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1000.jpegCréditos: AP/Sam Mednick

 

O Sudão do Sul é mais um daqueles países que, pontualmente, tem 20 segundos de atenção nas notícias e pouco importa para todos nós! O "folclore" dos refugiados no Mediterrâneo tem mais impacte, no entanto, esquecemos que a origem não está nas águas deste mar... Está em locais mais longínquos.

 

Num país devastado pela guerra e consequente violência, travam-se guerras "anónimas". São guerras travadas entre guardas armados de metralhadoras automáticas e caçadores furtivos. Os primeiro defendem as reservas da tirania dos segundos e também da invasão humana. Muitos destes guardas são também antigos soldados que combateram na guerra e agora travam uma guerra que já não é civil mas sim contra aqueles que querem destruir uma das, se não a maior, riquezas do Sudão do Sul: os parques nacionais! São seis parque nacionais e 13 reservas de caça (13% do território).

 

Num país onde a guerra matou mais de 400 000 pessoas e cuja paz ainda é recente e frágil, procura-se agora estimular um turismo sustentável e promover o estudo de todos estes espaços - alguns passos já foram dados em relação ao elefantes da floresta e à grande migração dos antílopes, uma das maiores do continente. No entanto, a tarefa não é fácil: a disseminação de armamento e a sede de consumo dos países desenvolvidos são promotores da caça furtiva! Também os recursos são escassos, num país que investe, mesmo assim cerca de seis milhões de dólares na defesa da natureza (é pouco, mesmo assim, mas acredito que bem mais que num país como Portugal - mais rico, por sinal).

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Créditos: AP/Sam Mednick

 

Esta é uma guerra que não pretende dar tréguas - para que se tenha uma ideia, os guardas do parque dormem sempre separados, pois os ataques dos caçadores furtivos a estes são constantes e a garantia de que pelo menos alguns possam sobreviver já é uma conquista! Estes são os verdadeiros guardas da Natureza, ou melhor, os soldados da Natureza que além de lidarem com autênticos guerrilheiros ainda têm de conter o avanço das populações que, com a exploração agricola, vão devastando importantes áreas protegidas. Juntem-se a isto as ameaças de morte e temos um cocktail explosivo!

 

Todavia, entre a crueldade existem sempre focos de esperança. É importante ter em conta que estamos num país em ruinas e no centro de África, mas surgem iniciativas no sentido de mostrar e explicar este valioso património às crianças, de fazer viagens de campo colocando as crianças "em contacto" com os animais - só assim a destruição poderá dar lugar à preservação e criar uma mentalidade de união nacional na defesa daquele que é um património do Sudão do Sul e de todos nós! Também assim, o Sudão do Sul está a investir em futuros soldados da Natureza e também em, quiçá, futuros técnicos de turismo ambiental e sustentável ou até biólogos e investigadores!

 

Com o apoio de entidades estrangeiras mas ainda sem o peso de muitas associações ou ONG (que, não raras vezes, atrasam o processo e não criam empowerment nas populações), podemos ter aqui um exemplo para o mundo. Talvez assim, também possamos ser mais activos na defesa do ambiente no nosso país, até porque andamos preocupados com as políticas ambientais de um país (sempre o mesmo) do outro lado do Atlântico e fechamos os olhos ao que se passa por cá e no resto do mundo.

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O Padeiro que pôs a mão na Massa...

por Robinson Kanes, em 30.07.19

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Créditos: https://franschhoek.org.za/event/bread-making-course-bread-wine-restaurant/

 

 

Se descobrires uma vida melhor do que governar, para os que devem governar, podes conseguir um Estado bem . administrado. Pois só nesse mandarão aqueles que são realmente ricos, não em dinheiro, mas naquilo em que deve abundar quem é feliz - uma vida boa e sensata. Se, porém, os mendigos e os esfomeados de bens pessoais entrarem nos negócios públicos, pensando que é daí que devem arrebatar o seu benefício , não é possível que seja bem administrado. Efectivamente, gera-se a disputa pelo poder, e uma guerra dessas,  doméstica e interna, deita-os a perder, a eles e ao resto da cidade.

Platão, in  "República"

 

 

Em tempos, ouvi a história de um senhora cujo filho não estava a aproveitar os milhares de euros que eram investidos pelos pais, trabalhadores incansáveis, num curso superior na Universidade Católica. Fiquei imediatamente a pensar se o indivíduo não andaria nos copos e nas farras que a vida de estudante encerra, aquela vida pobre e de muito sacrifício. Para mim sempre foi, sobretudo quando visitava alguns colegas em residências universitárias e não conseguia estacionar o 206 porque as mesmas estavam com os estacionamentos ocupados por carros de alta cilindrada.

 

Na verdade, o que retirava o jovem das aulas durante o dia e durante a noite era outro vício bem mais perigoso que as drogas, as mulheres da vida ou a bebida: a juventude partidária! Com efeito, quando questionado pela mãe sobre a má-vida, a resposta foi "estudar agora não é muito importante! Importante é dar-me com esta malta que isso é que vai fazer o meu futuro". 

 

A verdade é que os licenciados em juventudes partidárias tendem a ser um cancro para o país, sobretudo quando nem fazem a licenciatura e escolhem carreiras mais modestas mas, sem dúvida, em muitos casos, mais interessantes, porque não padeiro? Uma nota: vejo mais arte num padeiro que num administrativo que "apenas" actualiza folhas de Excel.

 

Ser padeiro, profissão antiga e que merece o meu maior respeito, pode também abrir portas para ser especialista em protecção civil! E quando isto acontece... Temos a empresa que vende golas (uma empresa de Turismo de Aventura criada, aparentemente só para aproveitar a onda financeira dos incêndios de 2017), que por sinal é do amigo e da esposa (que por mero acaso é militante do nosso partido), a vender serviços ao Estado. Temos esse famoso especialista a colocar em risco a vida de todos os portugueses que possam necessitar das respectivas golas... E isso é normal, porque padeiros de Gaia não faltam, só lamento é que a "Padeira de Aljubarrota" tenha sido uma lenda que poucos ousam, actualmente, tornar real.

 

Num país onde tantos especialistas, em tantas áreas, têm de emigrar ou aceitar empregos para os quais não estudaram (o que não é mau) e com salários miseráveis... Num país onde tenham desistido das suas valências e dos seus sonhos por culpa destes padeiros que continuam a contaminar as instituições públicas e privadas, não raras vezes em posições de elevada responsabilidade técnica e funcional... Continuamos de olhos fechados perante estas situações! Continuamos a valorizar mais aquele que tem mil e um cargos e não desempenha qualquer tarefa na maioria deles, temos os profissionais das revistas e das palestras e continuamos a ocultar quem tem realmente valor e competências para tantos e tantos cargos neste crónico atrasadismo mental - já não é cultural! 

 

Se a todos estes juntarmos os padeiros que acumulam cursos superiores só porque sim, temos um país governado não por padeiros mas por autênticos sapateiros!

 

P.S.: entretanto, soube-se à data da publicação deste artigo que também as carcacinhas andaram a querer imitar os pães de quilo com contratos públicos.

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120 na Auto-Estrada? Isso é de Meninos!

por Robinson Kanes, em 29.07.19

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Créditos: https://deskgram.net/fernovogroup

 

 

Sou contra a censura de todo e qualquer texto, por muito estúpido que seja, até porque nunca sabemos quando aquele "tontinho" que estamos a atacar pode ter razão. Além disso, temos belas pérolas para apreciar... Só lamento que nem sempre seja feito o contraponto a muitos disparates que são ditos. Por exemplo, eu digo bastantes e às vezes ninguém me diz nada - isso não é bom para a Democracia.

 

Um destes, dias dei comigo a ler um artigo que me enviaram porque achei que só poderia ser uma brincadeira, no entanto, estava muito distante de ser um momento de humor. Um indivíduo, de seu nome Vítor Rainho, explanava no "Jornal I" a sua revolta face a este país, mas vejamos:

 

Criticou uma auto-estrada (A8), apelidando a mesma de acto de loucura, mas não dispensou o uso da mesma quando tinha mais alternativas, por exemplo, uma nacional ou até outras auto-estradas. 

 

Mas o nosso Tommi Mäkinen não se ficou por aqui. Do alcatrão passou para o ataque à GNR que, ao invés de ter ficado no "posto" eis que decidiu andar nas estradas a patrulhar e a multar quem não cumpre com as regras! Anda uma pessoa a pagar impostos para a Brigada de Trânsito ficar a almoçar nos restaurantes de beira de estrada em Muge ou então na Apúlia e agora lembram-se de andar nas estradas a patrulhar! Uma vergonha!

 

O "forrobodó", expressão utilizada pelo autor, era uma coisa digna de se ver. Eu ainda não consigo perceber como é que deixam que a GNR atenda os telefonemas quando alguém pede socorro. É que é logo um "forrobodó" atrás dos criminosos! Um escândalo!

 

E quando já pensávamos que não podia ser pior, eis que o nosso cavaleiro do asfalto questiona a velocidade de 120km/h nas auto-estradas! Vai mais longe e até refere que esteve quase a adormecer face a tão monótona velocidade.

 

A conclusão desta mente brilhante é que a sociedade civil se deveria mobilizar (sim, sublinhei para acentuar o ridículo) e fazer boicote às auto-estradas, colocando com isso as gasolineiras, as concessionárias e o Governo em muito maus lençóis! Portanto, quando criticamos textos ou artigos de gente que fundamenta opiniões, muitas deles com base em factos cientificos, temos uma guerra civil em Portugal mas quando se ataca a "estupidez" que é o facto da GNR fazer cumprir a lei e o facto de andar a 120km/h não ser algo tolerável numa sociedade civilizada pouco importa!

 

Eu sugiro que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes ou a Prevenção Rodoviária Portuguesa contratem o senhor Vítor Rainho para influencer: "Jovem! Tens um Civic todo quitado, aquilo não deita fumo pela ponteira por causa da IPO e ainda te causa sono? Previne o acidente e desperta com o Vtec aberto até às 8000 rotações! Do bufo!"

 

Alguém lembre também o senhor Rainho, que a velocidade não está só relacionada com o perigo que a mesma por si só pode constituir, existem também as questões ambientais. Provavelmente o senhor Rainho nunca teve de andar a 50km/h na cidade, numa via rápida de muitos quilómetros e cuja limitação existia porque o ar era irrespirável! Não precisa de ir para muito longe, pode começar por Madrid onde tal é comum! Quanto mais velocidade, mais consumo e também mais poluição. Mas no alegre provicianismo bacoco ainda não há espaço para ir mais longe - o orgulhosamente sós ainda anda na cabeça de muitos portugueses, sobretudo daqueles que deveriam estar um pouco mais evoluídos.

 

Em jeito de conclusão, ao senhor Rainho, apenas deixo algumas sugestões:
 
 
1º Vá à Ponte Vasco da Gama, mas sentido Lisboa-Montijo, para não pagar portagem, e simule uma paragem inesperada na "cauda de Samora". Espere então até levar com um carro a 120km/h na sua traseira. Ou então experimente andar bem acordado, e não sonolento (que andar a 120km/h dá sono) e "espatifar-se" contra um sobreiro na A2!
 
2º Escolha uma estrada ao acaso e atravesse a pé a mesma como se quisesse receber o dinheiro de um seguro mas tente escolher uma viatura que circule apenas a 50km/h. Vai ver que não dói nada no seu corpinho lindo!
 
3º E já que falou na A8. Então experimente fazer a descida de Loures (sentido Malveira-Lisboa) a 200km/h (isso é velocidade de homem, valentão!) e terá um carro voador que, com sorte, aterra em cima da Hovione em Sete Casas!
 
4º Ate-se à traseira do seu "Ferrari", coloque a boca no escape e diga ao condutor que acelere até aos 120km/h durante uns bons quilómetros. É o melhor para os pulmões!
 
5º Com tantos problemas neste mundo, o senhor Rainho está preocupado porque não consegue ir a Esposende a mais de 120km/h o que lhe causa sono e até um desconto nos pontos da carta! Senhor Rainho, tem de sair dessa via e ver o que se passa à sua volta, pois o Mundo tem muito mais com que se possa preocupar, pelo menos o mundo fora da real pequenez nacional.
 
 

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bryan_ferry_eleni_karaindrou_eternity_and_a_day.jpImagens: Robinson Kanes

 

Dizem que o fim-de-semana se avizinha chuvoso... É, portanto, uma óptima oportunidade para ir à praia sem andar aos encontrões. Ou então... Ou então, sempre podemos ouvir alguma coisa para nos animar alma. Esta semana partilho um dos meus intérpretes de eleição, o senhor que andava de fato quando todos os outros usavam calças de ganga e cabedal: Bryan Ferry! Destaco o albúm "Let's Sitck Together" e o single que lhe dá o nome - uma malha daquelas, já para não falar em "Shame, Shame, Shame" ou "The Price of Love". Ferry consegue sempre juntar a total libertação com músicas verdadeiramente apaixonantes, gosto disso...Vai ser um gosto voltar a encontrar-te em Setembro, Bryan! 

Para outros ambientes, faço um dois em um com o filme  "Eternity and a Day" de Theo Angelopoulos e vencedor da Palma de Ouro em 1998! É um filme interessante, adaptado aos dias de hoje - o escritor perto da morte enfrenta a vida e as emoções que não viveu... Ir mais longe já é desvendar o filme. Gostei especialmente da interpretação de Bruno Ganz no papel de Alexander, vão perceber porquê. Uma nota para quem não conhece o estilo de Angelopoulos... Não se assustem, no final vão adorar.

E é neste dois em um que destaco a banda sonora de Eleni Karaindrou, de quem já falei aquando do tema  "To Vals Tou Gamou". A banda sonora é simplesmente encantadora e transporta-nos, mesmo sem se conhecer o filme, para pensamentos que muito provavelmente não serão diferentes daquilo que passava pela cabeça de Alexander. É o mote para viajarmos dentro de nós... 

Finalmente, e como prometido aqui, partilho uma das leituras mais interessantes e carregadas de humanidade que podemos ter, sobretudo quando estamos a falar de doentes terminais. Marie de Hennezel é um uma referência para todos aqueles que trabalham nesta área ou se interessam pela mesma, sobretudo se com trabalho desenvolvido em áreas como a psicologia clínica, psiquiatria ou até serviço social. Não excluo com isto, pois mencionei psiquiatria, outras especialidades médicas que também têm muito a beber do trabalho de Hennezel. "Diálogo com a Morte" pode ser um livro pesado, sobretudo para os mais sensíveis, mas demonstra-nos como é possível "morrer bem" e de como é possível conseguir encontrar humanidade e serenidade na morte. Ficamos também com uma clara ideia do trabalho de Hennezel nesta área e das suas conquistas em França onde a vontade desta senhora chegou ao mais alto nível da governação acabando numa grande amizade com o François Miterrand - quem também acompanhou nos seus últimos dias de vida. Um livro com emoções mas com a realidade bem presente.

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Acredito que tudo isto num fim-de-semana cria uma espécie de up & down de emoções, mas afinal, o mundo também não se transforma em linha recta.

 

E porque é importante pensarmos, se a chuva entretanto der lugar ao sol e formos à praia, que cerca de um milhão de espécies se encontra em risco de extinção e o planeta enfrenta, muito provavelmente, a sexta extinção em massa da sua história.

 

P.S.: este fim-de-semana termina o FMM!

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Pela A62, de Palencia a Burgos.

por Robinson Kanes, em 25.07.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Valladolid fica para trás... Mas a A62, uma das estradas dos camionistas portugueses e dos emigrantes para a Europa segue até Burgos, onde não é só a Catedral nos apaixona...

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Entre estas duas cidades fica uma outra cidade que não é menos interessante: um ponto de paragem obrigatório para quem acorda em Valladolid e volta a percorrer o alcatrão de Castilla y León, por exemplo, até Burgos. Palencia, a cidade banhada pelo Carrión (onde vai encontrar bem perto o Pisuerga) e cujas margens podem ser um ótimo ponto de partida para abrir o apetite.

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Não estamos numa cidade de luxos e ainda bem, uma cidade típica da região e cujos cafés são simples e ótimos para iniciar o dia com uma torrada com doce de tomate e uma tortilla - ao balcão, como tem de ser e mesmo em frente ao "Mercado de Abastos de Palencia"! Por lá existe um café onde é necessário descer uns três degraus! Simples, nem sempre o mais limpo do mundo mas se assim não fosse, também não teria interesse. 

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Estômago refastelado e nada como pararmos para apreciar o edifício da "Deputación Provincial" (um edifício de 1914 que é, sem dúvida, o mais bonito da cidade) e o "Teatro Principal". Já com os olhos em fascínio, nada como voltar atrás pela "Calle Don Sancho" para apanharmos a mais típica rua da cidade, a "Calle Mayor Principal". Rua movimentada, com lojas, gente simpática pela manhã e cujo emblema da cidade ficará do lado direito, a "Plaza Mayor" onde se encontra o "Ayuntamiento" e a "Iglesia de San Francisco". O espaço é interessante, mais pequeno que muitas das "plazas mayores" que encontramos em Espanha. Mas, como qualquer "plaza mayor" é agradável e, estranhamento, até com um certo toque de nostalgia.

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Caminhamos agora em direcção ao rio. Espera-nos a "Catedral de San Antolín" que data do século XII e conta com uma cripta visigótica! Esta é talvez uma das catedrais mais underated de Espanha e que não fica atrás de outras catedrais góticas como, por exemplo, a de Reims! A visita é obrigatória, antes do passeio terminar na "Iglesia de San Miguel" -mais um interior gótico para deliciar os apaixonados por esta arquitectura. Chegamos à conclusão que também Palencia nos encanta.

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Está na hora de seguir caminho... Burgos ainda fica a cerca de 100km de distância e os camiões já dominam a A62, uma constante naquela estrada onde as matrículas portuguesas abundam nos pesados. 

 

Falar de Burgos não é nada de novo para a maioria, é só o local de uma das maiores e mais belas catedrais góticas do Mundo, a "Catedral de Santa María de Burgos" e obviamente classificada pela UNESCO. A arquitectura gótica está em todo o lado e ao entrar, rapidamente nos apercebemos da construção em cruz latina. É uma das mais belas catedrais do mundo e não visitar a mesma, estando em Burgos, é um verdadeiro crime! Crime é também não conhecer algum do património religioso da cidade, nomeadamente o "Monasterio de Santa María la Real de Las Huelgas" , imponente e austero edifício (e como isso nos encanta) e a "Cartuja de Miraflores". De fora também não pode ficar o castelo que bem merece a pena devido às vistas que proporciona sobre a cidade. Finalmente, uma visita à Universidade de Burgos pode ser também uma opção interessante para os apaixonados por arquitectura e história.

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No entanto, aquilo que nos apaixona em Burgos é percorrer o centro histórico! Nada como iniciar esse passeio romanesco perto das margens do Arlanzón, nomeadamente, junto ao "Arco de Santa Maria"! É aí que podemos percorrer o "Paseo del Espolón" - um caminho fantástico, com árvores minuciosamente podadas, cujo percurso e posterior entrada no centro histórico nos faz recordar Lyon! Não é propriamente parecido mas fica-se com tal sensação, vá-se lá saber porquê.

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Uma nota importante, andar pelo centro e não comer uma morcela de arroz ou beber uma Estrella Damm com uma um bocadillo de jamón é um crime contra "El Cid", não o irritem! Ao fundo da "Calle Laín Calvo" existe um espaço de venda de queijos e presuntos que faz umas sandes para fora que é qualquer coisa - não deixem é lá carteira pois arriscam-se a trazer sacos de queijos e jamón ibérico que vos vão aumentar as calorias de forma exponencial! É o aviso de alguém que já cometeu esse pecado em Burgos.

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É bom andar por Burgos, é bom apreciar os edifícios coloridos, beber un café con leche ou solo na "Plaza Mayor", percorrer o casco viejo junto ao Arlanzón e sair dos limites turísticos da cidade - e porque não de bicicleta? Percorrer Burgos cria-nos uma particular atracção na medida em que a Catedral, a main attraction, acaba por ser "só" mais um ponto de interesse nesta bonita cidade o que, só para termos uma ideia e a título de exemplo, já não acontece em Colónia. 

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E os ares da Cantábria já vão chegando e a frescura dos mesmos embrenha-se com a aridez de Castilla Y León numa dança que só nos faz adivinhar que, para norte em direcção a Santander as coisas só poderão melhorar!

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1000.jpegCréditos: AP Photo/Mahmoud Illean

 

O mais recente bode expiatório da comunidade internacional (a Ocidente) é o Irão. Se por um lado temos os Estados Unidos da América (EUA) a quererem impor a sua lógica de perversão económica e militar aos demais aliados, por outro, temos a Europa a pensar, mais uma vez, não por si mas a reboque dos EUA. O Reino Unido tenta, com a saída eminente da União Europeia, ter todos os aliados comerciais e militares possíveis. Por sua vez, um país como Portugal - no seu crónico "lambe-botismo" e com um incapaz Ministro dos Negócios Estrangeiros Auguto Santos Silva, o também crónico sósia do Ministro da Propaganda Iraquiano de outros tempos, Mohammed Saeed al-Sahhaf - adopta uma atitude de servilismo que pode abalar as excelente relações que temos com o Irão.

 

No entanto, uma das principais vozes contra o Irão e contra a hipotética ameaça deste país vem de Israel (e mais uma vez, Estado de Israel, não os judeus israelistas). Não esqueçamos a Arábia Saudita que tem no Irão o seu grande inimigo e é um óptimo comprador de material militar aos EUA, tal como Israel. O Estado de Israel continua numa base diária (e é mesmo diária) a violar os direitos humanos enquanto a comunidade internacional (e os próprios media ocidentais) enterra a cabeça na areia. Todos os dias são desalojados e mortos muitos palestinianos numa guerra sem fim à vista e onde Golias continua a sair vencedor.

 

Ontem, Israel regressou às demolições em larga escala a leste de Jerusalém. É o fim de uma guerra judicial que todos conhecíamos o deselance, ou não fossem os tribunais israelitas dotados de total parcialidade quando o tema é a Palestina. Ao contrário de demolições "à prédio coutinho", em Israel estas são acompanhadas por soldados e veículos militares que em minutos criam um cenário de guerra! Israel é conhecida pela limpeza que vai fazendo na região e este é só mais um episódio - o Estado que apela sempre para a memória do Holocausto, tende, por vezes, a repetir os erros dos nazis e a dar uma certa força ao discurso hitleriano.

 

Portanto, o normal, é um palestiniano estar em sua casa, muitas vezes no seu próprio país, e ver irromper um sem número de soldados, ser retirado à força, quando não vem já deitado cravejado de projectéis, e assistir à demolição da sua casa - e a história termina aqui.

 

As Nações Unidas são criticas deste comportamento por parte dos israelitas, mas até agora nada tem sido feito para acabar com estas violações de décadas aos direitos humanos! Com que moral a Ocidente se exige à Rússia que "liberte" a Crimeia? Com que moral andamos a querer iniciar uma guerra com o Irão? Benjamin Netanyahu já provou ser um ditador, ser um tirano... Entre Netanyahu e Hitler, as diferenças vão sendo cada vez menores e, à semelhança do que aconteceu antes do início da Segunda Guerra Mundial, também agora, continuamos a ignorar as atrocidades que estão a ser cometidas no médio-oriente.

 

Em suma, ainda ficamos espantados quando o Hezbollah ou Hamas (e são só dois exemplos) criam também tensão na região e encontram cada vez mais recrutas para as suas fileiras... Um pouco como sucedeu com o IRA após o "Bloody Sunday" (o famoso massacre de Bogside) um episódio que deveria envergonhar todo e qualquer britânico!

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A Negra História Repete-se...

por Robinson Kanes, em 22.07.19

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Créditos: https://www.drodd.com/html7/black.html

 

Poderei tornar-me repetitivo, até porque, por aqui, não faltam artigos sobre incêndios, sobre terrorismo (para mim, incêndios com mão criminosa são terrorismo), sobre canalhice, desplante e o "populista selfizismo" da desgraça.

 

Depois do ano de Pedrogão e de todo o interior, onde Pedrogão até serviu para ocultar o que se veio a passar em Outubro do mesmo ano numa das mais vergonhosas trapaças da política e dos media em toda a Democracia portuguesa, a história vem-se repetindo...

 

Enquanto de férias, a classe política e todos os portugueses ignoraram Monchique, voltaram a ignorar Monchique e este ano voltarão a ignorar o que já se está a passar no interior do país! Não faltam fogos com causas naturais, sem dúvida, mas a falta de estratégia em termos de ordenamento do território continua a ser gritante e ninguém aprendeu nada até hoje! A corrupção, tema tão falado aqui e que para muitos em Portugal (pelo menos assim vociferam em rádios, jornais e televisões) até é uma coisa boa tem também aqui o seu papel! O Governo central que governa para a imagem e para as sondagens anuncia tudo e nada, aliás, enquanto o país arde, um Primeiro-Ministro e muitos ministros estão ao mesmo tempo em campanha eleitoral, preenchendo um palco carregado de grandes leds ao estilo web summit.

 

Com um país novamente a arder, a notícia que salta para a capa é a hipotética maioria absoluta de um partido, isso sim é importante - faz-me recordar um país a arder num certo Junho que acabou com uma estrada cheia de corpos carbonizados mas cuja prioridade do Primeiro-Ministro foi lançar um estudo para aferir da sua popularidade! A prioridade foram também as fotografias (humilhantes para as vítimas) de um Presidente da República abraçado a indivíduos em lágrimas como se fosse o pater familia da nação - o aconchego daqueles que se colocam em frente às câmeras fotográficas, os outros interessam pouco... 

 

Com um país novamente a arder, volta a sobressair a incompetência autárquica em toda a sua plenitude e uma esquerda completamente calada, um partido comunista obsoleto e um bloco de esquerda com chama fascista que vivem no absurdo silêncio como se tudo isto fosse normal! Talvez despertem com as sondagens, porque o poder pode estar por um fio... Temos um PAN que parece sim o partido do Peter Pan, que de natureza tem pouco e vive o sonho de criança que é ser um partido cool. Temos os Verdes, braço não armado do PCP que serve para colocar mais uns deputados na Assembleia da República mas que de verdes têm muito pouco, ou nada! Temos associações de natureza e ambientais, sempre com os mesmos, que expulsos de uma de outra se vão renovando com a criação de mais associações. Um meio para que muitos profissionais encostados e professores universitários alcancem as tipícas ambições de provincianos num país apático.

 

Podemos chamar a tudo isto populismo! Mas se populismo é ficar completamente de rastos com um país que todos os anos arde, que era verde e agora é negro (e até as pessoas assim estão a ficar, negras, sem um sorriso), pois bem, sou populista! Se ser populista é ignorar todos as perdas humanas dos incêndios, todo o esforço dos operacionais, todas as perdas irrecuperáveis em termos de flora e fauna, pois bem, sou populista! Se ser populista é querer respirar e não conseguir porque o ar está irrespirável e tóxico, pois bem, sou populista! Se ser populista é não embarcar na miragem de investir na imagem de um país para estrangeiro ver, de cidades grandes para estrangeiros "gold" viverem, pois bem, sou populista... Se ser populista é colocar acções concretas à frente de demagogias e selfies, pois bem, sou populista! 

 

Mas o importante, o importante agora é não estragar as férias aos portugueses que já andam a pensar na greve dos camionistas e de como isso lhes pode afectar a ida à praia em Agosto! Isso é importante, mesmo que vivam num país negro, carregado de assimetrias, mas que lá fora vive de ocultar informação passando a imagem de um paraíso que não é! E como em tempos escrevi, caramba, nunca mais morrem pessoas nos incêndios destes dias, para alguém se mexer...

 

Algumas leituras:

O Fogo do Inferno e as Chamas da Irresponsabilidade e da Vergonha!

Pensamentos da Malta do Bairro Sobre Exames, Incêndios, Corrupção e Cegueira Colectiva

Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons!

Caramba, Nunca Mais Morrem Pessoas nos Incêndios Destes Dias!

O Fogo que Nos Continua a Queimar!

O Fogo que Fala...

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lídia

Fogos: Os Erros Repetem-se e os Responsáveis Sobrevivem à Fogueira!

Portugal em Guerra!

Incêndios: Espanha nas Ruas, Portugal no Sofá.

Eu Tenho um Incendiário na Família!

Paisagens de Carvão 2017

São Perguntas, Senhores, São Perguntas...

Paisagens de 2017 - Os Sobreviventes.

Bater no(s) Fundo(s)...

São Perguntas, Senhores, São Perguntas... Ainda Todas Sem Resposta!

Balde de Helicóptero com Água Fria...

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Imagens: Robinson Kanes

 

Já reservaram a casa no Algarve? Já preparam as latas de sardinhas e os douradinhos para levar? Levaram a máquina fotográfica para fotografar a única refeição que vão fazer fora de casa porque os douradinhos e as sardinhas não causam inveja? Pediram factura daquela semana cuja casa vos vai custar mais que 10 noites num hotel na Sardenha? Já convidaram os pais? Pode ser que paguem a despesa enquanto vocês colocam as fotos da semana espectacular na "vossa" casa de praia... Não fizeram nada disso porque vão estar em casa ou a trabalhar no fim-de-semana?

 

Então porque é que não pensam num livro? Querem "cascar" nos cristãos? Que tal um livro bem escrito e sustentado em factos... Catherine Nixey e "A Chegada das Trevas - Como os Cristãos Destruíram o Mundo Clássico". Ao ler este livro ficamos com a sensação que a Al-Qaeda é uma brincadeira de putos... Ficamos também com a sensação (como se isso fosse novo) que muito do atraso civilizacional actual se deve à malta da cruz... Claro que podemos sempre colocar algumas questões, mas que está bem escrito, está... Acredito é que depois sintam vontade de empurrar um padre do palco abaixo, como fez a outra ao Marcelo Rossi!

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Em termos musicais, esta semana partilho três coisas distintas... A primeira é a banda sonora que me acompanhau durante metade da semana, sobretudo de manhã enquanto conduzia: a "Sinfonia nº 8 em Dó Menor" de Anton Bruckner - uma coisa simplesmente espectacular! Se acharem que fica muito longo e a paciência é pouca, escutem só o "Adagio - Feierlich langsam, doch nicht schleppend", uma maravilha. Fica uma interpretação pela Orquestra Sinfónica da Galiza, aqui bem perto...

Existe uma "miúda" em Itália que eu gosto. Desta vez não é a Giorgia nem todas as outras de quem já falei...É mesmo a "Noemi". Uma versão mais leve da Nanini, mas gosto... Gosto... Deixo uma das minhas paixões, "La Borsa di una Donna"... Dedico às senhoras que seguem este espaço.

A terceira... Estamos em semana de Festival Músicas do Mundo (FMM) e por isso a sugestão vai para alguém que eu nunca pensei que viesse a Portugal... Uma surpresa, só é pena que já tenha actuado ontem e por motivos profissionais não a tenha podido aplaudir: Sona Jobarteh com "Gambia" - uma música que celebra a independência desse país! Uma senhora com formação musical e que nos apaixona desde o primeiro acorde. É com tristeza por não ter estado ontem em Sines que partilho este som... Vão ao FMM! E ninguém me pagou para dizer isto, é mesmo um brand advocate do festival que o diz!

Talvez inspirado por algumas boas conversas que tive esta semana com esta senhora, a minha sugestão de cinema vai para "One Flew Over the Cuckoo's Nest" mais conhecido por "Voando Sobre um Ninho de Cucos". Um dos filmes obrigatórios para quem ainda não morreu e que muitos já devem conhecer - a obra-prima de Milos Forman! Jack Nicholson no seu melhor e um excelente trabalho para a saúde mental! Simplesmente genial e uma obra-prima do cinema - em Hollywood, não é qualquer filme que leva para casa os óscares de melhor filme, melhor realizador, melhor actor principal, melhor actriz secundária e melhor argumento adaptado! Tomem lá o trailler - escolher só uma cena é impossível! 

 

Em jeito de conclusão, lembrem-se que só entre 11 e 20 de Junho deste ano, a Gronelândia viu o seu gelo derreter numa extensão de 700 000 km2 (cerca de 80 biliões de toneladas), estabelecendo um novo recorde para esta época do ano. 80 biliões de toneladas... Imaginem o padrão e os efeitos nos mares...

 

Bom fim-de-semana...

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Entre o "Acomisme" e as Cinzas...

por Robinson Kanes, em 18.07.19

asturias.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que ermege da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Talvez um dos maiores segredos para uma vida de sucessos esteja de facto relacionada com a capacidade de nos despojarmos de um certo "acomisme", de pensarmos a nossa realidade com aquilo que temos agora e pensar pouco no que há-de vir. Talvez sim, talvez não... Retirando intelectualidade à coisa, será o mesmo que dizer "vive o momento".

 

Será isso que nos torna mais fortes perante a adversidade, perante todos os mal-entendidos que, de um minuto para o outro, podem dinamitar as nossas relações? Dou comigo a pensar em como as coisas mudam ao longo dos tempos, em como na distracção dos dias nos desviamos daquilo que é importante, e talvez... outrem o faça. Porque é que os abraços se perdem, porque é que os beijos e os carinhos se perdem? Será porque vivemos esse "acomisme"? Nós estamos presentes, estamos face a face com numa vivência diária... E porque é que? Porque é que a falta/ausência nos leva a questionar tudo isso? Talvez não esteja apto a responder a essa questão, talvez a minha capacidade de ter ideias esteja reduzida na tristeza e aguarde a ventura para poder ser mais expansiva.

 

De facto, não sei... Custa-me perceber o turbilhão de emoções que de repente se alteram e de um minuto para o outro se transformam. Talvez as palavras de García Márquez tenham razão de ser quando este nos diz que "os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as suas mães os dão à luz, mas que a vida os obriga uma e outra vez ainda a parirem-se a si mesmos". Talvez nesse trecho da "Crónica de uma Morte Anunciada" esteja resumido uma componente da nossa vivência! Somos paridos uma vez, mas temos de nos parir uma e outra e outra vez...

 

Talvez tenha nascido novamente por estes dias, ou talvez não... É neste anabolismo que nos podemos bater até o cansaço - correndo o risco de cair na apatia total e no vazio. É neste anabolismo que nos afundamos e percebemos que o mundo é como é, sem utopias... Sem coisas belas que duram para sempre. E assim caminhamos até ao dia em que já não queremos ser fetos, não queremos ser corpos extraídos numa fecundadidade que teima em não cessar. Esse é o dia, ou a escala de dias, em que deixamos cair a toalha ao chão e ficamos abandonados à nossa tristeza, deixando que a vida corra o seu caminho até sermos estrume... Até sermos nós nas lágrimas dos outros, pelo menos até ao momento em que deixam o crematório e depois de um banho, já em casa, sacodem o pouco que ainda resta do que de nós ficou no ar poluído da cidade ou na terra que se renova com a nossa massa...

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valladolid.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Valladolid sempre teve um significado especial, não só pela sua universidade que é uma das mais antigas do mundo mas também pela importância que tem para a língua castelhana. A isto, acresce o facto de ser um ponto de passagem de muitos emigrantes e camionistas no "acesso à Europa". Parar torna-se obrigatório, embora muitos não o façam e percam uma excelente oportunidade de ficarem mais ricos...

valladolid (2).jpg

Chegar a Valladolid não fascina, sobretudo se viermos de Salamanca ou até mesmo do calor "extremeño", no entanto, depois de uma caminhada junto ao Pisuerga (que é afluente do Douro), podemos ficar a conhecer melhor uma cidade que, à semelhança de todas as cidades espanholas, tem nas pessoas a sua força, o seu ritmo e a sua vida. 

valladolid (3).jpg

Comecemos junto ao edifício do "Instituto Zorrila" e encontramos o "Colegio de San Gregorio" que além da beleza em termos de arquitectura é também o "Museo Nacional de Escultura" - só por isto já vale a pena passar uns dias nesta cidade. Passar umas horas a admirar muito do que a escultura espanhola é um bom início! Adicionem o facto de, praticamente na mesma praça (Plaza de San Pablo), terem a "Iglesia de San Pablo", com uma fachada singular e o "Palacio Real"

Iglesia de San Pablo Valladolid.jpg

Mas Valladolid, ao contrário do que possa parecer, é uma cidade grande... Se seguirem pela "Plaza de San Pablo" e entrarem na "Calle de las Angustias", rapidamente atravessam um relvado onde, no lado esquerdo, encontram a "Iglesia de Santa María la Antigua": uma igreja interessante, austera e onde o românico e o gótico se misturam de um modo particular! Se continuarem em direcção à Catedral, ainda vão passar pelas ruínas da "Colegiata de Santa María la Mayor" - se gostam de ruínas, têm aqui, na "Plaza de Portugalete" um com que se deliciar. 

Colegiata de Santa María la Mayor.jpg

E eis que chegamos à Catedral, ou melhor, "Catedral de Nuestra Señora de la Asunción"... É austera, o que me agrada, no entanto, está longe de ser uma das mais bonitas de Espanha... Quem espera encontrar grande monumentalidade não terá grande sorte, o que não impede a visita, bem pelo contrário. Uma desculpa para ficar por aqui pode ser a oportunidade para "pinchar" algo... Não faltam locais para comer e beber qualquer coisa, embora, em Valladolid a diferença entre espaços de "tapeo" seja pouca.

 plaza_mayor_valladolid.jpgIglesia de Santa María la Antigua valladolid.jpg

Esperem! Não abandonem esta área sem apreciar a estátua de Cervantes e a Universidade! É mesmo ao lado da Catedral, não há como deixar para trás! Depois de deixarem a Cervantes um grande obrigado pela herança que nos deixou, o ideal seria descer imediatamente pela "Plaza de Libertad", apanhando a "Calle Ferrari" para chegarem à "Plaza Mayor", uma das imagens de marca da cidade - aliás, qual é a Plaza Mayor em Espanha que não é uma imagem de marca da respectiva cidade ou vila? No entanto, é preciso uma paragem obrigatória: a "Pasaje Gutiérrez"! (Maldição! Tenho as fotos num outro local... Fica prometida a partilha e com o bónus do "Palacio Pimentel"). É nesta pequena galeria que encontramos alguns cafés deveras interessantes e com um gosto bem particular, o ideal para beber um copo ou até jantar! Muito se fala de Milão, por exemplo, mas toda aquela sumptuosidade, em meu entender, tende a ser absorvida pelo ambiente deste local! Agora sim, "Plaza Mayor"! Aproveitem e bebam uma "Mahou 5 estrellas" enquanto apreciam a torre do relógio e o Ayuntamiento.

valladolid (5).jpg

E como o dia pode estar a acabar, nada como aproveitar o fim de tarde para passar na "Academia de Caballería" onde podem encontrar, além do espectacular edifício, um excelente "arsenal" de artefactos que retratam muito do que foi e é a cavalaria em Espanha. Contudo, porque os finais de tarde são longos em Espanha, dar um passeio mais romântico pelo "Campo Grande" é fundamental para fazer divergir novamente a atenção para quem nos acompanha. Mas cuidado, os patos e os pavões são reis neste ecossistema!

academia_cavaleria_valladolid.jpg

A noite aproxima-se, por isso, existindo cartaz, nada como agendar um programa no "Teatro Calderón de la Barca", isto antes de "salir de copas", isso é fundamental para um dia/noite bem passada nesta cidade de Castilla y León.

teatro_calderon_de_la_barca.jpg

Ao acordar, no dia seguinte, rapidamente ficamos com a ideia de que como destino final ou como mera paragem de uma longa viagem, Valladolid "nos encanta" e tem aquela magia especial que tende a não se mostrar após um primeiro olhar. Não podia faltar a poesia ou não tivesse nascido aqui o poeta José Zorrilla.

palacio_real_valladolid.jpg

Muito importante! O Mercado, o "Mercado del Val"... Como em qualquer cidade, é uma visita obrigatória e acima de tudo uma oportunidade de encher o saco, especialmente se pudermos trazer os produtos frescos connosco! Estes espaços têm sempre um encanto especial que vai para lá das fotografias... Os cheiros, as pessoas e a história, toda uma cultura nos corredores e nas bancadas... E também na carteira...

mercado_valladolid.jpg

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