e deixarmos toda a área de influência do Ayuntamiento encontramos uma outra divisão somente em Cudillero composta pelos "pixuetos" (os pescadores) e pelos "caízos" (vivem na rua principal e tendem a dedicar-se ao comércio). Temos a sorte de encontrar habitantes a falar "pixueto", um dialecto local. É fantástico, faz-nos querer ouvir mais e ficar por ali para almoçar, o mar e aquelas gentes são a companhia perfeita num dos locais mais bonitos das Astúrias e até do norte de Espanha.

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É dia de mercado e também é dia de faina, há peixe fresco e por isso não resistimos à "Merluza del Pincho" e a um "Pixín a la Plancha". Pescada ao anzol e um tamboril grelhado, não pode haver melhor, sobretudo quando o cheiro do mar (bastante intenso) e o cheiro do prato quase não se distinguem. Não é difícil comer bem nas Astúrias, seja no interior, seja junto ao mar sobretudo se os passeios junto à "Playa de Oleiros", "Playa del Silencio", "Playa de Riocabo" e a "Playa Concha de Artedo" abrirem o apetito como abriram.

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Admiráveis praias não faltam para tornar todo este cenário único que não promete desaparecer, sobretudo porque se segue toda a costa asutriana até Figueras e Castropol, onde estas encontram, do outro lado da Ria del Eo, a também pitoresca Ribadeo, já na Galiza.

 

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Imagem: https://www.kenya-today.com

 

 

A organização social dos homens parece-se muito com a dos ratos que, também eles, são no interior da tribo fechada seres sociais e pacíficos, mas que se comportam como verdadeiros demónios para com os congéneres que não pertendem à sua comunidade.

Konrad Lorez, in "A Agressão".

 

Que a presença/intervenção de nações não africanas naquele que é o mais belo continente do mundo mais de 50% das vezes não traz benefícios é um facto! E é talvez, por isso, que tivemos uma guerra civil em Angola, o genocídio do Ruanda, os desastres da Costa de Marfim e da Libéria e ainda um outro desastre que temos conhecido de perto devido à nossa intervenção na força de manutenção de paz, que é a República Democrática do Congo. Interessante que os países enumerados são quase todos francófonos...

No entanto, será que também sabemos o que se está a passar nos Camarões e no Burundi? As Nações Unidas sabem, muitos políticos de nações com interesses económicos ou simplesmente solidários sabem. Mas, e nós?

 

Nos Camarões, a pressão religiosa e sobretudo entre áreas francófonas e anglófonas, com primazia para as primeiras, levou a um conjunto de revoltas que acabou com a declaração unilateral de independência por parte da região anglófona, a "Ambazonia". Isto significou a destruição de toda e qualquer presença de poder soberano que restava dos estado camaronês e o estabelecimento de uma força separatista. Se a isto juntarmos violência entre comunidades, o Boko Haram, suportado pelo ISIS e o tráfico de armas perpetrado por "membros da Ambazonia" (alguns a residir no estrangeiro), temos um cocktail explosivo bem montado e que já faz jorrar sangue e consequentemente abre espaço para que possamos falar em genocídio. Acresce que existem outros intervenientes: as organizações não governamentais (ONG) a operar na região e que nem sempre têm em conta o interesse daqueles que aparentemente dizem proteger: muitas destas organizações têm ideais políticos, religiosos e até sociais que podem não trazer a estabilidade desejada. Os Camarões são um barril de pólvora na já turbulenta região ou este país não fizesse fronteira com países como a Nigéria, Chade e República Centro Africana.

 

Mas se este conflito ainda vai sendo pouco conhecido do grande público, existe um outro ainda mais oculto e que se candidata a ter também o seu capítulo na galeria dos genocídios africanos, quiçá, ao lado do Ruanda. 

 

O Burundi, o 2º país mais pobre do Mundo, com cerca de já 400 00 exilados e uma população em que 73% dos seus habitantes contraíram malária, é visto pelas Nações Unidas como um território no qual está a ter lugar um genocídio - em alguns casos, camuflado com as mortes por malária.

 

Aqui o cocktail explosivo não é melhor - o Burundi, com histórico em termos de conflitos tribais, tem um papel importante no acolhimento e apoio de hutus, aliás, é considerado pelo Ruanda como um albergue de hutus, uma maioria no Burundi. Por seu lado, o Burundi acusa as forças ruandesas "pós-genocídio", e maioritariamente tutsis, de terem perpetrado um segundo genocídio no Ruanda, dessa vez, contra hutus.

 

No Burundi, o presidente Nkurunziza continua a liderar o país com mão de ferro, esquecendo a constituição (acusando Kagame do mesmo perante a protecção da comunidade internacional) e continuando a fomentar os contratos de exploração mineira com a China e com a Rússia, isto ao mesmo tempo que estas nações (e outras) fecham os olhos à morte que assola o país. O acesso de ONG não é permitido, bem como todo e qualquer acesso a enviados de instituições internacionais como a própria ONU. Se a isto juntarmos a saída do Burundi do Tribunal Penal Internacional, as sanções do Banco Mundial no fornecimento de pesticidas e adubos, a "extracção" desregulada de café,  e mais uma vez, o fornecimento de armas por parte do "Primeiro Mundo", temos outro cocktail bem explosivo.

 

Ninguém sabe como tudo isto se vai resolver, os que se poderiam importar, vão extraíndo os bens daqueles povos e abandonarão os dois países quando nada restar e até lá... Até lá continuaremos a beber aquele café tão bom no conforto das nossas casas ignorando, talvez, o sangue que está em cada grão... Até lá continuarão a morrer pessoas, muitas delas, provavelmente nem serão números para uma estatística, num mundo que vive em delírio acerca do modo como pode gerir quantidades astronómicas de "data", alguns deles completamente irrelevantes...

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Allegro Vicacissimo adiado...

por Robinson Kanes, em 23.09.19

Jabr-Walking.jpgImagem: https://www.newyorker.com/tech/annals-of-technology/walking-helps-us-think

 

Pensava em como as pessoas que se querem bem, sem pensar em mais nada a não ser na triste insensatez da vida e no carácter vão do amor, acabam por viver lado a lado os próprios destinos que, por serem incompreensíveis as mantêm afastadas como nos pesadelos sem sentido.

Hermann Hess, in  "Gertrud"

 

Tchaikovsky escuta o seu concerto para violino e pensará em como é possível numa interpretação de pouco mais de meia-hora colocar tantas emoções, tantos sentimentos e tantos sonhos que fora da partitura se desfazem. Nem sempre a música ajuda as mentes perturbadas, ao contrário do que dizia Horácio. Essa mesma música tende, por vezes, a colocar-nos ainda mais perturbados e destruídos. Pode ter um efeito nefasto no modo como gerimos as nossas emoções...

 

Essa música faz-nos pensar no sonho mas também na realidade, de ter de acreditar naquilo que não queremos, de perceber que queremos deixar de ser um fantoche, de chegar à conclusão que o presente e o futuro dessa realidade não precisa de nós! Que nós somos pedras no caminho, que tudo tem um tempo e o tempo de uns não é o tempo de outros. Encarar esta realidade não é fácil para alguns, acaba por ser mais simples para os outros e é isso que lhes dá força para continuar.

 

Esses que não percebem o tempo, esses que se preocupam com um mundo, esses que não se cansam de falhar, ou porque a vida os marcou para sempre com esse destino ou simplesmente porque são efectivamente falhados. Não terão a consciência de que tudo tem um limite e que a realidade que um dia almejam e que até conquistaram durante algum tempo não estará lá para sempre - ninguém aguenta para sempre viver com um falhado, ninguém aguenta uma vida ao lado de um idealista. Ninguém aguenta para sempre quem acredite efusivamente no amor e aqueles que talvez acabam por viver de olhos fechados como se a própria existência fosse um acto de cobardia.

 

Oui, tout est simple. Ce sont les hommes qui compliquent les choses... Diz-nos Camus no ensaio "Entre oui et non" do seu ""L'Envers et l'Endroit". E sim, são os homens que complicam as coisas, que criam distrações, que criam convenções que decidem como se manipulam e jogam os sentimentos... São os homens que querem dominar a natureza e acabam dominados pela sua vontade de indagar, de ir mais além mesmo que estejam numa espécie de curva de 360º. São os homens que se cansam daquilo que outrora amaram, é humano, sobretudo num mundo que se devora a si próprio em consumo material e emocional.

 

Ficamos a meio na "Canzonetta", porque o "Allegro Vicacissimo" não é para hoje... Amanha será outro dia, e o mundo nasce todos os dias, mesmo que a força humana nos tente impor, não raras vezes, o mesmo mundo de ontem ou o mesmo mundo monótono e amorfo, mesmo que lutemos para fazer a diferença já ontem! E se um dia o "Allegro Vicacissimo" não tiver lugar, pois bem... Talvez que o "Hino dos Querubins" nos acompanhe numa ascenção que não será rodeada de anjos e de Deus, mas da tristeza que nos consumirá até ao dia em que o céu da boca nos arrefecer e não mais a nosso cérebro receber a mensagem que nos chega dos olhos e dos ouvidos. Até ao dia em que afastaremos o nosso pensamento do mundano...

 

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O Dia Internacional da Paz!

por Robinson Kanes, em 20.09.19

 

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Não podia deixar passar este dia, sobretudo depois de ter apreciado que o dia 15 de Setembro (Dia Internacional da Democracia) passou completamente ao lado de todos - numa época em que se fala tanto de "populismo" é estranho que muitos do que combatem tal tendência também não estivessem muito interessados em falar de Democracia.

 

Amanhã é o "Dia Internacional da Paz" e este ano tem um cariz especial na medida em que adiciona a esta temática também as questões climáticas: "Climate Action for Peace" é o mote. Esta estratégia entende-se, sobretudo, porque o espoletar de guerras causadas pelas alterações climáticas tende a ser uma realidade daqui a poucos anos, aliás, algumas de certa forma já estão a acontecer. 

 

Segundo as Nações Unidas, o impacte na segurança é tal que os desastres naturais provocam três vezes mais deslocados que os conflitos bélicos - por sua vez, temos de ter em conta que deslocados também podem estar na origem de algumas tensões. Acresce a questão da salinização das águas e respectivas consequências na agricultura e na saúde dos cidadãos. Será também interessante assistir às conclusões da "Climate Action Summit" que, penso ter ouvido, para o ano terá lugar em Portugal.

 

"Cada ser-humano é parte da solução" é uma das bandeiras, nomeadamente em coisas tão simples como desligar as luzes quando não são necessárias, utilizar os transportes públicos e até dinamizar campanhas a nível local - e em Portugal precisamos tanto disto, mas tanto... Sobretudo campanhas nascidas de gentes locais, com pessoas reais, sem grandes associativismos mas uma enorme vontade de mudar, estamos dispostos a isso? Podemos fazer tantas iniciativas e quantas vemos realmente a ocorrer? Porque é que não fazemos uma actividade que contemple a criação de um ou mais "peace poles" - algo que até podemos fazer numa lógica de Responsabilidade Social Corporativa (RSC). Deixo também outras tantas ideias que podem ser colocadas em prática para fazer a diferença seja na nossa pequena comunidade, região ou organização empresarial.

- Minuto de silêncio - não faz muito, mas é uma forma de pelo menos recordar as pessoas;

- Dinamização de diálogos inter-culturais;

- Workshops ambientais e dedicados à paz;

- Poesia e/ou música dedicada aos temas da paz e do ambiente;

- Actividades locais/comunitárias de promoção da paz e de alerta;

 

Podemos fazer tantas e tantas coisas, pelo que, deixo uma outra sugestão, na medida em que este ano, e já hoje, a "International Day of Peace Student Observance" apresentará uma plataforma onde muitos jovens apresentarão vários projectos em curso no combate às alterações climáticas, será às nove horas de Nova Iorque e pode ser acompanhado online aqui.

 

 

Vamos fazer a nossa parte? Se quiserem partilhem também aqui o que vão fazer e este espaço será Vosso para que possam escrever os vossos artigos! Vamos lá?

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Gijón: Para se Visitar e Para se Viver.

por Robinson Kanes, em 19.09.19

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Imagens:  GC

 

Depois de Oviedo, torna-se obrigatório rumar a Gijón, duas cidades claramente diferentes... Uma bastante mais interior, já a outra, uma cidade marítima e com muitas das caracteristicas que marcam estas cidades.

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Chegar a Gijón é encontrar uma cidade mais airosa que a "rainha" Oviedo... Oviedo apresenta-se como uma cidade monumental, histórica. Gijón tem tudo isso e a vontade de também lá viver. É bom sentir que um lugar é apetecível para lazer mas também para habitar. Gostamos de Gijón  pela sua história, pelas lindissímas caminhadas que proporciona junto ao mar, seja numa lógica mais urbana seja numa outra mais natural. Gostamos da gastronomia, ou não tivesse o lado piscatório, gostamos da vida, cultura e encanto que esta cidade que não deixa de ser vibrante, bem pelo contrário - é uma cidade que convida e com vida, onde o industrial, o histórico e até o romântico se misturam - algo muito difícil de conseguir.

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Não somos só nos que gostamos de Gijón, já os romanos gostavam e em "Campo Valdés" construiram umas termas. Terão ficado encantados pela frente de mar e sobretudo pela imagem que, quem está sob as águas consegue ter - a cidade e as montanhas lá atrás. Eduardo Chillida não poderia ter mais inspiração para criar o "Elogio del Horizonte", o símbolo da cidade, pelo menos o turístico. Gijón é uma cidade para ser aproveitada  quer por quem a visita quer por quem lá vive e isso sente-se nas ruas.

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Chegamos ao "Cerro de Santa Catalina", o coração da cidade e a linha de defesa da mesma. Este parque é um convívio com o mar e com a demais natureza que o completa. Um dos melhores passeios à beira-mar das Astúrias. É óptimo para complementar com um passeio pela extensa praia de areia amarela, a "Playa de San Lorenzo". É fantástico se assumirmos que estamos dentro da cidade. O pôr-do-sol nesta praia é uma delícia e com a companhia de uma "Estrella Damm" nada pode ser mais perfeito. Juntem a esta a "Playa de Poniente" (bem perto está o "Acuário de Gijón") , conhecida pelo fogo de artifício no São João e a "La Ecalerona" que encerra uma praia com um relógio e termómetro Art déco dos anos 30 e há muito que apreciar para lá da areia e do mar.

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Ainda numa lógica de grandes passeios, nada como percorrer a "Vía Verde de La Camocha" que segue a antiga linha-férrea que suportava a actividade mineira. Não faltarão apontamentos de arqueologia industrial para quem aprecia. É caminhar numa história recente e vale, sem dúvida, os 7 km. 

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O que não pode ficar de fora também é a "Laboral Ciudad de la Cultura" o campus universitário dos anos 50 do século 20 e claramente franquista, basta olhar a arquitectura. Muitos dos edifícios franquistas não tiveram a oportunidade que este teve e nos anos 90 foi alvo de uma intervenção. Além de albergar um pólo da Universidade de Oviedo tem uma área de exposições e um teatro com 1500 lugares, sem esquecer a torre de 117 metros, o edifício mais alto das Astúrias e inspirado na Giralda de Sevilha. É impossível não sentir o peso daquela infraestrutura, Franco terá passado bem a mensagem. Um edifício magnifico a visitar ou até para assistir a uma exposição ou espectáculo, sem esquecer a passagem pelo único jardim botânico das Astúrias que é bem perto: o "Jardín Botánico Atlántico".

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Todavia, o grande atractivo de Gijón são as suas gentes, o seu centro histórico, "Cimadevilla" e todo um conjunto de monumentos que englobam o "Aynuntamiento", a "Plaza Mayor" e o "Palacio de Rebillagigedo". Caminhar pelo centro histórico é parar para "tapear", conversar e sentir a animação das ruas que dura até bem tarde, é alternar entre o passeio pelos edifícios históricos e a brisa junto ao mar. Gijón, é indubitavelmente uma cidade para se apreciar mas, mais do que isso, para se viver.

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Mais informação:

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Alberto Iglesias: uma Playlist.

por Robinson Kanes, em 18.09.19

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Imagem: http://nbclatino.com/2012/02/08/17285476487/

 

 

Ainda a semana passada falei do basco Alberto Iglesias a propósito do novo filme de Almodóvar, "Dolor y Gloria" (melhor banda sonora em Cannes). Talvez por isso, um destes finais de tarde mais recentes tenha sido dedicado a ouvir algumas das obras deste compositor apaixonante e que já é conhecido por cá há muito.

 

Começo com uma das que mais me agrada, "Los Abrazos Rotos", escrita para o filme de Almodóvar com o mesmo nome. Alberto Iglesias e Almodóvar são uma dupla que se repete por diversas vezes tornando o primeiro num quase exclusivo do segundo. "Los Abrazos Rotos" está impecavelmente composta e quem vir o filme vai perceber - não é hoje que falarei dos filmes. Esta banda sonora ganhou um Goya! Música fantástica...

"Habla con Ella" é outra das grandes obras de Iglesias. O filme bem presente, toda a emoção que o caracteriza e aquele sangre espanhol. Se "Los Abrazos Rotos" nos encosta ao sofá e nos faz fechar os olhos, esta composição não é diferente. Para mim, uma das melhores de Alberto Iglesias e que só um compositor espanhol é capaz de criar!

Esta é um clássico, "Me Voy a Morir de Amor", do filme "Lucía y el Sexo". Um estilo, mais uma vez, inconfundível, onde o erotismo e o romance surgem associados a uma certa ingenuidade que também caracterizam o filme. Aqui foi o realizador Julio Medem que soube escolher Iglesias... É impossível não entrarmos na mente de Lucía ao ouvir esta música.

"Tessa's Death" é outra das composições que admiro e que retratam o papel de Iglesias na banda sonora do filme "The Constant Gardener", mais conhecido pelo "Fiel Jardineiro". Num registo ligeiramente diferente, Iglesias mostra-nos que não é só um compositor de Espanha, é um compositor do mundo - Fernando Meirelles não poderia ter feito melhor escolha para um fime onde Ralph Fiennes e Rachel Weisz não poderiam ter estado melhores.

Uma das composições que mais me surpreendeu pela positiva! "Fly a Kite" faz parte da banda sonora de um filme que me encantou igualmente: "The Kite Runner", mais conhecido por cá, quer em livro quer em filme, pelo nome de "O Amigo de Cabul". Um filme para levantar a cabeça, para nos dar uma lição e para nos levar para um mundo real que tendemos a esquecer, isto enquanto se desenrola uma história que não vai deixar ninguém indiferente. Alonguei-me na questão do filme, mas é daquelas bandas sonoras que nos "apunhalam" mais se forem acompanhadas pelas emoções geradas com o filme.

"Kyrie", da banda sonora (mais uma de Almodóvar) do filme "Mala Educación", é já um "clássico" que não pode ser esquecido quando se fala de Alberto Iglesias. Na actualidade, só um compositor com esta categoria poderia compor uma "kyrie" com este talento, com esta força e com esta dor, formidável! Uma obra clássica de se lhe tirar o chapéu.

Quem viu "Volver", também de Almodóvar, vai reconhecer de imediato "El Año Seco". Iglesias, mais uma vez, a impressionar e mostrar porque tende a ser o favorito de Pedro Alomodóvar. Se a estrela da banda sonora é "Volver" de Estrella Morente,  o lado mais orquestral não deixa ninguém indiferente. Quiçá, para ouvir depois de Estrella Morente... 

"Pavana par Agrado" é outra composição, também de um filme de Almodóvar: "Todo Sobre mim Madre". Mais uma daquelas bandas sonoras em que a capacidade de Iglesias para se reinventar sobressai. O filme é genial e a banda sonora também - filme pesado, com uma banda sonora sui generis, não dura mas talvez cínica, talvez real.

Uma interpretação excelente de Elena Anaya em "En Tu Piel" ressalta sempre que escuto "Los Vestidos Desgarrados", mais Almodóvar e mais Banderas... Mas como é que se fica indiferente?

E podia estar aqui o resto do artigo a debitar mais composições de Iglesias... Interrogo-me como hei-de fechar esta selecção, como poderei não deixar passar nada, mas é certo que o farei, tantas músicas me afloram ao pensamento... Não vou deixar passar, vou até à década de 90 para encontrar "Tierra", música da banda sonora de mais um filme de Medem, e que tem o mesmo nome. Não posso deixar passar... Não posso...

 

 

 

 

 

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A Democracia Pervertida

por Robinson Kanes, em 17.09.19

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Créditos: https://www.concrete-online.co.uk

 

 

A política de espectáculo oculta os problemas de fundo, substitui pelos programas o encontro da personalidade, embrutece a capacidade de raciocíonio e de juízo em proveito das reacções emocionais e sentimentos irracionais de atracção e antipatia (...) os cidadãos são infantilizados, deixam de se envolver na vida pública, ficam alienados, são manipulados por gadgets e imagens, a Democracia é desnaturada e pervertida.

Gilles Lipovetsky, in "O Império do Efémero"

 

 

No passado dia 15 de Setembro, foi o Dia Mundial da Democracia, do que vi, pouco se falou, até por aqui... Um ou outro apontamento, mas nada completamente dedicado, a Democracia não está na moda, não é hype que queiramos seguir. Confundimos Democracia com total liberdade, sobretudo com liberdade para ser apático, nulo na capacidade de ser humano e cidadão.

 

Repito, tantas e tantas vezes, e não me cansarei de repetir (e não sou o único) em como é possível que uma sociedade que atingiu o topo da evolução - pelo menos em comparação com períodos históricos anteriores - esteja tão apática, tão embrutecida e tão ausente da realidade. No apogeu do que é ser um humano, e no apogeu da informação, nunca estivemos tão virados para nós e tão alheados do mundo, nunca fomos tão moldáveis e tão criticos daqueles que assumem a nossa defesa porque não fica bem que alguém nos aponte o dedo e o apoio a estes pode retirar-nos da zona de conforto. Em Portugal, por exemplo, nunca estivemos tão alheados do que se passa por cá e especialmente por esse mundo, nunca estivemos tão renitentes a aceitar a realidade e a discutir a mesma - o provincianismo também se encontra aí.

 

Criticamos/elogiamos quando é moda, mesmo que seja algo que nem percebemos muito bem, e deixamos o que é realmente importante de lado. Entregamo-nos à hipocrisia, e pegando num dos exemplos mais recentes, ficamos amigos da Amazónia e queremos mudar o mundo com um like ou com uma fotografia, no entanto, com o nosso país em chamas estamos completamente desligados - a tragédia dos incêndios este ano, em Portugal, passou completamente ao lado! Algo maravilhoso em pré-época de eleições legislativas e também porque alguém disse que não se recandidaria perante a repetição de tragédias semelhantes a Pedrogão e aos incêndios de Outubro daquele fatídico ano - mesmo que, todos os anos, desde então, muitas tragédias se repitam.Importa lembrar também que, muito convictos da nossa liberdade, só nos lembrámos da Amazónia porque fomos quais carneiros, seguidores de uma campanha anti-Bolsonaro. Com isto, não quero ilibar o senhor da sua responsabilidade, mas a verdade é que a questão só teve destaque por isso mesmo e não porque andamos preocupados com a floresta!

 

Ouvi alguém dizer, um destes dias, que o "ideal era arder tudo, os portugueses e tudo o mais para ver se isto começa de novo com gente mais digna de ser chamada de português", portante uma espécie da castigo divino qual dilúvio "noeniano". É extremo, mas convenhamos que é um alerta para algo.

 

Somos também os primeiros a ficar revoltados porque um desconhecido escreveu que o ser-humano era uma peste, mesmo que todos os dias deixemos escapar que o ser-humano é estúpido e mesmo que humilhemos aqueles seres-humanos que nos rodeiam, mas quantas vezes assumimos uma posição para mudar alguma coisa? Quantas vezes saímos do nosso conforto, dos nossos artigos, das nossas redes sociais para fazer alguma coisa? Quando é que deixamos de ser heróis à mesa do café e passamos a ser heróis na praça e com a coerência desejada? É mais fácil continuar como se está, ou numa eterna hipocrisia ou num eterno queixume! E ai daquele que se mexa, esse é arrogante e estúpido! Alguém disse o que pensava (mesmo que da forma menos correcta) e temos uma calamidade nacional... O país arde, os profissionais de saúde não têm meios para trabalhar, a corrupção grassa, mas isso pouco importa... Somos básicos e infantis, gostamos de uma mão protectora que nos retire o ónus da cidadania e do sacrifício.

 

Pode ser até que estejamos num mundo de palermas como nos quis dizer o Shade, da "Esperança" de Malraux. Shade só gostava de "problemas" e criticava o facto de "toda a gente (andar) agora com as cabeças inchadas desmedidamente inchadas e não (saberem) o que fazer com elas". Shade, hoje, seria estúpido... Provavelmente seria isso que López lhe chamaria. Provavelmente, alguém que partilhe destas palavras também seja estúpido... Talvez eu seja estúpido...

 

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