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En Cantabria, una "playlist" para nosotros...

por Robinson Kanes, em 27.06.19

IMG_0014.JPGImagem: Robinson Kanes

 

 

Santander... Toda a Cantábria fica para trás e a fascinação daquele mundo verde contrasta com o mar Cantábrico mesmo ali diante de nós. Santander conta-nos histórias de pescadores, de navios comerciais e de uma industrialização que a tornam tão rica e com tantos contrastes. Para trás fica o Carbaceno e mais um sem número de memórias e quilómetros nos pés...

 

Contemplando esse mar enquanto aguardamos por mais umas "copas" perto do "Mercado de la Esperanza", sentamo-nos, ligamos o iPod (sim, ainda o utilizamos), estendemos as pernas e acabamos a escutar a nossa playlist...

 

A presença do mar chama-nos para "Llorándole debajo del agua", o dueto de Rojas e Niña Pastori. Não podemos ficar indiferentes aos sons de Espanha. Uma das grandes músicas de Rojas, talvez pelo toque especial de Niña Pastori... Nem com o Cantábrico por perto podemos esquecer o Mediterrâneo.

Continuamos por Espanha, talvez com uma música mais apropriada para uma viagem, mas o que é o repouso da viagem se não uma parte dessa mesma viagem e nunca o seu fim? Escutamos Bebe, e cantamos "¿donde estabas quando te llamaba" do single "Me Fui". Por certo perceberás o porquê da minha preferência por esta música.

Bebe leva-nos para outra música, para aquela que, para mim, é um dos seus grandes sucessos... "Siempre me Quedara"... "Palafueras Telarañas". Um ritmo especial, uma voz espanhola de nova geração e uma melodia que nos envolve e nos transporta para um passado com mais serenidade e com mais esperança no futuro que se aproxima. Esta música tem esse poder.

E porque não fazermos esta playlist toda em castelhano? Afinal, este é o país que melhores recordações e vivências nos trás, aquele que dizemos ser a nossa casa. Voltamos a Ninã Pastori, eu sei, devo ter nascido numa pedra em Grazalema ou numa casa do Albaicín, mas não posso deixar passar "Amor de San Juan". Vamos descer até Cádiz e apreciar?

E na Cantábria não nos larga este foco do sul? Maldição... Vamos aproveitar e parar em Jerez de la Frontera e voltar à Real Escuela? Fiquemos com "Los Delinqüentes" e viver aquilo que tanto gostamos: "El Aire de la Calle". Recordamos essa banda que desapareceu e que teve um tremendo sucesso... Temos saudades e o falecido Miguel Ángel Benitez também terá... Esteja lá onde esteja!

A respiração do mar torna-se mais intensa e invade "El Sardinero". Dançamos na varanda, afinal por cá não temos os filtros do país do lado. Queremos aquecer as coisas e desafiar o frio bafo marinho e encomendamos a voz de Olivia Ruiz com os franceses Nouvelle Vague num cover da música dos Mano Negra (escrita por Manu Chao). Gostamos desta versão que é presença quase diária nas nossas vidas... "Mala Vida". Mala vida si...

Existem bandas que com o tempo vão ficando melhores, que se vão perpetuando e não são efémeras... Que podem sair dos grandes holofotes, mas que ficam. Uma dessas bandas são os "La Oreja de Van Gogh" (estarão a chegar aqui os ares do País Basco?).  Já sem a grande figura que foi Amaia Montero e com a encantadora Leira Martínez (fica aqui uma dica para um certo espaço), continuam a dar cartas - uma banda que é difícil esquecer. E como estamos pelo "Sardinero", nada como escutar "La Playa", um dos grandes sucessos da banda ainda com a voz de Amaia - inesquecível!

Mantemos a selecção, até para dar espaço à senhora Martinez e escutamos, com a companhia de uma espécie de "Hojaldre de Astorga", "La Niña que Llora en tus Fiestas"... Não estamos com muita vontade de deixar de dançar! Temos de trocar as "copas" por um jantar se a coisa continua a assim... Percebemos porque é que esta banda ainda não se extinguiu. 

Com Sole Giménez ou Lydia, esta banda da belíssima colheita de 1983, é outra das que nunca morre! Talvez por isso também mereça dois destaques enquanto a noite começa a cair e as luzes do Sardinero começam a acender. Presuntos Implicados é mais uma daquelas bandas que nos encantam desde que começamos a ouvir a voz de Sole Giménez, uma voz única e singular que, em muito, ajudou a catapultar esta banda para o sucesso. Como foste tu que me deste a conhecer esta preciosidade, nada como escutarmos uma das suas melhores músicas e com uma frase que muito utilizas: "Nunca es para Siempre".

Já vais? Vais colocar aquele vestido? Não me parece, deixas a tua formalidade para outras paragens, pelo menos esta noite... Eu "Esperare", e deixo que as últimas cores do dia se desvaneçam com os Presuntos Implicados...

Vamos? Já devem estar à nossa espera...

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Créditos: https://mobile.monitor.co.ug/Oped/cartoon/-the-era-of-corruption-in-all-government-departments-is-over/2471326-3262206-12cd5wuz/index.html

 

Mais um daqueles temas que se fala pouco, espaços "blogueiros" incluídos... Também se fala em privado, mas se alguém abre a porta...

 

Portugal é o país que se vangloria de pedir a ocultação de dados em relatórios sobre a corrupção, a OCDE que o diga. No entanto, desta vez, o Conselho da Europa não foi brando e afirmou que Portugal é o país que menos implementou medidas anticorrupção, estabelecidadas de acordo com o Grupo de Estados Contra a Corrupção (GRECO). Portugal só é ultrapassado pela Turquia e fica à frente da Grécia e da Sérvia, um orgulho, portanto. Mais interessante ainda é o facto de que a comissão parlamentar (mais uma) da casa da Democracia não aplicar as medidas e pensar pouco no assunto - o povo também não quer saber, portanto, também não se pense muito sobre isso.

 

Marcelo Rebelo de Sousa até pode vir dizer que estão a ser dados passos e prometer soluções para Julho, como se no prazo de um mês um tema complexo como este ficasse resolvido - inexperiência social, criminal, legislativa e em gestão. Tipíco de quem se mexe em determinados mundos de forma muito fácil, demasiado fácil. Marcelo Rebelo de Sousa também não pode usar como desculpa o pacote legislativo sobre transparência e incompatibilidades dos deputados e a atividade de lóbi, até porque todos sabemos como é inútil. Marcelo também só não pode agitar a bandeira da corrupção quando somos envergonhados como país em relatórios do género! O habitual do "doa a quem doer" que vem desde Pedrogão, passou por Tancos e por tantos outros e ainda ninguém viu "pernas partidas".

 

A verdade é que se em Bruxelas ou Estrasburgo, Portugal treme quando o tema é corrupção, dentro de portas não parece muito preocupado com o assunto. Promove a corrupção, premeia quem é corrupto e permite que a grande maioria dos portugueses a pratique de uma forma ou de outra. Temo até que a regra 80/20 se aplique aqui!

 

Ninguém quer mudar as coisas se usufrui do status quo. Ninguém quer ver empresas a encerrar, institutos públicos a ficarem vazios, associações e fundações a encerrarem, clubes de futebol a fecharem, a maioria das associações solidárias a desaparecer e as autarquias a serem esvaziadas. Ninguém quer o efeito contágio nas práticas do dia-a-dia quando a cunha já não for a melhor escolha quando existe a promoção do mérito, ou quando muitas figuras que pululam de revista em revista profissional e congressos perceberem que são inúteis. Ninguém quer ficar sem o topo de gama na garagem e a hipoteca por pagar... Ninguém quer ficar sem aquele biscate que permite uma vida fácil e de luxo... Ninguém quer isso... Além disso, depois como é que escoam os bilhetes para a bola e os almocinhos? Como é que se tira partido dos Vistos Gold? Como é que o nosso produto/serviço/pessoa consegue ficar no mesmo patamar daqueles que nada valem mas têm mais projecção?

 

Entretanto, nos corredores da Polícia Judiciária e do Ministério Público, corre o habitual burburinho de que os meios não chegam e o apoio a muitas investigações também não porque... porque... Somos alegremente corruptos, gostamos disso e quem estiver mal que se mude, como alguns portugueses imbecis gostam de frisar quando se deparam com alguém inteligente... É por essas e por outras que Álvaro Santos Pereira teve de se mudar para a OCDE e tantos outros andam por esse mundo fora.

 

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Créditos: https://insensato.pt/as-cuecas-a-serpente-e-o-padre-163371

 

Recentemente, muito se falou num sacerdote que andou nas redes sociais a espalhar o seu charme praticamente desnudo... De facto, com tantos problemas no mundo e com que é o rebanho se preocupa? Padres em pelota!

 

No entanto, enquanto se atacam padres que tiram fotografias e têm amantes femininas, escondem-se os padres homossexuais (não que exista mal nisso) e padres pedófilos, o que é brilhante! E, de facto, a cereja no topo do bolo, é que com isso ninguém parece estar muito preocupado - e não falo da Igreja, mas do rebanho. Portanto, padres despidos é que não! Padres abusadores de menores, sim! Aliás, até existe um Presidente da República que ainda este ano amnistiou um padre que violentava menores numa instituição da Igreja. Normal, portanto...

 

Mas o conteúdo deste artigo é mais profundo... Uma banda sonora para acompanhar o mesmo?

O que eu censuro e acredito que seja efectivamente uma autêntica blasfémia é o facto de não existir qualquer sacralização do acto de tirar uma boa fotografia - pior que isso, só o infernal bico de pato em frente ao espelho.  Por isso, padres que têm redes sociais, sobretudo "instagram", cá vai:

 

  • Nunca tirem fotografias deitados, despidos e em quartos que parecem a pensão Dallas! Procurem dar um charme à coisa e tenham cuidado com o fundo... Aqueles cortinados estão longe de serem um must de decoração. Cuidado com os lençóis, pela forma como estão amarrotados demonstram que as supostas cambalhotas ainda não aconteceram e só houve beijinhos! Garanhão que é garanhão vai mais longe e deixa a cama toda desmanchada! Cuidado também com o número de almofadas, neste caso, auguram umas certas dores de coluna e pescoço - a idade, eu sei. Em suma, se querem poupar já existe Alojamento Local com muito bom gosto!

 

  • Cuidado com os utensílios: telemóveis na cama!!! Ainda por cima com a luz do ecrã ligada? A evitar, sobretudo quando já são obsoletos. Fixem-se na pessoa e não permitam espaço para que o olhar seja desviado - a não ser que os objectos sejam de outra índole ou telemóveis de última geração!

 

  • Voltando à fotografia do "senhor prior" - quem é que escolheu aquelas cuecas? Eu até percebo o intuito de dar aquele look moderno mas... Evitem as cuecas, utilizem boxers, pretos ou brancos. Aquelas cuecas só têm um efeito sexy em filmes de terceira categoria e filmados em caves de Hong Kong - aposto que nem a Silvia Saint teria gostado de contracenar com um indivíduo em tais preparos. Eu até posso compreender que o "padre cura" tenha tido vontade de passar a imagem de quem elimina os pêlos pûbicos mas... Boxers, vão por mim, boxers... As serpentes gostam mais! E tangas? "Tangas jamé" como diria Mário Lino. Jamais! Jamais!

 

  • Relógio quadrado e em dourado? Hum, o senhor padre acha que é o Burt Reynolds ou então quer um look mais europeu qual Jean-Paul Belmondo... Love it! O ideal é um clássico estilo "Timberland" ou então, se queremos ser modernos, nada como um smartwatch , eu recomendo "Garmin"! Se existir nível, um "Longines", também é opção...Nunca falha e as cotas adoram...

 

  • Especial atenção: cuidado com o volume de pelo, sobretudo nos sovacos e... aquele gesto da mão a apontar para as zonas pudibundas? A sério? É isso e a malta do ginásio que, em frente ao espelho, levanta a t-shirt e mostra os abdominais! Ou então o anúncio ao restaurante do Primo Chico na Atalaia onde o proprietário apontava para o belo de um bacalhau! A questão do ginásio nem é a pior, excepto se existir quem queira lavar as mãos ou a cara e não consiga porque afinal se enganou na porta dos balneários e entrou nos bastidores da Moda Lisboa - só faltam as especiarias e o bicarbonato de sódio!

 

  • E finalmente... Façam um favor a vocês próprios senhores padres, acólitos e todos os outros que querem ter sucesso no "instagram" e com as miúdas: nunca, mas nunca vão de peúgas para a cama! Pior que isso, nunca se deixem fotografar de peúgas! A pior coisa que podem fazer é estarem despidos, ou quase, e conservarem as peúgas. Compreendou que podem camuflar umas certas garras, unhas mal limpas e até uns certos musgos e bactérias, mas tentem que isso não aconteça. Unhas amareladas e podres funcionam melhor que peúgas! Se há coisa que faz uma mulher perder o encanto e aquele instinto de "anda cá meu matulão" são umas peúgas a acompanhar umas cuecas ou então uma total ausência de roupa interior. Pior, só umas "pé de gesso" com raquetes ou eventualmente aquelas peúgas da "lassie". Relógio escapa, gravata para os mais marotos (enfim), agora peúgas?

 

No entanto também existem aspectos positivos: reparem como o senhor padre encolhe a barriga? Pois é, ai não! É importante manter a linha e não deixar a "tripa cervecera" sobressair, viva a barriga de tanque! Finalmente, outro aspecto positivo é o facto do senhor padre ter um ar de beto que não mata uma mosca mas depois é um terror entre lençóis! Isso é bom! Elas não gostam de gabarolas e preferem os santos rebeldes.

 

Por fim... Amem e deitem-se com todas as mulheres que quiserem mas essa de dizer que foi a "serpente tentadora"... Estamos no século XXI, já ninguém acredita em Adão e Eva, nem no catolicismo e muito menos em chalaças de bolso... Essas desculpas em nada diferem das que são dadas pelos psicopatas quando matam 100 pessoas de uma vez e dizem que Nossa Senhora lhes apareceu com essas instruções. Por acaso houve uns pastores perto de Ourém que... 

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Flores - Parte 10: A Despedida e o Até já...

por Robinson Kanes, em 24.06.19

IMG_6379.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

Acordamos e a manhã está mais calma... Algum vento e chuva durante a noite mas agora a tranquilidade regressa. Ansiosamente vamos tomar o pequeno-almoço... Sem luxos, não é necessário, mais uma vez, somos surpreendidos com a savoir faire do senhor Rogério. Conversamos mais um pouco com o nosso anfitrião e vamos dar um último passeio por Santa Cruz aproveitando também para resolver algumas questões profissionais à distância.

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A vila está a acordar, as pessoas circulam pelas ruas e retomam as suas vidas, como todos os dias e felizes. Aproveito para assistir a essa rotina, como sempre gosto de fazer, no entanto, o mar chama por mim e retorno para bem perto deste. Quero dizer adeus a estas águas, quero despedir-me do Corvo, quero ali ficar a minha manhã...

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Observo, mais uma vez, as pessoas... Passo pela lota, está fechada, nestes dias os barcos não terão saído ao mar e além disso também já não é hora de estar aberta. Observo as embarcações em terra e imagino as mesmas por aquele mar agitado, retomo ao Mar Santo que Redol imortalizou em "Uma Fenda na Muralha". Imagino o mar em rabiosa, imagino aqueles homens naquelas águas... E eu que também conheci de perto, na minha infância, as vidas dos lobos do mar.

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A GC liga-me e diz-me que tem a sua burocracia tratada... Vou buscá-la, quero trazer os olhos dela para junto dos meus e ficarmos sentados a apanhar o leve sol que toca a ilha e a sentir aquele vento carregado de sal. Observamos agora a força dos homens contra a força do mar... O homem tenta vencer o mar, mas será sempre uma batalha perdida no longo prazo. Deparamo-nos que dois dos indivíduos que desafiam o mar viajaram connosco naquele voo "inesquecível" do Corvo para as Flores. Depois de enfrentar ventos que não lembram a ninguém e de sermos sacudidos como se fôssemos flocos de neve naquelas recordações que se compram nas cidades ou pelo Natal, eis que ainda alguém tem de lutar contra a fúria do mar a reclamar o que é seu.

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São horas, é preciso ir almoçar... Almoçar para apanhar o voo de estômago aconchegado... Mais uma vez a salada com aquele molho especial, o queijo divinal e um bacalhau com natas escangalhado na travessa que, devo admitir, me assustou quando colocado na mesa! Na verdade, e porque não quero ser injusto com ninguém (e nem comigo próprio), está no top três dos melhores pratos de bacalhau com natas que já comi. A sobremesa, óptima... Sei que foi mas já não consigo precisar o que era...

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A nossa pressa em sair, como se o aeroporto estivesse a duas horas de caminho fez sorrir o senhor Rogério! Mas era chegada a hora e foi a vez de dizer adeus a mais um amigo! Um amigo que cozinha como ninguém e mais uma daquelas pessoas que nunca esqueceremos!

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No aeroporto, a tensão do costume, até porque o vento sopra agora com alguma intensidade. Mas eis que o Q400 chega e embarcamos. Embarcamos com destino ao Faial, com uma paragem na Terceira... E é nesse voo e em todas as peripécias que tiveram lugar (e foram muitas horas) até chegarmos à Horta que encontrámos gente singular e única, como só nos Açores se pode encontrar. A grande maioria com um objectivo de viagem que nos surpreenderia e faria pensar em como realmente este povo merece a nossa admiração! Talvez venha a falar disso um dia... Talvez não...

 

Pelo meio, mais um regresso a São Miguel tinha ficado pelo caminho devido à intempérie que se abateu sobre as Flores... Uma Foi talvez o melhor que nos aconteceu...

 

Fim

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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Imagem: Robinson Kanes

Chegou o Verão, a silly season (se bem que nos últimos anos esta tende a alastrar-se pelas quatro estações) e também a época em que aproveitamos para saltar por cima do cão. Cá por casa, como não temos fogueiras e não podemos dar azo ao nosso paganismo através desse modo, nada como saltar por cima do cão! Não, não é vitíma de bullying (o PAN pode ficar tranquilo). É Verão salta por cima do cão ou, como sempre dizemos, é São João, salta por cima do cão!

 

Na verdade, aquele bicho de 42 quilos olha para nós e pensa: "enfim, com tanta gente no mundo, só me poderiam sair tutores como estes!". 

 

Para entrar no Verão e como está o fim de semana à porta, partilho uma leitura: "A Ilha", de Aldous Huxley! O Verão não nos deve impedir de pensar e quando lemos esta obra de Huxley é muito provável que vejamos alguns casos bem reais e pensemos no mundo de uma outra forma - alguns terão a sensação de viver nessa ilha. Talvez tenham de lutar com todas as suas forças para não conhecer igual destino. Como todos os livros de Huxley, merece bem a pena a leitura, infelizmente, numa altura em que encontramos um Huxley já totalmente pessimista com o mundo.

 

E como saltar por cima do cão, só tem graça com muita música, nada como recordar alguns finais de tarde de Verão bem quentes. Admito que, enquanto escrevo, só me recordo das intermináveis estradas de Espanha, sobretudo de Castilla y León e Aragão... Do sol a iluminar com uma luz única os campos entre Segóvia e Ávila ou o tórrido calor de Aragão em Teruel quando percorremos a A-23!

 

Bem a propósito, nada como recordar, do albúm "Fuego y Cielo", a música "Mi Suerte" de Nolasco. O Nolasco tem uma presença especial na minha vida, não só por aquela voz andaluza, mas também como muitos  em Espanha, por "Las Cosas más Pequeñitas"...  Um dia voltarei a Nolasco e quiçá ao La Latina em Madrid.

E porque uma sugestão pode ser pouco, nada como terminar a travessia ao som de Buika e claro, como não poderia deixar de ser "No Habrá Nadie en el Mundo"...

Agora deixemos que a música, as recordações e também as leituras - com as respectivas inquietações - nos levem a saltar por cima do cão! É estúpido? É... Mas ele diverte-se e nós também...

 

Por aqui ainda se dança, e o Verão tem o seu lado piroso... E porque existe uma certa aura de amor... Existe? Manuel Carrasco e "Uno X Uno"...

Bom fim de semana... Bom Verão...

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Créditos: http://circulodainovacao.pt/politica/2017-07-03-Pressao-cresce-Azeredo-inamovivel

 

O povo português começa a ter noção de que uma das maiores ameaças à Democracia vem da casa da ...Democracia, nomeadamente da Assembleia da República (AR). Isto porque assistimos diariamente a uma instituição que serve para legitimar a impunidade e a incompetência e, em muitos casos, abafar situações de lesa-pátria e pressionar os tribunais a "não decidir".

 

O caso mais recente é o relatório de Tancos, onde os partidos da Esquerda (quem diria que o Bloco e o PCP...) se alinharam para excluir de responsabilidades no caso Tancos, tanto António Costa como o antigo ministro da defesa, Azeredo Lopes. Ou seja, o relatório de Tancos vai ser aprovado mesmo que, declaradamente enviesado face à realidade.

 

Caberá perguntar a Marcelo Rebelo de Sousa a quem irá doer então o furto das armas! Caberá perguntar a Azeredo Lopes porque foi forçado a demitir-se - posto que não tem quaisquer responsabilidades. Caberá perguntar a António Costa porque é que forçou a demissão do seu ministro! Caberá perguntar porque é que tantos outros ministros abandonaram os cargos em situações que, apesar de terem responsabilidade, não podiam controlar as ocorrências! Caberá perguntar a António Costa quando é que finalmente assume as suas responsabilidades como Primeiro-Ministro - que vão para além de fomentar a divisão dos portugueses em indivíduos de segunda e de primeira.

 

A casa da Democracia tende a ser, cada vez mais, a casa da vergonha, a casa onde acima dos interesses do país se encontra um número exagerado de indivíduos com mais tentáculos que um polvo gigante e que se arrogam de gozar de total impunidade e de usar a lei para se ilibarem dos crimes que cometem!

 

Entretanto, o caso vai-se arrastando e se alguém for condenado (o que me levanta dúvidas) serão sempre os peões que sujaram as mãos... Entretanto, a informação de que a Presidência sabia da encenação do aparecimento das armas, também ficou esquecida, sobretudo pelos media que são fiéis a Marcelo.

 

Esta notícia, também divulgada pelo Sapo 24, é mais uma daquelas que vai passar ao lado dos portugueses e ao lado daquilo que deveria ser a Democracia...  Nada de anormal, no país em que todos somos estrelas mas em que ninguém é responsável por nada...

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IMG_6029.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

E estamos de regresso a Santa Cruz, o último local que pisaremos nesta aventura. A estrada de regresso cansa-nos os olhos - queremos, mais uma vez, guardar toda aquela paisagem e acima de tudo todas aquelas vivências, como se pudessem estar escritas em cada árvore; em cada quilómetro de alcatrão ou de terra; em cada gota de chuva. Queremos recordar a força do mar na Fajã Grande, queremos sentir a natureza no seu estado mais puro a fazer das suas em pleno Atlântico.

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Depois de uma ida ao supermercado, já com muitas prateleiras vazias e sem qualquer tipo de pão, rumamos ao Museu da Fábrica da Baleia do Boqueirão. Como referi, embora nos choque o facto de se matar um animal como a baleia, reconhecemos que também está por detrás um sem número de histórias de vida e de pessoas que deram essa mesma vida para poderem sobreviver naquela ilha dos Açores. Não devemos fugir a essa realidade; a homens que tudo deram para tirar do mar o seu sustento.

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O museu é simples (como se quer num misto de antropologia com arqueologia industrial), está vazio, com pouca gente. É contudo, uma obra fundamental para a ilha e que se percebe em cada parede e em cada máquina. Percorremos os diferentes espaços, fazemos perguntas e também vemos algumas fotografias que nos deixam mais tristes, quer ao nível de perdas humanas quer ao nível das perdas animais. Temos de ver, é a realidade, é um mundo passado (ainda real em alguns países).

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Lá fora... O tempo arrefece, mas ainda convida ao passeio, além de que ainda falta algum tempo para provar os acepipes do senhor Rogério. Despedimo-nos dos simpáticos colaboradores do museu e voltamos a caminhar por Santa Cruz cujos habitantes agora não se encontram nas ruas... Poucas almas, um vento que sopra com alguma intensidade e o som do mar. A capital da ilha só para nós... E o Corvo, como sempre, tão perto...

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Heeeeey... Gritamos nós na esperança de que nos escutem. Afinal, estamos sozinhos na rua, já não nos chamam loucos. Esperamos que o vento transporte o nosso chamamento até à pequena ilha. Esperamos uma resposta, mais um convite para um jantar animado, mais umas cervejas à mesa do BBC. Não obtemos retorno e continuamos a deambular pelas ruas, vagueando desprendidos mas atentos a cada pormenor. É nas coisas mais simples e mais vazias que se encontram os maiores segredos...

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Anoitece... E queremos voltar a desvendar um dos segredos desta ilha na simplicidade do Servi-Flor - os pratos do senhor Rogério. O pargo está óptimo, a salada de alface e tomate sempre com aquele molho especial... E o pão, e o queijo... Terminamos no bar com um martini e uma conversa com o senhor Rogério. Ficamos a conhecer um pouco melhor a ilha, as aventuras dos céus dos Açores e a reconhecer a amizade deste nosso companheiro. Na zona do bar imaginamos aquele espaço, em tempos idos, repleto de soldados franceses e deixamos que essa imagem nos acompanhe até à cama. Fecho os olhos com Santa Cruz e a folia dos franceses na minha imaginação.

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Amanhã é o dia da partida e o fim da aventura... Pelo menos, nas Flores...

 

Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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IMG_6325.jpgCréditos: Robinson Kanes e GC

 

 

Carro a trabalhar... A tempestade ainda a dizer presente, embora mais calma... Primeira paragem, as cascatas do Poço da Ribeira do Ferreiro e depois a Fajã Grande - não foi por acaso que esta ainda não foi falada e ficou para o fim.

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No Poço da Ribeira do Ferreiro ainda se notavam os danos de um tempo mais agreste, por sua vez, ao longo da estrada já se procediam a algumas limpezas. Se pensamos que é impossível ficarmos impressionados como na primeira vez, esse mito cai por terra. A aproximação, mesmo por estrada, já antevia aquilo que estaria daqui a minutos diante de nós. Algum vento forte empurrrava a água para cima num espectáculo único de luta entre duas forças da natureza. O corta-vento e a roupa resistente são agora obrigatórios, muita lama, alguns aguaceiros ainda surpreendem - e claro, o vento...

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A chuva não nos demove, nada nos pode demover daquele espectáculo embora o mero do Sr. Rogério já esteja esquecido pelo estômago! É essa necessidade que nos faz partir em direcção à Fajã Grande e voltar a comprar umas latas de atum numa pequena mercearia gerida por um senhor, já com alguma idade - uma mercearia das antigas mas que ainda abastece os habitantes daquele local. Pão e atum, uma ou outra recordação e em frente ao mar - que não está pelos ajustes - saboreamos aquele repasto que, nos Açores, tem um sabor especial - além disso é ótimo para quem pratica desporto! O pão não, pronto...

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Na Fajã Grande o tempo oscila entre a chuva e algumas abertas - agora uma "chuva miúda", que conseguimos aguentar melhor. Dentro do carro, acabamos o atum que nos sabe pela vida e contemplamos aquele mar, um mar infinito e que nos coloca em sentido apesar da paixão que temos pelo mesmo. Pensamos nas lutas de muitos e muitos daqueles que se dedicaram as suas vidas à pesca... Regresso a uma das minhas origens, ou pelo menos a alguns dos locais onde, na minha infância, assitia à azáfama da faina.

IMG_6047.jpgO mar está forte, bem como o gostamos de ver em terra. Olhamos para o relógio... Ainda temos tempo, é hora de regressar a Santa Cruz - vamos conseguir visitar o Museu da Fábrica da Baleia do Boqueirão - embora nos choque como é que é possível matar um animal como a baleia, entendemos que também está por detrás um sem número de histórias de vida e de pessoas que deram essa mesma vida para poderem sobreviver naquela ilha dos Açores. 

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Aproveitamos, damos mais uma volta para sentir o frio das cascatas e da chuva no nosso rosto!

 

Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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A Peste dos Porcos!

por Robinson Kanes, em 07.06.19

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Créditos: https://sg.news.yahoo.com/dead-pig-found-beach-cheung-060130076.html

 

A sexta-feira tende a ser um dia dedicado a algumas sugestões ou algo mais descontraído, no entanto, não posso deixar escapar uma notícia que não tem tido o eco que deveria ter - por cá é daquelas que passa completamente à margem.

 

O sudoeste asiático está a debater-se com aquela que já é considerada a maior pandemia animal de sempre - inclusive em comparação com doenças que ficaram conhecidas pelo grande público como "doença das vacas loucas" e a "gripe das aves".

 

A febre suína africana começou na China, alastrou-se ao Vietname, Cambodja Mongólia, Coreia de Norte, Hong Kong e é possível que já esteja na Coreia do Sul e na Tailândia. Entretanto, os próximos alvos já estão sinalizados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO): Myanmar, Filipinas e Laos.

 

Acresce que não existe qualquer vacina e por isso os suínos ficam sujeitos a uma hemorragia interna ate à morte e que obriga ao abate imediate dos mesmos pois o risco de contaminação é altíssimo entre animais - não em pessoas, pelo menos para já (afinal as mutações existem).

 

Nestas situações, os riscos acabam também por aumentar devido ao medo em informar as autoridades - até porque não existe compensação pelo abate dos animais - e também devido à falta de informação, sem esquecer as dimensões destes países e as fracas condições de vida em alguns deles. Consequências? Disseminação da doença e surgimento de um mercado negro altamente descontrolado e com riscos inimagináveis. Escusado será também falar do aumento do preço da carne de porco, afinal em muitos destes países, o consumo desta carne está também na base da alimentação.

 

Estamos a falar de milhões de animais abatidos, de muitos milhões de "euros" e de um risco muito grande para o Mundo - apesar do tema, o "ébola dos porcos" não preencher capas de jornais - um pouco como o ébola dos humanos, afinal um está na Ásia e o outro em África.

 

... ainda.

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O Turismo, o Instagram e Santorini...

por Robinson Kanes, em 06.06.19

xuan-nguyen-781157-unsplash.jpg

Créditos: Xuan Nguyen

 

Recentemente li um artigo do "The Economist", da autoria de Jessica Bateman, que dava conta de uma preocupação crescente em relação ao turismo nas ilhas gregas, particularmente em Santorini. Ao ler esse artigo, mais uma vez, dou-me conta da necessidade de encarar o turismo como uma verdadeira indústria e também de apostar na sustentabilidade deste sob pena de termos mais uma indústria que financia uns tantos e destrói milhões. 

 

Quem já foi a Santorini, rapidamente vai perceber o encanto da ilha, sobretudo se visitarem a mesma durante a época baixa - embora a visita a ilhas menos conhecidas possa ser uma surpresa ainda maior. Como refere o artigo, a verdade é que redes sociais como o "instagram" têm aumentado o desejo em visitar a ilha - e como eu entendo, apesar de preferir a aurora ao crepúsculo, este último, o momento mais desejado na ilha.

 

O "instagram", entre outras redes sociais, levou a um aumento de 66% nas dormidas sobretudo numa época em que o turismo na Grécia sofria os efeitos da crise. Tudo isto é fantástico, no entanto, num país onde nem sempre as leis são respeitadas, temos um aumento da pressão e da especulação imobiliária e um sem número de situações de corrupção - esse panorama já é visível em Lisboa. Segundo o artigo, que cita Ioannis Glinavos, Professor na Westminster University em Londres, existem algumas restrições que passam ao lado de quem legisla e basta pisar o local para perceber que a impunidade reina - mais uma vez, é um exemplo que podemos ter em Portugal! A título de exemplo, visitem Alcochete e reparem como se constrói "em cima" do Tejo e de uma Reserva Natural - por sinal, uma das mais importantes da Europa e (estranhamente) menos importantes de Portugal.

 

O aumento do número de visitantes (totalmente descontrolado) e as consequências desse efeito vão acabar por destruir a autenticidade da ilha, fazer desaparecer outras actividades (a vinha é um exemplo) bem como o tecido social e a própria natureza - já é a própria União Europeia que o diz, acentuando também o facto de que a gestão urbanística da ilha está sob dependência do Governo Central. Num país com as características da Grécia, é totalmente inconcebível!

 

Por outro lado, aqueles que investem no turismo da ilha tiram o máximo proveito da situação e esforçam-se por aumentar legitimamente as suas receitas - actualmente, o posicionamento de talheres e copos tem em conta as fotografias que irão ser tiradas pelos clientes. Redes como o "instagram" são, neste momento, o maior aliado em termos de marketing - a "foto feita" tem um impacte sem precedentes e todos querem tomar parte na mesma! Numa sociedade onde todos queremos ser diferentes também acabamos todos por querer pertencer a um grupo e seguir a mesma tendência. Deixo essa análise para outras "letras"...

 

Mas colocando o foco no "instagram" ou em que faz uso do mesmo, também é preciso educar o turista: não são raras as invasões de espaço e a destruição do mesmo - vale tudo por uma fotografia e corremos o risco de criar o efeito de repulsa! Alguns exemplos são dados e muitos acabarão por se rever nos mesmos: bater às portas, entrar dentro de espaços privados, subir a telhados e a falta de respeito com os locais. Temos aqui um paradoxo, pois aquilo que atrai turistas à ilha acaba efectivamente por ser destruído pelos "mesmos canais" que criam esse desejo de experimentar. 

 

Acredito também que temos de ter em conta que o turismo é uma actividade que se pode considerar de luxo e que, não raras vezes, é desenvolvida num precipício em que de um lado temos o turista (rico ou aparentemente rico) e do outro o autóctene (mais pobre). Quando a invasão e destruição tende a ser em demasia podemos ter efeitos nocivos, sobretudo quando a exploração turística não é feita pelos locais e os mesmos não são consultados nos processos de desenvolvimento da mesma.

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